Counter Strike 1 Anthology (PC)

Voltando ao PC, vamos abordar brevemente esta compilação do Counter Strike 1 Anthology, que já estava cá em backlog para um artigo há muito tempo. Tal como muita gente da minha idade, joguei bastante o Counter Strike (versão 1.5 ftw) nos meus tempos de Ensino Secundário e não só. Esta compilação para além de trazer o CS original e o Condition Zero, traz também mais uns quantos outros jogos que tinham sido desenvolvidos pela Valve nesse período. O meu exemplar tenho a ideia de ter sido comprado selado ao desbarato na feira da Ladra em Lisboa, por aí em 2014.

Jogo com caixa mais papelada

Deixando os Counter Strike para o fim, vamos começar com os mais desconhecidos desta compilação. Deathmatch Classic, tal como practicamente todos os outros títulos presentes nesta compilação, começou como sendo um mod de Half-Life e é na verdade uma espécie de homenagem ao Quake clássico, pois os seus mapas, armas e jogabilidade frenética estão todos aqui presentes de certa forma. Mas é também um jogo muito simples, onde o único modo de jogo é precisamente o deathmatch. Team Fortress Classic é o original que nos trouxe o Team Fortress 2, ainda bastante popular hoje em dia. Já neste primeiro jogo tínhamos o sistema de 9 classes, cada qual com diferentes armas e habilidades no geral, o que para a altura me pareceu uma inovação bastante interessante. Particularmente os Spies, capazes de se mascararem de soldados inimigos! É um jogo interessante do ponto de vista histórico, mas envelheceu mal e recomendo vivamente a sua sequela, não só pela jogabilidade e gráficos mais refinados, mas também pela maior variedade de modos de jogo.

Já o Team Fortress Classic introduzia as mesmas classes com diferentes habilidades que ficaram mais conhecidas na sua sequela

Ricochet é sem dúvida o jogo mais estranho aqui do conjunto. Com um visual futurista que faz lembrar o Tron, o jogo apresenta arenas em pleno espaço com uma série de plataformas que nos permitem saltar a grandes distâncias para outras plataformas e fazer ricochete em algumas paredes. As nossas armas são meros discos que também podem fazer ricochete em inimigos e é practicamente isso. Acredito que uma sessão deathmatch com muita gente até seja agradável mas poucos são os que jogam Ricochet hoje em dia. Day of Defeat é baseado na segunda guerra mundial, sendo mais um jogo onde podemos escolher jogar por entre diferentes classes, que por sua vez carregam com diferentes tipos de armamento. Os seus modos de jogo são mais na base de conquista/defesa/destruição de diversos objectivos espalhados pelo mapa e o jogo na altura introduziu muitos elementos mais realistas na sua jogabilidade, como o coice das armas, a fadiga dos soldados, entre outros.

Ricochet é um jogo muito bizarro mas também bastante simples na sua jogabilidade (e variedade)

Por fim, vamos aos Counter-Strike, sendo que nesta compilação temos o Counter Strike Clássico e o Condition Zero. O clássico é um jogo multiplayer que torrei imensas horas durante a minha adolescência, onde poderemos optar por jogar como terroristas ou polícias em diversos modos de jogo. O mais famoso, pelo menos para mim e para os meus amigos, sempre foi o bomb defusal, onde o objectivo dos terroristas seria o de plantar uma bomba num de vários locais alvo e garantir que a mesma explodisse dentro de um tempo limite. Já o da polícia é precisamente o contrário, evitar que bombas sejam plantadas e, caso sejam, teremos também de as desarmar a tempo. Outro modo de jogo é o de resgate de reféns, onde os polícias devem localizar e encaminhar uma série de reféns em segurança para o ponto de resgate, já os terroristas devem evitar que isso aconteça. Por fim temos o VIP Escort, onde os polícias devem proteger um VIP e escoltá-lo com sucesso a um determinado ponto no mapa, já os terroristas devem assassinar esse mesmo VIP. Em qualquer modo de jogo no entanto, se todos os jogadores de um dos lados morrerem, será suficiente para vencer um round.

Os cenários de bomb defusal eram de longe os mais divertidos. Tantas horas no de_dust2!

