Hotshot Racing (Nintendo Switch / PC)

Ora cá está algo que já não jogava há muito tempo, um jogo de corridas com uma estética e jogabilidade puramente arcade, algo muito bem-vindo numa altura em que simuladores (ou pseudo simuladores) acabaram por ganhar muito mais protagonismo no mercado. Este HotShot Racing é um jogo com uma estética que faz lembrar os primeiros jogos de corrida arcade em 3D da Sega, como é o caso do Virtua Racing ou outros títulos lançados para o sistema Model-1, com um número muito reduzido de polígonos e sem texturas (embora existam algumas texturas mais discretas aqui). A primeira versão deste jogo que me chegou à colecção foi a versão PC (steam) cuja foi oferecida pela loja digital Fanatical, algures em Maio de 2023. Entretanto vi a versão de Switch em promoção na Pressstart por menos de 15€ em Agosto desse ano e acabei por aproveitar.

Jogo com caixa

No que diz respeito à jogabilidade, esta é completamente arcade, onde teremos de memorizar os vários circuitos para ter sucesso e atravessar checkpoints dentro de um tempo limite. Travar ligeiramente antes de cada curva faz com que o nosso carro entre em drift, algo que teremos de dominar para ultrapassar algumas secções mais apertadas. Sempre que fazemos drift, ou aproveitamos túneis de vento deixados pelos carros dos nossos oponentes, vamos enchendo um conjunto de 4 barras de turbo, que podem posteriormente ser utilizados sempre que tal nos convenha. É um jogo bastante divertido de se jogar, sendo apenas frustrante pelo rubber banding da inteligência artificial. Muitas vezes aconteceu eu estar conforavelmente na frente da corrida e de repente antes da meta sou ultrapassado por um carro, ou na última curva, em drift, um carro oponente dar-me um toque na traseira que me faz perder completamente o controlo, com o meu carro a ficar muitas vezes em contra-mão, enquanto o oponente segue a sua vida tranquilamente e do primeiro lugar passo para o último, sem qualquer margem para recuperar. Isto são coisas que acontecem frequentemente e tornam a experiência algo frustrante!

Visualmente é um jogo que presta homenagem aos primórdios dos jogos de corrida em 3D poligonal da Sega e isso é fantástico!

À nossa disposição vamos ter no entanto várias personagens para controlar, cujas têm também acesso a diferentes carros, cada qual com diferentes valores de velocidade de ponta, aceleração, ou drift e sim, nota-se bem a diferença entre conduzir um carro com boa aceleração e velocidade e péssimo drift, ou outro que até pode não atingir uma grande velocidade, mas que faça as curvas muito mais facilmente. À medida que vamos correndo vamos também amealhando algum dinheiro que pode posteriormente ser utilizado para customizar os diferentes carros que vamos tendo acesso. Alguns outros upgrades vão sendo desbloqueados à medida que vamos jogando e tirar partido das mecânicas de drift ou turbo. Já no que diz respeito aos modos de jogo, este Hotshot Racing inclui vários, onde o principal é mesmo o Grand Prix. Aqui o objectivo é o de correr em pequenos campeonatos de 4 circuitos cada um, onde ganhamos um número maior de pontos consoante a nossa posição no final de cada corrida, com o objectivo final de ser o primeiro na classificação de pontos no fim. Fora isso temos também a possibilidade de participar em corridas rápidas, time trial ou várias possibilidades de multiplayer, incluindo o online. Para além de tudo isto, poderemos também participar nalguns modos de jogo muito peculiares como é o caso dos Cops and Robbers, Drive or Explode ou Barrel Barrage, introduzido num DLC gratuíto que também nos traz alguns carros e circuitos extra.

Multiplayer local em split-screen é também possível, embora não o tenha experimentado.

