Crysis (PC)

Depois do Far Cry, que já na altura tinha impressionado pelas grandes áreas de jogo renderizadas sempre com bons gráficos, a Crytek começou a trabalhar num novo projecto e numa nova versão do seu motor de jogo. Lançado então para o PC em 2007 (e só 4 anos depois é que chegou às consolas), este Crysis é mais um first person shooter que é em parte uma evolução dos conceitos que a Crytek tinha introduzido no seu jogo anterior. Mas mais que isto eles foram completamente overkill na questão dos gráficos que para além de serem belíssimos para 2007, necessitavam também de máquinas bem poderosas para o correr com boa performance e qualidade. Foi durante muitos anos um dos principais benchmarks com que se testaram placas gráficas! O meu exemplar foi comprado em Setembro de 2012 na extinta GAME do Maiashopping, tendo-me custado cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

Ora neste jogo encarnamos num soldado de um esquadrão muito especial, todos eles equipados com fatos todos high tech e que lhes conferem uma série de habilidades sobrehumanas, que mais tarde irei detalhar. Ora eles são então destacados para uma ilha algures perto das Filipinas, numa operação que à partida seria simples: a de resgatar um grupo de cientistas norte-americanos que foram raptados por um batalhão do exército Norte-Coreano, que entretanto havia invadido a ilha por motivos aparentemente desconhecidos. Mas como não podia deixar de ser as coisas não correm bem como o esperado e afinal aquela ilha tem mais do que se lhe diga.

Ao pressionar a tecla C temos acesso a um menu de customização das armas que carregamos, se bem que nem todos os upgrades estão disponíveis de início

Podemos dividir este Crysis em duas metades. A primeira metade, tirando o facto das tais habilidades novas, acaba por ser muito semelhante ao primeiro Far Cry pois uma vez mais temos uma vasta parte da ilha para explorar. Não que este seja um jogo verdadeiramente open world, pois para além de ocasionalmente termos alguns objectivos secundários que poderemos ou não cumprir, o jogo em si é bastante linear. Simplesmente temos é de percorrer vários quilómetros a pé ou com veículos, atravessando selvas, praias paradisíacas ou algumas aldeias pelo meio. Os locais onde o grosso de cada missão se passa estão repletos de inimigos, mas é habitual cruzarmo-nos com algumas patrulhas mais pequenas pelo meio. Devido às habilidades que temos acesso, o jogo tanto nos dá a opção de usar abordagens mais agressivas ou furtivas, mas em zonas onde há mais concentração de inimigos eu recomendaria mesmo uma abordagem mais furtiva.

O jogo apresenta um sistema de ciclos de dia e noite enquanto vamos explorando a ilha

Mas então quais são as tais habilidades que teremos acesso? Ora a qualquer momento no jogo podemos seleccionar diferentes funcionalidades do nosso fato, que por sua vez consomem energia quando estão em uso. Temos uma habilidade que nos dá mais força, não só nos golpes físicos, mas também reduz o coice das armas de fogo, aumentando assim a sua precisão ou mesmo podendo saltar bem mais alto. Por outro lado podemos activar a habilidade de armadura que é capaz de deflectir o dano sofrido por armas de fogo. Para maior furtividade podemos activar também uma camuflagem que nos deixam temporariamente invisíveis e por fim podemos também activar uma outra habilidade que nos deixa mover (e correr) bem mais rapidamente. Mas todas estas habilidades usam energia, pelo que teremos de as usar com a devida atenção, pois a energia recupera algo lentamente quando as deixamos de usar. De resto vamos tendo acesso também a um arsenal relativamente complexo de diferentes armas e o jogo até que é algo generoso na quantidade de armas que podemos equipar. Desde os nossos punhos e uma pistola, podemos equipar também mais duas armas de fogo como assault rifles, metralhadoras, sniper rifles, shotguns, entre outras. Podemos ainda equipar mais duas armas de explosivos como um lança rockets ou explosivos C4, bem como granadas. E um outro detalhe interessante, mesmo que não consigamos carregar todas as armas em simultâneo, o jogo deixa-nos armazenar todo o tipo de munições, mesmo de armas que não tenhamos no momento connosco!

