Ultima III: Exodus (PC)

Voltando aos RPGs da velha guarda, é tempo de escrever sobre o terceiro capítulo da saga Ultima, o Exodus. Este jogo apesar de ainda ser algo primitivo na sua jogabilidade, introduziu diversas novidades onde poderemos considerá-lo como o grande avô dos RPGs modernos, tendo certamente influenciado jogos muitos RPGs ocidentais que lhe seguiram e não só, como um certo Dragon Quest que por sua vez deu lugar ao Final Fantasy e muitos outros RPGs de topo japoneses que conhecemos hoje em dia. Tal como os outros Ultima I e II, este foi adquirido numa colectânea que o GOG já fez várias vezes, oferecendo a série completa para o PC, por um preço muito apelativo.

Ultima III - PCA nível de história, este é o último jogo da série a decorrer no mundo de Sosaria, com os jogos seguintes já a decorrerem no mundo “fixo” de Brittania. E passando-se este jogo então em Sosaria, é também uma sequela directa dos dois últimos jogos, onde o legado do feiticeiro maléfico Mondain ainda se faz sentir, mesmo após ter sido derrotado no primeiro jogo e a sua aprendiz Minax também ter sido derrotada no Ultima II. O grande vilão agora é um tal de Exodus, descendente de Mondain e Minax e cabe mais uma vez ao herói derrotá-lo e salvar Sosaria novamente. A diferença é que desta vez não é só um herói que terá essa árdua tarefa, mas sim uma party de 4 personagens que podemos criar logo ao início. E tal como nos outros 2 jogos anteriores ao criar as personagens poderemos escolher a sua raça, sexo, classe e atribuir uma série de pontos ao longo de várias estatísticas, como Força, Destreza ou Inteligência. Standard RPG business. Cada raça possui um certo número de pontos máximo possíveis em cada stat, assim como cada classe possui as suas peculiaridades.

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As batalhas são travadas por turnos, onde movimentamos livremente cada personagem da nossa party.

Os combates também mudaram e não são mais travados em batalhas na primeira pessoa (em dungeons) ou como se um RPG de acção se tratasse no worldmap. Sempre que encontramos um inimigo, entramos num ecrã de batalha, onde podemos movimentar a nossa party por turnos de forma a derrotar todos os inimigos no ecrã. As acções de batalha são mais uma vez dadas por certas teclas, A de attack + direcção a atacar, ou C de cast são apenas alguns dos exemplos. Quando navegamos pelas várias cidades ou castelos, muitas destas teclas são também utilizadas, como o T de transact, para falar com todos os NPCs, S para Steal ou F para Fight, embora isso raramente seja uma boa ideia. E falar com os NPCs desta vez é algo que é realmente necessário. Para além dos mesmos já serem mais coerentes com a história em si, desta vez dão-nos realmente dicas úteis de forma a progredir no jogo. Aliás, em certos pontos da história é mesmo necessário falar com alguns NPCs para que saibamos como avançar em pontos chave, de outra forma seria impossível.

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Mais uma vez as localidades estão repletas de várias lojas ou pubs, onde podemos ouvir rumores do que nos espera pela frente

E sim, o jogo continua repleto de dungeons labirínticas na primeira pessoa, que por sua vez são obrigatórias para se progredir no jogo, pois possuem itens importantes. Outra adição interessante ao jogo é uma espécie de “fog of war”, em que o nosso campo de visão é extremamente limitado ao navegar no mapa em zonas desconhecidas, rodeadas por montanhas ou florestas. Os combates são recompensados com pontos de experiência, mas apenas falando com o Lord British no seu castelo poderemos realmente subir de nível e aumentar os nossos health points. Já os restantes stats increase apenas podem ser obtidos ao doar dinheiro em certos pontos na perdida cidade de Ambrosia.

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O patch aplicado por fãs faz realmente uma diferença colossal. O facto de muitos jogos DOS na década de 80 aparentarem ser uma porcaria, é mesmo porque os PCs eram máquinas mais voltadas para trabalho, ao contrário de outros fabricantes.

