F-Zero X (Nintendo 64)

Escrever algo sobre este jogo depois de já o ter feito para o F-Zero GX torna-se uma tarefa algo ingrata pois o clássico da Game Cube é uma evolução a todos os níveis deste jogo lançado para a Nintendo 64. Mas vamos lá na mesma! O meu exemplar foi comprado algures em 2015 numa ida à feira da Ladra em Lisboa, veio num bundle de vários jogos em caixa de Nintendo 64 e que me custou algo entre os 2.5€ e 3€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, manual e papelada

O F-Zero original foi um dos jogos de lançamento da Super Nintendo e ilustrava da melhor forma um dos efeitos gráficos que a consola era capaz de fazer, o mode 7. Mas claro, para além disso possuia uma jogabilidade frenética e desafiante! Sem contar com os follow ups lançados também para a SNES apenas em solo japonês através do serviço Satellaview, F-Zero X foi a primeira sequela real do primeiro jogo. Desta vez com circuitos inteiramente em 3D, a Nintendo esmerou-se e o jogo evoluiu de uma forma bem interessante, principalmente contando que já tínhamos no mercado outros concorrentes como a série Wipeout ou Hi-Octane da Bullfrog.

Desta vez temos muitas mais novas personagens e naves no universo F-Zero

Vamos começar com os modos de jogo disponíveis. O principal é o Grand Prix, onde poderemos participar em diversos campeonatos com 6 circuitos cada, onde teremos de correr 3 voltas contra 30 oponentes em cada pista. Inicialmente podemos competir em apenas 3 campeonatos (Jack, Queen e King) cuja dificuldade nos circuitos vai aumentando progressivamente. Depois desbloqueamos o campeonato Joker e por fim o campeonato X, este último com 6 pistas geradas aleatoriamente! Nos campeonatos o objectivo é chegar sempre nos primeiros lugares, de forma a amealharmos o máximo de pontos possível para que no fim das 6 corridas sejamos o piloto com mais pontos. Antes de começar cada campeonato, podemos também escolher o grau de dificuldade, que se traduz no nível de agressividade dos nossos 29 oponentes, bem como o número de vidas/naves disponíveis por corrida. Número de vidas? Como assim? Bom, nós temos uma barra de energia que se vai detiorando à medida em que embatemos nas bermas da pista ou sofremos colisões com os adversários. Se essa barra de energia se esgotar, a nave é destruída. Para além disso, há também a hipótese de sermos projectados para fora da pista, pelo que lá se vai mais uma vida.

Jogar contra 29 oponentes sedentos de sangue em circuitos caóticos é um desafio e pêras!

E jogar este F-Zero X em níveis superiores de dificuldade mostra-se mesmo uma tarefa hercúlea pois os oponentes não nos dão tréguas nenhumas. Já achava impressionante este jogo conseguir ter 30 naves em simultâneo no ecrã, então se forem todos bem agressivos, o desafio é bem grande e temos mesmo de conhecer as pistas ao pormenor e tirar proveito da jogabilidade, seja com os drifts em curvas mais apertadas, seja com o uso inteligente dos turbos. Os turbos ficam disponíveis no fim da primeira volta na corrida, mas ao os usarmos vamos esvaziando a nossa barra de energia, pelo que temos mesmo de os usar com cuidado!

Os outros modos de jogo são fáceis de depreender do que se tratam. Temos o Time Attack onde o objectivo é mesmo o de fazer o melhor tempo possível nos circuitos, o Practice onde poderemos treinar a nossa performance nos circuitos, o versus é o modo multiplayer que pode ser jogado com até 4 jogadores em simultâneo. Por fim temos o Death Race que é uma espécie de corrida deathmatch onde o objectivo é o de eliminar todos os adversários.

