Professor Layton and the Azran Legacy (Nintendo 3DS)

Já há bastante tempo que não trazia cá nada da Nintendo 3DS (o último artigo foi publicado em Abril de 2023, quase 2 anos, portanto) pelo que nas últimas semanas decidi pegar neste Professor Layton and the Azran Legacy e ir jogando-o aos poucos, um puzzle de cada vez. E este acaba por ser o jogo que fecha mais uma trilogia desta série, que por sua vez funciona como prequela à trilogia original da Nintendo DS. O meu exemplar foi comprado algures em 2022 na Mr. Zombies, tendo-me custado já uns 34€, o que já foi bem mais caro do que gostaria. Mas infelizmente o preço do jogo tem continuado a subir ao longo dos anos, pelo que aos preços de hoje nem foi mau negócio.

Jogo com caixa, um pequeno manual e papelada diversa (com mais conteúdo que o manual, enfim…)

E tal como os restantes títulos da série Professor Layton, este combina elementos de aventura com uma vasta colecção de puzzles dos mais variados tipos, tudo envolto numa narrativa leve e enriquecido por um estilo artístico inconfundível, reminiscente de certos clássicos da animação e banda desenhada europeia. Professor Layton and the Azran Legacy encerra uma trilogia que serve prequela da saga original, decorrendo um ano após os eventos de Professor Layton and the Miracle Mask. Desta vez, o mistério volta a abordar a antiga civilização fictícia dos Azran, assim como o confronto com a Targent, uma organização criminosa que procura desvendar os segredos desse povo para aumentar o seu poder.

O ecrã de baixo é táctil e na fase de exploração é através do mesmo onde podemos mover entre diferentes cenários ou interagir com os mesmos, depois de tocar no ícone da lupa no canto superior direito

O jogo mantém as mesmas mecânicas dos seus predecessores, onde para avançarmos na história temos de explorar diferentes cenários, interagir com personagens e resolver puzzles. Muitos destes desafios são opcionais, mas existem momentos em que o progresso fica condicionado a um número mínimo de puzzles resolvidos. E há quebra-cabeças que realmente nos fazem pensar, mas, com uma exploração cuidada dos cenários, podemos encontrar hint coins, que servem para comprar dicas sobre como resolvê-los. No entanto, estas moedas são limitadas, pelo que convém usá-las com critério. Embora não haja qualquer penalização em recorrer às dicas, cada tentativa falhada reduz a pontuação final do puzzle. Um dos aspectos que mais apreciei foi a inclusão de puzzles com maior interactividade e até alguns segmentos de acção, ainda que estes últimos se limitem ao início do jogo.

Há aqui uma maior variedade de cenários a explorar, com mecanismos de fast travel entre os mesmos

À medida que avançamos na história e exploramos os diferentes cenários, desbloqueamos também vários mini-jogos acessíveis através do menu de pausa. Um deles é Nut Roller, onde temos de lançar pedras para desbloquear caminhos, de modo a encaminhar uma noz até um ponto específico. Depois há o Bloom Burst, que consiste em posicionar flores em locais estratégicos para garantir que florescem sem serem afectadas por cogumelos parasitas. Já o Dress Up é um mini-jogo peculiar onde temos de criar conjuntos de roupa feminina, atendendo às preferências das clientes e às peças disponíveis, que se vão desbloqueando à medida que resolvemos puzzles. Este último parece algo deslocado no contexto do jogo, especialmente considerando que os conselheiros de moda são Layton e o pequeno Luke, que dificilmente imaginaríamos nesse papel. Por fim, há ainda uma série de desafios que utilizavam o serviço StreetPass, mas que não explorei. Para além de a minha 3DS raramente sair de casa, a probabilidade de encontrar alguém na rua com uma 3DS actualmente é bastante reduzida, pelo que não me posso alongar sobre este modo.

Para além dos típicos puzzles podemos também desbloquear uma série de diferentes mini jogos

A nível audiovisual, Professor Layton and the Azran Legacy mantém a excelência dos seus predecessores. Desde o primeiro jogo que me fascina a direcção artística desta série, com o seu estilo visual inspirado na animação clássica europeia, que se encaixa na perfeição na atmosfera dos anos 50/60, período em que a história aparenta decorrer. Este título, em particular, destaca-se pela grande variedade de cenários, já que nos permite viajar de avião entre diferentes locais do globo em busca de ruínas e artefactos da civilização Azran. O voice acting, sempre que presente, é impecável, com um sotaque britânico que complementa na perfeição o tom das personagens e da narrativa. A banda sonora segue a linha característica da série, com composições melódicas e refinadas que evocam um certo charme nostálgico, repleto de instrumentos acústicos como piano e acordeão.

