Far Cry 2 (PC)

Far Cry 2Ora cá está um artigo a um jogo que já o tenho na colecção há quase 3 anos e só agora é que me dei ao trabalho de o jogar (infelizmente não são poucos assim). O Far Cry original foi um FPS interessante. Se por um lado nos apresentava algumas mecânicas ainda algo old-school, como seguir uma sequência de níveis, por outro lado os seus mapas gigantescos já nos davam alguma ilusão de não linearidade ou liberdade de escolha de caminhos ou de tácticas. Mas foi com esta sequela que a componente de sandbox se assimilou em força nesta série. E a minha cópia do jogo foi comprada algures nos finais de 2011, ou inícios de 2012 na antiga TVGames no Porto. Creio que foi por menos de 5€.

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Jogo com caixa e manual – versão Fortune’s Edition que traz uma série de conteúdo adicional mas nada de importante

Tal como no jogo anterior, aqui encarnamos uma vez mais no papel de um mercenário. Mas ao invés de explorarmos uma ilha paradisíaca que albergava instalações de manipulação genética que escondiam algumas aberrações contra as quais lutávamos, aqui somos largados num qualquer país africano em plena guerra civil. A nossa missão? Matar The Jackal, um traficante de armas que tem vindo a fornecer o armamento às duas facções envolvidas no conflito. Ora chegamos lá e shit hits the fan. Pelos vistos contraímos malária, perdemos os sentidos e acordamos com o próprio Jackal à nossa frente que, depois de saber do plano para o assassinar, deixa-nos à nossa sorte com a doença. Ora depois vemo-nos envolvidos num enorme tiroteio entre as duas facções e somos resgatados por um dos líderes de uma das facções, que nos mandam depois cumprir algumas missões básicas. E após essas missões iniciais, somos então livres de progredir livremente no jogo, seja para “limpar” pontos de controlo e safehouses, ou cumprir missões para cada uma das facções. Eventualmente teremos de escolher lados e muita coisa pode acontecer, levando também a finais diferentes do jogo.

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Podemos escolher o nosso protagonista de entre vários candidatos. Os restantes poderão aparecer no jogo como NPCs

A jogabilidade é simples, este é um FPS em que podemos usar uma série de armas, tanto roubá-las aos cadáveres dos inimigos que limpamos o sebo, ou usar os diamantes que recebemos de recompensa (ou encontramos espalhados pelo mapa) para comprar armas e upgrades em várias “lojas” da especialidade. Apenas podemos carregar 3 tipos de armas diferentes ao mesmo tempo – primária como assault rifles, shotguns e afins, secundária como os revólveres e a especial como lança chamas ou rockets, ou morteiros. A diferença entre as armas dos inimigos e as que compramos está na sua durabilidade. As que vamos encontrando podem encravar, o que é algo muito bonito de acontecer quando estamos em pleno tiroteio no meio do caos, já as que compramos com os nossos diamantes suadinhos, são mais duráveis. O sistema de saúde consiste numa barra de vida dividida em 5 segmentos. Cada vez que sofremos dano, essa barra vai diminuindo. Mas ao passar algum tempo em segurança, existe alguma auto regeneração de vida, que nos regenera até a ao segmento mais próximo da barrinha em si. Para regenerar a vida na totalidade podemos usar uma seringa com uma substância qualquer… felizmente essas podem ser encontradas em diversos pontos chave no jogo.