Dentro desses modos de jogo adicionais, o Cops and Robbers é um jogo de perseguições onde, em qualquer um dos circuitos disponíveis, os jogadores dividem-se entre polícias e ladrões. Os ladrões terão de chegar à meta em segurança, já que os seus carros têm uma barra de vida que se vai desgastando com o dano sofrido. Os polícias polícias têm o papel de causar o máximo de dano possível aos ladrões, visto que os seus carros são indestrutíveis. O Drive or Explode é uma analogia aos filmes Speed. Aqui todos os carros têm barras de vida e o objectivo de cada corrida é o de conduzir sempre acima de uma velocidade limite, caso contrário começamos a sofrer dano. À medida que vamos avançando, o limite de velocidade mínima vai aumentando, pelo que vai ser cada vez mais difícil não sofrer dano. Por fim, o Barrel Damage, que são corridas “normais” onde de cada vez que passamos por um checkpoint ganhamos um barril explosivo (podendo acumular um máximo de 2) e cujos podem ser largados na esperança de causar dano a alguém. Naturalmente todos os carros possuem uma barra de vida que, se chegar a zero, coloca-nos de fora da corrida.

As corridas são frenéticas mesmo como manda a lei

Como já referi acima, o propósito deste jogo é fazer uma homenagem aos jogos de corrida arcade da Sega da primeira metade dos anos 90, como é o caso do Virtua Racing ou até do Daytona USA, embora este último já fosse um jogo de Model-2, com modelos poligonais mais detalhados e suporte a texturas. Aqui a parte estética é mesmo para replicar os modelos de baixo polígonos e sem texturas de jogos da Model 1, como o já mencionado Virtua Racing ou Virtua Fighter. No entanto, ocasionalmente vemos neste jogo algumas texturas aqui e ali, mas não tem mal, a imagem passa perfeitamente por um jogo de homenagem à tecnologia do sistema Model-1. E apesar de apenas ter aqui referido certos jogos da Sega dado a proximidade visual ao que o sistema Model-1 fazia, na verdade o que aqui não faltam são referências visuais a imensos clássicos arcade dos anos 90. Logo o primeiro circuito tem uma ponte-pênsil que nos remete para o Virtua Racing, outros têm uma roda gigante, outros túneis em encostas marítimas tal como no Ridge Racer, entre muitas outras referências, como helicópteros a sobrevoar a pista. As pistas em si, apesar de manterem estes visuais propositadamente simplificados, são também bastante variadas entre si no que diz respeito aos cenários e também aos tipos de pavimento, com a performance dos carros a responderem à medida. De resto, confesso que apesar de ter a versão PC há mais tempo, foquei-me, por comodidade, mais na versão switch. E apesar dos seus visuais propositadamente simples, a versão switch possui (muito ocasionalmente) algumas quebras bem notórias de frame rate o que num jogo deste calibre é algo que tem impacto. Por fim, as músicas são também bastante agradáveis e algo variadas entre si, com a electrónica e algum rock a ganharem papel de destaque. Cada piloto vai tendo também uma série de frases próprias que dão outra vida ao jogo (it’s not a bug, it’s a feature!), o que também é um ponto interessante.

Cada personagem tem direito a quatro carros distintos

Portanto este HotShot Racing é um óptimo jogo de corridas para quem está à procura de uma experiência tipicamente arcade. No entanto, o rubber banding da inteligência artificial pode (e irá seguramente) causar algumas frustrações, particularmente na agressividade dos oponentes na recta final das corridas. A versão switch em particular teve alguns problemas ocasionais de performance que num jogo desta fluídez acabam por ser bastante notórios.

Emio – The Smiling Man: Famicom Detective Club (Nintendo Switch)

Ora cá está aquela que, para mim, foi mesmo uma das melhores surpresas de 2024! A série Famicom Detective Club, com as suas origens no final da década de 80, consistia em dois jogos de aventura gráfica que se haviam ficado pelo Japão desde então. O segundo jogo da série chegou a receber um lindíssimo remake para a Super Nintendo que uma vez mais se havia deixado ficar pelo Japão e mesmo esse, tendo sido lançado apenas pelo serviço “Nintendo Power” que obrigavam aos jogadores comprar cartuchos vazios que poderiam posteriormente ser “escritos” com jogos comprados em quiosques próprios, pelo que mesmo essa versão nunca havia chegado assim a tanta gente quanto isso. A Nintendo surpreendeu o público japonês em 2019 quando anunciaram um remake de ambos os títulos para a Nintendo Switch, e posteriormente toda a gente em 2021, quando anunciaram que esse remake também viria para o ocidente. A versão japonesa recebeu uma lindíssima edição de coleccionador, enquanto que todo o público ocidental se contentou com um lançamento digital, o que já não foi nada mau, visto que o estilo de jogo é visto como um nicho e poder jogar esses remakes devidamente e oficialmente localizados já foi uma boa notícia. Então a minha surpresa foi ainda maior quando num dos Nintendo Direct de 2024 a Nintendo anuncia uma sequela e para além disso iria ter direito a um lançamento físico no ocidente também! Naturalmente que o meu interesse foi logo imediato e foi um jogo que comprei no lançamento, aproveitando as promoções de pré-reserva da Worten. Não só o fiz com receio que fosse um lançamento algo reduzido por parte da Nintendo, mas também para dar o sinal certo à empresa que há público para estes jogos e que espero que os continuem a produzir.

