Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Não confundir este jogo com o The Cat Lady, um outro videojogo igualmente bizarro e chocante, mas com muito mais conteúdo. The Lady é só bizarro e chocante por vezes, mas bastante curto, pelo que esta será mais uma super rapidinha. Se a memória não me falha, este foi comprado em conjunto com algum bundle para steam a um preço muito reduzido, como é habitual.
Descrever este jogo não é tarefa fácil pois sinceramente eu não percebi muito bem o que raio estava ali a fazer. Indo à descrição do mesmo na sua página do Steam, podemos ver que o conceito seria uma viagem por uma série de sonhos ou alucinações de uma mulher com graves problemas de depressão e ansiedade. Bom e de facto as coisas começam a fazer um bocadinho de mais sentido assim, até porque vamos lutar contra nós próprios e as coisas tornam-se mesmo bizarras por vezes.
Categorizar este jogo é difícil mas vamos chamá-lo de um sidescroller pois na verdade é isso que fazemos na maior parte do tempo, andar para a esquerda e direita ao longo de vários ecrãs. Eventualmente conseguimos desbloquear algumas portas que nos dão acesso a outras partes do nível e também teremos de combater alguns “inimigos”. Para mover usamos o esquema de WASD, mas para atacar utilizamos as setas do teclado para disparar uns projécteis – chamemos-lhes assim – nessas mesmas direcções. Para avançar no jogo teremos por vezes pequenos puzzles a resolver, mas nada de especial. Coisas como descobrir o caminho a seguir! No final de cada nível temos um boss… e se o primeiro boss acaba por ser algo mais tradicional em sidescrollers 2D, todos os outros acabam por ser algo muito diferente e inusitado: são combates de shmups com 2 cabeças a dispararem lasers pelos olhos!
A atmosfera sempre tensa é sem dúvida a melhor coisa do jogo.
Visualmente é um jogo bastante desconcertante. A nossa protagonista, a Lady, aparenta ser mutilada, e cheia de cicratizes, com um aspecto completamente miserável. Os nossos inimigos são coisas que provocam dor, como pedaços de vidro a cair, arame farpado ou então personificações da protagonista. A música é apenas noise, pelo que em conjunto com estes visuais torna-se numa atmosfera de cortar à faca, o que para mim é realmente a única coisa que eu consigo elogiar este The Lady. O resto como conceito de jogo sinceramente achei muito fraco.
Bom, estou mais uma vez numa altura em que o tempo livre é bastante limitado pelo que para não deixar de escrever qualquer coisa por aqui cá trouxe mais uma super-rapidinha. Recentemente ofereceram-me uma série de jogos de Game Gear e lá pelo meio estava um cartucho do primeiro Sonic the Hedgehog. Eu já há muito que tinha escrito por cá sobre a versão Master system desse mesmo jogo, pelo que não me vou alongar quase nada neste muito breve artigo, pois o jogo é muito similar.
Apenas cartucho
Existem algumas diferenças, como em muitas conversões de jogos de Master System para Game Gear e vice versa. A Game Gear é essencialmente uma Master System portátil mas capaz de apresentar uma paleta de cores maior no ecrã, pelo que não é incomum as versões GG de um certo jogo serem mais coloridas que o seu “irmão” para a MS. Por outro lado, o ecrã e resolução menor da Game Gear fazem com que certas mudanças tenham de ser feitas, pelo que é bastante habitual existirem pequenas alterações aqui e ali para o jogo melhor se adaptar às necessidades de uma consola portátil.
Estes sinais de perigo alertam-nos que é melhor planear um pouco melhor o que vamos fazer a seguir e abrandar um pouco
Este Sonic the Hedgehog não foi excepção, existindo várias diferenças. Para compensar o ecrã menor que nos dá um tempo de reação mais curto quando corremos a alta velocidade, na primeira zona vamos encontrar alguns sinais de perigo quando nos aproximamos de alguma zona que exija mais cuidado. Alguns bosses também se alteraram e outras mudanças nos níveis em si também foram feitas. Uma das mais conhecidas é o acto 2 da Jungle Zone, em que temos de subir uma cascata por entre algumas secções mais desafiantes de platforming. Na versão Game Gear as coisas foram mais facilitadas.
Se há coisa que esta versão me deixa com inveja da Master System é esta intro clássica com o SEEGAAA que tanto gostava.
De resto a jogabilidade é igual a si mesma, estes primeiros Sonics 8bit mantinham padrões de qualidade muito altos, quase tão bons como os principais para a Mega Drive e felizmente esta versão Game Gear não é excepção. A nível gráfico é um jogo bastante colorido e possui várias músicas bem sonantes que me ficaram gravadas na memória até hoje. É um clássico! Mas eu prefiro a versão Master System.