Portanto esta foi mais uma agradável experiência no universo Professor Layton, que acabou por ficar algo esquecido nos últimos anos. Supostamente teremos este ano um novo capítulo na série, intitulado de Professor Layton and the New World of Steam. Para já anunciado para a Nintendo Switch, mas não me admiraria nada se fosse lançado para a sua sucessora também. Antes disso, no entanto, ainda tenho mais dois jogos desta série para pegar e o próximo conto jogá-lo ainda neste ano, o crossover Professor Layton vs Phoenix Wright, também originalmente lançado para a Nintendo 3DS. Muito curioso com esse!

Mario Kart 7 (Nintendo 3DS)

Recentemente tenho jogado, de forma algo ocasional, o Mario Kart 8 na WiiU com a minha namorada. É um jogo super divertido e que nos faz questionar se valerá a pena voltar a jogar os antigos, principalmente com a versão da Nintendo Switch e todo o conteúdo adicional que traz. Mas confesso que este Mario Kart 7 foi também uma excelente surpresa pois traz muitas das mecânicas de jogo que eu erradamente assumi que tinham sido introduzidas apenas no seu sucessor. O meu exemplar já foi comprado há uns bons anos atrás, não consigo precisar ao certo quando, onde, muito menos quanto terá custado mas recordo-me que foi bem barato numa altura em que a 3DS ainda tinha presença no mercado.

Jogo com caixa e bastante papelada. Um manual a sério é que era…

Mas o que trouxe este jogo de realmente novo para a fórmula então? O aspecto mais notório é mesmo o facto de agora os karts darem uma de transformers e podem activar uma hélice ou asas, permitindo-nos assim correr também de baixo de água ou até planar suavemente pelos ares. Muitos dos circuitos (incluindo alguns antigos) têm trechos aéreos ou subaquáticos e só isso já dá uma grande vida nova à fórmula, sem contar com todos os restantes obstáculos e o caos de todos os power ups a serem usados em cada corrida. Os karts têm agora também uma maior customização. Para além de cada personagem possuir nativamente diferentes características, podemos agora seleccionar diferentes carroçarias, pneus e asas que por sua vez também irão afectar os stats do kart. De resto temos também novas personagens, circuitos ou power ups.

Para além de cada personagem ter as suas características, podemos agora também customizar vários aspectos do seu carro

No que diz respeito aos modos de jogo, devo já dizer que nem sequer experimentei nenhum modo multiplayer, quer local, quer online. Já nos modos single player temos como é habitual o Grand Prix, que por sua vez possui 8 campeonatos distintos de 4 corridas cada. 4 destes campeonatos possuem apenas circuitos inéditos, enquanto que a restante metade é composta por adaptações de circuitos antigos de qualquer uma das versões lançadas até à data (SNES, N64, GBA, GC, Wii ou DS). Todas estas corridas podem ser realizadas em diferentes cilindradas que correspondem também ao grau de dificuldade. É competindo neste modo que iremos desbloquear muitas das peças customizáveis que referi acima, assim como personagens adicionais (se bem que para estas últimas temos de vencer campeonatos na dificuldade máxima). Para além do Grand Prix temos t ambém o Time Trial que é usado para tentar obter os melhores tempos possível, assim como o battle mode, aqui dividido entre o tradicional Balloon Battle (modo death match onde temos de rebentar todos os balões dos carros adversários) e o Coin Battle (introduzido originalmente no Mario Kart Wii) onde o objectivo é o de coleccionar mais moedas que os oponentes.

O ecrã de baixo mostra-nos as posições de cada um na corrida, e um mapa da pista com a localização de toda a gente e até dos power ups disparados!

