Splatterhouse 2 (Sega Mega Drive)

No seguimento do primeiro Splatterhouse cuja versão Turbografx-16 cá trouxe recentemente, é tempo de ir explorar a sua sequela. Este Splatterhouse 2 e o terceiro (que infelizmente nunca chegou a ser lançado por cá) já foram jogos desenvolvidos exclusivamente para a Mega Drive, sem que nenhuma outra versão tivesse sido lançada para outros sistemas, pelo menos durante os anos 90. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Janeiro deste ano, tendo-me custado uns 10€.

Jogo com caixa. Manual procura-se.

A história leva-nos uma vez mais a controlar o Rick, protagonista do primeiro jogo. A Terror Mask, a tal máscara amaldiçoada, aparece-lhe em sonhos e diz-lhe para voltar à casa do primeiro Splatterhouse, pois assim conseguirá salvar Jennifer, a sua namorada. Quem jogou o primeiro Splatterhouse sabe bem qual foi o destino infeliz da Jennifer, portanto a aventura começa precisamente nas imediações da primeira casa, agora em ruínas, e com Rick a acordar, já com a máscara posta.

Cortar fetos com uma motossera? Tem tudo para dar certo.

A nível de jogabilidade este é um jogo muito semelhante ao seu precursor, ou seja, uma espécie de beat ‘em up primitivo, onde temos apenas um plano de movimento, com controlos simples (um botão para saltar, outro para atacar) e uma vez mais com muita violência e gore à mistura. Rick, pelo menos quando tem a máscara posta, é um gajo todo bombado pelo que não é muito ágil e os seus saltos vão sendo curtos, porém necessários, não só para ultrapassar alguns pequenos obstáculos, mas também para nos desviarmos de eventuais ataques baixos dos inimigos. Tal como no primeiro jogo, vamos poder também encontrar uma série de armas que poderemos apanhar como um tubo metálico que, tal como no primeiro jogo, atira os inimigos contra uma parede, desfazendo-os numa poça de sangue e carne. Outras armas como um osso gigante, tesouras que podem atiradas, uma motoserra ou mesmo uma caçadeira são algumas que poderemos vir a encontrar. Naturalmente, o jogo não é fácil, pois teremos de memorizar quais os inimigos que teremos de enfrentar e os seus padrões de ataque. Mediante o grau de dificuldade escolhido a nossa barra de vida terá entre 2 a 4 “corações” e visto que não existem itens regenerativos, é fácil perder vidas caso cometamos muitos erros. Felizmente esta sequela tem um sistema de passwords que nos permite continuar a partir do último nível que tenhamos concluído com sucesso.

A história é muito simples e vai-se desenrolando através das introduções de cada nível

Graficamente o jogo mantém a mesma estética do seu antecessor. Contem portanto com cenários macabros, a começar pelas ruínas da primeira mansão, onde depois descemos aos seus subterrâneos, voltamos a sair e percorremos um rio até chegarmos a uma outra mansão repleta de perigos. Os inimigos são uma vez mais criaturas macabras, incluindo fetos deformados. É um jogo com muito gore, pois mediante as armas que eventualmente usemos, os inimigos desfazem-se em poças de sangue e carne putrefacta. A banda sonora é agradável, embora confesso que prefiro as músicas do primeiro jogo.

Graficamente é um jogo super macabro e com criaturas grotescas, incluindo os bosses

Portanto este Splatterhouse 2 é um jogo que irá certamente agradar a quem jogou o primeiro título. A sua jogabilidade é muito idêntica, apresentando-se como um beat ‘em up algo primitivo, mas bastante desafiante e claro, com toda aquela violência, cenários macabros e criaturas grotescas tal como no seu antecessor. A Namco ainda lançou um Splatterhouse 3 que já é um pouco diferente, mas infelizmente, por qualquer razão inexplicável, tal jogo nunca chegou à Europa… até parece que a Mega Drive não foi uma plataforma bem sucedida por cá…

World Class Baseball (Turbografx-16)

Vamos continuar pela Turbografx-16, mas agora para uma super rapidinha a um jogo que comprei mesmo só por puro coleccionismo. Encontrar jogos de Turbografx-16 não é tarefa fácil, pelo que quando consigo apanhar algum a um preço convidativo geralmente não escapa, mesmo que seja um jogo de baseball, o que é o caso. Mas por menos de 15€, super completo com a sleeve exterior de cartão, porque não?

