Resident Evil 4 (Nintendo Gamecube)

resident_evil_4[3]Finalmente, após algum tempo de inactividade, volto a escrever neste espaço. Para compensar, o artigo de hoje incide num dos melhores jogos lançados na geração passada. Resident Evil 4 foi um jogo indubitavelmente marcante para a já longa série de terror da Capcom, introduzindo uma jogabilidade inovadora que parece que veio para ficar, bem como uma nova envolvente. A minha cópia foi adquirida no miau.pt. Não me recordo quando foi, nem quanto custou. Está impecável e é da versão que vinha num bundle com uma GameCube cinzenta, trazendo um disco bónus com uma demo do Metroid Prime, um making of de Resident Evil 4, e trailers dos outros jogos da série presentes na Gamecube. Um bom mimo.

RE 4 GC
Jogo completo com caixa, manual, papelada e disco de bónus

Desde cedo que Resident Evil 4 se tornou num dos jogos mais promissores da Gamecube, mas na verdade os primeiros rumores do jogo surgiram já em 1999. Ao longo dos anos o jogo foi alvo de várias reformulações. Desde cedo que a Capcom queria que Resident Evil 4 marcasse uma mudança radical na série, sendo que a primeira versão do jogo, ainda em desenvolvimento para a PS2, acabou por se afastar de tal forma do conceito da série que Shinji Mikami resolveu dar-lhe o nome de Devil May Cry, tornando-se num inteiramente novo que mais tarde trarei aqui a este espaço. Em 2002 Resident Evil 4 foi anunciado como um exclusivo para a GameCube, mostrando um trailer com Leon Kennedy a fugir de uma estranha mancha negra. Mais tarde, em 2003 a Capcom mostrou uma versão inteiramente nova do jogo, ainda com Leon mas desta vez com uma componente mais “fantasmagórica”, com fantoches “vivos” e seres sinistros. Finalmente decidiram mudar o foco do jogo de terror para a acção e saiu o jogo que hoje conhecemos. Pouco tempo antes de o jogo sair para a Gamecube, a Capcom volta atrás com o acordado com a Nintendo e anuncia que uns meses depois do seu lançamento, uma conversão para a PS2 seria lançada, com conteúdo extra. Na altura, a Gamecube já tinha vendas fracas e os seus fãs esperavam que com a exclusividade de RE4 desse mais alguma força à consola. Infelizmente para mim a Capcom teve esta decisão e, apesar de a versão PS2 ser inferior graficamente, o conteúdo extra é bastante apelativo.

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Olá Ashley. Sim, tem uma cara bonita e é gerada em tempo real.

Resident Evil 4 decorre no ano de 2004, num meio rural e montanhoso do interior de Espanha. Somos informados que a Umbrella já não existe, embora só mais tarde num outro jogo é que se vem a descobrir como. Controlamos Leon Kennedy, a mando dos Serviços Secretos norte-americanos, que tem como missão descobrir o paradeiro de Ashley Graham a filha adolescente do Presidente, resgatando-a com segurança. Somos deixados numa aldeia, onde depressa descobrimos que os seus habitantes não são nada amigáveis. Armados de sacholas, machados, moto-serras e outros apetrechos, Leon só tem de lhes limpar o sebo. Desde cedo que os aldeões parecem possuídos, sendo também devotos seguidores de um culto secreto e sinistro das redondezas, os “Los Iluminados”. Ao longo do jogo vamos visitando outros sítios como o castelo de “Los Iluminados”, repleto de cultistas sinistros. Uma coisa que toda a gente se perguntou na altura foi “onde estão os zombies?” Pois bem, em RE4 não há zombies, mas sim um novo vírus: “Las Plagas”. Sem querer revelar muito da história, os aldeões e várias outras personagens encontram-se infectados com esse vírus, daí a sua hostilidade. O vírus também é mutagénico, alterando as vítimas para criaturas fofinhas. Mas Resident Evil 4 é muito mais que isto, o resto joguem vocês, apenas vos digo que personagens como Ada Wong e Jack Krauser possuem papeis importantes neste jogo.

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Isto não vai acabar bem...