O artigo de hoje vai ser algo muito rápido pois tenho muitos outros afazeres infelizmente. Estava a adiar este artigo pois gostaria de o escrever num dia em que tivesse comprado a própria Menacer em si, mas pensando melhor o meu espaço é valioso e não é algo que faça assim tanta questão de ter, até porque me lembro bem de como era usar uma, quando era bem mais novinho. Esta compilação de 6 minijogos era vendida originalmente em conjunto com a light gun, se bem que este meu exemplar já não tinha nenhuma a acompanhar. Foi comprado na feira da Vandoma no Porto por um preço baixo, algo em torno dos 2€.
Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Só falta mesmo é a pistola!
E então quais são as minhas memórias da Menacer em si? Bom, não sei o que se passou quer na cabeça da Nintendo ou Sega, pois após da Zapper e Light Phaser, duas light guns compactas, ambas as rivais decidiram lançar 2 enormes trambolhos, a Super Scope e no caso da Sega, a Menacer. O bom desta light gun era a sua tecnologia que não causava um flash branco no ecrã por cada vez que o gatilho fosse pressionado, tal como era feito nas outras light guns do mercado. A pistola era wireless, comia 6 pilhas e comunicava com um receptor infravermelhos, geralmente posicionado na TV. Bom, o facto de comer 6 pilhas e da autonomia não ser a maior não era lá uma grande coisa a seu favor, mas o que sempre me irritou foi mesmo o seu tamanho. Isto porque se quiséssemos montar a Menacer completa, para além da parte principal com o gatilho, outros botões e o cano, podemos montar também uma coronha e umas miras duplas que não dão sinceramente jeito nenhum… De resto e infelizmente, por muito que eu até goste de jogos de light gun, a Menacer foi mal aproveitada, pelo menos para a Mega Drive, onde apenas mais 2 jogos suportam este periférico, embora a Mega CD até acaba por suportar mais.
O bicho todo montado.
Mas indo para esta compilação propriamente dita, os mini jogos que aqui temos são bastante simples. O mais conhecido de todos é o Ready, Aim, Tomatoes! que contém personagens do universo Toe Jam & Earl, uma outra série da Sega. Aqui disparamos tomates contra vários inimigos, à medida que o ecrã vai andando, cada vez com mais velocidade quanto mais tempo passa. Como sempre existem alguns power ups, que tanto podem abrandar, ou até parar temporariamente o scroll, ou outros que fazem um auto-aim para ajudar à coisa. No Pest control temos um nível todo às cegas, onde apenas vemos um pequeno círculo do ecrã mediante para onde estejamos a apontar a pistola. A ideia é matar todos os insectos que nos tentam roubar a nossa pizza… se fosse eu bastava uma barata passar perto da pizza para eu a deitar fora, mas no mundo dos videojogos vale tudo!
O Rockman’s Zone e o Front Line são daquelas shooting galleries básicas. Na primeira vamos percorrendo ruas e temos de disparar sobre bandidos, poupando os civis. Na segunda temos de destruir uma série de veículos militares que nos aparecem à frente, como jipes, tanques e aviões. O Space Station Defender é outro jogo similar, mas que temos de nos defender de uma série de aliens que tentam aterrar no nosso planeta em vários pods. Por fim temos o Whac Ball, sem dúvida um dos mais originais. Este é um mini jogo algo inspirado no Breakout, em que com a Menacer controlamos um disco em que devemos bater noutra bola mais pequena de forma a levá-la a tocar em blocos coloridos que formam a “parede” do nível.
Um screenshot de cada minijogo, cortesia do Wikipedia
No que diz respeito aos gráficos e som, é uma compilação bastante simples no seu todo, não esperem por nada de especial em ambos os campos… se bem que mais uma vez o Ready, Aim, Tomatoes! acaba por ser o minijogo com a melhor música e gráficos mais coloridos e detalhados.
No fim de contas, terem esta compilação sem uma Menacer, não é lá grande ideia. E mesmo ter uma Menacer se calhar também é algo que não justifique lá muito, a não ser por motivos de colecção. A Justifier da Konami, apesar de ser mais tradicional e menos “high tech” acaba por me agradar mais. Assim como ambos os Lethal Enforcers, facilmente os melhores jogos light gun da biblioteca da Mega Drive. Se formos para a Mega CD, então há outras alternativas, mas isso é assunto para um outro artigo.
