Phantasy Star Universe (Sony Playstation 2)

Phantasy Star Universe

A série Phantasy Star sempre foi uma das minhas preferidas e em especial o Phantasy Star IV para a Mega Drive, que juntamente do Chrono Trigger e Pokémon Yellow foi dos jogos que despertou o meu interesse em JRPGs há uma data de anos atrás. Entretanto a série clássica fechou mesmo com esse PS IV da Mega Drive, sendo que com o lançamento da Dreamcast, Phantasy Star se tornou num RPG mais de acção com uma componente online muito forte. Este Phantasy Star Universe foi lançado algures em 2005/2006, após o lançamento de várias iterações do Phantasy Star Online, tentando aproximar os elementos de RPG clássico dos velhos tempos com o “modernismo” trazido por PSO. A minha cópia foi o primeiro jogo que comprei para a PS2, algures em Janeiro de 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€.

Phantasy Star Universe - PS2
Jogo completo (acho eu) com caixa e manual

Quando o jogo foi anunciado, a SEGA suscitou o interesse de muita gente, pois ao anunciarem o “U” de Universe ficou na dúvida se não seria antes um V, o que iria agradar a imensos fãs da velha guarda que há muito ansiavam por um RPG “a sério” desta série. Acabou por se tornar um misto dos 2 conceitos que não agradou completamente os fãs, mas já lá vamos. A história decorre no sistema solar de Gurhal, onde existem 3 planetas e uma colónia espacial. Cada planeta tem uma raça em específico em maior número, onde os humanos estão maioritariamente na colónia, o planeta de Parum onde a maioria dos CASTs (seres cibernéticos) habitam, Neudaiz, onde predomina a raça Newman – humanos geneticamente melhorados com grandes aptidões para o uso de magia e por fim o planeta Moatoob, que alberga uma nova raça – os Beasts – seres humanóides com traços animais, mais dotados para combate directo. O sistema solar esteve em guerra durante muitos anos, onde as 4 raças lutavam pela sua supremacia, até que as raças chegaram a um entendimento e passou-se a viver num clima pacífico durante vários anos. Até que a uma dada altura surge uma ameaça misteriosa, os SEED. SEED é uma espécie de arma biológica com origem desconhecida, que passou a atacar o sistema solar de Ruhgal, povoando-o de diversos monstros, mutando os animais já existentes e dizimando os recursos naturais dos planetas. O jogo coloca-nos no papel do jovem órfão Ethan Waber, que se vê apanhado no meio dos primeiros ataques da SEED, decidindo juntar-se aos Guardians, uma organização não governamental de caçadores de prémios, que tem o objectivo de auxiliar a população. A história vai-se desenrolando desta forma, com a mesma a adquirir alguns contornos políticos e religiosos, com a inclusão de uma Divine Maiden, que serve +/- o mesmo propósito do Papa da religião deles. Oficialmente não há ligação entre os universos de Phantasy Star, Online e Universe, mas através de algumas quests é possível verificar que a SEGA deixou alguns hints que de facto interligam as séries. Isso é um assunto muito interessante para mim, mas sai do âmbito deste artigo, pelo que para quem se interessar aconselho a lerem estes posts no blog Ultimecia’s Castle.

Screenshot
Peço desculpa por grande parte dos screenshots serem da versão japonesa do jogo, mas tem sido difícil encontrar screenshots da versão PS2 ocidental. De vez em quando o jogador pode usar outros veículos ou animais, este é um dos casos.

Inicialmente podemos experimentar dois modos de jogo: Story e Network. O Story é auto explanatório, onde vivemos a história que PSU tem para oferecer, já no segundo modo é algo semelhante ao Phantasy Star Online, onde temos a liberdade para criar uma personagem à nossa medida, e depois poderemos explorar o mundo à vontade, com uma party de até 4 jogadores. Sinceramente não cheguei a experimentar este modo, pois os servidores da PS2 estão desligados há muito tempo. Após algum tempo no modo história também desbloqueamos o extra mode, que a meu ver é algo semelhante ao network mode, mas offline. Criamos uma personagem e podemos fazer algumas quests que também existem no story mode. Agora se podemos usar essa personagem para o jogo online sinceramente não o sei, mas por uma questão de segurança a nível de hacks/cheats suponho que não seja possível. Sei que podemos importar a personagem do extra mode para o modo offline da expansão Ambition of the Illuminus, coisa que eu fiz e estou a jogar de momento. Uma diferença muito grande face ao PSO é que apenas podemos escolher a raça da nossa personagem, já a “classe” (Hunter para combate directo, Ranger para combate à distância e Force para uso de magias) é algo que podemos alternar sempre que quisermos. Outra diferença face ao PSO e que os fãs desgostaram é a exclusão do sistema de Mags, pequenos aparelhos que nos acompanhavam nos combates, que os poderíamos alimentar com diversos items, o que os faria ter características diferentes no auxílio à personagem. Aqui os Mags foram de certa forma substituídos pelas partner machines, uns robozinhos que estão no nosso quartinho que para além de servirem de storage de items, permitem também a criação de novos items, uma espécie de alquimia moderna, onde através do uso de boards e alguns items que podem ser encontrados no jogo ou comprados em lojas, permitem a criação de outros items ou equipamento. Essas partner machines também podem ser alimentadas à semelhança dos Mags, e chegando a um nível máximo podem vir a ser seleccionados na party, combatendo ao lado do jogador.