A jogabilidade é um dos pontos fortes do jogo. Finalmente abandonaram os tank controls e os ângulos de câmara fixos, apresentando uma perspectiva mais “over-the-shoulder” que se tornou popular. O foco do jogo também passou mais para a acção, dando grande ênfase nos tiroteios. É sem dúvida um esquema bem mais dinâmico, com o “action button” a ter uma enorme importância, seja para mandar uns “roundhouse kicks” nuns gajos enfraquecidos, arrombar portas, deitar escadas abaixo para segurança, etc. E sim, a tensão é constante. Os inimigos estão constantemente a tentar rodear Leon, obrigando a um ritmo de jogo bem mais frenético e a busca constante de um lugar seguro. O jogo em si está muito bem estruturado, com uma boa variedade de locais, inimigos, bosses e diversas outras situações. Quando resgatamos Ashley, frequentemente temos de a proteger. Se ela for ferida quer por fogo inimigo, quer pelo próprio Leon e morrer, é game over. Para além disso temos de a guardar a todos os momentos, pois algum dos inimigos pode pegar nela e fugir e se a deixarmos escapar também é game over. Nesse caso temos de ter especial cuidado pois para evitarmos que Ashley escape é necessário abater o seu raptor, tendo o cuidado de não atingir Ashley. Este foi o aspecto mais chato do jogo, na minha opinião. Ainda assim, em alguns locais é possível ordenar a Ashley que se esconda, ordenando depois que saia do seu esconderijo quando o local estiver seguro. Resident Evil também reintroduziu o conceito de Quick Time Events, obrigando o jogador a carregar numa série de botões no momento certo para sobreviver. RE4 introduz também uma série de armas, passando por vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, lança-rockets, etc. As caixas de armazenamento de items presente nos jogos passados já não existem. Leon possui uma mala com slots limitados e o jogador tem de acondicionar os items e armas da melhor maneira. Armas podem ser compradas a um vendedor misterioso que vai aparecendo ao longo do jogo em vários locais, e o sistema de save mantém-se o mesmo das máquinas de escrever, com a vantagem de não ser necessário nenhum “ink ribbon”.

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Ashley a ser levada por um cultista. Cuidado para não lhe acertar.

O post já vai longo e eu ainda nem falei nos gráficos. Resident Evil 4 para Gamecube é, sem sombra de dúvidas um dos jogos mais bonitos que a Gamecube oferece, bem como um dos mais bonitos da geração passada. Os modelos das personagens estão muito bem detalhados, sendo tão assustadores devido ao seu realismo. A atmosfera dos locais está muito bem conseguida e ao longo do jogo sinto-me mesmo como se estivesse numa qualquer terriola para a zona das serras Peneda/Gerês. Efeitos como lava e fogo, só visto. Partículas como chuva, esguichos de sangue são autênticos eye candys. A nível de som o jogo está muito bem conseguido. As falas em castelhano dos inimigos são fantásticas, o voice acting é bom, inclusive com alguns momentos de humor, algo fora do normal na série. A música ambiente, como já tem sido habitual também contribui para a atmosfera tensa e de pânico constante no jogo.

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Palavras para quê?

Completando o jogo principal, a versão Gamecube dispõe de mais 2 mini-jogos: “Ada’s Assignment” e o regresso do “Mercenaries”. O primeiro é uma extensão da história oficial do jogo, colocando-nos na pele de Ada Wong na sua busca por 5 amostras do vírus “Las Plagas”. É um mini-jogo igualmente divertido, embora Ada seja uma personagem mais frágil que Leon, obrigando a uma abordagem ainda mais cuidada. “Mercenaries” é na sua essência idêntico à sua versão anterior. O objectivo é ir do lugar A para o B no menor tempo possível e quanto maior for o banho de sangue, melhor. Existem 4 níveis disponíveis e inicialmente apenas podemos jogar com Leon, desbloqueando outras 4 personagens se obtivermos uma boa performance nos vários mapas. Dentro do próprio jogo, existe um outro minijogo de “Target Shooting”. É uma galeria de tiro, onde temos de acertar em vários alvos que vão surgindo no ecrã, evitando acertar em alvos amigáveis. É fortemente encorajado que a performance do jogador seja de 100% de tiros certeiros, ganhando boas quantias de dinheiro e troféus diversos.

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"El Gigante" - um dos vários bosses que vamos encontrar.