Se há coisa que realmente gosto nos jogos indie, é a capacidade que têm para me surpreender. É uma das vantagens de “podermos fazer o que bem nos apetece”, que por vezes acaba por resultar em experiências tão originais, mas também tão bizarras que dificilmente teriam lugar no mercado se fossem produtos das grandes produtoras deste indústria, que geralmente não correm lá muitos riscos. E Stanley Parable é um desses pequenos grandes jogos, para mim vindos completamente do nada e não consegui deixar de jogar mal lhe pus as mãos em cima. Este meu exemplar foi comprado até que recentemente, num humble bundle qualquer por uma ninharia.
E o que consiste este Stanley Parable? Bem, vai ser muito difícil traduzir isto para palavras, pelo que me vou reduzir a uma rapidinha e pedir-vos sinceramente que o joguem por vocês mesmos. Vão ser surpreendidos. Basicamente nós somos Stanley, um mero funcionário de uma mega corporação cujo único trabalho seria estar o dia todo sentado em frente ao computador e pressionar as teclas que o computador lhe pediria. Um trabalho extremamente tedioso, mas por algum motivo Stanley adorava o que fazia até que chega um certo dia e nada acontece, o computador não dá ordens nenhumas a Stanley e mais misteriosamente ainda, não está mais ninguém na empresa.
O nosso cantinho no trabalho.
Somos então “guiados” por um narrador que nos convida a sair do escritório e seguir um certo caminho por ele narrado para dar continuidade à história e para que consigamos resolver o tal mistério. Bom, se fizermos a vontade ao narrador, em cerca de 10 minutos temos o jogo fechado. Se bem que nesse caso o próprio narrador ainda diz que há muitos mistérios por resolver e recomenda-nos a jogar uma vez mais. Em muitas vezes temos a oportunidade de escolher qual o caminho ou decisão tomar e a piada está precisamente em explorar todos esses caminhos e decisões, em especial aquelas que contrariam o narrador. Isso vai levar-nos a uma série de novas ramificações na mesma história, algumas delas bastante absurdas e o papel tomado pelo narrador como nosso guia é 90% de toda a piada do jogo, até porque todas as nossas acções são devidamente comentadas por esse senhor. Vamos ouvir muito sarcasmo, muito humor negro, muitas pseudo filosofias e por vezes bizarrices, que tornam este jogo um prazer de ser jogado e explorar todas as diferentes alternativas que conseguirmos descobrir. Até nos achievements o jogo dá-nos um gozo tremendo só para ganhar um mero troféu virtual.
A nível técnico é um jogo minimamente competente nos seus gráficos, visto usar o motor gráfico do Source que já mostra bem a sua idade. Ainda assim “jogar” Minecraft ou Portal até teve a sua piada! Na narrativa e demais banda sonora é de facto um jogo excelente, nada a apontar neste campo.
Apesar do jogo ser passado numa enorme empresa, ainda há lugar para alguma variedade de cenários
Se gostam de jogos que não vos dão assim lá muito trabalho nem ocupam muito do vosso tempo para serem jogados, este Stanley Parable já seria uma óptima escolha para pequenas “escapadelas”, mas com toda a sua qualidade torna-se de facto obrigatório.
Phantasy Star é uma das minhas séries preferidas de RPGs, muito por causa do Phantasy Star IV da Mega Drive que foi um dos jogos que me deixou definitivamente a gostar de JRPGs e na minha modesta opinião é um dos mehores jogos dentro do seu género da era das máquinas 16bit. Mas a série Phantasy Star teve uma origem e evolução interessantes ao longo dos seus quatro jogos principais, e este Phantasy Star II melhorou em alguns aspectos perante o anterior da Sega Master System, mas também piorou em alguns outros. Este meu exemplar foi comprado há coisa de um mês atrás no site britânico da Chillout Games, estando quase completo e em bom estado. O preço é que foi mais salgado, mas era um jogo que eu fazia mesmo questão em ter na minha colecção e acabei por comprar mesmo assim. Só lhe falta o tal hint book!
Jogo com caixa, manual e mapa
A aventura decorre 1000 anos após os acontecimentos do primeiro jogo, onde Alis em conjunto com os seus companheiros Odin, Myau e Lutz conseguiram derrotar o grande ser maligno que assolava o sistema solar de Algo, constituído pelos planetas Palma, Motavia e Dezoris. Palma era um planeta rico em vida e abundância, tal como o nosso. Motavia era um planeta com um clima árido e completamente desértico, embora alguns povos humanos e motavianos lá vivessem. Por fim (ou não!) teríamos Dezoris, um planeta gelado cujos dezorianos são um povo muito matreiro. E aqui as coisas começam precisamente em Motavia, um planeta completamente transformado com o decorrer destes 1000 anos. Graças ao desenvolvimento de um super computador chamado Mother Brain, o planeta de Motavia foi completamente reclimatizado, tornando-se perfeitamente habitável, com a civilização a evoluir fortemente com o decorrer dos anos. Mas eis que de repente começam a surgir estranhos monstros que atacam a civilização… nós encarnamos em Rolf, agente governamental ao serviço de Paseo, capital de Motavia e a sua companheira Nei, uma jovem rapariga geneticamente alterada, provavelmente a primeira do que viriam a ser os Newmans em Phantasy Star Onlin. A nossa primeira missão consiste mesmo em investigar a origem dos monstros, mas depois muitas voltas a história vai dar, mudando o destino dos habitantes do sistema de Algol para sempre.
