Kid Icarus (Nintendo Entertainment System)

Kid IcarusTempo para mais uma rapidinha, desta vez a um clássico de NES que caiu completamente na obscuridade até à Nintendo se lembrar do Pit e ter desenvolvido uma sequela para 3DS mais de 20 anos depois da última aventura. Estou a falar claro está do Kid Icarus, um sidescroller 2D onde teremos de resgatar 3 importantes tesouros sagrados para conseguirmos salvar a deusa Palutena das mãos de Medusa. O meu exemplar foi comprado há coisa de um mês atrás na feira da Vandoma no Porto por 10€, sendo apenas o cartucho.

Apenas cartucho e sleeve protectora
Apenas cartucho e sleeve protectora

Este é um jogo de plataformas com alguns elementos de RPG. Isto porque todos os inimigos que derrotamos aumentam a nossa pontuação, pontuação essa que posteriormente é convertida em pontos de experiência no final de cada nível e poder-se-á traduzir em mais pontos de saúde para o Pit. Também temos algumas salas com desafios especiais onde se os completarmos também ficamos ligeiramente mais fortes. De resto é um sidescroller tradicional, onde Pit está armado do seu fiel arco e flechas infinitas, mas apesar de ter asas teremos de ter cuitado para não cair abaixo da torre pois poderemos perder uma vida. No entanto existem também alguns power-ups que nos salvam dessa situação, bem como uma harpa que transforma os inimigos em enormes martelos, martelos esses que poderão ser utilizados posteriormente como arma também. Mas quando utilizarmos os martelos é bom que os usemos também numas certas estátuas que libertam outros anjos que tinham sido lá aprisionados. Eles serão bem mais úteis mais tarde.

Eventualmente iremos dar de caras com algumas lojas onde poderemos comprar vários itens
Eventualmente iremos dar de caras com algumas lojas onde poderemos comprar vários itens

O jogo está dividido em 4 áreas principais, cada uma com 3 níveis mais um boss que nos recompensará com um dos tais 3 tesouros que temos de apanhar. A última área é que é diferente e acaba por ter um só nível bem grandinho, mas aí já estamos munidos dos 3 tesouros e controlamos um Pit com uma armadura imponente e capaz de voar, o que nos dará um jeitaço para enfrentar a Medusa. Aqui os outros anjos que libertamos anteriormente das estátuas juntam-se a nós no combate e poderão dar uma boa ajuda.

O nosso status screen onde podemos ver o progresso no jogo
O nosso status screen onde podemos ver o progresso no jogo

A nível técnico é um jogo competente com boas músicas – sempre adorei o chiptune de NES e temos aqui uma ou outra faixa bem memorável e a nível gráfico é também competente, tendo em conta que é um outro jogo originalmente lançado em 1986 no Japão. Kid Icarus é um jogo um pouco estranho e talvez por isso a série tenha ficado adormecida por mais de 20 anos. Ainda assim achei-o bastante interessante, apesar de não ser de longe um dos must have para mim.

Gunstar Heroes (Sega Mega Drive)

Classic CollectionPor fim, o último artigo referente à compilação Classic Collection na qual este Gunstar Heroes se insere. Foi produzido pela Treasure, uma empresa nipónica formada no início da década de 90 por ex-funcionários da Konami que estavam descontentes com essa empresa. Quase 25 anos antes de todos os problemas que têm vindo a surgir com a Konami nos últimos meses, foram uns visionários! O primeiro jogo da Treasure a ser publicado foi precisamente este Gunstar Heroes, um shooter sidescroller bastante frenético e com uma jogabilidade muito própria. O meu exemplar vem incluido nesta compilação Classic Collection que foi comprada em Junho na feira da Vandoma no Porto por 15€.

Classic Collection - Sega Mega Drive
Compilação com manual em português

A história não é o que mais interessa. Basicamente coloca uma dupla de heróis (Blue e Red) no encalço de um poderoso império que procurava uns 4 cristais coloridos com poderes especiais, para os seus próprios proveitos. Mas aqui o que interessa é mesmo a acção e essa é non-stop, ao percorrer níveis bem variados, repletos de inimigos a surgirem por todos os lados e como a Treasure nos foi habituando, com imensos bosses também. Mas é igualmente na jogabilidade que este jogo marca pontos, onde podemos equipar e combinar 4 tipos diferentes de projécteis, resultando em 16 diferentes combinações. Com o “poder básico” de fogo, electricidade, “force e homing” conseguimos fazer coisas como mega lança chamas, espadas laser, raios laser teleguiados pelo ecrã, entre muitas outras variantes. E estas mudanças podem ser todas feitas “on the fly” à medida em que vamos encontrando esses power-ups espalhados pelos níveis. A única coisa que só conseguimos escolher no início do jogo e depois não dá para mudar é a possibilidade de podermos nos mover e disparar em várias direcções, ou mirar apenas enquanto estivermos parados. Mas para além de termos sempre imensos projécteis pelo ar, podemos também fazer uma série de coisas como arremessar os nossos inimigos, dar-lhes uns pontapés aéreos ou, no caso de estarmos a jogar com um amigo, também o podemos atirar para onde quisermos sem qualquer prejuízo. E por fim, o facto de termos pontos de vida (que vão sendo aumentados à medida que vamos progredindo no jogo) e não mortes ao mínimo toque, tornam este jogo bem dinâmico e muito menos frustrante que os Contras, mas também com essas liberdades de acção over-the-top.

