Police Quest 3: The Kindred (PC)

Vamos voltar às aventuras gráficas da Sierra para mais um jogo da série Police Quest. Tal como os outros até agora, este também teve o ex-polícia Jim Walls como produtor e narra mais uma aventura na pele do detective Sonny Bonds. Também tal como os outros jogos desta série que cá trouxe até agora o meu exemplar foi comprado num humble bundle inteiramente dedicado à Sierra algures neste ano, tendo ficado a um preço muito apelativo pela grande quantidade de jogos que incluiu.

Tal como referido acima, encarnamos uma vez mais no detective Sonny Bonds que se vê forçado a passar uns tempos novamente como polícia de trânsito ao substituir alguém nas suas férias. Quer isto dizer, infelizmente, que teremos novamente muitas cenas de patrulhamento e condução de veículos, algo que tinha sido aligeirado no jogo anterior. E de facto os momentos iniciais do jogo colocam-nos a patrulhar as ruas de Lytton, mandar encostar condutores prevaricadores e passar multas. Até que Marie, a mulher de Sonny Bonds, é vítima de um assalto violento que a deixa em coma. Nessa altura Sonny volta ao seu posto normal de detective de homicídios e iremos investigar este caso mais a fundo.

Com suporte a maiores resoluções e cores VGA foi possível criarem um jogo ainda mais realista visualmente

No que diz respeito à jogabilidade, vamos começar uma vez mais pelo que gostei menos: os segmentos de condução. Aqui temos uma visão do interior do carro de Bonds, e à direita vemos uma pequena janela do carro em andamento. Uma vez mais, tal como no remake do Police Quest 1, apenas precisamos do rato para conduzir. Ao clicar acima do carro faz com que este acelere, enquanto ao clicar abaixo faz com que abrande. Clicando nos lados faz com que o carro mude de faixa ou mesmo de direcção, quando nos aproximamos de uma intersecção. Podemos também, com os ponteiros do rato, clicar nalguns pontos do cenário, nomeadamente o botão para accionar as sirenes ou accionar um GPS primitivo que nos mostra um mapa básico de Lytton e a nossa posição actual. Uma vez mais, procurar um mapa na internet é altamente recomendado.

O regresso dos segmentos de condução não foram necessariamente benvindos de volta

De resto é um jogo de aventura point and click, agora com uma interface que usa o rato a 100%, podendo alternar o cursor do rato para diferentes acções como andar, interagir, observar ou falar. O protocolo policial está uma vez mais em foco pois teremos de abordar certas situações da forma correcta, caso contrário é game over. Também teremos de recolher provas em cenas de crime, interrogar testemunhas, usar a base de dados policial para obter pistas sobre outros casos e suspeitos e até construir um retrato robot com base no testemunho de alguém.

Um dos puzzles que teremos de resolver é o de criar um retrato robot de um dos suspeitos

Graficamente este jogo já usa uma nova versão do motor SCI, agora para além de suporte a uma interface completamente point and click, também suporta mairores resoluções e um esquema de cores mais rico, permitido pelo standard VGA. Para além disso, a Sierra insistiu num visual mais realista, o que é particularmente notório nalgumas cenas com actores reais digitalizados. As músicas quando entram em acção também continuam com um feeling muito policial, o que se adequa perfeitamente à série e não seria de estranhar, até porque o seu compositor é o mesmo de Miami Vice.

Tal como no remake do primeiro Police Quest temos aqui uma interface completamente point and click

Portanto este Police Quest 3 é um jogo de aventura gráfica sólido, mas que infelizmente traz de volta os segmentos de patrulhamento e condução “realista” pela cidade de Lytton. A preocupação nos procedimentos policiais continua em altas, pelo que não se sintam envergonhados se necessitarem de consultar um guia, pois o jogo assume mesmo que tenhamos de ler todos os manuais policiais que vinham incluídos com a edição física do jogo. A narrativa desta aventura não é tão directa quanto no jogo anterior, aqui vamos tendo algumas pistas esporádicas e aparentemente não relacionadas entre si e só na segunda metade é que a narrativa começa a afunilar-se na caça dos verdadeiros culpados.

Police Quest II: The Vengeance (PC)

No seguimento do primeiro Police Quest e seu remake, aproveitei também para jogar a sua sequela. Tal como o Larry II, este jogo usa também o motor gráfico SCI0, que suportava uma maior resolução, mas ainda um número limitado de cores devido ao standard EGA nos PCs. Felizmente as cenas de condução foram simplificadas bastante, o que me levou a gostar bem mais deste jogo! O meu exemplar foi comprado num Humble Bundle algures em Maio deste ano por um valor bem baixo tendo em conta a quantidade de jogos que trouxe incluidos.