Graficamente é um jogo muito competente. Como é habitual, os circuitos vão sempre buscar alguma coisa do Mushroom Kingdom, sejam locais já tão familiares como os castelos do Bowser ou os jardins verdejantes do Mario 64, enquanto outros são inspirados noutros universos Nintendo, como as selvas do Donkey Kong ou a ilha tropical de Wuhu (Wii Fit, Wii Sports Resort, etc). Ainda assim achei os cenários muito bem detalhados e a acção sempre fluída, o que me fez apreciar melhor o hardware desta portátil da Nintendo. O facto de também incluir pistas antigas (apesar de não ser propriamente uma novidade) é também muito benvindo e a 3DS até se safou bem ao trazer cá pistas da GameCube inclusivamente. Por outro lado as pistas de SNES e GBA não têm o mesmo nível de detalhe como seria de esperar. Já no que diz respeito ao som nada de especial a apontar. É a qualidade habitual da Nintendo no que diz respeito aos videojogos do universo Mario!

Tal como nos MK anteriores poderemos desbloquear algumas pistas antigas, incluindo de Super Nintendo

Portanto este Mario Kart 7 até que me impressionou bastante. Tal como referi logo no início deste artigo, tenho vindo a jogar de forma casual o Mario Kart 8 (qualquer dia também escrevo algo sobre ele) e esse jogo é tão divertido que acharia muito difícil voltar a jogar e apreciar algum dos seus antecessores. Mas muitas das “novidades” ali introduzidas afinal já aqui existiam e a 3DS portou-se muito bem ao correr o jogo também!

Professor Layton and the Miracle Mask (Nintendo 3DS)

A série Professor Layton foi das que mais gostei de jogar na Nintendo DS. Apesar de ser direccionada para um público casual pois a sua jogabilidade está inteiramente assente na resolução dos mais variadíssimos puzzles que possam imaginar, a sua direcção artística e valores de produção no geral sempre foram fantásticos, especialmente considerando o hardware mais limitado onde corriam. Este Professor Layton and the Miracle Mask é o quinto jogo da saga, segundo da segunda trilogia e o primeiro a sair para a Nintendo 3DS, algures em 2012. O meu exemplar sinceramente já não me recordo nem quando, nem onde o comprei, mas lembro-me que não foi caro.

Jogo com caixa, papelada e um extenso manual. Algo raro na 3DS, muito menos um manual europeu a cores

A segunda trilogia de Layton é uma prequela à trilogia original, iniciando-se 3 anos antes dos eventos de Professor Layton and the Curious Village. Neste Miracle Mask encarnamos uma vez na equipa liderada pelo Layton, professor de arqueologia, Emmy, sua assistente e o jovem Luke, seu aprendiz. Após Layton receber um pedido de ajuda de Angela, sua amiga de infância, estes deslocam-se à metrópole de Monte D’Or, uma cidade erguida do nada no meio do deserto e que muito tem vindo a enriquecer ao longo dos anos. Mas esse progresso corre sérios riscos de ruir, com o aparecimento do “Masked Gentleman”, um vilão que aparentemente teria cometido vários “milagres” de maneira cada vez mais espalhafatosa, como transformar pessoas aleatórias em estátuas, tal como presenciamos assim que chegamos pela primeira vez à cidade. Muitos das mais ilustres figuras de Monte d’Or são também velhos conhecidos de Layton, pelo que invariavelmente a trama estará ligada a vários acontecimentos do seu passado. Para além de explorar essa cidade, teremos alguns capítulos específicos que já decorrem no passado e na pequena aldeia de Stansbury, onde controlamos um Professor Layton bem mais jovem.

A componente de aventura obriga-nos a explorar bem todos os cenários e falar com todas as personagens que nos aparecem

No que diz respeito à jogabilidade, a sua essência mantém-se muito semelhante à dos seus predecessores. Temos portanto aquela componente de aventura onde iremos explorar os mais variados cenários, falar com diversas personagens e clicar em vários locais aleatórios em busca de alguns segredos como as hint coins ou puzzles escondidos. Invariavelmente para progredir na história teremos de resolver toda uma série de puzzles que tanto podem ser mais baseados em lógica e a sua solução por processo de eliminação, outros mais interactivos onde teremos de manobrar diferentes objectos para chegar à solução, por exemplo. Já não jogava um Professor Layton desde o Spectre’s Call que o joguei algures em 2013 e devo dizer que ou eu estou completamente destreinado para estes puzzles, ou achei muitos deles bem mais desafiantes que os jogos anteriores. De qualquer das formas, mediante as hint coins que poderemos vir a descobrir poderemos também activar uma série de dicas que nos podem ajudar a resolver todos esses puzzles. E apesar de a esmagadora maioria dos puzzles serem opcionais, ou seja, apenas são activados quando falamos com alguém ou interagirmos com certos objectos nos cenários, existem vários checkpoints ao longo da história onde o nosso progresso no jogo é travado se não tivermos resolvido um número mínimo de puzzles.

