Tomcat Alley (Sega Mega CD)

A Mega CD era uma plataforma interessante que apesar de possuir alguns bons jogos na sua biblioteca, ficou ultimamente conhecida por receber jogos foleiros em full motion video, ou conversões de jogos já existentes na Mega Drive, mas agora com uma ou outra cutscene e músicas no formato CD Audio. Bom, este Tomcat Alley infelizmente enquadra-se na primeira categoria. O meu exemplar veio do Reino Unido algures em Março deste ano, custou-me cerca de 5 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Bom este é então um jogo inteiramente baseado em full motion video, sendo basicamente um filme interactivo. Encarnamos num grupo de pilotos de uma organização militar secreta que terá uma série de missões pela frente, de forma a abater alvos inimigos como outros aviões ou infrastruturas. São todos pilotos do avião norte-americano F-14 Tomcat, sendo que nós não encarnamos no piloto, mas sim no artilheiro, pois teremos a responsabilidade de escolher o destino do avião, que alvos enfrentar, e controlar os mísseis ou restante equipamento do avião.

Claro que a cutscene de introdução tinha de ter um Tomcat.

Portanto as missões vão sendo assim: clipes de vídeo de um avião a sobrevoar paisagens genéricas, o piloto convida-nos a escolher um destino, o jogo sai da perspectiva em primeira pessoa e vemos imagens de um avião a virar e alterar a sua direcção. Chegando ao destino somos presenteados com a presença de aviões ou baterias antiaéreas inimigas e somos uma vez mais convidados a escolher o alvo a atacar. Movendo o cursor para o ícone certo, pressionamos num botão, o jogo mostra novamente uma pequena cutscene do avião a virar e lá teremos o alvo inimigo na nossa mira. Aí dispomos de breves segundos para apontar a mira para o alvo inimigo e pressionar o botão de ataque, onde o jogo mais uma vez interrompe a acção para mostrar agora um míssil a ser lançado e, se tivermos sucesso em fazer lock ao alvo, vemos um avião aleatório a ser destruido. Por outro lado também podemos estar a ser atacados e aí temos uma vez mais breves segundos para levar o cursor ao ícone das nossas defesas e o que acontece depois? O jogo interrompe a acção para mostrar um vídeo do míssil inimigo passar mesmo ao nosso lado e só depois vemos outra cutscene do avião a efectuar uma manobra evasiva.

A HUD. Podemos mover o cursor para seleccionar caminhos, trancar alvos na mira, ou selecionar alguma das opções abaixo

Vamos tendo outros ícones no ecrã que podemos e deveremos interagir na altura certa como o rádio para ouvir as conversas dos companheiros, a possibilidade de alternar entre mísseis ar-ar e ar-terra, ou as tais medidas defensivas. Até aqui tudo bem, consigo sobreviver com isso, com a má qualidade do vídeo em si e mesmo a dos actores que é risível. Agora o que me chateia mesmo é todas as constantes quebras de ritmo com as cutscenes do avião a virar, do piloto a carregar no botão para disparar um míssil, ou quando selecciona a rota no computador de bordo. Todas essas pequenas coisas que vamos ver vezes sem conta irritam-me profundamente. Ao menos o Road Avenger era bem mais fluído nesse aspecto.

A nível técnico, acho que o meu parágrafo acima já disse tudo. Uma das maiores limitações de hardware da Mega Drive é o número de cores que consegue apresentar em simultâneo, que é bastante reduzido. Infelizmente a Mega CD não trouxe grandes melhorias nesse departamento, pelo que por norma os vídeos na Mega CD para além de serem de baixíssima resolução, também possuem muita pouca cor. Aqui, ao contrário de outros jogos, os vídeos ocupam o ecrã inteiro, o que infelizmente se traduz numa resolução de imagem ainda mais pixelizada do que o normal. Para além das limitações técnicas, os diálogos são péssimos e algumas das montagens feitas, como as dos aviões a serem destruídos, vê-se mesmo que eram muito low budget. A qualidade do som também não é a melhor, até porque os volumes oscilam bastante entre cutscenes. As músicas, que tentam ser rock, mal se ouvem.

