Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
O artigo que trarei cá hoje é mais que uma rapidinha, é mesmo um artigo “blitzkrieg”! Isto porque para além de hoje o tempo não dar para mais, já analisei a versão Master System anteriormente e este Bart vs the Space Mutants da NES é na sua essência o mesmo jogo. Este meu exemplar, do qual apenas possuo o cartucho, foi comprado algures no mês passado de Janeiro na Feira da Vandoma do Porto por 5€, creio até que foi um dos primeiros jogos que comprei neste ano de 2015.
Apenas cartucho
Tal como referido acima, esta versão é semelhante à da Master System, embora como seria de esperar, com gráficos um pouco piores mas surpreendentemente bem coloridos, talvez dos jogos mais coloridos da NES. A música é melhor e o facto desta versão possuir a música oficial dos Simpsons é um plus, é sempre agradável ouvir aquela melodia familiar com o chiptune da NES. De resto mantém aquela jogabilidade de um sidescroller, com mecânicas de jogo não convencionais, onde temos níveis em que o objectivo é pintar uma série de objectos de roxo, outros em que temos de coleccionar chapéus, sempre tendo em conta que os ETs podem estar mascarados de humanos, sendo necessário “desmascará-los” ao equipar uns óculos especiais. Tudo isto aliado a uma dificuldade bem acima da média, e com saltos bem precisos e difíceis de executar.
Apesar de não ser tão colorida como a versão Master System, esta versão NES não é nada má nos audiovisuais
Este é daqueles jogos com fama de serem mesmo difíceis e frustrantes para a NES, o que sinceramente é pena, pois para além de gostar dos conceitos que implementaram, tecnicamente também é um bom trabalho da Acclaim.
Mais uma rapidinha de Mega Drive, a um jogo que já analisei, pelo menos a sua incarnação de 8bit que apesar de ser um pouco diferente devido às limitações da Master System, no seu conceito acaba por ser um jogo semelhante. O Jungle Book é um dos filmes clássicos da Disney que conta a história de Mowgli, um jovem rapaz que foi abandonado na selva e criado por uma série de animais, como o urso Balu, a pantera Bagheera, entre outros bichos. Esta minha cópia do jogo foi comprada no mês passado na feira da Vandoma do Porto e custou-me 6€, estando sem manual.
Jogo com caixa apenas
Tal como referi acima, o jogo segue a história clássica do Livro da Selva, mas a interpretação do filme da Disney, não a obra original. A jogabilidade é a de um jogo de plataformas e excepto nos níveis em que tenhamos de enfrentar algum boss como o macaco King Louie ou o vilão Shere Khan, os restantes consistem em guiarmos Mowgli por várias diferentes localidades da Selva, desde as densas florestas, riachos ou templos em ruínas, sempre à procura de um determinado número de pedras preciosas que nos permitam depois avançar para o nível seguinte. Apesar de existirem 15 dessas pedras espalhadas em cada nível, não precisamos necessariamente de as apanhar a todas (existe uma opção que nos permite mudar esse número de joias mínimas para apanhar), mas caso encontremos as 15 podemos jogar um pequeno nível de bónus onde num curto intervalo de tempo tentamos obter a melhor pontuação possível e claro, vidas extra.
Como seria de esperar, este jogo é bem mais colorido e detalhado que o original da Master System
Mowgli é um rapaz bem ágil, e como em vários jogos do género pode derrotar alguns inimigos simplesmente ao saltar-lhes para cima. Contudo nem sempre dá jeito, ou simplesmente resulta essa abordagem. Para isso podemos usar várias “armas”, algumas por defeito como um reservatório infinito de bananas que podem ser atiradas, já as outras podem ser encontradas como power-ups ao longo dos níveis, entre as quais bumerangues, bananas duplas ou as mais poderosas pedras (ou serão antes côcos?), que vêm sempre em números limitados. A fruta que vamos poder encontrar ao longo do jogo apenas nos dão mais pontos, já os corações restabelecem alguma da vida perdida. De resto a jogabilidade é bem intuitiva, com um botão para saltar, outro para disparar bananas/etc, e um outro para mudar de “arma”. O platforming tanto pode ser simples como bem exigente, como é o caso do nível onde acabamos por enfrentar depois o King Louie, que nos coloca a saltitar de pedrinha a pedrinha e muitas delas desaparecem segundos depois de serem pisadas.
