Wonder Boy in Monster World (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e à Sega Master System, o jogo que cá trago hoje é mais um dos capítulos da saga Wonder Boy, saga essa que deu azo a muitas confusões ao longo dos anos, como o caso da série Adventure Island, jogos com nomes similares, ou as palete swaps que foram posteriormente lançadas na PC-Engine / TurbographX. Este jogo em particular é a sequela directa do excelente Wonderboy III: The Dragon’s Trap, aquele que é um dos melhores jogos de plataforma da era 8bit, na minha opinião. Este meu exemplar foi comprado a um particular no final de 2015. Creio que me custou 14€. Edit: Recentemente arranjei a versão normal, completa, por cerca de 20€.

Wonder Boy in Monster World - Sega Master System
Jogo com caixa e manual
Wonderboy in Monster World - Sega Master System
Jogo em caixa, versão Classics.

O jogo foi desenvolvido inicialmente para a Mega Drive, mas a Westone teve em boa consideração os fãs da Master System, visto que a consola ainda tinha um bom mercado pelo menos em solo europeu, e acabaram por converter essa versão 16bit para a Master System. No entanto, a versão Mega Drive é bastante superior, mas já lá vamos. Este jogo inicia um novo capítulo na saga, com um novo herói de cabelo azul chamado Shion, que tal como os seus predecessores, irá salvar o mundo de uma série de monstros!

Tal como os seus predecessores directos, este é um metroidvania onde podemos amealhar dinheiro e comprar melhor equipamento, itens, encontrar heart containers, entre outros!

Tal como nos Wonderboys passados no Monster World/Land, este é um metroidvania muito interessante, misturando elementos de platforming com muita exploração, backtracking e RPG. É no entanto muito mais inspirado no Wonderboy in Monster Land do que propriamente pelo seu antecessor directo, o Dragon’s Trap. Isto porque desta vez o herói não se pode transformar noutros animais e com isso ganhar diferentes. Pelo menos nesta versão da Master System, pois no original, um dos equipamentos que podemos encontrar deixa-nos precisamente transformar em pigmeus e assim conseguir esgueirar por passagens muito estreitas.

O maior problema deste jogo está mesmo nos controlos que não são tão bons como nos anteriores

Essa é a maior perda da conversão Mega Drive para a Master System, pois o mundo está muito mais simplificado e houve muito conteúdo cortado de uma versão para a outra. A jogabilidade em si mantêm-se muito semelhante na sua essência, mas a verdade é que também aqui a versão Master System sai a perder visto que a original está preparada para o comando de 6 botões da Mega Drive. Na versão 16bit, o botão A é usado para usar itens ou magias que tenhamos no inventário. Aqui temos de carregar para cima no D-Pad e no botão de salto em simultâneo, o que não é a mesma coisa. Um dos itens é uma Ocarina e ocasionalmente teremos de tocar umas melodias para progredir no jogo, que consistem em combinações de botões (muito antes de um certo Ocarina of Time aparecer…), e neste esquema de controlo também dificulta um pouco. Para além disso a versão 8bit não possui nenhuma pilha para save, o progresso no jogo é antes registado através de passwords bem longas com 40 caracteres.

Já a nível gráfico esta versão está excelente e não muito longe da original da Mega Drive

Por outro lado, no que diz respeito aos gráficos, esta versão para a Master System está também muito bem conseguida, sendo facilmente dos jogos mais bonitos na consola e talvez em qualquer máquina 8bit. No entanto, uma vez mais, a versão Mega Drive também é superior, como seria de esperar. O mesmo é válido para as músicas e efeitos sonoros.

Portanto, apesar deste jogo não ser tão bom quanto o Dragon’s Trap, não deixa de ser um excelente jogo de plataformas. O seu maior problema é mesmo existir uma versão para a Mega Drive (e para a PC-Engine sob o nome de The Dynastic Hero, se quisermos ser exigentes), com melhores audiovisuais, melhor jogabilidade, um mundo expandido com maiores possibilidades de exploração. Porque os pequenos defeitos que esta versão tem, não são tão maus assim.

