Another World (Sega Mega Drive)

Another WorldDe volta para a Mega Drive para uma breve análise a uma conversão de um jogo clássico da Delphine Sofware, o Another World. O produto original foi desenvolvido unicamente por uma pessoa, o francês Eric Chahi e é uma obra prima a nível de narrativa e audiovisuais. A conversão para a Mega Drive não é tão boa quanto o original ou outros lançamentos para os computadores da época, mas não deixa de ser um óptimo jogo. A minha cópia foi comprada algures durante o Dezembro do mês passado, tendo-me custado 5€ e faltando-lhe apenas o manual multi-língua. Edit: Arranjei muito recentemente numa feira de velharias uma edição completa por 2€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A história é simples. O herói é o cientista Lester Knight Chaykin que tinha acabado de chegar de Ferrari ao seu laboratório todo high-tech e preparava-se para fazer mais uma experiência com o seu acelerador de partículas. No entanto, no momento em que a experiência se iniciou, o laboratório leva com um raio da trovoada que se fazia sentir lá fora e que tomou proporções catastróficas. O laboratório de Lester explode e o cientista é transportado para uma outra dimensão, num mundo alienígena aparentemente deserto e austero. Após alguns encontros imediatos com a fauna local, somos aprisionados e escravizados por uma outra raça de vida inteligente, passando o resto do jogo a tentar escapar daquela fortaleza.

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A cutscene inicial é das coisas mais bonitas que se pode ver numa Mega Drive

O charme do jogo é mesmo a atenção ao detalhe em todos os cenários, e a sua jogabilidade minimalista. Não há uma linha de diálogo e mesmo assim conseguimos perceber perfeitamente as coisas a acontecerem à nossa volta. Não há nenhuma indicação do que temos ou não de fazer, temos mesmo de tirar dicas através do que conseguimos observar em nossa volta e muitas é preciso avançar pela tentativa-erro. Logo quando começamos o jogo somos largados num lago profundo, vemos luz em cima e uns tentáculos a surgirem por baixo. O nosso instinto é logo o de subir até à superfície, caso nos deixemos ficar as coisas não correm bem para o nosso lado. Ao longo de todo o jogo vamos ter muitas vezes de tomar decisões rápidas, caso contrário podemos sofrer várias mortes dolorosas, quase como em Dragon’s Lair.

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Infelizmente a palete de cores da Mega Drive não permitiu uma conversão mais fiel, a nível gráfico

O grande problema deste jogo são os seus controlos que não são lá muito intuitivos. Existe um botão para saltar, outro para atacar que por sua vez também serve para correr se for pressionado juntamente com uma direcção no D-Pad. Na primeira parte do jogo, antes de sermos capturados pelos estranhos nativos, apenas podemos dar alguns pontapés, algo obrigatório para evitar umas certas sangessugas que vemos logo no início. Depois mais lá para a frente encontramos uma arma, e é aqui que as coisas se tornam um pouco mais complicadas. Existem 3 modos de disparo, todos eles com o mesmo botão de ataque. Pressionar levemente o botão A solta um disparo de um raio laser. Se deixarmos o dedo a pressionar o botão por cerca de um segundo, é criada uma pequena bola de energia na ponta da nossa pistola. Ao largar o botão nessa altura, é gerado um escudo temporário que nos protege dos disparos inimigos. Por outro lado, se deixarmos o dedo a pressionar A durante cerca de 3 segundos, surge uma grande bola de energia que ao ser disparada é capaz de destruir pequenas paredes, portas ou escudos.O truque do combate está mesmo aqui, temos de criar um escudo para nos proteger, mas o inimigo também faz o mesmo, então temos de tentar gerir as coisas da melhor forma. Mas a arma também serve para resolver alguns pequenos puzzles do jogo, ao destruir alguns objectos ou passagens que de outra forma estariam interditas.

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É impossível negar a beleza artística deste jogo.