Screenshot
Alguns inimigos são bem chatos

De resto os combates são algo semelhantes ao PSO, na medida em que o jogo é um hack ‘n slash, e várias acções podem ser alocadas numa palete de acesso rápido no comando. Para quem esteve habituado ao PSO no comando da Gamecube durante muitos anos, a nova palete pode parecer algo confusa de início, mas acaba por ser mais útil pois podem-se alocar muitos mais items, equipamento e golpes especiais de uma vez só. A variedade de equipamento é, como em todos os RPGs online vastíssima, assim como alguns golpes/técnicas/magias especiais que podem ser alocados às armas seleccionadas. Para além de uma barra de energia, existe também uma barra de PP por cada arma, que é gasta sempre que se utiliza um desses golpes especiais. Esses golpes também vão sendo melhorados à medida em que os usamos, ou seja, têm um sistema de experiência próprio. O jogo está estruturado em capítulos, sendo os mesmos separados de uma maneira curiosa. A história do jogo é contada como se um anime se tratasse. No início de cada capítulo é apresentado um pequeno genérico que ilustra o mundo de PSU, seguido de uma música de abertura. Em contrapartida no final de cada capítulo é mostrado um outro genério e “cenas do próximo episódio”. O capítulo é dado como encerrado quando se completa a “Story mission” do mesmo. Antes de começar essas missões, o jogador tem liberdade de explorar as diferentes cidades, fazendo as compras que quiser, criar items, ou treinar cumprindo “Free Missions”, que podem ser repetidas indefenidamente. Infelizmente ambos os tipos de missões possuem secções chamadas “Trials”. A certo ponto da missão começa um temporizador a contar e o jogador tem de percorrer uma determinada área ou cumprir alguns objectivos. No final é atribuído um ranking, mediante o número de inimigos que derrotou e o tempo levado. Quanto melhor o ranking, melhor a recompensa, que pode passar por receber items/equipamento raros e dinheiro. Ora isto é muito bonito, mas o PSU sofre o mesmo mal do PSO, mesmo jogando online, é impossível pausar. E depois há uns trials específicos que de vez em quando surgem, em que o objectivo é purificar uma área das SEED, obrigando o jogador a vasculhar a área utilizando um visor em 1ª pessoa, após encontrar uns objectos invisíveis tem de mudar o inventário para uma ferramenta que inutilize essas SEED. Isto, no meio dos combates e da pressão do timer, acaba por ser uma experiência frustrante.

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Existem 3 tipos de cutscenes: animadas em CG, com a engine do jogo e voice acting, ou com a engine do jogo e os diálogos em forma de balões de BD.

O post já vai longo, pelo que farei uma referência breve ao aspecto técnico. Não sei como são as versões PC ou X360, mas a versão PS2 apresenta imensos slowdowns, em especial quando usamos uma party de 4 personagens e o ecrã enche-se de inimigos. O framerate chega quase ao nível de um slideshow. Em relação aos gráficos, a versão PS2 não é muito superior ao PSO da Dreamcast, apresentando personagens muito pixelizadas, e texturas pobres. Excepção feita para alguns cenários que achei bem conseguidos, nomeadamente algumas secções do planeta Neudaiz, e dungeons mais futuristas, como as RELICs ou a dungeon final. A nível de som, não é muito diferente do Phantasy Star Online, apresentando uma banda sonora futurista, com muita música electrónica. Quem gostou das músicas do PSO, não irá desgostar deste. Outra novidade é a inclusão de algum voice acting em certas cut-scenes. Infelizmente as personagens não são carismáticas o suficiente, ou eu se calhar fiquei mal habituado depois de jogar o excelente Dragon Quest VIII umas semanas atrás.

Finalizando, acho que é de louvar o facto de a SEGA ter dado ouvidos aos fãs mais antigos que pediam um Phantasy Star com uma história mais concreta. Infelizmente, apesar de terem melhorado alguns aspectos da jogabilidade, nomeadamente a paleta de acções rápidas, deram uns passos atrás em muitas outras coisas. É um jogo que só recomendo a quem for realmente um fã acérrimo da série e gostar da ambiência que a mesma transmite. E recomendar por recomendar, acho que fariam melhor em comprar a versão PC, pois para além de parecer melhor tecnicamente, existem alguns servidores privados que podem ser usados para jogar o jogo online, tirando o máximo partido do mesmo. Se no entanto preferirem gráficos, a versão X360 parece-me ser a melhor escolha, pois a versão PC foi feita com a PS2 em mente. Ainda teria mais para dizer, mas fica para a expansão Ambition of the Illuminus.

Dragon Quest: The Journey of the Cursed King (Sony Playstation 2)

Dragon Quest VIIIDragon Quest é uma das séries de jRPGs mais importantes do mercado, tendo definido nos anos 80 todo o conceito dos jRPGs clássicos que levou ao surgimento de várias outras séries de qualidade como Final Fantasy ou Phantasy Star. Contudo, enquanto as outras séries evoluiram com o passar do tempo, apresentando por diversas vezes sistemas de batalha completamente diferentes, Dragon Quest por outro lado permaneceu com uma jogabilidade que viu poucas alterações, desde o primeiro da NES/Famicom até aos dias de hoje. É verdade que foram existindo algumas mudanças com o decorrer dos anos tal como a inclusão de classes ou de captura de monstros (tal como Pokémon, o que levou ao surgimento do spin-off Dragon Quest Monsters), mas o essencial tem-se mantido idêntico ao longo de mais de 2 décadas. A minha cópia foi adquirida no algures nos últimos meses de 2014 na Cash Converters de Alfragide. Creio que me custou cerca de 3€ e serviu para substituir a minha versão Platinum que já tinha há algum tempo.

