Prey (PC)

Prey PCPara desenjoar um pouco da temática da segunda guerra mundial (embora continue com o género de First Person Shooter), o jogo que aqui trago hoje é a versão PC do Prey, um FPS lançado algures em 2006 com a mão da “extinta” 3D Realms. Tal como Duke Nukem Forever, Prey foi um jogo que levou vários anos a sair para o mercado, embora uma grande parte do seu desenvolvimento foi mantida em segredo, tendo sido re-anunciado em 2005, practicamente 10 anos após o seu desenvolvimento inicial. Prey desde cedo tinha como foco ser um FPS com uma personagem princpal nativo-americana e o uso de portais na jogabilidade (agora popularizados com o jogo Portal). A minha cópia foi adquirida na GAME do Maiashopping em meados de Janeiro deste ano, tendo-me custado apenas 5€ novo.

Prey PC
Jogo completo com caixa e manual

O início do desenvolvimento de Prey deu-se em 1995, altura em que a 3DRealms ainda estava embaranhada em várious outros FPS como Duke Nukem 3D, Blood ou Shadow Warrior. Mas ao contrário desses jogos, Prey que na altura contava com o ex-id  Tom Hall na sua equipa de desenvolvimento seria um jogo totalmente 3D com várias inovações, entre as quais os cenários destrutíveis e o conceito de portais no gameplay. O desenvolvimento do jogo passou por vários problemas, com o abandono de Tom Hall para a Ion Storm, juntamente com o outro ex-id John Romero, e eis que em 1999 a 3DRealms aparentemente cancelou o jogo. Algures no início do milénio a 3DRealms delegou a produção do jogo para a HumanHead studios, através da engine ID Tech4 que esteve por detrás de jogos como Doom 3 e  Quake 4. Em 2005 o jogo foi re-anunciado tendo mantido várias das suas características iniciais. E terminando esta parte “Canal História” é tempo de passar a falar do jogo em si: em Prey tomamos a pele de “Tommy” Domasi, um descendente Cherokee algo triste com a vida que leva. Na altura em que ia propor à sua namorada para se porem a andar para um sítio melhor, são sugados por uma nave espacial gigante. Após chegar à nave espacial Tommy consegue soltar-se e vê os restantes seres humanos a serem todos triturados. O resto da história não é muito difícil de desvendar.

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Confusos? É intencional.

Tirando algumas brincadeiras com portais e gravidade, a jogabilidade de Prey segue os First-Person Shooters da velha guarda. Ou seja, nada de vida regenerativa, nem andar só com 2 ou 3 armas. Em Prey podemos carregar com um arsenal de várias armas diferentes, na sua esmagadora maioria de tecnologia alienígena, com um certo toque biológico também: primeira rifle serve também de sniper rifle, em que o scope é uma espécia de olho alien, as granadas são feitas de pequenas criaturas às quais lhes arrancamos as pernas, existem armas que cospem coisas estranhas, estão a ver mais ou menos o filme. Depois temos os portais, que ao contrário do jogo Portal que surgiu mais tarde, aqui não temos a liberdade de criar portais onde quisermos pois os mesmos estão fixos. Mas de qualquer das formas não deixou de ser uma introdução muito interessante, o facto de podermos disparar e ver o que nos rodeia através de portais. A gravidade também teve um grande papel no Prey. Ao longo do jogo vamos encontrando alguns interruptores de gravidade que mudam a direcção do campo gravítico, onde o conceito de paredes, tecto e chão deixa de existir por completo. Existem vários puzzles que envolvem estes interruptores de gravidade, bem como existem também várias “pistas” gravíticas onde podemos andar pelas paredes e tectos sem receio de cair. Para além disso, podemos conduzir pequenos vaivéns espaciais que nos permitem andar pela nave gigantesca, encontrando pequenos planetóides pelo caminho com os seus próprios campos gravíticos. Algo como Super Mario Galaxy fez no ano seguinte.

