Dragon Quest VI: Realms of Reverie (Nintendo DS)

Dragon Quest VIDragon Quest é uma das séries mais antigas e importantes (pelo menos para o mercado nipónico) de RPGs para consolas. A sua mecânica de combate por turnos influenciou a esmagadora maioria de J-RPGs até aos dias de hoje, e tal como disse na análise ao Dragon Quest VIII para a PS2 (excelente jogo, por sinal), pouco evoluiu até aos dias de hoje. Infelizmente a Europa tinha ficado por fora dos jogos principais da série precisamente até ao lançamento do acima mencionado jogo, felizmente a Square-Enix decidiu ganhar uns trocados rápidos e converteram alguns dos seus jogos antigos para a Nintendo DS, cujos lançamentos abrangiram a Europa por fim. Este DQVII é um exemplo disso, tendo sido comprado há relativamente pouco tempo numa Mediamarkt no Porto por 14€.

Dragon Quest VI DS
Jogo completo com caixa, manual e diversa papelada

A história coloca-nos no papel de mais um herói mudo, e logo nos primeiros minutos somos colocados juntamente de mais alguns companheiros a batalhar contra o vilão principal do jogo. A coisa não corre bem e o herói acorda posteriormente na aldeia de Weaver’s Peak, sem quaisquer memórias anteriores à luta referida. Mais tarde vão sendo encontrados os companheiros do “sonho” que também não têm quaisquer memórias do herói. A história vai-se desenrolando com as aventuras cliché, de reinos com problemas, aldeias atacadas por monstros, etc. Com o decorrer da aventura vamo-nos apercebendo que existem dois mundos, o mundo real e o mundo dos sonhos, sendo que iremos alternando entre os 2 mundos para ir resolvendo os conflitos com que nos vamos deparando. É um cliché já bastante utilizado em bastantes RPGs, mesmo o próprio Dragon Quest VII que saiu uns anos depois também consistia em viagens temporais, explorando o mesmo mundo em dois cenários diferentes. No que diz respeito aos Dragon Quest da DS, gostei mais da história dos DQ IV e V.

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Nas batalhas, o ecrã superior serve para ver o estado da party, enquanto o ecrã inferior mostra a batalha em si

O sistema de batalhas é o mesmo de sempre, com os encontros aleatórios e as batalhas decorrerem por turnos. Tal como noutros jogos da série, é possível programar as restantes personagens da “party” para tomarem decisões automaticamente nas batalhas, seja atacarem sem piedade, conservarem MP, defenderem, entre outras. Também existe novamente o sistema de classes. A partir de um certo ponto no jogo, em que visitamos o mosteiro “Alltrades Abbey”, é possível alterar as classes de todas as personagens da “party”. Alterar a ao classe, o progresso atingido nas classes anteriores não é apagado, o jogador continua a poder utilizar as “skills” e magias que aprendeu. Existem imensas classes diferentes, cada uma com as suas vantagens e desvantagens, bem como magias diferentes que podem ser aprendidas. Existem algumas classes especiais, que têm como requerimentos a personagem dominar uma ou outra classe previamente disponível. Para além das classes, apesar de apenas podemos utilizar 4 personagens ao mesmo na “party”, é possível alternar os seus membros, num total de 8 elementos que podem viajar na caravana junto do herói. Uma das classes que existia no original da SNES era a “Monster Master”. Com esta classe era possível o jogador recrutar qualquer monstro que defrontava nas suas batalhas para pertencer à party, algo que é possível em alguns outros Dragon Quest também. Infelizmente retiraram essa funcionalidade completa na conversão para a Nintendo DS, não percebi muito bem o porquê. De qualquer das formas é ainda possível recrutar uma série de monstros, mas apenas alguns em específico. É também possível usar esses mesmos monstros num torneio de lutas específico, de forma a ganhar alguns items poderosos. Existem mais uma vez alguns outros mini-jogos que podem ser descobertos, bem como um concurso de beleza (???) onde podemos concorrer. De resto é a jogabilidade esperada de um Dragon Quest, quem gosta certamente não ficará desapontado.