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Seja a pé ou num veículo, podemos sempre consultar os nossos mapas e o GPS que nos indicam a direcção do próximo objectivo

Infelizmente as missões em si acabam por ser bastante repetitivas e a história não é assim muito cativante. Tanto podemos ter de assassinar algum alvo, destruir certas infraestruturas ou resgatar alguém… mas acaba por cansar ao fim de algum tempo. Isto porque a àrea do jogo é enorme e mesmo podendo conduzir uma panóplia de diferentes veículos (e também apanhar autocarros como meio de fast travel entre certos pontos), vamo-nos SEMPRE cruzar com jipes de rebeldes que andam a passear pela selva só porque sim e torna-se repetitivo também por isso. Mas para quem gosta de jogos em sandbox, há de facto muita coisa a fazer e muitos pontos opcionais do mapa para assaltar se assim o desejarmos. Um tema em particular que até gostei foi a questão dos companheiros. Em certos pontos do jogo poderemos salvar algumas pessoas que futuramente nos podem apoiar nalgumas missões. Seja ao ajudar em várias missões, como provocar algumas distracções que nos facilitem a vida, outros podem ajudar-nos caso estejamos à rasca, outros podem ainda oferecer algumas missões extra.

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Para encomendar armas ou upgrades, nada como aceder a uns certos terminais

Graficamente é um jogo bonitinho para os padrões da época, mesmo não tendo utilizado os motores gráficos da Crytek. Confesso que nunca estive numa savana africana, mas as paisagens naturais eram de facto muito boas. E ainda assim, tanto poderemos ter selva densa, como zonas mais desérticas, pequenas vilas em estado de sítio, lagos ou cavernas. Para além disso, o jogo possui um sistema de dia/noite e também de condições climatéricas dinâmicas, o que também influencia a forma como os fogos que causamos se possam propagar. O voice acting pareceu-me competente, mas à semelhança da história principal pouco profunda, não me cativou. Ainda na parte técnica, reparei que por vezes… por muitas vezes aliás, o jogo não respondia bem aos controlos, coisas básicas como abrir portas por vezes eram um martírio até que surgisse o ícone no ecrã para autorizar essa acção.

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O nosso trabalho vai sendo o de um mercenário, onde podemos alternar entre missões de várias facções

De resto convém também referir a vertente multiplayer deste jogo que invariavelmente acabou por me passar ao lado. Não sei se ainda está activa, mas para além das variantes de deathmatch e capture the flag, temos o Uprising. Aqui é mais um modo de jogo em que jogamos em equipas com o objectivo de controlar todos os pontos importantes de um mapa. Mas o twist é que cada equipa tem um capitão e é o capitão que pode capturar esses pontos. Para além disso, no final ainda se tem de assassinar o capitão adversário. Existem várias classes disponíveis, com diferentes armamentos à disposição, mas o meu backlog não me permite perder muito tempo com multiplayers, pelo que este modo de jogo se ficou para trás.

Far Cry 2 não é um jogo mau de todo. O conceito de sandbox até que acaba por ser benvindo por oferecer ainda mais liberdade e a não linearidade pelo menos nas escolhas que vamos fazendo são pontos positivos. De menos positivo está mesmo a história que é fraquinha e o tipo de missões que temos pela frente que acabam por não ser lá muito entusiasmantes. O Far Cry 3 pareceu-me bem melhor, mas esse ainda não chegou cá ao tasco.

XIII (Sony Playstation 2)

XIII - PS2O XIII é um jogo que infelizmente acabou por passar ao lado de muito boa gente. Veio numa das melhores fase criativas da Ubisoft, quando os mesmos apostaram em novas IPs de qualidade como o Splinter Cell, Beyond Good & Evil e o reboot de Prince of Persia com o fantástico Sands of Time. Talvez por isso, e claro, outros jogos de qualidade de outras empresas, tenham obscurecido esta pequena pérola esquecida. Já o tinha jogado mais ou menos na altura em que o mesmo saiu, para o PC, mas entretanto vi-o várias semanas seguidas sozinho e abandonado na Cash Converters de Alfragide por 2.5€ e como mais ninguém o levou, acabei por fazer o “sacrifício”.