Eventualmente teremos mesmo de conduzir alguns veículos, como tanques ou mesmo um VTOL

A segunda metade do jogo é quando se revela o que os cientistas e o exército Norte Coreano estavam realmente ali a fazer. Não querendo spoilar mas não tenho grande hipóteses (é um jogo de 2007!), mas aquela ilha tinha, no interior de uma montanha, uma espécie de colónia de seres extra-terrestres que estavam lá adormecidos há milhares de anos. Então eles acordam e começam a causar o caos tanto com as forças Norte-Coreanas, como com as Norte-Americanas que entretanto chegaram. E a partir daí o jogo torna-se bem mais linear e com menos áreas abertas, onde a furtividade já não interessa para nada.

Estes são os fatos cheios de tecnologia que usamos durante o jogo

Mas vamos passar para os audiovisuais. Para os padrões de 2007, este jogo estava realmente muito à frente do que se tinha visto até então no PC. Não foi por acaso que o jogo apenas recebeu conversões para a Xbox 360 e PS3 só quatro anos depois! Temos então gráficos muito avançados para a época, com cenários muito bem detalhados, particularmente o detalhe de toda a vegetação! As personagens, principalmente as mais importantes, estão também muito bem modeladas, não só com modelos poligonais repletos de polígonos, mas com texturas com muito bom detalhe também. Mas todo esse poderio gráfico jogado nas especificações máximas tinha um custo: apenas máquinas de elite conseguiam correr o Crysis com os gráficos todos no máximo e com boa performance. Tanto que o Crysis foi a prova dos nove em muitos testes de benchmarking nas placas gráficas, mesmo em muitos anos que se seguiram ao seu lançamento! De resto, nada de especial a apontar à música e efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel. Já o voice acting é algo mediano, assim como a narrativa como um todo.

Portanto este Crysis é um FPS agradável de jogar precisamente pelas suas diferentes mecânicas de jogo que introduziu. E graficamente, consegui perceber o porquê de um jogo lançado em 2007 ter tido realmente tanto impacto na questão gráfica! Foi recentemente lançado em 2020 um remaster para uma série de outros sistemas, incluindo uma surpreendente versão para a Nintendo Switch, mas aparentemente esse remaster não traz muito de novo.

Where Is My Heart? (PC)

Where is My Heart? é um interessante jogo indie que foi lançado originalmente na Playstation Portable como um jogo digital, mas acabou por receber um lançamento no steam anos mais tarde. É um jogo de plataformas com elementos de puzzle muito originais e o meu exemplar digital deve ter vindo nalgum bundle que tenha eventualmente comprado a muito baixo preço.

Na sua essência, este é um jogo de plataformas onde iremos controlar pequenos monstros e o objectivo é de os encaminhar para a saída do nível em segurança. Preferivelmente deveremos tentar apanhar todos os corações flutuantes que encontremos em cada nível também, embora tal não seja obrigatório. E inicialmente as coisas parecem simples, mas rapidamente nos apercebemos qual é a grande reviravolta que o jogo induz: o ecrã de cada nível é segmentado em diversos frames que estarão espalhados, resultando numa imagem completamente fragmentada. Teremos portanto de jogar com cuidado e atenção especial para tentar adivinhar em que frame é que a personagem que estamos a controlar irá aparecer a seguir! Naturalmente que à medida que o jogo vai avançando vamos ter puzzles cada vez mais desafiantes como interruptores que devem ser activados por personagens específicas ou mesmo teremos de dar alguns saltos de fé, o que num jogo deste tipo já me chateia um bocado. É que para concluir cada nível de forma perfeita, para além de coleccionar todos os corações presentes nesse nível, teremos também de garantir que nenhuma das personagens morre alguma vez.

Embora não seja mandatório, para completar cada nível de forma perfeita temos de apanhar todos os corações espalhados e garantir que nenhuma personagem perca uma vida

Mas o jogo consegue ser ainda mais mindfuck devido às habilidades especiais que poderemos activar. Em certos níveis vão haver uns plataformas onde se encavalitarmos os monstros nas costas um dos outros, eles transformam-se noutra criatura com diferentes habilidades. Uma dessas criaturas consegue dar um duplo salto, outra consegue tornar visíveis plataformas ou passagens secretas e outra tem a capacidade de rodar os painéis do cenário, servindo de certa forma como uma maneira rápida de nos teletransportar-nos de um lado para o outro. É um jogo um pouco ingrato de o descrever devido à sua originalidade nas mecânicas de jogo, mas à medida que o vamos jogando, estas mecânicas vão-nos ser apresentadas uma a uma e rapidamente começamos a assimilá-las.

