The Legend of Zelda Collector’s Edition (Nintendo Gamecube) – Parte 1: The Legend of Zelda

The Legend of Zelda Collector's EditionTal como a The Orange Box, em que escrevi detalhadamente cada jogo num post à parte, também nesta colectânea farei o mesmo. Aliás, será algo que farei de hoje em diante, mesmo tendo o risco de vir a ter jogos repetidos na colecção – caso já existente que posteriormente terá um tratamento diferente. Mas adiante, The Legend of Zelda é das séries mais icónicas deste mercado e porventura a minha série preferida. Esta Collector’s Edition foi lançada originalmente para a Nintendo Gamecube, contendo os dois primeiros títulos da saga, lançados originalmente para a NES/Famicom, os dois jogos da Nintendo 64 – Ocarina of Time e Majora’s Mask, bem como uma demo do Wind Waker e dois pequenos filmes de bónus. Se bem me lembro, no mercado europeu esta colectânea apenas estava disponível a quem comprasse um pack da Nintendo Gamecube prateada, contendo o Wind Waker e esta compilação. No meu caso, o jogo veio-me parar às mãos algures em 2005/2006 no Miau.pt, por uma quantia entre os 30 e os 35€. Está completo e impecável.

The Legend of Zelda - Collector's Edition
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O primeiro The Legend of Zelda foi lançado originalmente no ano de 1986, curiosamente o mesmo ano em que nasci, tendo sido um marco em vários aspectos, conforme poderei referir. Em primeiro lugar, como de costume, falemos da história. The Legend of Zelda (TLoZ daqui em diante) coloca-nos no reino fantasioso de Hyrule, mais precisamente no papel de um jovem rapaz chamado Link, com a sua icónica vestimenta verde. Ora Hyrule foi invadida por um vilão chamado Ganon (falemos de Ganondorf noutra altura), tendo roubado a Triforce of Power, um objecto mágico de grande poder. A princesa de Hyrule, Zelda tinha em suas mãos a segunda parte da Triforce, a Triforce of Wisdom. Para evitar que Ganon a adquirisse, Zelda partiu-a em 8 pedaços e espalhou-os em vários pontos de Hyrule, antes de ser raptada pelo próprio Ganon. A certa altura Link vem a saber desses acontecimentos e parte à aventura à procura da Triforce of Wisdom, acabar com o reinado de terror de Ganon e resgatar Zelda. Curiosamente, neste primeiro jogo ainda não é mencionada a terceira parte da Triforce, Triforce of Courage, que habitualmente costuma ficar ligada ao próprio Link.

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Engrish! Engrish everywhere!

Passando para a jogabilidade, este é o campo em que TLoZ mais inovou nos idos de 1986, pelo menos no que diz respeito aos jogos de consola. Ao contrário da maioria dos jogos da época, em que o progresso dos mesmos era feito de uma forma linear, TLoZ apresentava algo diferente, dando uma maior liberdade aos jogadores de explorarem o jogo da maneira que quisessem. Tal como vários dos velhinhos RPGs dos computadores da altura, TLoZ é jogado numa perspectiva de “overhead”, colocando Link num relativamente grande mundo virtual para explorar. Logo quando começamos o jogo podemos entrar numa pequena caverna onde um velhote nos oferece uma espada para combater as “forças do mal”, e depois podemos explorar o mundo da maneira que quisermos. Claro que liberdade total para jogar o jogo não é total, existem áreas com inimigos bastante fortes que nos desencorajam a visitar nos primeiros tempos, outras áreas que são inacessíveis até obtermos uma série de items, etc. De qualquer das maneiras, a exploração é algo que é nativamente induzida ao jogador. Ao explorar o mapa do jogo veremos vários items que à primeira nos são impossíveis de alcançar, mas posteriormente, com a ajuda de um ou outro novo item conseguimos finalmente alcançá-lo. O mesmo diz respeito às dungeons, que já refiro daqui a pouco. O jogo está repleto de segredos, sejam items escondidos, lojas secretas onde podemos comprar poções que restauram a saúde de Link, ou upgrades ao seu equipamento, entre outros. Infelizmente só vim a experimentar este jogo através da emulação, já perto dos anos 2000. Nessa altura, na Internet, já existiam mapas completos e guias que explicavam como passar as fases mais chatas, ou onde os locais secretos se encontravam. Mas imagino o “buzz” que em plenos anos 80 tenha acontecido, com miúdos a trocar ideias e dicas entre si na escola, ou por inclusive correio. Curiosamente, Miyamoto tencionava precisamente que isso acontecesse, quando desenvolveu o jogo. A exploração e a troca de ideias entre os jogadores sempre esteve nos planos da Nintendo. Uma das razões que levou ao surgimento da Nintendo Power, a clássica revista da Nintendo, foi precisamente a demanda de dicas sobre Legend of Zelda, por parte de jogadores norte-americanos.