XIII - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

XIII é baseado na banda desenhada belga de mesmo nome, que conta histórias com a temática de conspirações e espionagem e este videojogo não poderia fugir à regra. Encarnamos no agente de nome de código XIII, que acorda com amnésia numa praia algures na costa norte-americana. Desde cedo se vê a ser perseguido por uma série de bandidos que o querem ver morto por alguma razão e acaba também por ser feito prisioneiro pelo FBI que lhe mostra supostas provas em como ele assassinou o presidente norte-americano. Eventualmente lá conseguimos escapar e depois o jogo acaba por ser uma espécie de “Bourne Conspiracy” onde iremos tentar desvendar o mistério por detrás desse assassinato e descobrir muitas conspirações à mistura.

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Logo a primeira coisa que chama à atenção são os visuais em cel-shading deste jogo

Não queria falar já nos audiovisuais, mas não há como escapar. Todo o jogo é apresentado com gráficos em cel-shading, ficando mesmo com o aspecto que estamos a jogar numa banda desenhada. Mas essa sensação não se dá apenas pelos gráficos em cel shading, aliás até porque os mesmos são utilizados noutros videojogos que nada tenham a ver com isso. É nos pequenos detalhes de os diálogos se darem por vezes em balões de banda desenhada, ou quando algumas pequenas cutscenes são apresentadas o ecrã divide-se em vários quadradinhos que mostram diferentes pormenores ao mesmo tempo, ou mesmo pelos efeitos sonoros como ARRGH, ou BAM! ou TAP TAP TAP nas missões mais stealth quando ouvimos os passos dos nossos oponentes. Quando mandamos um bom head shot ou atiramos com umas facas em cheio na cabeça de alguém também são mostrados alguns quadradinhos com esses detalhes. Tudo isto conjugado sim, faz com que XIII seja um jogo especial.

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Podemos usar os nossos inimigos como escudos humanos, o que até pode dar algum jeito em certos momentos

No que diz respeito à jogabilidade, este jogo tanto engloba os elementos clássicos de um first person shooter com acção rápida e frenética onde disparamos para tudo o que mexa, bem como outros elementos de stealth, ou alturas em que não podemos matar os nossos adversários (nomeadamente agentes inocentes do FBI), sendo então forçados a neutralizá-los quer com os punhos, ou com outros objectos que possamos encontrar, como cadeiras ou garrafas. Também podemos agarrar outros humanos e usá-los como reféns ou mesmo como escudos humanos, podendo depois lhes dizer as “boas noites” e eventualmente arrastar os corpos para um sítio que nos dê mais jeito. Naturalmente isto é mais útil nas missões com uma forte componente de infiltração. De resto vamos tendo um grande arsenal de armas e outros objectos que podemos utilizar e os pontos de saúde são restabelecidos com uso dos medkits, como manda a lei.

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Todos estes pequenos detalhes de banda desenhada são o que dão realmente um toque especial a XIII

Existem ainda várias vertentes multiplayer, que na versão PS2 tanto podem ser jogadas localmente como online, que naturalmente não cheguei a tempo de experimentar. Mas também como não poderia deixar de ser, os modos de jogo disponíveis consistem no Capture the Flag e em várias variantes do Deathmatch, incluindo os originais “The Hunt“, onde o objectivo é disparar o máximo de vezes possível para um esqueleto que vagueia pelo mapa, bem como o Power-Up, onde espalhados pelos mapas teremos várias caixas que têm powerups que tanto poderão ser benéficos como mais saúde ou armadura, ou outros que nos irão dificultar mais a vida.

Passando para o som, a banda sonora faz-me lembrar os filmes de espionagem da década de 70, o que sinceramente até acaba por se adequar muito bem ao clima do jogo. O voice acting não é mau, e o elenco de actores contém dois nomes bem conhecidos, como Adam West, o mítico Batman a encarnar na personagem do General Carrington, e David Duchovny’s, mais conhecido como Agent Mulder numa certa série televisiva de culto a assumir o papel da personagem principal. Infelizmente a interpretação de Duchovny acaba por sair um pouco furada, visto XIII ter muito poucas falas ao longo de todo o jogo.