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Um dos vários portais que aparece no jogo

Existe também uma vertente espiritual (nativo-americana, claro) muito forte neste jogo. Tommy pode a qualquer momento libertar-se do seu corpo e vaguear como espírito, descobrindo caminhos secretos, esgueirando-se através de campos de força que o seu corpo físico não pode passar, permitindo assim carregar em alguns interruptores chave que são necessários para prosseguir no jogo. Tommy visita várias vezes o mundo espiritual dos Cherokee para receber os conselhos do seu avó. Inclusive quando Tommy morre, não é resultado de game-over, o jogo transporta-nos para o mundo espiritual onde jogamos um mini-jogo para recuperar o máximo de vida e energia espiritual antes de regressarmos perto do local onde “morremos”. O jogo tem também uma componente multiplayer, mas é muito fraquinha, tendo apenas os modos clássicos Deathmatch e Team Deathmatch como possíveis escolhas.

Prey é um jogo com bons gráficos, nada de extraordinário tendo em conta os dias de hoje, mas não são maus. Os jogos com a engine id Tech4 têm a fama de ser bastante escuros e repletos de corredores apertados (o que em parte não deixa de ser verdade aqui), mas os cenários da dimensão espiritual, apesar de simples são bastante bonitos e iluminados. Tecnologias à parte, a nave espacial gigantesca em que nos encontramos tem diversos pormenores deliciosamente nojentos. A tecnologia alienígena tem toda uma componente orgânica, a começar nas armas e mesmo nalguns inimigos, que são humanos altamente modificados. A nave tem diversos corredores “de carne”, com portas semelhantes a ânus constantemente a cag*r restos humanos, outras com formato de enormes vaginas que servem de portas a uns bichos muito estranhos algo parecidos com aranhas gigantes, enfim. Os exemplos são vários. E neste campo Prey é realmente um jogo visualmente muito bem conseguido. De vez em quando também somos atacados por fantasmas, mas o propósito e a presença desses espíritos nunca ficou lá muito esclarecida…

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Anisi no país das maravilhas

A nível de som, bom tirando o facto dos aliens falarem inglês nativamente (e com um voice-acting um pouco estúpido, diga-se), o jogo desempenha um bom papel, apesar de por vezes os discursos do Tommy não serem lá grande coisa. Mas se eu digo que o jogo desempenha um bom papel por alguma coisa há-de ser: Judas Priest. Como todos os jogos da 3D Realms, há sempre um foco na interactividade, embora neste jogo esse foco tenha sido practicamente todo no bar do início da aventura. Nesse mesmo bar existiam máquinas onde podíamos jogar alguns mini-jogos e uma jukebox. De entre vários artistas manhosos temos lá os grandes Judas Priest, e mesmo a vaguear pela nave gigantesca de vez em quando lá se ouvia ao fundo a música que tinhamos seleccionado na Jukebox, no meu caso os JP. Até dava outro gozo cilindrar aliens com aquele sonzinho de fundo! Volta-e-meia também vamos ouvindo algumas emissões rádio terrestres que vão relatando o que vai acontecendo na Terra enquanto nós andamos por ali a vaguear, outro pormenor interessante.

Prey é um FPS algo curto, mas competente. Trouxe várias ideias novas, embora debaixo de um sistema de jogo já conhecido e saturado, principalmente tendo em conta que tanto FPS como jogos sobre invasões alienígenas não são propriamente o pico da originalidade. Ainda assim é um jogo sólido. A 3D Realms tinha planos para um Prey 2, mas com a sua falência há uns tempos atrás, a licença da série mudou de mãos e apesar de estar previsto sair neste ano um Prey 2, a ideia que se tinha inicialmente parece que não vai ser seguida. De qualquer das formas estou curioso para ver o que aí vem.

