Virtual Hydlide (Sega Saturn)

Virtual HydlideNa PUSHSTART nº 59 (quarta revista nossa em edição física), contribuí com uma análise a um jogo algo obscuro e peculiar do catálogo da Sega Saturn, o Virtual Hydlide. Apesar de ser a última iteração de uma das mais antigas séries de RPGs japoneses, a mesma sempre passou debaixo do radar de nós ocidentais, mas também verdade seja dita, pelo menos os Hydlides que chegaram cá ao ocidente sempre foram algo medianos. Apesar de não poder partilhar para já o artigo na íntegra, eventualmente, se algum dia disponibilizarmos o material exclusivo da edição de papel para o site, este artigo será actualizado. Entretanto o meu exemplar foi comprado a um particular por 6€, já há uns valentes meses atrás.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

Essencialmente, o que foi dito deste jogo é que é um RPG com algumas mecânicas de jogo bem old-school e que sinceramente até nem me desagradam, no seu conceito, mas a jogabilidade e principalmente os visuais que tentam ser foto realistas com sprites digitalizadas num mundo em 3D é que deixaram bastante a desejar.

 

Resident Evil: Darkside Chronicles (Nintendo Wii)

Resident Evil The Darkside ChroniclesO Resident Evil Umbrella Chronicles para a Wii foi um jogo interessante, onde para além de recontar alguns dos acontecimentos vividos nos Resident Evil Zero, REmake, Resident Evil 3 Nemesis, ainda contava também com alguns capítulos extra, tanto passados em simultâneo com os acontecimentos narrados nesses jogos, como outros completamente inéditos. Tudo isto com uma jogabilidade muito similar à dos light gun shooters clássicos de arcade, mas com bem mais conteúdo do que um The House of the Dead clássico, por exemplo. Mas ainda assim havia margem para melhorar e não muito tempo depois a Wii acabou por receber um outro jogo deste género, o Darkside Chronicles, cujo meu exemplar foi comprado na mesma altura, na mesma Cex, mas mais barato, custando-me 6€. Se este é um jogo melhor que o seu predecessor, já lá vamos.

Jogo completo com caixa, manual e papelada
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Aqui são narrados parte dos eventos decorridos no Resident Evil 2 e Code Veronica, com uma vez mais com um capítulo extra (Operation Javier) decorrendo algures na América Latina, com Leon e Krauser (sim, um dos vilões do Resident Evil 4) como companheiros e protagonistas. A primeira diferença face ao Umbrella Chronicles está precisamente aí. Enquanto o antecessor tinha vários níveis extra com histórias inéditas, os mesmos eram mais curtos. Aqui temos apenas a Operation Javier, mas que por sua vez possui uma campanha quase tão longa quanto os capítulos alusivos ao Resident Evil 2 e Code Veronica.

Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos
Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos

A nível de controlos também houveram algumas mudanças. A mais drástica a meu ver é o facto das granadas já não terem um botão próprio para serem seleccionadas. Agora podemos sempre carregar com 4 armas distintas (com granadas ou não), com cada uma a ficar assignada a uma direcção do analógico do nunchuck. Por outro lado, podemos alterar o load out de armas disponíveis a qualquer momento do jogo com recurso a um menu próprio para isso, logo que já tenhamos desbloqueado essas mesmas armas. E as munições que apanhamos vão sendo transitadas nos vários capítulos. Ainda nas armas, mais uma vez elas podem ser alvo de upgrades, desta vez sendo possível fazer upgrades a várias categorias de forma separada, como o poder da arma, impacto, tempo de reload, ou capacidade. Isso é feito através de ouro, que tanto pode ser encontrado ao longo do jogo (quer a olho nu, quer através da destruição de objectos), e também com os pontos que nos são atribuídos no final de cada nível, onde é medida a nossa performance. A destruição de objectos, para além de ouro adicional pode também revelar ficheiros para serem lidos nos arquivos, ou armas/munições, pelo que é uma boa ideia disparar para tudo quanto é sítio, com o revólver normal visto que tem munições infinitas.

Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2
Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2

Existem também outros extras como um sistema de achievements interno, ou uma espécie de bestiário, com os diferentes tipos de zombies e criaturas que encontramos, bem como algum histórico das personagens mais relevantes. Existe ainda um outro modo secreto que podemos desbloquear, onde os zombies são substituidos por nacos gigantes de tofu. Terá sido alguma boca endereçada a grupos ambientalistas?? De resto convém também referir que este é um jogo on-rails e practicamente todo linear, onde por vezes podemos optar por qual caminho a seguir.

Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.
Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.

No que diz respeito aos audiovisuais, narrativa e acção em si também podemos verificar que existem aqui umas quantas mudanças. A primeira, e talvez a mais gritante, é a forma mais “realista” como a câmara foi implementada. Esta agora é muito dinâmica, abanando muito mais  que no primeiro jogo, como que reflectindo os movimentos da cabeça dos protagonistas. Isto torna a tarefa de destruir objectos dos cenários muito mais complicada. Também vão haver vários inimigos que não é obrigatório os destruirmos e a time window que temos para o fazer é muitas vezes reduzida. Depois a narrativa é mais extensa, há muitos mais diálogos que no primeiro jogo. A nivel gráfico, este sim, sofreu um belo upgrade face ao primeiro lançamento. Aqui tanto os cenários quanto as personagens são muito melhor detalhados, algo que é bem mais notório na Operation Javier, e as suas paisagens rurais e naturais bem coloridas e detalhadas. No audio não tenho nada a apontar, desde os efeitos sonoros como o voice acting que são competentes. A música também vai alternando entre melodias mais tensas ou mais aceleradas consoante o ritmo impulsionado pelo desenrolar da acção.

Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!
Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!

Em suma, este Darkside Chronicles é para mim um lançamento com resultados mistos. A nível gráfico é um jogo muito superior ao primeiro, e a forma como são feitos os upgrades nas armas também é algo que me agradou mais. No entanto, a câmara não tão fixa acabou por dificultar um pouco as coisas, principalmente quando queremos tentar procurar o máximo possível de itens escondidos. Depois, apesar da Operation Javier ter sido satisfatória quanto baste, o Umbrella Chronicles continha mais pequenos capítulos extra que teriam sido interessantes de colocar aqui também.

Pokémon Silver (Nintendo Gameboy Color)

Pokemon SilverHoje ainda publico uma super rapidinha. No video update que farei das novas entradas na colecção de Março, um dos jogos que cá vieram parar foi este cartucho do Pokémon Silver, cujo troquei com um amigo, pois eu também tinha um Pokémon Crystal a mais. E tal como o Pokémon Gold que já aqui analisado (e de certa forma o Crystal também), este é o seu lançamento gémeo, igual em tudo excepto nos Pokémons possíveis de capturar, existindo algumas diferenças entre ambos de forma a encorajar que sejam feitas trocas com recurso ao link cable. Ou que os fãs mais acérrimos comprem as duas versões. Edit: Recentemente arranjei uma versão em caixa num bundle grande que comprei.

Jogo com caixa

Poderão então ler o artigo mais completo do Pokémon Gold que se aplica em tudo aqui. Se for TL;DR, devo dizer que é dos meus preferidos, com bastante conteúdo, sendo um pequeno milagre tecnológico ter tanta coisa incluída num pequeno cartucho de Gameboy Color (compatível também com a Gameboy clássica).

Duke Nukem 64 (Nintendo 64)

Duke Nukem 64A rapidinha de hoje recai numa conversão de um dos meus videojogos preferidos de sempre, o Duke Nukem 3D. A versão para Nintendo 64 é de todas aquela que mais mudanças traz face à original (ok se não estivermos a contar com a versão não tão oficial para a Mega Drive), algumas boas, outras nem por isso. É que é a versão mais politicamente correcta deste jogo, mas já lá vamos. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás, veio num bundle que me ficou pela módica quantia de 2.5€ por cada jogo.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

Sim, aqui continuamos a lutar contra os aliens que invadiram o nosso planeta e raptaram também todas as boazonas que encontraram. É baseado na versão original de PC com os seus 3 diferentes episódios, embora vá buscar uma ou outra coisa às novidades introduzidas no Plutonium Pak, ou mesmo ao Shadow Warrior. Isto porque dois dos níveis secretos neste jogo são o Area 51 e Duke Burger, do Plutonium Pak. Outras mudanças consideráveis é o aspecto das armas, que foi remodelado para practicamente todas. Algumas das armas originais nem sequer aparecem na versão da Nintendo 64 e foram substituídas por outras. Por exemplo, em vez da metralhadora temos duas Uzis (como no Shadow Warrior), o Shrink Ray tem já o Expansion Ray também (mais algo do Plutonium Pak), em vez do Devastator temos o lança granadas do Shadow Warrior e o Freeze Ray foi substituído por um canhão de plasma, algo similar à BFG-9000 de DOOM. Muitas das armas têm modos secundários de disparo (mais outra coisa do Shadow Warrior), incluíndo mísseis teleguiados, munições mais poderosas para a pistola e shotgun, entre outros. Itens como óculos de visão nocturna, medkits, o tão útil Jetpack, ou steroids (aqui substituídos pelo título mais subtil de VitaminX) foram também aqui incluídos.