Dragon Quest VIII - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada diversa

Em primeiro lugar devo dizer que este jogo é a 8a iteração da série principal, contudo a versão europeia não tem nenhum “VIII” no nome. Isto deve-se ao facto de até ao lançamento deste jogo em território europeu em 2006, nenhum outro jogo da série tinha sido lançado por cá (excepto o primeiro Dragon Quest Monsters para Gameboy Color). Não se percebe bem o porquê da série nunca ter sido lançada por cá anteriormente, até porque desde sempre teve o envolvimento de Akira Toriyama no desenho das personagens e inimigos e a série Dragon Ball teve um sucesso estrondoso pela Europa fora. A história segue as aventuras de um herói anónimo e mudo como tem sido apanágio da série até então. Inicialmente vemos o vilão Dhoulmagus a tomar um castelo de assalto, roubando um artefacto mágico bastante poderoso. Após o roubar, Dhoulmagus torna-se bem mais poderoso, lançando uma enorme maldição por todo o castelo de Trodain, tornando o castelo em ruínas e dizimando todos os seus habitantes. Apenas 3 pessoas escapam de certa forma a esta tragédia: O herói, outrora um guarda de Trodain, o rei Trode e sua filha Medea. Infelizmente Trode e Medea não escaparam totalmente à maldição, sendo que Medea se transformou numa égua e Trode numa espécie de “Namek” de Dragon Ball. Juntos partem então à aventura para se vingarem de Dhoulmagus e reverter a sua maldição, onde vão conhecendo outras personagens que se juntam à “party“: Yangus, um ex-ladrão de Pickham com sotaque de Manchester, Jessica, uma “magic user” cheia de sex appeal e finalmente Angelo, um templário bastante caricato, com uma boa performance de bons ataques físicos e magia de suporte. Claro que ao fim de algum tempo a história vai-se desenvolvendo cada vez mais, caindo no cliché habitual de um ser maligno muito poderoso estar prestes a ser ressuscitado para dominar o mundo.

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Uma cutscene nos inícios do jogo, onde vemos o Herói, Medea, Trode e Yangus ao fundo

Passando para a jogabilidade, este é o primeiro Dragon Quest totalmente em 3D, o anterior para a PS1 já tinha introduzido alguns elementos 3D nos cenários mas não a esta escala. Assim sendo, é possível viajar pelo mundo, cidades e cavernas como se um Zelda 3D se tratasse. As batalhas continuam a ser aleatórias e por turnos, contudo de vez em quando surgem alguns inimigos visíveis no mapa mundo. Estes inimigos são mais poderosos que os comuns e podem mais tarde ser integrados na “Monster Team” do herói, que passarei a explicar mais tarde. O sistema de batalha é idêntico aos anteriores, antes de iniciar o combate podemos alterar a estratégia dos restantes elementos da “party” para que os mesmos combatam automaticamente. Desde uma estratégia com foco em curar os elementos até uma “show no mercy” onde as personagens atacam sem piedade ou então a forma mais tradicional de controlar as acções de cada personagem individualmente. Podemos também tentar fugir das batalhas ou uma nova acção: “intimidar” os inimigos. Consiste em uma das personagens fazer uma cara feia e tentar assustar os inimigos de forma a que os mesmos abandonem a batalha, podendo deixar alguns items para trás. Sinceramente não achei muito útil pois a maior parte das vezes não funciona, e quando funciona é para inimigos fracos. E nesse caso nem é difícil lutar contra os mesmos pelo que não vale a pena perder tempo com essa opção. No combate propriamente dito é possível atacar, defender, usar magias, habilidades ou items. No que diz respeito aos items, cada personagem tem um inventário próprio de 12 items (salvo erro), esses items podem ser acedidos nas batalhas. Para o resto existe um saco com armazenamento infinito porém não pode ser acedido em batalha. Outra das opções é a chamada “psyche up”, onde as personagens se concentram por um turno, podendo causar maior dano no turno seguinte, ou então voltar a usar a mesma habilidade para se concentrarem ainda mais, até atingir um valor máximo. Mais uma vez as influências de Dragon Ball estão bem presentes aqui, se virem o nível máximo de “concentração” que o herói consegue atingir.