Call of Duty World at War Final Fronts (Sony Playstation 2)

Call of Duty World at War Final Fronts

Para acabar (para já) com a série de jogos seguidos dedicados à IIª Guerra Mundial trago o último Call of Duty a sair na Playstation 2. Tal como Medal of Honor Vanguard foi um jogo que saiu já numa altura tardia para a PS2, visto que a consola ainda vendia muito bem. Ambos os jogos foram inspirados nos seus “primos” para as consolas HD, neste caso o Call of Duty World at War. Enquanto que o original foi desenvolvido novamente pela Treyarch, esta versão PS2 ficou-se pelas mãos do estúdio britânico Rebellion. A minha cópia foi adquirida na Gamestop do Dolce Vita perto do Estádio do Dragão, tendo-me custado algo em torno dos 7.5€.

Call of Duty World at War Final Fronts PS2
Jogo completo com caixa e manual

Como o próprio nome indica, a história segue os campos de batalha finais da guerra. Isto quer dizer que vamos andar a espalhar o terror tanto pela Europa como no pacífico. As batalhas na europa, mais precisamente em solo alemão são executadas por tropas britânicas enquanto que as do pacífico são naturalmente norte-americanas. O jogo tem 4 campanhas no total, uma inicial no pacífico, duas na Alemanha e uma final novamente no pacífico em plenas portas de Tóquio. Provavelmente já disse isto quando falei no Medal of Honor Rising Sun, e de facto os níveis repletos de selvas, foxholes com japoneses saltitantes e bunkers por tudo quanto é sítio é algo que continua a não me agradar por aí além. As missões em si não são nada que já não se tivesse visto num Call of Duty anteriormente: destruir bunkers, artilharia, conquistar base inimiga, defendê-la do contra-ataque inimigo, estourar com uns tanques, etc. Já foi tudo visto. A jogabilidade não é má de todo. No artigo anterior eu reclamei do Call of Duty 3 de ter alterado a jogabilidade do Big Red One. Enquanto que continuo a preferir a jogabildade desse jogo, acabei por me habituar à nova que se encontra toda neste jogo também. Felizmente não vou reclamar da jogabilidade dos tanques. Existe apenas uma missão com tanques e felizmente não temos de os conduzir. Apenas controlamos o canhão para destruir tanques e infantaria nazi. O jogo para a PS2 não vem com qualquer tipo de jogo multiplayer, seja online seja em splitscreen e ao contrário dos outros jogos também não traz nenhum conteúdo bónus a desbloquear ao longo da campanha singleplayer.

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"Aiming down the sight" na primeira missão

A nível gráfico o jogo não é propriamente feio. Digamos que é aceitável tendo em conta as limitações da PS2. A Rebellion não usou a engine da Treyarch do CoD3, tendo usado uma engine proprietária. O jogo tem efeitos de luz bonitos, mas prefiro as texturas de Call of Duty 3 ou mesmo do Big Red One, estavam mais trabalhadas. O facto de uma parte do jogo ser passada em selvas também não é algo que me fascine particularmente. Os inimigos são novamente idênticos entre si, existindo muita pouca variedade entre eles. Isto ja é uma queixa antiga, mas adiante. Em relação ao som, a banda sonora não tenho muito que lhe dizer, adequa-se ao carácter épico que o jogo tenta transmitir, mas uns furos abaixo do habitual. Já o voice-acting está fraquinho. As falas dos companheiros (especialmente do sargento que nos ordena) estão muito mal conseguidas e o facto de este CoD não ter suporte a legendas também é outro ponto menos bom.

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Pequenos filmes históricos são mostrados no início de cada campanha, como é habitual

Este post é bem mais curto, mas de facto não há muito mais a dizer. Não cheguei a jogar o World at War original (ainda), mas esta conversão para PS2 deixa um pouco a desejar. Tendo em conta que saiu num período em que a PS2 já era pouco relevante até se pode aplaudir a iniciativa, mas o que é certo é que o resultado final não é o melhor. Apenas recomendo a quem for um fã ferrenho da série ou de jogos com a temática da 2ª Guerra Mundial no geral.

Call of Duty 3 (Sony Playstation 2)

Call of Duty 3 PS2Bom, e ao contrário do que tinha mencionado no post anterior, o próximo artigo será mesmo o Call of Duty 3 da PS2. Este é o segundo desenvolvido pela Treyarch e curiosamente é o único Call of Duty da série principal que não chegou a sair para o PC, sendo as versões superiores pertencentes às consolas HD – PS3 e X360. É um jogo com os seus altos e baixos, conforme descreverei em seguida. A minha cópia foi adquirida algures no final de Dezembro do ano passado no miau.pt, tendo-me custado 4.5€, está completa e em bom estado.

