Olympic Winter Games (Sega Mega Drive)

Continuando no reino das 16bit, vamos agora para a Mega Drive para mais uma rapidinha a um jogo desportivo. Depois de Olympic Gold, baseado nos jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, a U.S. Gold volta a lançar um jogo olímpico, desta vez para os Olímpicos de Inverno de 1994 em Lillehammer, na Finlândia. E tal como os videojogos deste tipo, poderemos participar numa série de diferentes eventos desportivos, que infelizmente costumam ter a praga de possuirem controlos estranhos e difíceis de dominar. O que não é a excepção aqui! O meu exemplar veio num bundle de mais de 20 jogos de Mega Drive que surgiu num negócio a um particular, ficando a um preço bem em conta no final. Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido pela quantidade de papelada que este jogo trazia!

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa

Felizmente o meu exemplar veio com o manual, pois poucos são os eventos onde temos alguma indicação visual no ecrã sobre o que temos de fazer. A maior parte das acções estão assignadas ao D-pad para movimentar o atleta, enquanto que os botões faciais vão servindo para ganharmos velocidade nalguns eventos, por exemplo. Mas convém lermos mesmo o manual ou um guia online e aproveitar a opção de treino para ir practicando os eventos, pois quando for a sério, o CPU não perdoa. Estes eventos podem ser diferentes provas de slalom de esqui, bobsled e um outro parecido, mas de trenó para uma pessoa apenas, corridas de patins de gelo, o tradicional salto de esqui, a prova de biatlo onde temos de correr com esquis e atirar ao alvo com uma arma de fogo, entre outros. São no total 10 eventos, e em alguns deles podemos competir head-to-head contra amigos, já noutros cada jogador joga à vez.

Passar pelos checkpoints nem sempre é fácil

A nível audiovisual é um jogo até que competente. Não é tão bonito quanto o Winter Challenge com os seus visuais 3D (mas felizmente também não é tão lento!!), mas os eventos apresentam um nível de detalhe satisfatório. Também vamos ouvindo várias músicas agradáveis, seja nos menus entre cada prova, ou mesmo nalgumas provas em si, o que sinceramente até me agradou. Portanto este Olympic Winter Games até pode ser um jogo interessante para quem for fã do género, mas eu sinceramente não sou grande fã de button mashers deste tipo.

Flashback (Sega Mega Drive)

A Delphine Software foi uma empresa muito interessante durante a década de 90. Os primeiros screenshots que vi do Another World deixaram-me boquiaberto e ainda hoje acho que as cutscenes que eles conseguiram criar para o Another World e Flashback bastante impressionantes. Portanto foram dois jogos que sempre criei grandes expectativas, e apesar de o resultado final ter sido um pouco diferente da expectativa que criei, acabou por me agradar. O Flashback foi uma interessante evolução dos conceitos introduzidos no Another World e Heart of the Alien, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters de Alfragide algures durante o ano passado. Se bem me lembro o jogo custou-me 8 ou 10€.

Jogo completo com caixa e manual europeu.

Flashback é um jogo que ocorre no future, onde o nosso protagonista é o amnésico Conrad Hart, que vemos na cutscene de abertura a ser perseguido por mutantes e a sofrer um acidente que o leva para o meio de uma selva em Titã, uma das luas de Saturno que entretanto tinha sido colonizada. O seu único pretence era uma mensagem gravada por ele mesmo num holograma, que o indicava para encontrar o seu amigo Ian na cidade de New Washington. Eventualmente quando conseguimos atravessar a selva e chegar à cidade, Conrad consegue recuperar as suas memórias. Acontece que Conrad desenvolveu uns óculos que consegue ler a densidade molecular das coisas e inadvertidamente descobriu a existência de uma raça de aliens que se mascaravam de humanos. O resto da trama vai-se desenrolando a partir daí, com a conspiração crescent de uma ameaça alienígena que quer exterminar a raça humana.

