Voltando à Mega Drive para um artigo mais breve, vamos ficar com este Phelios, um shmup da Namco que teve as suas origens nas arcades em 1989 e acabou por receber uma conversão para a Mega Drive no ano seguinte. O meu exemplar é a versão japonesa, tendo sido comprada numa loja no norte algures durante o mês passado.
Jogo com caixa e manual, na sua versão japonesa
Este é um shmup vertical baseado na mitologia grega onde controlamos o deus Apolo, que tenta salvar a sua “amada” Artemis, que havia sido raptada pelas forças do titã Typhon. Ao longo do jogo, e seus bosses, iremos enfrentar inúmeras outras criaturas da mitologia grega como Medusa, Sirens ou o titã Antaeus. Até aqui tudo bem, mas a Namco meteu mesmo a pata na poça ao considerar Artemis como a pessoa de interesse romântico de Apolo. É que Artemis, na mitologia grega, era sua irmã gémea. Mas tudo bem!
O primeiro nível, apesar de ainda estar longe dos efeitos gráficos do original arcade, apresenta parallax scrolling muito interessante
No que diz respeito à jogabilidade, esta é muito simples, pois os 3 botões faciais do comando da Mega Drive servem para o mesmo: disparar! Apolo segue montado no seu cavalo alado e devemos disparar sobre tudo o que mexa, sendo que se deixarmos o botão de disparo pressionado alguns segundos, vemos à direita a espada de Apolo a carregar-se de energia, pelo que ao largar o botão no momento certo disparamos projécteis bem mais poderosos. Poderemos também encontrar alguns power ups, que nos conferem maior agilidade, a possibilidade de termos até 2 options a voar ao nosso lado (aumentando assim o nosso poder de fogo), bem como diferentes poderes que nos permitem disparar diferentes projécteis, embora infelizmente esses efeitos sejam apenas secundários.
A Medusa é logo o primeiro boss que enfrentamos!
A nível audiovisual esta conversão deixou-me com sentimentos mistos. Por um lado não estava à espera que tivesse todos os efeitos de rotação e ampliação de sprites e backgrounds visíveis na versão arcade, mas na verdade, pelo menos o primeiro nível até que resultou muito bem. O scrolling multidireccional é fluído e os efeitos de parallax scrolling das nuvens estão muito bons. Mas a partir daí, os níveis seguintes tornam-se mais desinteressantes do ponto de vista gráfico. As músicas são agradáveis e não tenho nada de especial a apontar aos efeitos sonoros. Entre cada nível vamos tendo breves cutscenes que mostram uma Artemis com cada vez menos roupa, mas tudo bem, é tudo entre irmãos. Esta versão possui também vários diálogos com vozes digitalizadas, mas infelizmente na Mega Drive as vozes soam um pouco arranhadas.
Entre cada nível vemos uma pequena cutscene com a Artemis, que tem cada vez menos roupa por algum motivo
Portanto este Phelios é um bom shmup, mas se calhar teria sido mais interessante se a sua conversão para a Mega Drive saísse um pouco mais tarde para justificar caber num cartucho de maior capacidade. O primeiro nível é tecnicamente impressionante, mas dali para a frente deixa um pouco a desejar. E as vozes poderiam certamente ser um pouco melhores. Mas de resto, a nível de jogabilidade, nada a apontar, um jogo bem sólido.
Vamos finalmente voltar à Mega Drive e ficar com um grande clássico da sua biblioteca. Shining in the Darkness é o primeiro videojogo da série “Shining” de RPGs e curiosamente é o único da era 8/16bit que eu cheguei a jogar a sério e terminá-lo há uns bons anos atrás, quando joguei os restantes Shining Force de todos os sistemas 8 e 16bit da Sega. Actualmente eu gosto de pegar numa série pelo início, ou seja, jogando cada jogo pela sua ordem de lançamento, mas nessa altura a minha panca era outra: jogar cada série pela ordem cronológica da sua história! E após eu ter jogado uns pares de horas deste Shining in the Darkness, depois de ter visto em sites da comunidade que este jogo era afinal dos últimos na cronologia… não voltei a pegar mais nele. Até agora! Entretanto o meu exemplar foi comprado algures em Setembro/Outubro de 2016 quando estive 1 mês e meio em trabalho na Irlanda do Norte. Custou-me cerca de 20 libras, se bem me recordo.