Call of Duty 3 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Call of Duty 3 apresenta várias novidades. A história decorre após os eventos da invasão dos aliados na Normandia, mais precisamente as batalhas para a liberação da vila de Chambois, um ponto fulcral para a futura liberação de Paris. Encarnamos 4 diferentes facções, a americana, britânica + resistência frances e esquadrões da Polónia e Canadá. Para além de ser incomum jogar-se com estas duas últimas nacionalidades, em Call of Duty 3 decidiram misturar as diferentes história, para demonstrar como diferentes exércitos trabalharam em “conjunto” para um bem comum, ao invés dos jogos anteriores onde cada facção tinha uma campanha própria que era jogada de uma só vez. Já no Big Red One houve um cuidado maior em tentar contar uma história ao longo das batalhas, neste jogo voltaram a melhorar o conceito. Ao misturarem as diferentes missões de cada exército criaram uma linha temporal entre elas, e a narrativa relaciona bem as acções de uns que influenciarão as missões seguintes. Cada exército tem também as histórias clichês de soldados exemplares que se sacrificam em prol do esquadrão, outros cobardolas, etc. Mas quanto a isso não tenho nada contra.

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Esta primeira missão foi impressionante

Já na jogabilidade é que não gostei assim tanto. Em primeiro lugar porque mudaram o mapeamento dos botões, que no Big Red One estava bom. Não que tenha mudado realmente muita coisa, o aiming down the sight, disparos e agachar/rastejar continuam no mesmo sítio. Infelizmente retiraram foi a possibilidade de se fazer lean, o que tinha dado bastante jeito neste jogo. Já os restantes botões trocados foi apenas uma questão de hábito. Felizmente a maior parte do jogo foi apenas em missões de infantaria “normal”, com uma ou outra ocasional onde teríamos de conduzir um jipe (ou simplesmente ficar a disparar numa metralhadora pesada instalada no veículo, como já aconteceu noutros CoDs), bem como uma ou outra missão em que teríamos de conduzir um tanque. Enquanto que conduzir um jipe em plena França rural, atropelando Nazis e fugindo de disparos de Panzers inimigos tenha sido bastante agradável, mais uma vez não atinei com as missões dos tanques. Parece impossível mas ainda conseguiram piorar mais os controlos do Big Red One neste aspecto. Os controlos são praticamente os mesmos, a sensibilidade é que é muito maior, o que para mim ainda dificultou mais as coisas, mas adiante. Este é também o primeiro CoD na PS2 que não usa medkits para regenerar a saúde, mas a saúde é regenerada com o tempo (logo que não sejamos atingidos entretanto). Infelizmente decidiram render-se à moda dos Quick Time Events e de vez em quando lá andamos à pancada com um Nazi qualquer que nos apanhou de surpresa, bem como também acontece noutras situações, como instalar uma carga explosiva.

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Um exemplo de um quick time event. Não que os outros sejam muito diferentes.

Como tem sido habitual, completar as missões desbloqueia uma série de conteúdo bónus. Não é muito diferente do que incluíram nos outros jogos: artwork, perfis de armas e veículos da guerra, biografias das personagens do jogo e as cutscenes que nos vão surgindo. Contudo no final da campanha singleplayer é desbloqueado uma série de 3 entrevistas com veteranos de guerra que combateram nas batalhas relatadas no jogo. Sinceramente achei muito interessante. Mas Call of Duty há muito que deixou de se cingir ao singleplayer e apresenta uma forte componente online, mesmo numa PS2. Actualmente muito poucas pessoas jogam, portanto também não lhe dei muita atenção. De qualquer das formas apresenta os já conhecidos modos de jogo Deathmatch e Team DM, Capture the Flag, Headquarters, etc. As partidas podem ter um máximo de 16 jogadores, existem vários veículos à disposição, e cada jogador pode pertencer a diferentes classes com diferentes habilidades e categorias de armas que se pode especializar.

