The Lost Vikings (Sega Mega Drive)

The Lost Vikings é, a meu ver, um dos maiores clássicos da era 16-bit. Desenvolvido pela Silicon & Synapse, o estúdio que mais tarde veio a ser conhecido por Blizzard Entertainment, o jogo conta a história de 3 Vikings que são raptados por extraterrestres e que, para fugirem e voltarem às suas casas, têm de atravessar vários níveis em diferentes períodos históricos. É um excelente exemplo de um jogo que mistura o platforming com puzzles, visto que cada Viking possui diferentes habilidades e teremos de tirar todo o proveito das mesmas. Para além disso, a versão Mega Drive é na minha opinião a superior, por incluir mais níveis que as restantes. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês de Abril numa das minhas idas à feira. Custou-me 2€.

Jogo com caixa e manuais

Como já referi acima, os protagonistas deste jogo são três Vikings: Erik, Baleog e Olaf. Foram raptados pelo alien Tomator, líder do império Croutoniano, que colecciona espécimens de seres vivos na sua nave espacial. É ao tentarmos escapar da nave onde vamos aprendendo as mecânicas base de jogo. Erik é o Viking mais ágil, o que corre mais rápido, o único com a capacidade de saltar e consegue destruir paredes ao albarroá-las com o seu capacete. Baleog é o único Viking que pode atacar os inimigos, seja com a sua espada ou com arco e flecha (se bem que este último também pode dar jeito para activar botões e alavancas, por exemplo). Por fim, Olaf, está munido apenas do seu escudo, capaz de bloquear qualquer inimigo ou projéctil, mas que também pode servir de plataforma ou de planador, permitindo Olaf deslizar suavemente em queda livre.

O objectivo de cada nível é o de levar os três Vikings em segurança até à saída.

Para além disso, cada Viking tem uma barra de vida de 3 pontos, bem como a capacidade de armazenar 4 itens, podendo depois trocar de itens entre si, logo que estejam próximos uns dos outros. Logo no início teremos de aprender estas habilidades básicas de cada um para escapar da nave espacial, só que quando conseguimos finalmente fugir, somos transportados para a pré-história, onde teremos níveis cada vez mais complexos para atravessar. Ao longo do jogo iremos atravessar outros períodos como o antigo Egipto ou uma fábrica gigante, onde iremos ter puzzles cada vez mais complexos para resolver. Para chegar ao final de um nível, temos de conduzir os 3 Vikings com segurança até à saída, sendo que para isso teremos sempre vários obstáculos para ultrapassar, inimigos para combater (ou evitar), chaves para procurar ou botões para interagir. Portanto muitas vezes vamos ser obrigados a tentar o mesmo nível novamente, até finalmente conseguirmos sozinhos chegar à sua solução.

Cada Viking possui diferentes habilidades. Olaf, apesar de ser o mais pesado, pode “planar” com o seu largo escudo.

Felizmente também temos vários itens que poderemos usar para nos ajudar. Todos os power ups de comida servem para regenerar parcialmente ou totalmente a barra de vida do Viking que o usa. Outros itens podem ser coisas como bombas capazes de destruir objectos ou outras que destroem todos os inimigos presentes no ecrã. Temos também updates como flechas de fogo, capazes de destruir alguns inimigos previamente indestrutíveis ou que precisassem de vários golpes. Depois temos também outros objectos mais específicos para cada nível, como ferramentas para reparar máquinas (nos níveis da fábrica), ou botas de gravidade para salas sem gravidade.

A nível audiovisual este até que é um jogo muito bem conseguido na minha opinião. Tanto os Vikings, como os inimigos ou mesmo os cenários estão muito bem desenhados, pelo menos o estilo mais cartoon é bastante do meu agrado. Para além disso, o que mais me agrada mesmo são os diálogos repletos de humor e sarcasmo! As músicas são também muito agradáveis e alegres, retendo sempre algo da temática do nível nas suas melodias. Por exemplo, na pré-história a música tem sempre alguns contornos tribais, enquanto no deserto temos ali algumas melodias egípcias. Noutros locais há ali uma mistura interessante entre música electrónica e rock, que também me agrada.

Uma das coisas que mais gostei neste jogo é sem dúvida do seu sentido de humor.

Portanto, no final de contas, este The Lost Vikings é um jogo excelente, misturando de forma brilhante o platforming tradicional dos anos 90 com elementos de puzzle que nos vão dar muito que pensar e obrigar a explorar cada nível ao máximo até alcançar a solução. O jogo acabou por receber uma sequela alguns anos depois em 1997. Das máquinas de 16bit, só a SNES recebeu uma versão, que aparentemente utiliza o mesmo motor gráfico do clássico. O PC, Saturn e PS1 já receberam uma versão tecnicamente mais avançada que gostaria de mais tarde tê-la na colecção.

Kirby’s Fun Pak (Super Nintendo)

Voltando à série Kirby, o jogo que cá trago hoje é o interessante Kirby’s Fun Pack, lançado para a Super Nintendo. Conhecido lá fora como Kirby Super Star, este é na verdade uma compilação de vários jogos e mini-jogos todos num só cartucho. Tal como o Kirby’s Dream Course, foi comprado na mesma altura (algures em Abril), na mesma loja e pelo mesmo preço: 15€.