No que diz respeito ao audiovisual, o original da Aplle II apresenta diversas melhorias, como sprites animadas, as dungeons com paredes sólidas ao invés de apresentarem gráficos vectoriais extremamente simples, bem como introduziram uma banda sonora. Infelizmente o port original para PC não inclui nada disso. Foi convertido pela mesma pessoa que converteu o Ultima II para o PC, incluindo assim os mesmos defeitos. Estou a falar claro das cores completamente trocadas devido ao standard CGA de 4 cores, que ao ser utilizado em qualquer monitor mais moderno que em 1983 apresenta uma paleta de cores que roça o azul e roxo. Isso e o jogo não ter qualquer limitador de frames, que se fosse jogado fora de um emulador como o Dosbox, seria completamente não-jogável. Isso e a banda sonora ter sido colocada de parte, apesar de ser algo normal em todos os IBM-PCs até se terem inventado as placas de som. No entanto existe um patch realizado por fãs que torna o jogo bem mais colorido, ao nível das conversões posteriores para computadores 16-bit como o Amiga ou Atari ST, e traz a banda sonora em formato MIDI.

O Ultima III recebeu assim imensas conversões, incluindo uma para a NES, que mudou diversos aspectos ao jogo, adaptando-o paa uma jogabilidade de consola. Para além dos gráficos terem sido alterados, a versão NES também alterou radicalmente o interface do jogo, apresentando desta vez um intricado sistema de menus como se viu no primeiro Dragon Quest, por exemplo. Mas foi uma versão que eu apenas joguei um pouco através de emulação, pelo que não tenho grande opinião formada. Mas é no Ultima IV que as coisas começaram de facto a levar um outro rumo, e a série foi também amadurecendo da melhor forma. Mas isso será tema para um outro artigo.

Die Hard Arcade (Sega Saturn)

Há pouco tempo quando escrevi sobre o Die Hard Trilogy para a Sega Saturn, referi que em breve falaria de um outro jogo da franchise. Claro que me estava a referir a este Die Hard Arcade, também para a plataforma de 32bit da Sega. Die Hard Arcade é um beat ‘em up em 3D bastante divertido, apesar de ser curtinho como muitos jogos arcade da Sega. No Japão o jogo é conhecido como Dynamite Deka, com a franchise Die Hard ser apenas “aproveitada” no ocidente devido a várias similaridades existentes entre o jogo e o primeiro filme. O Dynamite Deka é mais conhecido por cá na sua sequela, Dynamite Deka 2 para a Sega Dreamcast, que chegou cá como Dynamite Cop.

Die Hard Arcade - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manual

Este jogo entrou na minha colecção algures durante 2013, tendo sido comprado na Cash Converters de Alfragide por 4€, um excelente preço tendo em conta a procura do jogo. Podem ler a minha análise completa ao Die Hard Arcade no site da PUSHSTART.

Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa (PC)

Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa, é certamente o videojogo português mais mediático da actualidade e com razão. É uma aventura gráfica com um visual retro, à semelhança dos grandes clássicos dos finais dos anos 80 mas mais do que isso, é uma excelente sátira ao típico Tuga, e quem viveu algo dos anos 80 certamente irá encontrar alguma nostalgia neste jogo de estreia dos Nerd Monkeys.

Case and BotÉ um jogo repleto de um bom sentido de humor e personagens bem carismáticas, embora por vezes possa ser algo parvinho ou mesmo brejeiro, o que não tenho absolutamente nada contra. Peca infelizmente por ser algo curto, mas já estão em desenvolvimento alguns DLCs adicionais que segundo os Nerd Monkeys, serão gratuitos para quem fez a pré-reserva do jogo. O que então me engloba nessa categoria! Obrigado Nerd Monkeys!

Podem ler a minha análise completa no site da PUSHSTART, em conjunto com 3 pequenas opiniões por parte de Luís Filipe Teixeira, Ivan Barroso e Tiago Lobo Dias.
E, como eu, se quiserem ver o jogo no Steam, é só votar no Greenlight.