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O ecrã de distribuição de pontos nas skills

As habilidades são outra das “novidades” presentes neste Dragon Quest. Infelizmente vieram com o custo de descartar completamente o sistema de classes presente em alguns jogos anteriores. Aqui cada personagem tem 6 skills diferentes que pode evoluir cada vez que sobe um nível, sejam skills de armas próprias a cada personagem (espadas, machados, arcos, etc) ou skills de carácter. Nessa altura são atribuídos um número de pontos que podemos usar para aumentar o nível de cada skill. Chegando a determinados pontos em cada skill a personagem vai aprendendo algumas habilidades próprias da skill que pode usar em combate. A título de exemplo, e para demonstrar algum do humor perverso presente no jogo, as habilidades de carácter de Jessica são do tipo “sex-appeal”, onde a mesma se põe em poses sensuais para causar dano (ou distrair) os adversários. Trode e Medea são personagens importantes, mas não jogáveis. Trode apresenta-nos o Alchemy Pot, outra das novidades presentes neste jogo. Como o próprio nome indica, é um pote onde podemos inserir alguns items para criar items novos. Ao longo do jogo vamos descobrindo algumas receitas que nos permitem fazer armas verdadeiramente poderosas e de outra forma indisponíveis, contudo também é possível criar items piores que os originais, pelo que nem todas as receitas que se encontra devem ser seguidas. A um certo ponto do jogo descobrimos uma arena para lutas de monstros, liderada por uma personagem italiana bastante cómica, com muitas semelhanças a um certo Mr. Satan do Dragon Ball Z. A partir desse ponto todos os monstros visíveis no mundo que derrotamos podem fazer parte da nossa equipa. Inicialmente apenas dispomos de 3 vagas na equipa, mas à medida em que vamos vencendo alguns torneios esse leque vai aumentando e acabamos por ter também a possibilidade de chamar a equipa para lutar temporariamente por vez das personagens principais fora da arena.

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O herói a tentar intimidar os inimigos

Na minha opinião, o único grande problema deste jogo que pode alienar fãs de RPGs é mesmo as batalhas serem aleatórias e por vezes a um ritmo exagerado, forçando várias horas de grinding. Terminei o meu jogo com cerca de 64h “investidas” e ainda assim existem várias sidequests que não cheguei a terminar. No final do jogo, como tem sido habitual na série, é possível carregar o save do jogo concluído que nos leva para antes do confronto final. Assim, temos a possibilidade de concluir as sidequests que nos tenham faltado e mais importante, existe uma nova dungeon com um novo boss, ambos bastante exigentes. Existem vários outros pormenores que poderia referir sobre o mundo de Dragon Quest, como a existência de Casinos e os seus mini jogos, mas o post já vai longo.

Passando então para o audiovisual, este é um campo muito forte em Dragon Quest VIII. O jogo foi desenvolvido pela Level-5, estúdio conhecido pelos Professor Layton e outros RPGs como o Rogue Galaxy também para a PS2. Os seus jogos por norma geral apresentam animações de muita qualidade e este não é excepção. Sendo a arte de Akira Toriyama, pela primeira vez Dragon Quest assemelha-se bastante a um Dragon Ball, devido aos gráficos totalmente em 3D. As personagens estão muito bem detalhadas, e algumas localidades também, apesar de os exteriores serem um pouco monótonos. Ainda assim, para uma PS2, está bom. O modelo das personagens varia um pouco, mostrando as diferentes armas e escudos que tenhamos equipado, infelizmente as vestimentas mantêm-se idênticas para as personagens, independentemente das armaduras e acessórios que adquirimos. A excepção é feita para Jessica, em mais uma manobra sexista mas eu não me queixo. Com alguns trajes mais “avantajados” a aparência de Jessica altera-se, um exemplo cliché em Akira Toriyama é o bunny suit. Aliado aos bons gráficos e animações, está um voice acting muito bem conseguido. Não sei como é na versão americana, mas a PAL está muito bem feita, onde são identificados vários sotaques cómicos, como o de Yangus e restantes habitantes de Pickham, o sotaque francês dos barman, a dicção nobre de Trode, entre outros. Geralmente em jRPGs eu prefiro ouvir o voice acting original, mas devo admitir que este está muito bem conseguido. A nível de música, DQVIII usa as mesmas versões das faixas clássicas da série, obviamente remisturadas. A música título é para mim uma das mais icónicas neste mercado, ao lado de outras como o Overworld de The Legend of Zelda. Estas características todas juntas fazem com que DQVIII seja bastante agradável de jogar, nem que seja apenas pela história. Todas as personagens têm um carisma muito afincado, é impossível não lhes ganhar simpatia. A história em si está repleta de clichés e não é nada do outro mundo, mas torna-se agradável pelos factores que mencionei. O humor é algo sempre presente, seja em bosses disléxicos ou que façam teatro de fantoches com as mãos, seja o humor típicamente Akira Toriyama por vezes um pouco perverso – procurem no youtube pela massagem Puff-Puff.

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Os diálogos mudam de acordo com a personagem que estiver a liderar o grupo. Ainda bem que não me apercebi disso senão tinha demorado o dobro do tempo a terminar o jogo.

Recomendo este jogo a todos os que gostem de jRPGs tradicionais, sem grandes invenções pelo meio, especialmente aos que também forem fãs de Dragon Ball, pois vão-se sentir em casa. Já terminei todos os Dragon Quest principais até a este, e digo sem qualquer problema que este foi o que mais me agradou. É pena o sistema de classes não estar presente aqui, mas o mundo completamente 3D e toda a envolvência com a história e personagens vale a pena. Curiosamente o Yangus voltou a surgir num outro Dragon Quest para a PS2, mais precisamente no “Shōnen Yangus to Fushigi no Dungeon”, o último jogo da série Mystery Dungeon com personagens Dragon Ball até à data. Os Mystery Dungeon são bem hardcore, assim como todos os roguelikes, mas isso poderá ficar para um outro artigo.