Vigilante (Sega Master System)

Lembram-se do Kung Fu da NES? Esse jogo foi lançado originalmente nas arcades como Kung Fu Master pela Irem, e este Vigilante acaba por ser uma espécie de sequela espiritual, pois partilha da mesma fórmula básica de jogabilidade e foi feito pelos mesmos criadores. Este Vigilante acabou depois por ser convertido para uma série de plataformas, com esta conversão para a Master System a ficar a cargo da própria Sega. O meu exemplar foi comprado no mês passado, numa das minhas idas à feira de Espinho. Custou-me 10€ mas está mint!

Jogo com caixa e manual

O jogo é um simples beat ‘em up completamente 2D, onde apenas nos podemos mover para a esquerda e a direita. A história é o cliché do costume: um gangue rapta a nossa namorada e somos nós que iremos distribuir pancada a torto e a direito até a reavermos.

Cá está um cliché

Vigilante não é um jogo fácil. Por um lado porque os inimigos também não nos dão muitas tréguas, por outro porque a Master System deveria ter mais botões do que os que tem. Isto porque o botão 1 serve para dar socos, o 2 para pontapés e para saltar temos de pressionar em ambos simultâneamente. Os inimigos também por vezes parece que pressentem o perigo e deixam de avançar quando já estão muito próximos, o que por vezes nos faz falhar os socos e nos possa deixar um pouco vulneráveis. Ocasionalmente lá nos aparece um Nunchacku que podemos apanhar e usar como arma. Ao longo do jogo vamos ver sempre duas barras de vida. A nossa, marcada a vermelho e que se chegar a zero lá perdemos uma vida, e uma azul que é a barra de vida dos bosses, que apenas surgem no final de cada nível.

O jogo surpreendeu-me pelos seus gráficos coloridos e detalhados

Graficamente é um jogo bem competente. Os níveis são coloridos e muito bem detalhados, representando diferentes faces de um retrato da cidade de Nova Iorque. Tanto temos os bairros mais tradicionais, como aqueles mais deteorados, sucatas ou locais ainda em construção. As músicas são também agradáveis e este é um dos poucos jogos que, apesar de não terem saído no Japão, têm suporte ao FM Sound Unit que apenas saiu nesse país e confere à Master System uma qualidade de som francamente superior.

Lord of the Sword (Sega Master System)

Um dos jogos que mais curiosidade tinha em experimentar na Master System era este Lord of the Sword, um suposto RPG de acção medieval desenvolvido pela própria Sega algures no final da década de 80. E se por um lado o resultado final até nem me tenha desagradado, por outro fica a sensação que poderia ter sido muito melhor, se a Sega estivesse numa posição melhor no mercado e não tivesse de carregar com a Master System às costas practicamente sozinha. O meu exemplar veio de uma troca directa que fiz com um particular algures em Março deste ano.

Jogo com caixa

A história remete-nos para o reino de Baljinya, cujo rei e sua famíla foi assassinado por criaturas nefastas que tentam ressuscitar Ra Goan, uma divindade demoníaca que irá trazer o terror para aquela região. Nós somos Landau, um guerreiro ao qual recai a última esperança do povo e que, se cumprir 3 diferentes quests para provar o seu valor e derrotar o demónio Ra Goan no fim, herdará o reino de Baljinya como recompensa.

Thou shalt not fail!

Equipados de uma espada e arco-e-flecha, somos levados a explorar o perigoso reino de Baljinya, repleto de criaturas infernais e pequenas aldeias ou castelos aqui e ali. Navegar pelo seu mapa (que me dava jeito ter visto que o meu exemplar não tem manual) nem sempre é fácil pois algumas das suas passagens apenas se desbloqueiam após interagir com alguns NPCs das aldeias vizinhas. E esses NPCs nem sempre nos dizem o que queremos ouvir, tendo de falar com eles várias vezes seguidas até que nos digam algo novo como “vai a este sítio e defronta o boss X” para podermos avançar com a história. Por outro lado, é nestas alturas, quando visitamos NPCs que conseguimos regenerar um pouco da nossa vida. Isso e quando conseguimos derrotar algum boss.

Para progredir na história e desbloquear alguns caminhos, por vezes temos de insistir com os NPCs para que nos digam algo de novo

O maior problema da jogabilidade do Lord of the Sword está no facto de termos de usar o D-pad para cima para saltar, o que acaba por atrapalhar um pouco. Os botões 1 e 2 ficam a servir para atacar com a espada ou com o arco-e-flecha. Os inimigos vão sendo variados e com diferentes padrões de movimento e ataque, pelo que o botão de salto num sítio mais confortável seria muito importante. Por outro lado não temos muito que nos preocupar com o platforming, pois apesar de por vezes ser necessário, não existem aqui abismos sem fundo.

