The Witcher III: Hearts of Stone (PC)

Hearts of Stone foi a primeira expansão lançada pela CD Projekt Red para o Witcher III. É uma expansão curta, é verdade, mas até que possuiu uma história bastante interessante e que nada tinha a ver com a história principal. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, creio que numa Worten, tendo-me custado 20€. É daquelas edições físicas que já nem traz nenhum disco, mas sim um código de download e mais alguns extras, onde facilmente se destacam os dois decks para se jogar gwent. Ah, o gwent! Um trading card game que me esqueci completamente de escrever no artigo do jogo base! Substituiu o mini jogo dos dados dos dois primeiros títulos e sinceramente foi algo que gostei bastante! O lançamento de dados sempre foi uma mera questão de sorte, já um trading card game já envolve mais alguma estratégia e foi uma adição muito benvinda!

“Jogo” com sleeve exterior, caixa de cartão, papelada e dois decks de Gwent, um dedicado aos Monsters, outro aos Scoia’tael

Este Hearts of Stone decorre algures em paralelo com os acontecimentos da aventura principal, embora tal não seja muito claro, até porque nenhum dos protagonistas da história principal têm qualquer intervenção aqui. E esta começa com Geralt a deparar-se com um anúncio de mais um contrato para serviços de um Witcher e a primeira coisa a fazer é precisamente falar com quem publicou o anúncio para obter mais detalhes. Pois bem, essa pessoa era nada mais nada menos que Olgierd Von Everec, líder de um conjunto de bandidos muito peculiares e que nos diz que a criatura que temos de abater está algures nos esgotos da cidade de Oxenfurt. Pois bem, ao explorar os esgotos lá descobrimos um sapo gigante e depois de o matar vemos que o sapo se transforma num homem, já morto. Azar do caraças, esse sapo era um príncipe das arábias que tinha sido almadiçoado e logo depois acabamos por ser presos por um conjunto de soldados e um feiticeiro de Ofier, o tal reino árabe, que iam tentar levantar a maldição que o seu príncipe sofreu. Instantes depois estamos enjaulados num navio que parte para Ofier, onde seríamos executados. Mas eis que surge um feirante muito particular, que nos diz que fomos enganados por Olgierd, que este sabia perfeitamente que a criatura era na verdade um príncipe, e promete libertar Geralt da sua situação delicada, logo que o ajude a colectar uma dívida de Olgierd. Geralt aceita e instantes depois o navio naufraga e acabamos por sair livres. Mas desde cedo fica a sensação que acabamos por ter feito um pacto com o Diabo e as coisa não vão correr lá muito bem. O resto da história irá incidir bastante no passado de Olgierd e a sua relação com Gaunter O’Dimm, o tal feirante. Ah, e também nos voltamos a envolver com Shani, uma das personagens com Geralt se poderia envolver romanticamente no primeiro Witcher.

Olgierd von Everec, uma das principais personagens desta expansão

A nível de mecânicas de jogo não há muito de novo nesta expansão, a não ser a inclusão de equipamento mais poderoso como armas ou armaduras que poderemos comprar ou criar. Teremos também a possibilidade de encantar as armas com runas que lhe conferem habilidades especiais, bem como mais cartas gwent para coleccionar. As novas áreas de jogo, que já poderiam ser exploradas em qualquer altura durante a aventura principal, pelo menos para quem já tivesse a expansão Hearts of Stone instalada, incidem no território a norte e a este das cidades de Novigrad e Oxenfurt. Claro que quem como eu as tentou explorar antes, rapidamente se deparou com monstros e criaturas com um nível acima da casa dos 30, o que era desencorajador. A expansão em si é relativamente curta, levei cerca de 15 horas a concluí-la. Gostei bastante da história principal, achei as personagens do Olgierd e Gaunter O’Dimm bastante originais. Para além disso teremos umas outras quantas missões secundárias, bem como novos pontos de interesse para explorar, como tesouros escondidos, acampamentos do que resta da Order of the Flaming Rose, contractos de Witcher para cumprir e ninhos de criaturas para destruir. É também durante a campanha principal desta expansão que iremos explorar algumas zonas de Oxenfurt que estavam até então barradas, como a sua universidade.