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A calmaria antes da tempestade

Resta-me apenas falar da parte técnica. Para o hardware da PS2, é um jogo graficamente bonito. Obviamente que não vale a pena comparar com as versões para X360 e PS3 (embora mesmo essas não sejam nada do outro mundo). Os mapas são grandes quanto baste e são bastante detalhados. Existem alguns efeitos de luz bem conseguidos para uma PS2, embora o fumo seja fraco. A nível gráfico só me posso queixar mesmo é dos soldados alemães que são todos iguais uns aos outros. Isso nota-se bem nos confrontos com os Quick Time Events, onde a cara dos alemães foi sempre a mesma. É pena, podiam ter variado um pouco mais neste aspecto. De resto é um jogo competente. Ainda existem algumas quebras de framerate, mas não foi algo que me tenha acontecido muitas vezes. Também é compreensível, pois nalgumas batalhas existe um grande número de nazis no ecrã, bem como de companheiros aliados. De resto os mapas são bastante lineares como tem sido habitual. É pena que existam secções com obstáculos mínimos que são intransponíveis, ou barreiras invisíveis. Um bug que dei conta foi ter ficado preso nalguns desses obstáculos, ou entre NPCs. Aconteceu-me umas 3x, tendo de reiniciar do último checkpoint. A nível de som é um bom jogo. Apesar de existirem várias frases repetitivas, desta vez gostei mesmo dos berros que os alemães mandavam uns aos outros. A banda sonora como sempre é adequada ao jogo, e o voice acting é competente. Mais alguém associou a voz do escocês Duncan Keith ao groundskeeper Willie?

Apesar de a fórmula de FPS da 2ª Guerra Mundial estar bem gasta na altura em que este CoD3 saiu, não deixa de ser um shooter competente. Esta versão específica da PS2 acho que é um port bem conseguido, aproveitaram bem as capacidades da velhinha consola, e na minha opinião é dos melhores FPS que a mesma pode oferecer (principalmente tendo em conta o clima épico e cinematográfico). Ainda assim prefiro de longe os controlos do Big Red One. Para quem não tiver uma Wii, ou uma consola HD e quiser jogar um bom FPS singleplayer na PS2 tem aqui uma óptima escolha. Para os demais, sempre recomendo as versões X360 ou PS3. Para além de serem melhores graficamente, o modo online é ainda melhor executado e sempre deve ter mais gente a jogá-lo.

Call of Duty 2: Big Red One (Sony Playstation 2)

Call of Duty Big Red One PS2Enquanto que a primeira iteração de Call of Duty nas consolas de mesa deixou bastante a desejar na minha opinião, já este Call of Duty 2: Big Red One representa uma franca melhoria. Desenvolvido em conjunto com a Treyarch e a Gray Matter Interactive (estúdio que veio a fundir-se com a Treyarch pouco tempo depois) este Big Red One é mais uma vez um jogo diferente do Call of Duty 2 para PC (este desenvolvido pela Infinity Ward). A minha cópia foi comprada na Gamestop perto do Estádio do Dragão, tendo-me custado quase 7€. Está em bom estado e completa.

Call of Duty 2 Big Red One PS2
Jogo completo com caixa, papelada e manual

Ao contrário de Call of Duty 2 no PC, onde mais uma vez encarnamos soldados de 3 diferentes facções da IIª Guerra Mundial (Americanos, Britânicos e Soviéticos), em Big Red One vivemos apenas as aventuras da Fox Company, uma companhia da famosa 1ª divisão de Infantaria Norte-Americana. Tomaram essa decisão de modo a dar um clima mais cinematográfico, e a criar laços entre os soldados, levando a uma história mais empolgante. De facto até se deram ao trabalho de utilizar vários actores da excelente série de TV “Band of Brothers” nas personagens deste jogo. Com todos estes ingredientes, a narrativa ficou naturalmente melhor. Apesar de convivermos sempre com os mesmos soldados, não quer dizer que os cenários e missões não sejam variados, bem pelo contrário. Começamos com algumas missões no Norte de África, desde assaltar aeródromos a devastar franceses de Vichy com tanques, passando pela invasão da Sicília com várias missões bastante empolgantes e repletas de lutas em cenários apertados, e por fim na europa central, desde o desembarque no dia D na Omaha Beach até à fronteira Alemã. Contudo fico com a sensação que poderiam ter caprichado mais nos diálogos entre os companheiros, mas são picuinhices minhas.