Jogo com caixa e manual
Ao contrário dos Shining Force que vieram mais tarde a sair para a Mega Drive, Game Gear e Mega CD, este é um dungeon crawler à moda antiga na primeira pessoa. Ao iniciar a aventura temos um feiticeiro que nos pergunta o nome e nos diz que somos o filho de Mortred, um prestigiado cavaleiro do reino de Thornwood, visto pela última vez a escoltar a princesa Jessa para uma visita à cidade e depois nunca mais deram notícias. Depois lá somos transportados para o castelo de Thornwood, onde após uma conversa com o Rei e seus conselheiros onde nos pedem para encontrar Jessa a todo o custo. Eventualmente entra em cena Dark Sol, um misterioso vilão que diz que tem a princesa Jessa sob a sua custódia, algures nas profundezas do labirinto lá do lado. E lá teremos então de explorar o Labirinto que por sua vez possui algumas dungeons adicionais que somos convidados a explorar primeiro.
O ecrã de introdução, onde nomeamos o nosso herói e definimos algumas opções do jogo, veio-se a tornar uma introdução clássica nos Shining desta era
Antes de falar sobre a exploração do labirinto em si, vamos primeiro abordar a exploração do castelo e da cidade. Tanto numa como noutra temos uma perspectiva de primeira pessoa e vamos rodando a câmara com o d-pad até o nome da pessoa que queremos interagir surgir destacado no ecrã. Na cidade é o mesmo conceito mas estamos no centro de uma praça e temos uma série de edifícios para explorar, como a igreja, onde podemos gravar o progresso do jogo, ressuscitar personagens da nossa party (incialmente jogamos sozinhos mas rapidamente teremos de arranjar 2 amigos que nos acompanham) e ver os pontos de experiência que cada personagem precisa de obter para subir de nível. Podemos também entrar em diversas lojas onde poderemos comprar e vender itens de uso genérico, armas e armaduras. A taverna é também outro local de destaque, pois não só podemos falar com mais alguns NPCs, mas também alugar um quarto para passar lá a noite e asssim recuperar os nossos pontos de vida.
Interagir com os NPCs também é feito na primeira pessoa. O design bastante carismático dos mesmos é também um ponto muito positivo!
O labirinto em si é onde está todo o desafio. É também todo explorado na primeira pessoa e é bastante desafiante. A necessidade de grinding é uma constante, pois existem áreas do labirinto que vão tendo inimigos mais fortes (e armadilhas também) e é muito fácil, caso estejamos enfraquecidos, de repente surgir um grupo de inimigos mais fortes que rapidamente dizimam o nosso grupo. E visto que practicamente não há nenhum sistema de checkpoints ou fast travel a não ser usar uma angel wing para regressar à cidade (existe uma maneira de regressar a um certo ponto no labirinto que desbloqueamos mais tarde no jogo, mas não é ideal), o backtracking por diversos andares do labirinto será uma constante. É portanto necessário arranjar maneira de mapear cada andar e os seus segredos, o que terá de ser algo feito por nós. Não existe nenhum auto mapa, existem sim um ou outro item ou feitiço que nos mostram, temporariamente, apenas uma pequena parte do mapa à nossa volta, pelo que teremos de nos desenrascar sozinhos. Se fossem os anos 90, garantidamente teria de desenhar os mapas num papel quadriculado (cheguei a fazê-lo quando joguei o Phantasy Star pela primeira vez), mas a solução mais cómoda é consultar os mapas na internet. Felizmente este não é como alguns outros dungeon crawlers em que as dungeons são geradas aleatoriamente! De resto, e também para salientar a dificuldade elevada, convém também referir que o espaço para inventário é muito limitado. Cada personagem pode carregar apenas 8 itens no máximo (e isso inclui o equipamento já equipado ou não), pelo que uma gestão de inventário inteligente é necessária (itens para regenerar vida e pelo menos uma angel wing para escapar do labirinto são obrigatórios).