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Para além de split screen, a versão PS2 também permitia partidas multiplayer online

Apesar deste XIII não ser perfeito, nomeadamente os tiroteios poderiam estar um nadinha mais polidos, não deixa de ser a meu ver um jogo muito bom e que infelizmente passou ao lado de muita gente. Convém referir que o jogo termina num cliffhanger que promete uma sequela, mas infelizmente a mesma nunca mais se viu. Pode ser que agora com uma sequela ao Beyond Good and Evil alguém na Ubisoft se lembre deste jogo. Entretanto se virem este baratinho, seja para que plataforma for, recomendo vivamente a sua compra.

Far Cry (PC)

Far CryOra cá está um jogo que já não lhe pegava à muito tempo. Na altura em que ele saiu acabei por o jogar até ao fim, mas por uma razão ou outra acabei por me esquecer quase por completo de como tinha sido essa experiência. Já há bastante tempo que me tinha metido à procura deste jogo em várias lojas de usados e afins, mas as únicas versões que me apareciam à frente eram as da revista BGamer e eu fazia questão em ter a versão original. Eis que há coisa de uns meses, após ter ido a um evento de anime com uma vertente de videojogos cá por Lisboa, a loja 1UP tinha lá uma banquinha com este jogo à venda por 90 cêntimos, se não estou em erro. Claro que tive de o trazer.

 

Far Cry - PC
Jogo com caixa e manual

Este é um jogo que decorre numa remota ilha algures perdida no Oceano Pacífico. A nossa personagem é Jack Carver, antigo militar de operações especiais que ia escoltando uma aparentete jornalista chamada Val Cortez para se infiltrar secretamente nessa ilha. Até que a certo ponto Jack é atacado por um rocket disparado por mercenários e… sozinhos naquela ilha lá teremos de arranjar maneira de entender o que se passa. A certo ponto somos contactados por um misterioso Doyle que nos promete ajudar, mas temos de resgatar Val Cortez. Depressa percebemos que os mercenários não estão lá por engano e a ilha armazena alguns segredos que não me vou alongar muito… mas incluem manipulações genéticas.

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O nivel de detalhe era algo de facto impressionante para a época

Da primeira vez que joguei este Far Cry na altura em que saiu, não era difícil ficar abismado com a sua qualidade gráfica, afinal este foi o jogo que colocou a Crytek no mapa. Aqui tinhamos uma ilha vastíssima para explorar, e os cenários tinham uma draw distance bem grandinha, o que era impressionante para a época, pelo menos com todo aquele grau de detalhe. E isso permitia-nos abordar os inimigos de diferentes formas, podendo-os atacar de diversas posições, ou em alguns casos até evitá-los por completo. Claro que os inimigos também tentavam utilizar o terreno amplo para nos atacarem, e é frequente vê-los a tentarem flanquear-nos por diversas direcções. O facto de também podermos conduzir veículos como jipes ou barcos também nos dava toda esta liberdade de movimentos, embora este não seja considerado um jogo de “open world” pois até acaba por ser bastante linear. Essa linearidade era ainda mais evidente nalguns níveis mais “close quarters” com corredores e salas cheias de inimigos, nesses a acção chega até aos níveis de jogos como o Quake, por exemplo.

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Conduzir veículos era algo que finalmente fazia todo o sentido num FPS

E a jogabilidade é um misto de jogos FPS modernos com os da velha guarda. Isto porque apesar de existir um vasto arsenal, apenas podemos equipar 4 armas ao mesmo tempo, bem como os saves seguirem um esquema de checkpoints, no entanto o sistema de vida e armadura é completamente old-school, com o recurso a medkits e power-ups de armaduras deixadas pelos inimigos ou encontradas noutros locais. O combate em si acaba também por ser algo frenético, em especial nos níveis mais fechados, o que também lhe dá o tal feel de FPS da velha guarda como referi acima. De resto, para além de uma sólida campanha single-player dispomos também de um modo multiplayer algo básico, com variantes do tradicional deathmatch e um modo de jogo chamado Assault, onde diferentes equipas têm de atacar e/ou defender vários objectivos num mapa. Nada do outro mundo mas também não me queixo porque o tempo para multiplayers hoje em dia é practicamente nulo.