Muito mais havia a dizer acerca deste jogo, mas o post já vai longo. Resident Evil 4 foi um jogo verdadeiramente revolucionário e está facilmente no Top 5 dos melhores jogos da Gamecube. Ainda assim, actualmente apenas recomendo esta versão para coleccionadores. A versão PS2 apesar de ter um desempenho gráfico visivelmente inferior, ainda inclui um outro capítulo de jogo inteiramente novo, o “Separate Ways”, onde jogamos com Ada Wong e vemos o que ela andou a fazer no tempo em que andou desencontrada com Leon. Mais tarde o jogo saiu para PC, embora graficamente também tenha sido uma conversão pobre. Para além de uma versão pobre para iPhone, o jogo foi relançado para a Nintendo Wii, mantendo os bons gráficos da versão Gamecube aliando ao suporte do Wiimote e trazendo os extras da versão PS2. Actualmente é na minha opinião a melhor versão deste jogo existente. Contudo daqui a pouco tempo irá sair para PS3 e X360 uma versão “remaster” deste jogo com gráficos em HD, juntamente do Resident Evil Code Veronica X. Esta versão futura tem o potencial de ser a melhor versão de Resident Evil 4. Ainda assim, quer possuam GC, PC, Wii, PS2, PS3 ou X360, façam o favor de jogar este jogo, não se irão arrepender.

Resident Evil Code Veronica X (Nintendo Gamecube)

resident evil code veronica gc palCode Veronica é o primeiro jogo principal da série sem os cenários pré-renderizados. Lançado originalmente em 2000 para a Sega Dreamcast, o hardware da mesma já permitia desenhar cenários 3D minimamente realistas, pelo que a Capcom optou por esse caminho. Ano e meio depois, Code Veronica foi re-lançado para a Dreamcast no Japão e para a PS2 em todo o mundo sob o nome Code Veronica X, onde tinham alterado ligeiramente a história, melhorado os gráficos, e introduzido uma série de novas CGs ao longo do jogo. A versão de pre-order da PS2 incluia também o chamado “Wesker’s Report”, um documentário fictício relatando os vários eventos da Umbrella até à altura.  Em 2003/2004 o jogo chega finalmente à Nintendo Gamecube, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo em lançar toda a série principal nesta consola. Infelizmente é uma conversão directa da versão PS2, sem nenhum conteúdo adicional. A minha cópia foi comprada no miau.pt, não me recordo do ano nem quanto custou, mas não terá sido mais de 25€.

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Jogo completo com caixa, papelada e manual

A história segue Claire Redfield, que parte em busca do seu irmão Chris, pouco depois dos eventos corridos em Resident Evil 2. Logo no início somos presenteados com uma bela CG de Claire a invadir um edifício da Umbrella em França. Muitos tiros depois (incluindo a perseguição por um helicóptero como num Terminator 2), Claire é feita prisioneira e enviada para a prisão de Rockfort Island, uma localidade pertencente à família Ashford, família essa envolvida na criação da Umbrella e do famoso Progenitor Virus. Ao longo do jogo iremos visitar outros locais, incluindo uma base da Umbrella em plena Antárctida, bem como controlar outras personagens como o colega de “prisão” Steve Burnside. Chris Redfield entra na segunda metade do jogo à procura da sua irmã, revisitando dessa forma muitos dos locais anteriores. De volta estão também os zombies, muitos morcegos (chatos) e novas B.O.W. (Bio Organic Weapons), bem como é introduzido um novo virus à série, o T-Veronica, inspirado numa das antagonistas principais do jogo.

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Steve Burnside, companheiro de Claire na luta para escapar de Rockfort Island

A jogabilidade mantém-se nos “tank controls”, embora a Capcom tenha incluido o esquema de controlo “Type-C” que permite avançar com o botão R, utilizando o stick esquerdo para alterar a direcção da personagem. Uma novidade na questão da jogabilidade introduzida neste jogo é a perspectiva de primeira pessoa, ao utilizar certas armas como a sniper rifle, por exemplo. Aliás, é possível jogar o jogo todo numa perspectiva de primeira pessoa, introduzindo uma série de códigos “Action Replay”, penso que inicialmente a Capcom tinha planos para incluir a visão em primeira pessoa no jogo todo, depois lá mudaram de ideias. Para além do combate em si, contem na mesma com vários puzzles para resolver, muita exploração, items para recolher, etc.