Jogo com caixa.

Portanto neste terceiro voltamos a encarnar na pele de um jovem detective que investiga um assassinato de mais uma criança. No entanto, o facto o seu cadáver ter sido encontrado com um saco de papel enfiado na cabeça, com uma cara sorridente lá desenhada, faz adensar ainda mais o mistério em torno dessa morte, visto que há 18 anos atrás houve uma série de assassinatos de outras crianças que foram encontradas da mesma forma e cujo culpado nunca foi encontrado. Visto que o pormenor dos sacos de papel nunca havia sido revelado ao público, ambos os casos estariam seguramente ligados de alguma forma e acabaremos por investigar ambos os acontecimentos.

O jogo começa por nos levar a investigar um homicídio muito peculiar

Este é portanto uma aventura gráfica baseada em menus, onde poderemos escolher que acções queremos desempenhar, seja chamar ou falar com alguém (onde poderemos ainda escolher qual o tópico a abordar em vários casos), viajar para outros locais, observar o cenário, interagir com objectos, pensar ou pesquisar no nosso bloco de notas, que vai mantendo registos dos tópicos e pistas mais importantes acerca das pessoas que vamos investigando ou falando. No caso de observar ou interagir com objectos, ocasionalmente temos a hipótese de escolher directamente no menu o que queremos observar, mas na maior parte das vezes temos de seleccionar a opção “where“, que nos desbloqueia um cursor que nos permite investigar livremente dessa forma. E claro, para ir avançando na história teremos de repetidamente falar com pessoas sobre os mais variados tópicos, o que ocasionalmente nos levará a tentar todas as opções que temos à nossa disposição, até que todos os “triggers” para a história avançar sejam cumpridos. Existem no entanto algumas dicas visuais do que deveremos fazer a seguir, com certas palavras ou expressões a serem salientadas em amarelo nos diálogos, ou as próprias acções no menu ganharem também esse relevo, mas apenas por meros segundos. A opção “think” acaba também por nos dar dicas do que fazer a seguir, pelo que nunca iremos andar muito perdidos. De resto, tal como já referi acima, o bloco de notas faz agora parte do menu principal, ao contrário do menu de pausa dos títulos originais, pelo que apenas o conseguimos consultar no fim dos diálogos.

Tal como nos seus predecessores a história vai avançando à medida que vamos explorando todas as opções de diferentes acções que podemos tomar, representadas no menu à esquerda.

A nível audiovisual o jogo segue a mesma linha dos remakes anteriores, mantendo o mesmo estilo de arte. Os cenários são imagens estáticas muito bem detalhadas, mas há sempre algum pequeno movimento e animações, particularmente nas personagens, o que dá sempre mais vida a uma visual novel, com o jogo a parecer-se muito mais como uma espécie de anime interactivo. De resto, também tal como os remakes que lhe antecederam, todas as linhas de texto são faladas em japonês, com um voice acting aparentemente muito bom. A banda sonora vai sendo também algo eclética e agradável, com muitas músicas a darem mesmo aquela sensação de estarmos a ver um filme/série policial dos anos 80, o que me agradou bastante.

Tipicamente no final de cada dia de investigação reunimo-nos no escritório para resumir as novas descobertas e deduzir novas hipóteses.