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Uma das armas novas é este plasma cannon, algo semelhante à BFG-9000 do DOOM

Os controlos obviamente que não são tão bons quanto uma versão para PC, mas a possibilidade de se usar um analógico já é bem bom, algo que infelizmente a versão Saturn não se pode vangloriar. Os níveis também foram ligeiramente alterados, excepto o segundo, onde visitamos locais nobres como uma loja de revistas para adultos e um bar de strip. Aqui o primeiro passa a ser uma loja de armas e o bar de strip é substituído pelas traseiras do Duke Burger, o primeiro nível secreto que podemos depois entrar. Isto se deve às políticas mais “familiares” que a Nintendo tinha. Todas as referências a strippers, posters com innuendo, ou mesmo os palavrões de Jon St. John foram substutuídos por outras coisas. Até as jovens prisioneiras dos aliens que antes nos pediam para as matarmos agora estão mais tapadas e podem inclusivamente ser salvas. Mas ao menos a violência mantém-se practicamente inalterada, sendo possível destruir qualquer criatura em pedaços. Coisas típicas de norte americanos, vamos censurar o trabalho honesto de jovens mulheres, mas violência over the top? Pode ser! 😀

Quem conhecer o DN3D original, sabe que estas jovens estão menos vestidas.
Quem conhecer o DN3D original, sabe que estas jovens estão menos vestidas.

Graficamente é uma conversão interessante e bem competente. Os níveis estão bem detalhados, pouco se perde para a versão PC, bem pelo contrário. Adicionaram aqui alguns efeitos especiais como fumo, melhores explosões e mesmo alguns efeitos de partículas. Os níveis foram alterados e em algumas alturas até temos “salas em cima de salas”, algo que o motor gráfico original do Build não permitia que fosse feito. Os efeitos sonoros continuam bastante fiéis ao original, pena só pelas falas de Duke que estão ligeiramente mais politicamente correctas. As músicas continuam óptimas!

Um dos melhoramentos gráficos desta versão está precisamente no último boss, que passa a ser completamente poligonal
Um dos melhoramentos gráficos desta versão está precisamente no último boss, que passa a ser completamente poligonal

No fim de contas, e sendo hoje possível jogar o Duke 3D em versões bem melhoradas no nosso PC, fazem com que estes ligeiros melhoramentos gráficos da versão N64 se tornem bastante obsoletos. No entanto, as suas mudanças a nível de armas e suas funcionalidades, bem como para o bem ou para o mal, a sua maior “boa educação”, não deixam de ser algo curioso. Mas para mim é a versão PC que prevalece!

Call of Duty: World at War (PC)

Call of Duty - World at WarJá há bastante tempo que não trazia cá nenhum Call of Duty. Não que me faltem jogos da franchise por jogar, o que falta é tempo e muita vez a vontade de pegar neste ou naquele jogo não é a maior. Mas lá lhe dei uma oportunidade e até gostei daquilo que joguei. Nesta altura já não havia o frenesim de anos anteriores em FPS da segunda guerra mundial. Na verdade a Activision entrou pelos tempos modernos no Call of Duty Modern Warfare, lançado antes deste, e a coisa a partir daí esmoronou. Mas, com a Treyarch a desenvolver este World at War, foi tempo da Activision revisitar pela última vez (até agora) os teatros de guerra da 2a Guerra Mundial. Este meu exemplar foi comprado por cerca de 5€ na já extinta New Game do Maiashopping, algures em 2013.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

Em conjunto com este World at War foi também lançado para a PS2 uma adaptação chamada Call of Duty World at War: Final Fronts, que já tinha referido num outro artigo. E apesar deste também se focar nas campanhas finais da Segunda Guerra, aqui apenas controlamos as tropas norte-americanas na conquista da ilha de Pelelieu e posterior invasão a Okinawa, enquanto que no teatro de guerra europeu, apenas jogamos com as tropas Soviéticas, principalmente da sua invasão da Alemanha e conseguinte tomada da cidade de Berlim.

Há que começar as coisas com algum dramatismo!
Há que começar as coisas com algum dramatismo!