God of War II (Sony Playstation 2)

God of War II PS2Após o sucesso do primeiro jogo, uma sequela seria o próximo passo lógico, resultando neste jogo lançado em pleno ano de 2007 ainda para a velhinha PS2. De facto não deixa de ser algo surpreendente a Sony não ter forçado a que este GoW saísse originalmente para a PS3, numa altura em que a mesma ainda estava com alguma dificuldades em se afirmar em vários mercados, mas isso é assunto para outra conversa. A minha cópia foi adquirida numa GAME perto de minha casa, tendo custado algo em torno dos 10€ e encontra-se em óptimo completa e estado.

God of War II PS2
Jogo completo com caixa e manual

God of War II decorre pouco tempo após os acontecimentos do primeiro jogo, onde Kratos agora assumindo os poderes de Deus da Guerra, continua insatisfeito com a sua sede de sangue ou whatever e continua a comandar as suas tropas espartanas na guerra contra o povo grego, algo que incomoda os restantes deuses do Olimpo. Assim sendo, o próprio Zeus encarrega-se de atacar Kratos, retirando-lhe todos os seus poderes divinos, tornando-o novamente mortal e acabando mesmo por mandá-lo de volta para Hades. Ora Kratos supostamente é um osso duro de roer, pelo que consegue novamente escapar do inferno e encontra-se com a Titã Gaia, uma das divindades que antecederam Zeus e companhia. Gaia explica a Kratos que é possível ele executar a sua vingança contra Zeus, bastando para isso encontrar-se com as “Sisters of Fate” de modo a voltar atrás no tempo e atacar Zeus desprevenidamente. E pronto, está dado o mote para mais uma aventura de contornos épicos passados na antiga Grécia.

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Combate visceral, é imagem de marca da série

Pouca coisa foi modificada na jogabilidade. O combate permanece idêntico na sua essência: quadrado para golpes fracos, triângulo para golpes fortes, círculo para agarrar e x para saltar. Existem novos combos que tornam o combate mais visceral, bem como mais algumas armas que podemos utilizar, para além das já habituais Athena Blades. Infelizmente as armas novas não as achei grande coisa, as lâminas duplas habituais permitem um combate bem mais dinâmico. Para além de armas brancas podemos usar magias, onde apenas uma regressa do jogo anterior, sendo as restantes inteiramente novas. Uma outra novidade consiste na habilidade de abrandar o tempo, algo que podemos fazer a partir de um certo ponto do jogo. Esta habilidade apenas se pode desencadear na presença de uma das estátuas das Sisters of Fate e tem uma duração limitada. De resto, o que dizer mais da jogabilidade? Acho que God of War II melhorou vários aspectos do primeiro jogo, nomeadamente as secções de plataforma, menos atabalhoadas desta vez, puzzles mais interessantes e sobretudo mais bosses. Infelizmente os quick time events vieram para ficar, mas podia ser pior, acho os da PSP intragáveis, mas isso fica para a análise do Chains of Olympus. Mais uma vez, o jogo encontra-se desenvolvido de uma forma linear, com as várias áreas interligadas entre si, sem divisão de níveis e com muito poucos ecrãs de loading. Apenas é possível fazer save em determinadas localizações, mas estas encontram-se espalhadas em imensos locais e, mesmo que Kratos perca a vida, o jogo recomeça num checkpoint perto, pelo que é bastante generoso com o jogador neste aspecto.

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Embate entre Kratos e o Colosso de Rhodes, uma das 7 maravilhas da antiguidade.

Passando para o audiovisual, agora sim! God of War II é sem dúvida um jogo bem mais épico do que o anterior, com áreas colossais, bosses bastante interessantes (logo no início do jogo, lutar contra a mítica estátua de Rhodes é algo surreal), cenários bem elaborados, como umas certas estátuas gigantes de cavalos, ou trechos onde voamos nas asas de um cavalo alado qualquer. Graficamente o jogo é bastante bonitinho, com modelos detalhados, e vários efeitos gráficos e de iluminação. Infelizmente, e não sei se o problema é apenas meu, mas os gráficos ficaram um pouco piores na 2a metade do jogo, onde também me apercebi de vários slowdowns nas áreas maiores. No que diz respeito ao voice-acting, ainda não me convenceram. Kratos melhorou um pouco como personagem, mas continuo a não ir muito à bola com ele. Continuo a achar que não perdiam nada em colocar umas legendas, mas pronto. As músicas, sendo operáticas, refletem bem a acção do jogo, contribuindo bastante para o clima épico que é pretendido. Ainda voltando aos gráficos, GoW II oferece a possibilidade de se jogar em Progressive Scan, na resolução 480p. Não é HD, mas é melhor que nada. Ainda assim, não é nada do outro mundo, visto vários jogos das consolas concorrentes oferecerem o mesmo.

No que diz respeito a extras, o jogo anterior tinha bastante coisa, já este deixa um pouco a desejar. Poderemos rejogar a aventura num outro grau maior de dificuldade, temos também vários desafios que podemos completar como matar 2 ciclopes num determinado período de tempo, entre outros. Para além do mais poderemos desbloquear trajes alternativos para serem jogados na aventura principal, ou rever as cutscenes do jogo. O que eu gostava realmente, era que tivessem incluído trailers, making of, ou vídeos a mostrar coisas que não fizeram parte do produto final, tal como fizeram no primeiro jogo.