Alguns dos puzzles obrigam-nos mesmo a pensar fora da caixa!

Para além de todos esses puzzles, existem também uma série de mini-jogos que iremos desbloquear e que são inteiramente opcionais. Um deles consiste em treinar um coelho de circo, ensiná-lo vários truques e usar essas acções que ele aprende em várias pequenas peças de teatro. Noutro temos de organizar objectos numa prateleira de loja, de forma a que quando um cliente compre um item, seja “encorajado” a comprar todos os outros. Outro ainda são os circuitos onde teremos de guiar, em segurança, um robot mecânico para a sua saída. E claro, mesmo depois de terminarmos o jogo, poderemos desbloquear toda uma série de puzzles adicionais, alguns que requerem que terminemos também os mini jogos mencionados acima, bem como os tais puzzles diários, que seriam 365 puzzles adicionais que seriam desbloqueados diariamente. Existe muito conteúdo neste jogo para quem o quiser completar ao 100%.

O que não falta é conteúdo adicional como diversos mini jogos diferentes

No que diz respeito aos gráficos, na sua essência este jogo mantém a excelência das suas animações que muito me fazem lembrar as animações clássicas de filmes europeus, embora se note um ou outro traço mais anime. Para além das várias cutscenes bem animadas e acima de tudo, diálogos narrados com um sotaque britânico exemplar, durante o jogo em si também poderemos ver algumas animações com as personagens modeladas em 3D. A Nintendo 3DS é um sistema mais capaz que o seu antecessor neste aspecto e, apesar de eu preferir de longe os visuais mais 2D (que mesmo assim resultam bem quando ligamos o efeito 3D do sistema), visto que os modelos 3D poligonais mantêm na mesma aquele aspecto de desenho animado, acabam por ser também satisfatórios. A música é uma vez mais também muito bem conseguida, com a banda sonora a ser bastante eclética e as músicas a manterem aquele feeling europeu dos anos 50/60.

As animações felizmente continuam excelentes!

Portanto este pareceu-me mais um óptimo jogo da série Professor Layton. A maneira como a série está montada é perfeita para pequenas sessões de jogo e irmos resolvendo um ou outro puzzle de cada vez. E para quem o jogar assim, apenas em sessões curtas, será mesmo um jogo bem duradouro pois teremos 150 puzzles ao todo, mais uma série de mini-jogos para explorar. A história é interessante com vários mistérios para desvendar e uma vez mais a narrativa e apresentação audiovisual estão excelentes. Fico contente por a Level-5 estar finalmente a trabalhar num novo jogo da série! Enquanto esse ainda não sai para o mercado, tenho ainda mais uns quantos para explorar na 3DS.

Metroid: Samus Returns (Nintendo 3DS)

De volta à portátil Nintendo 3DS para um remake de um clássico. Produzido pela MercurySteam, um estúdio espanhol que trabalhou em alguns títulos como os Castlevania Lords of Shadow, a ideia tinha começado por a equipa desenvolver um remake do Metroid Fusion. A Nintendo rejeitou a ideia, no entanto confiou antes à equipa que desenvolvessem um remake do Metroid II da Game Boy clássica em cooperação com a própria Nintendo. E o resultado acabou por se tornar bastante bom! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2017 numa Fnac, creio que na altura de lançamento. Custou-me cerca de 70€, sendo a edição de coleccionador que inclui uma série de extras, incluindo um exemplar digital do próprio Metroid II.

Edição Legacy com caixa exterior de carão, caixa normal, steelcase, artbook, banda sonora, papelada diversa e outros brindes

A história segue a mesma trama da versão original: Após os acontecimentos do primeiro Metroid, onde os Space Pirates os usaram (metroids) para atingir fins nefastos, a nova missão de Samus Aran é simples: viajar até ao planeta SR-388, o planeta nativo das misteriosas criaturas, e exterminá-los a todos para que não possam mais ser usados por mãos erradas. A história sempre me pareceu um pouco overkill, dizimar toda uma espécie de seres vivos, mas é o que é. Se terminarmos o jogo com 100% dos segredos descobertos, desbloqueamos também uma galeria de arte que desvenda um pouco mais do que terá acontecido naquele planeta, por intermédio da raça dos Chozo, muito antes da chegada de Samus. E faz também uma ponte com o Metroid Fusion!