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Os binóculos servem para identificar inimigos e adicioná-los ao radar, bem como ouvir conversas devido ao seu microfone direccional

Graficamente era um jogo bem bonito para os padrões de 2004, precisamente pela vastidão da ilha e a qualidade com que as paisagens são apresentadas, mesmo que estejam bem longe. A vegetação também estava muito boa para a altura e de facto até acabava por nos dificultar a vida ao procurar pelos inimigos. Vá lá que ao usar os binóculos os gajos eram logo identificados e adicionados ao radar, mas ainda assim a vegetação cumpriu bem o seu papel para esconder as ameaças que nos rodeavam. Ainda assim lembro-me perfeitamente que na altura não gostei tanto deste jogo por isso mesmo, por uma boa parte dos cenários serem essas ilhas paradisíacas, era tudo demasiado colorido para um FPS. Vá lá que a coisa depois mudou radicalmente. De resto no campo do audio, confesso que não prestei grande atenção à musica de fundo, quando a havia, pelo que não as vou comentar. Os diálogos não eram nada de especial, mas cumpriram o seu papel. A história não é a coisa mais surpreendente do mundo, mas vistas bem as coisas, preferia ter enfrentado mercenários que “apenas” desviaram uma bomba nuclear ou algo do género, e não necessariamente a coisa evoluir para as criaturas que acabamos por combater.

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Nem só de cenários abertos vive o Far Cry, embora sejam essas que melhor o diferenciam

Far Cry é um bom FPS. Mistura conceitos old e new school do género, mas não deixa de ser um jogo muito importante no catálogo da Crytek, quanto mais não seja para colocá-los num mapa que só a id ou a Epic eram donas e senhoras com as suas engines 3D. O segundo jogo parece que foi uma desilusão a todos os níveis, é uma prova que eu vou tirar nas próximas semanas, mas pelo menos no que ao Far Cry 3 diz respeito, aí sim, parece que já conseguiram representar numa melhor forma um cenário tropical, mas verdadeiramente open world.

Tom and Jerry in Mouse Attacks (Nintendo Gameboy Color)

Tom and JerryO artigo de hoje é mais uma rapidinha a um jogo de Gameboy Color que veio cá parar após me ter sido oferecido por um particular há uma data de anos. De outra forma não seria um jogo que eu compraria, apesar de o mesmo nem ser assim tão mau de todo. Apesar de sempre ter gostado dos desenhos animados, e provavelmente depois de escrever este artigo até vou ver alguns só mesmo para matar saudades, este não foi um jogo que me tenha cativado por aí além.

Tom and Jerry in Mouse Attacks  - Nintendo Gameboy Color
Jogo, apenas cartucho

Neste jogo apenas jogamos com o intrépido Jerry, sempre com o objectivo de salvar outros bichinhos que sejam prisioneiros do gato Tom, ao longo de diversos níveis bem distintos entre si, e com as mecânicas de um jogo de plataformas. No entanto, não podemos atacar os inimigos normalmente, pelo que teremos de andar constantemente a evitá-los. Em cada nível temos diferentes items coleccionáveis, enquanto que no primeiro são notas musicais, no segundo já são bolotas. Apanhar estes items é imprescindível, pois os mesmos dão acesso a umas portas em que depois teremos de vencer num minijogo para ganhar alguns itens especiais que serão absolutamente necessários para vencer o nível. Coisas como bombas que podem destruir alguns obstáculos, molas que nos permitem saltar mais alto, ou um guarda-chuva que nos deixa descer suavemente depois de um salto. Cada item destes que vamos desbloqueando apenas lhes temos 3 usos, pelo que os deveremos utilizar nos sítios certos.