O jogo possui alguns efeitos muito interessantes.

Apesar deste jogo ser considerado como um RPG de acção, na verdade acho que o Zelda II tinha mais disso. Aqui não existe qualquer mecânica de pontos de experiência, apenas algum equipamento como melhores espadas ou flechas que vamos encontrando à medida que progredimos no jogo. A falta de NPCs, da sua variedade e diálogos também é outra área onde este Lord of the Sword teria imenso potencial para melhorias. Mas como referi logo no primeiro parágrafo, nesta altura a Sega tinha de suportar practicamente sozinha todo o catálogo da Master System, pelo que não havia muito tempo para polir e melhorar os seus jogos, se queriam manter um número estável de lançamentos ao longo do ano.

Graficamente o jogo até que é bem competente, com cenários detalhados, impressionando principalmente pelas transparências de sprites, que não apresentam qualquer flickering. Atravessar florestas e ver as árvores e restante vegetação a alternar entre o background e o foreground foram coisas muito interessantes, para além de melhor esconderem alguuns inimigos no meio da vegetação. As músicas também não são muito variadas, mas as poucas que existem pareceram-me bem competentes.

Ao contrário do que estaria à espera, cair à água não nos mata

No fim contas, este Lord of the Sword é um jogo que até me agradou, mas tal como referi acima havia ali potencial para fazer muito mais e melhor.

Rescue Mission (Sega Master System)

Voltando à Sega Master System, o jogo que cá trago agora é bastante original dentro da sua biblioteca. É um lightgun shooter muito diferente do habitual, mas também exige o uso de uma light phaser, ao contrário de muitos outros que também permitem o uso do comando normal. Assim sendo lá tive de recorrer à emulação, pois não tenho nenhuma Light Phaser na colecção ainda. O meu exemplar veio da Feira de Espinho, onde foi comprado no ultimo domingo de Maio por 10€. Está mint!

Jogo com caixa e manual

O jogo remete-nos para o ambiente de Guerra em clima tropical, muito provavelmente para o conflito do Vietname. A nossa missão é a de proteger um pequeno esquadrão de medicos numa missão suicida, onde terão de conduzir um carrinho por caminhos de ferro em zonas de combate e tratar dos vários soldados que necessitam de cuidados médicos. A missão é suicida pois temos inimigos a atacar-nos de todo o lado e os médicos são só três.

Antes de começarmos a jogar temos direito a uma breve cutscene com o mission briefing

É pena que o jogo não tenha suporte ao gamepad, mas compreende-se o porquê. Basicamente o médico vai percorrendo um caminho de ferro fixo, parando sempre que nos deparamos com um soldado em apuros. Mas vamos sendo atacados por soldados inimigos que aparecem por todo o lado, exigindo sempre reflexos rápidos. O nosso médico pode receber um máximo de 3 pontos de dano até morrer, ficando cada vez mais lento com cada tiro que recebe. A excepção são para as tropas especiais que vão surgindo de vez em quando e que nos atacam com armas mais poderosas como granadas ou lança rockets. Estas basta 1 tiro certeiro que morremos logo, pelo que quando virmos estes inimigos a surgir no ecrã é boa ideia tratar logo deles. Também não convém andar a disparar para todos os lados pois podemos atingir algum dos nossos soldados que precisam de ser tratados. Cada vez que tratamos de um soldado, ele deixa-nos depois um item como forma de agradecimento, como medkits ou outros itens de protecção como capacetes ou escudos. Estes últimos protegem-nos apenas contra as armas “especiais” das tropas de elite, pelo que acabam por ser bastante valiosos. Os medkits apenas nos regeneram um pouco a vida no caso de sermos atingidos por armas normais. Se tivermos a vida no máximo, ao apanhar um medkit o mesmo comporta-se como uma bomba inteligente, destruindo todos os inimigos no ecrã ao mesmo tempo.