Alguns dos n´vieis são uma confusão mental que só visto!

Do ponto de vista audiovisual esperem por um jogo colorido e com um pixel art muito bem detalhado como eu gosto. Parece algo tirado da Mega Drive! Espanta-me é como isto seria na PSP que, apesar de ter um óptimo ecrã para a época, tendo em conta que é um jogo com características muito peculiares na sua apresentação, a possibilidade de o jogar num ecrã maior é sem dúvida bem mais agradável. As músicas são também bastante calmas e agradáveis e vamos tendo também alguns ruídos de fundo da natureza que lhe dão uma maior imersividade.

Graficamente o jogo tem um estilo pixel art que me agrada bastante!

Portanto fiquei agradavelmente surpreendido por este Where is my Heart?. É um jogo de plataformas com mecânicas de jogo muito originais e puzzles desafiantes, embora a parte de por vezes termos de fazer alguns saltos de fé, confesso que não sou o maior apologista dessa jogabilidade. É certo que temos vidas infinitas e podemos sempre rejogar o mesmo nível para tentar obter uma pontuação perfeita, mas ainda assim é um mal menor.

The Witcher 2: Assassins of Kings (PC)

Anos depois de ter terminado o primeiro Witcher, lá acabei por finalmente pegar no segundo jogo da série e o primeiro sentimento me vem à cabeça é desilusão. Não com o jogo claro, pois esse é excelente, mas sim desilusão comigo mesmo por não o ter jogado mais cedo! O meu exemplar, uma belíssima edição de coleccionador da primeira versão do jogo, foi comprada algures no final de 2012 na extinta Game do Maiashopping por menos de 33€. A CD Projekt Red permitiu no entanto que todos os que compraram a primeira versão do jogo tivessem direito ao upgrade gratuíto para a sua versão Enhanced Edition, que para além de ter incluído um novo modo de jogo (Arena) que não testei, trazia também algumas novas sidequests e cutscenes.

Edição Premium com vários extras, incluindo uma caixa de cartão, manual, guia, dvd com making of, cd com a banda sonora, papelada diversa como origamis, um mapa e uma moeda. Uma edição de coleccionador como eu gosto! Sinceramente dispenso as action figures.

Ora esta história é uma sequela directa do seu predecessor: Geralt continua amnésico sem se lembrar do seu passado e está agora ao serviço do rei Foltest de Vizima, depois de o ter salvo de uma tentativa de assassinato no final do último jogo. Mas tal como o subtítulo Assassins of Kings o indica, nesta aventura o foco central da história está mesmo na existência de uma grande conspiração para assassinar reis. A cutscene inicial mostra como o rei Demavend do país vizinho de Aedirn foi assassinado e durante o prólogo iremos ver como Foltest acaba por ser assassinado mesmo à frente de Geralt, uma vez mais por um outro witcher. Sem grandes testemunhas, Geralt é o principal suspeito da morte de Foltest, pelo que iremos jogar o resto da aventura como fugitivos e tentar provar a inocência de Geralt, ao desmascarar os verdadeiros culpados.

O tutorial, apesar de opcional, é uma óptima maneira de nos ambientarmos aos controlos do jogo

Tal como o seu predecessor este é um RPG de fantasia medieval mais virado para uma audiência adulta, pois para além de ser um jogo violento e cenas de sexo e nudez serem comuns (afinal o que não faltam são bordéis que podemos frequentar à vontade), o jogo apresenta uma narrativa muito complexa, repleta de trama política, conflitos raciais, moralidades dúbias e teremos muitas vezes de fazer algumas escolhas difíceis. Escolhas essas que poderão ter impacto no resto da história e nos aliados e inimigos que iremos fazer. Mas lá está, em muitos casos a escolha a tomar não é fácil pois todas as personagens de relevo que iremos lidar são tiranos, corruptos ou possuem aspirações não muito honestas. É um mundo cheio de escolhas numa escala de cinzento! E tendo em conta que as escolhas que vamos tomando podem levar-nos a obter quests completamente diferentes e mutuamente exclusivas, bem como alcançar um de oito finais possíveis, há aqui uma boa longevidade para quem quiser rejogar o jogo e explorar outras opções.

