Astérix and the Great Rescue (Sega Master System)

A minha vida académica (e não só) impediu-me durante algum tempo de actualizar este espaço com mais artigos. As próximas semanas não auguram grandes melhorias, mas enfim, cá vai um artigo mais rápido e simples que já queria ter feito há algum tempo atrás. Algures num post anterior mencionei que nem sempre uma versão de um jogo da Mega Drive para a Master System é inferior ao original. O jogo que trago cá hoje é um perfeito exemplo disso mesmo. Jogos da série Astérix existem desde o início da década de 80, mas nem sempre foram bons. Um dos meus sites preferidos fez uma análise a todos os jogos da série existentes até ao momento da submissão desse mesmo artigo, é uma óptima leitura para quem tiver interesse no tema. De qualquer das maneiras, no início da década de 90 os estúdios internos da Sega no Japão compraram a licença da série e produziram o primeiro de vários jogos de plataformas do Astérix, um jogo bastante bom para a consola de 8-Bit da Sega e que despoletou que outras empresas como a Core ou a Infogrames produzissem jogos semelhantes para outras plataformas. O jogo de hoje foi o primeiro produzido pela extinta Core Entertainment (mesmo estúdio que nos trouxe o primeiro Tomb Raider, por exemplo). Infelizmente não é tão bom como o anterior, como mais tarde irei mencionar. A minha cópia foi comprada na loja portuense Prameta tendo-me custado apenas 5€. É mais uma das edições exclusivamente portuguesas “Portuguese Purple” como já mencionei anteriormente noutros posts.

Asterix and the Great Rescue - SMS
Jogo completo com caixa e manual pt

A história do jogo é simples: Os romanos raptaram Panoramix, o druida responsável por preparar a valiosa poção mágica que confere força sobre-humana aos habitantes da última aldeia de resistentes gauleses às forças romanas. Vocês sabem o que vem a seguir: só mesmo o duo dinâmico do Astérix e Obélix para resolver este problema, até porque também raptaram o seu fiel companheiro de 4 patas Ideafix. O jogo como quase todos os outros na década de 90 é de plataformas, onde podemos jogar tanto com Astérix como com Obélix, sendo possível alternar entre os 2 personagens durante o próprio jogo. Infelizmente é algo que não faça muito sentido fazermos, pois conseguiram arruinar o matulão Obélix, cujo alcance do seu ataque é inferior, bem como a sua movimentação ser mais limitada. Infelizmente este é um daqueles jogos em que é difícil como o raio conseguirmos “derrotar” os inimigos. Ambas as personagens possuem apenas os punhos como sua arma, cujo baixo alcance acaba por provocar várias frustrações ao tentar dar porrada nos romanos. Existem também, como não poderia deixar de ser, uma série de powerups espalhados pelos níveis para auxiliar a travessia dos mesmos.

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Jogo de plataformas básico

Graficamente o jogo é simples, ou não fosse esta uma máquina de 8bit. No entanto, tendo em conta as limitações do hardware existem algumas áreas que não estão más de todo visualmente. Já o level design deixa um pouco a desejar, sendo demasiado simples por vezes. A nível de som é um outro jogo que não me deixa especial memória, embora existam outros bem piores.

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Fantasmas romanos, também existem aqui

A sua prequela é um óptimo jogo de plataformas, como já mencionei anteriormente. Neste a Sega delegou tarefas para a Core desenvolver um jogo Astérix para as suas 3 consolas do momento e saiu isto. A versão Master System não é má de toda, assim como a versão Game Gear que é idêntica, sendo ajustada ao tamanho do pequeno ecrã da portátil. A versão Mega Drive foi a última a ser produzida e como é óbvio é bastante superior tanto a nível de som, como de gráficos. Mas como não é só isso que faz um jogo, essa versão 16bit tem uma jogabilidade absolutamente horrível. Mantém os problemas que a versão 8bit tem, mas não sei como conseguiram amplificá-los bastante, ao ponto de se tornar bastante frustrante.