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Um dos ecrãs do overworld, aqui a entrada de uma dungeon

Ainda continuando na jogabilidade, Link tem inicialmente à sua disposição um escudo e uma espada (assumindo que a vamos buscar ao velhote), posteriormente pode adquirir vários outros items, desde escadas (que servem de pontes) para atravessar pequenas secções de água, ou outras armas como bumerangues ou varinhas mágicas. Estes items podem ser mapeados para qualquer um dos 2 botões frontais disponíveis no comando da NES, portanto apenas poderemos utilizar 2 items ao mesmo tempo, como devem calcular. A unidade monetária em qualquer Zelda são uns cristais chamados Rupees. Existem de várias cores, cada um com o seu valor. Podemos encontrar Rupees quando derrotamos algum inimigo, ou nos baús disponíveis nas dungeons ou overworld. Para progredir no jogo temos então de partir à descoberta dos 8 fragmentos da Triforce of Wisdom, lembram-se? Esses fragmentos estão espalhados ao longo de 8 dungeons, com uma nona onde se encontra o boss final Ganon. As dungeons também é outra característica clássica de Zelda. Nestas dungeons costuma haver vários puzzles que temos de resolver para progredir no jogo, bem como vários items para descobrir, e inimigos para derrotar. Também aqui existem por vezes alguns segredos, e definitivamente um boss no final de cada uma. O legado de TLoZ é inegável e deixou o protótipo dos action RPGs que se sucederam, como a série Mana (Seiken Densetsu) da Square ou vários outros clones e imitadores como o Golden Axe Warrior da Sega.

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Aqui um dos bosses de uma dungeon

Os visuais são simples, como qualquer jogo de NES da época. Ainda assim os fundamentos de practicamente todos os inimigos que os vários Links enfrentaram ao longo destes 26 anos de carreira estão todos lá. O mesmo se pode dizer das músicas, que são clássicos usados ainda hoje nos Zeldas modernos. Outra das inovações introduzidas por TLoZ consiste em quando terminamos o jogo, temos a possibilidade de jogar uma “Second Quest”, onde a disposição das dungeons altera-se um pouco, tornando o jogo mais difícil. Isto foi algo que acabou sendo repetido em vários outros jogos da série. Tudo isto para dizer que The Legend of Zelda acabou por ganhar mesmo um estatuto lendário, uma daquelas séries de jogos que mesmo num estado ainda algo embrionário, conseguiu inovar bastante o mercado, deixando as fundações estabelecidas para o que viria aí à frente. Quando a Nintendo enveredou Link e companhia pelo mundo poligonal a revolução foi bem maior, mas isso é assunto para um outro post. Apesar de ser um jogo ainda algo simples para os padrões de hoje, TLoZ não deixa de ser um clássico que deve ser jogado por todos os jogadores que se prezem. Não estou propriamente a referir-me a adquirirem o cartucho dourado original da NES, para além desta boa compilação podem jogar o jogo na Gameboy Advance e está também disponível como download digital na Virtual Console da Wii e 3DS.

Metroid Prime (Nintendo Gamecube)

Metroid Prime

O jogo que trago cá hoje é um dos meus preferidos da geração passada e como tal requer um escrita bem cuidada. Juntamente de The Legend of Zelda, Metroid é a minha série preferida da Nintendo, se bem que nem sempre a série mereceu toda a atenção por parte da Big N. Por exemplo, em 2011 a série fez 25 anos juntamente de Zelda e o acontecimento passou completamente em branco, algo que não aconteceu com Zelda e Mario um ou outro ano antes. Após o brilhante sidescroller Super Metroid lançado para a SNES em 1994, a série entrou num período de dormência durante 8 anos até que em 2002 sairam 2 jogos diferentes para as consolas da Nintendo da época: Metroid Fusion – um sidescroller clássico para a Gameboy Advance e Metroid Prime, um Metroid completamente inovador para a séria, totalmente em 3D e jogado na primeira pessoa. A minha cópia foi comprada no lançamento do jogo em solo europeu, algures em Março de 2003, tendo-me custado na altura algo em torno de 60€. Foi dos poucos jogos desde a geração passada que comprei a full-price, mas valeu cada cêntimo.