A maior parte dos inimigos acabam por ser macacos. Estão em todo o lado!
No que diz respeito aos audiovisuais, os jogos da Disney desenvolvidos a cargo da Virgin Interactive para a Mega Drive sempre foram obras bem competentes nesse campo. Tal como em Aladdin temos gráficos muito coloridos, quase que parece que estamos a jogar um jogo de SNES, e a música também é bastante acima da média, não só por usar como base a banda sonora do filme (e só de escrever isto já fiquei com a música principal na cabeça), mas também por tirar muito bem partido do hardware de audio da Mega Drive, muitas vezes mal-aproveitado em vários jogos o que causou uma certa fama de a Mega Drive não ter um som bom. Não é esse o caso com este Jungle Book, felizmente.
Posto isto, para quem cresceu a ver os filmes clássicos da Disney e gosta de jogos de plataformas da época das 16bit, esta é mais uma boa proposta, felizmente a Mega Drive está cheia delas. Curiosamente a versão Mega Drive saiu um ano depois da Master System e é um jogo diferente, apesar de possuir os mesmos conceitos e jogabilidade básica, pelo que mesmo que tenham a versão SMS como é o meu caso, não deixem de verificar esta.
O Bomberman é certamente uma das personagens mais icónicas do mundo dos videojogos. A mascote da Hudon, com as suas origens num videojogo bem viciante, especialmente se jogado em multiplayer, tem visto com o decorrer dos anos o lançamento de inúmeros videojogos baseados na mesma fórmula. Mas por vezes também se desviam um pouco da norma e este Bomberman Generation acaba por ser um jogo de acção/aventura bem diferente dos Bomberman clássicos. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na feira da Vandoma no Porto, por 5€.
Jogo com caixa e manual
Este Bomberman conta uma história onde o universo aparentemente é alimentado pela energia de uns pequenos cristais chamados “bomb elements”. Curioso para saber mais, o professor Ein traz-los numa nave espacial para serem analisados no seu laboratório, quando a mesma nave é albarroada pelos piratas Hige Hige, que roubam os bomb elements e refugiam-se num planeta ali próximo. O resto do jogo coloca-nos em perseguição dos Hige Hige Bandits e os seus bomb elements, ao longo de 5 diferentes mundos, com cenários variados como florestas, desertos, templos antigos ou bases espaciais mais high-tech.
Em baixo temos alguns dos Charabombs que nos podem ajudar na aventura
A jogabilidade é quase a de um jogo de plataformas, excepto pelo Bomberman não conseguir saltar. Vamos então vagueando em cada nível numa perspectiva quase em top-down view, e o único ataque que dispomos é o que Bomberman sempre fez de melhor: usar bombas. Essas bombas podem ser utilizadas para atacar directamente inimigos, ou abrir contentores que tenham itens, ou destruir algumas partes do cenário para nos abrirem novas passagens. Mas este jogo ainda vai bem mais longe com as suas mecânicas. Vamos poder apanhar items que depois nos permitem criar bombas de diferentes elementos, como água, gelo ou luz, encontrar pequenas criaturas (Charabombs) que nos dão diferentes habilidades se os equiparmos, como teleguiar as bombas que atiramos para o inimigo mais próximo, explodi-las quando quisermos, ou mesmo controlar o seu movimento manualmente. Todas as suas habilidades acabam por ser eventualmente necessárias para terminar o jogo através de pequenos puzzles, quanto mais não seja para encontrar várias dos power-ups secretos que podemos encontrar, como heart containers que nos aumentam a nossa vida.