Super Monaco G.P. (Sega Master System)

sega-master-system-super-monaco-gpJá há algum tempo que não trazia cá algo da Sega Master System, portanto vamos hoje para um jogo mais old-school. A série começou no final da década de 70, inícios dos anos 80 com o jogo Arcade Monaco G.P., tendo sido lançado em 1989 o hit nas arcadas Super Monaco G.P., um jogo de corrida inteiramente baseado no circuito do Mónaco, com gráficos detalhados e uma boa sensação de velocidade. Tendo sido um sucesso, várias conversões para plataformas caseiras foram lançadas, incluindo a Sega Master System que é a versão que trago cá hoje. A minha cópia foi adquirida algures no ano passado na loja portuense Pressplay Porto. Está em bom estado, considerando que é um jogo antigo, e na altura custou-me algo em torno dos 5€, salvo erro.

Super Monaco G.P. - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

Ao contrário da versão Arcade que tem apenas o circuito do Mónaco, as versões para as consolas caseiras da Sega incluem os cerca de 16 circuitos do campeonato mundial de Fórmula 1 da altura, incluindo o “nosso” velhinho circuito do Estoril. Uma coisa que não gosto neste jogo é o facto de jogarmos sempre em split-screen, mesmo quando apenas jogamos sozinhos. Existem 2 modos de jogo, que poderão ser jogados com um ou 2 jogadores – Grand Prix e VS Battle. Grand Prix como o próprio nome indica refere-se ao campeonato de F-1. Após introduzirmos o nosso nome, somos convidados a escolher o veículo, bem como algumas suas peças tais como motor, pneus, mudanças automáticas ou manuais, que influenciarão a performance do carro em cada pista. Antes de correr a corrida “a valer”, podemos fazer uma test lap previamente para testar os componentes escolhidos. Foi uma boa inclusão no jogo. VS Battle é uma corrida num circuito aleatório, com a possibilidade de escolhermos o número de voltas possíveis por cada “batalha”, bem como o número de “batalhas” que queremos jogar. Tal como referi anteriormente também este modo pode ser jogado contra o computador ou contra um amigo.

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Split screen, mesmo em single player. Meh.

A jogabilidade é simples, pois o comando da Master System apenas possui 2 botões faciais. O botão direccional para virar o carro, botão 1 para acelerar e 2 para travar. Simples e eficaz. Quando se usa mudanças manuais a coisa complica um pouco. Usamos o botão 1 para acelerar e com esse botão pressionado usamos o botão 2 ao mesmo tempo para meter uma mudança acima, fazendo o contrário para mudar uma mudança abaixo. Não é o esquema mais intuitivo, mas tendo em conta o comando da Master System melhor só se se usasse os direccionais verticais para o efeito. A nível gráfico é um jogo simples, e para uma máquina 8-bit, apresenta os visuais standard da altura, embora Out-Run tenha saido uns 2 anos antes para a mesma consola e considero que os gráficos são melhores. Se compararmos com um Road Rash que saiu em 1993 então nem vale a pena. A nível de som é que mais uma vez a versão Master System deixa algo a desejar. As músicas até que são agradáveis, mas os efeitos sonoros… paciência.

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Ecrã de selecção da transmissão - quanto maior o número de mudanças, maior a aceleração que se consegue

Super Monaco G.P. para a Master System é um jogo competente de Formula 1 para a Sega Master System, contudo a sua sequela é melhor. Ainda assim, não é um jogo que recomende a toda a gente, apenas para coleccionadores e entusiastas da Master System. Apesar de ser uma conversão de um jogo algo histórico da Sega na década de 80, a conversão para Mega Drive é bastante superior. Mas nem sempre os jogos convertidos da Mega Drive para a Master System são inferiores aos “originais” e provavelmente o próximo jogo que falarei nesta consola irá encaixar nessa categoria. A conversão para Game Gear na minha opinião também é superior a esta, apesar de as 2 plataformas serem equivalentes, muito devido a não existir split-screen. As conversões para computadores da época como Amiga e Atari ST também me pareceram boas conversões, pelo que vi.