Graficamente o original é um jogo impressionante, com um fluidez de movimentos muito boa. Afinal as animações foram feitas utilizando a mesma técnica de captura de movimentos que vimos nas obras primas de Jordan Mechner, Karateka e Prince of Persia. Os gráficos em si são uma mistura de gráficos vectoriais e poligonais, e o resultado final é excelente. Mesmo com a versão Mega Drive a ficar uns furos abaixo da qualidade visual que existe noutras versões para computadores ou mesmo para a SNES devido à limitada palete de cores da plataforma, não deixa de ser facilmente um dos jogos tecnicamente mais impressionantes da consola. A própria cutscene de abertura é um clássico absoluto, sendo possivelmente a cutscene mais cinemática alguma vez vista em videojogos até à altura e ainda se deve ter aguentado bem nos anos seguintes. As músicas também são bastante minimalistas e cinemáticas, mas infelizmente mais uma vez a versão Mega Drive fica um pouco aquém das outras versões.

De resto, e apesar da sua dificuldade baseada um pouco na jogabilidade de tentativa erro, quando finalmente conhecermos o jogo de trás para a frente vemos que o mesmo acaba por ser bastante curto, e o seu final deixa muitas questões em aberto e a ideia de uma sequela fica sempre no ar. O que acabou por acontecer, apenas para a Mega CD com o lançamento de Heart of the Alien, que curiosamente foi desenvolvido sem grande vontade do criador original. Mas isso são outras contas, e o que interessa aqui reter é que apesar de hoje em dia Another World parecer um jogo datado e com mecânicas de jogo não convencionais, temos de olhar para as coisas na perspectiva de 1991, e para essa época, então Another World é realmente um jogo genial.

Blade Runner (PC)

Blade RunnerVamos continuar com análises de jogos de PC pois estou com preguiça de terminar o Resistance 3 para a PS3. Blade Runner, o filme, é um autêntico clássico do cinema. Lançado em 1982 e com Harrison Ford no papel principal, coloca-nos num futuro distópico onde a tecnologia avançou de tal forma que passou a ser possível criar androides humanos visualmente indestinguíveis de humanos reais, os chamados Replicants. Os Replicants foram banidos do planeta Terra, sendo usados principalmente em trabalhos forçados em colónias terrestres fora do planeta, mas quando algum tentava voltar à Terra, era o trabalho dos Blade Runners, polícias especiais para o efeito, de os interceptar e “retirá-los de circulação”. Ora e após um jogo lançado também durante os anos 80 para a Commodore 64 nunca mais se pegou na série até que a saudosa Westwood decidiu fazer um jogo de aventura point and click em 1997. E que belo jogo esse! A minha cópia foi comprada algures durante este ano na feira da Ladra em Lisboa, custando-me algo em torno dos 2 ou 3€, está completa e em excelente estado.

Blade Runner - PC
Jogo completo com caixa, jewelcase, 4 discos, manual e papelada diversa

Em vez de ser uma simples adaptação do filme original, este Blade Runner opta antes por contar uma história que decorre em paralelo com os acontecimentos do filme, com várias personagens do filme a acabarem por entrar no jogo, inclusivamente com as vozes dos actores originais. Também o jogo decorre em Los Angeles no ano de 2019 e nós encarnamos no Blade Runner Ray McCoy, começando por investigar um misterioso assassinato de animais verdadeiros numa loja (sim, porque neste contexto, muitos animais se extinguiram devido a acções humanas e assassinar animais verdadeiros é um crime tão grave como o assassínio humano) e com as suspeitas a recairem num grupo de Replicants. Ao longo do jogo vão acontecendo outros assassinatos e cabe-nos a nós ter o trabalho de detective e investigar quem são os culpados e quais as suas motivações.

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Esta é a jovem Lucy, uma personagem importante para a história que pode impactar por completo o final do jogo.

Como devem adivinhar, a jogabilidade não vai recair tanto em puzzles tradicionais de jogos deste género mas sim recolher e analisar pistas de cenas de crimes e entrevistar vários suspeitos e outras pessoas para irmos construindo as nossas teorias. E nessas entrevistas e conversas que vamos tendo, podemos decidir ser o “polícia bom” ou o “polícia mau” o que acaba por influenciar a maneira como depois a história vai decorrendo. E isto eu não me apercebi, porque sinceramente só joguei este Blade Runner uma vez, mas já li em vários sítios que este jogo tem a peculiaridade de para além de ser não linear, ou seja, temos muita liberdade de escolha do que fazer e como o fazer, e isto é óbvio, o que não foi tão óbvio para mim é que os outros NPCs também vão progredindo no jogo de forma independente, o que também acaba por introduzir ainda mais não-linearidade na aventura.