O menu rápido foi uma boa adição, pois permite-nos mapear teclas de atalho para usar magias ou armas secundárias

No que diz respeito ao combate, esse foi totalmente melhorado, sendo agora muito mais rápido e dinâmico. Temos ainda de alternar entre armas de aço ou prata, sendo que as de prata são mais eficazes perante criaturas sobrenaturais, enquanto as de aço perante inimigos humanóides (humanos, elfos, anões), mas depois todo o combate é bem mais rápido e dinâmico. O botão esquerdo do rato serve para desferir ataques rápidos, já o direito serve para ataques mais fortes e, com o rato controlamos também a câmara e seleccionamos os alvos que queremos atacar. Teremos também de bloquear ou evadir os golpes inimigos para quebrar a sua guarda e conseguir fazer alguns combos. Geralt possui logo de início a capacidade de usar magias, bem como armas adicionais como facas, bombas ou plantar armadilhas. Estas podem ser seleccionadas nos botões numéricos, mas a CD Projekt Red incluiu também um menu rápido que permite pré-definir uma magia e uma arma adicional para teclas de atalho. Confesso que inicialmente era muita informação para absorver ao mesmo tempo, mas o tutorial ajudou e depois das primeiras horas de jogo já tinha tudo bem interiorizado, com o movimento a dar-se com as teclas WASD mais o rato para controlar a câmara e os botões Q como tecla de atalho para a magia seleccionada, E para bloquear, R para usar as tais armas secundárias que poderíamos também prédefinir com o tal menu rápido.

O combate tornou-se bem mais rápido e dinâmico, o que é uma óptima notícia

Tal como o seu antecessor temos aqui também um bom sistema de crafting, onde poderemos criar poções, bombas, armadilhas ou mesmo armas e outro tipo de equipamento, se recorrermos a algum artesão. Para além de fórmulas ou diagramas que nos indiquem a sua receita, o sistema de crafting precisa também, claro está, de ingredientes. E estes tanto podem ser ervas que vamos apanhando, partes do corpo dos monstros que vamos derrotando ou outros materiais que podemos também encontrar ou comprar como metais, tecidos, madeira e afins. As poções tanto nos podem dar habilidades especiais de forma temporária, como ver melhor no escuro, ou melhorar a nossa resistência a veneno, fogo e afins, bem como melhorar o nosso metabolismo, como regenerar vida ou stamina mais rapidamente. Também podemos criar óleos que podem ser aplicados nas nossas armas e conferir-lhes habilidades especiais de forma temporária, bem como as tais bombas e armadilhas que podemos usar no combate. Alguns confrontos mais desafiantes como os bosses vão-nos levar a fazer todas estas preparações antecipadamente. É certo que Geralt possui um inventário limitado, mas é sempre bom estar preparado!

Triss Merigold, Zoltan e Dandelion, as caras conhecidas do primeiro jogo que marcam cá a sua presença novamente

De resto, à medida que combatemos ou cumprimos quests vamos ganhar pontos de experiência e subir de nível. Cada vez que subimos de nível temos também pontos de talento que poderemos usar ao evoluir algumas skills. Inicialmente apenas podemos escolher as skills da árvore de treino, e uma vez completa essa pequena skill tree, poderemos assignar os restantes pontos de talento em skill trees maiores, nas áreas das espadas, magia ou alquimia. Estas irão melhorar as nossas capacidades de combate com as espadas, melhorar os efeitos das magias ou das poções que criamos. Não há pontos de talento suficientes para evoluir todas as árvores a 100%, pelo que deveremos escolher com alguma atenção quais as habilidades que queremos aprender e/ou evoluir.

Mini jogos como o poker dice ou as lutas corpo-a-corpo estão de volta e com diferentes mecânicas de jogo

A nível gráfico, para um jogo de 2011, acho que ficou bem conseguido. Não é um RPG open world como a série Elder Scrolls, pelo que os cenários que iremos explorar são mais pequenos, com diferentes áreas a serem exploradas ao longo do prólogo, capítulos 1, 2, 3 e epílogo, sendo que não poderemos voltar às localizações anteriores quando avançamos para o capítulo seguinte. Ainda assim há muito para explorar, como grandes fortalezas, a pequena cidade de Flotsam e as suas imediações na floresta, o campo de batalha do exército de Kaedwin e a cidade de Vergen, culminando na exploração das ruínas de uma cidade que outrora albergava uma grande Ordem dos feiticeiros. Sendo este um jogo produzido por um estúdio polaco, cuja nação tem uma grande História, sempre gostei das suas representações mais realistas da realidade da Idade Média e isso vê-se bem na cidade de Flotsam. É uma cidade suja, com edifícios decadentes e feitos de pedra ou madeira e longe das estruturas imponentes que outros RPGs medievais nos apresentam. De resto teremos também florestas densas, pantanosas, cavernas, bem como as tais fortalezas imponentes para explorar. Já as personagens também temos de tudo, desde nobres bem limpinhos, como camponeses desdentados e com as roupas feitas em trapos. Sinceramente acho que a nível gráfico é um jogo bem detalhado, principalmente para os padrões de 2011 e temos de ver que nessa altura a CD Projekt Red ainda era um estúdio relativamente modesto. Já no que diz respeito ao som, esperem pelas músicas mais acústicas com melodias típicas da idade média, mas também algumas músicas mais orquestrais e épicas que entram em cena quando as coisas apertam. O voice acting é bastante competente, tendo em conta que joguei a versão em inglês.