Infelizmente toda a fluídez do jogo teve um preço, os gráficos tiveram de ser algo sacrificados

No que diz respeito à performance do jogo e seus audiovisuais… bom, em primeiro lugar é notório que este é um jogo bastante fluído e que corre a 60fps. No entanto tudo isso teve como sacrifício os gráficos que não são nada do outro mundo. Os circuitos possuem texturas muito simples e um nevoeiro que disfarça um pouco o pop-in dos cenários e outras imperfeições gráficas. Mas o que é certo é que o jogo possui uma jogabilidade excelente e as velocidades que atingimos são mesmo estonteantes! Por outro lado a banda sonora também se revelou numa excelente surpresa, pois ao contrário de tudo o que esperava da Nintendo, esta banda sonora é toda composta por hard rock/metal para homens de barba rija! Até alguns riffs de thrash e death metal (incluindo vozes guturais) podem aqui ser ouvidos! Espectacular (para o meu gosto, claro)!

Usar os turbos nas alturas certas é uma das chaves para o sucesso!

Portanto, apesar dos sacrifícios gráficos que tiveram de ser feitos em prol da jogabilidade e fluidez de jogo, este F-Zero X é um excelente jogo para a Nintendo 64. Possivelmente o seu melhor racer! No Japão ainda assistimos ao lançamento do F-Zero X Expansion Kit para o interessante add-on Nintendo 64 Disk Drive que nunca saiu fora de terras nipónicas. Esta expansão incluía, entre outros, vários novos circuitos e editores de pistas e naves! De resto, foi com o lançamento do F-Zero GX que a série atingiu o seu clímax, a meu ver: a jogabilidade frenética, os circuitos caóticos e a fluidez de F-Zero X estão ali presentes, mas com uma melhoria gráfica fantástica. Só fica mesmo a perder pela banda sonora que, apesar de ter alguns influências rock e electrónica, está longe do surpreendente heavy metal de F-Zero X.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Nintendo 64)

Foi durante a quinta geração de consolas em que houve uma maior transição dos videojogos 2D para o 3D, pois o hardware já o permitia sem um grande número de restrições. E se por um lado jogos de corrida eram perfeitos candidatos para jogos em 3D, noutros géneros de jogos muitas das suas mecânicas tiveram de ser repensadas. Creio que é seguro dizer que, de todas as empresas, a Nintendo foi a mais cuidadosa em transpor as suas franchises clássicas do 2D para o 3D. O Lylat Wars era uma evolução natural do Starwing, Super Mario 64 apresentava uns controlos que por si já são a base dos controlos de jogos de plataformas que usamos hoje em dia, Metroid esteve muito tempo ausente até ao fantástico Metroid Prime lançado na geração seguinte. The Legend of Zelda teve como sucessor este fantástico Ocarina of Time que teve cerca de 3 anos em desenvolvimento. O meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado algures em 2015 numa das minhas idas à Feira da Ladra em Lisboa. Na altura custou-me cerca de 2.5€. Também o tenho na compilação para a Gamecube Zelda Collector’s Edition, versão essa que foi a usada para o terminar.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Na altura em que o jogo foi lançado, este era considerado uma prequela de todos os outros The Legend of Zelda que tinham saído até então. É aqui que temos alguma informação de como o mundo de Hyrule foi criado por três Deusas e que existe uma outra dimensão, o Sacred Realm, que alberga a TriForce, um artefacto mágico incrivelmente poderoso que dará super poderes a quem o conseguir alcançar. Invariavelmente controlamos Link, onde começamos a jogar na sua infância, quando Link vivia na comunidade Kokiri, crianças que habitam a floresta de Hyrule. Mas Link é um rapaz diferente dos Kokiri (que nunca envelhecem), Link nunca teve uma fada companheira, como todos os seus amigos. Até ao dia em que começamos a nossa aventura, claro, é aí que entra a Navi em acção, uma pequena fada que nos irá acompanhar ao longo de todo o jogo. Navi junta-se a Link a pedido da Deku Tree, uma idosa e sábia árvore que controla a floresta dos Kokiri que foi envenenada e cabe-nos a nós tentar salvá-la, entrando assim na primeira dungeon do jogo.