E eu nunca fui um grande fã das batalhas do pacífico, pois são quase todas em clima de guerrilha, com japoneses camuflados enfiados em foxholes, ou escondidos nas árvores. Mas aqui, se calhar os bons gráficos para a época ajudaram, e até achei a campanha norte-americana no pacífico bem agradável desta vez. A soviética é toda jogada nos olhos do mesmo soldado, cujo primeiro nível começa na batalha de Estalingrado, após os Nazis a terem conquistado e assassinado imensos compatriotas soviéticos. Essa primeira missão soviética é uma sniping mission, onde teremos quase sempre de ter uma abordagem muito mais furtiva. As outras missões são mais genéricas, com os típicos objectivos de destruir artilharia pesada, ou de invadir e controlar alguns pontos estratégicos. Claro que, no lado do pacífico, nos vai levar por muitas selvas e culminando num grande castelo em Okinawa, já no lado soviético serão em paisagens rurais, mas também nas ruínas de grandes cidades como Estalinegrado ou Berlim, com passagens inclusivamente pelas suas estações de metro. Ainda assim teremos também 2 missões de veículos. Do lado americano faremos parte da tripulação de um avião anfíbio, onde teremos de destruir uma frota japonesa e resgatar alguns dos nossos soldados em pleno oceano, já do lado soviético controlamos um tanque e iremos enfrentar algumas batalhas de tanques bem interessantes.

A campanha norte-americana exige alguma discrição e furtividade. Afinal, o clima é sempre de guerrilha
A campanha norte-americana exige alguma discrição e furtividade. Afinal, o clima é sempre de guerrilha

A jogabilidade é a tradicional de um Call of Duty, com a possibilidade de equipar apenas 2 armas em simultâneo, mas com uma grande oferta de diferentes tipos de armas, tanto americanas, soviéticas, nazis ou japonesas. A vida passa também a ser regenerativa, deixam de haver recursos aos medkits. E connosco acompanham-nos outros membros do nosso esquadrão que nos auxiliam a combater o fogo inimigo, bem como nos dão algumas dicas do que teremos de fazer (como se as estrelinhas que marcam os objectivos no mapa já não fossem ajuda suficiente). De resto teremos também a vertente multiplayer, que tanto pode ser a campanha jogada em modo cooperativo, ou o multiplayer competitivo mais robusto, com direito a diferentes níveis e rankings que podem ser evoluídos consoante a nossa performance. Não perdi muito tempo nisto, assim como pouco tempo perdi no modo de jogo que desbloqueamos após chegar ao final da campanha, os Nazi Zombies. Aqui enfrentamos ondas após ondas de zombies nazis e o nosso objectivo é meramente o de sobreviver. Quantos mais zombies matarmos, mais dinheiro ganhamos, dinheiro esse que pode ser gasto a comprar mais e melhor armamento ou melhorar as nossas defesas. Sei que seria muito a pedir à Treyarch, que provavelmente desenvolveram aquilo só numa de brincadeira, mas acho que teria bem mais piada em fazer uma pequena campanha com nazi zombies.

O apogeu está precisamente na invasão a Berlim, e sua conquista casa-a-casa até finalmente se invadir o Reichstag
O apogeu está precisamente na invasão a Berlim, e sua conquista casa-a-casa até finalmente se invadir o Reichstag

Nos audiovisuais é um jogo bem competente. Para quem jogou o Modern Warfare na sua época, este World at War possui gráficos ligeiramente melhores, pois usa o mesmo motor gráfico do anterior. E quando o joguei, ao ver as “bonitas” paisagens, suspirei de saudades em termos um novo FPS do género. Com a capacidade gráfica dos PCs e consolas actuais, um novo Call of Duty nesta época cairia que nem ginjas. Ou melhor… boa dica para a Gearbox, eles que terminem a história dos Brothers in Arms que já dava jeito. As músicas tanto vão daquelas orchestrações mais épicas que séries como esta ou Medal of Honor tanto nos habituaram, ou então música mais electrónica ou rock em certos segmentos que, apesar de nem resultar mal de todo, não deixa de ser um pouco estranho estar a ouvir algo tão descontextualizado.

A ver se em breve instalo o Call of Duty Modern Warfare 2 e dou finalmente o seguimento à série que até nem levam muito tempo a serem finalizados os modos de campanha. Resumindo, achei este um FPS competente, não reinventa a roda, mas para quem gostar de videojogos centrados na Segunda Guerra Mundial, terá aqui mais um bom exemplo para se divertir.