Graficamente, podemos afirmar que era um jogo bastante bonito numa Dreamcast, no ano 2000. Para a altura em que chegou à Gamecube (2003/2004), já havia no mercado jogos como Metroid Prime e Zelda Wind Waker que eram um autêntico regalo para os olhos. Ainda assim, são agradáveis e envelheceram bem melhor que os vistos em RE2 e 3. Os modelos são suficientemente bem detalhados, tanto os inimigos, como vários objectos e texturas.  Mesmo abandonando os gráficos pré-renderizados, a câmara ainda é de ângulos fixos, embora estes sejam mais amigáveis e dêm uma melhor perspectiva da sala. Obviamente que não chega ao nível de “beleza” de um Remake ou um Zero, mas sendo uma simples conversão de um jogo mais antigo e feito num hardware inferior, não me queixo. Infelizmente o factor “medo” para mim foi quase inexistente, algo que só o Remake e o Zero, na minha opinião, conseguiram alcançar uma atmosfera bastante tensa. Não faltam zombies e outras criaturas “bonitas” em Code Veronica, mas a atmosfera de uma casa abandonada ou a claustrofobia de um comboio repleto de zombies não está lá, mesmo existindo alguns desses cenários aqui. Já a nível de som não há realmente muito a dizer, foi um bom trabalho da Capcom. A música é atmosférica e sem muita presença, explodindo para músicas mais fortes em momentos mais caóticos, como a luta contra bosses, por exemplo. Os restantes efeitos sonoros são também bem conseguidos, desde os gemidos de zombies até às explosões. O voice-acting pela primeira vez na série levou um tom mais “sério” e não aquele desastrado presente nos primeiros jogos da série.

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Zombies novamente, desta vez com os cenários em 3D

A nível de extras, este Resident Evil possui poucos, comparando com os restantes jogos da série (principalmente conversões). Ao completar o jogo principal, dependendo do tempo levado e performance ao longo do jogo, é atribuído um rank final. Se o rank for de A (muito difícil), é desbloqueado um lança-rockets com munição infinita. Independentemente do ranking é desbloqueado sempre um minijogo, o Battle mode. Este minijogo pode ser jogado em 3ª pessoa, ou em primeira pessoa como se um FPS se tratasse, e consiste simplesmente em chegar do ponto A ao ponto B no menor tempo possível. Dependendo da performance neste Battle mode, podem ser desbloquadas novas personagens para serem jogadas aqui (como Albert Wesker), bem como o Linear Launcher. É uma pena não se desbloquear outros modos de jogo, ou até outros uniformes para as personagens, mas paciência.

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Ecrã de visualização de items, não mudou muita coisa

Concluindo, o que disse acerca do RE2 e 3 repito-o aqui. Aconselho este jogo apenas para quem for coleccionador ou quiser ter os jogos da série principal até ao RE4 na Gamecube. Digo isto pois geralmente encontra-se este jogo bem mais barato na sua versão PS2 (que apresenta as CGs de melhor qualidade devido a correrem num DVD, enquanto que nas versões DC e GC as mesmas estão comprimidas). Mesmo a versão Dreamcast, que embora tenha menos cutscenes e pequenos detalhes alterados, é uma versão perfeitamente capaz e pouco perde entre estas versões mais completas. Foram também anunciadas para X360 e PS3 conversões remasterizadas em HD deste jogo e do Resident Evil 4, poderão perfeitamente vir a ser as versões definitivas destes jogos.

Final Fantasy IV (Nintendo Gameboy Advance)

final fantasy iv advancePara fugir um pouco à violência de zombies e de outros first person shooters que tenho trazido ao espaço, nada como um J-RPG clássico para mudar um pouco o tom. Final Fantasy IV é na minha opinião um dos Final Fantasy clássicos com um óptima história e personagens carismáticos, tendo recebido vários relançamentos ao longo dos anos para plataformas diversas. A versão que trago cá hoje é a da Gameboy Advance, foi comprada neste ano na GAME do Maiashopping por 5€, e está como novo. O jogo trouxe também um poster Nintendogs/Pokémon que não está na fotografia.