E este segundo jogo coloca-nos uma vez mais no papel de Sonny Bonds que tinha começado a sua carreira por ser um polícia de trânsito, tendo sido depois promovido para detective na área dos narcóticos, ainda durante o primeiro jogo. Nesta nova aventura Sonny Bonds é agora um detective na área dos homicídios e eventualmente descobrimos que Death Angel, o barão da droga que aprisionamos no primeiro jogo, acabou por conseguir fugir da cadeia e planeia vingar-se de todos os que contribuiram para a sua prisão. Sinceramente achei a narrativa deste jogo bem mais apelativa!

Felizmente que desta vez as secções de condução estão todas automatizadas!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas ainda são as de um jogo de aventura gráfica, mas com suporte ao rato muito limitado, pois ainda teremos de escrever comandos para desencadear as acções pretendidas. Ou seja, ainda teremos aqueles momentos um pouco frustrantes em que não sabemos bem que palavras usar, ou teremos de estar numa localização pixel-perfect para o comando ser válido. Mas felizmente todas as secções de condução foram agora simplificadas, pois basta entrar no carro e escrever drive mais a localização pretendida. A restante jogabilidade e puzzles ainda se baseiam muito na correcta utilização dos protocolos policiais, mas já não os achei tão aborrecidos quanto no primeiro jogo. É verdade que continuamos com muitas maneiras de perder o jogo, afinal isto é uma aventura gráfica da Sierra, mas achei a história como um todo e os seus desafios bem mais interessantes. Uma coisa que me esqueci de mencionar no artigo anterior é que os primeiros 3 Police Quest foram produzidos por Jim Walls, um ex-polícia, logo a história foi baseada nalguns factos reais e daí o jogo ter também um grande foco em realismo para a época. O mesmo acontece nesta sequela.

Continuam a haver muitas formas de game over, e teremos de continuar a seguir o protocolo policial, especialmente nos confrontos armados e análise forense

Graficamente é um jogo que corre num novo motor gráfico, que suporta maiores resoluções, logo mais detalhe no ecrã. Ao contrário da série Larry, esta Police Quest sempre quis ter uns visuais mais sérios e realistas e este novo motor de jogo permite-lhes isso, embora ainda com a limitação de poucas cores no ecrã devido ao standard EGA que na época ainda era o topo de gama nos PC. Mas apesar de eu não ter desgostado de todo do aspecto mais realista deste Police Quest II (por outro lado não gostei nada da versão realista do Larry) continuo a apreciar mais o primeiro jogo por ter visuais mais minimalistas e com um pixel art mais cativante na minha opinião. Por outro lado este lançamento já suportava algumas placas de som e as músicas têm todas um feeling muito à Miami Vice, que sinceramente apreciei bastante.

Com o novo motor gráfico os visuais são mais realistas embora ainda com poucas cores. Sinceramente continuo a preferir o look mais minimalista do primeiro jogo!

Portanto devo dizer que gostei bem mais deste segundo Police Quest em relação ao primeiro, principalmente por terem descartado as secções de patrulhamento e pela história ser mais interessante como um todo. A ver como evoluiu a série no Police Quest III, que teve ainda a produção a cargo do ex-polícia Jim Walls.

Police Quest: In Pursuit of the Death Angel (PC)

Há uns meses atrás comprei um bundle muito interessante que incluiu imensos clássicos da Sierra no steam. Alguns jogos eu já tinha jogado como foi o caso dos Phantasmagoria, mas os lançamentos clássicos de séries como King’s Quest, Police Quest e Space Quest nunca os tinha jogado antes. Decidi começar pela série Police Quest, que nesta colectânea inclui os seus primeiros quatro títulos. É curioso que esta série apesar de ter começado com aventuras gráficas point and click, acabou por evoluir para a série SWAT, com shooters tácticos como os Rainbow Six.