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Por vezes temos a oportunidade de ver algum artwork que infelizmente não me parece que tenha muito a ver com os desenhos clássicos

Por outro lado, os mini jogos tanto podem ser coisas chatas como sliding puzzles cronometrados, uma versão do “whac-a-mole” mas para acertar com tartes em gatos, ou outras corridas de obstáculos que nunca são lá muito difíceis. Mas também este é um jog indicado para os mais novos. No final de cada um dos cinco níveis temos sempre uma luta contra um boss que também não são muito difíceis, basta apenas descobrir qual o padrão certo para lhes provocar dano, já que não os conseguimos atacar directamente.

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Tal como a imagem anterior deixou prever, cada nível é passado numa diferente divisão da casa

Nos audiovisuais este jogo até que me surpreendeu bastante. Os cenários são bastante coloridos e bem detalhados para uma Gameboy Color, e o mesmo pode ser dito das sprites de Jerry ou dos bosses mais grandinhos. As músicas também são tecnicamente muito interessantes, com boas linhas de baixo e alguns efeitos que me surpreenderam, como os assobios. Mas como um todo, não posso dizer que as melodias me agradem assim muito, é uma questão de gostos, lá está. Mas não deixaram de ser impressionantes pela “qualidade de som”, se é que me faço entender.

No fim de contas, apesar de este Tom and Jerry até ser um jogo bem sólido no panorama mais técnico, como jogo de plataformas/acção deixa um pouco a desejar, até pela sua curta duração. Sem dúvida um jogo voltado para os mais pequenos, mas que hoje em dia eles acabam por preferir ir jogar no tablet dos pais.

Brothers in Arms: D-Day (Sony Playstation Portable)

Brothers in Arms - D-DayVoltando à PSP e novamente para mais uma aláise a um jogo que infelizmente me acabou por desiludir. A série Brothers in Arms consistem em vários first person shooters sobre a segunda guerra mundial, mas com um maior realismo, tanto a nível táctico, onde temos  de comandar da melhor forma o nosso esquadrão para conseguirmos atingir os nossos objectivos em segurança, mas também a nível histórico, com a Gearbox a tentar recriar o mais fielmente possível os campos de batalha e as posições inimigas, de acordo com os relatórios de combate dos próprios soldados que participaram no conflito. E com o lançamento da PSP, que acabou por receber os seus próprios Call of Duty e Medal of Honor, a Gearbox e Ubisoft lá decidiram trazer também o Brothers in Arms para a sua portátil. Este jogo entrou na minha colecção durante o mês passado, tendo sido comprado a 4€ na cash de Alfragide.

Brothers in Arms D-Day - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa e manual

A primeira coisa que me desiludiu foi o facto deste jogo não possuir nenhum conteúdo original na sua campanha single player. Todas as missões já foram jogadas quer no Road to Hill 30, quer no Earned in Blood, ambos jogos que eu já tinha jogado na PS2 há muito. Aqui não estava propriamente à espera de um capítulo da história inteiramente novo (aliás isso é algo que ainda aguardo nos dias de hoje mas a Gearbox prefere o Borderlands), mas sim uma espécie de spin-off, como os Medal of Honor Heroes o são. Quando finalmente me apercebi que o que teria pela frente seria rejogar todas aquelas missões que já tinha jogado anteriormente, perdi quase toda a vontade de jogar, por um único motivo: os controlos. Mas os controlos já estaria à espera que fossem mauzinhos. A falta de um segundo analógico na PSP dificulta bastante o trabalho em qualquer FPS que se preze, e o que dizer de um Brothers in Arms com esta componente estratégica acrescida?