Jogo com caixa exterior de cartão, jewel case, manual embutido na capa e livrete de estatísticas para os jogadores das equipas aqui representadas

Para quem estiver habituado a comprar jogos de PC-Engine, este World Class Baseball corresponde ao primeiro Power League em solo nipónico. A série “power” de jogos de desporto foram produzidos e/ou publicados pela própria Hudson e em particular os Power League foram especialmente bem sucedidos no Japão. Isto porque contaram com inúmeras sequelas lançadas ao longo dos anos, inicialmente para a PC-Engine, posteriormente para outros sistemas também como a Super Famicom ou outros.

Dispomos de 12 equipas jogáveis, todas fictícias, no entanto deram-se ao trabalho de produzir estatísticas para cada um dos seus jogadores

Aqui dispomos de vários modos de jogo. O versus corresponde ao multiplayer onde 2 equipas podem jogar entre si, já o Open Mode permite-nos também jogar uma partida rápida, mas contra o CPU. O Pennant é um modo campeonato onde teremos de defrontar todas as outras equipas. Para quem não tiver nada mais interessante para fazer (tipo observar relva a crescer) pode sempre explorar o watch mode, onde vemos o CPU a jogar entre si. Por fim temos o edit mode que nos permite fazer algumas customizações às equipas. Pena é que eu continue sem entender muito bem o que estou a fazer neste tipo de jogos!

Podemos posicionar o batedor livremente dentro da sua área e com o uso do d-pad também poderemos influenciar o tipo de tacada

Graficamente é um jogo simples. As sprites tentam ser um pouco realistas, pelo menos para os padrões de 1988/1989. A acompanhar a acção temos alguns efeitos sonoros genéricos e também algumas vozes digitalizadas que sinalizam termos simples como safe, out ou home run. Mas estas vozes têm uma qualidade muito baixa e home run soa a homo o que até se torna um pouco engraçado. Felizmente as músicas são agradáveis e um detalhe que reparei é que, quando um jogador está na segunda ou terceira base, a música muda para outra bem mais tensa o que até resulta bem.

Portanto temos aqui um jogo de baseball aparentemente simples e que pelos vistos é o único título deste desporto que chegou à Turbografx-16. Eu sei a plataforma teve pouco sucesso comercial nesse continente, mas visto que, para o bem ou para o mal, ainda foram sendo lançados alguns jogos em solo americano até 1993 (pelo menos no formato HuCard, em CD ainda houve um ou outro lançamento em 1994), é de estranhar que ninguém se deu ao trabalho de lançar nenhum dos muitos Power Leagues que foram entretanto saindo no Japão.

Splatterhouse (Turbografx-16)

Produzido pela Namco, originalmente para as arcades em 1988, Splatterhouse é um beat ‘em up simples nas suas mecânicas de jogo, porém a sua estética de filmes de terror, aliadas à sua extrema violência e gore foi sem dúvida o que mais chamou à atenção. Em 1990 sai uma conversão para a PC-Engine / Turbografx-16, sendo esta última a versão que tenho na coleção. Infelizmente não é um jogo barato e o meu exemplar custou cerca de 80€ a um particular a quem comprei um lote considerável de bons jogos algures em Março passado.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Confesso que nunca entendi bem a história por detrás deste jogo, mas o que interessa reter é que somos um gajo corpulento, equipado com uma máscara aparentemente amaldiçoada e temos de atravessar uma mansão repleta de diversos monstros e outras criaturas paranormais. O objectivo é o de resgatar a nossa suposta namorada e derrotar a criatura demoníaca que estará por detrás de toda esta confusão.

A jogabilidade até pode ser simples, mas os cenários e criaturas grotescas chamaram mesmo à atenção

A jogabilidade é simples. Pensem neste Splatterhouse como um beat ‘em up à antiga, onde apenas poderíamo-nos mover para a esquerda ou direita e com controlos muito simples: um botão para saltar e outro para atacar. A nossa personagem não é nada ágil, pelo que os saltos nunca serão muito altos nem longos, embora por vezes seja necessário fazê-los. Tal como em beat ‘em ups mais tradicionais poderemos encontrar várias armas no chão, como barrotes de madeira, cutelos, uma caçadeira, ou outras armas de uso único como facas ou pedras que poderão ser arremessadas. O que faz mesmo a diferença é mesmo toda a violência e gore. Quando acertamos em algum monstro com o barrote ele é projectado para a parede e desfaz-se numa poça de sangue e carne, quanto os atacamos com o cutelo partem-se em dois e por aí fora.

Usar um barrote para estatelar os monstros na parede foi sempre muito satisfatório!