The Simpsons: Bart vs the Space Mutants (Sega Master System)

Simpsons SMSBart vs The Space Mutants é um dos primeiros videojogos da famosa série (senão mesmo o primeiro, não tenho a certeza se o excelente beat ‘em up da Konami nas Arcades tenha saído primeiro). É um jogo de plataformas que saiu nas mais variadas plataformas dos inícios da década de 90, entre as quais a versão Master System que aqui trago. Esta versão em particular é uma das “Portugueses Purples” que já tenho falado neste espaço (quem não estiver recordado ou simplesmente não o tenha visto antes, pode ver aqui). Foi adquirida no Miau.pt, ainda neste ano de 2011, pela quantia de 5€  se a memória não me falha. Infelizmente falta-lhe o manual, mas em contrapartida traz um poster/catálogo de jogos e acessórios da Tec Toy, a distribuidora brasileira das consolas Sega. EDIT: recentemente fiz uma troca com um amigo, que me arranjou também a versão normal do jogo.

Bart vs the Space Mutants SMS
Jogo com caixa e poster/catálogo (dobrado)

A história deste jogo é simples. Bart, com os seus novíssimos óculos de visão Raio-X, em vez de estar a espreitar os balneários das raparigas, como qualquer rapaz da idade de Bart faria numa situação dessas, descobre que alienígenas estão-se a preparar para invadir a Terra. Os ETs apenas precisam de descobrir uma série de objectos na terra para construirem a sua poderosa arma com que planeiam conquistar o planeta, e como apenas Bart sabe da sua existência, cabe-lhe a ele estragar os seus planos.

The Simpsons Bart vs Space Mutants - Sega Master System
Jogo com caixa e manual, versão normal PAL

A jogabilidade é a de um side-scroller, mas este jogo é algo peculiar. No primeiro nível, onde visitamos muitos locais familiares de Springfield, o objectivo é pintar todos os objectos roxos para vermelho. Isso pode ser feito com o spray de Bart ou com outros objectos que podemos adquirir, ou mesmo interagindo com objectos do cenário. No 2º nível já temos de apanhar todos os chapéus espalhados num centro comercial, incluindo os que algumas pessoas possam ter vestidos. No terceiro nível, passado numa feira Popular, o objectivo é apanhar ou rebentar o maior número de balões azuis, o quarto nível é passado num museu e tem de se coleccionar placas que digam “Exit”. Finalmente no último nível, passado na central nuclear o objectivo é apanhar várias “power rods” radioactivas. Este jogo é mais que um side-scroller e tem algumas boas ideias para usar objectos ou interagir com o cenário, infelizmente peca bastante por ser um jogo difícil e com alguns saltos bastante precisos. Ainda assim, a versão Master System deve ser das menos frustrantes de se jogar.

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A família reunida na “cut-scene” de abertura

Os gráficos são bastante coloridos e “cartoony”,  o que contribui bastante para o jogo. Sinceramente neste campo não tenho nenhuma razão de queixa, não se pode pedir muito mais a esta consola. A nível de som, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido, é dos poucos jogos para a Master System que tem boas músicas sem usar o chip FM. As músicas são bastante agradáveis e ficam no ouvido, já os efeitos sonoros não são nada de especial, mas escapam. O que irão concerteza sentir a falta é da música “oficial” da série, coisa que, devido a direitos de autor, apenas a versão para NES possui (mas não tenho a certeza desta parte).

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Um shot do primeiro nível

Os Simpsons tiveram imensos videojogos lançados e durante muitos anos apenas o original para as Arcades vingou tanto nas críticas como no público em geral. Este Bart vs the Space Mutants não foge a essa regra, tem várias ideias interessantes mas não são executadas da melhor forma e a jogabilidade algo travada e o nível de dificuldade não ajudam. Ainda assim, na minha opinião esta versão Master System nem é das piores e tem para mim um grande valor nostálgico. O jogo saiu originalmente para NES, tendo sido convertido para vários computadores como Atari, Amiga, Spectrum e afins, bem como estas versões para a Master System e Game Gear. A versão Mega Drive é sem dúvidas a melhor graficamente, mas a jogabilidade ainda é pior, na minha opinião.