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Inicialmente podemos escolher com que tipo de arma queremos começar, se preferimos podemos disparar em todas as direções em andamento ou apenas quando estamos parados e por fim, qual o nível a começar

Os níveis são bastante variados como já referi, no primeiro percorremos bonitos campos verdejantes, já no segundo teremos uma série de combates intensos a bordo de um carrinho numa mina, viajando a altas velocidades em várias direcções e com bosses a chatear-nos também! Há um outro nível em que entramos num palácio e depois temos de jogar um pequeno jogo de tabuleiro, onde pegamos num dado, atiramos e vamos saltando as casinhas consoante o número que nos sair, onde tanto podemos ter de enfrentar um boss (e existem muitos), como recolher outros powerups. A ordem pela qual jogamos os primeiros 4 níveis pode ser escolhida à nossa vontade e depois teremos a recta final, uma vez mais com imensos bosses e alguns que voltam a enfrentar-nos. Basicamente temos todos os vilões a observar-nos por detrás de um ecrã e nós vamos jogando em background, à medida em que os vilões vão saindo dessa sala e nos defrontarem. Pequenos pormenores muito interessantes!

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Bosses é coisa que não falta nunca e por vezes têm bonitos efeitos gráficos

No que diz respeito aos audiovisuais é um excelente jogo. Adoro o design meio anime das personagens, visual esse muitas vezes repetido em vários outros jogos da Treasure incluindo o Mischief Makers que já por aqui referi. Os níveis são bastante detalhados e coloridos, mas no que diz respeito aos gráficos há aqui um truque que a Treasure empregou muito bem! Muitos bosses são enormes, mas ao contrário de serem uma única e enorme sprite, são na verdade um cojunto de pequenas sprites que, no caso de mechas, vão formando os vários membros do robot e se vão animando de uma forma muito interessante. As músicas são excelentes e bastante mexidas, adequando-se perfeitamente ao ritmo frenético deste jogo.

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Sempre adorei o design de tudo neste jogo!

Muita coisa poderia ainda ser escrita sobre este Gunstar Heroes, mas fico-me só por referir que é mesmo um excelente jogo. E com este primeiro trabalho da Treasure (se bem que aparentemente o outro da Mc Donalds foi desenvolvido antes) serviu perfeitamente para antever que realmente este seria um estúdio com muito potencial e isso felizmente comprovou-se. Que o digam Alien Soldier, Sin and Punishment ou Ikaruga!

The Lion King (Sega Game Gear)

LionKing-GG-EU-Front-mediumThe Lion King – Sega Game GearTal como fiz com o The Jungle Book, hoje venho aqui só “picar o ponto” com mais uma brevíssima entrada a um jogo que é nada mais nada menos que uma adaptação para portátil de uma outra versão já aqui analisada. O jogo em questão é o The Lion King, mais um de plataformas editado pela Virgin cuja versão Master System já referi por aqui., e esta versão Game Gear é essencialmente o mesmo jogo mas adaptado para o ecrã menor da consola portátil da Sega. Este meu exemplar é um cartucho que me foi oferecido em bundle por um colega  de trabalho a quem eu muito agradeço.

The Lion King - Sega Game Gear
Apenas carttucho

Para além do facto de a resolução do jogo ser menor, é possível que existam outras adaptações como pequenas diferenças nos níveis. Sinceramente não o joguei assim tanto tempo para reparar nalgo gritante, mas também a versão Master System já ficou algo escondida na minha memória. É um jogo de plataformas minimamente competente, mas que sinceramente não é dos que deixa assim grandes recordações.

Perfect Dark (Nintendo 64)

Perfect DarkSou sincero. Este Perfect Dark foi jogado inteiramente em emulador. O cartucho que eu tenho é a versão norte-americana e a Nintendo 64 é uma consola region locked cujo desbloqueio não é propriamente trivial. Por outro lado também me falta o Expansion Pak, um acessório que acrescenta mais RAM à consola que na falta dele, torna a maior parte deste Perfect Dark inutilizável. Por outro lado, existem uns plugins interessantes para o emulador Project 64 que permitem jogar alguns FPS desta consola com o setup típico de FPS para PC, isso mesmo com rato e teclado! Então claro que tirei partido dessa vantagem e cá fica a minha opinião sobre este óptimo jogo. Apenas fiquem avisados que não o joguei da forma que o mesmo foi idealizado para ser jogado. De resto este cartucho custou-me 5 dólares se a memória não me falha. Edit: Eventualmente arranjei uma versão Europeia e completa, tendo vindo do UK algures na recta final do ano de 2019, custou-me à volta de 12libras.