Metroid Prime GCN
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A empresa por detrás desta obra prima era o então desconhecido estúdio Retro Studios, formado por ex funcionários da Iguana Entertainment em exclusivo para desenvolver software para a Nintendo. A Retro Studios estava inicialmente a trabalhar em 4 jogos para a GameCube, jogos esses que não despertaram muito interesse da Nintendo. Após verem uma demo de um possível first person shooter que o estúdio estava a desenvolver, a ideia de entregar a franchise Metroid a um estúdio estrangeiro como a Retro e logo em transformar um Metroid num jogo 3D e jogado em primeira pessoa partiu da própria Nintendo. E que bela decisão que tomaram! Infelizmente as deadlines impostas pela Nintendo para a conclusão do projecto levaram ao cancelamento dos outros projectos da Retro Studios da altura, entre os quais o Raven Blade que me pareceu estar muito interessante. Esta nova abordagem à série Metroid chocou muitos fãs e impressionou outros tantos. Eu fui dos que ficaram bastante impressionados quando vi as imagens do jogo pela primeira vez, algures em 2000/2002. A beleza do jogo e dos cenários impressionaram-me imenso.

A história do jogo decorre após os acontecimentos do primeiro jogo da série, com Samus Aran a percorrer o espaço e receber um pedido de socorro vindo de uma estação espacial dos vilões Space Pirates, situada em órbita do planeta Tallon IV. Chegando lá, a Samus toda equipada com o seu arsenal, armadura e gadgets, descobre que a estação espacial servia de centro de investigação biológica, com os próprios space pirates a serem vítimas das suas próprias criações. Após um combate com o primeiro boss, a estação espacial está prestes a ser destruída e Samus acaba por perder todos os seus upgrades e segue para a superfície de Tallon IV para desvendar os seus mistérios e o que raio os Space Pirates lá andam a fazer. E assim começa mais uma aventura épica na saga Metroid.

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Samus vai à neve

A jogabilidade é bastante intuitiva. O jogo decorre numa perspectiva de primeira pessoa, com a disposição de botões um pouco diferente dos FPS da época. Temos o analógico esquerdo para controlar o movimento de Samus Aran, botão A para disparar, e os botões faciais restantes para saltar, transformar em morph ball, etc. Para se mirar, ao invés de se utilizar o segundo  analógico, é utilizado o botão R em conjunto com o analógico esquerdo. Obviamente que isso dificultaria a possibilidade de se movimentar e mirar ao mesmo tempo, mas com o botão L podemos fazer lock-on aos inimigos, facilitando e muito a vida. Ainda assim, mesmo com lock-on, não temos a vida totalmente facilitada pois há inimigos em que temos de lhes procurar os seus pontos fracos, não basta disparar à toa. Outra das grandes novidades neste Metroid Prime são os diferentes visores que podemos utilizar. Para além do visor normal, mais tarde poderemos encontrar um visor térmico e de raios-x, para melhor visualizar alguns inimigos ou detalhes que de outra forma não os conseguiríamos ver. Para além desses existe também o scan visor que nos permite adquirir informações dos inimigos, logs dos Space Pirates ou dos antigos Chozo. À medida que o jogo se vai desenrolando vamos obtendo cada vez mais power-ups, bem como novas armas e armaduras. O que é realmente impressionante é que mesmo numa perspectiva 3D e em primeira-pessoa conseguiram manter todas as essências originais dos Metroid em sidescroller, sejam os ambientes inóspitos e o sentimento de solidão, seja pelo elevado nível de exploração e backtracking, com imensos power-ups escondidos pelo mundo dentro, bem como elementos de jogos de plataformas. Tal como nos jogos anteriores, aqui não há o conceito de “níveis”. Neste jogo temos vastas áreas do planeta Tallon IV para explorarmos livremente, embora várias dessas áreas apenas lhes conseguiremos aceder mais tarde, com os items certos, e após derrotar um ou outro boss. Há bosses em Metroid Prime, vários, e são sem dúvida o melhor desafio do jogo.