Tal como o primeiro Larry e outras aventuras gráficas da Sierra, o primeiro Police Quest foi lançado em 1987 usando o motor gráfico AGI da Sierra, ou seja, um pouco como nas aventuras de texto de antigamente, teremos de escrever comandos para interagir com os cenários, como “open door“, “look“, “talk to man” ou “take uniform“. Portanto não só temos o desafio de procurar usar as palavras certas para cada acção, bem como temos de estar localizados no sítio certo, muitas vezes com uma precisão pixel perfect. Para além disso este era um motor gráfico ainda algo primitivo, que suportava apenas cores EGA. Nos anos 90 a Sierra decidiu lançar remakes de alguns dos seus jogos mais antigos no novo motor SCI, que suportava cores VGA, maior resolução e um interface verdadeiramente point and click, onde teremos de alternar os ponteiros do rato para ícones que representam diversas acções como falar, mover, observar ou interagir. Esta compilação inclui ambas as versões, pelo que irei abordar brevemente ambas.

O original é ainda daqueles jogos onde temos de escrever comandos com as acções que queremos fazer

Independentemente da versão que escolhermos jogar, a história base é a mesma. Nós encarnamos no agente policial Sonny Bonds que vive e trabalha numa cidade fictícia algures no estado da Califórnia. Era uma pequena cidade pacífica, mas nos últimos anos a criminalidade tem vindo a crescer, particularmente crimes relacionados com tráfico de droga. E nós começamos como um polícia que vai fazendo patrulhas de carro pela cidade, passar multas por excesso de velocidade, apreender bêbedos e entretanto a história vai evoluindo e lentamente iremos no encalço dos traficantes locais.

Como é habitual nos jogos da Sierra, o que não faltam são situações de game over, principalmente se não seguirmos à risca todos os protocolos policiais

Eu sempre gostei de aventuras gráficas policiais tipicamente pelas suas histórias repletas de mistérios e reviravoltas, mas devo dizer que já não gostei tanto deste Police Quest, porque se baseia muito mais em seguir o protocolo policial, do que propriamente pela sua trama. Por exemplo, sempre que sairmos da esquadra temos de revistar o nosso carro antes de o usar. Caso não o façamos é game over porque um dos pneus afinal estava vazio. Ou quando nos preparamos para aprisionar alguém, temos de ter em conta que o devemos algemar e revistar antes de o levar para a cadeia, caso contrário as coisas podem correr mal. No remake, quando o levamos para a cadeia temos ainda de digitar uma série de códigos policiais referentes às infracções que o suspeito tenha cometido, como por exemplo o código 21603 corresponde à infracção “Driving under the influence of intoxicants“. Estes códigos estão todos incluidos no manual, que felizmente temos acesso a uma versão digital de alguns destes documentos. Compreendo que este tipo de técnicas eram usadas como mecanismo de protecção anticópia, mas torna a experiência bem mais aborrecida.

O remake possui muito melhor detalhe gráfico, mas confesso que gosto mais do pixel art minimalista do original

E ainda nem mencionei na questão das patrulhas das ruas. Tanto no original como no remake temos de percorrer as ruas de Lytton num carro patrulha, principalmente na primeira metade do jogo, literalmente à espera que algo aconteça. Seja através de contactos pelo rádio, uma chamada do rádio a avisar-nos para ir a qualquer sítio, ou simplesmente termos apanhado alguém a cometer uma infracção. E percorrer as ruas de Lytton é um martírio, em primeiro lugar porque temos de seguir as regras: manter uma condução dentro do limite de velocidade, estar atento a sinais vermelhos e tentar não embater noutros carros ou casas, senão é game over. Para além disso a navegação é confusa, pois o mapa é grandinho e é difícil saber para onde nos teremos de dirigir. O ideal será procurar um mapa na internet, particularmente na primeira versão do jogo, visto que no remake o interface de condução foi todo remodelado para usar apenas uma série de ícones e aqui poderemos também ver os nomes das ruas, bem como observar os edifícios, o que já será uma ajuda.

As secções de condução no remake também têm agora uma interface completamente point and click. Ao menos podemos agora usar o rato para saber que edifícios correspondem ao quê

No que diz respeito aos audiovisuais, tal como aconteceu no primeiro Larry, apesar do remake possuir cenários e personagens bem mais coloridas e detalhadas, eu acabo por preferir o charme do pixel art mais minimalista do primeiro jogo. Até os diálogos ficaram melhor no original, na minha opinião. Por outro lado, o primeiro jogo foi lançado em 1987 e apenas suporta o PC Speaker como interface de som, pelo que este estará repleto de bips e bops. No remake já são suportadas uma série de placas de som, pelo que já teremos músicas e efeitos sonoros de melhor qualidade.