Este jogo herda também algumas comunicações wireless do Dragon Quest IX, que havia saído para a DS pela mesma altura, nomeadamente o Tag Mode. Neste modo, com a DS no sleep mode, esta fica à escuta de contactar com outras Nintendo DS correndo o mesmo jogo. Dessa forma, são trocadas informações entre os jogadores, que acabam por ser úteis para desbloquear algumas coisas no modo de jogo normal. Sinceramente nunca utilizei esta funcionalidade, encontrar na rua outras pessoas a jogarem DS já não é fácil, quanto mais alguém com o Dragon Quest VI. Acredito que no Japão isso tenha sido mais bem sucedido, até porque hoje em dia passou a ser uma funcionalidade comum em vários jogos da 3DS.

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Dentro de localidades ou dungeons, os 2 ecrãs servem para mostrar os cenários. Aqui é a arena onde decorrem as lutas entre os monstros.

Graficamente o jogo não é nada de especial, mas é agradável quanto baste. Utiliza o mesmo motor gráfico dos remakes de DQ IV e V para a DS, onde as personagens mantêm-se sprites em 2D, mas os cenários em si passaram a ser em um 3D simples, sendo possível rodar a câmara 360º em algumas localidades. Algo como foi feito no Dragon Quest VII na Playstation original. As sprites em si acabam por ser as mesmas de sempre, o que para quem jogou os Dragon Quest IV até ao VIII de rajada como eu poderá tornar a experiência um pouco mais monótona. De qualquer das maneiras o traço de Akira Toriyama é inconfundível, seja nas personagens principais, seja nos próprios inimigos e monstrinhos, onde muitos deles existem desde os primeiros jogos da série, e uns outros que parecem retirados de Dragon Ball. A nível das músicas, visto que a Nintendo DS é uma consola baseada em cartucho, não se pode esperar a qualidade orquestral de alguns outros Dragon Quest disponíveis em consolas de media óptica. Ainda assim apresenta uma banda sonora de qualidade, inspirada na original da Super Famicom. Os efeitos sonoros já por si são virtualmente idênticos aos dos jogos anteriores.

Apesar de existirem outros Dragon Quest inteiramente originais para a Nintendo DS, creio que estes relançamentos produzidos pela Artepiazza são de louvar, pois os originais hoje em dia são bem mais complicados de encontrar e no caso da Europa em específico, em que só começamos a receber os jogos principais a partir do VIII da PS2. Apesar de visualmente idênticos entre si, tanto DQ IV, como V e VI, possuem narrativas completamente diferentes e merecem ser jogadas pelos fãs de J-RPGs tradicionais. Infelizmente ainda não tenho os DQ IV nem V, mas certamente que os comprarei assim que encontrar uma boa oportunidade. Também irá sair futuramente pela Artepiazza para a 3DS o remake completo do DQ VII, apresentando um grafismo bem mais próximo do Dragon Quest VIII para a PS2, que até ao momento continua a ser o meu jogo preferido da série. Irei aguardar por um eventual lançamento na Europa.

Phantasy Star Universe: Ambition of the Illuminus (Sony Playstation 2)

PSU Ambition of the IlluminusDe volta ao sistema solar de Gurhal, para mais uma aventura no universo de Phantasy Star Universe (passe a redundância). Ambition of the Illuminus foi a primeira expansão que a Sega lançou para o jogo original, não sendo o mesmo necessário para se jogar este capítulo. Contudo, visto que a jogabilidade é idêntica ao original, não me irei alongar nesse aspecto, consultem o artigo referente ao jogo original para mais detalhe aqui. A minha cópia foi adquirida algures em 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€. Está aparentemente completa e em bom estado.

