Dragon Crystal (Sega Game Gear)

No início dos anos 90, a Sega desenvolveu 2 dungeon crawlers do género roguelike. Para os sistemas 8bit como a Master System e Game Gear, tivemos este Dragon Crystal, já para a Mega Drive foi lançado o Fatal Labyrinth, algures na mesma época. E tal como o Fatal Labyrinth, este Dragon Crystal é um roguelike relativamente simples, no entanto temos na mesma de jogar de uma forma metódica e cautelosa, pois num momento podemos ter tudo sob controlo, noutro podemos ser rodeados de inimigos e morrer rapidamente. Mas já lá vamos. O meu exemplar veio para a minha colecção algures em Julho deste ano, custou-me 5€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

A história deste Dragon Crystal é simples, o nosso herói estava a visitar uma loja de velharias (provavelmente até à procura de jogos retro!) quando vê um misterioso cristal a brilhar no escuro. Ao inspeccioná-lo, sente uma força que o puxa para o cristal, onde acabamos por acordar num novo mundo e com um estranho ovo que segue os nossos passos. À medida que vamos avançando no jogo (ou seja, subindo de nível), o ovo abre-se, dando lugar a um dragão que por sua vez vai crescendo, mas que acaba por não ter nenhuma influência no jogo, o que é pena.

O nosso inventário é muito limitado

As mecânicas são as tradicionais de um roguelike, na medida em que teremos um labirinto para explorar (cujos níveis são gerados aleatoriamente) e, cada movimento ou acção que tomamos é como se passasse um turno, tanto para o jogador, como para os inimigos. Ou seja, os inimigos vão também tomar acções (geralmente perseguir ou atacar-nos) de cada vez que façamos qualquer coisa. Em salas com vários inimigos, é então perigoso que sejamos encurralados por inimigos, que em conjunto se podem  revelar muito perigosos. À medida que vamos explorando o jogo, vamos também encontrar diversos itens desde armas, armaduras e acessórios que podem ser equipados, bem como uma série de itens como comida, livros, poções ou cajados mágicos. Os efeitos destes itens, principalmente dos acessórios e outros consumíveis, nunca o saberemos enquanto não os experimentarmos. Isto porque eles estão codificados com cores, como “poção azul”, “livro verde”, etc. Estes itens podem ter efeitos adversos e a única maneira que temos de saber o seu efeito é usando-os em nós próprios, ou atirando-os contra os inimigos, causando o efeito (benéfico ou não) nos nossos oponentes. A partir do momento que descobrirmos o que faz uma “poção vermelha” e afins, todos os repetidos que iremos apanhar já se encontram devidamente identificados. O equipamento que encontramos pode também estar amaldiçoado, pelo que é outra das preocupações que temos de ter.

Podemos ter o azar de fazer spawn numa sala cheia de inimigos!

De resto, a comida é um item muito importante e vai sendo consumida à medida que vamos dando passos. Enquanto tivermos comida no inventário, podemos ir regenerando a nossa vida naturalmente ao caminhar. Acabando a comida, iremos começar a passar fome, acabando por eventualmente perder a vida. Podemos também sofrer alguns efeitos adversos como o envenenamento ou confusão (seja através do combate ou usar um item), mas cujo efeito acaba por passar com o tempo. Por fim podemos também encontrar dinheiro, mas não temos aqui nenhuma loja onde o gastar. Para que serve então? Bom, para ressuscitarmos, sendo que cada vez precisaremos de mais dinheiro por mais que morramos. E sendo este um jogo com dezenas de níveis para explorar, sem qualquer sistema de save (nem mesmo com password), tudo isto nos obriga a jogar de uma forma mais cuidada, ter sempre atenção aos nossos recursos e aos inimigos à nossa volta. O nosso inventário também não é limitado, pelo que temos de ir descartando (ou atirar aos nossos inimigos) os itens que não temos grande interesse em manter, como equipamento mais fraco ou itens com resultados negativos.

É uma pena que o dragão que nos persegue não sirva para nada.

A nível audiovisual é um jogo bastante simples infelizmente. Os níveis não são nada propriamente fascinantes. Estamos “cegos” conseguindo apenas ver o que está à nossa frente. À medida que nos aproximamos das paredes, que podem ser árvores, flores, estátuas da ilha de páscoa, etc, é que nos apercebemos onde poderão estar as passagens. Os inimigos também não são nada de particularmente impressionante. Um pormenor gráfico interessante é no entanto a aparência do herói que vai mudando mediante um conjunto de armaduras que vamos equipando. As músicas até que são agradáveis, mas temos muito pouca variedade de músicas, pelo que iremos estar constantemente a ouvir as mesmas melodias num certo conjunto de níveis.

Morreram? Se tiverem dinheiro suficiente podem sempre tentar de novo.

Portanto este Dragon Crystal, tal como todos os roguelikes, não é um jogo para agradar a todos os públicos. A sua natureza “aleatória” na geração de níveis e disposição de itens e inimigos mantém a longevidade refrescante, e como roguelike para um sistema 8bit até não está tão mau de todo. Peca é a meu ver nos cenários e na forma como o “nevoeiro” dos níveis se dissipa, bem como o facto de termos um dragão a seguir-nos constantemente deveria ser melhor aproveitado.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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