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Grande parte do jogo consiste em investigar cenas de crime e outros locais suspeitos em busca de pistas

Uma das coisas que achei interessante são as fotos que podemos analisar. Aqui dispomos do computador de “tecnologia de ponta” que é bem melhor que qualquer programa informático do CSI, pois consegue ampliar e rodar fotografias em 3D para que consigamos ver a cara de alguém que esteja de costas, ou algum objecto mais escondido. Outra coisa interessante e fora do comum que podemos fazer são os testes de Voight-Kampff a vários suspeitos. Aqui são feitas várias perguntas hipotéticas e consoante as respostas que vamos recebendo conseguimos determinar se a pessoa em questão é um replicant ou um humano autêntico. Mas também temos outros segmentos com mais acção, onde temos de perseguir ou fugir de alguns indivíduos e podemos inclusivamente sacar da nossa arma e ao estilo de point and click disparar para os NPCs em questão.

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Quando viajamos no nosso carro de polícia todo hi-tech, podemos escolher o destino a seguir neste mapa

Visualmente era um jogo muito surpreendente para os padrões de 1997, até porque a Westwood utilizou umas técnicas de programação fora do comum, utilizando voxels, o que permitia representar gráficos em 3D com boa qualidade sem ser necessário o uso de alguma placa gráfica, que nessa altura já começavam a ficar em voga. No entanto, isso requeria bastante capacidade de processamento para a época, o que acabou por se ressentir no framerate. De qualquer das formas, o design é completamente cyberpunk, apresentando-nos uma cidade desoladora, consumida pela poluição e zonas dos subúrbios completamente miseráveis, onde inclusivamente muitos dos edifícios e locais do filme acabaram por ser aqui representados também. Todo aquele “high-tech” característico dos filmes de ficção científica dos anos 70 e 80, onde viamos ecrãs de TV dissimulados e muitas botões com luzinhas em todo o lado também marcam aqui a sua presença. Em relação ao voice acting também não tenho nada a declarar, pois o mesmo está bem competente.

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Nas instalações da LAPD, podemos participar numa galeria de tiro para treinar os nossos reflexos.

Se gostaram do filme Blade Runner e também apreciam videojogos do género de aventura point and click, então recomendo por completo que dêm uma vista de olhos a este jogo. Infelizmente, e possivelmente por questões de copyright e pelo facto de a EA ter destruído a Westwood, não existe nenhuma versão oficialmente optimizada para correr em sistemas operativos modernos, quer no GOG, Steam, Origin ou outros. No entanto, basta usar o google para se encontrarem instaladores e patches que o corrigem para que o mesmo corra em sistemas operativos de 64bit como o Windows 7 e 8.

The 7th Guest (PC)

7th Guest

Vamos voltar aos jogos retro mas para o PC, com uma análise ao 7th Guest. Lançado originalmente em 1993, este é um jogo produzido pela Trilobyte, tornando-se num dos maiores impulsionadores dos jogos de aventura em full motion video com a temática de terror, como os Phantasmagoria ou Gabriel Knight que lhe seguiram, apesar de aqui as coisas ainda serem naturalmente muito “cruas” e pouco elaboradas, mas a semente foi definitivamente plantada. Este jogo entrou na minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado num bundle com outros jogos na Feira da Ladra em Lisboa. Infelizmente apenas contém a caixa em jewel case com os discos e o manual embutido em livrete. A edição Big Box trás muito mais coisas, mas foi o que se arranjou e o baixo preço que lhe paguei, não posso mesmo me queixar. Mais tarde encontrei também numa feira de velharias e ao desbarato, uma big box foleira mas vazia, pelo que a juntei à colecção.