Phantasy Star Universe - Ambition of the Illuminus - PS2
Jogo com caixa e manual

A história coloca-nos na pele de um jovem GUARDIAN, como aprendizes da experiente e irreverente Laia Martinez, da raça Beast. A acção decorre pouco tempo após os eventos do último jogo, em que a ameaça da SEED embora esteja mais controlada ainda não foi completamente erradicada e Ethan Waber, herói da aventura anterior, é acusado de tentar assassinar o actual presidente dos GUARDIANs. Laia Martinez, sendo rebelde e irreverente, coloca na sua mente a todo custo que deve capturar Ethan e, no meio de todos os acontecimentos surge uma nova ameaça sob a forma de uma organização secreta chamada Illuminus, cujo propósito consiste em erradicar todas as raças do sistema solar de Gurhal, excepto a raça humana. Apesar de os diálogos em si estarem algo pobres tal como no jogo anterior, a história pareceu-me interessante quanto baste. Infelizmente o jogo termina num cliffhanger jeitoso, e a SEGA foi um bocado mázinha com os fãs neste aspecto. Isto porque existe um “Episode 3” que segue imediatamente os acontecimentos do Ambition of the Illuminus (Episode 2). Visto a PS2 não ter condições de receber grandes updates dos seus MMOs, isto porque são pouquíssimos os jogos que dão suporte ao disco rígido externo da consola (e mesmo este não é compatível com todos os modelos da consola), o rico conteúdo deste Episode 3 (muito diálogo, novas cutscenes, inimigos e áreas a explorar) está bloqueado no disco do Ambition of the Illuminus, forçando os jogadores a usufruirem do serviço online para o desbloquear. Para além desse serviço online ser originalmente pago, hoje em dia os servidores deste jogo foram encerrados globalmente, dando destaque ao novo Phantasy Star Online 2. Portanto quem estiver interessado em saber o resto da história, enquanto não são criados servidores privados, a única solução está em ver algumas playthroughs no youtube.

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Laia, à esquerda, e a personagem principal que pode ser customizada

A jogabilidade é idêntica ao jogo anterior, mas ao invés de se jogar a história principal com uma personagem pré determinada, temos a liberdade de criar uma personagem à nossa medida, podendo alternar entre as 4 diferentes raças. Podemos também importar a personagem do Extra Mode do Phantasy Star Universe original, com toda a sua experiência, dinheiro e equipamento. Suponho que o mesmo fosse possível no modo Network, mas como nunca o experimentei não posso estar a assumir coisas. Para os saudosistas de Phantasy Star Online, alguns inimigos ou bosses regressaram em secções específicas do jogo, como o boss De Rol Le que ficou ainda mais chato. Existe também uma variedade muito maior de armas, equipamento e técnicas especiais, conforme seria de esperar.Ainda no modo história, o jogo segue na mesma dinâmica como se um anime se tratasse, mas de forma mais contida. Isto porque no início de cada novo capítulo é feito um resumo dos eventos do capítulo anterior, seguido de uma música tema a anunciar o jogo. Desta vez não são incluídas cenas “não percam o próximo episódio”, nem outro genérico para encerrar o capítulo. Durante o jogo existe também uma interacção muito menor com os NPCs disponíveis nas várias cidades do jogo. Não que no jogo anterior os mesmos tivessem diálogos lá muito interessantes, aqui continuam a dizer coisas completamente desinteressantes, simplesmente os NPCs são em muito menor quantidade que no jogo anterior. Uma coisa que melhoraram neste jogo foi a questão dos Trials. No original, era bastante comum existirem imensos Trials temporizados para concluir uma determinada missão, aqui acontecem apenas em algumas Story Missions. As Free Missions, no jogo original todas tinham timers, neste não possuem nenhum. Ainda bem. Uma outra diferença face ao jogo original é que neste é possível rejogar as Story Missions sempre que se queira, sendo também possível escolher a dificuldade pretendida para a missão, com o nível dos inimigos a variar na escolha. O mesmo é possível para as Free Missions.

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Magashi, um dos vilões do jogo anterior, volta a aparecer nesta aventura.

A música e os efeitos sonoros são identicos ao Phantasy Star Universe, pelo que não há nada a dizer neste campo, a não sei que o voice acting é practicamente nulo desta vez. Não que no PSU fosse exemplar, mas era melhor que nada. Aqui os diálogos são todos apresentados na forma de balões de banda desenhada. Graficamente pareceu-me haver algumas melhorias face ao original, com os modelos a apresentarem-se mais detalhados e os cenários com menos aliasing. Mas também pode ter sido wishful thinking da minha parte. De qualquer das maneiras as quebras de framerate mantêm-se, em secções mais povoadas de inimigos e “party members“. No fim de contas acaba por ser um jogo que mais uma vez recomendo aos fãs acérrimos da série Phantasy Star. As melhores versões são mais uma vez as versões PC e X360, mas visto actualmente os servidores estarem todos desligados eu diria que a versão PC é a que tem maior probabilidade de vir a obter servidores privados, pelo que recomendaria essa versão entre todas as restantes.

PUSHSTART #27

A edição de Dezembro da revista online de videojogos PUSHSTART já se encontra disponível para download.