Final Fantasy IV Advance
Jogo completo com caixa, manuais e papelada diversa

Lançado originalmente para a Super Nintendo em 1991 e lançado no mercado americano como Final Fantasy II (pois os Final Fantasy II e III originais da NES não tinham saído no mercado ocidental), foi preciso esperar 11 anos para que em 2002 uma conversão deste jogo para a Playstation atingisse o público europeu. Vários outras conversões foram sendo desenvolvidas, primeiro para a portátil japonesa da Bandai Wonderswan Color, em seguida para a Gameboy Advance. A versão GBA para além de ter os gráficos melhorados face ao clássico de 1991, deu uma revisão a todo o diálogo do jogo, tapando vários buracos na trama e corrigindo más traduções que foram feitas inicialmente (algo que era bastante comum, infelizmente).

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Vista no world map - mode7 manda um abraço

O jogo decorre no “Blue Planet“, onde vemos Cecil, a personagem principal, um Dark Knight ao serviço da frota aérea do reino de Baron, a pilhar uma cidade na busca do seu crystal (porque é que os gajos da Square têm uma panca por cristais é algo que me ultrapassa). Após o regresso e Cecil questionar o porquê da tendência agressivade Baron, esté é despromovido e é obrigado a levar (junto com o seu companheiro de infância Kain) um pacote misterioso a uma outra aldeia. Quando lá chega, o pacote activa-se e liberta tamanha destruição que acaba com a aldeia. No meio da confusão Cecil e Kain sofrem um acidente e separam-se. Desolado, Cecil tenta impedir que tal se volte a repetir. Ao longo do jogo vamos conhecendo novas personagens (algumas inclusive vítimas de Cecil e Kain nos primeiros ataques), e a história vai-se desenrolando de forma muito interessante, com vários acidentes de percurso, personagens que vão e vêm, e triângulos amorosos pelo meio. Na minha opinião, juntamente com Phantasy Star II da Mega Drive, este jogo foi responsável por uma toada mais séria e mais épica dos RPGs orientais dessa altura em diante. O enredo está bem conseguido e mesmo com as limitações técnicas da SNES e posteriormente da GBA, a vontade de prosseguir com o jogo persiste.

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Vista do ecrã de batalha - familiar, porém com novidades

A nível de jogabilidade, Final Fantasy IV introduziu uma série de inovações. Primeiramente, o sistema de batalha foi mudado das simples batalhas por turnos pelo “Active Battle System”, um sistema de batalha utilizado em vários outros jogos da empresa no futuro. Consiste em que cada personagem (inimigos também) tenham uma barra de tempo que quando fica cheia possam intervir na batalha, seja para atacar, usar magias, items ou defender. Este mecanismo deu mais alguma dinâmica às batalhas, tornando-as menos monótonas pois cada personagem tem um tempo de “recuperação” diferente. De resto o ecrã de batalha é semelhante aos jogos anteriores, com vista lateral e poder ser definida a disposição das personagens em 2 filas diferentes no campo de batalha. Final Fantasy IV é também o primeiro jogo da série que permite uma party de até 5 personagens. Para trás ficou a customização do job system introduzido em Final Fantasy III. Aqui as personagens já pertencem a uma certa classe, cada uma com habilidades distintas, sendo impossível a mesma ser alterada (excepto para uma ou outra personagem, mas tal pertence ao rumo da história do jogo).

No quesito gráfico, é verdade que a versão GBA é algo superior à versão SNES. Até porque o jogo original é um dos jogos das primeiras gerações do sistema, e como a GBA é pouco mais que uma SNES portátil, ainda assim deu para polirem mais as sprites e restante artwork. Mas não esperem um update gráfico muito grande, para isso joguem a conversão para a DS que saiu há poucos anos atrás e esta sim, é um remake completo com voice-acting e gráficos 3D. Na questão do som, a trilha sonora mantém-se intacta, sendo um clássico de Nobuo Uematsu. Se há coisa que tenho de dar o braço a torcer para a Square, é a sua veia artística. O artwork e a banda sonora geralmente são de excelente qualidade e este é um exemplo que o comprova, basta olhar para a capa.