No que diz respeito a mecânicas de jogo, a grande novidade está mesmo nos encantamentos e runas adicionais que poderemos adicionar ao equipamento

Graficamente também não esperem por grandes novidades, pois os territórios a explorar são as típicas florestas da zona das imediações de Novigrad e Oxenfurt, mais algumas mansões abandonadas. Uma vez mais a narrativa está muito boa e devo dizer que até achei o Gaunter O’Dimm e Olgierd personagens bastante interessantes! De resto, sobra-me agora a expansão Blood and Wine que já nos levará a uma área inteiramente nova para explorar. Veremos como se safa!

The Witcher III: The Wild Hunt (PC)

145 horas depois, lá terminei esta grande aventura. Há alguns meses atrás decidi finalmente jogar o The Witcher 2 e, mesmo sendo um jogo mais curto que o primeiro, deixou-me também completamente agarrado. Aproveitei o fim de semana prolongado da Páscoa para começar o terceiro, mas não estava mesmo à espera que fosse tão longo. Sendo um RPG open world, teríamos inúmeras sidequests para completar e naturalmente que eu fiz todas as que consegui! E tirando um ou outro tipo de eventos mais aborrecidos (sim, as inúmeras caixas de contrabandistas espalhadas pelos mares de Skellige) devo dizer que adorei todo este tempo passado no jogo. O meu exemplar foi-me oferecido pela minha namorada, já não me recordo se foi em 2015 ou 2016, ou se foi presente de aniversário ou de Natal. Posteriormente comprei também as expansões (que irei abordar separadamente) e a GOG acabou por converter o jogo na sua versão Game of the Year edition para todos os que possuíssem o jogo base e ambas as expansões.

Jogo com sleeve de cartão exterior, duas caixas, 4 discos, banda sonora, manual, papelada, mapa e stickers. Ah, saudades do tempo em que os jogos de PC em formato físico traziam coisas! Hoje em dia nem discos trazem a maior parte das vezes…

Esta aventura começa pouco tempo após os eventos do último jogo, onde após terem sido levados a cabo uma série de assassinatos a reis de nações do Norte (e com Geralt a ser inicialmente o principal suspeito!), as nações vizinhas tentaram ocupar os países mais fragilizados, levando a conflitos entre todas as nações do Norte. A Sul, o poderoso império de Nilfgaard naturalmente aproveita todo o conflito e instabilidade política para invadir as nações do Norte e tentar expandir o seu império. Também no final do jogo anterior, Geralt acaba por finalmente recuperar a sua memória e recorda-se de Yennefer, o seu primeiro e maior amor, e Ciri, outrora uma criança com habilidades especiais, que acabou por ser sua aprendiz no tempo que passou em Kaer Morhen e que acabou por se tornar a sua protegida. Os três tinham uma relação muito próxima! E o jogo começa precisamente com Geralt e o seu mentor Vesemir, a viajarem a cavalo na província de White Orchard em Temeria, na esperança de encontrarem Yennefer, já que ela lhe tinha enviado uma carta a pedir que se encontrassem pois teria um favor muito especial e urgente a pedir. Pois bem, Yennefer está de momento a trabalhar precisamente para Emhyr, o poderoso imperador de Nilfgaard e também pai biológico de Ciri, que nos pede para encontrar a sua filha a todo o custo. Mas tal tarefa não vai ser fácil, pois Ciri tem sido constantemente perseguida pelas misteriosas forças da Wild Hunt, cavaleiros aparentemente demoníacos e de uma outra dimensão e que deixam um rasto de gelo e destruição por onde passam.