À medida que vamos avançando no labirinto, os encontros com inimigos começam a ser mais perigosos e a surgir em maior número
A nível audiovisual é um jogo simples, mas bastante charmoso em alguns aspectos. Estou-me a referir claro à interacção com as personagens, que aparecem muito bem detalhadas no ecrã. Um pormenor muito interessante é o de, quando exploramos a cidade, ouvimos uma agradável melodia a médio volume, mas quanto entramos na taberna, o volume da música aumenta! De resto, ao explorar o labirinto os cenários são simples. Não tão simples quanto as dungeons do Phantasy Star, que eram apenas corredores monocromáticos, aqui as dungeons vão tendo diferentes cores e “texturas” consoante o andar onde estamos. Já os inimigos vão sendo também consideravelmente variados entre si, sendo que podem também esperar por versões de diferentes cores do mesmo inimigo, cada uma mais forte que a anterior. No entanto, e tirando talvez uma ou outra excepção, os inimigos não possuem o mesmo nível de detalhe e charme que os NPCs com os quais vamos interagindo. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros. Já as músicas, tanto vão alternando entre temas mais agradáveis e ligeiros (principalmente quando exploramos a cidade), ou temas que fazem lembrar marchas militares, quando exploramos o labirinto.
O sistema de menus por ícones é algo que a Camelot veio a manter nos seus RPGs ao longo dos tempos. Sim, a série Golden Sun também os usa!
Portanto este Shining in the Darkness é um jogo bastante sólido no (relativamente reduzido) catálogo de RPGs da Mega Drive. O facto de ser um dungeon crawler, e um daqueles em que não dá muito a mão ao jogador, irá certamente causar dificuldades a quem não estiver habituado ao género. Ainda assim, e tendo em conta que foi um jogo desenvolvido com um budget muito apertado, o resultado final é bastante interessante. A maneira como a série Shining evoluiu nos anos seguintes foi uma agradável surpresa, que irei narrar assim que rejogar o primeiro Shining Force.
Vamos voltar à Mega Drive para um jogo muito especial. A série Wonder Boy, que já referi por várias vezes ser uma propriedade intelectual nada simples de analisar devido a todas as variantes e mudanças de nome que os seus jogos receberam ao longo dos anos, pode ser dividida em duas ramificações distintas: O Wonder Boy original, um jogo de plataformas simples e linear (que originou por exemplo a série Adventure Island e a sequela Wonder Boy III: Monster Lair) e os Monster Land / Monster World, que são na mesma jogos de plataforma, mas com progresso tipicamente não linear (metroidvania) e algumas mecânicas típicas dos RPG. E, durante os anos 80 e 90, todos os Wonder Boy que foram publicados pela Sega nas suas consolas acabaram por sair cá no ocidente. Todos… excepto o último, este Monster World IV, que inexplicavelmente nunca teve um lançamento fora do Japão (não contando naturalmente com os lançamentos recentes em formato digital, na Mega Drive Mini ou mesmo o remake deste ano). É que é um excelente jogo, mas já lá vamos. O meu exemplar chegou-me às mãos algures em Junho deste ano, mas foi um grande filme e que me deixou com um prejuízo considerável, pois a loja onde o comprei fez asneira e para além disso os custos alfandegários não foram nada simpáticos.
Jogo com caixa e manual, na sua versão japonesa
A história deste Monster World decorre muitos anos após os acontecimentos dos jogos anteriores. Tanto que o mundo está bastante diferente, agora em vez de termos uma cidade central com influências medievais europeias, todo aquele mundo tem influências árabes. Aliás, as influências egípcias não são uma novidade na série Monster World e aqui teremos uma vez mais pirâmides para explorar e uma esfinge para interagir. Mas voltando ao que interessa, como o jogo decorre muitos anos depois, o protagonista (Wonder Boy ou Shion) já não é o mesmo. Na verdade até é uma rapariga, a jovem Asha que vive numa aldeia remota e anseia em tornar-se uma guerreira aventureira. E quando chega à idade de provar o seu valor como guerreira, é aqui que se inicia a aventura. Começamos por explorar uma dungeon simples, onde acabamos por descobrir um génio da lâmpada que nos irá servir ao longo da restante aventura, começando por nos transportar para a cidade de Rapadagna, que servirá de hub central para aceder às restantes áreas de jogo. É aí que conhecemos a rainha Puraprill XIII, que nos incumbe de uma importante missão: a de resgatar os espíritos elementais que foram misteriosamente aprisionados. É que estes eram responsáveis de manter um grande ser maligno longe da civilização, portanto maus dias avizinham-se. É também nessa cidade onde Asha adopta uma interessante criatura, um “pepelogoo” azul e que será figura muito importante não só na história mas também na jogabilidade.