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Uma das passagens aéreas, certamente um dos pontos mais épicos da aventura

No fim de contas, acho este jogo mais bem conseguido que o original. Os cenários estão mais interessantes, bem como o próprio jogo em si que tem um “flow” bem mais apelativo, repleto de momentos intensos. O próprio design dos níveis apresenta puzzles mais interessantes e secções de platforming menos chatas. Ainda não me cativei com todo o hype que Kratos e companhia está envolvido, mas este jogo deixou-me um pouco mais convencido. Actualmente pode ser também jogado na PS3, num lançamento HD. Nunca joguei essa versão, mas presumo que seja a versão definitiva do jogo.

God of War (Sony Playstation 2)

God of WarE antes de voltar ao PC cá fica um novo artigo da PS2. God Of War foi franchise criada pelos estúdios da Sony já durante o ciclo maduro da consola da Sony. É um hack ‘n slash que vai buscar buscar a mitologia da Grécia antiga à visceralidade de um Ninja Gaiden. Embora Rygar já tenha usado o mesmo conceito anteriormente pela Tecmo, neste God Of War, para além de uma apresentação bem mais épica, é dado um foco bem maior ao combate visceral e um carisma bem maior na personagem principal. A minha cópia foi adquirida há uns meses, na GAME do Maiashopping, por cerca de 5€. Está completa e em bom estado.

God of War PS2
Jogo completo com caixa e manual. Infelizmente é a versão platinum.

A história centra-se em Kratos, outrora um guerreiro espartano, vendeu a sua alma a Ares, Deus da Guerra, para que conseguisse derrotar os seus inimigos. Assim sendo, Kratos ganha o estatuto de demigod, com vários poderes sobrehumanos e passa a ser um servente do próprio Ares, que lhe equipa com 2 espadas especiais agarradas por correntes ao seu corpo. Algum tempo depois, por motivos que prefiro não revelar aqui, Kratos revolta-se contra Ares, que por sua vez se revoltou contra os restantes deuses do Olimpo e encontra-se a espalhar o caos e o terror por toda a Grécia antiga. O jogo começa logo perto de Atenas em plena guerra, onde Kratos começa por defrontar uma série de soldados zombie, bem como outras criaturas mitológicas, incluindo a bela batalha contra uma Hydra. A jogabilidade é simples: O analógico esquerdo movimenta Kratos, enquanto o direito faz com que Kratos se desvie na direcção pretendida. Os botões frontais servem para saltar, ataque leve, ataque forte e agarrar. O botão direccional serve para seleccionar a magia a utilizar assim que as mesmas forem desbloqueadas, os botões de cabeceira têm várias funções, como bloquear, desencadear a magia, entre outros. O combate é visceral e existem várias combinações de movimentos que podemos descobrir ou até desbloquear. À semelhança de outros jogos algo parecidos, como Devil May Cry, existem várias “orbs” ao longo do jogo com vários propósitos diferentes. As vermelhas funcionam como moeda, ou pontos de experiência que podemos gastar na aprendizagem ou upgrade de armas, magias ou outras técnicas. As azuis restauram pontos de magia, enquanto as verdes restauram saúde. Existem outros items que fazem aumentar essas diferentes barras de energia, mas estão frequentemente escondidos nos níveis, sendo fomentada assim a sua maior exploração.

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O combate sempre foi algo acrobático, mas pouco profundo.

God of War é um jogo que tenta mesmo unir o melhor de vários mundos, apresentando um combate visceral, vários elementos de platforming, alguns puzzles para resolver, e o espírito aventureiro de explorar ao detalhe os cenários para encontrar items secretos. Infelizmente para mim nem tudo são rosas. O combate é intuitivo sim, mas o jogo tem imensos “quick-time-events” que, apesar de desencadearem várias mortes violentas que dá gosto ver, a sua presença é incrivelmente chata e as ideias acabam por se esgotar não muitas tentativas depois. Depois tem também o problema da câmara. O jogo é bonito, mas não ser possível controlar a câmara livremente tira-lhe muita piada. Isto porque várias vezes ao resolver alguns níveis ou alguma secção de “platforming” mais chata, a câmara por vezes muda completamente o ângulo de um momento para o outro, mandando Kratos para a sua miséria. Estes seriam os problemas que saltam mais à vista, mas como isto é um espaço pessoal, posso dar a minha opinião sem dilemas. David Jaffe e companhia quiseram criar algo que sofreu um hype imenso (à semelhança de Halo, outra série que pouco me diz). A crítica adorou, eu considero God of War um bom jogo. Contudo, não acho que seja todas as maravilhas que se fala. Kratos apesar de valentão falta-lhe carisma. Aliás, carisma ele tem, apenas não acho que seja o certo. A narrativa que segue toda a história também me deixa algo a desejar, bem como os visuais bastante “clean“.

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Um dos power-ups, estes fazem aumentar a barra de saúde.