Para além de monstros, tramas políticas e facções em conflito permantente, temos também de nos preocupar com a Wild Hunt, os principais antagonistas desta aventura

Sem contar com as expansões que irei detalhar em artigos separados (assim que as terminar!), iremos então explorar a tal província de White Orchard, com as suas planícies verdejantes e florestas, mas também a zona bem maior de Velen, igualmente repleta de montanhas e florestas, mas também com imensos pântanos e ruínas de batalhas sangrentas entre as forças de Nilfgaard e de Redania. As cidades de Oxenfurt e Novigrad são os seus principais pontos urbanos, mas teremos também inúmeras outras aldeias e localizações rurais a explorar nessa região. As ilhas de Skellige, com uma cultura muito similar à dos vikings (embora os seus habitantes tenham um sotaque norte-irlandês) e a fortaleza de Kaer Morhen e suas montanhas envolventes serão também outras regiões a explorar. Ao longo do jogo, para além das quests principais, teremos bastantes quests secundárias, que tipicamente, na sua maioria, servem para enriquecer melhor aquele universo e o de algumas das personagens importantes que iremos interagir ao longo da aventura. Mas sendo este um jogo open world, iremos também encontrar espalhados pelo mapa inúmeros pontos de interesse com eventos que tipicamente nos recompensarão com algum loot valioso. E claro, os habituais witcher contracts, que nos levam também a combater algumas criaturas poderosas.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado, só não achei muita piada ao facto dos dias com mau tempo serem quase tão escuros como as noites!

E tal como os seus predecessores, este é um action RPG com um sistema de combate bastante dinâmico e muito similar ao introduzido pelo Witcher 2. Aqui temos na mesma o mesmo tipo de magias, os mesmos conceitos das espadas de aço e de prata (estas últimas para enfrentar as criaturas sobrenaturais). O crafting está também de regresso, tanto de armas, armaduras, bombas, ou de poções e óleos para aplicar nas espadas. A grande diferença no crafting, e sem dúvida uma mudança mais “cómoda”, é que criando uma poção, óleo ou bomba uma vez com todos os reagentes necessários, não é necessário voltar a usar todos os ingredientes para criar mais, logo não precisamos de carregar reagentes às dezenas no inventário. Basta ter álcool forte e meditar, quanto mais não seja por uma hora, para as poções, óleos e bombas que tenhamos criado anteriormente serem restabelecidas. Ainda no que diz respeito ao crafting, as armadilhas que poderíamos criar em jogos anteriores ficaram de fora desta vez. Outra das novidades introduzidas neste jogo é que as armas e armaduras têm desgaste com os combates, podendo inclusivamente partir. Lá teremos então de vez em quando de ir aos ferreiros para reparar o equipamento, bem como carregar alguns kits de reparação, pelo sim pelo não, ou mesmo armas suplentes! E sendo este um jogo de natureza open world, outras novidades como a de montar cavalos ou conduzir barcos e usar um sistema de fast travel foram também muito benvindas.

Sendo este um jogo de mundo aberto, é bom termos a possibildiade de transporte, se bem que temos de ter cuidado ao manobrar os barcos, pois estes podem afundar

A nível técnico é um jogo muito bom, pelo menos para os padrões de 2015. O mundo apresentado possui um óptimo nível de detalhe, desde a vegetação bem detalhada a abanar com o vento, as aldeias pobres com casas de madeira e telhados de palha, as cidades medievais sempre patrulhadas por guardas, mas também com bandidos à espreita em cada esquina, o ciclo de dia e noite, diferentes condições atmosféricas… só quando era pleno dia e estava mau tempo é que, pelo menos no meu PC, o mundo à nossa volta ficava bem mais escuro do que uma noite com luar, o que já não achei tão realista assim. As personagens são todas bem detalhadas, desde o soldado ou camponês mais genérico, bem como as personagens mais importantes. Aliás, isso já era algo que também acontecia no Witcher 2. O voice acting é bastante competente, com múltiplos diferentes sotaques de inglês a serem ouvidos dependendo da região que visitamos, mas também a língua dos elfos é ocasionalmente escutada. As músicas são na sua maioria temas mais acústicos, muitos bastante relaxantes, mas com músicas mais épicas e tensas durante os combates ou acontecimentos chave na história.