Visto que já abordei ligeiramente no que consiste este jogo, posso agora dar a minha opinião. Eu sou um fã de visual novels e jogos de aventura gráfica, são uma maneira bem relaxante de nos envolvermos numa boa história e a série Famicom Detective Club marca muitos pontos nesse aspecto, ainda para mais vindo de um jogo que é propriedade intelectual da Nintendo. Não é nada comum a Nintendo lançar jogos deste género com uma narrativa mais madura! E sem dar grandes spoilers, acho que a narrativa está bem conseguida e aquela recta final foi mesmo uma grande viagem! No entanto, acho que os Famicom Detective Club anteriores foram melhores jogos como um todo. Não só a narrativa era mais rápida, com mais coisas a acontecer (isto é, novos crimes a serem descobertos), a história aqui foca-se mesmo num maior trabalho de investigação. E apesar de a narrativa deste Emio continuar a ser algo adulta (não é por acaso que o jogo tem uma avaliação PEGI 18), os jogos anteriores tinham cenas mais desconcertantes até porque teríamos de investigar vários cadáveres, algo que não acontece aqui. Aliás, acho mesmo que é por este jogo ser um pouco mais atenuado em coisas sangrentas que o mesmo acabou por ter um lançamento físico no ocidente. Mas apesar de ter preferido os jogos anteriores, continuo a achar este um excelente jogo dentro do género e facilmente recomendável a quem for fã do género. E para esses digo também: não ignorem os créditos pois ainda terão uma agradável surpresa no final.

Famicom Detective Club: The Missing Heir & Famicom Detective Club: The Girl Who Stands Behind (Nintendo Switch)

O artigo de hoje vai ser uma dose dupla pois na verdade para além destes jogos serem vendidos em conjunto eu também os joguei de forma seguida. A série Famicom Detective Club sempre me despertou algum interesse, desde que experimentei um dia, há muitos anos atrás, o remake da Super Famicom do segundo jogo da série, o The Girl Who Stands Behind. A apresentação do jogo era incrível, mas sendo um jogo muito pesado em texto e estando apenas em Japonês acabei por não o jogar. Entretanto foram saíndo patches de tradução feitos por fãs mas passaram-me completamente ao lado. Eis que em 2021, num Nintendo Direct, a Nintendo anuncia um remake de ambos os jogos desta série para a Switch, um anúncio que me apanhou completamente despercebido! E mais, o ocidente também os iria receber, embora apenas de forma digital. Já os japoneses receberam uma edição de coleccionador lindíssima, que eu acabei por importar do Japão, por cerca de 60€, algures no verão de 2023. Infelizmente a versão física japonesa está inteiramente em japonês pelo que adicionei a versão digital em inglês aos favoritos, na esperança que algum dia estivesse em promoção na eshop. Mas tal nunca chegou a acontecer e quando os gold points que fui amealhando começaram a expirar, lá o comprei por cerca de 45€.

Edição de coleccionador, exclusiva do mercado Japonês. Traz um grande livro de arte, dois folhetos com arte/publicidade dos lançamentos originais de Famicom Disk System, caixa exterior de cartão, caixa, sleeve de cartão com dois CDs de banda sonora (não fotografados) e cartucho.

A série Famicom Detective Club, pelo menos até ao anúncio deste remake, consistia nestes dois títulos, o The Missing Heir e o The Girl that Stands Behind, ambos lançados originalmente para o sistema Famicom Disk System em 1988 e 1989, com ambos os lançamentos a serem divididos em duas partes. Em 1997 a Nintendo lança um novo jogo através do sistema Satellaview, que permitia aos subscritores desse serviço descarregarem certos jogos por satélite, jogos esses que eram posteriormente enriquecidos com conteúdo como vídeo, voice acting e música com instrumentos reais, tudo transmitido em directo através do serviço em certos dias e horas. Infelizmente, tendo em conta o tipo de serviço que era, muito se perdeu desde então e emular nunca seria a mesma experiência. No ano seguinte, em 1998, a Nintendo lança um remake do segundo jogo ainda para a Super Famicom. No entanto, essa versão nunca chegou a ter um lançamento físico em retalho, tendo apenas estado disponível no serviço Nintendo Power. Basicamente poderíamos ir a um certo quiosque da Nintendo e com cartuchos regraváveis comprar certos jogos e descarregá-los para o cartucho. Muitos dos lançamentos tardios da Super Famicom apenas ficaram disponíveis dessa forma! Mais tarde ainda, as versões originais Famicom Disk System foram relançadas na Game Boy Advance e posteriormente em serviços digitais como as virtual console.