Jogo com caixa em jewel case, os dois discos e livrete/capa

A história é das coisas mais bizarras que já joguei. Inicialmente assistimos a uma cutscene sobre a vida do demente Henry Stauf, que era uma pessoa perfeitamente normal, mas devido à grande depressão sentida nos finais dos anos 20, tornou-se num sem abrigo e ladrão. Certo dia decide assaltar uma mulher e acabou por a assassinar. A partir dessa altura as coisas ficaram estranhas, pois Stauf começou a ter visões de brinquedos, construíndo-os em seguida. Os seus brinquedos acabaram por ter um enorme sucesso e Stauf ficou rico. Até que tem uma outra visão e decide construir uma mansão sinistra numa colina. Por essa altura um estranho vírus incurável afectou várias meninas que tinham bonecas do Stauf e para além disso, Stauf convida um conjunto de pessoas a passar um serão na sua casa misteriosa e é aí que a acção começa. Nós encarnamos numa misteriosa personagem simplesmente chamada de “Ego”, que tem o cliché de sofrer de amnésia e não saber como foi ali parar. Também vamos vendo alguns clips de vídeo dos anteriores convidados a chegar à casa, como se fantasmas se tratassem.

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Henry Stauf, o antagonista do jogo também tem direito ao seu próprio puzzle

A exploração da casa é toda ela feita na primeira pessoa, onde com o rato podemos clicar em vários locais no ecrã e de acordo com o tipo de ponteiro do rato que nos aparece, podemo-nos deslocar nessa direcção, ver cutscenes “dramáticas” dos restantes convidados que vão contribuindo para a história, outros eventos mais “assustadores”, ou então a resolução de puzzles. Inicialmente dispomos apenas de 2 locais que podemos visitar e à medida que vamos resolvendo mais puzzles, novos locais da casa vão sendo desbloqueados, com mais puzzles para resolver e cutscenes para assistir. Os puzzles ao contrário de muitos outros jogos de aventura point and click aqui fazem completa justiça ao seu nome, pois são mesmo puzzles lógicos (e não só) que teremos de resolver, como vários baseados em peças de xadrez, cartas, adivinhar palavras ou ordenar letras e por aí fora, ou outros bem mais “chatinhos” como um jogo de Reversi num microscópio ou mesmo seguir uma melodia de 18 notas num piano. Felizmente existe um hint book localizado na biblioteca da casa que nos vai dando algumas dicas de como resolver cada puzzle. Se o livro for consultado três vezes para um determinado puzzle, o jogo assume que o jogador completou o puzzle, mas com uma pequena penalização de não ver a cutscene que seria desbloqueada ao completá-lo normalmente.

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A baixa resolução e poucas cores não permitiram filmagens de elevada qualidade, mais uma razão para o jogo ter envelhecido mal

Graficamente é um jogo algo primitivo, apesar dos seus cenários completamente pré-renderizados e as tais cutscenes em full motion video com actores reais terem sido verdadeiramente impressionantes na época em que o jogo saiu. Hoje em dia, esses mesmos cenários pré-renderizados são bastante simples e a qualidade das filmagens também deixa a desejar, até porque o jogo corre em resoluções muito baixas para os standards actuais. Mas este é mesmo daqueles jogos em que temos forçosamente de os analisar tendo em conta o contexto temporal e para os padrões de 1993 está um produto muito bem conseguido. Os actores em si não são propriamente um elenco de luxo, o acting não é o melhor, mas sinceramente acho que isso também faz parte do charme, assim como de vez em quando até sabe bem ver uma paródia qualquer de Bollywood só para nos divertirmos. Devo dizer no entanto que gostei bastante das distorções “maléficas” que foram dando a algumas vozes de forma a torná-las mais assustadoras. A música no geral é algo atmosférica e tensa, mas infelizmente não é muito variada. De qualquer das formas não é nada que não se aguente.

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Muitos dos puzzles existentes abordam regras do Xadrez… pena que eu não as saiba!

Concluindo, acho este The 7th Guest um clássico dos jogos de aventura de PC da primeira metade da década de 90. Embora tenha envelhecido mal com todos estes anos, o que é normal em practicamente todos os jogos do género com FMV à mistura, não deixou de ser uma peça fundamental dentro do género, abrindo caminho a clássicos como os Phantasmagoria de serem produzidos. Actualmente é um jogo que se consegue arranjar com alguma facilidade no steam com boas promoções, pelo que recomendo a sua compra a todos os que ficaram curiosos com o jogo.