Apenas cartucho

Kirby é uma personagem especial. Tal como o Yoshi pode abocanhar e digerir os seus inimigos, ou cuspi-los como projécteis. Mas ao contrário de Yoshi, quando Kirby digere as suas presas, adquire também as suas habilidades. Os jogos de plataforma do Kirby sempre usaram isso como mecânica de jogo pincipal e aqui tal não é excepção. A grande diferença está em que ao invés de absorvermos as habilidades para nós, poderemos usá-las para criar uma personagem secundária, que pode ser controlada por um segundo jogador. Sendo assim, este jogo acaba por ter uma vertente multiplayer cooperativa muito forte.

Alguns bosses são bastante familiares

Portanto inicialmente dispomos de vários jogos (e dois mini-jogos) que poderemos jogar, até que vamos desbloqueando mais alguns, tendo um total de 7 jogos e 2 mini jogos para explorar num só cartucho. O Spring Breeze é um remake (simplificado) do Kiby’s Dream Land, O Dyna Blade coloca-nos a atravessar uma série de níveis para depois defrontar o Dyna Blade, um pássaro gigante que andava lá a aterrorizar a população. O Gourmet Race é um subjogo de corridas onde defrontamos o rei Dedede numa série de níveis de plataforma. Aqui o objectivo não é necessariamente o de chegar em primeiro lugar (embora isso também seja recompensado) mas sim o de apanhar mais comida!

São vários jogos num só cartucho, embora alguns deles não possam ser seleccionados logo de início.

O Revenge of the Meta Knight foi um dos meus sub-jogos preferidos, principalmente pelo seu maior foco dado à acção. Aqui levamos Kirby a invadir a nave de Meta-Knight, o Halberd e tentamos travar os vilões de conquistarem a Dream Land. Este jogo está repleto de diálogos entre as tropas do Meta-Knight e em cada nível vamos tendo um tempo limite para respeitar, dando-lhe um feeling mais arcade. Até a música neste jogo é mais agressiva que nos demais! O The Great Cave Offensive já é um jogo com maior foco na exploração, onde teremos de encontrar 60 peças de um tesouro escondidas ao largo de uma grande área. Para as descobrir a todas temos de ter muita paciência e dominar todas as técnicas que Kirby consegue executar!

O jogo pode ser encarado como multiplayer cooperativo. Para isso temos se sacrificar uma das habilidades que tenhamos apanhado, o segundo jogador poderá controlar uma personagem idêntica ao inimigo que originalmente controlava essa habilidade.

O ultimo dos sub-jogos “grandes” é o Milky-Way Wishes, onde um sol e lua andam à pancada entre si e para parar isso, teremos de viajar ao longo de vários planetas e restaurar o cometa mecânico NOVA. Entretanto coisas acontecem e no final lá teremos um novo vilão para defrontar. Aqui neste modo de jogo o Kirby vai “coleccionando” as habilidades que pode usar, podendo seleccioná-las a qualquer altura no jogo. Por fim, ao terminar este e os sub-jogos anteriores, desbloqueamos o “The Arena”, que é nada mais nada menos que um modo onde defrontamos todos os bosses do jogo, uns a seguir aos outros.

Por fim, resta-me só mencionar os dois mini-jogos que sobram. Por um lado temos o Samurai Kirby, que coloca-nos em vários duelos à moda dos Samurais. Ou seja, as duas personagens estáticas, em maior silêncio e concentração até que alguém dá o sinal para ataque e aí teremos de ser mais rápidos que o oponente a atacar. Por fim o último minijogo é o Megaton Punch, um jogo de força onde ganha quem conseguir dar o soco mais forte. Para isso temos uma espécie de quick time event para cumprir, se conseguirmos carregar nos botões no momento certo (ou o mais próximo possível), o resultado é que o nosso soco vai sair bastante forte.

Um dos modos de jogo é como se fosse um Metroidvania, onde teremos de explorar o terreno ao máximo e usar todas as habilidades que conseguirmos para encontrar os 60 tesouros

A nível audiovisual, este é um jogo muito bem conseguido para a Super Nintendo, apresentando gráficos bastante coloridos e detalhados. O facto de usar o chip auxiliar SA1 no cartucho (conferindo-lhe maior velocidade de processamento e mais RAM adicional) também contribuiu para os belos gráficos e música que, tal como habitual na série Kirby, possui sempre melodias bastante agradáveis. A excepção (para o bom sentido) está mesmo no Revenge of the Meta-Knight que, sendo um sub-jogo mais caótico e com foco na acção, possui músicas mais agressivas, que me agradaram ainda mais.

Os minijogos são também bastante originais!

Portanto este pequeno cartucho da Super Nintendo acabou por ser uma agradável surpresa pela quantidade de conteúdo que lá contém e pelas mecânicas de jogo que introduziram, ao fomentar o espírito de cooperação ao activar a habilidade de colocar 2 personagens jogáveis em simultâneo. Ainda assim esta não é a versão difinitiva do jogo, pois anos mais tarde, em 2008, foi lançado para a Nintendo DS o Kirby Super Star Ultra, uma versão deste jogo ainda com mais conteúdo e mini-jogos.