Brothers in Arms - D-Day (1)
Infelizmente “já vi este filme”

O analógico controla o movimento em várias direcções, já para fazer o strafing (andar para os lados) precisamos de carregar no L. Os restantes botões faciais, incluindo os do próprio D-Pad, têm várias outras funções assignadas, como usar granadas, agachar/levantar, recarregar as armas, mudar de arma, aiming down the sights, ou dar ordens aos nossos companheiros. E para dar ordens aos companheiros, a menos que sejam de fall in/fall out que basta carregar no botão respectivo, obrigá-los a procurar cover num determinado local, ou atacar certas posições inimigas temos de carregar no triângulo e direccionar um cursor para o que queremos fazer. E em momentos calmos isto até é fazível, embora custe um pouco. Mas quando estamos meio de um combate intenso a história já é outra. Apontar a arma também é um desafio considerável, e o uso do aiming down the sights/zoom é mesmo algo practicamente obrigatório se quisermos efectivamente acertar em alguém. Mas lá está, com estes controlos a precisão nunca é boa.

Brothers in Arms - D-Day (2)
As mecânicas do suppression fire continuam iguais a si mesmas e ainda bem

A componente estratégica em si parece-me ok. O objectivo consiste sempre em dividir as nossas forças em duas equipas. Uma delas deixamos posicionada num local relativamente seguro a abrir fogo sobre o inimigo, deixando-os suprimidos. A outra equipa (onde preferencialmente nos devemos enquadrar), tem a responsabilidade de flanquear os inimigos e atacá-los numa posição vantajosa, enquanto eles estão suprimidos. A supressão é dada por uns ícones circulares acima das cabeças dos inimigos, que enquanto estiverem vermelhos, os mesmos estão sempre a disparar contra nós, mas à medida em que lhes retribuimos o favor, esses ícones vão ficando gradualmente cinzentos. Quando estiverem completamente cinzentos, os inimigos vão ficando abrigados durante alguns segundos, sendo essa a altura ideal para atacar, ou mudar de posição. Para nos ajudar a perceber onde estão os inimigos, o que em certas alturas pode ser útil, basta carregar no select. Aqui a acção pausa, e a câmara transita para uma perspectiva de topo, onde podemos ver o mapa do campo de batalha e informações da localização de tropas inimigas e também os nossos companheiros.

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Carregando no select vemos o mapa estratégico que mostra as posições inimigas e por vezes a melhor forma de as atacar

Para além do modo campanha, este Brothers in Arms traz também um “skirmish mode“. onde se pode jogar em multiplayer cooperativo por ad-hoc bem como ser jogado sozinho. Aqui tanto podemos jogar partidas de defesa ou ataque, onde numas temos como objectivo defendernos contra várias waves inimigas, na outra já teremos de matar todos os nossos inimigos no menor tempo possível. Para além disso temos ainda 2 outros modos de jogo com pequenas missões com objectivos definidos, onde tanto podemos jogar com americanos ou alemães. O “Campaign Mode” é apenas jogado na categoria “authentic”, onde um tiro é na maior parte das vezes fatal e não há indicador de supression nos inimigos.

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Por vezes os gráficos parecem mesmo próximos aos das versões PS2

Graficamente é um jogo impressionante para uma Playstation Portable, cujo hardware se aproxima, mas não tanto assim, das capacidades de uma Playstation 2. E à primeira vista, pegando nos 2 Brothers in Arms da Playstation 2 e deixá-los lado a lado com este da PSP, não há grandes diferenças, mas certamente o ecrã pequeno mascara algumas imperfeições. Noto algum slowdown por vezes, mas sinceramente isso também acontecia nas versões PS2, se bem me recordo. O voice acting parece-me também semelhante ao original, o que é ok na minha opinião. O mesmo posso dizê-lo das músicas épicas e orquestrais, mas sinceramente já me passaram um pouco mais ao lado precisamente por ser um jogo portátil e não tão envolvente.

Concluindo, não consigo recomendar este jogo por todas as razões já referidas. É preferível jogarem os primeiros Brothers in Arms na PS2 (ou melhor ainda na Xbox ou PC), pois para além de não irem jogar nada de novo na PSP, os próprios controlos são infinitamente melhores no PC ou restantes consolas devido ao uso dos 2 analógicos.