Este mês a temática fala sobre banda desenhada, pelo que esta edição contém artigos sobre personagens diversas deste mundo, como os X-Men ou o Spiderman, bem como uma reportagem ao evento Amadora BD.

Os jogos recentes não foram esquecidos, pelo que podem também ler análises ao mais recente Call of Duty, ou The Walking Dead.

Da minha parte contem com uma análise ao X-Men da Sega Mega Drive na secção 4×4.

Download aqui.

AVSEQ (PC)

Aproveitar para escrever mais um artigo “blitzkrieg” de um jogo indie. AVSEQ é uma espécie de um “Puzzle Bobble musical” que já passo a explicar. O jogo fez parte de um Indie Bundle qualquer (penso que um dos Indie Royale), e foi-me oferecido por alguém que comprou o bundle e já tinha este joguinho. É um puzzler interessante, mas poderia ter sido melhor aproveitado, conforme irei referir já em seguida.

AVSEQ

A jogabilidade consiste no seguinte: vão caindo ao longo de uma grelha uma série de círculos coloridos (que o jogo lhes chama de átomos), sendo que o objectivo consiste simplesmente em ligar os círculos da mesma cor e detonar essa sequência antes de os mesmos atingirem o fundo do ecrã. Existem também átomos brancos que permitem ligar átomos de diferentes cores, bem como uns outros com efeitos, que podem acelerar/atrasar a “queda” dos átomos, ou mesmo um outro que pausa o ecrã temporariamente. Para além do mais, à medida em que vão sendo detonadas as cadeias, vão surgindo no ecrã uns átomos especiais com um símbolo (+). Estes são fulcrais para o jogo, pois à medida que se vão detonando cadeias com esses átomos, vão sendo adicionadas notas musicais ao jogo, que vão sendo tocadas repetidamente à medida em que o nível se vai desenrolando. O objectivo de cada nível é conseguir colocar no ecrã um número objectivo de notas a tocar em simultâneo, formando melodias interessantes. Ao deixar os átomos bater no fundo acabamos por perder algumas notas, pelo que nos níveis mais avançados em que a acção decorre mais rapidamente as coisas acabam por ficar mais caóticas.

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Nunca percebi muito bem como evoluem as 2 barras em baixo, mas não parece ser muito importante

E é precisamente aí que o jogo acaba por falhar um pouco, na minha opinião. Embora as melodias que se vão construindo acabam por ser cativantes para se continuar a jogar, quando detonamos as cadeias de átomos, o jogo acaba por ficar muito poluído visualmente, com os “detritos” das cadeias de átomos que explodimos cobrirem o ecrã, em conjunto com outros efeitos visuais. Enquanto isso é realmente bonito de se ver, a verdade é que muitas vezes acaba por prejudicar o jogador, especialmente nos níveis mais exigentes, pois acabamos por nos esquecer de alguns átomos que vão “caindo” e prejudicam o nosso progresso no jogo. Infelizmente também não existe um factor replay muito grande. Existem uns 10 níveis diferentes, com uma dificuldade progressivamente maior (mais rápidos, objectivos com mais notas musicais para colocar na grelha e diferentes tipos de átomos especiais que surgem). Ao concluir cada nível é desbloqueado um “infinite mode” para esse mesmo nível, onde apenas temos o objectivo de obter a melhor pontuação possível. E AVSEQ é isso, infelizmente não existe qualquer multiplayer, sendo que este género de puzzle games beneficiam e muito com isso. Também não existem quaisquer leaderboards, apesar de o jogo pedir sempre o nome do jogador no final de alguma jogada (tenha sido a mesma bem sucedida ou não).

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Os gráficos são simples, mas com efeitos bonitos. Infelizmente esses mesmos efeitos muitas vezes atrapalham.

O audiovisual é o ponto forte do jogo, especialmente pelo lado musical, conforme seria de esperar. As músicas têm todas uma toada electrónica e as notas são todas síncopas entre si, formando melodias interessantes. Os desenvolvedores do jogo dizem que é possível fazer 2.2300745198530623×10^43 combinações de notas diferentes e de facto, a cada minha jogada a melodia resultante ia sendo diferente. Ainda assim, o pobre factor replay que AVSEQ tem leva a melhor sobre mim, não conseguindo recomendar o jogo, a menos que sejam realmente fãs deste género.

