The Warriors (Sony Playstation Portable)

The WarriorsPor muito que me custe dizê-lo, foi por pura teimosia da minha parte que desde o GTA III, talvez pelo facto de ter sido um jogo de tremendo sucesso e o mesmo não ter saído para a minha querida Nintendo Gamecube quando eu era um mero fanboy, tenho vindo a ignorar um pouco todos os lançamentos da Rockstar. Obviamente que deixei de ser estúpido e tenho vindo a colmatar essa falha, que resultou que houvessem jogos que me tenham passado completamente despercebidos ao longo dos anos. Este The Warriors é um deles, apenas o comprei porque me tinha sido bem recomendado por alguns amigos e de facto é um óptimo jogo, embora com uma ou outra falha. Este meu exemplar foi comprado na cash converters de Alfragide há uns bons meses atrás. Acho que me custou algo entre 2 a 4€.

The Warriors - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa e manual

É um videojogo baseado no filme de mesmo nome, que também não conhecia mas depois de o jogar, certamente fiquei com vontade de o ver, o que é um excelente sinal. Nós aqui vamos controlando vários membros de um gangue relativamente rookie, os The Warriors, nas suas “aventuras” enquanto vão subindo na sua reputação perante os outros gangues. Pelo que andei a investigar, cerca de 80% do jogo todo é passado antes do filme, o que me pareceu uma jogada inteligente por parte da Rockstar. Enquanto o jogo começa com Cyrus, líder de um dos mais poderosos gangues de Nova Iorque, a falar para uma multidão de centenas de elementos de outros gangues, explicando que todos juntos ultrapassam o número de polícias numa proporção de 3 para um e facilmente conseguem ter a cidade de Nova Iorque no seu controlo. Depois desse discurso inicial é que somos levados para uns bons meses antes para acompanhar a evolução do gang The Warriors, as suas rivalidades com outros gangs bastante peculiares, entre outras coisinhas, pois este é um jogo bem completo.

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Como roubar um rádio? Partir o vidro do carro, interagir e rodar o analógico no sentido contrário aos ponteiros do relógio para desapertar os parafusos

É que na sua essência, The Warriors é um beat ‘em up 3D puro e duro, com mecânicas de combate bastante selvagens e violentas, onde qualquer objecto dos cenários são uma arma branca ou de arremesso, e todos os golpes que desferimos têm um “ouch factor” bastante convincente. Mas esta é a Rockstar que falamos, e The Warriors tem muito mais para se ir desbloqueando que as 18 missões principais. Para além de podermos jogar algumas missões de “flashback” onde poderemos ver como o gang The Warriors foi formado ou como alguns dos seus elementos chave se juntaram, ou vários objectivos opcionais nas missões normais, também poderemos jogar partidas multiplayer, quer competitivamente, quer mesmo cooperativamente, bem como visitar a cidade a qualquer momento para cumprir algumas pequenas missões de bónus, como expulsar membros de outros gangues do nosso território, roubar uma certa quantia num determinado intervalo de tempo, entre muitos outros. É uma pequena sandbox no meio do jogo, mesmo ao estilo da Rockstar. E se para alguns a jogabilidade típica de um beat ‘em up se possa tornar repetitiva, a Rockstar incluiu uma série de outras coisas que tornam o jogo mais variado, tanto no modo história, como nas outras missões de bónus. Coisas como fazer tags de spray, onde teremos de mexer o analógico ao longo de uma linha, assaltar pessoas, lojas e carros, entre outras actividades menos lícitas como bater em polícias e soltar os nossos companheiros. E isto também acaba por ser algo encorajado no modo história, pois precisamos de dinheiro para comprar “flash” uma alusão à cocaína e que serve de medkit para nos regenerar a vida, ou latas de spray para os tags que teremos de fazer.

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Em alturas críticas, atirar um objecto é sempre uma tarefa árdua

Ah, e ainda nem referi o modo “Armies of the Night”, uma sincer homenagem ao Double Dragon e demais beat’em ups clássicos da década de 80. Este é um modo de jogo que poderemos visitar sempre que visitamos a nossa base entre missões. Os controlos são semelhantes ao do jogo normal, mas mais limitados a um plano 2D. Apesar de ser repetitivo, foi algo que gostei bastante de ver. Os controlos em si não são maus, pelo menos no que diz respeito ao combate. Há apenas alguns inconvenientes, sendo para mim o pior a maneira como podemos atirar objectos como garrafas, tijolos ou outros arremessáveis. Isto porque o analógico da PSP não é lá grande coisa para se fazer esta mira e há vários bosses armados com revólveres que exigem que lhes atiremos com coisas para os derrotar, mas isto acaba por ser bastante chato de se fazer. Outra coisa que não gostei nada foram os momentos de perseguições onde teríamos de saltar sob cercas, ou rebentar com vedações ou caixotes de madeira. Os controlos não eram os melhores aqui, muitas vezes o jogo não respondia adequadamente. Estas 2 situações foram as que mais tempo me tomaram em todo o jogo. O controlo de câmara também não é o melhor, calculo que as versões caseiras sejam melhores pelo menos neste ponto.

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Armies of the Night é uma grande sátira/homenagem aos beat ‘em ups das antigas. Excelente conteúdo bónus!

Graficamente poderemos dizer que The Warriors é competente. Obviamente que espero que esta adaptação seja mais modesta que a versão PS2 ou Xbox, mas ainda assim achei os gráficos bem competentes. Adorei o look das personagens, do submundo nova-iorquino do final da década de 70 e foi precisamente todo esse clima, em conjunto com os outros gangues insólitos (como os Hi-Hats, por exemplo) que me deixou cheio de vontade de ver o filme. A banda sonora também me parece ser quase toda retirada do filme, sendo músicas típicas da década de 70, com inflûencias de música disco ou rock. Agradou-me bastante! O voice acting também me pareceu ser bem competente, assim como é em quase todos os videojogos da Rockstar. Solid.

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A maioria dos síbolos que temos de desenhar nos graffitis são meros W

Em suma, The Warriors foi uma excelente surpresa que me agradou bastante. Acredito que as versões caseiras da PS2/Xbox sejam superiores a nível técnico, mas esta versão PSP também se mostrou bastante competente com todo o seu conteúdo. Não abordei as vertentes multiplayer que pelo que li até eram bastante interessantes, mas não cheguei sequer a testar, assim como os minijogos de exercício físico – rocky style!

Max Payne 2: The Fall of Max Payne (PC)

Max Payne 2De volta para mais uma rapidinha, pois como tem sido habitual e com muita pena minha, o tempo não dá para mais. Mas também sejamos sinceros, o Max Payne foi um jogo bastante original e na minha opinião excelente, e esta sequela não muda muita coisa na fórmula, pelo que também não haverá muita coisa a acrescentar. Esta sequela já foi desenvolvida sem a supervisão da 3D Realms, mas com a Rockstar por detrás e com um budget maior, a Remedy também conseguiu esmerar-se mais na apresentação do jogo. O meu exemplar foi também comprado na feira da Ladra em Lisboa, por 3€, estando completo e em bom estado.

Max Payne 2 - PC
Jogo completo com caixa, manual e discos

O jogo decorre 2 anos após os acontecimentos de Max Payne. Aqui o ex-detective acabou por ter toda a sua killing spree de gangsters perdoada e foi readmitido no corpo policial de Nova Iorque. Eventualmente quando damos por isso já estamos uma vez mais envolvidos num mistério envolvendo gangues, com conspirações políticas por detrás, e com Mona Sax a ter um papel predominante em todo o jogo, quanto mais não seja pelo romance que se vai desenvolvendo. Essa história tanto é contada através de cutscenes utilizando o próprio motor gráfico do jogo, ou outras no estilo de comic book tal como no primeiro jogo, mas também através dos monólogos de Max Payne, que para além de nos guiarem ao longo do jogo, Max também nos dá a conhecer o que vai na sua cabeça.

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Yup, continuamos a poder fazer estas coisas em câmara lenta

A jogabilidade continua excelente. Este é um jogo de acção non-stop, onde as mecânicas do bullet time continuam a ser o centro das atenções. Aqui essas mecânicas de jogo foram um pouco mais refinadas, com o ecrã a mudar para a cor sépia quando activamos essa habilidade, e com o jogo a recompensar-nos as “combo kills”, ao abrandar ainda mais a acção. O uso do bullet time é limitado, mas matar inimigos acelera o processo de regeneração da barrinha de “tempo disponível”. De resto é só tiroteios, com o jogo a apresentar-nos um bom arsenal de armas e granadas e dar aqueles saltos artísticos enquanto limpamos o sebo a meia sala de inimigos com a nossa AK-47 nunca se torna cansativo. Em certos pontos do jogo podemos jogar também com a Mona, embora a jogabilidade se mantenha. Existem também outros 2 modos de jogo distintos desbloqueáveis, o New York Minute que é essencialmente um Time Attack para cada nível, bem como o Dead Man Walking que é uma espécie de Survival, colocando-nos a combater contra várias waves de bandidos.

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O aspecto de Max e Mona é agora muito mais maduro, o que se adequa melhor às personagens

No que diz respeito aos audiovisuais, este Max Payne 2 é um jogo excelente. Para além de apresentar óptimos gráficos para a época e com um excelente trabalho de texturas, o jogo mantém uma Nova Iorque fria e escura, mesmo não abordando com tanta frequência as zonas mais decadentes da cidade. Os próprios visuais de Max, Mona e outras personagens acabam por ser bem mais convincentes e adequados ao carácter e personalidade de cada um. Max Payne já não tem a cara de alguém que acabou de sair da Faculdade. As cutscenes em forma de comic book também regressam e essas mesmas também têm uma melhor qualidade. As músicas continuam a ser bastante minimalistas, entrando apenas quando necessário. Ao longo da acção, apenas os são os monólogos de Max e o som das balas a serem disparadas é que nos acompanham. Ainda na parte do som, o voice acting continua excelente, e a contrastar com a história principal bem séria e austera, podemos ver também alguns pequenos escapes humorísticos, como os programas que vão dando na TV, muitas vezes parodiando outros filmes, novelas e séries de policiais. Para além disso, devo também deixar a nota técnica que este foi um jogo que usou o motor de física da Havok e para a altura em que o jogo foi lançado, os resultados eram impressionantes, com objectos a cairem naturalmente, ou a maneira bem fluída e graciosa como podemos ver os corpos a voar após levarem com um balázio (este é o momento em que alguém fica a pensar que eu sou um psycho).

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Há uma opção escondida no jogo que nos permite tirar screenshots todos fancies

Max Payne 2 não muda muito (ou quase nada mesmo) da fórmula do original. Mas também se diz, e bem, que em equipa vencedora não se mexe, e quando o primeiro jogo tem uma óptima qualidade, geralmente o que se pede da sequela é que tenha mais e melhor. Infelizmente este Max Payne 2 pareceu-me mais curto, mas tudo o resto continuou com muita qualidade. O terceiro jogo, que ainda não joguei, apesar de aparentemente manter as mesmas mecânicas básicas pelo que já vi, acabou por mudar drasticamente de atmosfera. Mas a curiosidade em o jogar não diminuiu nada!

Oni (Sony Playstation 2)

OniAlgures perto do virar do miléno, haviam 2 jogos da Bungie que pareciam bastante promissores e iriam deixar o estúdio definitivamente no mapa, eles que até então se tinham focado mais nas plataformas Macintosh. Um deles era um certo FPS futurista que até se tornou na killer app do lançamento da primeira Xbox, o outro era este Oni. E apesar de a Bungie ter-se tornado num estúdio da Microsoft, este Oni acabou por se anteceder a isso, tendo sido lançado para PC e PS2 apenas. A minha cópia foi comprada há uns meses atrás na Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado algo em volta dos 3, 4€.