As canções que aprendemos a tocar são uma parte importante no jogo, principalmente em algumas sidequests mais obscuras

No final dessa dungeon, a Deku Tree pressente mesmo que algo de muito mau está para a acontecer e é aí que vamos explorando o resto de Hyrule, onde acabamos também por conhecer uma pequena princesa Zelda, que está também com muito receio do que poderá vir a acontecer. Isto porque Ganondorf, príncipe da raça Gerudo, está de visita a Hyrule e aparentemente não com muito boas razões. Entretanto coisas acontecem, Ganondorf acaba mesmo por invadir Hyrule e quando descobrimos a Master Sword, somos transportados 7 anos para o futuro, onde Link, já um jovem adulto, terá de libertar Hyrule da opressão do seu tirano.

No fundo, na sua essência, este jogo mantém a jogabilidade básica dos The Legend of Zelda que lhe precederam. Ou seja, não deixa de ser um jogo com mundo aberto que teremos de explorar, com várias dungeons para cobrir, onde teremos vários puzzles para resolver e bosses para defrontar. Vamos descobrindo vários novos itens que podemos assigná-los a botões faciais do comando da N64 e usá-los quando bem nos apetecer, a diferença é que agora temos mais botões disponíveis e podemos ter mais coisas equipadas ao mesmo tempo. Objectos como uma fisga (ou arco e flecha na fase adulta), um gancho que nos permite apanhar objectos que estejam fora do nosso alcance ou mesmo propulsionar-nos até lá, garrafas que podem ter poções mágicas, fadas ou outras coisas, entre muitos outros objectos que vamos encontrando. Mas claro, a maior diferença está mesmo na passagem do 2D para o 3D.

O Z-Targetting é muito importante para deixar o combate mais fluído e técnico

Ao contrário de Mario 64, onde temos um controlo total da câmara, aqui ainda não é totalmente assim, mas por outro lado temos o Z-Targetting, que se revela muito útil. Com recurso ao botão Z, podemos “trancar” a câmara sempre no mesmo inimigo, o que nos facilita imenso o combate, pois conseguimo-nos mover sempre em relação ao inimigo que estamos “trancados”, permitindo assim um melhor combate onde nos possamos esquivar ou flanquear os inimigos e atacá-los nos seus pontos fracos. Isto sim, foi uma mecânica de jogo muito interessante para jogos de acção em 3D e que aliás, ainda se usa bastante em jogos de acção na terceira pessoa na actualidade. Depois temos a imensidão de sidequests em que podemos participar, onde poderemos ser recompensados com mais heart containers que nos aumentam a barra de vida, upgrades à nossa carteira, ou ao número de bombas, flechas, sementes entre outros objectos que podemos carregar. Há mesmo muita coisa para descobrir para quem quiser completar o jogo a 100%.

Lutar contra bosses nunca mais foi o mesmo, eles agora são épicos!

No que diz respeito aos audiovisuais, é um bom jogo para a Nintendo 64. Por um lado temos personagens com um número considerável de polígonos, por outro lado, tal como infelizmente é habitual na Nintendo 64 devido à pouca capacidade de armazenamento de um cartucho, as texturas não tão boas quanto o resto, o que é pena. O facto de jogar na Gamecube, cuja versão possui uma resolução que é o dobro da original, melhora um pouco as coisas nesse aspecto. Depois algumas zonas, como é o caso da cidade de Hyrule ou o interior de algumas casas, possuem cenários completamente pré-renderizados e de câmara fixa, mas uma vez mais com uma qualidade muito pobre quando comparado como o que víamos em cenários pré-renderizados noutras consolas da época. Mas tirando esses temas, frutos das limitações técnicas da consola, a Nintendo até que fez um óptimo papel, ao apresentar um mundo de Hyrule bastante diversificado e com dungeons que transitaram muito bem para o 3D, com puzzles inteligentes e um bom design. Claro que o Water Temple é uma dor de cabeça, mas faz parte do desafio!