Apesar de podermos gravar o progresso no jogo em algumas estações próprias, no início de cada zona é-nos dada uma password

A nível de jogabilidade, é um jogo que faz lembrar bastante o Prince of Persia, tanto pela qualidade das suas animações que foram também capturadas por rotoscoping, bem como pelos cenários se apresentarem em ecrãs únicos sem scrolling. Existe também aqui um elemento maior de jogos de aventura, pois teremos de falar com vários NPCs ou apanhar e interagir com vários objectos, incluindo barreiras de força ou escudos que também são parte integrante nos combates. Aqui a jogabilidade é muito mais furtiva, pois os inimigos são resilientes e facilmente nos causam problemas se nos enfrentarem em grandes números. O escudo acaba por servir de certa forma de barra de energia pois permite-nos sobreviver a uma série de tiros, podendo este ser recarregado em vários pontos ao longo do jogo. Depois para além da jogabilidade furtiva a nível de combate, existem também alguns puzzles que teremos de ter em conta, nomeadamente para abrir certas portas de forma a progredir no jogo.

Visualmente é um jogo espectacular, especialmente para os fãs de visuais mais cyberpunk

Graficamente é um jogo impressionante, como já tenho vindo a referir ao longo do texto. Os cenários estão muito bem detalhados, mostrando um futuro algo sombrio e com aquele aspecto cyberpunk mesmo à Blade Runner. Mas mesmo assim existe alguma variedade de cenários como a selva onde começamos a aventura, quando participamos no concurso “The Death Show“, ou o mundo inóspito e hostil dos próprios aliens, que é muito diferente daquele visto em Another World. Depois temos ainda as cutscenes, que possuem o mesmo nível de qualidade daquelas vistas no Another World. É quase como se fosse full motion video, mas num jogo de cartuchos! O som também é excelente e a banda sonora acaba por ser bastante contida, com algumas melodias a tocar apenas em momentos críticos, o que juntando a todo o pacote audiovisual, promove uma experiência bastante cinematográfica.

As cutscenes são muito boas, o que é algo de extraordinário tendo em conta o espaço limitado do cartucho

Existem várias versões deste Flashback, e apesar de a versão Mega Drive ter sido das primeiras, não fica muito atrás das restantes, apesar de se notar que esta versão possui uma paleta de cores menor, o que já seria de esperar. É um grande clássico que viu pelo menos uma sequela, o Fade to Black que irei jogar muito em breve para a Playstation. Infelizmente pelo pouco que já vi do jogo deixa muito a desejar, mas isso é tema para explorar noutro artigo.

Out Run Europa (Sega Game Gear)

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Voltando agora às rapidinhas, o jogo que cá trago é daqueles que destoam dentro de uma franchise bem conhecida e de sucesso. O Out Run original deveria dispensar quaisquer apresentações apresentações e após a U.S. Gold e Probe terem desenvolvido as conversões para a maioria dos microcomputadores populares na Europa, lá devem ter conseguido algum acordo com a Sega para desenvolverem um jogo inteiramente novo. O resultado final saiu em 1991, para uma panóplia de diferentes microcomputadores e para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar da Game Gear custou-me 5€ e foi comprado há uns meses atrás na cash converters do Porto.

Jogo com caixa

Ao contrário dos OutRun mais convencionais, este jogo, tal como Battle Out Run, acaba por ser bem mais inspirado no Chase H.Q. embora tenha mais algumas influências do Out Run. Já passo a explicar. Basicamente a nossa personagem é o espião Simeon Kurtz, que persegue pela Europa uns criminosos de elite que roubaram documentos secretos. Até aqui tudo bem, vamos passeando ao longo de vários países europeus como Inglaterra, França, Espanha, Itália ou Alemanha, a bordo de diferentes veículos como uma moto, um Ferrari Testarossa, Porsche, ou mesmo um barco ao atravessar o Mediterrâneo.

Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!
Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!