Não me lembro de ter visto soldados com Jetpacks no Vietname, talvez por isso os americanos se tenham retirado da guerra

Graficamente é um jogo algo simples, pois as sprites são pequenas. E apesar de possuir um grafismo algo “cartoon“, não deixa de ser triste quando vemos um dos médicos (ou todos, não é difícil termos um ecrã de game over) morrer em plena batalha, quando apenas tentava cuidar de feridos. Os 5 níveis vão sendo algo variados, mas possuem todos a mesma temática de cenários de guerra em climas tropicais. Para além disso, temos também uma cutscene no início e no final do jogo, o que lhe dá mais algum charme. As músicas e efeitos sonoros são competentes.

Este Rescue Mission é então um dos jogos mais originais da biblioteca da Master System, pelo menos daqueles que requerem uma light gun para serem jogados. É um jogo “on rails“, mas muito diferente do que habitualmente vemos dentro do género.

Power Strike II (Sega Master System)

O Power Strike original (conhecido no Japão como Aleste) já era um dos melhores shmups da biblioteca da Master System, apesar de possuir alguns slowdowns bem notórios em alturas mais críticas com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Na primeira metade da década de 90, quando a Master System ainda estava em voga na Europa, mas já a encaminhar para o seu final de vida, a Compile acabou por desenvolver, em exclusivo para o nosso mercado, este Power Strike II, que acabou por se tornar num dos jogos mais apetecíveis da consola, atingindo valores exorbitantes nos círculos de vendas. O meu exemplar, apesar de ser apenas o cartucho, felizmente foi-me oferecido por um amigo de infãncia, algures no início deste milénio. EDIT: Recentemente consegui completar a minha cópia após o ter encontrado num grande bundle de jogos e consolas que comprei a meias com um colega.

Jogo completo com caixa e manuais

Este Power Strike II da Master System foi mesmo um jogo desenvolvido de raíz para esta consola, não deve ser confundido com a versão Game Gear, que inclusivamente saiu no Japão, pertencendo oficialmente à série original da Compile, o Aleste. Esta versão é passada nos anos 1930, onde após a grande depressão de 1929, o mundo entrou em crise e começaram a surgir imensos piratas do ar. Para combater esses bandidos, nós somos um mercenário equipado com um avião todo futurista e o resto é história! Para referência, a versão Game Gear já possui uma storyline completamente futurista.

Antes de começarmos a jogar podemos escolher qual a arma secundária que queremos levar connosco.

As mecânicas de jogo são muito semelhantes às que encontramos no Power Strike original, onde possuimos ataques normais que podem ser melhorados ao apanhar os power-ups com a forma de P. Os restantes são ataques especiais, numerados de 1 a 6, com diferentes modos de disparo, podendo também serem melhorados ao apanhar novos power ups consecutivos com o mesmo número. A diferença é que desta vez, ao iniciar o jogo, podemos escolher qual a arma especial a carregar inicialmente, em conjunto com um ecrã que exemplifica o poder de disparo de cada uma delas. Um único botão serve também para disparar tanto a arma principal como a secundária escolhida, sendo que se deixarmos o dedo pressionado nesse mesmo botão não só activamos o autofire, mas também uma espécie de charge attack que é lançado assim que largarmos o botão 1. O botão 2 possui funções especiais, podendo ser configurado para pausar o jogo (porque ir à consola pausar é uma seca) ou alterar a velocidade da nossa nave.

Apesar do jogo ser passado nos anos 30, a arquitectura das naves mistura tecnologia obsoloteta com futurista

A nível técnico este é também um excelente trabalho. Graficamente é um jogo muito competente, com gráficos bastante coloridos e cenários variados, desde sobrevoar pequenas cidades, oceanos, florestas, montanhas ou desertos. Os cenários tipicamente estão também bem detalhados e cheios de vida! Existem muitas sprites e projécteis no ecrã em simultâneo, mas ao contrário da conversão do primeiro Power Strike, desta vez não reparei em slowdowns, pelo que o jogo está muito mais fluído agora. As músicas também são agradáveis!

Power Strike II é um jogo mais bem detalhado que o seu predecessor, e a nível de performance também!

Sendo o primeiro Power Strike um jogo com distribuição muito limitada nos Estados Unidos, este segundo exclusivo (e raro!) em território europeu, é fácil de perceber o porquê deste jogo vir a atingir preços absurdos no mercado de videojogos retro. O que é uma chatice, pois é daqueles jogos que vale mesmo a pena!