Oni - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual. Infelizmente tudo em francês.

Este é um jogo futurista com uma protagonista feminina. Já bem dentro do século XXI, os níveis de poluição tornaram-se tão elevados que as zonas habitáveis da Terra se reduziram imenso. Para complicar ainda mais as coisas para a humanidade, o governo era bastante restritivo e ainda tinhamos que lidar com uma organização terrorista implacável, os Syndicate. A nossa heroína, chamada Konoko, é uma agente da Technological Crimes Task Force (TCTF), e inicialmente vamos combatendo os actos terroristas dos Syndicate, que liderados pelo cyborg Kuro, planeiam toda a extinção humana. Pelo meio temos os plot-twists do costume, claro. O uso de cyborgs, e toda esta sociedade pós-apocalíptica fazem lembrar bastante o mítico anime Ghost in the Shell, a começar mesmo pelo próprio aspecto gráfico do jogo que tenta emular as animações japonesas.

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Um dos powerups que podemos apanhar deixa-nos temporariamente invulneráveis,

O que diferenciava Oni da concorrência era a mistura entre um shooter na terceira pessoa com a de um beat ‘em up. Com um esquema de controlo algo fora do comum. Os botões de cabeceira são os que servem para as acções principais, como saltar, disparar, dar socos e pontapés, enquanto os faciais servem para recarregar a arma, largá-la, usar items, etc. Com este esquema mais inusual de controlo, não é por acaso que Oni tem um nível tutorial obrigatório, onde vamos aprendendo os movimentos básicos. Nas primeiras missões os inimigos também são fraquinhos, o que também nos ajuda mais a habituar às mecânicas de jogo. E o facto de apenas podemos carregar uma arma de cada vez, tornando-as até algo descartáveis, o foco na porrada acaba mesmo por ser o mais importante. E como vamos aprendendo uma série de combos novos com throws poderosos, isso também torna o jogo um pouco mais apelativo.

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A HUD é um pouco confusa, com toda a informação de items, vida, munição e direcção do próximo objectivo a ficar condensada em 2 círculos

Infelizmente, apesar de os níveis serem bem grandinhos, cheios de inimigos para combater e diferentes objectivos para cumprir, no fim de contas tudo se resume à monotonia de lutar, interagir em computadores para abrir portas, lutar mais um pouco, repetir, repetir, repetir. E pelos níveis serem consideravelmente grandes, tiveram de sacrificar um pouco nos gráficos. Enquanto que pelo menos as personagens estão bem detalhadas, nem que seja pelos padrões de 2001, os cenários quase que nem têm texturas, tudo é cinzento à nossa volta e há realmente pouca coisa de diferente para ver ao longo do jogo. As músicas são OK, com uma componente electrónica, não fosse este um jogo ao estilo cyberpunk, mas apenas vão tocando em alguns momentos de maior tensão. O voice acting pareceu-me decente, mas infelizmente a versão que eu comprei é exclusivamente em francês. Tenho vários jogos com capas e manuais em outras línguas que não o inglês, mas no jogo em si sempre pude escolher o idioma pretendido. Infelizmente tenho também alguns jogos em francês onde não há mesmo mais nada a fazer a não ser calar e comer, o que foi o caso deste Oni.

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Embora os cenários tenham um aspecto muito simples, as personagens estão bem detalhadas

Oni é um jogo estranho, seja pelo level design não muito espectacular, ou pelos controlos fora do comum. Mas a verdade é que depois de nos habituarmos aos controlos, a vertente de beat ‘em up acaba por se tornar bastante interessante, principalmente pelos diferentes golpes que vamos aprendendo que se tornarão bastante úteis contra alguns inimigos bem fortezinhos. É definitivamente um jogo de altos e baixos, e talvez o facto de ter sido um jogo pensado originalmente para a PS1 tenha contribuído pela pouca variedade gráfica. Gostava de ver a Bungie a pegar nisto novamente.