O que não vai faltar são criaturas grotescas e algumas situações delicadas para resolver!

Mas é, uma vez mais, pela narrativa adulta que a série The Witcher se demarca de muitos outros RPGs. Sempre considerei estes jogos como uma espécie de Guerra dos Tronos, não só pelo seu setting medieval e fantasioso, pelo sexo, pela violência e atrocidades que íamos testemunhando, mas também, e acima de tudo, pelas tramas políticas e conspirações que acabamos por ser envolvidos. Tal como os seus predecessores, este é um jogo onde vamos tendo várias opções nos diálogos. Por vezes conseguimos evitar conflitos ao hipnotizar ou subornar os intervenientes, já noutras vezes as decisões que tomamos podem influenciar bastante o desenrolar da história. E as escolhas que temos que fazer muitas vezes não são moralmente fáceis de tomar, pois por vezes temos de optar por um de dois males. São escolhas difíceis numa escala de cinzento, e o facto de algumas dessas escolhas terem um tempo limite (à lá Walking Dead da Telltale) também não ajuda. Existem 3 finais principais que poderemos alcançar, e por principais refiro-me ao destino da Ciri no final do jogo, já que existem também outras variáveis que afectarão o mundo à nossa volta, nomeadamente o destino dos reinos do Norte, do império de Nilfgaard e das ilhas Skellige. Veremos como a história se desenrolará no futuro, caso a CD Projekt Red eventualmente produza alguma sequela. Sinceramente gostei da forma como as nossas escolhas no jogo anterior se reflectiram neste jogo, mas estou especialmente curioso como a CD Projekt Red fará nalguma eventual sequela.

Gabriel Knight 3: Blood of the Sacred, Blood of the Damned (PC)

Para fechar a trilogia Gabriel Knight, terminei muito recentemente o terceiro jogo da saga que infelizmente foi o que envelheceu pior do ponto de vista gráfico, mas felizmente a sua narrativa continua excelente e vale bem a pena. Joguei-o no steam, mas também tenho uma versão física que me lembro de a ter comprado há bastantes anos atrás numa loja e creio que na altura cheguei a pagar muito pouco pelo jogo novo, creio que menos de 5€. É uma das edições mais feias e infelizmente não traz a banda desenhada, mas felizmente a versão steam a traz em formato digital.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Neste terceiro jogo voltamos a jogar com Gabriel e Grace, com o duo a viajar até à França rural para investigar o estranho rapto de um bébé muito especial, filho do príncipe da Escócia que estava exilado em Paris. A Jane Jensen conseguiu uma vez mais escrever um roteiro muito interessante e misturar vampiros, sociedades secretas como os templários ou maçonaria e conspirações milenares! Para além de Gabriel e Grace, o jogo conta também com o regresso do detective Mosely, que nos tinha ajudado no primeiro jogo.

As conversas podem agora ser tomadas através de tópicos identificados por ícones, mas felizmente existem legendas para saber o que corresponde ao quê

No que diz respeito à jogabilidade, esperem pelas mecânicas de jogo habituais num point and click, pois teremos de interagir com objectos, falar com pessoas, resolver puzzles e até fazer alguma análise forense, ao recolher impressões digitais de suspeitos. É também um daqueles jogos que se calhar convém ir usando um guia de vez em quando, pois mesmo sendo um jogo dividido em capítulos e não corremos o risco de avançar com a história sem preencher todos os pré-requisitos, por vezes vamos ter alguns puzzles não muito intuitivos. Afinal alguns dos enigmas que teremos de resolver seriam supostamente centenários, senão milenares! E por vezes temos de vaguear pelo mapa e esperar que passe algum carro ou moto para que os possamos perseguir, o que também não foi assim lá muito intuitivo. A nível de jogabilidade é também um pouco estranho pois apesar deste ser um jogo de aventura na terceira pessoa, podemos controlar a câmara livremente pelos cenários, quase como numa perspectiva de primeira pessoa, mas só depois de clicar num local é que Gabriel ou Grace se deslocam até lá.