Aladdin (Sega Mega Drive)

Aladdin - Mega DriveAlladin é mais um jogo da Disney baseado num filme do mesmo nome. Mas é um jogo bastante importante no catálogo da Mega Drive e não só, pois marcou o início de uma nova era de jogos da Disney. Existem 2 grandes versões distintas de Aladdin, uma produzida pela Capcom para a SNES, e uma outra pela Virgin para os sistemas da Sega e outras plataformas como o PC e Amiga. O motivo destas 2 versões distintas prende-se com o facto de que era a Capcom quem detinha a licença da Disney para produzir videojogos, mas apenas para consolas da Nintendo, enquanto que noutras plataformas eram outras as empresas que detinham os mesmos direitos, incluindo a própria Sega. Este jogo entrou na minha colecção há umas semanas atrás, através da oferta de um particular, ao qual agradeço imenso.

Jogo com caixa e manuais

E tal como todas as adaptações de filmes para videojogos, Aladdin tenta seguir fielmente os acontecimentos do filme, pelo menos dentro do que é possível num jogo de plataformas. E nisto lá andamos pelo meio das ruas de Agrabah a fugir à guarda real do Sultão, passando pela misteriosa caverna onde encontramos a lâmpada mágica e por fim vagueamos pelo Palácio Real para dar uma tareia no Jaffar e Iago.

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Ao iniciar o jogo temos uma breve explicação do que é o quê e o que faz

A jogabilidade é a de um sidescroller tradicional, onde podemos andar de um lado para o outro, saltar e realizar algumas habilidades “parkour”, ao balancear em estacas ou escalar cordas, defrontar inimigos e ocasionalmente uns bosses da praxe. Os inimigos vão sendo bastantes e com ataques variados, mas Aladdin não está indefeso. Para além da sua espada, podemos também coleccionar maçãs que podem servir como arma de arremesso para lutas à distância. Felizmente essas maçãs são abundantes ao longo de todo o jogo, e podemos carregar até um máximo de 99. E tal como qualquer jogo de plataformas que se preze, o que não falta são itens no ecrã para coleccionar. Para além das já referidas maçãs, temos também itens que restabelecem a energia de Aladdin, pedras preciosas que podem ser trocadas por vidas ou continues nos vendedores ambulantes que vão surgindo nos vários níveis, checkpoints, vidas extra e itens que nos levam a níveis de bónus, que tanto podem ser do Génio da Lâmpada, ou do macaco Abu. Nos níves de Abu, controlamos o pequeno macaco num ecrã fixo, onde tem de se esquivar dos objectos que vão caindo de cima e apanhar as jóias que também vêm à mistura. Já os níveis do génio, se é que podem ser chamados assim, são bastante simples. Vemos uma espécie de uma roleta de itens dentro da boca do génio, com os itens a alternar de forma aleatória. Sempre que pressionarmos um botão, ficamos com o item que aparecia no ecrã no momento, se porventura tivermos azar e escolhermos o Jaffar, então o nível bónus termina.

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Este é um dos vários jogos que possui uma intro da SEGA customizada

Mas vamos avançar para a questão do audiovisual pois é mesmo aqui que Aladdin realmente brilha. Este jogo é bastante conhecido pelas suas animações fantásticas. Liderado por David Perry, que mais tarde veio a fundar a Shiny Entertainment (estúdio que nos trouxe jogos como Earthworm Jim ou MDK), este Aladdin teve o apoio de animadores da Disney, que contribuiram para que as sprites do jogo para além de serem bem grandinhas e detalhadas, possuem frames de animação deliciosos. A expressão facial do Abu, em especial nas animações que vemos no ecrã do final de cada nível está fantástica. Vou mesmo mais longe, ainda hoje acho que há muitos jogos deste género que não têm a fluidez de animação que este Aladdin de 1993 (raios, já passaram mais de 20 anos??). Por outro lado, os níveis também vão sendo variados dentro dos possíveis, visto que o jogo decorre nos mesmos ambientes do filme. Mas mais uma vez, o detalhe gráfico nos próprios níveis também é bem acima da média e este é também um jogo que faz um excelente uso do máximo de 64 cores em simultâneo que a Mega Drive apresenta nativamente.