O primeiro jogo começa com um cliché: a nossa personagem ficou com amnésia após um acidente. Por azar a investigação já estava bem avançada pelo que teremos de recomeçar do zero.

Uma vez feitas as introduções, mas então em que consistem estes jogos afinal? São aventuras gráficas ao estilo nipónico (ou seja muito influenciadas por clássicos como o Portopia) onde tanto num caso como no outro encarnamos num jovem detective que precisa de resolver um caso de homicídio (e que eventualmente poderá escalar com mais crimes). Tal como no clássico da Enix, temos acesso a um menu com toda uma série de acções básicas como falar, observar, interagir ou viajar. As opções observar ou interagir/pegar podem ter já algumas sub-opções já pré-seleccionadas, ou temos também a liberdade de controlar um cursor e escolher ao certo o objecto, pessoa com os quais queremos interagir. E tal como no Portopia, a história vai avançando assim que conseguirmos desbloquear uma série de diálogos ou interagir com alguma parte importante do cenário, o que nos pode levar algumas a repetir todos os comandos em todos os locais até desbloquear a narrativa. Para além disso, em ambos os jogos vamos ter acesso a um bloco de notas com notas sobre todas as personagens envolvidas em cada mistério e cuja informação vai sendo adicionada automaticamente à medida que vamos avançando na história. Gostei da parte em como o jogo sublinha as restantes personagens que estejam relacionada sempre que lemos alguma nota específica.

Apesar dos visuais bem mais detalhados, a interface é a mesma de sempre e ainda bem, pois já tinha saudades de jogar algo assim

O The Missing Heir coloca-nos a investigar a misteriosa morte de uma senhora idosa que vivia numa remota aldeia, pouco tempo depois da mesma ter escrito o seu testamento. Acontece que essa senhora para além de ter uma bruta mansão liderava também uma poderosa empresa e o que não faltam são herdeiros com interesse em todo esse poder e riqueza. Para além de toda a componente de aventura, a recta final deste jogo inclui um pequeno segmento de dungeon crawling, onde temos de explorar um labirinto na primeira pessoa, também algo que o Portopia havia feito anos antes. O segundo jogo, o The Girl That Stands Behind, acaba por ser uma prequela, contando como o protagonista se tornou detective e a história do primeiro caso que ajudou a resolver: o da morte de uma jovem estudante de uma escola secundária. Iremos portanto falar com muitos outros alunos e professores e rapidamente chegar à conclusão que esse caso poderá estar relacionado com um outro homicídio que aconteceu há 15 anos atrás, assim como o mito urbano da escola estar assombrada desde essa altura.

Os jogos surpreenderam-me pela narrativa madura. O The Girl that Stands Behind é capaz de ser o único jogo da Nintendo que nos leva a um distrito red light.

A nível audiovisual, ambos os jogos foram todos refeitos. Longe estão os gráficos estáticos e primitivos, com toda a estética a ter agora um look bem mais anime, mas tudo bem mais detalhado. O facto de os cenários e personagens com as quais vamos interagindo serem constantemente animadas também é um factor muito positivo. Todos os diálogos, incluindo os pensamentos e falas do protagonista que controlamos, são narrados em japonês e o acting parece-me bastante bom. As músicas vão sendo bastante agradáveis e correspondem perfeitamente ao que ouviríamos se estivéssemos a ver algum filme policial nos anos 80. As cenas do crime são algo violentas e teremos de investigar todos os cadáveres que iremos eventualmente encontrar e por vezes o jogo tem momentos de bastante tensão que estão muito bem conseguidos. São de longe os jogos mais maduros/adultos que alguma vez joguei vindo da própria Nintendo, o que foi também um factor muito positivo e que me surpreendeu bastante. Os feiticeiros da M2 estiveram também envolvidos na criação destes remakes, ao disponibilizarem as bandas sonoras originais de ambos os jogos, podendo as mesmas serem alteradas dentro do jogo, num menu de opções. O The Girl that Stands Behind oferece ainda a banda sonora da versão Super Famicom. Infelizmente no entanto essa alteração da música não é em real time e uma vez terminada a história, temos a opção no menu inicial de ouvir a banda sonora, mas essa opção está apenas trancada à banda sonora criada especificamente para os remakes. Seria também fantástico se pudéssemos alternar entre os visuais das versões originais e os remakes.