Para além de largar as bombas, podemo-las atirar ou chutar
Os próximos Charabombs que encontramos para que os mesmos se juntem a nós devem ser combatidos como se combates de Pokémon se tratassem, embora muito simplificados. Podemos escolher apenas um pequeno set de movimentos a desempenhar sequencialmente a cada turno e o nosso oponente faz o mesmo. Os bichos também são elementais, pelo que combater Charabombs de fogo usando um de água é sempre uma boa ideia. Existem também imensos powerups a serem apanhados, como itens que incrementam o número de bombas que podemos largar de cada vez ou a nossa velocidade. Infelizmente se perdermos uma vida estes valores voltam outra vez ao default, movimentação lenta e apenas uma bomba de cada vez. Temos também vários mini-jogos dentro da própria aventura principal, bem como uma série de bosses que para um jogo infantil nem são assim tão fáceis, o que me acabou por surpreender positivamente.
Os bosses também têm uma barra de vida medida em corações.
Para além do modo história poderemos depois jogar os minijogos as vezes que quisermos, bem como temos também uma interessante componente multiplayer, como um verdadeiro jogo da série Bomberman. Para além do modo clássico onde podemos andar sozinhos contra o computador, ou com outros amigos a estourar-nos uns aos outos (e evitar que sejamos apanhados pelas nossas próprias explosões, temos outras variações desse modo clássico, como um onde vence o jogador que tiver mais moedas no fim, ou o modo reversi, onde as nossas bombas alteram a cor do chão. Como o próprio Reversi nunca foi jogo que gostasse muito, também não perdi grande tempo com este modo de jogo. Temos também o Dodge Battle, onde os jogadores não têm bombas para armadilhar, mas elas simplesmente chovem do céu e a ideia é mesmo sobreviver. Por fim temos o Revenge Battle que é muito estranho, andamos a circular a arena de jogo e temos de estourar com as coitadas das toupeiras que vão aparecendo.
Porque um jogo de Bomberman sem o multiplayer clássico é como uma pizza sem queijo.
Graficamente é um jogo bem simples, porém competente. Utiliza o estilo gráfico do Cel-Shading (Jet-Set Radio, Zelda Wind Waker), o que lhe dá um aspecto bem polidinho e animado. Os gráficos são assim bem coloridos, vê-se que este foi um jogo pensado para jogadores mais jovens. O voice acting, apesar de não ser espectacular também se vê logo que parece um elenco retirado de uma qualquer série de desenhos animados daqueles que dão ao Sábado de manhã, mesmo para a criançada. Não é mau, mas nota-se perfeitamente qual o intuito. As músicas são agradáveis, embora não tenha havido nenhuma que me tenha ficado particularmente no ouvido. Ainda no aspecto técnico, devo só ressalvar que apesar de ser possível controlar a câmara, deveria dar também para alterar a perspectiva em si, pois por vezes a câmara atrapalhava um pouco.
Bomberman Generation foi uma boa surpresa para mim. Era um daqueles jogos que eu não fazia mesmo questão em ter para a minha Nintendo Gamecube, mas como apareceu baratinho e sinceramente eu até que estava curioso com o jogo decidi arriscar e ainda bem que o fiz, pois é um jogo bem sólido. Para quem gostar de jogos de “plataforma” (as aspas são pela falta da habilidade de saltar), este Bomberman Generation até que é um jogo bem interessante, apesar de não ser nenhuma obra-prima.
Poucos desafiam a maestria de duas empresas no género de light gun shooters, a Sega e a Namco, que com títulos como Virtua Cop, Time Crisis, House of the Dead ou Point Blank se estabeleceram como rainhas e senhoras dos salões arcade, principalmente durante a década de 90, onde a transição dos videojogos para o 3D permitia desenvolver experiências ainda mais cativantes. Mas por vezes mesmo os mestres falham um pouco. E este Ninja Assault é um jogo que tem recebido várias queixas, embora sinceramente, tirando a parte dos audiovisuais que poderiam de facto ser melhor, pouco de mau lhe tenho a apontar. É um shooter onde temos de disparar mais rápido contra quem nos tenta atacar. A minha cópia foi comprada na cash converters de Alfragide, algures durante o Janeiro passado por 3€.