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Um dialogozinho antes da acção

Os controlos estão bastante melhores, embora pouca coisa tenha mudado na esquematização dos botões. Agora é possível fazer lean para a esquerda ou direita, perdendo-se a função de usar items no Finest Hour. De resto está tudo lá, a função de mirar pelo iron sight das armas, a mudança de postura, etc. Os controlos estão também mais precisos, mais responsivos e não tão lentos como no jogo anterior, resultando assim numa melhor experiência. Infelizmente ainda não estão perfeitos, digo isto pois existem 2 missões onde é necessário conduzir um tanque de guerra e devo dizer que conseguiram piorar o controlo dos tanques que existia em Finest Hour. Enquanto que no jogo anterior o analógico da esquerda servia para controlar o “corpo” do tanque e o da direita para controlar o seu canhão, aqui resolveram fazer uma mistura difícil de explicar, apenas digo que não gostei. Mas felizmente foram apenas 2 missões de tanques e não um terço do jogo… Experiências como essa fizeram mais uma em que estavamos a bordo de um bombardeiro norte-americano, e tinhamos o objectivo de mandar abaixo uns quantos caças nas várias metralhadoras tripuladas, bem como largar bombas nalguns alvos “terrestres”. Não gostei muito desta missão sinceramente, mas dou o mérito de experimentarem coisas novas. Mais uma vez, ao completar-se cada nível é desbloqueado uma série de extras, como artwork, vídeos históricos e informação relativa às armas e veículos encontrados no jogo.

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A primeira missão a bordo de um tanque - e logo para explodir uns quantos Panzers ao mesmo tempo

O multiplayer é mais uma vez limitado ao modo online e LAN, não oferecendo o tradicional split screen para os jogadores de consola mais tradicionais. Mais uma vez deixaram os jogadores de Gamecube sem qualquer multiplayer, pois mesmo apesar de existir modems e adaptadores de rede para a consola, a falta de interesse da Nintendo em investir no online alastrou-se às restantes desenvolvedoras, deixando a Sega e a Chunsoft com apenas uns 4 jogos lançados com essa funcionalidade. Mas isso agora não interessa para este caso, portanto adiante. Os modos de jogo disponíveis são variantes do Deathmatch, Team Deathmatch, Capture the Flag e Domination. Trazido do jogo de PC, o multiplayer também introduz as “Battlefield Promotions” como recompensa para uma boa performance individual ou de equipa. Essas recompensas incluem carregamentos aéreos de health packs ou munições explosivos “Satchel” e a habilidade de usar os binóculos para chamar por bombardeamentos de artilharia. No multiplayer existe também a hipótese de se correr (embora não se possa correr e disparar ao mesmo tempo), infelizmente não implementaram isso no singleplayer, o que é pena. Também para quem tiver um head-set USB poderá utilizá-lo nos jogos online.

Passando para a parte técnica, este é um jogo bem superior ao anterior. Os gráficos já são melhores, assim como as texturas. Os mapas são bem mais variados e posso dizer que me deu gozo jogar nos mapas de Sicília, nos campos verdejantes e repletos de oliveiras, bem como nas pequenas cidades ricas em acção. Apesar de acreditar que o jogo esteja melhor numa Gamecube ou Xbox, tendo em conta as limitações da PS2 não está nada mau. O som está óptimo, a narração é coerente, os efeitos de som são credíveis e a música como sempre épica dá outro toque à coisa. Neste campo não há muito que queixar. Notei uma ou outra quebra no framerate de vez em quando, quando as coisas começavam a ficar realmente caóticas, mas não me incomodou. Eu gosto sempre de jogar com legendas, mas neste jogo as mesmas nem sempre estavam bem visíveis, pois atrapalhavam com a disposição da restante HUD. A inteligência artificial não é a melhor, mas também não foi coisa que me incomodou muito.