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Entre cada nível há uma cutscene que nos vai pondo ao corrente da história, para quem não conhecer o filme.

Tendo em conta as limitações de som da Mega Drive face à SNES,  os efeitos sonoros de Aladdin são bons, mas a música é muito superior. Repleto de melodias memoráveis que vieram do filme, foram muito bem adaptadas ao chiptune da Mega Drive, resultando em músicas que ficam na cabeça muito depois de termos desligado a consola e a TV.

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O detalhe das sprites e suas animações é excelente para um jogo de 1993

Esta é uma análise algo curta para um dos melhores sidescrollers existentes na biblioteca da Mega Drive, mas o essencial foi dito. Para além da versão Mega Drive, este jogo também tem um lançamento para PC e Amiga, que naturalmente possuem um nível de detalhe maior. A versão SNES, produzida pela Capcom, apesar de não ser a minha versão preferida, é também um excelente jogo de plataformas, tal como a Capcom tão bem nos habituou.

The Lion King (Sega Master System)

LionKing-SMS-PTE após a análise à versão SNES da adaptação do filme The Lion King para os videojogos, fica agora uma “rapidinha” a uma das versões 8bit existentes, nomeadamente a da Master System. Não possuo uma versão apenas deste jogo, mas sim duas. A primeira é a versão espanhola, dá para ver nitidamente na capa. Essa foi comprada por algures em 2011 na antiga Virtualantas, penso que me ficou algo entre os 4 e 5€, possuindo o manual multilínguas. Mas a versão que eu almejava ter desde cedo é mesmo a Portuguese Purple, comprada algures em Outubro/Novembro na Feira da Ladra, em Lisboa. Penso que me terá ficado em 6€.

The Lion King - Sega Master System
Em baixo, versão espanhola com manual multilínguas e catálogo. Em cima, versão portuguese purple com o manual em português e a capa com algumas manchas, infelizmente.

Ora e tal como a versão 16-bit, esta tem também os mesmos níveis, apenas com menor detalhe, como seria de esperar. O segundo nível, com os macacos, girafas e todos os outros animais, ficou mais simplificado, mas não deixou de ser frustrante, com os saltos e o timing exigente. O único nível que mudou radicalmente é o da perseguição pela manada. Nas versões 16bit a acção decorre de frente para Simba, aqui é mais um nível de plataformas banal. Mas é esperado, a Master System não teria capacidades de apresentar o mesmo detalhe que nas outras versões. Os níveis bónus são também ligeiramente diferentes, aqui consistem em ter o Pumba a comer o máximo de insectos possíveis que vão caindo. Os controlos estão aqui um bocadinho piores pela falta de botões da Master System, mas os movimentos de Simba, quer em criança, quer em adulto estão lá practicamente todos, exigindo por vezes é uma combinação de botões para os executar. A luta final com o Scar também exige uma estratégia diferente: temos de esperar que ele salte, para saltar também e atacá-lo no ar. Dessa forma iremos arrastá-lo consecutivamente até ao precipício, forçando-o a cair.

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O nível com a perseguição da manada foi alterado para um side scroller algo simples

Graficamente é um jogo bastante colorido, especialmente nos primeiros níveis em que Simba é apenas uma cria, mas naturalmente não faz justiça à versão Mega Drive ou Super Nintendo, que eram incrivelmente detalhadas. Ainda assim, as animações estão boas, em especial a das hienas, na minha opinião. Já no som, em especial nas músicas, conseguiram fazer um bom trabalho nesta conversão. Como já frizei por várias vezes, o chip de som da Master System é o calcanhar de aquiles do sistema, mas ainda assim conseguiram captar bem vários dos temas conhecidos do filme, logo aí já é um bom ponto.

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Mais uma vez, ao longo do jogoexistem vários bosses que teremos de lutar.

No final de contas, acho este um jogo de plataformas razoavelmente bom, não está de todo nos tops da plataforma, mas também não é mau. Ainda assim, para quem tiver as versões 16bit do jogo, apenas consigo recomendar esta versão meramente por coleccionismo.