Preparem-se para ver o avião a virar para o mesmo sítio vezes sem conta.

Portanto este não é um jogo que eu recomende. Confesso que gosto bastante da Mega CD, e alguns dos seus jogos em FMV, acredito perfeitamente que para a altura em que foram lançados até tenham tido algum sucesso até porque se achava que aquilo era o futuro. E mesmo assim, alguns deles ainda hoje sejam moderadamente divertidos de jogar. Infelizmente, para mim, não é o caso deste Tomcat Alley.

Black Hole Assault (Sega Mega CD)

A rapidinha de hoje leva-nos para mais um jogo da Mega CD, nomeadamente este Black Hole Assault que sinceramente nunca tinha ouvido falar do mesmo. Desenvolvido pela nipónica Micronet, este é um jogo de luta futurista entre mechas e sequela directa do Heavy Nova, um outro jogo da Micronet lançado para a Mega CD e Mega Drive, mas apenas em solo japonês e americano respectivamente. Bom, a jogabilidade não é grande coisa, mas devo dizer que fiquei bastante supreendido pela sua apresentação. Mas já lá vamos. O meu exemplar veio do reino Unido há uns tempos atrás, creio que me custou algo entre os 7,5 e os 10€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

40 anos após os acontecimentos de Heavy Nova, onde uma civilização alienígena conhecida pelo nome de Akirovianos, atacou o planeta terra, deixando-o à beira da ruína. Agora, com a humanidade ainda a recuperar, os aliens estão de regresso, ao posicionar uma série de robots em pontos fulcrais do sistema solar e que estão a atacar as nossas naves que para lá viajam em busca de recursos. Cabe-nos a nós então encarnar num piloto humano que irá conduzir o seu mecha e combater cada um destes robots, eliminando uma vez mais esta ameaça.

Apesar do jogo investir muito na sua apresentação, a jogabilidade deveria ser bem melhor.

Entre cada combate podemos escolher quais dois dois mechas queremos controlar, seja o Cyquest ou o Orion, cada um com diferentes habilidades. Depois nos combates em si, para além do tempo de combate que temos disponível, cada robot possui uma barra de vida que se vai esvaziando com o dano infligido e o nosso objectivo é naturalmente o de derrotar o oponente à pancada. Para além disso, cada robot possui também um certo nível de energia (medido em percentagem) que quando no máximo, nos permite executar o golpe especial do robot em questão, ao pressionar o mesmo botão dos socos. Portanto a nível de jogabilidade em teoria as coisas são bastante simples, mas quando começamos a jogar, o caso muda de figura. Os robots são lentos, os controlos nem sempre respondem (ou sou eu que não acerto no timing) e não há uma grande variedade assim de diferents golpes.

Gosto bastante destas introuções semelhantes a programas de computador

De resto, para além do modo história, temos também alguns modos multiplayer, desde partidas casuais, que curiosamente possuem um editor muito interessante onde podemos customizar os nossos oponentes, a probabilidade de desferirem cada golpe, etc. Temos também modos de torneio (combates eliminatórios) e campeonatos (por pontos), o que até seria um ponto positivo, se a jogabilidade não fosse tão mázinha.

As cutscenes são excelentes para um jogo de Mega CD

Por outro lado a nível de audiovisuais este é um jogo decididamente surpreendente. O mesmo está repleto de cutscenes anime e com um voice acting bem melhor do que estaria à espera (o que também não quer dizer muito) e entre cada combate vamos tendo também uma série de animações que simulam uma linha de comandos, um toque que sinceramente me agradou. Infelizmente muitas das cutscenes têm história para encher chouriços, mas é de louvar o esforço que a Micronet colocou na apresentação do jogo. As arenas e lutadores possuem gráficos bons quanto baste, com os combates a decorrerem em diversas luas e planetas do sistema solar, cada qual com diferentes paisagens. As músicas são todas em CD-Audio e bastante agradáveis.