O jogo apresenta-nos várias escolhas difíceis. Por exemplo, um dos contratos que podemos adquirir em Flotsam é o de exterminar este troll. Será que o devemos matar ou ouvir o seu lado da história?

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Witcher 2: Assassins of Kings. A jogabilidade ficou de facto muito melhor nos combates e a narrativa é mais uma vez excelente. A história vai dando algumas reviravoltas interessantes, e as alianças e decisões que temos de tomar ao longo do jogo serão escolhas por vezes difíceis onde temos de optar pelo mal menor. Para além de que o jogo terminou de uma forma que antecipa os eventos que serão narrados no Witcher 3, pelo que a vontade em começar a terceira aventura está ao rubro! Não o vou jogar já, mas certamente não irei esperar o tempo que levei até pegar finalmente neste jogo.

Space Quest 6 (PC)

Vamos começar o ano de 2021 com mais uma rapidinha para fechar a série Space Quest, com o seu sexto e último capítulo a ser lançado originalmente em 1995. E tal como todos os outros Space Quest que fazem parte da minha biblioteca no steam, este meu exemplar digital veio através de um excelente bundle que comprei algures neste ano e que continha dezenas dos clássicos do extenso catálogo de jogos da Sierra.

Na aventura anterior acompanhamos Roger Wilco e a sua ascensão para a posição de capitão da sua própria nave espacial. E apesar de uma vez mais ter salvo o universo, nem tudo resultou em boas notícias, pois Roger acaba por ser julgado pela federação StarCon pela sua conduta imprópria e todos os danos causados. Então Wilco acaba por ser despromovido novamente para a posição de empregado de limpeza! Entretanto toda a tripulação da nave onde Roger estava a servir acaba por ter uns dias de folga num planeta próximo, que apesar de ter um aspecto horrível, sempre tinha uns bares e arcades para se divertirem. Entretanto Roger, depois de deambular pelas zonas menos nobres daquele sítio, acaba por ser raptado e tropeçar uma vez mais numa grande conspiração que começa a surgir à sua volta.

Uma vez mais teremos algumas referências a outros filmes e jogos

Portanto, como não poderia deixar de ser, estamos aqui perante mais um jogo de aventura gráfica com uma interface 100% point and click, onde teremos diferentes cursores para desempenhar diferentes funções como andar, falar, observar, interagir, ou usar itens do inventário. Naturalmente que teremos de interagir com diversos objectos para ir avançando no jogo e ultrapassar os puzzles que teremos de enfrentar, o que nem sempre trazem soluções óbvias. Nos jogos anteriores tínhamos sempre um mini-jogo ocasional para ultrapassar e este Space Quest 6 não é excepção. Desta vez temos um clone de Street Fighter, com personagens e golpes algo hilariantes, mas como uma jogabilidade tão notoriamente má que somos mesmo obrigados a fazer batota. De resto, e também como é habitual, teremos algumas situações de game over hilariantes embora desta vez não tenhamos tantos momentos de frustração também.

Eventualmente temos de visitar um mundo de realidade virtual bem retro

No que diz respeito aos audiovisuais devo dizer que estou algo dividido. Por um lado é de saudar o regresso do voice acting, em particular o do narrador hilariante que é o mesmo que ouvimos no Space Quest IV. Este voice acting enriquece bastante a narrativa, particularmente os seus momentos mais cómicos. Mas no que diz respeito aos gráficos propriamente ditos, é certo que estão muito bons para um jogo de 1995, com sprites das personagem muito bem animadas e detalhadas. Os backgrounds são também muito bem detalhados e os poucos CGIs que vamos assistindo têm uma qualidade que não estava nada à espera de ver em 1995. Ainda assim, prefiro de longe os visuais mais cartoon, tanto nas personagens como nos cenários, que foram retratados nos dois jogos anteriores.