Agora a jogabilidade é simples e assenta sem dúvida na perícia de cada um e no expertise dos diferentes mapas, ao reconhecer os melhores pontos de vantagem. Aqui não há classes e no início de cada round cada jogador tem uma certa quantia de dinheiro para gastar para comprar diferentes armas, munições, explosivos e armaduras. Apenas podemos carregar duas armas de cada vez, uma primária e outra secundária, mas vamos tendo um grande arsenal de diferentes armas para escolher, tanto metrelhadoras, pistolas, shotguns, sniper rifles e por aí fora. Dependendo da nossa performance ao longo do jogo, vamos tendo mais ou menos dinheiro disponível para os rounds seguintes, pelo que convém comprar material de forma mais sensata. De resto, tal como referi no primeiro parágrafo, a versão que mais joguei foi a 1.5. A que aqui vem é a 1.6 que eu e os meus amigos nunca gostamos muito, pois introduziram a possibilidade dos polícias poderem usar um daqueles escudos gigantes e sempre sentimos que isso tenha desiquilibrado um pouco as balanças.

O Tour of Duty do CS Condition Zero são uma espécie de partidas com bots glorificadas, onde para além de podermos condicionar o comportamento dos bots teremos também alguns desafios adicionais em cada partida

Por fim vamos abordar o Counter Strike Condition Zero. Anunciado como uma sequela, este jogo teve um ciclo de desenvolvimento bastante complicado e longo, atravessando diferentes estúdios e lançado no início de 2004, cerca de 2 anos depois da data inicialmente prevista. Basicamente temos o mesmo multiplayer mas com gráficos ligeiramente melhorados face ao original, mas confesso que muito pouco tempo perdi com esse modo de jogo. Este Condition Zero traz ainda algum conteúdo single player, como o Tour of Duty e Deleted Scenes, este último disponível como um jogo à parte no steam. O Tour of Duty é um modo de jogo single player, mas que serve de um bom treino para o jogo em si. Isto porque, em conjunto com alguns bots, vamos tendo uma série de missões para concluir, que são na realidade partidas clássicas do Counter Strike, onde jogaremos nos mesmos mapas e com os mesmos objectivos do jogo multiplayer. A diferença é que temos algum controlo sobre os bots, podendo dar-lhes algumas indicações durante os combates e vamos tendo também alguns desafios adicionais para completar, como terminar um round em menos do que um certo tempo, matar inimigos com algumas armas específicas, entre outros. À medida que vamos avançado no jogo, vamos ganhar mais pontos que nos permitem recrutar mais e melhores bots para os desafios seguintes.

O Condition Zero já foi desenvolvido numa versão melhorada do motor gráfico original, apresentando uns visuais algo superiores

Já o Deleted Scenes é uma campanha single player completa, onde iremos encarnar em diversas forças militares e/ou de segurança e cumprir uma série de missões por todo o mundo, desde resgatar reféns, desarmar bombas nucleares, assassinar barões de droga, entre outras. As localizações que iremos visitar são bastante diversificadas, como o médio oriente, as selvas da américa do sul ou mesmo algumas zonas mais urbanas como o Japão ou um arranha céus em Belfast. Aqui já não estamos limitados a carregar 2 armas de cada vez, pelo que iremos ter à nossa disposição um arsenal de armas bem maior em cada missão. É um modo de jogo interessante, mas as missões que jogamos são todas desconexas entre si, não há nenhuma narrativa propriamente dita ou um fio condutor que interligue as missões umas às outras.

O Deleted Scenes já nos leva por dezenas de missões em vários locais no globo, incluindo o Japão

No que diz respeito aos audiovisuais, bom estes são bastante simples. Todos os jogos aqui presentes nesta compilação são baseados no motor gráfico original do Half Life, que se por um lado era bem competente para a altura em que saiu, por outro não envelheceu lá muito bem, ao apresentar texturas de baixa resolução e objectos ainda muito quadrados. A excepção está no Counter Strike Condition Zero (e Deleted Scenes), que usam uma versão já melhorada do mesmo motor gráfico, pelo que as personagens já possuem mais geometria, as texturas já possuem mais detalhe e até há algumas físicas interessantes na destruição de cenários. Nada a apontar ao som no geral, os sons do Counter Strike clássico estarão para sempre implantados na minha memória! Já o Condition Zero Deleted Scenes, como iremos atravessar o globo ao longo do jogo, preparem-se para ouvir um inglês repleto de péssimos sotaques, especialmente o alemão, russo, japonês e espanhol.

Portanto este Counter-Strike 1 Anthology é uma compilação interessante, quanto mais não seja por incluir o Counter Strike clássico e o Condition Zero. Este último em particular teria sido uma boa ideia se o jogo não tivesse atrasado tanto no seu desenvolvimento. Quando foi lançado em 2004, já estavamos a meros meses do lançamento de Half Life 2 e eventualmente do Counter-Strike Source, um outro remake do clássico, mas com gráficos bem superiores face aos que foram apresentados no Condition Zero meros meses antes.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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