FIFA International Soccer (Sega Mega CD)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, o artigo de hoje será mesmo curto. Isto porque vamos abordar a conversão do FIFA International Soccer para a Mega CD que, tal como podem desde já adivinhar, é essencialmente a mesma versão da Mega Drive com algumas ligeiras modificações. O meu exemplar veio do Reino Unido, tendo sido comprado por 10£ algures no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual

Portanto este é o mesmo jogo que a versão Mega Drive, com as mesmas mecânicas (perspectiva isométrica que se manteve em todos os outros FIFAs para sistemas 16bit), mesmos modos de jogo (desde partidas amigáveis, passando por vários tipos de torneios ou campeonatos) e as mesmas equipas, neste caso apenas selecções nacionais.

Será que por esta versão ter algumas cutscenes em FMV compensa face à versão da Mega Drive? Eu diria que não

Mas o que trouxe esta versão Mega CD de diferente? Bom, temos agora uma cutscene em FMV na abertura e fecho do jogo, algumas músicas ambiente com qualidade CD Audio e os efeitos sonoros, em especial os do público, parecem-me ter mais qualidade. E é basicamente isso. Claro que temos também outras desvantagens como é o caso dos ecrãs de loading antes de cada partida e nos seus intervalos e, pode ser apenas impressão minha, mas esta versão Mega CD não me pareceu tão fluída quanto o original em cartucho.

Portanto esta adaptação acaba por ser um item interessante apenas para coleccionadores. Full motion videos em jogos de futebol não é algo que faça grande diferença pelo que a versão original em cartucho acaba por ser uma escolha melhor.

Sol-Feace (Sega Mega CD)

Continuando pelas rapidinhas a shmups e ainda nas consolas da Sega, o jogo que cá trago hoje é mais uma produção da Wolfteam, lançada originalmente no Japão no ano de 1990 para o fantástico computador da Sharp, o X68000. Mais tarde uma adaptação foi lançada para a Mega CD, tendo cá chegado à Europa só em 1993. O jogo foi posteriormente lançado em bundle com o Cobra Command, que já cá trouxe anteriormente e é a versão que eu tenho, que veio do UK há uns meses atrás por cerca de 5£.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos ao futuro, onde a humanidade, que já era avançada o suficiente para colonizar outros planetas, desenvolve um super computador com inteligência artificial, que tinha como missão ser uma espécie de mediador para alcançar a paz e harmonia entre todos os povos. Mas claro, como aprendemos no Terminator não dá para confiar em inteligências artificiais. O mesmo torna-se antes num ditador bastante opressivo, fazendo com que alguns humanos formem um movimento de resistência. De forma a destruir o poderoso computador, um cientista constrói um protótipo de uma nave espacial (a Sol-Feace) que seria usada para formar um pequeno exército e combater a inteligência artificial. Só que esta antecipa-se e assassina o cientista, antes que pudesse construir mais naves. Assim sendo, como sempre acabamos por ser a ultima esperança da humanidade e lá vamos nós sozinhos numa nave destruir exércitos inteiros.

Temos direito a uma custcene inicial com algumas animações e voice acting

A nível de jogabilidade este é um jogo simples. Começamos com uma nave simples, mas logo o primeiro power up que podemos apanhar adiciona à nave 2 canhões adicionais, um por cima da nave, outro debaixo. A parte engraçada é que podemos controlar a direcção de disparo de cada um desses canhões secundários, podendo disparar na diagonal ou em frente. Posteriormente podemos apanhar outros power ups que servem de upgrades às nossas armas, sejam para o canhão principal, ou para os secundários.