Sydney é um sistema informático que teremos de interagir, não só para arquivar e correlacionar as pistas que vamos obtendo, mas também para desvendar algumas localizações chave

Já a nível audiovisual, infelizmente este foi o jogo que envelheceu pior, pelo menos nos gráficos. O primeiro Gabriel Knight possuia gráficos em 2D mas muito bem detalhados, o segundo já foi nas modas do full motion video mas acabou por se tornar bem melhor do que esperava. Já o terceiro é um jogo completamente em 3D poligonal, mas infelizmente os gráficos em 3D da altura estavam ainda longe do nível de detalhe pretendido para um jogo deste calibre. Temos então cenários e personagens com texturas pobres e de baixa resolução, com muito pouco detalhe poligonal, muito quadrados e animações ainda bastante simples e robóticas. Felizmente o voice acting continua bastante competente, sendo de saudar o regresso de Tim Curry para emprestar a sua voz ao Gabriel Knight.

A sequência de eventos para roubar a identidade do Mosely é no mínimo hilariante

Portanto este Gabriel Knight, apesar de ter sido de longe o que pior envelheceu devido aos seus gráficos em 3D poligonal algo primitivos, bem como ter alguns puzzles que não são lá muito intuitivos, ainda assim a sua história agradou-me bastante! É uma pena que a Sierra tenha sofrido um grande revés precisamente após o lançamento deste jogo pois gostaria de jogar um eventual Gabriel Knight 4.

Gabriel Knight 2: The Beast Within (PC)

Fiquei bastante surpreendido quando joguei o primeiro Gabriel Knight. A sua narrativa mais madura, bem escrita, um voice acting excelente e óptimos visuais em 2D, resultaram numa experiência muito positiva. Naturalmente que as expectativas para a sua sequela eram altas, mesmo já sabendo de antemão que seria um jogo em full motion video, um pouco à semelhança dos Phantasmagoria e o primeiro Phantasmagoria não me deixou lá muito convencido. Joguei a versão digital no Steam que tinha comprado num grande bundle de jogos da Sierra algures no ano passado por um preço muito reduzido, mas este por acaso também já o tinha em formato físico, tendo-o comprado algures numa feira de velharias, certamente por meros trocos.

Jogo com manual e os seus 6 CDs. Não sei o que mais poderia trazer a big box!

A história decorre algum tempo após os eventos do primeiro jogo, onde Gabriel é finalmente um autor de sucesso, tendo publicado um livro que narrou os mesmos assassinatos voodoo que experienciamos na sua primeira aventura. E este The Beast Within decorre inteiramente na Alemanha, pois Gabriel Knight é também o último dos Ritters, uma família de schattenjägers, caçadores de demónios, vampiros e outras criaturas sobrenaturais. E a população vizinha acaba por lhe pedir para investigar um novo caso, pois várias pessoas têm sido encontradas mutiladas e parcialmetne devoradas, o que suspeitam ser um ataque de lobisomens logo, trabalho para um schattenjäger. E lá teremos de nos deslocar para Munique, explorar locais do crime, falar com testemunhas, suspeitos e as forças policiais para resolver mais um mistério.

Durante os diálogos vamos poder escolher vários tópicos para falar e assim recolher as pistas que necessitamos

A nível de estrutura o jogo até que tem as suas parecenças com o anterior, a começar por ser uma aventura gráfica point and click, claro. Mas também está dividido em vários capítulos, sendo que só avançamos para o capítulo seguinte quando todos os prérequisitos forem cumpridos. É certo que nem todos os puzzles são intuitivos, há um bastante inteligente logo no início onde temos de usar uma gravação áudio para formular uma frase com a voz do entrevistado, mas ao menos não corremos o risco de chegar a um cenário sem solução ou escape por nos termos esquecido de fazer algo há horas atrás. De resto contem com as mecânicas habituais neste tipo de jogos, onde o ponteiro do rato vai mudando de forma consoante o contexto, representando acções diferentes como caminhar, ou interagir com alguém ou alguma coisa. Consultar o inventário e usar os seus itens são também acções permitidas. Outra das diferenças perante o anterior, é que ao longo dos seis capítulos vamos alternando entre jogar com o próprio Gabriel Knight ou a sua assistente Grace Nakamura, que vão tendo diferentes locais e linhas de investigação para explorar, acabando por se encontrar apenas nos actos finais.