Falando nos visuais, GoW é sem dúvida um jogo que tira bom proveito do hardware da consola da Sony. Os cenários são grandinhos, as texturas detalhadas, e os inimigos também. Só que, apesar de todo o sangue, ainda acho que vários inimigos deveriam ter um toque mais sujo e visceral, assim como os cenários. A banda sonora é épica conforme seria desejado num jogo deste género, contudo o voice acting e mesmo a narrativa das próprias cut-scenes deixa-me algo a desejar. A própria apresentação das mesmas não faz jus ao elevado hype gerado em torno do jogo e da personagem. Mas isto é só a minha opinião. Por outro lado, a quase ausência de loadings no decorrer do jogo é um feito considerável, tendo em conta que os visuais do jogo são tecnicamente bons. O jogo em si tem vários níveis de dificuldade e à medida que o vamos completando nessas várias vertentes, diversos materiais de bónus vão sendo desbloqueados. Trailers, making-of, vídeos mostrando níveis que não chegaram a ver a luz do dia, a história por detrás do design de Kratos e de várias outras personagens, bem como hilariantes fatos alternativos para Kratos são alguns dos muitos extras que podem ser descobertos.

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Aqui podemos trocar as orbs vermelhas por novos golpes, ou melhorar os poderes já desbloqueados

Para concluir, God of War é um jogo bom. Bons gráficos, um clima épico, algumas batalhas contra bosses gigantes (pena que sejam poucas), bons extras a serem desbloqueados. Peca principalmente pelos quick time events, uma moda que eu nunca apreciei e os jogos desta série abusam disso. A um registo ainda mais pessoal, David Jaffe é um sujeito algo arrogante e isso de alguma forma se transpareceu neste jogo. Kratos para mim é uma personagem vazia. Ainda tenho mais uns 3 God of War pela frente, pode ser que mude a minha opinião. De qualquer das formas convém também referir que o jogo se encontra igualmente disponível na PS3, em conjunto com a sua sequela, com um tratamento HD. Para quem for fã da série, então até ao momento é possivelmente a versão a adquirir.

Shadow of the Colossus (Sony Playstation 2)

shadow-of-the-colossus-box-art-palApós o jogo de culto que foi Ico, a mesma equipa liderada por Fumito Ueda tratou de desenvolver o seu próximo jogo. Inicialmente intitulado de Nico, uma espécie de trocadilho japonês para Ico 2 (Ni significa o número 2 na linguagem nipónica), o jogo apesar de se situar no mesmo universo do seu antecessor, tomou uma direcção completamente diferente: de um jogo de puzzle/plataforma bastante simplista e envolvente, para um jogo de proporções épicas cujo único objectivo é derrubar uma série de colossos verdadeiramente gigantes. Tal conceito provou ser bastante interessante, o que acabou por tornar Shadow of the Colossus num dos jogos mais aclamados pela crítica para a velhinha PS2. Já eu, enquanto acho que o conceito do jogo é sem dúvida bastante interessante, a sua execução deixou algo a desejar. Mas já lá iremos. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames, é a edição limitada com caixa de cartão e vários postais com o artwork do jogo. Está em bom estado e apenas me custou cerca de 15€. Foi um bom achado.

Shadow of the Colossus PS2
Jogo completo com caixas de cartão, manual e cartões com artwork. E muito bloom lighting cortesia da minha câmara do telemóvel.

Tal como em Ico, a história está envolvida em mistério, sendo igualmente minimalista. Embora desta vez nem tanto. Fumito Ueda afirma que Ico e Shadow of the Colossus estão ligados, sendo este último uma espécie de prequela a Ico. De facto, jogando SoTC até ao fim é fácil traçar um fio condutor entre os 2 jogos, mas obviamente não irei revelar o final do jogo aqui. Shadow of the Colossus começa com o jovem Wander a carregar o corpo da sua falecida amada Mono, junto do seu fiel cavalo Agro. Wander dirige-se para uma terra que mais tarde vimos a descobrir que é a Terra Proibida, uma península cujo único ponto de entrada são as suas altíssimas montanhas a norte, que dão passagem para uma imponente ponte de pedra até a um colossal monumento com o nome de “Shrine of Worship”. Aqui, Wander coloca o corpo de Mono num altar e pede aos Deuses que a ressuscitam. Como Wander veio equipado com uma espada lendária, os Deuses acedem ao seu pedido, mas apenas com uma condição: Que Wander vagueie pela Terra Proibida e derrote os 16 colossos existentes. Só depois terá o seu desejo atendido.

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A chegar à Shrine of Worship

E sem mais somos deixados numa vasta e deserta região para a explorar, encontrar os colossos e derrotá-los. Como fazê-lo sem que andemos propriamente a vaguear sem rumo? A espada de Wander, quando empunhada ao alto em regiões solarengas, reflecte a luz, convergindo-a na direcção do próximo colosso que temos de defrontar. Nem sempre é assim tão simples, pois se seguirmos “cegamente” as indicações iremos dar a rumos sem saída, obrigando por vezes a contornar o mapa por outros caminhos. E o que temos disponível para mandar abaixo todas as 16 bestas gigantes? O cavalo Agro, um arco com flechas infinitas, a espada e a própria flexibilidade de Wander. O método para derrotar os colossos no fundo acaba por ser sempre o mesmo – saltar para cima deles, agarrar-se em regiões “peludas” dos Colossos, e ir escalando-os até chegar a regiões com pontos fracos, identificados por uns símbolos com um azul reluzente, e finalmente usar a espada para atingir estes pontos fracos. A estratégia para que nos possamos aproximar dos colossos e/ou revelar os seus pontos fracos é que vai mudando de colosso para colosso, sendo por vezes necessário utilizar o cavalo Agro ou os cenários envolventes. À semelhança de Ico, também há um certo minimalismo neste jogo, pois temos um mapa grande e variado para explorar, mas está completamente deserto, sem quaisquer inimigos ou NPCs menores. É o jogador, o seu cavalo, os colossos e um ou outro passarinho ou lagarto que vão surgindo pelo meio da flora.