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Bestiário

Esta conversão para GBA trouxe uma série de extras face às outras versões do jogo então existentes. Adicionou uma funcionalidade de quick save, permitindo gravar temporariamente o progresso em qualquer altura do jogo (o save seria apagado da próxima vez que se ligasse o jogo), foram introduzidos alguns bosses novos e uma ou outra dungeon nova. Alguns mini-jogos e um “bestiário” – algo como uma pokédex mas com os monstros de FF IV foram também algumas das inclusões. Ainda assim, a Square-Enix lançou pouco tempo depois umas versões ainda melhores deste jogo, tornando a versão GBA algo obsoleta (excepto para coleccionadores). Em 2008 foi lançada para a Nintendo DS um remake completo com voice-acting e gráficos em 3D (tal como Final Fantasy III). Por esse ano foi lançado para os telemóveis japoneses uma sequela do jogo de nome “Final Fantasy IV: The After Years”, mantendo os visuais clássicos em 2D. Em 2009 essa sequela teve lançamento na WiiWare e neste ano saiu ainda uma outra versão do jogo para a PSP de nome “Final Fantasy IV: The Complete Collection”. Contém o jogo clássico em 2D (suponho que seja esta mesma versão GBA) em conjunto com as CGs feitas para o remake da DS e a sequela The After Years. Tanto a versão DS como a versão PSP parecem-me as melhores escolhas hoje em dia para se desfrutar deste clássico.

Resident Evil 3: Nemesis (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 3: NemesisMais um post sobre aquela que possivelmente será a saga de survival horror mais famosa do planeta. Lançado originalmente em 1999 para a PS1, este capítulo da saga introduziu diversas inovações na série, tendo sido convertido para várias plataformas, entre as quais a Nintendo Gamecube em 2003, fruto do acordo entre a Capcom e a Nintendo de trazerem para a GameCube todos os jogos da série principal até ao Resident Evil 4. A minha cópia foi adquirida por aí em 2004 ou 2005 no miau.pt e deve ter-me custado algo à volta dos 20€. Está completa e em bom estado.

Resident Evil 3 GCN
Jogo completo com caixa e manual

Resident Evil 3 é mais um jogo que decorre em Racoon City, estando dividido em duas partes. Na primeira, os acontecimentos decorrem 24h antes dos acontecimentos de Resident Evil 2, já na segunda parte do jogo, a acção decorre dois dias depois, onde assistimos ao destino da própria Racoon City. Resident Evil 3: Nemesis coloca-nos na pele de Jill Valentine, uma das protagonistas principais do original Resident Evil, e ocasionalmente Carlos Oliveira, membro de uma equipa de mercenários que andavam por Racoon a fazer algo… O jogo tem o subtitulo de “Nemesis”, referente à criatura da capa do jogo. Nemesis é a mais recente e avançada arma bio orgânica criada pelos laboratórios da Umbrella, tendo sido largado em Racoon City apenas com um propósito: Assassinar os membros sobreviventes da equipa S.T.A.R.S. pois os mesmos sabiam demasiado sobre a Umbrella. Um pouco como Mr. X em Resident Evil 2, Nemesis irá aparecer várias vezes ao longo do jogo, sendo que neste Jill poderá combatê-lo (de forma a ganhar bons items) ou simplesmente fugir (e Nemesis poderá perseguir Jill).

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Nemesis em CG

A nível de jogabilidade, enquanto que o jogo mantém os infames “tank controls” (algo que só viria a ser mudado com RE4), mas no entanto introduz uma série de inovações neste campo. Foi o primeiro jogo a utilizar o esquema da volta rápida de 180º, algo que viria a ser utilizado nos jogos seguintes. Implementou também a possibilidade de a personagem poder-se desviar dos ataques inimigos, o que nem sempre resulta. Outra das inovações é o sistema de fabrico de munições. Sim, tal como misturar ervas em jogos anteriores, aqui é possível misturar tipos de pólvora para obter munições variadas, desde pistolas a granadas. Finalmente, este jogo tem também uma série de “quick-time events”, na medida em que em várias alturas do jogo surge no ecrã e escolha de duas decisões que Jill pode tomar, decisões essas que afectam o decorrer do jogo, podendo inclusivamente afectar o final do mesmo. Existe um tempo limite para a escolha que se for ultrapassado provoca danos na personagem ou até morte imediata. Ao defrontar Nemesis, se escolhermos combatê-lo (algo que eu tento fazer sempre), Nemesis recompensa-nos ao deixar vários items que não irão querer perder. Alguns items são partes de armas poderosas, caixa de kits de primeiros socorros, ou munição infinita para uma dada arma.