Gostei da forma como a informação ficou organizada no bloco de notas assim como as relações entre as personagens são salientadas

Portanto devo dizer que fiquei muito surpreendido pela positiva com estes remakes dos dois primeiros Famicom Detective Club. Apesar da sua jogabilidade algo datada e que nos levará muitas vezes a escolher as mesmas opções vezes sem conta para conseguirmos avançar com a narrativa, a verdade é que as histórias são excelentes e com um nível de maturidade que não estava de todo à espera de encontrar num jogo que é propriedade intelectual da própria Nintendo. É uma pena o lançamento físico disto se ter ficado apenas pelo Japão. A edição de coleccionador é fantástica, mas eu contentava-me com um lançamento normal. No entanto, sendo este um jogo de nicho, compreendo perfeitamente a Nintendo não o ter lançado fisicamente cá. No entanto não compreendo é o facto de a sua versão digital nunca ter entrado em promoção na eShop, pelo menos desde 2023. Ainda assim presumo que o jogo tenha vendido suficientemente bem, pois a Nintendo voltou a fazer das dela e, no meio do nada uma vez mais, anunciam num Nintendo Direct no ano passado uma sequela inteiramente nova: Emio – The Smiling Man. Para além disso, o jogo teve um lançamento físico no ocidente, pelo que eu fiz questão de votar com a carteira e comprá-lo no lançamento. Irei seguramente jogá-lo em breve!

The Last Door: Complete Edition (Nintendo Switch)

Nos últimos dias acabei por ir jogar este The Last Door, um jogo que já tinha na minha wishlist de steam há muito tempo mas acabei por nunca o comprar. Quando me apercebi há uns bons meses atrás que havia sido lançada uma edição física já com todo o conteúdo incluído, então passei a estar mais atento a eventuais campanhas. E foi o que aconteceu, vi-o a um óptimo preço na Amazon algures no mês passado e lá deu entrada na colecção.

Jogo com caixa e um pequeno livro de arte que até chega a ser cómico visto que os retratos que contém têm o mesmo nível de detalhe das personagens do jogo.

O The Last Door é uma aventura gráfica do estilo point and click, sendo passada numa Inglaterra do final do século XIX (logo, época Victoriana) e com uma temática de terror ao estilo de H.P. Lovecraft. Tudo isto com visuais pixel art muito minimalistas e quem diria que mesmo assim é possível criar algo com uma atmosfera tão boa? Sem querer entrar em grandes detalhes, o jogo abre com uma cena de alguém prestes a enforcar-se, enquanto menciona que espera que um dos seus amigos consiga resolver um certo problema. E o jogo passa depois para Jeremiah Devitt, o tal amigo que recebe uma carta com um pedido de ajuda urgente, vinda da personagem que havia acabado de se enforcar, pelo que acabamos por investigar o que aconteceu realmente ali. Naturalmente, sendo este um jogo com influências dos trabalhos de H.P. Lovecraft, o que não vão faltar são referências ao ocultismo e deixo o resto da história para ser descoberta por vocês mesmos. Digo só que o jogo foi sendo lançado originalmente num formato episódico, onde todos os episódios foram sendo crowdfunded pelo kickstarter. Tirando algum conteúdo extra de menor dimensão (e que está também aqui incluído nesta versão), a história divide-se em 2 temporadas de 4 capítulos cada.

Uma aventura gráfica com um estilo visual muito retro. Mas não se iludam, resulta muitíssimo bem.

