Tempo de voltar às rapidinhas, agora para a Master System e para um curioso título exclusivo lançado já algo tardiamente no seu ciclo de vida. Masters of Combat é um produto do enorme sucesso que jogos como Street Fighter II tiveram na indústria, com o surgimento de inúmeros clones que tentaram replicar a sua fórmula de sucesso. Em 1993, a velhinha Sega Master System ainda era um sistema importante em certas regiões do globo, apresentando-se como uma alternativa mais barata a sistemas mais recentes e modernos, pelo que a Sega achou por bem investir na criação de um jogo de luta exclusivo para este sistema. Com a Sims a cargo das tarefas de desenvolvimento, o resultado final foi este Masters of Combat, um jogo de luta lançado algures entre 1993 e 1994, consoante os territórios.
A história é simples: um OVNI cai nas imediações da cidade de Megalo e, apesar de uma equipa ter sido enviada para investigar o local do acidente, nada de relevante é encontrado. Um ano depois, o presidente da câmara da mesma cidade decide criar um torneio de artes marciais para encontrar o lutador mais forte do mundo. Como é que estes dois eventos estão relacionados? Deixarei isso para o leitor descobrir.
Masters of Combat possui algumas mecânicas de jogo fora do comum, na medida em que utilizamos um dos botões faciais para saltar, o 2, ao invés de utilizarmos o direccional para cima, como em Street Fighter II ou Mortal Kombat. Sobra-nos então o botão 1 para desferir ataques que, quando pressionados em conjunto com o direccional, poderão resultar em diferentes golpes. Pressionar para trás permite bloquear e cada lutador possui também toda uma série de golpes especiais. É precisamente aqui que surge um dos principais problemas do jogo, já que todos esses golpes especiais obrigam-nos a pressionar combinações que envolvem diagonais, algo que, num comando como o da Master System, nem sempre é simples de executar. A outra grande limitação de Masters of Combat está na sua pouca variedade de lutadores: temos acesso a apenas quatro personagens distintas, cada qual com a sua própria arena e música, e mais um boss que poderemos eventualmente desbloquear através de certos códigos de batota.

Já no que toca aos audiovisuais, o jogo é bastante fluído e as arenas até que são consideravelmente detalhadas, tendo em conta as limitações do sistema, com interessantes efeitos de luz e animações. As personagens são, no entanto, sprites pequenas quando comparadas, por exemplo, com as de Mortal Kombat II a correr no mesmo sistema. Mas, no caso das versões dos Mortal Kombat para a Master System, as personagens não eram sprites convencionais, mas sim parte do plano de fundo, um interessante truque de programação que lhes permitia serem muito maiores e bem detalhadas, mas a troco de uma performance muito inferior. A banda sonora não é nada de especial, com músicas que não são particularmente agradáveis ou memoráveis. E, apesar de cada lutador e respectiva arena possuírem uma música própria, como existe um pequeno leque de personagens, a banda sonora também não é muito extensa.
Portanto, Masters of Combat é um jogo curioso, mas longe de ser tão interessante como eu achava que era quando o joguei através de emulação, há muitos anos. Existe, no entanto, uma versão para Game Gear, lançada no ano seguinte e exclusivamente no Japão, intitulada Head Busters, que é em tudo idêntica a esta versão, excepto nas expectáveis adaptações ao reduzido ecrã da portátil da Sega.