Por vezes deparamo-nos com alguns cenários pré-renderizados e estáticos

No que diz respeito ao audio, naturalmente este jogo não possui voice acting a não ser pequenas vozes como o “Hey! Listen!” da Navi sempre que nos quiser dizer alguma coisa. Mas na verdade a música é uma parte muito importante no jogo, pois desde cedo que ganhamos uma Ocarina e vamos aprender várias melodias, que teremos de as usar várias vezes ao longo do jogo. As músicas acabam por ser uma extensão das melodias que vamos aprendendo, embora de uma forma muito mais contida, pois o jogo tenta sempre ter um ambiente mais cinemático e a música acaba por ficar muitas vezes em plano de fundo, a criar a atmosfera certa.

Temos imensas sidequests pela frente, até pescar no lago Hylia!

É escusado dizer que o jogo foi um enorme sucesso na crítica, sendo considerado por muitos como uma obra prima e um dos videojogos mais influentes do seu tempo. No Japão não demorou muito a receber um update, para o sistema Nintendo 64 DD que infelizmente nunca saiu de terras nipónicas. Conhecido por cá como The Legend of Zelda Master Quest, é uma espécie de remix do jogo original, com dificuldade acrescida e dungeons alteradas. Essa versão foi depois disponibilizada na Gamecube em todo o mundo, como um bónus nas primeiras versões do Wind Waker. A versão normal foi depois também relançada para a Gamecube, na já falada Collectors Edition com a vantagem de estar numa maior resolução. Com o lançamento da Nintendo 3DS, foi feito um novo remake, desta vez adaptando o jogo para a tecnologia 3D da portátil da Nintendo. Sinceramente essa versão ainda não a joguei, mas pelo pouco que vi, pareceu-me visualmente um pouco mais apelativa. Mas o que interessa é: seja em que versão for, este é mesmo um jogo a não perder!

Virtual Chess 64 (Nintendo 64)

Vamos agora para uma super rapidinha a um jogo que pouco teve a oportunidade de aquecer a minha Nintendo 64. Virtual Chess 64, tal como o nome indica é um jogo de xadrês e eu não sei jogar xadrês, daí não ter perdido lá muito tempo com ele, apesar do mesmo possuir um modo tutorial até bem interessante. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês de Abril a um particular, tendo-me custado 12€ se bem me lembro. Comprei-o mais pela curiosidade de ser um título da Titus do que por outra coisa!

Jogo com caixa e papelada

Portanto… um jogo de xadrês que pode ser jogado com tabuleiros em 2D ou inteiramente em 3D. Possui algumas funcionalidades “cómicas”, na medida em que podemos alternar a temática dos tabuleiros, trocando as peças por animais ou personagens heróicas contra demonícacas. Se jogarmos com tabuleiros em 3D, e a opção das cutscenes estiver activada, sempre que uma peça elimina outra, temos direito a uma pequena cutscene bem humorada a mostrar precisamente esse combate.

Temos vários níveis de inteligência artificial para escolher.

No que diz respeito ao tutorial, sinceramente não o cumpri todo por falta de paciência, mas fiquei a saber muito mais de xadrês do que sabia antes de lhe ter pegado, pois possui um modo tutorial muito extenso, explicando todas as regras do jogo, algumas jogadas básicas e sempre de uma forma interactiva que nos obriga a pensar e agir. Gostei bastante desta parte, e garantidamente hei-de voltar ao jogo no futuro só para fazer o tutorial completo. De resto, jogando contra o computador podemos definir vários níveis de inteligência artificial, o que nos pode dar muitos problemas pois em níveis avançados de dificuldade e em situações mais complexas, o CPU pode demorar horas até tomar uma decisão.