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O desembarque na Normandia, a ordenar a artilharia para mandar abaixo uns quantos bunkers nas costa.

Este Call of Duty 2 Big Red One é uma experiência bem mais agradável que Finest Hour. A começar pela jogabilidade, que apesar de não apresentar muitas diferenças não está tão lenta como no jogo anterior. Decidiram focar-se mais nas missões de infantaria, e não a conduzir tanques durante uma grande parte do jogo, assim como escoltar demasiados bots estúpidos. Os gráficos estão superiores, existem armas novas que pode ser utilizadas, tais como francesas e italianas, etc. É um óptimo FPS com a temática da 2ª Guerra Mundial, para uma PS2. Futuramente (embora não seja o próximo post) irei trazer cá o Call of Duty 3 também para PS2, que do pouco que joguei pareceu-me amadurecer bem as ideias dos anteriores, sendo provavelmente o melhor jogo da série na PS2. Veremos.

Call of Duty Finest Hour (Sony Playstation 2)

CoD Finest Hour PS2Capitalizando sobre o sucesso do jogo original, a Activision resolveu trazer a série Call of Duty também para as consolas de mesa. Em vez de uma simples conversão, o resultado foi um jogo diferente, com novas missões e algumas inovações na própria jogabilidade, mas que no entanto deixa bastante a desejar tendo em conta o jogo original do PC, tal como irei descrever. A versão que trago aqui é a versão Playstation 2, tendo sido comprada algures no ano passado no ebay UK. Está completa e em óptimo estado, não me tendo custado mais de 6€.

Call of Duty Finest Hour PS2
Jogo completo com caixa e manual

À semelhança da sua iteração original no PC, em Finest Hour jogamos 3 diferentes campanhas na vertente single-player. Passaremos pelas 3 mesmas forças, mas desta vez de ordem inversa, começando pelo exército Soviético, em mais uma re-imaginação da retoma de Estalinegrado, mas desta vez com um terço da adrenalina. Em seguida algumas missões das forças Britânicas no norte de África, culminando com a campanha norte-americana em terreno europeu. Desta vez, ao invés de encarnarmos apenas numa personagem por campanha, vamos saltando de personagem em personagem ao longo das missões, o que acaba por não se criar laços com ninguém, tornando a experiência um pouco mais genérica. No que diz respeito à jogabilidade, vários detalhes são herdados do jogo original, como a técnica de mirar pela “iron sight”, a hipótese de se poder movimentar em 3 poses diferentes, utilizar postos estacionários de metralhadoras pesadas ou artilharia, etc. O que foi introduzido de novidade foi a confução de tanques. Na verdade, quase 1/7 deste jogo é passado a conduzi-los, bem como batalhar com outros tanques, artilharia pesada ou simplesmente infantaria alemã que se lembre de passar à frente. Infelizmente os infames “tank controls” de outros jogos famosos aplicam-se na perfeição a manobrar os tanques deste Call of Duty. Os controlos são confusos e algo lentos, mas ao fim de algumas tentativas lá me consegui habituar à movimentação e à própria defesa. Infelizmente os controlos lentos não são exclusividade do controlo dos tanques, mas o maior defeito deste jogo em geral, na minha opinião. A movimentação do jogador é lenta, o que dificulta bastante naqueles momentos de maior aperto que acontecem ao longo do jogo. Para colmatar esta falha, incluíram uma pequena batota para “ajudar” a mirar nos inimigos – auto aim.