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Os loadings são practicamente inexistentes, sendo inteligentemente mascarados com a abertura das portas

Graficamente o jogo está muito bem conseguido. Para um produto de 2002/2003 não havia nada muito melhor no mercado, e não me estou a referir apenas à GameCube. Os cenários estão muito bem detalhados, bem como os inimigos. Mas mais do que o detalhe, o que sempre me impressionou, desde que vi as primeiras imagens e o primeiro trailer, foi mesmo a própria beleza dos cenários, que estão extremamente bem pensados e conseguidos. Desde ruínas em desertos, para bases tecnológicas, locais de exploração de minas, cenários na neve, etc. O mundo de Tallon IV é realmente soberbo. Para além disso existe uma notável atenção ao detalhe. Os efeitos sonoros também estão bem conseguidos, não tenho realmente nada a apontar neste campo. Como é um jogo solitário, não existem diálogos, pelo que não vale a pena falar de voice-actings. As músicas estão muito bem conseguidas, principalmente tendo em conta que estamos a falar de músicas MIDI e não com a qualidade de um CD Audio. Para além de músicas novas, existem vários remixes de temas já velhos conhecidos, remisturados precisamente pelo seu compositor original.

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Um exemplo dos vários logs que podemos obter usando o scan visor.

Metroid Prime é mais um excelente exemplo de uma transição de 2D para 3D com bastante sucesso, sendo na minha opinião um dos melhores jogos lançados na geração passada. Para o pessoal ávido em desbloquear tudo o que um jogo oferece, Metroid Prime é um prato cheio, com imensos items escondidos e logs para descobrir, o que desbloqueia várias galerias  de arte, bem como outros níveis de dificuldade. Para quem possuir um Metroid Fusion para GBA e respectivo cabo de ligação, existe a possibilidade de se desbloquear o Metroid original da NES para se jogar em Metroid Prime. É um jogo na minha opinião recomendadíssimo. Hoje em dia encontra-se facilmente a baixos preços, bem como a versão relançada em 2009 para a Nintendo Wii, aproveitando os motion controls.

Castlevania Order of Ecclesia (Nintendo DS)

Castlevania-Order-of-Ecclesia-EURCastlevania é uma das séries que mais me agrada nesta arte. Enquanto nos primeiros jogos a jogabilidade era a de um simples side-scroller sempre com a temática vampiresca, desde o fenomenal Symphony of the Night lançado originalmente para a PS1 que a série adoptou uma mecânica mais aproximada de um Metroid 2D, com uma imensa exploração e backtracking ao longo dos cenários, em conjunto com alguns elementos de RPG tal como subir níveis, ganhar pontos de experiência e utilizar várias peças diferentes de equipamento. Para além disso a série ganhou também algumas iterações em 3D mas isso não é agora para aqui chamado. Order of Ecclesia é o terceiro Castlevania a sair para uma DS, saindo originalmente durante o ano de 2008. A minha cópia foi adquirida no início deste Janeiro numa loja GAME no Maiashopping. Custou-me 12€, usado e está em bom estado. Só não está em perfeito estado pois os imbecis da GAME colocaram as etiquetas do preço no próprio papel do jogo, não no plástico da capa, e ao arrancar o autocolante danifiquei um pouco a capa.

Castlevania Order of Ecclesia NDS
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Como sempre a história anda à volta de Dracula, o seu regresso ou alguém que o tenta ressuscitar. É um jogo que se passa no século XIX, altura em que o Clã Belmont que protegeu durante séculos a Humanidade das forças das Trevas se encontrava desaparecido. Várias organizações surgiram para colmatar essa falha, sendo que este jogo se centra na Order of Ecclesia, que criou um trio de Glyphs baseadas nos poderes de Dracula para usar contra o próprio. A protagonista principal é a jovem Shanoa, que se preparava para ser a próxima hospedeira das Glyphs (de nome Dominus). Durante o ritual da passagem, o melhor amigo de Shanoa, também um membro da Order of Ecclesia chamado Albus, rouba as glyphs para si, fazendo com que Shanoa perca todas as memórias que previamente possuia. O resto do jogo é passado na perseguição de Albus e das Glyphs, com a trama a ir-se desenrolando a partir daí.