Uma das novidades aqui introduzidas foi a inclusão de um botão de melee, que pode ser usado para contra-atacar investidas inimigas, deixando-os temporariamente vulneráveis

De resto este é um Metroid em 2D como bem poderíamos esperar, onde temos todo um mundo para explorar e à medida que avançamos no jogo iremos também adquirir novas habilidades que não só nos darão acesso a novas áreas, mas também serão necessárias para desbloquear segredos em zonas que já tenhamos visitado anteriormente. Há portanto um grande foco na exploração, mas também na acção, pois ao longo de todo o jogo teremos várias criaturas para combater, particularmente os metroids, tendo sido o Metroid II o primeiro jogo da série onde veríamos os vários estágios de gestação e evolução destas misteriosas criaturas, desde a sua forma inicial parecida com uma alforreca, avançando para formas cada vez mais reptilianas e agressivas.

Tal como na versão original, iremos encontrar vários Metroids em diferentes estágios de evolução, cada vez mais reptilianos e agressivos

Mas se por um lado a essência do Metroid II está aqui representada, há também muito de diferente neste remake. O mapa é muito maior, mais variado entre si a nível audiovisual e acima de tudo mais complexo e menos linear para se navegar. Novos power ups e habilidades foram introduzidas. Por um lado itens presentes em jogos mais recentes e que não estavam incluídos no Metroid II como os Super Missiles, Power Bombs, Charge Beam ou Grapple Beam. Por outro teremos habilidades inteiramente novas como a possibilidade de usar o “analógico” para apontar e disparar em 360º ou o botão X para usar um golpe melee, ideal para contra-atacar investidas de inimigos, deixando-os temporariamente vulneráveis ao nosso fogo. As habilidades Aeion foram também aqui introduzidas, vão sendo desbloqueadas à medida em que vamos avançando no jogo, dão-nos habilidades completamente distintas, mas que usam um combustível próprio sempre que sejam activadas. A primeira que desbloqueamos é um scanner que faz uma espécie de ping de sonar à nossa volta, desvendando um pouco o mapa de zonas que não tenhamos ainda entrado, mas principalmente para localizar superfícies frágeis e que podem ser destruídas com mísseis, bombas ou screw attacks, que por sua vez poderão ser utilizadas para alcançar alguns locais secretos e com power ups escondidos. A segunda é um escudo que absorve dano, a terceira é um modo rapid-fire, onde inclusivamente alguns inimigos apenas podem ser destruídos dessa forma. A última é uma habilidade que abranda tudo à nossa volta e será necessária para resolver alguns puzzles, particularmente os que envolvem blocos e superfícies destrutíveis mas que se regeneram passado pouco tempo.

O ecrã de baixo serve também para, tactilmente, equiparmos os diferentes tipos de armas: normais, gelo e grapple (gancho)

A nível gráfico o jogo também recebeu um grande upgrade, como seria de esperar. Mas não foi apenas uma transição de gráficos monocromáticos para coloridos. Tal como referi acima, o mapa foi fortemente expandido, com os cenários a sofrerem muitas mudanças também. Para além de cavernas, poderemos encontrar também inúmeras ruínas dos Chozo, bem como os restos mortais das equipas da federação galáctica que nos antecederam. Os gráficos em si estão representados em 3D poligonal com um bom nível de detalhe, tendo em conta as limitações da plataforma, embora a jogabilidade se mantenha na mesma em 2D como nos clássicos. O som continua excelente tal como é habitual nos Metroid, com várias músicas conhecidas a receberem alguns novos remixes, mas que continuam a contribuir para a atmosfera soturna e claustrofóbica que sempre caracterizaram esta série.