Strider (Sega Master System)

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A segunda metade da década de 80 foi brilhante para os jogos arcade. Shinobi, Ghouls ‘n Goblins, Golden Axe, Final Fight, entre muitos outros como o Strider da Capcom que trago aqui hoje. Strider é um side-scroller passando num mundo pós-apocalíptico, repleto de acção onde encarnamos Strider Hiryu um espadachim bastante versátil e acrobático. A versão para Master System saiu apenas em 1992 pelas mãos da pequena Tiertex que já tinha lançado várias conversões do mesmo jogo para vários computadores da época. A minha cópia foi comprada no ano passado na virtualantas da Maia, não me deve ter custado mais de 4€ e está completa e em bom estado.

Strider SMS
Jogo completo com caixa, manuais e um catálogo de jogos

A história de Strider como disse acima decorre num futuro próximo (o jogo é passado no século XXI, numa terra pós-apocalíptica), onde o imperador conhecido como Grandmaster Meio tem vindo a semear o terror e conquistado vários continentes. Mas onde há imperadores tiranos, há sempre um grupo de rebeldes que vão tentando derrubar o regime. Aqui existem os Striders, uma classe de guerreiros que misturam o high-tech do futuro com as habilidades ninja. Em Strider encarnamos o melhor guerreiro do grupo, Hiryu, cuja missão é nada mais nada menos que assassinar o tirano. A acção começa na cidade de Kafazu, a primeira a ser invadida pelo Grandmaster, passando por zonas como a Sibéria, uma enorme base aérea e a própria Third Moon, onde Hiryu acaba por defrontar o próprio Imperador.

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Logotipo do jogo. Apesar de mais simples que o original para Arcade, ainda era badass.

Mas o que realmente tornou Strider num sucesso foi a sua fantástica jogabilidade. Hiryu, armado com a sua espada “Falchion” é um guerreiro bastante ágil: Rápido a esquartejar os seus inimigos, bem como capaz de fazer saltos acrobáticos entre outras habilidades como escalar paredes e dependurar-se em tectos usando uma espécie de gancho metálico. Isto em 1989 era algo bastante eye-candy. Estas maravilhas para a versão Arcade e um ou outro port para plataformas +/- dentro da mesma “categoria”, já a versão Master System é bastante mais modesta neste aspecto, onde para apresentarem uns bons visuais sacrificaram na jogabilidade, tornando-a bem mais lenta. O número de inimigos na versão Master System também é bem menor, tornando este jogo algo mais fácil, até porque os próprios boss não são nada de especial nesta versão. Disse fácil? Esqueçam. Os níveis como habitual têm um tempo limite para serem concluídos, e nesta versão deixaram os limites mesmo muito justos, é habitual perderem-se algumas vidas à pala disso.

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Screenshot da primeira zona do jogo

A nível gráfico para uma Master System o jogo não é mau de todo e conseguiram reter muitas das habilidades e manobras do original para Arcade. Infelizmente a jogabilidade não é a melhor tal como referi antes, nem o número de inimigos é satisfatório. Os backgrounds são simplesmente negros, a Master System é capaz de muito melhor. Enquanto que a conversão deste jogo para a Mega Drive (a melhor conversão da altura) ficou a cargo da própria Sega, a versão Master System foi convertida pelo pequeno estúdio inglês Tiertex, que já tinha convertido o mesmo jogo para vários computadores da época uns anos antes (Amiga, Commodore 64, DOS, Spectrum, etc). Já nessas conversões apresentavam estes problemas, portanto é normal que a versão Master System tenha ficado um pouco aquém. A nível de som, não vale a pena continuar a bater no ceguinho. Por esta altura, se têm seguido os artigos neste blogue, já devem ter reparado que digo sempre que o som sempre foi o calcanhar de Aquiles da Master System (SEGA, porque não lançaram o adaptador FM por cá?). Não vale a pena falar, é mau e chega.