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Shanoa prestes a adquirir mais uma glyph

A mecânica de jogo é ligeiramente diferente dos restantes “Metroidvanias“, com os vários níveis estarem separados entre si através de um world map, sendo que é possível revisitar níveis antigos para ganhar experiência ou para explorar novas áreas. O ataque é feito utilizando as glyphs, que existem dezenas e dezenas delas espalhadas pelo jogo. As glyphs tanto podem ser armas brancas como feitiços, e sempre que usamos uma delas consumimos Magic Points, existem também outras especiais que nos dão habilidades próprias. A barra de energia dos MPs é restabelecida automaticamente ao fim de algum tempo. Podemos usar 3 glyphs ao mesmo tempo e desencadear golpes especiais bastante poderosos chamados “Glyph Union”. Estes ataques especiais consomem os coraçõezinhos que vamos encontrando ao longo do jogo. Para além disso temos a barra de energia, que mal chegue a zero é sinal de Game Over. O sistema de batalha é portanto algo complexo, para além do mais que podemos ganhar experiência para subir os stat points de Shanoa bem como de várias glyphs. Para além disso com o decorrer do jogo vamos libertar vários habitantes da vila de Shanoa que posteriormente nos dão várias side-quests para fazer, é um jogo bastante completo neste aspecto, com a dificuldade esperada num Castlevania.

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Vista normal da DS - ecrã superior para mapa e inferior para a acção.

Para além da quest principal existe muito mais a fazer em Order of Ecclesia. Em primeiro lugar podemos mencionar o Boss Rush mode, que como o próprio nome indica é uma série de combates seguidos contra os vários bosses do jogo. Também, no final da quest principal poderemos rejogar o jogo com outra personagem que não vale a pena estar a dizer agora. Para além disso temos várias vertentes multiplayer, que tanto podem ser jogadas numa rede local entre várias DS (cada qual com a sua cópia do jogo) bem como na própria Wi-Fi Connection. Existe o Shop Mode, que não é nada mais nada menos que uma feira virtual, onde podemos comprar e vender items do jogo uns aos outros, bem como o Race Mode. Neste modo competitivo somos largados num “circuito”, que não é nada mais do que uma passagem repleta de obstáculos e inimigos. A pontuação é obtida mediante o número de inimigos derrotados e o tempo que cada jogador demora a atingir a meta. Este race mode é possível de ser treinado em single-player, na vertente “Practice”.

Graficamente é um jogo bonito que usa bem as capacidades da DS em fazer um jogo 2D com fundos e personagens bonitas e bem definidas para a resolução do ecrã.  Gosto particularmente do artwork, que embora não seja de Ayami Kojima, a artista responsável pelo artwork de Symphony of the Night, Lament of Innocence e vários outros jogos da série, afastam-se do artwork genérico de anime dos 2 Castlevania de DS que sairam anteriormente. O responsável em questão chama-se Masaki Hirooka, e conseguiu um artwork diferente de Kojima, mas igualmente maduro, a meu ver. As musicas também são óptimas, tendo em conta que estamos a falar de um hardware como a Nintendo DS.

Shanoa
Artwork de Shanoa

Para quem gosta da série, este é sem dúvida um Castlevania a não perder, apesar do meu preferido da DS ainda ser o Portrait of Ruin. Em Order of Ecclesia a Konami decidiu enveredar por mecânicas de jogo diferentes, bem como um artwork mais maduro que as iterações anteriores na Nintendo DS. Apesar de ser um pouco mais linear que os anteriores, Order of Ecclesia tem bastante conteúdo para deixar um fã da série satisfeito.

Sonic Adventure 2 Battle (Nintendo GameCube)

Sonic Adventure 2 BattleHá coisa de 15 anos atrás (nem isso) se me dissessem que um jogo do Sonic iria sair nalgum dia numa consola da Nintendo, provavelmente mandava essa pesssoa para um sítio não muito simpático. Contudo, com a decisão da SEGA de descartar a Dreamcast e o mercado de hardware nesta arte, os seus estúdios passaram a ter a autonomia de lançarem os jogos que quisessem para qualquer plataforma à escolha. Nos primeiros tempos, a Sonic Team decidiu dar preferência às consolas da Nintendo, e ainda bem que o fez. Na altura em que comprei a GC e sendo eu um grande fã da Sega, o facto de a GC ter os jogos do Sonic e outros como Phantasy Star Online foi um factor preponderante na minha compra. Este Sonic Adventure 2 foi o primeiro jogo que comprei juntamente com a minha GC, em Setembro de 2002. Custou-me na altura os 60€ que um jogo novo de GC  custava.