World Cup Italia ’90 (Sega Master System)

WorldCupItalia90-SMS-EUJá que ando numa de artigos sobre sistemas 8bit, cá fica mais uma “rapidinha” a um dos vários jogos de futebol existentes para a Sega Master System. World Cup Italia ’90, tal como o nome indica é o jogo “oficial” da edição de 1990 do campeonato do mundo de Futebol. O “oficial” esteve entre aspas, pois existem diversos jogos sobre o mesmo tema lançados especialmente em computadores em território europeu, como Amiga, Commodore 64, Atari ST, entre outros. A versão que tem o dedo da Sega saiu para a Mega Drive e para a Master System, versão que aqui trago para análise. Este jogo em particular foi comprado num bundle de uns 7 jogos de Master System que tinha comprado há uns bons anos atrás, por um valor irrisório.

World Cup Italia 90 - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

No Brasil o jogo é conhecido como Super Futebol II (com o primeiro a ser o World Soccer), e essa versão eu também a possuo na minha colecção, com a colectânea “Portuguese Purple” Gamebox Série Esportes, de onde também se inclui o Great Volley e o primeiro Wimbledon. Mas noutra altura abordarei melhor essa colectânea.

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Ecrã-título

Este jogo apresenta 3 diferentes modos, o World Cup, Test Match e Penalty Kick Contest, onde apenas o primeiro é exclusivamente singleplayer. No modo de World Cup funciona precisamente como a competiçao oficial se tratasse, começando pela fase de grupos até à final. A diferença é que podemos não só escolher qualquer uma das 24 selecções que fizeram parte da competição, como podemos escolher uma de 6 selecções bónus que tomam o lugar no grupo de uma outra. Infelizmente Portugal não consta da lista, mas pronto, são outros tempos. O Test Match e Penalty Kick Contest dão para 2 jogadores e tal como o nome indica, o primeiro é apenas um jogo amigável, o segundo é uma competição de grandes penalidades. Nestes 2 modos de jogo também temos as 30 selecções disponíveis.

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O campo é demasiado pequeno para tanto jogador. E são só 8 por equipa!

As equipas têm os seus pontos fortes e fracos, pelo que antes de escolher uma selecção a jogar podemos observar as suas estatísticas para velocidade, kick, capacidade ofensiva e capacidade defensiva. Obviamente que quanto maiores forem os números, melhor é a equipa nesse ponto. O jogo toma uma perspectiva aérea, e infelizmente os controlos não são os melhores, principalmente quando não se tem a bola, onde é muito difícil chegar à bola antes do adversário. O facto de o campo ser tão pequeno para todos os jogadores em campo (ou os jogadores serem grandes demais, escolham a que melhor convém), também dificulta um pouco as coisas, pois é muito frequente ficar uma multidão de jogadores num espaço curto.

Graficamente o jogo começa muito bem, com um bonito ecrã título e boas animações na selecção de equipas ou nos penalties. Já no jogo em si, não gostei das cores escolhidas para o campo, e a Master System é capaz de melhor neste campo. Os efeitos sonoros são OK, tendo em conta o hardware, já a música também não deixa grandes memórias.

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O modo campeonato do mundo dá para um jogador apenas.

No fim de contas, para quem gostar de jogos de futebol com esta perspectiva, então as versões Master System do Sensible Soccer ou Super Kick Off parecem-me ser alternativas bem melhores. Mas também quem estou a enganar? O público alvo deste género de jogos hoje em dia continuará a preferir jogar os novos PES ou FIFA.

Kid Icarus Of Myths and Monsters (Nintendo Gameboy)

585772_46679_frontA Nintendo possuia um cardápio impressionante de franchises durante a época da NES. Muitas delas tornaram-se sucessos colossais de vendas e crítica como Mario, The Legend of Zelda ou Metroid, mas muitas outras ficaram completamente esquecidas. Kid Icarus quase que se tornava numa dessas franchises perdidas nos anais da história, pois para além do lançamento do primeiro jogo para a NES em 1986 e desta sequela para Gameboy em 1991, foi apenas em 2012 que vimos um novo jogo da série, lançado para a 3DS. Ora este Myths and Monsters foi-me oferecido por um colega de trabalho, num bundle Gameboy que arranjei recentemente. Possuo apenas o cartucho e respectiva caixa plástica de protecção, pelo que um dia que venha a obter o jogo completo, este post será actualizado.