A jogabilidade é algo estranha, mas já a passo a explicar. Olhando para o ecrã há 3 itens que devemos ter em consideração. O primeiro é o nosso escudo. Basicamente por cada tiro que recebemos ou colisão causada por carros inimigos, os nossos escudos diminuem. Ao passar por checkpoints ou no final de cada nível estes vão sendo restaurados em parte. Depois temos o número de balas e de turbos disponíveis, estes já podem ser apanhados como power-ups que vão sendo largados na estrada. Com estas 3 peças já estão mais ou menos a ver o que vos espera. Out Run Europa é então um jogo de corridas mas também com foco no combate. Carros inimigos e até carros da polícia vão tentar nos albarroar e/ou prender. O nível das motos até se comporta como uma espécie de Road Rash, pois podemos dar socos às motos dos nossos oponentes. Noutros podemos disparar tiros de pistola, onde muitas vezes um é suficiente para fazer explodir o carro adversário. Nos níveis onde atravessamos o mar podemos ter de enfrentar também helicópteros. E nem todos os veículos que se atravessam no nosso caminho são de maus da fita. Alguns são meros civis que apenas nos atrasam se batermos contra eles e não nos dão quaisquer pontos se forem destruídos. O melhor é evitá-los! Os turbos devem também ser aproveitados da melhor forma, pois também corremos contra o relógio e os obstáculos que enfrentamos ainda são bastantes. Por fim, às vezes teremos algumas bifurcações no caminho a escolher, um dos caminhos é mais curto mas difícil, outro mais longo mas com menor dificuldade.

Paris é atravessada à noite!
Paris é atravessada à noite!

Graficamente é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado é extremamente bem detalhado. As estradas possuem àrvores ou casas grandes e bem detalhadas, por vezes temos até lagos de um lado e rochas do outro, os backgrounds vão sendo variados, identificando diferentes regiões de vários países europeus. É um jogo visualmente bonito, mas a custo de um framerate não tão bom. Fico bastante curioso em ver a versão Amiga a correr, pois nos screenshots parece ser excelente. As músicas, muito sinceramente gosto de duas, as restantes já não achei grande piada.

Out Run Europa é um daqueles jogos que por muitas vezes é considerado a ovelha negra da série. No entanto, e apesar de o achar realmente diferente do resto da série, acho que até acaba por ser um jogo esforçado. Simplesmente por vezes parece ser demasiado ambicioso para um sistema como a Master System ou Game Gear. Mas estou mesmo curioso com a versão Amiga.

Olympic Gold (Sega Mega Drive)

47842_frontPara continuar com as rapidinhas, de forma a colmatar um pouco a minha inactividade nos últimos tempos, vou trazer cá mais um jogo desportivo. Na verdade este Olympic Gold, que era o videojogo oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 acaba por ser a segunda versão que venho a ter do mesmo jogo. A primeira tinha sido para a Master System e pode ser lida aqui. Esta versão Mega Drive possui o mesmo conteúdo, mas com gráficos e som muito superiores. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, tendo sido comprado em bundle que acabou por me ficar por 2.5€ por cada jogo. Edit: Neste mês de Fevereiro de 2020 arranjei uma cópia completa numa feira de velharias por 2€.

Jogo com caixa e manual

Tal como referido acima, aqui temos as mesmas 7 modalidades para competir, entre as quais a corrida de 100 metros, ou 110m barreiras, 200m de natação, mergulho, tiro com flecha, salto à vara ou lançamento do martelo. E como seria de esperar desde o Track & Field, todos os eventos consistem em button mashing e combinações de outros botões no momento certo, como carregar para cima para saltar sobre as barreiras, ou carregar para baixo para pousar a vara e logo depois para cima de forma a saltar sobre a barra. O mergulho continua a ser de longe aquele que mais trabalho dá, embora seja possível assistir a algumas demonstrações para nos habituarmos aos controlos. Portanto para quem jogou o Track and Field ou outras versões deste mesmo jogo, já sabe perfeitamente o que esperar. De resto há suporte a multiplayer que pode ir até 4 jogadores e a hipótese de treinar ou escolher um número menor de provas a participar, se não quisermos jogar em todas as sete.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores
Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores

A nível gráfico este é um jogo muito bem detalhado e colorido, com os estádios bem animados e detalhados, assim como os atletas que possuem sempre sprites grandinhas. As músicas estranhamente são muito boas para um jogo deste género e depois aqueles pormenores como os hinos nacionais a tocarem de cada vez que ganhamos uma medalha de ouro também foram muito bem metidos.

Do ponto de vista técnico, esta versão é claramente superior à Master System. Do ponto de vista de jogabilidade, ambas partilham exactamente das mesmas mecânicas de jogo, se bem que sinceramente não tenho tempo de jogo suficiente tanto numa versão como na outra, de forma a poder afirmar qual sai a ganhar, pois não são jogos que aprecie assim tanto. Mas parece-me mesmo ser uma obra bem competente para quem gostar de videojogos relacionados com o atletismo e só é pena não haverem mais provas onde participar.