Os cenários são fotos estáticas, com a sprite de Gabriel ou Grace a mover-se de forma minimamente animada pelos mesmos

Visualmente este jogo usa também tecnologia de full motion video, daí o seu lançamento físico vir com tantos CDs. Todos os diálogos e interacções, mesmo que sejam coisas simples como abrir gavetas ou escrever cartas, são acompanhados de pequenos vídeos com actores reais. Já navegar pelos cenários, estes são tipicamente fotografias estáticas, com as “sprites” digitalizadas de Gabriel ou Grace a passearem-se pelos mesmos. E ao contrário do primeiro Phantasmagoria, que na altura fiquei bastante desapontado pela prestação dos seus actores, aqui apesar de não serem propriamente prestações dignas de óscares, até que nem desgostei de todo. Mas isso também tem muito a ver com a forma em que a narrativa foi construída, mais uma vez pela autoria de Jane Jensen. Mas, para me contradizer um pouco, não deixo de ter ficado um pouco desiludido com as personagens do Gabriel e Grace neste segundo jogo. Ambos são interpretados por actores diferentes e Gabriel, para além de ter perdido a voz e sotaque muito característicos do primeiro jogo, aparece muitas vezes com cara algo de parvo nas cutscenes… já a Grace Nakamura, que no primeiro jogo tinha uma personalidade muito sarcástica, mas também que demonstrava afecto e preocupação por Gabriel, aqui tem uma personalidade bem mais histérica, principalmente na primeira metade do jogo, a sua hostilidade perante Gerda está muito exagerada, na minha opinião. De resto, e sendo um jogo inteiramente passado na Alemanha existe muito diálogo em alemão e que não tem qualquer tradução para inglês, o que é feito de forma propositada. Mas nada que nos impeça de entender a história!

Quer com Grace ou Gabriel, vamos poder explorar locais diferentes. O botão hint serve para salientar quais os locais onde ainda temos acções para desempenhar antes de o jogo avançar para o capítulo seguinte

Portanto devo dizer que gostei deste segundo Gabriel Knight, apesar de continuar a preferir o primeiro. O facto de ter sido um jogo inteiramente passado na Alemanha, e exploramos os seus castelos, as florestas densas ou povoações com edifícios antigos e com aquela arquitectura típica germânica, agradou-me bastante. E mesmo sendo um jogo uma vez mais com uma narrativa bem escrita, com prestações de actores reais bem melhores do que eu estava inicialmente à espera, devo dizer que continuo a preferir o primeiro Gabriel Knight, pois acho que as personagens de Gabriel e Grace estão melhor representadas, e sinceramente porque prefiro o pixel art bem detalhado dessa aventura. Mas hey, de todos os jogos baseados em FMV que joguei até agora, este foi o que gostei mais, se bem que o Harvester continua a marcar pontos por ser extremamente bizarro.

Section 8 (PC)

Produzido pela TimeGate Studios, os mesmos que desenvolveram algumas das expansões dos F.E.A.R., Section 8 é um FPS genérico com um grande foco no multiplayer online. Embora também tenha um modo história bastante curto, mas que acabaria por servir de treino para a componente online. O meu exemplar digital veio parar à minha conta steam há uns quantos anos atrás, acho que até foi oferecido! Tenho pena de não o ter jogado há mais tempo, pois este é um dos jogos que usaria o extinto serviço da Games for Windows Live e hoje em dia conseguir sequer correr esses jogos já dá um bocado mais de trabalho. EDIT: Recentemente comprei, numa feira de velharias, um exemplar físico deste jogo que já ficou na colecção.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manual e papelada