Sonic Adventure 2 Battle GCN
Jogo completo com caixa e manual

A história de Sonic Adventure 2 é um pouco complicada de contar sem estar a correr o risco de contar mais do que devia. Basicamente existem 2 lados, o lado “Hero” com Sonic, Tails e Knuckles, e o lado “Dark”, com Robotnik e 2 novos personagens: a morcego Rouge e o ouriço negro “Shadow”. Robotnik descobre um diário do seu avô e a sua maior criação: Shadow. Após Shadow ser reanimado por Robotnik, este aceita trabalhar com Eggman no seu mais recente plano de conquistar o mundo. Temos assim 2 diferentes histórias onde poderemos jogar, seja do lado bom ou mau. Para obtermos o final real do jogo teremos de completar os 2 lados da história.

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Metal Sonic e Amy a competir na vertente multiplayer

No que diz respeito à jogabilidade, SA2 aproveita vários modos de jogo da sua prequela. Sonic e Shadow têm a jogabilidade clássica, com níveis bastante rápidos, repletos de acrobacias como loops, rails e vários inimigos para derrotar. Já Knuckles e Rouge mantêm a jogabilidade de Knuckles em Sonic Adventure 1, com mapas abertos à exploração, de forma a encontrar 3 peças da Master Emerald. Um radar com a indicação de “Frio-Morno-Quente” é utilizado para ajudar à sua localização. Já Tails e Robotnik comandam um pequeno “mecha”, com uma jogabilidade semelhante à de E-102 Gamma, misturando componentes de shooter com plataformas simples. Para além disso existem lutas mais dinâmicas com bosses. O que também retornou foram os Chao Garden, jardins onde poderemos criar vários Chao, uns animais de estimação virtuais. A sua criação é mais complexa, com vários tipos de Chao diferentes, e mesmo novos “Good and Evil” Chao e jardins. Para além disso, o jogo oferecia a hipótese de transferir os Chao para o Sonic Advance de GBA e continuar a criá-los lá. O Chao Garden tem também vários mini jogos como Chao Racing e Karate que podemos participar. Existem vários modos de jogo multiplayer, alguns deles exclusivos da versão GC (daí o nome Battle), de entre os quais um modo de jogo de corridas de Karting (tal como Mario Kart), e versões multi-jogador dos vários modos de jogo que existem na história principal. Para além das personagens normais, também poderemos usar várias outras como Amy, Tikal ou Metal Sonic, por exemplo.

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Uma das várias coisas que podemos fazer com os nossos Chao

Tendo em conta que é um jogo original de Dreamcast, não é um jogo que puxa a Gamecube ao seu limite, mas ainda assim tem uns visuais agradáveis, com ligeiros melhoramentos da versão original, tal como mais objectos no ecrã e texturas mais bem definidas. Para além disso a Sonic Team incluiu suporte a Progressive Scan, para quem tivesse uma HDTV, tornando os gráficos ainda mais bem definidos. O framerate também é a 60fps sólidos. Infelizmente a câmara não viu grandes mudanças desde o Sonic Adventure 1 da Dreamcast, continuando mázinha. Os níveis de exploração do Knuckles ou Rouge sofreram muito com esta câmara defeituosa. O design dos níveis (principalmente os de Sonic e Shadow) já tinham a sua quota de abismos sem fundo, algo que sempre me irritou, mas não ao nível de um Sonic Heroes, felizmente. Já a nível de som, a Sega teve aqui um óptimo trabalho na banda sonora. Músicas como a de City Escape ou a própria “Live and Learn” são músicas rockeiras bastante catchies. Já o voice-acting não é nada de especial, mas para um jogo infanto-juvenil não se pode pedir muito mais.

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Knuckles no espaço, armado em Indiana Jones

Apesar dos seus defeitos, Sonic Adventure 2 nem é um mau jogo. Corrigiram algumas falhas que trouxeram da prequela como o Big the Cat e uma componente “RPG” muito fraquinha, mas mantiveram vários modos de jogo que poderiam ser muito melhores se a câmara colaborasse. Ainda assim é dos poucos Sonic 3D que não são maus de todo, principalmente pelos níveis de Sonic e Shadow. A versão GC não tem assim tanto material novo, mas continua a ser a versão definitiva até à data. De qualquer das maneiras para quem já tiver a versão Dreamcast poderá não justificar a nova compra.