Jogo com caixa e manual
A história do jogo é estranha: supostamente o mesmo decorre no período feudal da história Japonesa, onde um vilão meio zombie convoca as suas forças do inferno para raptarem uma jovem princesa, supostamente chave para a sua ressurreição completa. O jogo coloca-nos então na pele de um de 3 diferentes ninjas, mas em vez de lutarem com armas brancas como seria de esperar, usam revólveres como gente grande. No Japão feudal. Como sempre o modo arcade não é muito longo, e poderemos jogar diferentes variações da mesma “story mode”, cada uma jogada com um dos três diferentes ninjas mas a sua jogabilidade é semelhante. Eu usei a G. Con45 original e com essa light gun os controlos são simples, os gatilhos servem para disparar, apontar a arma para fora do ecrã e disparar carrega-a e por fim qualquer um dos outros botões especiais servem para largar um ataque especial poderoso que ataca todos os inimigos presentes no ecrã. Podemos também usar uma G-Con2, que não possuo, ou o próprio comando normal da PS2, que preferi não usar.
Por vezes temos direito a algumas cutscenes com poucos diálogos…
Mas jogar as 3 diferentes histórias ou o modo arcade original acaba por servir para nos desbloquear tanto minijogos de treino, como outras pequenas missões, que geralmente consistem em matar uma série de inimigos dentro de um tempo limite, ou com um número pré-definido de munições, por exemplo. Por outro lado os mini jogos de treino tanto podem ser coisas como galerias de tiro onde não podemos acertar em inocentes, defender de uma chuva de shurikens ao disparar sobre as mesmas, disparar em peixes que vão saltitando à tona da água, entre outros que por sua vez me fazem imenso lembrar os light gun games primitivos da era da NES.
…e bosses grandinhos para encher de balas.
De resto Ninja Assault é um jogo simples, tanto na sua jogabilidade como na parte técnica. Os gráficos estão uns bons furos abaixo daquilo que a PS2 é bem capaz de apresentar, com texturas muito pobres e modelos poligonais no geral bem limitados. No entanto não deixa de ser um jogo bastante fluído e na minha opinião é isso que mais se pede num jogo deste género. A movimentação, apesar de ser on-rails, acaba também por ser muito mais dinâmica devido aos saltos acrobáticos que as nossas personagens vão desempenhando. A música sinceramente me passou completamente ao lado, já os efeitos sonoros pareceram-me competentes para o efeito. Por outro lado, o voice acting é terrível, embora não chegue ao nível de um certo The House of the Dead 2. Posto isto, e para terminar esta rapidinha, este é um jogo que recomendo apenas se o encontrarem baratinho e se forem fãs de videojogos deste género. Para pegar e jogar em pequenos intervalos de tempo, é sem dúvida uma óptima opção.
Tal como referi muito recentemente no meu post de aquisições de Janeiro de 2015, também em Janeiro participei numa série de vídeos para o Game Chest, em conjunto com o Ivan Cordeiro da Pushstart/Games Tome/Thy Games. O primeiro era sobre as demos, as que mais nos marcaram e porquê, e quais as nossas opiniões acerca das demos no geral:
O segundo vídeo, também com os mesmos protagonistas e gravado no mesmo dia, já tinha um debate diferente: as revistas de videojogos. Quais as que líamos e o porquê. Em breve conto transcrever a minha preview ao Duke Nukem Forever que foi publicada na Super Jogos em Março de… 2002! Cerca de 9 anos antes de o jogo ter finalmente visto a luz do dia. Podem ver o vídeo aqui: