O artigo de hoje será mais uma rapidinha a uma adaptação de um jogo bem conhecido. O Mortal Kombat original foi um lançamento bastante polémico, mas muito bem sucedido. Como todos sabemos, a série surgiu após o sucesso massivo do Street Fighter II, mas onde desde cedo quiseram fazer algo que os diferenciasse do mundo de clones de SF que se instaurou nas arcades entretanto. O resultado foi um jogo bastante violento e com gráficos com personagens digitalizadas, o que lhes dava um certo realismo. Mortal Kombat foi também um grande sucesso, e naturalmente surgiram imensas versões para outros sistemas. A Gameboy não foi excepção, mas o resultado foi muito mau. Este meu cartucho foi comprado no mês passado na cash converters de Alfragide por quase 2€.
Apenas cartucho
Bom, então que tem esta versão do jogo de assim tão mau? Em primeiro lugar, a coisa que salta logo à vista é mesmo o frame rate que é incrivelmente baixo, notando-se perfeitamente a lentidão nas animações e nos movimentos que tentamos executar. Isso naturalmente também afectou a jogabilidade, que com apenas dois botões dificulta as coisas para executar alguns dos golpes especiais. Na versão Game Gear essa dificuldade também existe, mas ao menos dão uso ao botão Start para bloquear. Na Game Boy, onde temos o Start e o Select, para bloquear é necessário pressionar os botões A e B em conjunto. E também tal como as versões 8bit da Sega, aqui o catálogo de lutadores não está completo, faltando-lhe o Johnny Cage. Lá tentam compensar um pouco ao incluir um cheat que nos permite jogar com o Goro, mas na minha opinião não é suficiente. É que como se a má jogabilidade e framerate não fossem suficientes, se bem se lembram a versão SNES deste jogo foi altamente censurada, retirando o sangue e o gore das fatalities. Assim eram as políticas da Nintendo nessa época e infelizmente a versão Game Boy padece do mesmo mal.
Naturalmente esta versão não é das melhores graficamente
Sinceramente… a menos que precisem mesmo de uma versão portátil do Mortal Kombat, eu recomendaria sempre a versão Mega Drive ou DOS. Ou se abandonarmos o reino do retro e queiram um MK1 portátil, há sempre a compilação Midway Arcade Treasures: Extended Play para a PSP.
Mais um artigo, mais uma rapidinha e o jogo escolhido hoje é nada mais nada menos que o The Terminator, a adaptação para a Master System do clássico filme que coloca o tio Arnold como vilão. E este jogo, tal como a sua sequela directa, não é propriamente um jogo fácil, mas até me surpreendeu pela positiva num ou noutro ponto. Já lá vamos. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide há uns meses atrás, tendo-me custado 5€, mas falta-lhe os manuais.
Jogo com caixa
Creio que neste ponto todos nós vimos pelo menos os primeiros dois filmes da franchise The Terminator, pelo que deveríamos conhecer a sua história. Basicamente, algures no futuro um super computador dotado de inteligência artificial achou boa ideia extinguir toda a raça humana, pelo que iniciou uma guerra nuclear e depois, no aftermath desse conflito, desenvolveu uma série de cyborgs para continuarem a assassinarem todos os humanos que encontrem. Não satisfeitos com isso, decidem desenvolver uma máquina no tempo e lançar um desses exterminadores para o passado ano de 1984, para assassinar Sarah Connor e prevenir que a mulher tivesse o seu filho John Connor, líder da resistência humana no futuro. E para combater isso, John Connor envia também para o mesmo ano um dos seus melhores guerreiros. O resto… vejam o filme!
Antes de cada nível temos direito a uma cutscene que nos vai contando a história
A primeira coisa que me surpreendeu pela positiva foi a quantidade de texto e imagens digitalizadas do filme que vão aparecendo entre cada nível, ao contar um pouco da história e o contexto em que o próximo nível se realizaria. Mas depois somos largados na selva e temos de nos desenrascar, ao fugir de fogo inimigo e descobrir o melhor caminho para avançar. Inicialmente jogamos no futuro, combatendo directamente os exterminadores. Munidos de granadas, o nosso objectivo é destruir um reactor qualquer, sendo que para isso temos também de atirar as granadas para destruir algumas paredes ou portas. E atirar as granadas num arco também tem o que se lhe diga quando temos exterminadores a virem de todos os lados. Felizmente ainda nesse mesmo nível descobrimos também uma metralhadora, que acaba por ser mais confortável de se utilizar. Os níveis seguintes já são passados no ano de 1984 e uma vez mais inspirados no filme. Até o assalto à esquadra da polícia para resgatar Sarah é descrito no jogo! Só acho estranho sermos constantemente atacados por punks em vários desses níveis, mas também se não houvessem inimigos em demasia não era videojogo!