Nintendo DSi

Já lá vai algum tempo que não faço um post de hardware. Tempo para postar cá tem sido como habitual algo escasso, mas vai-se fazendo o que se pode. A Nintendo DS é uma consola portátil inovadora da Nintendo que começou esta onda “revolucionária” da Nintendo em lançar produtos que apresentassem novas maneiras de se jogar, alargando com isso o seu mercado. Apresentada e lançada oficialmente durante o ano de 2004 no território norte-americano e Japonês, sendo que só em Março de 2005 chegou ao velho continente. A minha versão da consola é na verdade a 3ª revisão da consola,a Nintendo DSi. Para além de mais um “i” no nome, esta versão tem uma série de características diferentes que a separam um pouco das versões anteriores, mas tudo a seu tempo. A minha consola foi comprada numa GAME no Porto (no Via Catarina), algures num Janeiro de 2010. Está obviamente em excelentes condições, e ter-me-à custado algo em volta de 170€, penso que era o preço normal da consola nessa altura.

Nintendo DSi
Consola e sua caixa. A imensa papelada está toda lá dentro

Bom, voltemos à Nintendo DS por enquanto. Foi anunciada inicialmente não como uma sucessora da Gamecube nem da Gameboy Advance, mas sim como um terceiro pilar, pois segundo o que a Nintendo dizia, seria uma consola revolucionária na maneira como as pessoas jogavam os seus jogos, e quiseram portanto fazer essa diferenciação. Pelo que deram a entender inicialmente tanto a Nintendo DS como a Gameboy Advance (e o seu potencial sucessor) poderiam coexistir os 3. Ora como a Nintendo DS ao longo do tempo foi tendo vendas incríveis, a Nintendo decidiu descartar de vez a marca Gameboy. Na minha opinião fizeram bem em manter apenas 2 plataformas, senão fariam como a Sega nos anos 90, que concorria consigo mesma. Mas o que tinha realmente a Nintendo DS de tão diferente assim? Uma olhada rápida e percebe-se logo os 2 ecrãs. Para além disso possuia touch-screen no ecrã de base e microfone, as maiores razões para a tal “revolução” que a Nintendo tanto apregoou. Para além do mais permitia a ligação à Internet para partidas online, bem como surfar na web em si mais tarde, entre outras inovações.

Apesar de as tecnologias não serem realmente novas, a Nintendo foi a primeira a aplicá-las numa máquina exclusivamente dedicada para videojogos e apesar de a maior parte das pessoas terem estranhado o que viram pela primeira vez (eu sei que estranhei), a verdade é que esta aposta de risco da Nintendo acabou por funcionar desta vez. O uso de 2 ecrãs e do touchscreen realmente trouxeram novas maneiras de jogar, seja através de menus iteractivos ao toque, a acção a dividir-se nos 2 ecrãs diferentes, vários elementos de “touch” incluidos nos jogos, o uso do microfone, etc. A inclusão de acesso À internet (disponibilizado mais tarde através de um cartucho com uma versão própria do Opera) e de um serviço de jogos online da própria Nintendo também foi algo que os fãs já vinham a pedir há muito tempo, embora não tenha sido implementado da melhor maneira. Isto porque a maior parte dos jogos geram um “Friend Code” associado aos números de série do jogo e da consola. Este foi um passo premeditado da própria Nintendo de modo a garantir alguma privacidade aos utilizadores, mas como devem calcular é bastante chato ter de decorar vários Friend Codes para poder indicar aos amigos. Este método foi também implementado na Wii, mas felizmente na 3DS decidiram fazer um friendcode por consola.

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Foto promocional da consola, notem a câmara exterior e interior