Este génio tem um sentido de humor muito peculiar. Mas teremos de lhe recorrer quando quisermos abandonar temporariamente uma dungeon e voltar à cidade.
E a jogabilidade foi também bastante modificada perante os Wonder Boy anteriores, a começar pela liberdade de exploração. Este é agora um jogo mais linear e as dungeons que temos de explorar, depois de completadas, ou seja, depois de derrotar o boss final lá do sítio, deixam de poder ser acedidas. E tendo em conta que continuamos a ter muitos tesouros opcionais por encontrar, é uma pena não poder revisitar essas mesmas áreas mais tarde. No entanto, antes de derrotar o tal boss, podemos a qualquer momento chamar o génio que nos transporta de novo para a cidade, o que convém fazer algumas vezes para ajudar no grind. O grind é necessário pois vamos ter várias lojas onde poderemos comprar espadas, escudos e armaduras. Mas infelizmente também aqui as coisas foram simplificadas, pois podemos ter no inventário apenas um destes itens de cada vez. Por exemplo, sempre que compramos uma nova espada, esta substitui a que tínhamos comprado anteriormente. A barra de vida está agora dividida em corações de duas cores. Os corações vermelhos são a barra de vida principal de Asha e esta pode apenas ser extendida mediante a armadura que tenhamos equipado no momento. Ao longo do jogo poderemos coleccionar uma série de cristais azuis e, sempre que juntemos 10 cristais, é adicionado um coração azul à nossa barra de vida. Mas estas foram as únicas mudanças perante a jogabilidade dos títulos anteriores que não apreciei muito, todas as outras foram muito benvindas.
Ao longo das dungeons podemos encontrar vending machines onde, a troco de dinheiro, podemos restabelecer parcialmente a nossa barra de vida
A começar pelo facto de Asha ser uma personagem bem mais ágil que Shion/Wonder Boy. Não só pode correr, como possui mais tipos de ataque (pode atacar com a espada para cima, ou saltar e atacar para baixo, por exemplo), pode usar o seu escudo ao pressionar o d-pad para baixo, mas também é muito importante toda a cooperação com o seu pepelogoo, a tal criatura azul que nos irá acompanhar ao longo do jogo. A qualquer momento podemos chamá-lo (e agarrá-lo) ao pressionar o botão A. Depois podemos usá-lo como uma espécie de pára-quedas quando saltamos, deslizando suavemente pelo ar, ou mesmo usá-lo como uma espécie de plataforma para efectuar um segundo salto. Tanto uma habilidade como outra serão necessárias para alcançar locais que de outra forma não conseguiríamos alcançar, ou para atravessar alguns segmentos mais desafiantes de platforming. Para além do platforming, todas as dungeons exigem bastante exploração e frequentemente temos de pressionar alguns interruptores ou fazer outras acções específicas. Para os interruptores que estão fora do nosso alcance, podemos usar a criatura para os activar, bastando para isso atirá-la para a respectiva direcção. Para alguns obstáculos, como atravessar colunas de fogo ou zonas subaquáticas, teremos mesmo de usar a pobre criatura, que parece ser invulnerável a esse tipo de dano. Numa dungeon com gelo, por vezes até temos de o congelar propositadamente para que este sirva de plataforma! Portanto todas estas novas mecânicas de jogo acabaram por, enriquecer a jogabilidade e, de certa forma, branquear um pouco algumas das mudanças que menos gostei.
Cada dungeon tem tipicamente 2 bosses para enfrentar
A nível audiovisual é um jogo excelente. Já o Wonder Boy in Monster World era um jogo bastante charmoso visualmente, mas neste a WestOne esmerou-se. O mundo de Monster World tem agora influências árabes, com cidades e dungeons muito bem detalhadas e também bastante distintas entre si. A própria Asha está também bem detalhada e animada, fruto também das suas habilidades mais atléticas quando comparando com o protagonista anterior. O génio que nos acompanha é super preguiçoso mas também muito engraçado (experimentem dizer-lhe não várias vezes) e o jogo está repleto de alguns efeitos gráficos interessantes também. As músicas são também bastante agradáveis, sendo que muitas delas possuem naturalmente influências árabes nas suas melodias.