Sakura Dungeon (PC)

Por fim, um artigo sobre o último jogo que tenho no Steam da série Sakura. Tal como todos os outros até agora, este deu entrada na minha colecção através de um indie bundle que ficou bastante em conta. Mas na verdade, comprei esse bundle precisamente por este jogo, que para além de ter algumas mecânicas de Visual Novel, no seu núcleo é um RPG dungeon crawler na primeira pessoa, o que me deixou bastante curioso.

Então no que é que este jogo consiste? Basicamente controlamos Ceri, uma jovem aventureira que se encontrava a explorar uma dungeon quando sem querer liberta Yomi, uma “espírita-raposa” (os japoneses muito gostam destas coisas) que vimos a saber que era a anterior Dungeon lord, tendo sido aprisionada magicamente há muitos anos atrás. Yomi exerce então um feitiço sobre Ceri obrigando-a a ajudá-la na reconquista da dungeon. À medida que vamos progredindo no jogo vamos também ganhar a skill de captura, onde poderemos capturar os inimigos para que também se juntem ao nosso lado. Outras personagens também vão surgindo através de outros eventos e quando dermos conta teremos um pequeno exército de personagens que nos podem ajudar.

Sim, os inimigos são todos fêmeas, muito humanas até.

A party pode ter um máximo de 6 personagens em simultâneo, sendo que os primeiros 3 são os que participam activamente no combate, com os outros 3 em reserva, entrando em acção sempre que uma personagem da linha da frente morre. No entanto, todas as personagens ganham pontos de experiência, independentemente se estão activamente em combate, na linha de reserva, ou na pool de personagens disponíveis na aldeia (embora a evolução destas últimas seja um pouco mais lenta). A aldeia é onde também temos uma loja para comprar mantimentos e poderemos participar em alguns eventos mais típicos de visual novels. Mas claro, sendo este um jogo da série Sakura, esperem sempre por algum erotismo, principalmente se instalarem o patch para desbloquear o conteúdo para adultos.

Infelizmente as mecânicas de jogo poderiam ser melhores na minha opinião. Não existe qualquer magia regenerativa e durante o combate não podemos usar itens, incluindo itens que nos regeneram a vida, pelo que o jogo exige muito grinding para constantemente subirmos de nível e evitar riscos desnecessários durante os combates, especialmente contra os bosses que tipicamente possuem níveis mais elevados. Nos combates em si podemos usar as nossas habilidades que gastam APs (action points), ou usar a habilidade especial de “Guard” que simplesmente regenera parcialmente os APs da personagem para o próximo turno. Cada habilidade possui diferentes chances de acertar nos adversários, cujas aumentam quanto maior for o nosso nível face ao adversário. Se por outro lado estivermos com um nível baixinho perante o oponente, as hipóteses de os nossos golpes o atingirem já são menores, o que mais uma vez pode ser um problema.

Quando visitamos a aldeia, poderemos desbloquear também uma série de diálogos extra

De resto, e tirando estes pontos menos positivos das mecânicas de jogo, até que gostei do jogo, mas isso é porque eu gosto de dungeon crawlers na primeira pessoa! Os mapas vão sendo construidos à medida em que exploramos cada nível e à medida em que vamos progredindo os níveis vão ficando mais complexos, seja com armadilhas, ou pequenos puzzles onde teremos de procurar alavancas ou botões que nos abram ou fechem portas. E sendo este um jogo em que nos obriga a um grinding elevado, felizmente também temos maneiras facilitar a tarefa. No combate, ao carrega na tecla “a” de auto, faz com que os mesmos sejam automatizados. Por outro lado, ao clicar também na tecla “s” de skip, acelera ainda mais as transições de  turno.

Aqui não há mapas já preenchidos, temos de descobrir tudo por nossa mão.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, este jogo foi produzido por uma empresa especialista em visual novels, pelo que não esperem por nada de espectacular. As personagens, especialmente durante os combates, possuem animações mínimas. Os cenários também são muito simples, embora vão alternando a cada 4/5 níveis. A última parte da dungeon (opcional e necessita de desbloqueio à priori) é nada mais nada menos que uma nave espacial toda futurista. Aqui as músicas são mais electrónicas, fazendo-me lembrar inclusivamente jogos como Phantasy Star Online. Nos restantes níveis da dungeon as músicas são mais fantasiosas mas igualmente agradáveis ao ouvido.

Ocasionalmente lá encontramos um portal que serve de checkpoint, onde podemos viajar livremente entre a sua posição na dungeon e a aldeia.

Portanto este Sakura Dungeon até que é um jogo interessante para quem for fã de RPGs Dungeon Crawler na primeira pessoa, mas mesmo para esses, deve ser visto como um jogo ligeiro, e não hardcore. Isto porque as mecânicas de jogo não são as melhores e mesmo jogando em níveis de dificuldade mais avançados, o que nos obriga mais é um grind mais moroso e a preocupação em escolher ataques que tenham menos probabilidades de falhar.