Este é um jogo graficamente interessante, com efeitos de rotação de sprites

A nível audiovisual é um jogo misto. A versão Mega CD tem algumas cutscenes muito bem animadas, seja no início do jogo, sejam as pequenas cutscenes de transição entre cada nível. Para além disso os níveis em si até que vão sendo variados e gosto dos efeitos de rotação de sprites que aqui colocaram. Alguns bosses, logo o primeiro, por exemplo, possuem aqueles efeitos de “articulação de sprites” como vemos no Gunstar Heroes, por exemplo. Se por um lado os gráficos são agradáveis, os efeitos sonoros já deixam algo a desejar, especialmente o barulho que os nossos disparos fazem. No entanto, as músicas, em qualidade CD-Audio, são excelentes. São essencialmente músicas rock, mas sem guitarras. Com óptimas linhas de baixo e bateria, temos os sintetizadores a tomarem conta do resto da melodia e a meu ver resultou muito bem.

Portanto este é um shmup algo simples, mas que até se joga bem e com uma boa banda sonora a acompanhar. Curiosamente, a Renovation (uma publisher norte americana que lançou muito jogo japonês para a Mega Drive apenas em solo americano) converteu a versão Mega CD para a Mega Drive e pelo pouco que vi, pareceram-me que fizeram um bom trabalho! Mas infelizmente essa é uma versão exclusiva para o mercado norte-americano, nem sequer no Japão saiu.

 

Cobra Command (Sega Mega CD)

Voltando às rapidinhas, vamos agora visitar a Mega CD para mais um jogo baseado em full motion video, tal como o Road Avenger que já cá trouxe. Aliás, tal como Road Avenger, este Cobra Command é também uma conversão de um jogo arcade bem mais antigo, da década de 80, tendo sido produzido para arcades baseadas na tecnologia Laserdisc, uma espécie de concorrente ao CD que acabou por prevalecer na indústria. Este meu exemplar é o que vem em conjunto com o Sol-Feace, que mais tarde também conto escrever para aqui um artigo.

Jogo com caixa e manual

Neste Cobra Command nós estamos ao “volante” de um helicóptero militar, com o propósito de combater uma poderosa organização militar que ameaça todo o mundo livre. Começamos precisamente nas ruas de Nova Iorque a combater todos os inimigos que nos surjam à frente, sejam outros helicópteros, tanques, navios, baterias antiaéreas, etc. Basicamente temos de estar atentos ao que nos dizem e às pistas visuais para abater os inimigos que nos aparecem à frente. Ao longo de todo o jogo temos uma mira que pode ser usada para apontar e atingir os inimigos antes que estes disparem sobre nós (caso contrário lá se vai uma vida), mas muitas vezes também temos de nos desviar de alguns obstáculos, usando para isso o próprio D-Pad e pressioná-lo nas direcções o mais rápido possível. É, portanto, um gigante quick-time event com alguns elementos de light gun shooter, sendo que temos de usar o comando para apontar e disparar. Por norma dispomos de 3 vidas e caso falhemos algum alvo, ou não nos desviamos a tempo, temos direito a uma simpática cutscene do nosso helicóptero a explodir e lá se vai uma vida. Portanto, acaba  por ser um daqueles jogos onde reflexos rápidos e alguma memorização ajudam bastante.

Mais que um quick time event gigante, também temos um cursor para apontar e disparar para os inimigos

Infelizmente, tal como o Road Avenger, a qualidade do vídeo não é grande coisa, fruto das limitações da própria Mega CD, com cores mais esbatidas e uma resolução menor. De resto, nada contra as músicas que são maioritariamente rock em qualidade CD-Audio e para o comandante que nos vai dando indicações bem claras, indicações essas que são também chave para progredirmos no jogo, pois quando nos diz que temos de virar para uma certa direcção, é bom que o façamos logo.

Portanto, este é um jogo que infelizmente não envelheceu nada bem. Mas ao contrário de outros jogos da Mega CD baseados em full motion video, este é daqueles que temos de o olhar para lentes ainda bem mais antigas, visto ser um jogo original de 1984, para arcades baseadas em laserdisc, tal como o Dragon’s Lair. E nessa altura, ver um jogo com “gráficos” de qualidade de desenhos animados era sem dúvida algo impressionante!