É verdade que os gráficos estão muito bem detalhados, mas preferia o aspecto mais cartoon das aventuras anteriores

Fora isso é mais um jogo de aventura bem sólido por parte da Sierra, uma vez mais com um bom sentido de humor e umas quantas referências a outros videojogos e filmes. A partir daqui infelizmente as coisas na Sierra foram mudando e para o pior, pelo que a série acabou por não receber mais nenhum título.

Space Quest V (PC)

Continuando pela saga dos Space Quest da Sierra, vamos ficar agora com o seu penúltimo capítulo nas aventuras de Roger Wilco. Tinha gostado bastante do seu antecessor directo, mas este quinto jogo acabou por ficar uns furos abaixo do anterior pelo simples facto de não ter qualquer voice acting. De resto continua a ser um jogo bem humorado e bastante sólido! O meu exemplar, como os demais da saga Space Quest, veio num grande bundle comprado algures neste ano que incluiu dezenas dos clássicos da Sierra a um preço muito reduzido para a quantidade, e qualidade, dos jogos que trazia.

Até agora Roger Wilco tem servido sempre o papel de herói improvável, pois apesar de ser o empregado de limpeza mais desastrado e incompetente naquele sector do universo, acabava sempre por se ver envolvido em conspirações à escala planetária. Desta vez Roger decide mudar de vida e inscreve-se numa academia para se tornar comandante de uma nave espacial. Infelizmente os seus maus hábitos mantêm-se e apesar de ter sido de longe o pior aluno que aquela instituição alguma vez recebeu, problemas informáticos na avaliação do seu último exame fazem-no graduar com distinção. Mas, numa partida do destino, a nave espacial que acaba por comandar é uma pequena nave de recolha de lixo. Mas claro, à medida que vamos avançando na história, vamos tropeçando uma vez mais numa grande conspiração que teremos de travar.

O primeiro grande puzzle que temos pela frente é o de passar no teste, que para além de ter respostas ridículas, temos mesmo de tentar copiar as respostas do colega do lado

E esta é mais uma vez uma aventura gráfica do estilo point and click, onde os diferentes cursores que podemos usar representam diferentes acções como falar, interagir, mover, etc. Na sala de controlo da nave temos um cursor novo que é usado para dar indicações à nossa tripulação, mas deixamos de ter os cursores de cheirar e lamber que, apesar de nunca terem sido lá muito úteis nos jogos anteriores, sempre davam um comic relief adicional. Iremos então ter a oportunidade de comandar a nossa nave e visitar várias localizações distintas, cujas coordenadas devem ser inseridas antecipadamente e estas estão apenas disponíveis no manual do jogo e que funcionariam como um esquema de protecção de pirataria. Teremos vários puzzles para resolver, alguns bem bizarros, outras situações de vida ou morte em que temos de agir rápido e o mini-jogo que aqui incluiram é uma espécie de batalha naval, mas no espaço.

Tal como o seu predecessor, este Space Quest 5 está repleto de sarcasmo e bom humor

No que diz respeito aos audiovisuais, a única coisa mais desapontante é mesmo o facto desta vez a Sierra não ter apostado em voice acting, pois tudo o resto está excelente. A narrativa ficou bem melhor que em títulos anteriores, principalmente pela própria personagem do Roger Wilco é agora muito mais conversadora e os diálogos estão repletos de sarcasmo e bom humor. Já do ponto de vista gráfico, a Sierra decidiu adoptar um grafismo muito próximo da banda desenhada, o que sinceramente até achei que resultou bastante bem. Os cenários que vamos explorando são variados, assim como as personagens que são também bastante carismáticas. Nada de especial a apontar à música e efeitos sonoros, a não ser que aquele d’oh! que ouvimos ocasionalmente me ser muito familiar.

O grafismo mais inspirado em banda desenhada acaba por resultar muito bem

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Space Quest V. Apesar de não ter o voice acting que foi uma mais valia no jogo anterior, a história acabou por se tornar mais interessante, muito pelo maior carisma que Roger Wilco ganhou, bem como os das personagens mais secundárias com as quais interagimos. A ver em breve como finalizaram a saga!