Portanto devo dizer que fiquei um bocado desiludido com este Police Quest, pelo seu maior foco em ser quase um “Police Simulator” do que uma aventura gráfica policial. A exagerada obrigação em seguir protocolos confesso que me deixou frustrado e é certo que terá sido certamente uma mecânica de jogo original para a época, mas eu não consegui mesmo apreciar. Mas estou bastante curioso em ver como a série evoluiu ao longo dos anos, pelo que deverei jogar a sua sequela em breve.

Sherlock Holmes: Crimes & Punishments (PC)

Voltando à série do Sherlock Holmes da Frogwares, em 2014 o estúdio ucraniano lançou mais uma aventura sobre o detective mais famoso da literatura. Tal como no jogo anterior, The Testament of Sherlock Holmes, este foi também desenvolvido primeiramente a pensar nas consolas com algumas mudanças na sua jogabilidade e controlos. O meu exemplar foi comprado no Steam algures em Agosto deste ano, por 3€. Edit: recentemente comprei uma cópia física na vinted por 5€.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão e manual

Ao contrário das aventuras anteriores, neste Crimes & Punishments não teremos apenas um caso para resolver, mas sim uns 6 casos mais pequenos, que envolvem assassinatos e/ou roubos diversos e teremos de encontrar os seus autores do crime e tomar a decisão moral de os condenar ou absolver. A jogabilidade é semelhante aos seus antecessores, na medida em que é um jogo de aventura onde teremos de falar com testemunhas e suspeitos, explorar ao detalhe os diferentes cenários na busca de pistas, realizar análise forense em algumas provas recolhidas, bem como resolver uma série de puzzles como destrancar portas e cofres para prosseguir na investigação. Outros puzzles para resolver podem também consistir na análise forense de provas, autópsias, ou até alguns mini-jogos como um duelo de braço de ferro com um marinheiro, algumas provas prácticas de tiro com diversos objectos, entre outros.

Toby, o fiel companheiro, está novamente de regrersso e teremos de o controlar ocasionalmente

A nível de controlos, a grande diferença perante os seus antecessores, está no facto de as mecânicas completamente point and click terem desaparecido. As perspectivas na terceira e primeira pessoa com total liberdade de movimentos são agora as únicas hipoteses que temos de nos movimentar e interagir com os cenários. Quando centramos a câmara nalgum ponto de interesse, seja nalguma pessoa ou objecto no cenário, surge no ecrã a indicação que poderemos falar com alguém, examinar algum objecto ou mesmo usar um objecto do nosso inventário, pelo que apenas temos de pressionar o botão respectivo para efectuar essa acção. Os talentos de Holmes estão de volta e de uma forma diferente. Em certas altas somos convidados a activar os talentos que nos dão uma perspectiva mais atenciosa dos cenários à nossa volta e detectar pistas que a olho nú poderíamos não ter visto. Noutras alturas também teremos de activar a “imaginação de Holmes” que o permitirá encenar mentalmente algum acontecimento relacionado com algum dos crimes.

Apesar do Watson manter a sua aparência, infelizmente a voz já não é a mesma

Os diálogos / interrogatórios com as diversas personagens usam algumas árvores de diálogo simples, onde quando perguntamos sobre algum assunto importante temos um QTE simples para reagir e depois devemos confrontar as pessoas com alguma prova que contradiz o seu testemunho. Dessa forma a pessoa em questão já irá admitir alguns factos e fornecer-nos novas pistas. Pistas e provas que devem ser todas usadas no deduction board, que marca uma vez mais o seu regresso, se bem que desta vez de uma forma algo diferente. Passo a explicar: o deduction board nos jogos anteriores servia para organizar as diferentes provas, testemunhos recolhidos e outras pistas de forma a deduzir quem poderia ser o culpado. Não podíamos tirar ilações erradas e quando mapeávamos as pistas de forma correcta, descobriríamos o culpado sem margem para dúvidas. Neste jogo, que tem uma natureza mais aberta, facilmente chegamos a testemunhos e provas contraditórias, que nos permitem deduzir diferentes culpados para o mesmo crime, pelo que poderemos acabar por chegar a um inocente como culpado. Às vezes até relativamente cedo na investigação poderemos chegar a uma dessas conclusões erradas! Depois de chegar a uma conclusão, seja ela errada ou certa, o jogo permite-nos também decidir entre condenar a pessoa ou absolvê-la do seu crime. Esta até que seria uma mecânica de jogo interessante se as conclusões a que chegássemos tivessem alguma influência ao longo do jogo, o que não acontece pois os seis casos que vamos investigar são todos independentes entre si. De qualquer das formas, depois de avançar com a conclusão de um caso, o jogo oferece-nos a possibilidade de saber se condenamos a pessoa certa e/ou voltar atrás na nossa decisão e escolher outro culpado ou continuar a investigação. Se decidirmos avançar para o caso seguinte, então já nada feito, a única hipótese será mesmo a de recomeçar aquele caso do início.