Graficamente é um jogo bem colorido, bastante detalhado, e todos os NPCs têm coisas minimamente interessantes para dizer
Portanto este é um excelente jogo para a Mega Drive. É verdade que a perda de alguns elementos metroidvania desiludiu-me um pouco, mas como um todo, estamos perante um jogo de plataformas com elementos de RPG muito sólido mesmo. Este Monster World IV saiu originalmente no Japão em 1994 pelo que dificilmente sairia no ocidente antes de 1995. E tendo em conta que haveria muito texto para traduzir, compreendo alguma reticência da Sega of America em fazer esse investimento de tradução para lançar o jogo naquele território, quando nesse ano o seu foco estava principalmente concentrado no lançamento (desastroso) da Sega Saturn. Ainda assim, na Europa a Mega Drive continuava a ser uma plataforma de grande sucesso comercial, pelo que este jogo tivesse lá saído (garantidamente com outro nome) teria tudo para ser um lançamento bem sucedido. É uma pena. Em 2002 um grupo de fãs traduziu o jogo ao lançar um patch e foi dessa forma que o joguei, tanto há imensos anos atrás, como agora. Mas 10 anos depois, a M2 (que tem vindo a trabalhar em inúmeros ports de clássicos da Sega para sistemas modernos) acabou por traduzir oficialmente o jogo para inglês, tendo sido lançado (de forma digital) para o PC, Wii, e PS360. Essa versão veio incluída na Mega Drive Mini e este ano foi lançado um remake chamado Wonder Boy: Asha in Monster World. Esse remake traz também, nas suas versões físicas, a versão da Mega Drive traduzida para inglês, pelo que poderá ser mais uma alternativa a quem quiser experimentar este fantástico jogo.
Mais uma super rapidinha, agora para a Mega Drive, até porque este Puyo Puyo é a lançamento original nipónico daquele jogo que cá no ocidente viemos a conhecer como Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine, cuja versão já cá abordei no passado. O meu exemplar foi comprado numa loja online no passado mês de Junho por cerca de 20€.
Jogo com caixa, manual e papelada, na sua versão japonesa
Ora a série Puyo Puyo começou por ser um spin off de Madou Monogatari, um RPG dungeon crawler, lançado originalmente para o computador MSX em 1990. A Compile aproveitou o charme das slimes coloridas para desenvolver então o Puyo Puyo, um puzzle game inspirado no Tetris onde vamos tendo de encaixar blocos de 2 puyos coloridos e formar conjuntos de puyos de 4 ou mais unidades, fazendo-os desaparecer. E claro, se enchermos a nossa área de jogo, é game over. Esse primeiro jogo saiu também no computador MSX em 1991, tendo posteriormente recebido inúmeras conversões para outros sistemas. Em 1992 a Compile alia-se à Sega para lançar uma versão arcade com diferentes modos de jogo, que por sua vez também recebeu várias conversões para diferentes sistemas, incluindo a versão que vos trago cá hoje. O facto de ambos os jogos partilharem o mesmo nome também não ajuda nada para os diferenciar!
A principal diferença perante o Robotnik’s Mean Bean Machine é que as personagens são todas do universo Madou Monogatari ao invés dos desenhos animados das Adventures of Sonic the Hedgehog
Aqui dispomos então de exactamente os mesmos modos de jogo que no Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine, mas com personagens do universo Madou Monogatari. No modo de jogo principal para single player (o scenario) vamos então combater com diversos oponentes daquele universo e a ideia é a de tentarmos fazer o máximo de combos possível para encher o ecrã do nosso oponente de puyos cinzentos, só para lhes complicar a vida. Naturalmente que à medida que vamos progredindo no jogo, os nossos oponentes vão ficando mais inteligentes e a velocidade que as peças caem vai também aumentando. O segundo modo de jogo é o multiplayer para 2 jogadores e o terceiro é uma espécie de modo de treino, que é basicamente o modo endless da primeira versão do Puyo-Puyo.
O objectivo é mesmo o de tentar fazer o máximo de combos possível para mandar mais lixo para o ecrã do nosso oponente
Graficamente é um jogo bastante colorido e os oponentes que vamos enfrentando são por vezes bastante bizarros como um pé gigante! Infelizmente a conversão para a Mega Drive perde muito do voice acting que existia na versão arcade, principalmente o que ocorreria nas cutscenes que antecedem cada confronto. A versão PC-Engine CD mantém todo esse conteúdo intacto, até porque saiu num formato CD. Já as músicas são bastante alegres e agradáveis também.