Kid Icarus Of Myths and Monsters - Nintendo Gameboy
Apenas cartucho, versão americana

O jogo herda muita da mitologia da grécia antiga, incluindo monstros e criaturas mitológicas. Neste jogo controlamos Pit, uma espécie de anjo guerreiro ao serviço da deusa Palutena, com a missão de conquistar 3 artefactos sagrados que por sua vez são protegidos por poderosos guardiões. Estes artefactos irão dar a Pit poderes especiais para defrontar o exército demoníaco de Orcos, que se prepara para invadir a Angel Land, o que acaba por acontecer de facto lá mais para a frente do jogo.

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Algumas das salas que podemos entrar dão acesso a dicas para o jogo

O jogo é um sidescroller de plataformas dividido em 3 áreas principais, cada uma com um conjunto de 4 níveis mais um boss. Pit está equipado com um arco com flechas infinitas, ou pode utilizar também um martelo para atacar os inimigos. Mas estes martelos podem-se partir, caso sejam utilizados em objectos especiais que por sua vez se tornam em items. Ao longo do jogo poderemos encontrar diversas salas com diferentes propósitos. Algumas servem para comprar items como poções que restauram a vida ou mais martelos para utilizar no combate. Essas lojas aceitam como moeda os coraçõezinhos que vão sendo deixados no ecrã pelos inimigos derrotados, um pouco como na série Castlevania. Um tipo de loja peculiar é o black market, onde para além dos items normais, poderemos também recuperar alguns items específicos que nos tenham sido roubados por um inimigo em particular. Outras portas que encontraremos darão acesso a diferentes salas, entre as quais uma “Treasure Room” onde podemos ganhar alguns items valiosos, dependendo da ordem em que quebramos os potes que os contêm, salas que permitem recuperar energia, outras para obter informações do jogo, ou outras ainda salas em que Zeus põe as nossas habilidades em teste, premiando-nos no final com vários powerups importantes.

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Outras dão acesso a lojas onde podemos comprar diversos items utilizando os coraçõezinhos como moeda

Existem ainda outras salas a descobrir e diferentes peculiaridades, como por exemplo existir sempre um nível por zona passado numa fortaleza labiríntica, ou ainda outros tipos de salas a descobrir. Apesar de Kid Icarus ter todas estas peculiaridades que a meu ver o tornam num jogo único, sinceramente não é jogo que eu tenha apreciado por aí além. Os controlos estão bem implementados, os níveis são grandinhos e com imensos segredos para descobrir, mas no entanto este Of Myths and Monsters não é jogo que me tenha agradado particularmente. É meramente uma questão pessoal de gostos.

Graficamente é um jogo monocromático, mas bem detalhado para o hardware da Gameboy. As sprites são grandinhas e bem detalhadas, assim como os níveis que possuem zonas bem distintas entre si. A única coisa que não gostei assim muito na questão audiovisual foram mesmo as músicas que em alguns níveis estão uns furos abaixo da média, e com os níveis grandinhos que o jogo tem, acabam por se tornar bastante repetitivas.

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O Grimreaper quando nos vê lança os seus minions ao combate

No fim de contas apenas consigo dizer que é um jogo tecnicamente bem feito, com imenso conteúdo a descobrir, tendo em conta a idade do jogo, mas no entanto pessoalmente não consigo gostar particularmente dele. Tenho a certeza que para os fãs do Kid Icarus original da NES irão gostar deste jogo. Já para quem conheceu Kid Icarus com o recente lançamento para a Nintendo 3DS (o que não foi o meu caso), então esperem algo de realmente muito diferente.