Para concluir, Strider é um jogo old-school muito bom que deveria ser jogado por toda a gente. Apenas não na Master System. Se querem mesmo jogar “à old-school” procurem a conversão Mega Drive que é óptima ou joguem o jogo em todo o seu esplendor num emulador de Arcade como o MAME (a versão PC-Engine também é jeitozinha). Este jogo foi lançado também juntamente com o Strider 2 para a Playstation e é uma conversão quase perfeita da versão arcade. O Strider lançado para a NES é um jogo completamente diferente (mas também passado no mesmo universo), e antes de sair o Strider 2 em 1998 para a PS1 e Arcade, a U.S. Gold lançou um Strider II ou Strider Returns para ambas as consolas da Sega e vários computadores da época. É um jogo que não tem a mão da Capcom, pelo que não pertence à saga oficial, e também não é tão bom.

Wonder Boy III: The Dragon’s Trap (Sega Master System)

wonder-boy-iii-the-dragons-trap-coverA Master System foi a minha primeira e única consola durante muitos anos. Andavam os meus amigos de volta de jogos como Daytona USA ou Final Fantasy VII para a suas Sega Saturn e Playstation, e eu ainda andava de volta de jogos como Sonic 2, Desert Strike ou até Phantasy Star. Ainda assim, haviam alguns jogos mais antigos da década de 80 que me despertavam o interesse mas não conhecia ninguém que os tinha e só os vim a jogar mais tarde. A série Wonderboy da Westone foi uma delas. Wonderboy foi um jogo simples de plataformas desenvolvido para as arcades de 1986. Pouco tempo depois viu conversões para as consolas da Sega SG-1000 e mais tarde Mark III/Master System (entre outras). Uma conversão para a NES também foi desenvolvida por parte da Hudson, contudo como a Sega mantinha os direitos da franchise “Wonder Boy”, pelo que o jogo sofreu algumas alterações das personagens e bosses, bem como um novo nome “Adventure Island”. Desde esse momento que as 2 série seguiram caminhos diferentes. A Hudson manteve o nome Adventure Island e lançou vários jogos com a mesma mecânica do original, já a Westone manteve o nome Wonderboy e evoluiu a série para o mundo “Monster World”, onde os jogos passaram a ser mais que meros jogos de plataforma. Para evitar confusões neste, existe um outro Wonderboy III desenvolvido para Arcade e Mega Drive que segue um pouco as raízes da série, sendo um jogo mais linear. Este artigo refere-se exclusivamente ao “The Dragon’s Trap”. O meu exemplar veio do Ebay, tendo-me custado à volta de 15 libras. Infelizmente possui a capa e manual em mau estado, pelo que eventualmente o substituirei.

Jogo com manual

 

