C-12: Final Resistance (Sony Playstation)

Jogos que sejam lançados já na fase final do ciclo de vida de uma consola, quando a sua sucessora já está até bem instalada no mercado, geralmente recaem numa de duas categorias: ou são jogos medianos, sem grande esforço por parte das produtoras, que apenas querem lucrar algo mais com a base instalada actual da consola, ou então são jogos em que os seus devs se esforçam bastante, e que tecnicamente conseguem retirar muito proveito do hardware. Felizmente este C-12 recai nesta última categoria. O meu exemplar foi comprado algures no Verão de 2016 a um particular. Ficou-me por 5€, estando em óptimo estado.

Jogo com caixa, manual e papelada promocional.

O jogo decorre num futuro pós-apocalíptico, após uma invasão extraterrestre que deixou o nosso planeta em ruínas. O protagonista é o Tenente Riley Vaughan da Resistência Humana, que possui um interessante implante cibernético no crânio. A substituir um dos seus olhos, Riley possui um equipamento de origem alienígena que lhe permite obter informações do ambiente à sua volta, incluindo dos inimigos e objectos que encontramos.

Com o uso vamos desbloqueando modos secundários de fogo nas armas equipadas

As mecânicas de jogo são as típicas de um jogo de acção na terceira pessoa do final da década de 90, inícios de 2000. Para além dos tiroteios em que estaremos envolvidos, onde teremos uma grande gama de armas a utilizar, tanto humanas como de origem extraterrestre, contem também com a exploração necessária para cumprir certos objectivos, que envolvem arrastar objectos de um lado para o outro, procurar chaves para abrir portas, entre outros. Um dos aspectos mais interessantes deste jogo na minha opinião é justamente o facto de podermos temporariamente entrar no modo de primeira pessoa, usando a tal tecnologia cyborg do protagonista. Aqui podemos explorar melhor o que nos rodeia, e quando encontramos algum inimigo, surge um pop-um no ecrã com informações do mesmo, como o tipo de inimigo que é, os seus tipos de ataques e a quantidade de vida que lhes resta. No entanto, não conseguimos andar e disparar ao mesmo tempo no modo de primeira pessoa, o que é pena.

Apesar de não haver muita variedade de cenários, graficamente este é um jogo bem conseguido para uma PS1

Outras habilidades que vamos tendo consistem na possibilidade de usar um escudo electromagnético que nos protege dos perigos, ou carregá-lo de tal forma a gerar um impulso electromagnético capaz de causar dano. O arsenal que vamos desbloqueando é considerável e com o tempo acabamos também por desbloquear novos modos secundários de fogo, o que também acaba por ser interessante. De resto os controlos já estão muito próximos aos de os jogos de acção na terceira pessoa dos dias de hoje, com um analógico a controlar o movimento e o outro a controlar a câmara.

Do ponto de vista técnico, na minha opinião este acaba por ser um bom trabalho. Por um lado é certo que não há assim muita variedade de cenários, ou temos cidades em ruínas, bunkers da resistência ou bases alienígenas, mas por outro lado graficamente acaba por ser um jogo muito bem conseguido na minha opinião, pela sua apresentação limpa, e por gráficos bem polidos para uma Playstation 1. Embora no entanto sofra um pouco de pop-in nos cenários, especialmente naqueles a céu aberto, mas nada que borre muito a pintura. As músicas vão-se adequando à acção que o jogo oferece, embora não fiquem na memória. Nada a apontar aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel e para além disso temos direito a um voice acting bem british que sinceramente acaba por ser uma lufada de ar fresco no meio de tanto sotaque norte-americano nos videojogos.

Na primeira pessoa podemos ver detalhes dos NPCs e inimigos que nos rodeiam

No fim de contas, este C-12 acaba por ser uma óptima surpresa, um jogo de acção bem competente, lançado já na fase final de vida útil da PS1, quando a PS2 já estava bem cimentada no mercado. Essa situação é ainda mais gritante no mercado norte-americano, pois o jogo acabou por sair por aquelas bandas só em 2002. Portanto não é um jogo perfeito, mas para quem gostar de jogos de acção tem aqui um bom exemplar para adicionar à biblioteca da Playstation clássica.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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