Voltando à Mega Drive, vamos ficar com um jogo que sempre tive imensa curiosidade em jogar, mas confesso que no final acabou por me desiludir um pouco. O facto de o chamarem de “The Legend of Zelda da Mega Drive” também não ajuda muito, pois as semelhanças entre ambos os jogos acabam por não ser tantas quanto isso. Produzido pela nipónica Nextech, que fez vários jogos para consolas da Sega como o Cyber Speedway que já cá trouxe no passado, este é um jogo de aventura com alguns elementos de RPG e acabou por ter nomes distintos ao longo das diferentes regiões onde foi lançado. Soleil é o seu nome europeu e o meu exemplar veio de uma CeX na zona do Porto, em Agosto do ano passado, creio que por 35€, estando completo e em excelente estado.
Jogo completo com caixa e manuais
A história leva-nos uma vez mais a um mundo fantasioso que havia sido invadido por monstros. E como manda a tradição da cidade de Soleil, quando os rapazes fazem 14 anos, já estão aptos para serem lançados à aventura e combater os monstros que assolam aquele mundo. E isso é o que acontece com a nossa personagem! Entretanto coisas acontecem e ganhamos a habilidade de falar com animais, sendo que isso irá desbloquear a grande mecânica de jogo central em Soleil: podemos recrutar uma série de animais que nos acompanhem na aventura, sendo que estes nos vão conferindo diferentes habilidades, se bem que apenas podemos ter até 2 animais activos de cada vez.
Olhem lá quem fez uma visita!
Os controlos são simples, com o botão A para atacar com a espada, o botão B para saltar (mas inicialmente temos de “aprender” a saltar, o que é uma das coisas que me irritou um pouco) e o botão C tipicamente é usado para activar as habilidades de alguns animais. Outra das habilidades básicas que tem de ser desbloqueada é a de manter o botão A pressionado durante uns segundos para carregar um ataque e ao soltá-lo atiramos a espada como um boomerang, voltando novamente às nossas mãos. Já as habilidades que os animais nos conferem são bastante variadas, como a de conferir poderes elementais de fogo ou gelo à nossa espada, correr e saltar mais longe, outras aumentam a distância que a nossa espada pode ser atirada, já outro animal até nos deixa controlar a direcção da espada em pleno voo, entre muitas outras habilidades. Confesso que este sistema até achei bastante original, pena que em tudo o resto o jogo acabe por ser bem mais mediano do que estava à espera, a começar pela narrativa que não é nada de especial, nem o jogo tem personagens que sejam minimamente memoráveis. Talvez o cameo do Sonic!
Alguns bosses até ficaram bem conseguidos!
A nível audiovisual confesso que esperava um pouco mais. Não acho que os monstros sejam propriamente muito apelativos, nem a maneira como progredimos nas áreas a explorar. Vamos ter inúmeros interruptores e blocos para activar ou mover e que por sua vez nos vão desbloqueando acessos a outras zonas. De certa forma até me fez lembrar um pouco do Startropics nesse aspecto. As áreas que exploramos estão acessíveis através de um mapa mundo à lá Super Mario World, e não propriamente de uma forma contínua e interligada como nos Zeldas em 2D. Vamos tendo áreas com as mais variadas temáticas a explorar, como florestas, desertos, montanhas, cavernas, ruínas, etc, mas sinceramente nunca fiquei especialmente agradado com a sua apresentação, nem da dos inimigos, com excepção de alguns bosses. Por outro lado as músicas são bastante agradáveis!
Temos um mapa mundo onde podemos escolher que áreas visitar
Portanto este Soleil deixou-me um pouco desiludido. Não é um mau jogo, longe disso, mas todo o hype que por vezes os fãs lhe colocam em cima, deixaram-me com expectativas bem mais altas. As mecânicas de jogo com os diferentes animais que podemos vir a recrutar e as suas habilidades até foram uma boa ideia. Mas a história super desinteressante e algumas decisões de game design algo questionáveis foram de longe o que menos gostei aqui. Por clones de Zelda na Mega Drive, o The Story of Thor é muito, muito melhor.