As dungeons já não são mais em primeira pessoa, algumas têm ainda estes efeitos gráficos com paralaxe que nos dificultam um pouco a navegação
A primeira das grandes diferenças que nos apercebemos entre este jogo e o original é a ausência das dungeons na primeira pessoa. Aqui as mesmas são exploradas de igual forma como as cidades, numa perspectiva aérea em 3a pessoa, aproximando-se do que acabaria por se tornar um padrão em JRPGs dessa época. É uma pena pois apesar de serem bem simples, eu adorei as dungeons em primeira pessoa na Master System. Depois a outra grande diferença que notamos acaba por ser o número de aliados que poderemos vir a ter. Enquanto no original estavamos restritos àquela party de 4 personagens, aqui poderemos vir a conhecer mais umas 6 personagens, para além de Rolf e Nei. A maneira como as conhecemos é que é estranha, a partir de certas ocasiões do jogo, se visitarmos a nossa casa em Paseo, as novas personagens visitam-nos, apresentam-se e pedem para se juntar ao grupo. Não há aqui um grande desenvolvimento de carácter nestas personagens, exceltp para as principais Rolf e Nei. Essas outras personagens vão sendo algo diferentes entre si, com diferentes “classes” capazes de enveredar equipamento característico, bem como aprender mágicas diferentes. Este é também o primeiro jogo de toda a saga Phantasy Star onde se começam a “standarderizar” muitas das nomenclaturas da série. As magias são chamadas “Techniques”, com algumas magias base como Foie ou Res a prevalecer com o decorrer dos anos. Itens regenerativos como os monomate, dimate e trimate também tiveram a sua origem aqui.
Estes backgrounds é que não ficam nada bem na minha opinião.
Os combates são por turnos como manda a lei, com a opção de lutarmos, usar itens, magias, defender ou fugir. Infelizmente há coisas em que a idade não perdoa e Phantasy Star II ressente-se disso. Isto porque o sistema de inventário continua algo confuso, a misturar itens de todos os tipos. Quando estamos em lojas, para saber se uma arma, ou armadura é mais forte que a que temos equipada, só mesmo comprando-a, equipando-a e ver a mudança nos stats. Ou então pelo preço! Como sempre, armas mais caras costumam ser melhores. Outro ponto ainda algo cru é a narrativa que deixa ainda muitas pontas soltas e por vezes precipita uma série de acontecimentos. No entanto acaba também por ser bastante séria e dramática para os padrões da época – sim, há aqui um momento Aeris, muito antes do Final Fantasy VII ser sequer um projecto.
A maneira como os nossos colegas de equipa se juntam a nós não é lá muito convencional…
Graficamente é um jogo interessante, ainda que simplista devido a ser um dos jogos de primeira geração da Mega Drive. É um jogo colorido, as personagens têm um design que me faz lembrar os animes da década de 80, o que me agrada bastante, mas tem também algumas coisas que não gosto: os backgrounds das batalhas deixam muito a desejar, assim como grande parte do design dos inimigos. Em especial os inimigos do primeiro terço do jogo, muitos deles insectos sem grande interesse e há um abuso nos palette swaps, pois vamos vendo os mesmos monstros vezes sem conta, mas com cores diferente. Mas voltando aos backgrounds das batalhas, no Phantasy Star 1 da Master System estes eram bastante ricos em cores e com a imagem do fundo da região onde estávamos, fosse uma floresta, deserto, praia, entre outros. Aqui temos um fundo negro quadriculado. Algo reminiscente de um Tron, o que lhe pode dar um aspecto muito futurista, mas sinceramente não me agradou muito. Por outro lado as animações das batalhas pareceram-me óptimas, assim como as músicas, muitas delas bastante upbeat com melodias aliciantes.
Sempre adorei este look “retroanime” deste jogo
Phantasy Star II é um bom RPG na minha opinião, embora o seu pico tenha sido mesmo no Phantasy Star 4, a evolução que se traçou entre o primeiro jogo, este e o quarto foi muito boa. O terceiro não é para aqui chamado pois é uma longa história… mas uma história que eu espero que um dia possa vir para aqui contar. Só tenho pena que a Sega nunca mais tenha querido voltar ao sistema solar de Algol…