No quarto do Sherlock podemos mudar a sua aparência, algo necessário nalguns casos

A nível audiovisual já o The Testament of Sherlock Holmes tinha sido uma óptima evolução na série para os seus visuais, pois introduziram um motor gráfico novo e que pela primeira vez nos permitia ter uns gráficos mais elaborados. Este Crime and Punishments utiliza a Unreal Engine 3, que apesar de já não ser de todo o motor gráfico mais avançado para 2014, permitiu ainda assim um outro salto nos seus visuais. Os cenários estão ainda mais bem detalhados, com melhores efeitos de luz e em particular o detalhe nas personagens está muito melhor. As texturas da pele e reacções estão muito realistas, algo particularmente notório nos diálogos, onde agora até podemos observar com atenção as personagens de interesse e assim obter o seu perfil. Os seis crimes decorrem em locais diferentes entre si, que não só nos levam a diferentes pontos da cidade de Londres, tanto zonas ricas como mansões nobres, como bairros mais pobres de Whitechapel, bem como outros locais mais rurais. Ruínas romanas ou jardins exóticos serão também locais a visitar. E claro com todo o explendor da era Victoriana. Até os ecrãs de loading têm muita pinta! Já no que diz respeito ao som, a música vai incidindo principalmente nalgumas melodias acústicas, que a meu ver se adequa bem a um jogo deste tipo e não distraem a nossa atenção. O voice acting acho bem competente, com Sherlock a ser narrado pelo mesmo actor, mas infelizmente a voz de Watson é agora diferente e sinceramente preferia o actor anterior, pois acho que encaixava melhor na personagem.

Graficamente o jogo possui muito mais detalhe que os seus predecessores

Portanto este Sherlock Holmes Crimes and Punishments é uma vez mais um sólido jogo de aventura. Sinceramente, sem contar com aqueles jogos de hidden object, sempre achei a série Sherlock Holmes perfeitamente competente para quem for fã do género. Se calhar o facto dos seus valores de produção serem muito baixos nos primeiros títulos (segundo a Frogwares para que os seus jogos corressem em PCs mais modestos também) acabaram por alienar muita gente. Agradam-me bem mais estes Sherlock mais modernos pois a meu ver até representam bem esta época victoriana e os gráficos mais polidos dão outro charme. Mas no que diz respeito a este jogo em particular, a ambiguidade na análise de provas e a possibilidade de condenar pessoas inocentes sinceramente não gosto tanto dessa ideia, mas reconheço que teria muito potencial se houvesse um fio condutor entre os diferentes casos. Outra coisa que não gostei nada prende-se com o facto de o jogo ter sido desenvolvido com as consolas em mente e por vezes o PC fica em desvantagem, principalmente para quem usar rato e teclado. O exemplo gritante disso está no duelo de braço de ferro, onde nas consolas o comando vibra quando o oponente está a fazer força, sendo que teremos de reagir de acordo. No PC, para quem jogar com rato e teclado apenas temos de nos cingir às expressões faciais do nosso oponente para antecipar os seus movimentos, o que torna o desafio mais difícil. Estive quase a desistir e fazer skip desse mini-jogo, mas quando li que se ligasse um comando de X360 o comando vibrava em certas alturas, não hesitei e de facto tornou esse mini jogo mais simples.

Call of Duty: Ghosts (PC)

Depois de ter investido aí umas 90h de jogo no Dragon Age Inquisition, apeteceu-me jogar algo mais ligeiro e curto, pelo que invariavelmente decidi apontar as agulhas para mais um dos Call of Duty que tinha aqui em backlog. Lançado originalmente no final de 2013, foi o primeiro jogo da série pensado na já “não actual” geração de consolas, pelo que possui um motor gráfico mais avançado. Tal como todos os outros Call of Duty da minha colecção, este artigo irá incidir apenas na campanha single player. Sei perfeitamente que a maioria do público compra Call of Duty pelo seu multiplayer competitivo, mas eu tenho muito mais que jogar pelo que nem o experimentei sequer. Entretanto, o meu exemplar sinceramente já não me recordo bem quando e onde o comprei, mas não terá sido mais de 10€ seguramente.