O que nos leva a falar invariavelmente dos gráficos. É um jogo extremamente violento e repleto de criaturas bizarras e desconcertantes, como um feto deformado rastejante, ou um boss que é um crucifixo invertido rodeado por cabeças sangrentas e deformadas. Bom, pelo menos na versão japonesa que esta norte-americana foi ligeiramente censurada: todos os crucifixos e outras referências religiosas (como um altar de igreja) foram removidas, mas toda a outra violência mantém-se intacta. Outra das diferenças entre as versões japonesa e norte-americana está na cor e formato da máscara de Rick, que é vermelha na versão TG16. Essa é uma decisão que se compreende pois a máscara original é muito semelhante à do Jason dos filmes Sexta-Feira 13. Ainda assim, independentemente das diferenças regionais, o lançamento original arcade consegue ser ainda mais grotesco! De resto a banda sonora também vai sendo algo variada entre si e com algumas músicas bem agradáveis.

Alguns inimigos possuem designs fantásticos!

Portanto este Splatterhouse é um clássico. É, na sua essência um beat ‘em up algo primitivo na medida em que jogamos num único plano e onde teremos de memorizar o surgimento dos inimigos e seus padrões de ataque para melhor sobreviver. Mas toda a estética de terror, violência e gore acabam mesmo por fazer a diferença! A série recebeu durante os anos 90 mais alguns lançamentos a começar por um spin off para a NES/Famicom que se ficou apenas no Japão e mais duas sequelas que se tornaram exclusivas da Mega Drive, embora a última, infelizmente, não tenha saído em solo europeu. Em 2010, para as PS360, sai um reboot que sinceramente nunca joguei mas a crítica não foi muito boa.

Predator 2 (Sega Master System)

Vamos agora voltar à Master System para uma das suas muitas adaptações de filmes de Hollywood para videojogos. Mas esta é, na verdade, uma segunda adaptação. A primeira foi lançada originalmente em 1990 para PC e uma série de microcomputadores como o Spectrum, Commodore 64, Amiga ou Atari ST e era um jogo inspirado em títulos como Operation Wolf. Em 1992 foram lançadas adaptações inteiramente novas para as consolas da Sega, publicadas pela Acclaim/Arena, com as versões 8/16bit a serem algo diferentes entre si. Este meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Março por 5€.

Jogo com caixa e manual

Pensem neste Predator 2 como um shooter com uma perspectiva vista de cima, algo como um Commando ou Mercs, mas com sidescrolling horizontal e automático. Controlamos então o polícia Harrigan, tal como no filme, mas aqui o foco está quase a 100% em confrontos contra traficantes de droga. Ocasionalmente lá temos de fugir da mira laser do Predator que vai surgindo ao longo dos níveis e a partir do quarto nível lá vamos ter de enfrentar alguns predadores também. O último nível, já passado numa nave alienígena, já teremos de enfrentar apenas predadores e naturalmente, o último boss será também um predador.

Estes sacos brancos aparentemente contêm drogas e ganhamos pontos se as apreendermos. Mais à frente temos uma granada de mão.

O objectivo de cada nível é o de salvar um certo número de reféns e claro, sobreviver às dezenas de bandidos que nos vão atacando. Os controlos são simples, com o botão 1 para disparar a arma de fogo actualmente equipada e o botão 2 para ir alternando de armas, se entretanto as tivermos apanhando. A arma que temos por defeito é uma pistola que apesar de não ser potente, tem munições infinitas. Ao longo do jogo poderemos encontrar metralhadoras, uma caçadeira com o three shot spread, granadas entre outras, embora estas armas já tenham munições limitadas. No último nível poderemos também apanhar armas dos predadores! Na parte inferior do ecrã vemos uma série de informação útil como a pontuação, número de vidas que nos restam, a arma seleccionada e respectivas munições e à direita de tudo vemos 3 caras que representam reféns. O predador, com a sua mira laser, tanto nos tenta atingir a nós, como aos desgraçados dos reféns (dava jeito era que ele acertasse nos bandidos) e caso o predador mate 3 reféns é game over. Acima, vamos a nossa barra de vida que rapidamente se esvazia.