As mecânicas de jogo são bastante simples mesmo para um point and click, existindo apenas um botão de interacção com os cenários, cuja acção muda consoante o contexto. Por exemplo, ao arrastar o cursor para certos pontos de interesse do cenário, o mesmo pode ser uma lupa que tem a função de observar/comentar, uma mão para interagir ou apanhar, ou um balão de diálogo para falar. Ocasionalmente vamos coleccionando vários objectos, cujo inventário está sempre visível no ecrã, na parte inferior do ecrã. Usar um objecto é só arrastar o ponteiro, clicar para o seleccionar e arrastar o ponteiro para o alvo, clicando no fim uma vez mais. Existem também teclas de atalho (os triggers) para mais rapidamente circular pelos itens do inventário, assim como um outro botão para mostrar no ecrã todos os pontos de interesse que podem ser interagidos, o que dá sempre muito jeito.

Em baixo temos o inventário sempre visível e mesmo que queiramos combinar um objecto com o outro é super simples, é clicar num e clicar no outro em seguida!

Mas é mesmo no audiovisual que o jogo excede as expectativas, pelo menos para mim. Se forem leitores assíduos cá do espaço, já devem saber que sou um grande apreciador de uma boa pixel art. Jogos indie que o façam ainda melhor! E este não é qualquer tipo de pixel art, mas sim uma arte muito mais minimalista que poderia estar presente num computador de 8bit tipo Commodore 64. E mesmo assim, em conjunto com a banda sonora, conseguiram transparecer uma atmosfera aterradora. Não me interpretem mal, este não é um jogo assustador, mas sim com uma atmosfera bastante tensa e sempre sinistra. A banda sonora é composta por temas acústicos, principalmente simples melodias de piano, o que por um lado nos deixa um certo sentimento contemporâneo pela época em que a narrativa decorre (final do século XIX), por outro lado é também bastante eficaz em contribuir para essa atmosfera aterradora que mencionei. Não existe no entanto nenhum voice acting, com algumas vozes a surgirem apenas como som de fundo para contribuir para a tal ambiência.

Tal como nalguns clássicos, ocasionalmente temos algumas escolhas para fazer nos diálogos que poderão ter ligeiras consequências.

Portanto devo dizer que gostei bastante deste The Last Door e fiquei muito contente por ter esperado e eventualmente comprado este lançamento físico para manter na colecção. Felizmente os sistemas actuais têm vindo a receber muitos indies conceituados em formato físico, é algo que planeio continuar a explorar futuramente. Já o The Last Door, uma aventura gráfica relativamente curta, mas muito bem feito, particularmente a forma como a narrativa nos é apresentada e o pixel art minimalista que usa nos seus gráficos não prejudica o jogo em nada.

Castlevania Advance Collection (Nintendo Switch)

Vamos a mais uma das compilações que a Konami tem vindo a fazer nos últimos anos a séries como Castlevania ou Contra. E se por um lado fico muito contente pela Konami finalmente se lembrar que está sentada sob uma mina de ouro de imensos videojogos clássicos que lançaram ao longo dos anos, por outro lado fico algo triste por precisarem de recorrer a empresas como a Limited Run Games para ter estes lançamentos em forma física. O meu exemplar foi comprado na Xtralife apenas há umas semanas atrás, já que inicialmente não planeava comprar esta compilação visto já ter todos os jogos da Game Boy Advance mas depois lá mudei de ideias.

Compilação com caixa e um pequeno manual. Capa inspirada no Castlevania Dracula X, nome norte americano para o Vampire’s Kiss e a principal razão pela qual acabei por comprar esta compilação.

E as duas razões que me levaram então a comprar esta compilação foram o facto de eu adorar coleccionar (e jogar) para a Nintendo Switch, mas acima de tudo o facto desta compilação possuir um jogo adicional, o Castlevania Vampire’s Kiss, lançado originalmente para a Super Nintendo. Esse é infelizmente um jogo bastante caro nos dias de hoje, pelo que esta compilação acaba por ser uma alternativa bem mais em conta nesse aspecto. Em relação aos títulos da Game Boy Advance (Circle of the Moon, Harmony of Dissonance e Aria of Sorrow), todos eles são excelentes jogos e metroidvanias no mesmo estilo do Symphony of the Night. Poderão ler mais sobre esses jogos nos artigos sobre as suas versões originais nos links deixados acima e aproveitarei os parágrafos seguintes precisamente para escrever um pouco sobre este Vampire’s Kiss.