Visualmente estamos perante um jogo simples

No que diz respeito aos audiovisuais, as cutscenes até que são engraçadas, mas felizmente que temos a opção para desactivá-las permanentemente, ou assim que as virmos pelo menos uma vez. Poderia no entanto haver uma maior variedade de temáticas e cutscenes, o que não acontece. De resto é um jogo de xadrez, não estava à espera de gráficos propriamente espectaculares, a não ser uma maior variedade de “temáticas” de tabuleiros. As músicas são poucas e são bastante calmas, passando algo despercebidas. Mas uma vez mais, não estava à espera de mais e nem seria suposto, pois este é um jogo que requer concentração.

A menos que desactivemos essa opção, cada vez que uma peça é eliminada temos direito a uma cutscene com algum humor

Portanto este Virtual Chess 64 até que acabou por me surpreender pela positiva devido ao seu tutorial bastante completo e interactivo. É provável que existam muito mais jogos de xadrez com a mesma funcionalidade, mas sinceramente é algo que desconheço.

F-1 World Grand Prix (Nintendo 64)

Continuando pelas rapidinhas pois infelizmente o tempo não tem dado para mais, o jogo que vos trago cá agora é um jogo de Fórmula 1 para a Nintendo 64. F-1 World Grand Prix foi desenvolvido pela Videosystem, uma empresa que já possuia algum histórico no desenvolvimento de jogos do género, tanto nas arcades como para a Super Nintendo. Este F-1 World Grand Prix foi algo revolucionário para a altura em que saiu, visto introduzir alguns elementos de simulação e por ser uma boa recriação do campeonato de F1 de 1997. O meu exemplar foi comprado algures em 2015 se a memória não me falha, num bundle para a Nintendo 64 que arranjei na Feira da Ladra, onde cada jogo me ficou a cerca de 3€.

Jogo com caixa, manual e papelada

O jogo possui uma licença da FIA, pelo que poderemos participar no modo Season com todas as equipas, pilotos e circuitos participantes nessa temporada. A excepção à regra está para o Jacques Villeneuve da Williams, que não cedeu os seus direitos de imagem para o jogo, sendo substituido por um piloto anónimo, mas em tudo igual ao piloto canadiano. Ao longo deste modo carreira, vamos poder participar em voltas de treino e qualificação antes da corrida a sério, sendo que podemos também customizar uma série de parâmetros no carro, incluindo o tipo de pneus, a quantidade de combustível ou o ângulo da asa, a suspensão, entre outros. Durante as corridas, temos também de ter atenção ao estado do carro e combustível restante, pelo que teremos que ir às boxes e também ter esse tempo de manutenção em conta.

Entre cada corrida podemos mudar os parâmetros de várias partes do carro

Para além do modo campeonato temos outros modos de jogo como o single race e time trial que dispensam apresentações, bem como uma versão multiplayer em split screen para 2 jogadores. É pena não dar para 4, mas talvez fosse demais para a pobre Nintendo 64 suportar. De resto temos ainda o modo Challenge que é bastante interessante. Tal como o nome indica, são-nos apresentados diversos desafios que temos de superar, como vencer uma determinada corrida com um piloto e carro mais fracos.

Visualmente era um jogo impressionante para a Nintendo 64, com a apresentação muito similar ao que víamos na TV

A nível audiovisual era um jogo muito impressionante para a sua altura. Isto porque o grafismo era practicamente idêntico às transmissões televisivas da prova, incluindo até os patrocinadores nas indicações visuais, como a TAG Heuer nos tempos. Os gráficos eram bastante realistas para o que a Nintendo 64 poderia apresentar, que tipicamente apresenta texturas fracas e um campo de visão algo reduzido. Aqui esses problemas não são assim tão notórios quanto isso. Existem ainda bastantes diálogos com a nossa box ao longo do jogo e os efeitos sonoros também não deixam nada a apontar. O jogo foi convertido nos anos seguintes para a Dreamcast, Playstation e PC, que naturalmente hão-de ter as suas vantagens, mas sinceramente nunca as joguei.