The Jungle Book (Sega Master System)

JungleBook-SMS-PTE para desenjoar um pouco de artigos de jogos de PC, fui ao baú das recordações buscar um dos meus primeiros jogos. A Virgin Interactive foi um dos estúdios mais prolíferos nas consolas 8 e 16-Bit da Sega na primeira metade dos anos 90, trazendo diversos jogos de plataforma com óptimas animações e gráficos, tal como o Aladdin para a Mega Drive. Claro que tecnicamente o mesmo não seria possível numa Master System ou Game Gear, mas ainda assim a Virgin lançou uma série de jogos sólidos. A minha cópia do jogo foi adquirida algures em 1996/7, tendo custado o equivalente a 20€. É uma das “Portuguese Purples”, jogos relançados exclusivamente no mercado português com as capas roxas.

The Jungle Book (Sega Master System)
Jogo completo com caixa e manual – Edição Portuguese Purple

Não vou perder muito tempo a contar a história por detrás do jogo, vejam o filme! Ou melhor ainda, leiam os livros originais de Rudyard Kipling. De qualquer das maneiras, para os que têm vivido debaixo de uma pedra, The Jungle Book conta a história da pequena criança Mowgli, que foi abandonada muito cedo no coração da selva da Índia, tendo sido adoptada por uma alcateia local. Mowgli acabou também por ser educado por para além dos lobos que os acolheram, por uma série de outros animais como o urso Baloo, ou a pantera Baguira. O jogo segue o clássico filme da Disney, que por sua vez tinha deturpado um pouco as personagens do livro original. Mas isso agora também não interessa.

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Ecrã de título simples e eficaz

Como era normal na primeira metade dos anos 90, este é um jogo de plataformas. O objectivo é conduzir Mowgli por 12 diferentes níveis em várias localizações da selva. A maneira como se completa um nível diferencia-se: antes de se começar o nível em si é mostrado ao jogador um ecrã com o objectivo que se deve cumprir. Em alguns níveis devemos explorá-los ao máximo de modo a coleccionar 8 “gems” para terminar, em outros devemos simplesmente ir do ponto A ao ponto B, noutros ainda temos alguns bosses para defrontar. Mowgli está equipado com um arsenal infinito de bananas que pode atirar, defrontando assim os inimigos. Ainda assim, existem uma série de items espalhados no ecrã, para além das gems que já referi: os mais comuns são as frutas que servem apenas para aumentar a pontuação. Corações servem para restabelecer saúde, e depois existem alguns power ups, seja um “rapid fire” para as bananas, ou um bumerangue capaz de mais dano. Apesar de infantil, The Jungle Book para a Master System é um jogo de plataformas bastante exigente, repleto de saltos bastante chatos e cuidadosos. Para além do mais existe um timer ao qual temos de prestar atenção.

Graficamente é um jogo bastante competente para uma Master System, repleto de cores vibrantes (especialmente nos níveis bónus e do rio). Infelizmente as sprites não são as melhores, existindo algumas que são mesmo mázinhas na minha opinião, como as cobras que vão surgindo. Os visuais dos últimos níveis infelizmente são também uma reciclagem do primeiro, mudando as plataformas em si e o esquema de cores. Os efeitos de som não são nada de especial pois estamos a lidar com uma Master System. No entanto acho que as músicas ficaram muito bem conseguidas. Bastou-me ir buscar a caixa do jogo à gaveta e veio-me logo à memória a música-tema do jogo. Não que o processador de som da Master System tenha feito milagres, as músicas são adaptadas das oiriginais do filme da Disney, sendo as mesmas muito alegres e sonantes.

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A imagem da cobra Kaa (canto superior esquerdo) funciona como a barra de vida de Mowgli.

É um bom jogo de plataformas para a Master System, no entanto a versão Mega Drive é indubitavelmente muito melhor, pelo menos no aspecto audiovisual, com gráficos bem mais detalhados e coloridos. A jogabilidade e a estrutura de níveis em si parece-me muito parecida com os jogos 8bit, pelo que provavelmente essa versão 16bit seria mesmo a melhor opção. No entanto como já referi, o parente pobre não se porta nada mal. Existe também da Virgin uma versão para SNES que graficamente é muito boa, mas pelo que vi a nível de jogabilidade já é um pouco diferente das versões nas plataformas Sega.