Bom, a história deste The Dragon’s Trap começa onde o jogo anterior ficou (Wonderboy in Monster Land). Wonder Boy no castelo do maléfico Meka Dragon, equipado com todo o equipamento lendário, todos os “corações” e ataque e defesa no máximo. Enfrentamos assim um dos bosses mais fortes do jogo logo no primeiro encontro, mas com o Wonder Boy todo “pimped up” a batalha não é assim um grande desafio. Contudo, Meka Dragon antes de morrer amaldiçoa Wonder Boy, transformando-o num pequeno monstro “Lizard-Man”. Wonder Boy escapa depois do castelo transformado em monstro e todo o equipamento e “corações” que previamente tinha foram perdidos. Assim começa esta aventura, com Wonder Boy à procura da Salamander Cross, o item que lhe poderá restaurar a sua forma humana. A maior parte dos jogos da série Wonder Boy / Monster World são jogos não lineares, que misturam a exploração de jogos de plataforma como Metroid, aliando a características de RPGs de acção como os próprios Castlevania 2D modernos, com armas/ escudos e armaduras, e vários items que alteram o status da personagem. De facto, Wonder Boy é largado num “overworld”, sem muito sítio por onde ir inicialmente. À medida que o jogo vai progredindo vamos adquirindo novas habilidades transformando-nos noutros animais, abrindo assim hipóteses de percorrer caminhos ou alcançar items que de outra forma seriam impossíveis de obter. Existem também lojas espalhadas pelo jogo onde podemos adquirir items/equipamento, igrejas onde podemos fazer “save” do jogo  – na verdade apenas geram uma password com o progresso actual, e outras casas como uma onde poderemos alternar entre as várias formas de animais que vamos adquirindo ao longo do jogo. Como devem calcular, cada animal tem pontos fortes e fracos, a impossibilidade de utilizar algum equipamento, ou habilidades próprias, tais como imunidade a lava, voar, nadar, ou esgueirar-se por portas e entradas minúsculas. Os animais que vamos “adquirindo” ao longo do jogo são: Lizard-Man, Mouse-Man, Piranha-Man, Lion-Man, Hawk-Man e finalmente o “Hu-Man” – a forma humana que embora seja forte, não possui nenhuma habilidade especial. Tal como Zelda também existem pelo jogo “Heart Containers”, que aumentam os pontos de vida de Wonder Boy.

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Graficamente, para um jogo de 1989, posso dizer sem problema algum que foi um dos jogos mais bonitos da era 8-bit. As personagens carismáticas com sprites detalhadas (o mesmo para os inimigos e bosses), os “níveis” bem pensados, bastante coloridos e variados entre si, tornam este Wonder Boy numa boa experiência mesmo ao fim destes anos todos. Visitamos vários castelos, cavernas, selvas, templos, passagens sub-aquáticas, pirâmides e esfinges, muitas dessas zonas com vários caminhos a explorar e items a descobrir, consoante o animal que incorporamos. A nível de som, quem conhece a Master System sabe que o seu chip de som nunca foi lá grande coisa (culpa da Sega que não quis lançar a Master System já com o chip FM embutido no ocidente), mas neste jogo o pessoal da Westone conseguiu dar a volta ao problema e apresentar várias melodias agradáveis que concerteza fazem parte das memórias de muitos jogadores de Master System por esse mundo fora. Os controlos são óptimos para um jogo de plataformas, com precisão e inércia de movimento no ponto certo. O combate é simples – espada e escudo (ou não, dependendo do animal). A exploração e o grinding para obter dinheiro para comprar equipamento superior, tornam este jogo numa óptima experiência, um pouco viciante, até.

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Este “padre” tem um aspecto curioso

Existem algumas conversões deste jogo: em 1992 foi lançada uma conversão directa para a Master System portátil, ou seja, a Sega Game Gear. Apesar de o jogo em si ser o mesmo, foram feitas algumas modificações, principalmente a nível de artwork, tanto no title screen como nas lojas. Antes disso, em 1991 saiu para a TurboGraphX 16 / PC Engine da NEC uma conversão feita por parte da Hudson (os mesmos por detrás da série Adventure Island) que como se as séries Wonder Boy/Monster World e Adventure Island já não fossem confusas por si só, esta versão do jogo chama-se Adventure Island no mercado japonês e Dragon’s Curse no ocidente. É o mesmo jogo que na versão Master System, mas devido ao hardware melhorzinho da TG16 o jogo apresenta gráficos mais detalhados, embora tenham alterado mais uma vez o aspecto da personagem principal e bosses. Em 2007 na colecção SEGA Ages 2500 para a PS2 japonesa saiu uma compilação completa de todos os jogos da série Wonder Boy / Monster World, e na Nintendo Virtual Console existem tanto a versão Master System como a TG16 para download. Para quem gosta de jogos de plataforma e aventura, recomendo vivamente que joguem esta série. Em Wonderboy III: The Dragon’s Trap têm o melhor jogo da série na minha opinião.