Os primeiros modelos da DS tinham também retro-compatibilidade com a GBA, o que é uma mais valia para quem quis trocar uma consola por outra e manter os seus jogos. Também trazia software como o PictoChat que é uma espécie de Messenger em rede através de desenhos feitos pela stylus. Poderei também referir o “Dowload Play” que permite jogar jogos multiplayer entre várias DS localmente, tal como se fazia na GBA, só que desta vez sem qualquer cabo e apenas ser necessário um cartucho que envia informação para todas as outras DS. A Nintendo DS foi também a primeira consola da Nintendo a não ter qualquer tipo de trava regional, permitindo correr jogos originais de todas as regiões. A consola foi fazendo sucesso, e em 2006 sai a DS Lite, um pouco mais pequena, ergonómica e com uma bateria com maior capacidade, tendo sido este o modelo mais vendido da Nintendo DS de longe, tanto que ainda continua a ser fabricado nos dias de hoje, mesmo com a 3DS, DSi e DSiXL no mercado. Falando na DSi, foi a terceira revisão da consola lançada entre os anos de 2008 e 2009 nos vários mercados. Apresenta imensas novidades e um ou outro drawback, portanto começamos já por aí: a duração da bateria diminuiu para quase metade, comparando com a DSLite, e o suporte para jogos de GBA foi suprimido. Isto porquê? A DSi tem o processador principal (ARM 9) sensivelmente 2x mais rápido que o anterior, 4x mais ram (16MB), browser integrado, armazenamento interno de 256MB (e suporte a cartões SD), um firmware actualizável, uma DSiShop onde podem ser comprados jogos para download, 2 câmaras, entre outros. O processamento e memória extra levou a que vários jogos fossem desenvolvidos para tirar capacidades dessas novidades, os chamados “DSi-Enhanced games”, que podem ser jogados na mesma nas DS antigas, mas sem esse conteúdo extra. Existe também um muito reduzido número de software (retail) feito para correr exclusivamente na DSi/DSiXL/3DS. Infelizmente para o software DSiWare e jogos com “features” DSi, volta a existir uma trava regional. Booooo Nintendo!

O post já vai algo longo, mas não posso deixar de dar a minha opinião relativa ao hardware. A Sony PSP foi apresentada +/- na mesma altura e desde logo pareceu uma consola bem mais apelativa, pelos seus gráficos quase do nível de uma PS2 e as suas funcionalidades. Já o modesto hardware da DS (mas mais barato) apresentava gráficos quase do nível de uma PS1 para os jogos 3D (e isto já é dizer muito). Mas o que é certo é que mesmo com as limitações técnicas que tinha, as inovações que trouxe fizeram desta consola um enorme sucesso, com quase 150 milhões de unidades vendidas mundialmente. A Nintendo conseguiu cumprir a sua meta de alargar o mercado a novos mercados, com isso surgiram bastantes jogos casuais como a série Brain Training, ou jogos como WarioWare, Feel The Magic e a série Professor Layton, por exemplo, usam a Nintendo DS de uma forma casual e no entanto aproveitando todas as suas funcionalidades. Felizmente os hardcore não foram esquecidos e embora exista MUITO lixo para a DS, existem imensos jogos mais hardcore para serem descobertos, desde sidescrollers, bastantes JRPGs, shooters, etc. A Nintendo DS é um prato cheio, a PS2 das portáteis.

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Vista da consola fechada - gosto da simplicidade

Ainda assim não deixo de ser um pouco crítico, grande parte das “inovações tecnológicas” que a DSi trouxe, deveriam ter vindo logo no lançamento inicial, nem que isso tornasse a consola um pouco mais cara. O suporte a browser interno, aplicações e jogos para download, firmware actualizável, suporte a cartões SD são funcionalidades muito benvindas que dariam mais alguma versatilidade à consola logo de início. E a Nintendo devia deixar de ser forreta e incluir pelo menos um leitor mp3 de raíz na sua “dashboard”.

A Nintendo DSi é sem dúvidas a minha portátil preferida. Infelizmente a minha colecção ainda é pequeníssima nesta plataforma, mas conto futuramente investir um pouco mais. Ainda assim já joguei e terminei imensos jogos da DS por outros meios que não vale a pena estar por aqui a referir, portanto até que sei do que falo. Obviamente que recomendo a qualquer jogador que se preze a conhecer a sua biblioteca. Qual o modelo a comprar… eu diria que a DSLite apesar de ser o mais eficiente e ter suporte a GBA, as novidades introduzidas na DSi compensam bastante. A DSiXL, lançada em 2010 é uma outra DSi que simplesmente tem um tamanho maior (consola e ecrans), mas no entanto tem uma performance de bateria próxima da DSLite, seria uma melhor opção, excepto pelo seu tamanho. A 3DS, lançada neste ano, é uma plataforma inteiramente nova, que tem suporte aos jogos de DS, DSi e DSi, para além dos novos jogos em 3D. Apesar de ter tido um lançamento algo conturbado, o seu preço actualmente não está muito longe do de uma DSi ou DSiXL, portanto na minha opinião seria já um bom investimento para o futuro.