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As missões no norte de áfrica foram as mais divertidas, pena que foram poucas,

As missões, tal como na versão PC, são jogadas na sua maioria com o acompanhamento de vários outros soldados que nos vão auxiliando (ou não). Infelizmente para além de um grande enfoque para missões de tanque – eu gosto de FPS pela infantaria – houve também um grande foco em missões de escolta, quer de outros humanos, quer de frotas de tanques Aliados. Eu detesto missões de escolta por uma razão muito simples: os bots são burros na medida em que se deixam sempre a descoberto do fogo inimigo. Aqui não é excepção, infelizmente. Mas nem tudo é mau e mesmo assim existem algumas missões realmente empolgantes, como uma perseguição sobre soldados Britânicos em pleno deserto do Norte de África. De resto o jogo conta como sempre com um arsenal fiel ao da época, com a limitação de se carregar 2 armas em simultâneo, bem como uma série de granadas/explosivos. Infelizmente as granadas não têm grande física associada, visto que é impossível de controlar a distância a que queremos lançar a mesma.

Passando para a vertente técnica, este Finest Hour foi desenvolvido utilizando a engine “Renderware”, uma engine desenvolvida especificamente a pensar num desenvolvimento simples para as 3 plataformas em simultâneo – PS2, GameCube e Xbox. Infelizmente o resultado final não foi o melhor, graficamente já vi jogos bem mais aprimorados com essa engine, tal como o Sonic Heroes por exemplo (que apesar de bonitinho tem uma jogabilidade horrível). Os modelos não são muito definidos, mas o que chateia mais são mesmo as texturas muito simples e com baixíssima resolução. Medal of Honor Frontline, um jogo de 2001/2002 não é muito pior graficamente que este. Para piorar as coisas, o jogo sofre imensos slowdowns nos momentos mais caóticos. Isto tudo na versão PS2, não sei até que ponto é que o jogo será melhor nas outras 2 consolas. As animações das personagens também são fracas, e isso aliando a uns controlos lentos acaba por confundir bastante o jogador, pois nem sempre se consegue perceber se matamos mesmo um inimigo até que ele se volta a levantar. Sonoramente é um jogo competente, como com qualquer shooter histórico que tenha jogado. Apesar de não ter uma ambientação de topo, pelas razões que já mencionei, desempenha suficientemente bem o seu papel.

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Tanya a introduzir uma missão toda "sniper"

Por fim resta-me apenas mencionar a componente multiplayer. Ao invés de ter o tradicional split-screen, o jogo tem apenas suporte ao multiplayer directamente online. Já agora, de todos os jogos de PS2 que analisei por cá e que teoricamente teriam jogo online, este Call of Duty foi o único que me deixou ir online e até participar numas partidas. Tudo isto porque todos os outros pediam-me que criasse um perfil de rede através do Network Access Disk que vinha junto do broadband adapter original da PS2. Como eu tenho uma PS2 Slim, a placa de rede já vem integrada, mas a Sony falhou em não fornecer esse disco de acesso, ou incluir essas funções no próprio firmware. Este Call of Duty permitiu-me criar o tal perfil no cartão de memória, que todos os outros jogos com suporte a jogo online reconheceram posteriormente. Emfim, adiante: os modos de jogo disponíveis são os habituais Deathmatc, Team DM, Capture the Flag e um “Seek and Destroy”, onde à semelhança do Counter Strike uma equipa encarregua-se de defender um determinado objectivo enquanto a outra o tenta destruir. Ainda nos dias de hoje, com um jogo não muito bom lançado em 2004, consegui encontrar algumas almas penadas a jogar isto pela net.

Finalizando, o jogo tem também alguns desbloqueáveis, tais como artwork e pequenos filmes com imagens e clipes do making of, sendo alguns bónus agradáveis, na minha opinião. Também na minha opinião, o começo da série Call of Duty nas consolas não foi de facto a melhor. Não sei como o jogo se comporta técnicamente uma Xbox ou Gamecube, mas na PS2 para além de haver shooters com a mesma temática mais bonitos, há com jogabilidade bem mais suave. A PS2 viria a receber mais uns 3 Call of Duty, todos eles com a temática da IIª Guerra Mundial e que eu trarei aqui brevemente. Estou a meio do Call of Duty 2: Big Red One e já é uma boa melhoria face a este.