Gabriel Knight: Sins of the Fathers (PC)

Vou dar uma folga aos King’s Quest pois o oitavo título (que aparentemente é muito diferente dos seus predecessores) não veio incluído no bundle gigante de jogos da Sierra que comprei no ano passado a um preço muito convidativo. E antes de me virar para os Quest for Glory, que também me parecem ser bastante interessantes, vou primeiro jogar os Gabriel Knight, que também há já muito tempo que os queria experimentar. E este primeiro jogo da trilogia foi desenvolvido ainda com o SCI clássico, que lhe permite gráficos em VGA com um pixel heart muito bem definido e voice acting que uma vez mais é muito competente.

Neste Sins of the Fathers é-nos introduzida a personagem do Gabriel Knight, um autor de Nova Orleães cujos livros ainda não tiveram nenhum sucesso. E com uma onda de assassinatos, aparentemente ligados a um culto voodoo, Gabriel aproveita-se do facto de conhecer um detective na polícia lá do sítio que lhe vai passando informações desses crimes para um novo livro. Para além disso, o próprio Gabriel Knight tem vindo a ter o mesmo pesadelo todas as noites, que envolve uma pessoa a ser queimada viva para em seguida transformar-se num animal, culminando com uma imagem do próprio Gabriel enforcado. Sonhos premonitórios, certamente! Só falta mesmo referir a personalidade muito própria do protagonista, Gabriel é um mulherengo e aparentemente não gosta muito de trabalhar.

O progresso do jogo está dividido ao longo de diferentes dias e a história só avança quando todos os prérequisitos forem cumpridos

E esta é então uma aventura gráfica com um interface point and click, onde poderemos alternar por diferentes cursores do rato para executar diferentes acções, como mover, observar, falar, interagir ou usar itens que tenhamos previamente seleccionado do inventário. Uma curiosidade em relação a este Gabriel Knight perante os restantes jogos de aventura da Sierra é o facto de a narrativa estar dividida em vários dias e só avançamos para o dia seguinte quando tivermos cumprido todas as acções necessárias a cumprir naquele dia. É verdade que podemos andar um pouco perdidos sem saber o que fazer (até porque alguns puzzles não são muito intuitivos a menos que usemos um guia), mas prefiro esta mecânica de jogo, pois de certa forma garante que não avançamos na história sem ter feito algo importante umas horas antes, podendo-nos colocar em cenários onde não conseguiremos avançar mais. Ao longo do jogo vamos então fazendo o típico papel de detective, mesmo que Gabriel não trabalhe para a polícia. Vamos investigar as zonas do crime, falar com pessoas que possam estar ligadas aos mesmos ou que tenham mais informação, e acima de tudo vamos aprender imenso sobre a cultura voodoo, ao falar com uma série de especialistas.

Visualmente é um jogo com gráficos com pixel art muito bem conseguido

A nível audiovisual acho este jogo excelente. É um jogo de 1994, mas ainda não tem aqueles gráficos mais realistas quer com gráficos pré-renderizados e/ou full motion video, mas sim tudo está representado num pixel art excelente, e com imenso detalhe. Mas melhor que os visuais é mesmo a narrativa! Uma vez mais a Sierra investiu com voice acting em todos os diálogos, incluindo o da narradora. É um voice acting bastante competente, onde devo destacar precisamente as vozes do Gabriel Knight e da narradora que estão fantásticas, com um sotaque estranho que certamente será de New Orleans, mas sem dúvida que são vozes cheias de personalidade! Aliás, a narrativa como um todo está muito bem conseguida, este é certamente um jogo muito bem escrito. Até pequenos detalhes como os interrogatórios que podemos fazer e o pseudo lip-syncing dos protagonistas enquanto falam!

Para além dos diálogos normais, podemos também entrar em interrogatórios mais complexos com uma série de personagens

Portanto devo dizer que este primeiro Gabriel Knight agradou-me bastante, tanto pela sua narrativa bem escrita, como pelo voice acting competente e visuais 2D mas repletos de detalhe. O segundo jogo já é completamente em FMV tal como os Phantasmagoria, também da Sierra, mas se tiverem uma escrita com tanta qualidade quanto o primeiro jogo, será certamente uma experiência interessante. A ver em breve!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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