Ora este é um FPS futurista que faz lembrar de certa forma jogos como o Crysis, até porque os protagonistas de ambos os jogos usam armaduras todas high-tech. Mas as semelhanças infelizmente terminam aí pois Section 8 é um jogo a meu ver bastante genérico e que não envelheceu lá muito bem do ponto de vista técnico. A história leva-nos a uma batalha interplanetária entre duas facções militares que se odeiam por algum motivo. Não há mesmo muito mais a detalhar infelizmente, pois a campanha para além de ser bastante curta (cerca de 2:30h), a história que a acompanha também não é nada apelativa.

Quando começamos alguma missão ou fazemos respawn somos lançados do espaço para o campo de batalha

E a campanha acaba por ser de certa forma uma emulação do que seria a vertente online do jogo, pois todas as nossas missões acabam por ser conquistar, controlar e / ou defender pontos de controlo originalmente controlados pelo inimigo, ou simplesmente activar, desactivar ou mesmo destruir alguns objectivos. Os mapas são é bastante grandes e no início de cada missão, ou sempre que morramos e fazemos respawn, nós somos lançados de uma nave espacial que orbita o planeta e poderíamos escolher o ponto do mapa onde fazer respawn. Mas claro, essa liberdade seria mais para o modo online. As restantes mecânicas de jogo são relativamente simples, com a possibilidade de equiparmos 2 armas de fogo, mais 1 tipo de granadas ou outros explosivos. No combate temos de ter em conta que tanto nós como os inimigos possuimos escudos de energia que se vão desgastando com o dano sofrido, mas depois acabam por regenerar e só depois de esgotados os escudos, é que a barra de vida vai sofrendo dano! O fato xpto que equipamos possui também as habilidades de sprint e usar um jetpack que nos permite saltar a alturas elevadas. Isto é fixe mas o sprint demora imenso tempo a ser activado! Já o jetpack acaba por recarregar bem mais rápido. Outra das habilidades do fato é a possibilidade de se fazer, temporariamente, lock on a algum inimigo.

Os mapas até que são bastante grandes, mas não são lá muito interessantes

Para além do tipo de objectivos, o modo história simula também outras coisas da vertente online. Na campanha não podemos escolher que personagem representar nem a sua classe ou equipamento, mas ocasionalmente surgem no mapa alguns pontos de abastecimento onde não só podemos regenerar munições, bem como trocar o loadout armas! Ocasionalmente também poderemos conduzir mechas ou outros veículos como tanques, bem como criar turrets ou outras estruturas com base em créditos que vamos ganhando ao longo do jogo e depois possamos gastar livremente. Ora isto vai sendo explorado superficialmente na campanha, mas dá para ter uma ideia das possibilidades do online. Online esse que naturalmente não experimentei sequer!

Com os créditos que vamos amealhando podemos comprar turrets, veículos, entre outros goodies!

A nível audiovisual, mesmo para um jogo de 2009 confesso que estava à espera de algo mais, pelo menos no PC. Este deve ter sido mais um dos exemplos de um jogo a ter sido desenvolvido com a X360 como plataforma de base e posteriormente convertido para PC, sem grandes melhorias a nível gráfico. É que mesmo para 2009 não era propriamente um jogo que impressionava, é verdade que os mapas são grandes, mas não têm grande detalhe e logo não envelheceram lá muito bem. A narrativa do modo campanha é também muito fraquinha!

Portanto este Section 8 acaba por ser um FPS algo genérico mas que até deve ter sido divertido quanto baste no seu online multiplayer. E por muito genérico que seja, infelizmente é um daqueles jogos que já não está disponível para compra no steam, mas felizmente o mesmo também foi lançado em edição física e sendo um jogo não muito bom, não deve ser caro. Pelo menos eu lembro-me de o ter visto aos montes na extinta Game ao pé de casa por 5€ e na altura não o ter comprado, mas sinceramente também não me arrependo.