Portanto, para quem gostar de jogos de fórmula 1 nas consolas, este é sem dúvida um dos melhores da sua geração e também na Nintendo 64, que no ano seguinte recebeu uma sequela que acredito ser igualmente boa.

Pokemon Puzzle League (Nintendo 64)

A rapidinha que vos trago hoje leva-nos de volta à Nintendo 64, para um puzzle game baseado no anime de Pokémon e no puzzle game Panel de Pon, mas que curiosamente não saiu no Japão (geralmente é ao contrário). E se por um lado já cá trouxe o Pokemon Puzzle Challenge da Gameboy Color, este possui as mesmas mecânicas de jogo, mas possui muitos mais modos de jogo. O meu exemplar foi comprado algures durante o ano passado, numa loja do Porto como new old stock. Ficou-me por 5€.

Jogo com caixa, manuais e papelada

O Panel de Pon é um daqueles puzzle games com blocos coloridos, onde o objectivo é formar linhas de 3 ou mais blocos da mesma cor, fazendo-os desaparecer até que eventualmente consigamos limpar toda a área de jogo. E podemos alterar a ordem dos blocos através de um cursor que nos permite seleccionar 1 ou 2 blocos juntos horizontalmente e trocá-los de posição. Se seleccionarmos apenas um bloco, então o mesmo é arrastado para fora da coluna onde está, fazendo a gravidade entrar em acção, fazendo cair todos os outros blocos adjacentes. Nos vários modos de jogo, o objectivo passa também por fazer o maior número de combos e chains, ao limpar vários conjuntos de blocos coloridos de forma sequencial.

As mecânicas de jogo são fáceis de se aprender e como é normal neste tipo de jogos são bastante viciantes

O modo principal de jogo, 1P Stadium, coloca-nos no papel de Ash a combater outros treinadores de Pokemon, sendo uma espécie de homenagem à primeira temporada do anime, onde lutaremos contra os líderes dos diferentes ginásios de Kanto, a Elite Four, o campeão em título e eventualmente somos interrompidos por outras personagens como a Team Rocket. No entanto nem todos os oponentes estão disponíveis de início, isso depende do nível de dificuldade seleccionado, que quanto maior for, maior o número de oponentes que teremos de enfrentar. Temos também o 2P Stadium, que como o nome indica é uma versão multiplayer.

Temos também uma vertente 3D onde a única coisa que muda é mesmo a àrea de jogo que passa a ser um cilindro

Depois dispomos de uma série de outros modos de jogo, como o Spa Service, que é uma espécie de Time Attack, onde temos de limpar uma série de blocos até uma determinada linha de água, no menor tempo possível. Temos também os Marathon 2D e 3D, onde jogamos até alcançarmos um limite definido de pontos. O Time Zone é semelhante, mas temos um tempo limite para alcançar esses pontos. Por fim, aquele que dá mais trabalho é possivelmente o Puzzle University, que nos apresenta desafios cada vez mais complexos. Basicamente teremos alguns de blocos no ecrã e um número reduzido de movimentos disponíveis para os fazer desaparecer.

Uma das coisas que podemos fazer é desbloquear os perfis das personagens que derrotamos no modo principal

 

Como se não fosse suficiente, existem também tutoriais que nos ensinam as mecânicas de jogo e outros modos de treino para melhor practicar. De resto ficou-me apenas faltar referir as variantes 3D de alguns dos modos de jogo. No modo 3D a área de jogo deixa de ser um plano para passar a ser um cilindro, onde acabamos por ter muitos mais blocos para limpar, mas também não é verdadeiramente 3D, pois não temos de nos preocupar com profundidades e afins.

A nível audiovisual é um jogo competente. As músicas são agradáveis e a sua maioria são retiradas do anime. A nível gráfico não há nada a apontar dado a natureza simplista do jogo. Os fundos são retirados dos animes, com algumas cutscenes ocasionais. Nada de extraordin´rio, mas também não era necessário muito mais para o tipo de jogo que é.