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Perfect Dark era para ser o sucessor do 007 Goldeneye, também produzido pela Rare para a Nintendo 64 e um dos mais importantes first person shooters a aparecer exclusivamente numa consola de videojogos. Por acaso tinha sido um jogo que passou completamente debaixo do radar para mim, até ter comprado uma Mega Score do ano 2000 que o analisava, e o que lá escreveram sempre me deixou a salivar por um dia destes o jogar. Aqui em vez do James Bond, temos uma outra agente secreta, a Joanna Dark e o jogo tem uma toada muito mais sci-fi, pois decorre no futuro e leva-nos para o meio de conspirações políticas, terroristas e até com extra-terrestres à mistura!

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Existe imenso conteúdo desbloqueável neste jogo!

Mas é mesmo na jogabilidade que este jogo brilha – e mais uma vez sublinho que o joguei com rato e teclado em emulador ao invés do comando da Nintendo 64. Mas nem é pelos controlos que digo que Perfect Dark é bom, já que mesmo na N64 usa o analógico para movimentar e o D-Pad ou os C-Buttons para controlar a câmara. Bom, na verdade parece que usa uma mistura de ambos, o que acaba para atrapalhar um pouco as coisas a quem já estiver habituado aos controlos standard, mas não é sobre isso que quero aqui escrever, mas sim na quantidade de coisas que podemos fazer. Podemos ter abordagens mais furtivas, entrar à Rambo e dizimar tudo o que nos aparece à frente, as armas são bastante variadas e com modos de fogo secundário, temos imensos gadgets que poderemos utilizar entre muitos outros bons detalhes, como o sistema de hit detection dos nossos inimigos que reagem de formas diferentes consoante onde lhes acertemos. Até é possível desarmá-los ao disparar um tiro certeiro nas suas armas ou mãos! Sobre os gadgets, temos brinquedos desde vários tipos de visores como infravermelhor, raio-x, nocturnos, pequenas câmaras espiãs voadoras, radar, equipamento para hackear computadores, etc. Mas ao contrário de outros jogos onde o seu uso é meramente facultativo e acabamos por os usar uma ou outra vez por curiosidade, aqui seremos mesmo obrigados a utilizá-los numa ou noutra ocasião.

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Perfect Dark tem uma quantidade absurda de diferentes armas para utilizar

Inicialmente dispomos de 5 opções de jogo: na primeira poderemos vaguear à vontade pelo Carrington Institute, a nossa agência empregadora. Aqui poderemos reconhecer todos os cantos da casa e participar no modo tutorial que nos ensina os controlos e as acções básicas do jogo, incluindo mexer com muitos dos gadgets acima mencionados. Depois temos o modo campanha propriamente dito que achei muito bom, onde poderemos também desbloquear 4 missões bónus que acrescentam valor à história, com missões vistas por outros protagonistas. Como não poderia deixar de ser, os outros são vários modos multiplayer, como partidas de deatchmatch, capture the flag e variantes, outros modos de jogo baseados em captura objectivos como King of the Hill, ou o Hacker Central, onde temos de hackear um computador aleatório na arena. Estes modos de jogo são altamente customizáveis a nível de regras, algo que a equipa que posteriormente saiu da Rare para criar a série Timesplitters levou com eles. Ainda aqui temos os Challenges, que nos podem recompensar com o desbloqueio de alguns destes modos de jogo, armas e personagens. Outros modos de jogo separados incluem o cooperativo, que nos permitem jogar as missões que já tenhamos desbloqueado no modo single player com mais um amigo. Por fim temos também o inovador Counter-Operative, onde o primeiro jogador vai jogando normalmente como Joanna Dark nos níveis normais, mas o segundo jogador pode encarnar em vários dos inimigos que vagueiam pelo nível, com o único objectivo de caçar Joanna.

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Rare, a adivinhar a vida do Obama muitos anos antes!

No que diz respeito aos audiovisuais este é sem dúvida um dos jogos mais avançados para a Nintendo 64. Graficamente é bom e bastante variado, com o setting futurista a assentar-lhe que nem uma luva, embora também visitemos outras zonas mais “naturais”. Os inimigos e níveis no geral são muito bem detalhados com bastantes polígonos, mas o calcanhar de aquiles da N64, ou seja, a falta de espaço de armazenamento nos cartuchos dá uma vez mais o ar da sua (des)graça com os níveis a terem texturas muito simples. Por outro lado há uma quantidade impressionante de diálogos (e com boa qualidade) que voltam a colocar a “balança técnica” bem positiva. O mesmo posso dizer para as músicas que estão óptimas.

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Em certos momentos, Perfect Dark é mesmo um dos jogos mais bonitos da Nintendo 64

Em suma, Perfect Dark é um excelente FPS que ao fim de 15 anos lá o consegui jogar.  Mas deixou-me com pena de duas coisas: de ainda não o ter em versão PAL mais um Expansion Pak para o poder desfrutar no seu sistema original, mas também tenho pena que a Rare tenha sido vendida para a Microsoft, pois gostaria de ter visto o Perfect Dark Zero na Gamecube.