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A usar a espada para descobrir a direcção onde o próximo colosso se encontra

A motivação para defrontar estes gigantes passa sempre por descobrir estas estratégias que temos de adoptar, e assim que estamos “em cima” das bestas não temos a vida facilitada. Eles movem-se bastante, tentando-nos sacudir constantemente, pelo que temos de ter o timing certo para nos agarrarmos com todas as forças ao colosso, saber quando podemos tentar mover-nos de um sítio para o outro e atacar, é comum a personagem perder o equilíbrio e termos de repetir os passos anteriores para conseguirmos voltar a “agarrar” os gigantes. Por todas estas razões acabamos sempre por ter uma sensação recompensadora de “job well done” quando derrotamos um deles. Infelizmente nem tudo são rosas e a jogabilidade na minha opinião deixa muito a desejar. Controlar o cavalo é bastante frustrante, e em alguns Colossos onde temos de cavalgar a grande velocidade e ao mesmo tempo disparar flechas em direcções completamente diferentes, ou mesmo saltar do cavalo para o próprio colosso, foram situações que quase me fizeram perder a paciência. Lembro-me que na altura a crítica traçava bastantes paralelismos entre este jogo e o Zelda Twilight Princess, na medida em que Link também viajava por cenários enormes a com a sua égua Epona. Eu felizmente possuo os 2 e o jogo da Nintendo tem obviamente uma jogabilidade bastante superior neste aspecto. A própria movimentação de Wander também é um pouco lenta e “sloppy“. Para quem jogou Ico, o esquema de botões é quase o mesmo, tendo em conta que este jogo se foca bem mais no “grip” que Wander tem ao agarrar-se em objectos e nos próprios colossos.

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Wander a tentar manter-se equilibrado na cabeça do colosso. O ponto fraco é o que está a reluzir.

Tal como Ico, o artwork de Shadow of the Colossus é bastante agradável. Isto falando para as várias ruínas e monumentos que vamos descobrindo ao longo do jogo, que sempre me fez lembrar o estilo arquitectónico dos grandes povos indígenas da américa do sul/central. Os próprios Colossos têm um design bastante interessante, misturando algo mecânico/rochoso com o biológico que também me agradou. O mapa da Terra Proibida é variado, também repleto de belas paisagens, bem como outras regiões mais inóspitas. Tecnicamente este é um jogo que puxa a barra bem para cima no que diz respeito à PS2. O facto de os colossos serem gigantes e o mundo envolvente ser apresentado quase de uma só vez, sem loadings intermédios (embora de vez em quando se note algum pop-in dos cenários mais longínquos – o que é normal), é um feito muito interessante para uma plataforma já algo antiga e desfasada das concorrentes da altura. Contudo, isso teve um preço: o framerate. Infelizmente o mesmo é bastante baixo e não muito constante. Para além do mais, com tanto polígono gerado numa só criatura, e com cenários vastos sempre na memória, as próprias texturas ficaram com uma qualidade reduzida, bem como as personagens Wander, Mono e Agro com pouco detalhe. De resto, voltaram a utilizar as técnicas de bloom lighting para os efeitos de luz, embora por vezes esse mesmo efeito seja um pouco exagerado. Ainda voltando ao framerate, para os possuídores da versão PAL, é bastante aconselhado que joguem o jogo na opção dos 60Hz, sempre fica ligeiramente mais fluído.

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Sim, bloom lighting em demasia. E este é o altar "impossível" onde o cadáver de Mono se encontra.

A nível de som, não tenho absolutamente nada a apontar. O voice acting mais uma vez assenta num dialecto estranho, sendo os diálogos apresentados sob a forma de legendas. Os efeitos sonoros são competentes e cumprem bem o seu papel. Já a música é perfeitamente adequada ao clima épico do jogo. O facto de a música mudar para uma bem mais épica e tensa assim que conseguimos descobrir a estratégia de como derrotar o colosso e começamos a escalá-lo, resultou muito bem. Pena que o jogo não tenha suporte nativo a sistemas Surround, bem que o merecia.

Para mim, feitas bem as contas no final, Shadow of the Colossus foi um projecto bastante ambicioso, com um conceito formidável. Infelizmente a sua execução não foi a melhor devido aos controlos não tão bons, principalmente os do cavalo. O facto de correr na velhinha PS2 também contribuiu para que o jogo tivesse alguns problemas de framerate, e tiveram de ser um pouco modestos nos detalhes das personagens e recorrer a texturas fracas. Recentemente, juntamente de Ico, ambos os jogos receberam um facelift para a PS3, onde fizeram um upscale na resolução do jogo e pouco mais. Talvez seja a versão mais recomendada para se jogar hoje em dia, mas Shadow of the Colossus merecia muito mais. Agora resta ficar na expectativa do The Last Guardian.