Super Kick Off (Sega Master System)

50436_frontJá que estou numa de rapidinhas a jogos desportivos, vamos lá continuar então por essa onda, desta vez para o Super Kick Off. Quem viveu o final da década de 80 e a primeira metade dos 90, alguns nomes de jogos de futebol europeus foram ficando na memória, como Striker, Sensible Soccer, ou Kick Off, de Dino Dini. Eventualmente as consolas da Sega lá teriam de receber uma versão de algum jogo da série Kick Off, o que acabou por acontecer com este Super Kick Off, que também viu uma versão para a Master System. Versão essa que é um bocado estranha, tal como irei referir em seguida. O meu exemplar custou-me 5€ na Feira da Ladra em Lisboa, tendo sido comprado algures no verão de 2016.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

Bom, depois do ecrã de título, temos o ecrã de selecção da linguagem. E aqui reside uma das características mais estúpidas deste jogo. Temos 8 linguagens à escolha, mas mediante a linguagem escolhida, teremos depois apenas 8 clubes daquele país para poder jogar. Ou seja, se por algum motivo quisermos jogar com o “Milano”, “Muenchen” ou “Paris”, teremos de jogar o jogo em italiano, alemão ou francês, respectivamente. Mas como é que isto cabe na cabeça de alguém, limitar um jogo desta forma? Depois ainda vem algo mais estúpido. Ao seleccionar a língua espanhola, poderíamos jogar com clubes como Madrid, Barcelona ou Valencia, certo? Pois, mas não no Super Kick Off da Master System. Por algum motivo ao seleccionar o idioma espanhol deixa-nos jogar com os mesmos clubes da língua inglesa, como o United, City, Rovers ou Rangers. Outro dos idiomas disponíveis é o português, mas com a bandeira do Brasil, portanto com equipas brasileiras, nada de Porto ou benfica. Bom, se por um lado, a possibilidade de ter um jogo inteiramente em português numa consola como a Master System é excelente, o facto de ser um jogo produzido por europeus, e incluirem o Brasil no meio de outras nações europeias é um bocadinho triste. Mas neste caso até se compreende pois dessa forma a selecção Brasileira também pode ser jogável.

O campo está bastante ampliado, mas para compensar temos um pequeno radar que mostra as posições dos jogadores
O campo está bastante ampliado, mas para compensar temos um pequeno radar que mostra as posições dos jogadores

Tirando estes falhanços, o jogo possui vários modos de jogo, como seria de esperar. Desde um modo de treino para practicar, ou partidas amistosas, pode-se também jogar em torneios por eliminatórias, ou campeonatos. Todas esta opções podem ser jogadas com os clubes do país do idioma escolhido, ou nas suas vertentes “internacionais”, onde podemos escolher 1 de 8 selecções. A jogabilidade é simples, até porque a Master System dispõe apenas de 2 botões de acção, mas esperava que fosse um jogo mais rápido. Quando há mais que 3 jogadores no ecrã, notam-se alguns slowdowns. De resto há também várias opções a ter em conta, como as condições atmosféricas, nível de dificuldade, ou o árbitro a escolher, sendo que cada um possui critérios mais ou menos rigorosos. No que diz respeito ao multiplayer, para além de podermos jogar contra um amigo, podemos jogar também de forma cooperativa contra o CPU na equipa adversária.

É possível activar uma opção que permita dar efeito na bola depois de ser rematada
É possível activar uma opção que permita dar efeito na bola depois de ser rematada

Tecnicamente não é uma das melhores conversões. O jogo é visto numa perspectiva aérea como o Italia 90, com pouco detalhe nas sprites, como seria de esperar num jogo para a Master System. Os menus também não são nada apelativos, mas cumprem o seu papel. Tal como muitos outros jogos de futebol do seu tempo, também apenas temos música nos menus e afins, com as partidas de futebol a serem practicamente silenciosas, com alguns barulhos de fundo.

Super Kick Off para a Master System deixou-me desiludido, estava à espera de mais. Felizmente a versão Mega Drive, pelo pouco que vi, não tem muitas destas limitações e ainda bem. Por um algo algumas limitações seriam de esperar numa consola como a Master System, mas apenas se poder escolher 8 clubes por linguagem não faz sentido nenhum.