Street Fighter II foi um absoluto marco na indústria, de tal forma que catalizou todo o subgénero dos jogos de luta, após a sua prequela não ter sido lá muito bem recebida. E com esse sucesso naturalmente foram surgindo imitadores e outros jogos de luta que tentavam incutir diferentes aproximações à mesma fórmula de base. Um deles foi o Mortal Kombat, onde apesar de possuir uma jogabilidade mais simplificada que a de Street Fighter, foi dado um maior foco na violência. O seu sucesso também foi grande e a Rare então aproveitou para também se aventurar no meio, produzindo um jogo que tenta unir o melhor dos dois mundos: a jogabilidade mais frenética e focada em combos, com a violência característica de um Mortal Kombat. O meu exemplar veio da CeX de Belfast, tendo-me custado 6£ se a memória não me falha.

A história por detrás do jogo engloba uma vez mais uma corporação criminosa por detrás da organização de um torneio de artes marciais. A empresa é a Ultratech, que envia várias criaturas experimentais e cyborgs para o torneio de forma a testar o seu poder em combate. Para além de outros lutadores mais “normais” cujos objectivos podem passar por defrontar a própria Ultratech, temos outros lutadores algo estranhos como cyborgs, diferentes monstros como um esqueleto lutador, lobisomem ou aliens. O elenco até que é bastante abrangente e a jogabilidade possui algumas peculiaridades interessantes.

Uma dessas peculiaridades passa pela forma como os rounds estão divididos. Cada lutador possui 2 barras de energia, e os combates só terminam quando esvaziarmos as duas barras de energia do nosso oponente. No entanto, assim que esvaziarmos a primeira barra de energia o combate tem uma ligeira pausa, passando para o round seguinte, deixando-nos com a mesma vida com que ficamos no round anterior. Depois a outra novidade maior está no sistema de combos. Este é um jogo muito voltado para combos, no entanto é possível executar uma sequência específica de botões que nos fazem desencadear uma combo, sem ter de desferir cada golpe manualmente. Por outro lado, é possível também quebrar combos com os combo breakers. Por outro lado temos também a jogabilidade violenta, apesar de não ser tão gore quanto Mortal Kombat. Ao desferir golpes vemos sangue (ou outros líquidos dependendo dos lutadores em questão) a ser jorrado para o ecrã, mas não em tantas quantidades. Depois existem também os golpes finais que emulam as fatalities, embora não sejam tão violentas quanto a série rival. Outros, como os Ultra Combos fazem-me lembrar as Brutalities e temos também os Humiliations que fazem os nossos oponentes dançar.

Graficamente o original de arcade era um colosso. Apesar de ter sido desenvolvido num hardware com o nome “Ultra 64”, o mesmo nome de código da consola que viria a tornar-se na Nintendo 64, na verdade acabou por usar um hardware algo diferente, pois o projecto Ultra 64 ainda estava atrasado. O jogo foi então co-desenvolvido entre a Rare e a Midway, numa parceria entre ambas as empresas que trouxe o desenvolvimento de alguns jogos arcade com hardware similar à Nintendo 64, cujas conversões caseiras acabaram po se ficar exclusivas na plataforma da Nintendo, tal como os Killer Instinct e os Cruis in. Mas voltando especificamente a este Killer Instinct, na arcade este era um jogo bem bonito. Também com personagens e pré digitalizadas como a Rare fez no Donkey Kong Country, as arenas eram variadas e estavam muito bem detalhadas, com alguns pormenores em 3D. Cada personagem possuía uma pequena cutscene em vídeo no caso de vitória, a banda sonora era variada e excelente e o jogo estava também repleto de várias vozes. Inicialmente estaria previsto que fosse convertido para a Nintendo 64, mas como a consola atrasou o seu lançamento, acabaram antes por lançar uma conversão para a Super Nintendo e com isso muito do seu brilho acabou por se perder. As sprites ficaram menores, os efeitos 3D removidos ou subsitituídos por mode 7, as arenas também perderam muitos dos seus detalhes e a qualidade da música não é a melhor, bem como muitas das vozes foram retiradas. As pequenas cutscenes de cada lutador foram subsituídas por imagens estáticas que até ficaram um pouco esticadas face às originais.

Felizmente a jogabilidade continua excelente e no fundo é isso importa. Cortes na qualidade audiovisual seriam mais que esperados para a Super Nintendo, mas felizmente os combates são fluídos, assim como o seu sistema de combos. Acho um jogo de luta bastante competente que vos recomendo a jogar se o encontrarem a um bom preço. Melhor ainda, se tiverem a Xbox One podem encontrá-lo naquela compilação repleta de jogos da Rare.

















