Gabriel Knight 2: The Beast Within (PC)

Fiquei bastante surpreendido quando joguei o primeiro Gabriel Knight. A sua narrativa mais madura, bem escrita, um voice acting excelente e óptimos visuais em 2D, resultaram numa experiência muito positiva. Naturalmente que as expectativas para a sua sequela eram altas, mesmo já sabendo de antemão que seria um jogo em full motion video, um pouco à semelhança dos Phantasmagoria e o primeiro Phantasmagoria não me deixou lá muito convencido. Joguei a versão digital no Steam que tinha comprado num grande bundle de jogos da Sierra algures no ano passado por um preço muito reduzido, mas este por acaso também já o tinha em formato físico, tendo-o comprado algures numa feira de velharias, certamente por meros trocos.

Jogo com manual e os seus 6 CDs. Não sei o que mais poderia trazer a big box!

A história decorre algum tempo após os eventos do primeiro jogo, onde Gabriel é finalmente um autor de sucesso, tendo publicado um livro que narrou os mesmos assassinatos voodoo que experienciamos na sua primeira aventura. E este The Beast Within decorre inteiramente na Alemanha, pois Gabriel Knight é também o último dos Ritters, uma família de schattenjägers, caçadores de demónios, vampiros e outras criaturas sobrenaturais. E a população vizinha acaba por lhe pedir para investigar um novo caso, pois várias pessoas têm sido encontradas mutiladas e parcialmetne devoradas, o que suspeitam ser um ataque de lobisomens logo, trabalho para um schattenjäger. E lá teremos de nos deslocar para Munique, explorar locais do crime, falar com testemunhas, suspeitos e as forças policiais para resolver mais um mistério.

Durante os diálogos vamos poder escolher vários tópicos para falar e assim recolher as pistas que necessitamos

A nível de estrutura o jogo até que tem as suas parecenças com o anterior, a começar por ser uma aventura gráfica point and click, claro. Mas também está dividido em vários capítulos, sendo que só avançamos para o capítulo seguinte quando todos os prérequisitos forem cumpridos. É certo que nem todos os puzzles são intuitivos, há um bastante inteligente logo no início onde temos de usar uma gravação áudio para formular uma frase com a voz do entrevistado, mas ao menos não corremos o risco de chegar a um cenário sem solução ou escape por nos termos esquecido de fazer algo há horas atrás. De resto contem com as mecânicas habituais neste tipo de jogos, onde o ponteiro do rato vai mudando de forma consoante o contexto, representando acções diferentes como caminhar, ou interagir com alguém ou alguma coisa. Consultar o inventário e usar os seus itens são também acções permitidas. Outra das diferenças perante o anterior, é que ao longo dos seis capítulos vamos alternando entre jogar com o próprio Gabriel Knight ou a sua assistente Grace Nakamura, que vão tendo diferentes locais e linhas de investigação para explorar, acabando por se encontrar apenas nos actos finais.

Os cenários são fotos estáticas, com a sprite de Gabriel ou Grace a mover-se de forma minimamente animada pelos mesmos

Visualmente este jogo usa também tecnologia de full motion video, daí o seu lançamento físico vir com tantos CDs. Todos os diálogos e interacções, mesmo que sejam coisas simples como abrir gavetas ou escrever cartas, são acompanhados de pequenos vídeos com actores reais. Já navegar pelos cenários, estes são tipicamente fotografias estáticas, com as “sprites” digitalizadas de Gabriel ou Grace a passearem-se pelos mesmos. E ao contrário do primeiro Phantasmagoria, que na altura fiquei bastante desapontado pela prestação dos seus actores, aqui apesar de não serem propriamente prestações dignas de óscares, até que nem desgostei de todo. Mas isso também tem muito a ver com a forma em que a narrativa foi construída, mais uma vez pela autoria de Jane Jensen. Mas, para me contradizer um pouco, não deixo de ter ficado um pouco desiludido com as personagens do Gabriel e Grace neste segundo jogo. Ambos são interpretados por actores diferentes e Gabriel, para além de ter perdido a voz e sotaque muito característicos do primeiro jogo, aparece muitas vezes com cara algo de parvo nas cutscenes… já a Grace Nakamura, que no primeiro jogo tinha uma personalidade muito sarcástica, mas também que demonstrava afecto e preocupação por Gabriel, aqui tem uma personalidade bem mais histérica, principalmente na primeira metade do jogo, a sua hostilidade perante Gerda está muito exagerada, na minha opinião. De resto, e sendo um jogo inteiramente passado na Alemanha existe muito diálogo em alemão e que não tem qualquer tradução para inglês, o que é feito de forma propositada. Mas nada que nos impeça de entender a história!

Quer com Grace ou Gabriel, vamos poder explorar locais diferentes. O botão hint serve para salientar quais os locais onde ainda temos acções para desempenhar antes de o jogo avançar para o capítulo seguinte

Portanto devo dizer que gostei deste segundo Gabriel Knight, apesar de continuar a preferir o primeiro. O facto de ter sido um jogo inteiramente passado na Alemanha, e exploramos os seus castelos, as florestas densas ou povoações com edifícios antigos e com aquela arquitectura típica germânica, agradou-me bastante. E mesmo sendo um jogo uma vez mais com uma narrativa bem escrita, com prestações de actores reais bem melhores do que eu estava inicialmente à espera, devo dizer que continuo a preferir o primeiro Gabriel Knight, pois acho que as personagens de Gabriel e Grace estão melhor representadas, e sinceramente porque prefiro o pixel art bem detalhado dessa aventura. Mas hey, de todos os jogos baseados em FMV que joguei até agora, este foi o que gostei mais, se bem que o Harvester continua a marcar pontos por ser extremamente bizarro.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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