Para além dos inimigos a surgirem por todo o lado temos o relógio contra nós
Graficamente é um jogo minimamente competente, tal como referi no início do parágrafo anterior, aquelas “cutscenes” entre cada nível foram um mimo que sinceramente não estava à espera. Já no jogo em si, as sprites do nosso herói e dos inimigos – excepto dos exterminadores, são um pouco pequenas demais para o meu gosto, seria practicamente a primeira coisa que eu mudaria. As músicas não são das melhores de sempre, como é habitual na Master System, mas também não foram muito desagradáveis.
Portanto, The Terminator não é um mau jogo, e se calhar até gostei mais que a sua sequela, mas não deixa de ser um jogo bastante desafiante, até porque lá por termos uma vida dada em percentagens, o que nos permite levar com vários golpes antes de morrer, quando isso acontecer, somos levados sempre ao início do nível. Experimentem-no, pois há quem diga que seja uma versão mais bem conseguida que a da Mega Drive!
Algures há uns meses atrás escrevi um pouco sobre a versão Master System deste jogo, dizendo logo que iria ser um artigo curto pois prefiro dar mais ênfase a uma das versões 16bit, tal como esta da Mega Drive. Mas pensando melhor, e visto que o conceito do jogo é exactamente o mesmo, não me vou estar a repetir muito nos backgrounds, pelo que aconselho a leitura desse mesmo artigo também. Já esta versão da Mega Drive entrou na minha colecção algures no início do passado mês de Dezembro, tendo sido comprada na cash de Alfragide por 10€.
Jogo completo com caixa e manuais
Como bem devem saber, o Street Fighter II foi um videojogo tão influente que logo começaram aparecer outros “imitadores” para tentar aproveitar essa onda de sucesso. Um desses followers que mais deu que falar foi precisamente este Mortal Kombat da Midway, onde para além de incluir lutadores digitalizados de actores reais (algo já feito por exemplo em jogos como Pit Fighter), demarcou-se por completo da concorrência devido ao seu uso intensivo de violência e golpes extremamente sangrentos e gore para a época – as infames fatalities. Apesar de a jogabilidade em si não ser assim tão desenvolvida e variada quanto a de Street Fighter II, a violência over-the-top por si só já garantiu muito sucesso, mas também controvérsias que ainda se tornaram maiores quando chegou à altura de converter o jogo para as consolas domésticas. E enquanto a versão Super Nintendo acabou por ser bastante censurada, tal como as políticas da própria Nintendo assim o exigiam, as versões para as consolas da Sega tinham toda a violência intacta, mediante a introdução de um cheat code que acabou por ficar para a história.
O elenco de personagens jogáveis deste jogo ainda era algo reduzido
O resto já todos nós sabemos: as forças de Shang Tsung planeiam invadir a Terra, mas os deuses impuseram uma condição: para que isso aconteça, Shang Tsung e companhia têm de enfrentar os melhores guerreiros terrestres em torneios mortais de artes marciais, sendo obrigatório ganharem 10 torneios seguidos. Pois bem, 9 já se passaram e a Terra saiu derrotada. O resto é porrada velha entre lutadores como Liu-Kang, Johnny Cage ou Sonya, contra outros guerreiros como os ninjas Scorpion e Sub-Zero, o próprio Shang Tsung e o temível Goro e os seus quatro braços. Inicialmente podemos escolher se queremos nos aventurar no modo “arcade”, ou jogar umas partidas versus contra um nosso amigo. A vertente single-player coloca-nos a lutar contra todos os outros lutadores, e quando nos aproximamos do fim temos um ou outro “endurance match” onde enfrentamos vários oponentes de seguida sem regenerar a nossa barra de energia e por fim combatemos Shang-Tsung e Goro. A jogabilidade é boa, embora todos os lutadores lutem da mesma forma excepto os golpes especiais que são naturalmente diferentes. Sub-Zero pode congelar os oponentes, Scorpion atira com um gancho que os puxa para ele, Raiden pode-se teletransportar e por aí fora. Claro que também temos as deliciosas fatalities aqui trazidas em todo o seu esplendor.