Finalmente as versões europeias a terem algum destaque!

E o Vampire’s Kiss é uma conversão do mítico Rondo of Blood, lançado originalmente na PC Engine CD, se bem que até ao dia de hoje eu apenas joguei a versão PSP que é um remake 2.5D do original de PC Engine. No entanto o Vampire’s Kiss tem vindo a ser um jogo muito mal amado visto que é uma versão bastante diferente do Rondo of Blood e que perde muitas das características que tornaram esse jogo muito apreciado pelos fãs. Mas para nós ocidentais, nos anos 90 dificilmente teríamos acesso à versão de PC Engine, portanto vou fazer de conta temporariamente que essa versão não existe.

Infelizmente apenas o primeiro nível é que tira grande vantagem das capacidades da Super Nintendo. Os restantes são bem mais contidos.

O Vampire’s Kiss coloca-nos então no papel de Richter Belmont que procura derrotar Drácula e também salvar Annet, sua namorada e Maria, irmã de Annet. O jogo assume-se então como um Castlevania clássico, onde Richter ataca os inimigos com um chicote e toda uma série de armas secundárias que poderemos vir a encontrar como facas, machados, crucifixos tipo bumerangue, água benta, entre outros, todos com diferentes padrões de ataque. No entanto, para utilizar essas armas especiais precisamos de pressionar o direccional para cima em simultâneo com o botão de ataque, o que nos impossibilita de usar essas armas enquanto estamos agachados ou nas escadas, algo que já não acontecia no Super Castlevania IV da Super Nintendo visto haver um botão dedicado para isso. Uma das novidades perante os seus antecessores é a introdução de ataques especiais, directamente associados à arma secundária que temos actualmente equipada e que causam dano em todos os inimigos presentes no ecrã. Outra das novidades é o facto de existirem dois finais distintos, um mau e um bom onde precisamos de salvar tanto a Maria como a Annet, assim como alguns caminhos alternativos que poderemos tomar.

Tal como o original de PC Engine, temos alguns caminhos alternativos a tomar.

Como um todo, este não é um mau jogo de acção e não é um mau Castlevania, no entanto, e comparando com o Super Castlevania IV, é muito mais curto e possui níveis bem mais simples. A nível de apresentação o primeiro nível, onde atravessamos uma cidade em chamas, é o único que realmente tira algum partido das capacidades nativas da Super Nintendo, com bonitas transparências e efeitos gráficos. Os restantes apesar de serem na mesma níveis coloridos, o nível de detalhe é muito inferior. A banda sonora é no entanto bastante boa como tem sido habitual na série.

O posicionamento de alguns inimigos é muito chato neste jogo. Abençoados save states!

Portanto este Castlevania Vampire’s Kiss não é um mau jogo, embora a nível de apresentação e conteúdo esteja uns furos abaixo do Super Castlevania IV e diria que mesmo do The New Generation, que são ambas as referências de Castlevanias 16-bit que nós ocidentais teríamos nos anos 90. No entanto, quando comparado com o Rondo of Blood original da PC Engine CD, então sim, perde-se muita coisa e nem me estou a contar com as cut-scenes anime, vozes e música em CD audio. Muita da estrutura do jogo foi alterada, assim como certas mecânicas e vários níveis que ficaram de fora. Aí sim, esta conversão é uma desilusão maior.

De resto, voltando à compilação em si, o que tem esta para nos oferecer para além dos 4 jogos? Tendo sido desenvolvida pela M2, temos várias funcionalidades de melhoria de qualidade de vida como save states ou rewind. Várias opções de customização de imagem ou de gravar a nossa playthrough estão também aqui presentes. Infelizmente não temos acesso a tantos extras de documentação e entrevistas tal como na Castlevania Anniversary Collection, mas temos acesso a uma galeria com scans de caixas e manuais de todos os jogos aqui presentes, incluindo as suas versões europeias, finalmente! As versões dessas 3 regiões estão também disponíveis para serem jogadas, assim como a possibilidade de ouvirmos as músicas da banda sonora. No caso dos metroidvania temos ainda acesso a uma enciclopédia que lista todos os seus inimigos, itens e poderes. Uma óptima compilação portanto!