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Confronto com Nemesis

Passando para os gráficos, enquanto que no Resident Evil 2 não reparei em grandes diferenças, neste jogo os modelos já me pareceram melhores, pelo menos com menos bugs devido ao clipping. Os críticos dizem que o jogo foi inspirado na versão PC e Dreamcast, que já apresentava uns gráficos ligeiramente melhores. Ainda assim, não esperem nada muito acima do nível de uma Playstation, a sua plataforma nativa. Os críticos dizem também que esta conversão GC tem também um melhor framerate, a 60fps constantes, realmente notei que o jogo era fluído. As cut-scenes já têm uma melhor qualidade que as de Resident Evil 2, lembro-me perfeitamente de as ver pela primeira vez numa PS1 em 1999 e ficar espantado. A nível sonoro nada foi alterado face ao original. O voice-acting ainda é um pouco pobre e os restantes efeitos sonoros e músicas mantêm-se fiéis ao seu propósito, seja de manter uma atmosfera tensa, seja para alturas com mais acção, imprimir um ritmo mais explosivo.

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Mais zombies polícias para despachar!

A respeito dos extras, esta conversão para GC não traz nada a mais que as outras. Pelo contrário, até traz a menos, na medida em que alguns extras já estão desbloqueados à partida quer na versão Dreamcast quer no PC. Falo dos uniformes extras (através da Boutique key – desbloqueados consoante o ranking final após completar o jogo) e do minijogo Mercenaries. Este mino-jogo consiste em tomarmos o papel de um dos vários mercenários que aparecem no jogo principal e ir de um local A para o local B num determinado tempo. Tempo esse insuficiente, que pode ser aumentado ao matar inimigos, descobrir zonas secretas, resgatar pessoas, etc. Este mini jogo tem a vantagem de se poder desbloquear munição infinita a armas no jogo principal, consoante a pontuação obtiva. No melhor cenário é desbloqueado munições infinitas para todas as armas do jogo. Na Gamecube, o Mercenaries pode ser acedido tal e qual como a versão PS1, completando o jogo principal pelo menos uma vez. Um outro extra são os epílogos, que retratam o que aconteceu a várias personagens importantes ao longo da série até ao momento, como Chris, Claire, Barry, Ada Wong, entre outros, formando 8 no total. Cada epílogo destes é desbloqueado a cada vez que se completa o jogo principal, e isto é válido para todas as conversões.

Para concluir, Resident Evil 3 é considerado pelos fãs como um jogo com mais elementos de acção do que propriamente survival horror, o que se traduziu num jogo com menor popularidade face aos restantes. Em relação a esta conversão, eu só posso repetir o que disse anteriormente na análise ao Resident Evil 2 ou seja, só recomendo a sua compra a coleccionadores ou a pessoas que queiram ter os jogos clássicos apenas numa consola. As versões PS1 e Dreamcast costumam encontrar-se no mercado de usados a preços bem mais em conta e para quem tiver PS3 ou PSP pode comprar digitalmente a versão PS1.

Resident Evil 2 (Nintendo Gamecube)

Resident Evil 2 GCNFalar de conversões é sempre um risco. Se um dia me vier calhar às mãos uma outra versão deste jogo pouco ou nada terei a dizer, mas adiante. O jogo que trago aqui é a conversão do clássico Resident Evil 2 para Gamecube, jogo virtualmente idêntico às suas versões PS1 e Dreamcast. A minha cópia foi adquirida sinceramente já não me recordo onde nem quando, muito menos quanto custou. Penso que tenha sido no miau.pt ou então no ebay uk, e unhas-de-fome como eu sou, dificilmente terá custado mais de 20€.