No final de cada nível temos um boss que é tipicamente uma autêntica esponja de balas

O jogo é difícil, principalmente porque a nossa personagem não tem frames de invencibilidade sempre que somos atingidos. E a partir do nível 3, onde os bandidos começam a ser mais agressivos e literalmente correm para a nossa posição, é muito fácil perder uma vida em meros segundos, pelo que teremos de ser ainda mais ágeis e estar em constante movimento. E claro, no final de cada nível temos sempre um boss que é uma autêntica esponja de balas, mas com inimitos normais a fazerem respawn constantemente. Mas vamos poder também encontrar itens para nos ajudar. A maioria são itens que sinceramente nem dá para entender muito bem o que são, mas depois de os apanhar apercebemo-nos que são drogas e estas apenas contribuem para a nossa pontuação. De resto, para além das armas acima mencionadas poderemos também encontrar coletes à prova de bala que nos regeneram a barra de vida na totalidade e medkits que nos dão vidas extra.

Os 3 pontos vermelhos representam a mira laser do predador e temos que os evitar, bem como salvar eventuais reféns que possam estar na sua mira

Graficamente até que é um jogo competente e os níveis vão ser todos em áreas urbanas como ruas, estações de metro ou esgotos excepto o último nível que já é numa nave alienígena como referi acima. A maior parte dos inimigos são também bandidos humanos e o jogo até que possui uma boa performance sem sprite flickering considerando que muitas vezes temos vários inimigos ou projécteis no ecrã em simultâneo. As músicas são também agradáveis, tendo em conta as limitações do sistema e soam muito ao típico que estúdios europeus produziam para micro computadores 8bit como é o caso do Commodore 64.

Portanto este Predator 2 até que é não é um mau jogo de acção, embora a sua dificuldade acima da média o penalize um pouco (pelo facto de não termos frames de invencibilidade). A versão de Game Gear é muito similar, sendo no entanto penalizada pelo ecrã menor e a versão de Mega Drive, apesar de possuir o mesmo conceito de base, é tecnicamente mais avançada e apresenta os níveis já numa perspectiva isométrica.

Sonic the Hedgehog Chaos (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, vamos cá ficar com mais um jogo que já cá trouxe noutra plataforma, nomeadamente o Sonic Chaos na sua versão Master System, que foi a versão que joguei em miúdo, embora não tanto quanto o Sonic 1 ou 2 pois esses são jogos que sempre fizeram parte da minha colecção. Esta versão da Game Gear é essencialmente o mesmo jogo, embora possua algumas pequenas diferenças que irei detalhar brevemente. O meu exemplar foi comprado a um amigo no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

Ora o Sonic Chaos foi o primeiro jogo do ouriço que, nas consolas 8bit da Sega, nos permitia jogar com o Tails e usar a habilidade spin dash. A cutscene inicial mostra-nos o Sonic a perseguir o Robotnik que já estava em posse de uma das esmeraldas caóticas. O objectivo será então de impedir que ele encontre as outras 5 (lembrem-se que nos jogos 8bit do Sonic temos tipicamente 6 esmeraldas para coleccionar) e ao contrário do Sonic 1 e 2 nestas consolas, onde teríamos de procurar as esmeraldas espalhadas pelos níveis, aqui teremos de as encontrar em níveis de bónus, tal como acontecia nos jogos da Mega Drive. Para isso temos de coleccionar mais de 100 anéis num nível e lá somos transportados para o nível de bónus que é tipicamente um desafio algo labiríntico e onde temos um tempo reduzido para encontrar a esmeralda. Outras novidades notáveis neste jogo estão na inclusão de alguns novos power ups, como é o caso do skate voador ou das molas que nos permitem saltar bastante alto, as mesmas que estão representadas na capa deste jogo.

Finalmente o Tails como personagem jogável!

Apesar de serem essencialmente o mesmo jogo, existem algumas diferenças entre a versão de Game Gear e a de Master System. A de Master System tem a vantagem de ter uma maior resolução, mas existem algumas diferenças gráficas, particularmente no título, menus, ecrãs de apresentação de novos níveis e da sua pontuação final. Existem diferenças nas músicas e aparentemente existem também algumas pequenas diferenças nos próprios níveis, provavelmente para compensar o facto da menor resolução nesta versão portátil.

Anéis gigantes que valem por 10, ou o skate voador são duas das novidades

A nível técnico este é um jogo colorido, com um bom nível de detalhe e algumas músicas bastante agradáveis. No entanto, apesar de ter alguma nostalgia por este jogo desde miúdo, acho que foi o que envelheceu pior dentro dos jogos de plataformas 8bit do ouriço azul. O facto de podermos jogar com o Miles, usar o spin dash, os níveis terem muitos mais loopings e outras acrobacias que o fazia aproximar-se mais dos jogos da Mega Drive foram notícias excelentes mas continuo a achar que o design dos níveis era mais interessante nos primeiros dois jogos. Mas também pode ser a nostalgia a falar!