Nunca gostei dos endurance matchs, mas já existem desde o primeiro jogo
Graficamente é um jogo uns bons furos abaixo da versão arcade devido ao seu hardware superior, como seria de esperar. A versão Super Nintendo também leva a melhor nesse aspecto devido a ter melhores texturas e cores, mas sinceramente esta versão Mega Drive parece-me ter uma jogabilidade mais fluída, o que em conjunto com o facto de se poder activar o sangue, torna-a ainda mais atractiva. A versão Mega CD também não me parece ser nada má, mas os loadings antes de cada combate não é algo que me entusiasme nada. As arenas em si parecem-me inspiradas nos filmes de artes marciais das décadas de 70 e 80, embora com os adornos mais sangrentos e violentos que esperamos num Mortal Kombat. O som é agradável, mesmo na versão Mega Drive.
Isto a versão Super Nintendo não quer mostrar.
Acho que este é um jogo indispensável na colecção de qualquer fã de Mega Drive, embora a versão PC seja de todas as que foram lançadas na época, a que se aproxime mais da versão arcade, pelo menos no que diz respeito aos audiovisuais. Mas jogos deste género prefiro sempre jogá-los em consolas e esta versão é sem dúvida um dos títulos mais importantes da consola.
Tal como o nome indica, Die Hard Trilogy é um jogo sobre os primeiros 3 filmes da saga Die Hard, de Bruce Willis. Mas ao contrário de outros jogos que tentaram fazer o mesmo, tipo o Alien Trilogy, este acaba por ser 3 jogos completamente diferentes num só. O primeiro filme passa a ser um shooter na terceira pessoa, onde temos de limpar o sebo a tudo quanto é terrorista e resgatar reféns, o segundo filme tornou-se num shooter na primeira pessoa, com suporte à light-gun da Saturn, já o terceiro tornou-se numa espécie de Driver/Crazy Taxi que mais lá para a frente detalharei melhor. O jogo entrou-me na colecção após me ter sido vendido por um particular por 5€. Está completo e em óptimo estado.
Jogo completo com caixa e manuais
Eu não vou falar da história do jogo, vejam os 2 filmes. Não são adaptações 100% fiéis dos filmes, como seria de esperar, mas essencialmente segue os filmes, com o primeiro a decorrer inteiramente no arranha-céus Nakatomi Plaza, o segundo num aeroporto e por fim o terceiro coloca-nos a andar de carro de um lado para o outro numa vasta cidade de Nova Iorque para desarmar bombas.
Ecrã de selecção do jogo
Então o primeiro jogo é um shooter na terceira pessoa, onde vamos percorrendo uns 20 andares do edifício Nakatomi Plaza com o único objectivo de limpar o sebo a todos os terroristas que nos apareçam à frente e eventualmente se resgatamos alguns dos reféns é bom. Após matar todos os terroristas presentes no andar em questão, é começado um timer de 30 segundos de uma bomba, onde temos de encontrar o próximo elevador a tempo de subir para o andar seguinte. Aqui começamos com um revólver, mas podemos encontrar espalhados no jogo vários powerups que podem restaurar a saúde ou oferecer um escudo, ou mesmo encontrar outras armas mais poderosas como metralhadoras ou shotguns bem como granadas que podemos utilizar para desvastar grupos eficazmente. Uma coisa que gostei particularmente deste jogo é podermos destruir grande parte dos cenários, desde vidros a outras tábuas de madeira e afins. Infelizmente acho que a draw distance deste jogo é muito curta, há muita coisa à nossa volta que deixamos de ver, felizmente o radar no canto inferior esquerdo vai sendo uma mais valia para nos dar uma ideia dos inimigos que andam à nossa volta. Convém também mencionar a terrível inteligência artificial dos inimigos, que são mais burrinhos que sei lá o quê.
Sim, o jogo tem sangue q.b. Infelizmente os controlos é que não são grande coisa
O segundo jogo é um shooter on rails em que podemos utilizar a pistola lightgun da Sega Saturn. É um jogo inspirado no Virtua Cop e não propriamente no Time Crisis pois não tem a possibilidade de cover. Aqui o objectivo é também matar todos os terroristas que nos apareçam à frente e evitar acertar nos reféns infelizes que tentam sempre atravessar-se no nosso caminho. Aqui também podemos encontrar os mesmos powerups que no jogo anterior, bem como outras armas, granadas ou mesmo rockets que serão necessários para destruir alguns veículos que surgem em níveis mais avançados.
O segundo jogo é um clone de Virtua Cop, mas com um framerate terrível.
Por fim o último jogo é uma mistura de Driver com Crazy Taxi, ou então não. Basicamente andamos com um carro a percorrer várias localidades de uma suposta Nova Iorque, onde temos de destruir uma série de bombas e carros armadilhados dispostos pela cidade, sempre em constante contra-relógio. E como desarmadilhamos essas bombas? Fácil, ir contra elas provocando uma enorme explosão. Faz sentido? Nem por isso, mas apesar de me parecer ter sido o jogo mais difícil dos 3, é também aquele que para mim foi mais divertido. Para nos orientarmos pela cidade temos no canto superior esquerdo uma bússola, com uns ponteiros vermelhos que nos indicam a posição do próximo alvo a abater. Por outro lado temos no canto inferior esquerdo um relógio que nos indica o tempo que temos para destruir essa bomba. Para nos ajudar, estão espalhados pelas estradas imensos power-ups, uns que simplesmente nos dão mais pontos, outros que nos dão mais tempo, esses devem ser sempre procurados, outros que nos dão um turbo, entre outros que nos permitem “saltar” sobre roadblocks da polícia e afins. Nos últimos níveis a coisa acaba por ficar muito apertada de tempo, pelo que saber quais as melhores rotas a tomar (ou seja, as que têm mais time-bonus) são uma mais-valia. Também convém mencionar que este jogo em particular é também uma espécie de Carmageddon, onde atropelar os peões de uma forma sangrenta é possível e apenas nos retira alguns pontos da pontuação geral.
Iniciamos o jogo ao volante de um táxi, como no filme, mas podemos usar outros carros se os descobrirmos
Graficamente falando, este é um dos melhores exemplos que ilustram as diferenças técnicas entre a Sega Saturn e a Playstation. Isto assumindo que estamos a falar de conversões onde os programadores não têm tempo, know-how, têm preguiça ou todas as anteriores, para tirar todo o partido do que a Sega Saturn poderia alcançar. Assim sendo, a versão Saturn apresenta transparências e outros efeitos gráficos com menor qualidade, como as explosões. O framerate também é pior (especialmente no segundo jogo). De resto é essencialmente a mesma coisa, tanto uma versão como outra nunca foram propriamente grandes feitos técnicos, mas cumprem bem o seu papel, tendo em conta que estamos a falar de um jogo de 1996. As músicas vão sendo variadas, mas devo dizer que não gostei nada da banda sonora do primeiro jogo, que é muito electrónica e repetitiva. Nos outros jogos, em especial no terceiro, as coisas já vão variando, desde músicas mais rockeiras ou até mais épicas e já ficam mais ao meu gosto. As vozes é que não são nada de especial, o jogo está repleto de one-liners retiradas dos filmes, mas são repetidas à exaustão e acabam por perder todo o seu sentido.
No fim de contas, acho este Die Hard Trilogy um produto muito interessante, pois tem realmente conteúdo para 3 jogos completamente distintos. No entanto não é um jogo perfeito, e mesmo a versão Playstation que graficamente é melhorzinha tem também os seus defeitos na detecção de colisões e a draw distance reduzida. Mas gostei bastante da ideia deste 3 em 1 e pelos vistos a Fox Interactive também gostou, pois algures no ano 2000 lançaram um Die Hard Trilogy 2 que seguiu a mesma fórmula. Mas esse jogo em particular não cheguei a experimentar. Para os donos de Saturn, existe um Die Hard bem melhor, e brevemente poderão ler sobre o mesmo aqui.