Resident Evil 2 GCN
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Antes de mais, a nível de artwork deixem-me dizer que este deve ser o único Resident Evil cuja artwork prefiro a versão americana à europeia. Em todos os outros, principalmente o RE4, a artwork europeia dá 15-0. Quanto ao jogo em si, basicamente é uma promessa cumprida da Capcom, que se comprometeu em trazer todos os jogos principais da série Resident Evil ao cubito da Nintendo. Mas ao contrário de Resident Evil 1, este não viu qualquer update gráfico. Aliás, mesmo segundo as palavras da Capcom “not a single polygon has been changed”, embora muitas pessoas tenham escrito nas suas reviews que os modelos pareciam ter melhores definições que a versão PS1. O problema deste jogo foi a infeliz decisão da Capcom em tê-lo comercializado com o custo normal de um jogo “novo”, ao invés de o ter lançado como um budget title.

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CGs de 1998, bons tempos

Resident Evil 2 coloca-nos na pele de Claire Redfield (irmã de Chris) e de Leon Kennedy, polícia de Racoon City no seu primeiro dia de trabalho. Estava o Leon a chegar a Racoon, quando é abordado por um conjunto de zombies. Surpreendido, encontra Claire, salvando-a e trazendo-a para o seu carro de polícia. Dirigem-se para a esquadra de Racoon City tendo um acidente de percurso a meio do caminho forçando-os a seguir caminhos separados. O jogo dá-nos a hipotese de escolher qual a personagem que queremos seguir, sendo as 2 histórias um pouco diferentes, mas que se assemelham no final. O jogo decorre portanto na zona urbana de Racoon City, onde se instaurou uma epidemia do T-Virus, deixando a cidade repleta de zombies e outras criaturas sinistras fruto da Umbrella Corp. Ao longo do jogo vamos-nos apercebendo como a epidemia chegou até Racoon e conhecendo personagens importantes como William e Sherry Birkin e Ada Wong.

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¡Cerebros!

A jogabilidade é a do costume: “tank controls”. Ao menos voltaram a incluir o “Type C” que apesar de ainda ser um esquema algo confuso, sempre é melhorzinho. Podiam era ter implementado a combinação de botões para a personagem dar uma volta de 180º de forma instantânea, não lhes tinha custado nada. O jogo à semelhança dos Resident Evil clássicos está também repleto de vários puzzles necessários para avançar na história. Muitas novas aberrações também não faltam e ficheiros para descobrir e ler novos detalhes a história. Sempre gostei dessas coisinhas nesta série. A versão GameCube (bem como outras conversões existentes) traz os “Arrange Modes”, que basicamente são o modo japonês do jogo, mais fácil, com mais items e uma submachine gun logo de início. Este jogo traz também o mini jogo do Hunk/Tofu, desbloqueado no final do jogo principal (com rank A), que consiste em estar na pele do mercenário Hunk (ou de um Tofu), procurar uma amostra do G-Virus e abandonar Racoon City com segurança. Um outro modo de jogo, é o Extreme Battle, que são igualmente missões separadas da história principal.

A nível gráfico, não há muito a dizer, são os mesmos da versão PS1, mas talvez numa resolução maior (e daí talvez não, penso que os únicos RE2 que correm em resoluções maiores são as conversões PC e Dreamcast). São gráficos obviamente datados e ainda com os mesmos bugs (clipping) presentes na versão original, mas paciência, vai-se jogando sem grandes problemas. Nunca gostei muito dos RE’s passados em Racoon City, o clima urbano não proporciona aquela tensão que uma mansão abandonada, escura e com salas claustrofóbicas proporciona. Mas ainda assim cheguei a apanhar alguns sustos com os lickers. Sonoramente o jogo não é mal executado, só o voice-acting é que poderia ser melhor, mas em 1998 isso ainda não era preocupação de quase ninguém, portanto escapa.

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Sim, também existem laboratórios da Umbrella neste jogo.

Para concluir, só aconselho este jogo a quem for coleccionador, ou como eu, quem quiser ter a série clássica toda na mesma consola. Apesar de quase todos os ports deste jogo terem mais conteúdo que a versão original de Playstation (existe também o relançamento para PS1 como RE2 Dualshock Edition, com vários destes extras, mas não saiu em território europeu), na minha opinião a melhor conversão encontra-se na Dreamcast, pois à semelhança do que se vê no PC tem vários extras que mesmo esta versão de Gamecube mais recente não tem. Recentemente foram lançados os 3 Resident Evil clássicos da PS1 para a PSN, mas honestamente não sei quais os extras que contêm.