Outra das novidades do remake foi a inclusão de vários power ups que originalmente só tinham sido introduzidos no Super Metroid em diante

Portanto este Metroid: Samus Returns acaba por se tornar num remake muito interessante e a MercurySteam está de parabéns. Para além de todo o upgrade audiovisual, expansão do mapa a explorar e introdução de power ups que originalmente apenas haviam sido introduzidos no Super Metroid em diante, o estúdio espanhol, em cooperação com a Nintendo, implementou também uma série de outras mecânicas de jogo adicionais que acredito que tenham sido também utilizadas no Metroid Dread, da Switch, que também teve a mão da MercurySteam no seu desenvolvimento. E esse será

Heroes of Ruin (Nintendo 3DS)

Publicado pela Square Enix, mas desenvolvido pela N-Space (o mesmo estúdio que desenvolveu o Geist da GameCube e trabalhou em inúmeras conversões de títulos ocidentais, muitos deles para a própria Nintendo DS), eis que em 2012 lançam este Heroes of Ruin. Um action RPG muito similar nas suas mecânicas de jogo a títulos como o Diablo, e também possuiu um grande foco numa vertente multiplayer cooperativa, podendo ser jogado com até 4 jogadores em diversas formas, online ou por rede local. Naturalmente que o joguei sozinho, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado numa CeX na zona do Porto algures em Dezembro de 2017, tendo-me custado cerca de 5€ após ter feito umas trocas.

Jogo com caixa e imensa papelada inútil… era muito melhor um manual.

A história leva-nos ao reino de Nexus, onde o seu guardião, uma esfinge chamada Ataraxis está às portas da morte. Nós somos então contratados pela coroa lá do sítio para tentar encontrar uma cura para a esfinge e à medida que vamos avançando na história vamos encontrando uma conspiração cada vez maior para desvendar. Mas sinceramente não esperem por uma narrativa muito boa. O ponto forte do jogo é mesmo a sua jogabilidade simples, muito loot based, e a possiblidade de atravessar as dungeons de forma cooperativa com outras pessoas.

Cada classe possui diferentes armas e habilidades. Os gunslingers são óptimos para quem prefere atacar à distância

Mas antes disso temos de criar a nossa personagem que poderá recair numa de várias raças distintas que por sua vez correspondem a diferentes classes. Os vindicators são liontaurs e os típicos guerreiros corpulentos que atacam com espada. Os humanos são gunslingers e usam apenas armas de fogo. Os elfos pródigos em usar ataques mágicos e por fim temos os Savages, guerreiros animalescos que lutam apenas com as suas garras para combates ainda mais próximos. Ao longo do jogo iremos atravessar diversos níveis, completar várias quests principais e side quests, encontrar inúmeras peças de equipamento e, tal como nos Diablos, ocasionalmente encontramos portais que nos permitem teletransportar de volta para a cidade de Nexus, que serve de hub central a todas as diferentes áreas de exploração e combate.

No final de cada dungeon temos sempre um boss para enfrentar.

À medida que vamos combatendo ganhamos também pontos de experiência e eventualmente subimos de nível. Quando isso acontece temos sempre alguns stat points que poderemos distribuir entre ataque, vida ou mana/stamina. Para além disso vamos também ganhando skill points que servem precisamente para desbloquear ou evoluir novas habilidades, algumas inclusivamente passivas. Tal como noutros action RPGs, um dos botões faciais serve para os ataques normais, os outros 3 poderão ter skills associadas. O botão L está reservado para interagir com objectos ou NPCs, o R é usado para desviar ou defender e o d-pad é uma maneira rápida de usar poções de vida ou de mana. É um jogo com uma jogabilidade simples mas perfeitamente funcional.

Os Vindicators são liontaurs, um híbrido entre leão e humano. São também autênticos tanques, podendo aguentar com muita pancada

No que diz respeito aos gráficos, é um jogo competente tendo em conta as limitações do sistema. O mundo de Nexus não é assim lá muito interessante, mas ao menos vai havendo alguma variedade, com níveis com temáticas dos oceanos, florestas, montanhas geladas e uma outra dimensão repleta de criaturas infernais. Ocasionalmente temos direito a algumas cutscenes que por sua vez são também bastante simples com vários desenhos estáticos acompanhados com um voice acting competente, mas não necessariamente interessante ou memorável. Nada de especial a apontar às músicas, servem bem para nos envolver na atmosfera do jogo.

Portanto este Heroes of Ruin é um action RPG sólido, mas que não cria nada de novo. Se forem fãs de jogos do género do Diablo ou Torchlight, este Heroes of Ruin acaba por ser uma boa opção dentro do género na Nintendo 3DS. Não é nenhuma obra prima, mas é um jogo perfeitamente capaz de nos entreter. O seu foco numa jogabilidade mais cooperativa era também um dos seus pontos fortes e estou certo que seria bem mais divertido se fosse jogado com amigos.