Jogo com 4 discos, caixa e papelada

Produzido pela Infinity Ward, que previamente estava encarrege da subsérie Modern Warfare, este CoD: Ghosts inicia então uma história completamente nova, que decorre num futuro não muito longínquo, onde o médio Oriente foi dizimado pela guerra e os países da américa do Sul, agora os maiores produtores de óleo, formaram uma aliança que os tornou na principal superpotência global e iniciaram uma guerra aberta com os Estados Unidos. Nós protagonizamos, na maior parte do tempo, o papel de um membro dos Ghosts, uma unidade de elite especializada em black ops, pelo que contem com muitas missões furtivas e de sabotagem, mas também algumas de conflito mais aberto. Afinal o jogo começa precisamente com o ataque da Federação a partir do espaço a uma série de metrópoles norte-americanas.

Combates em plena órbita? Check e foram deliciosos!

E a campanha apesar de ser algo curta (terminei o jogo em menos de 6h e ainda o deixei algum tempo em idle) é bastante intensa, com missões que nos levam a cenários bem diversificados, pois tanto lutamos em terra, seja em ruínas de cidades norte-americanas, selvas amazónicas, na água (ou debaixo dela) ou mesmo pelo ar e espaço. A jogabilidade é a típica que podem encontrar nos Call of Duty, com a vida a ser regenerada automaticamente e, apesar de termos acesso a imensas armas distintas, apenas poderemos carregar duas armas de cada vez mais uns quantos explosivos. Ocasionalmente teremos de usar vários gadgets como visão térmica, o controlo remoto de drones e artilharia, bem como conduzir alguns veículos como tanques ou helicópteros de combate. A grande novidade está mesmo na introdução do Riley, um pastor Alemão que nos irá acompanhar nalgumas missões. Para além de o podermos mandar atacar alguns alvos inimigos, em certas alturas iremos mesmo controlar o animal remotamente para investigar instalações inimigas sem ser descoberto.

Hello? This is dog

De resto, e como é habitual, o jogo possui uma muito forte componente de multiplayer competitivo, com inúmeros modos de jogo distintos e um sistema de progressão de carreira que nos irá recompensar com mais e melhores armas à medida que vamos ganhando experiência. Para além disso, o jogo inclui dois outros modos de jogo multiplayer inteiramente novos, que eu mais uma vez não toquei sequer, tal como referi acima. Um deles é o Squads, que envolve criarmos esquadrões de combate com elementos controlados por inteligência artificial e combater outros esquadrões também controlados por IA. O outro modo de jogo é o Extinction que faz lembrar os Zombies trazidos pela Treyarch nos Black Ops, mas em vez de mortos vivos, temos aliens que estavam adormecidos nas profundezas da Terra, agora acordados após os ataques da campanha principal. São basicamente modos de jogo cooperativos onde teremos de proteger a nossa base ou destruir alguns objectivos enquanto combatemos várias ondas de criaturas.

Graficamente o jogo envelheceu muito bem. Os cenários estão muito bem detalhados e a acção é sempre intensa!

A nível audiovisual, apesar do jogo herdar o mesmo motor gráfico dos seus predecessores, a evolução desse mesmo motor gráfico é bem notória, pois este Call of Duty Ghosts apresenta mundos bem variados e muito bem detalhados graficamente. Pelo menos no PC, jogando com tudo no máximo, o resultado final é para mim bastante satisfatório. E o facto de a campanha ser bastante dinâmica e repleta de momentos de grande acção só acrescenta ainda mais a imponência dos audiovisuais. As secções no espaço foram sem dúvida as minhas preferidas, mas o jogo tem uma série de momentos muito bons no geral. O voice acting é como habitual na série bastante competente e as músicas, quando entram, geralmente são temas mais épicos que se adequam bem ao caos à nossa volta.

Portanto, mesmo a campanha ter sido algo curta, até que gostei bastante deste Call of Duty Ghosts. A sua variedade de missões, que estão repletas daqueles momentos de maior tensão ficaram aqui muito bem implementadas! No entanto creio que não foi um jogo tão bem recebido assim, pois apesar do seu final até ter ficado algo em aberto, a Activision não deu continuidade desta história até agora.