Oni (Sony Playstation 2)

OniAlgures perto do virar do miléno, haviam 2 jogos da Bungie que pareciam bastante promissores e iriam deixar o estúdio definitivamente no mapa, eles que até então se tinham focado mais nas plataformas Macintosh. Um deles era um certo FPS futurista que até se tornou na killer app do lançamento da primeira Xbox, o outro era este Oni. E apesar de a Bungie ter-se tornado num estúdio da Microsoft, este Oni acabou por se anteceder a isso, tendo sido lançado para PC e PS2 apenas. A minha cópia foi comprada há uns meses atrás na Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado algo em volta dos 3, 4€.

Oni - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual. Infelizmente tudo em francês.

Este é um jogo futurista com uma protagonista feminina. Já bem dentro do século XXI, os níveis de poluição tornaram-se tão elevados que as zonas habitáveis da Terra se reduziram imenso. Para complicar ainda mais as coisas para a humanidade, o governo era bastante restritivo e ainda tinhamos que lidar com uma organização terrorista implacável, os Syndicate. A nossa heroína, chamada Konoko, é uma agente da Technological Crimes Task Force (TCTF), e inicialmente vamos combatendo os actos terroristas dos Syndicate, que liderados pelo cyborg Kuro, planeiam toda a extinção humana. Pelo meio temos os plot-twists do costume, claro. O uso de cyborgs, e toda esta sociedade pós-apocalíptica fazem lembrar bastante o mítico anime Ghost in the Shell, a começar mesmo pelo próprio aspecto gráfico do jogo que tenta emular as animações japonesas.

screenshot
Um dos powerups que podemos apanhar deixa-nos temporariamente invulneráveis,

O que diferenciava Oni da concorrência era a mistura entre um shooter na terceira pessoa com a de um beat ‘em up. Com um esquema de controlo algo fora do comum. Os botões de cabeceira são os que servem para as acções principais, como saltar, disparar, dar socos e pontapés, enquanto os faciais servem para recarregar a arma, largá-la, usar items, etc. Com este esquema mais inusual de controlo, não é por acaso que Oni tem um nível tutorial obrigatório, onde vamos aprendendo os movimentos básicos. Nas primeiras missões os inimigos também são fraquinhos, o que também nos ajuda mais a habituar às mecânicas de jogo. E o facto de apenas podemos carregar uma arma de cada vez, tornando-as até algo descartáveis, o foco na porrada acaba mesmo por ser o mais importante. E como vamos aprendendo uma série de combos novos com throws poderosos, isso também torna o jogo um pouco mais apelativo.

screenshot
A HUD é um pouco confusa, com toda a informação de items, vida, munição e direcção do próximo objectivo a ficar condensada em 2 círculos

Infelizmente, apesar de os níveis serem bem grandinhos, cheios de inimigos para combater e diferentes objectivos para cumprir, no fim de contas tudo se resume à monotonia de lutar, interagir em computadores para abrir portas, lutar mais um pouco, repetir, repetir, repetir. E pelos níveis serem consideravelmente grandes, tiveram de sacrificar um pouco nos gráficos. Enquanto que pelo menos as personagens estão bem detalhadas, nem que seja pelos padrões de 2001, os cenários quase que nem têm texturas, tudo é cinzento à nossa volta e há realmente pouca coisa de diferente para ver ao longo do jogo. As músicas são OK, com uma componente electrónica, não fosse este um jogo ao estilo cyberpunk, mas apenas vão tocando em alguns momentos de maior tensão. O voice acting pareceu-me decente, mas infelizmente a versão que eu comprei é exclusivamente em francês. Tenho vários jogos com capas e manuais em outras línguas que não o inglês, mas no jogo em si sempre pude escolher o idioma pretendido. Infelizmente tenho também alguns jogos em francês onde não há mesmo mais nada a fazer a não ser calar e comer, o que foi o caso deste Oni.

screenshot
Embora os cenários tenham um aspecto muito simples, as personagens estão bem detalhadas

Oni é um jogo estranho, seja pelo level design não muito espectacular, ou pelos controlos fora do comum. Mas a verdade é que depois de nos habituarmos aos controlos, a vertente de beat ‘em up acaba por se tornar bastante interessante, principalmente pelos diferentes golpes que vamos aprendendo que se tornarão bastante úteis contra alguns inimigos bem fortezinhos. É definitivamente um jogo de altos e baixos, e talvez o facto de ter sido um jogo pensado originalmente para a PS1 tenha contribuído pela pouca variedade gráfica. Gostava de ver a Bungie a pegar nisto novamente.

XIII (Sony Playstation 2)

XIII - PS2O XIII é um jogo que infelizmente acabou por passar ao lado de muito boa gente. Veio numa das melhores fase criativas da Ubisoft, quando os mesmos apostaram em novas IPs de qualidade como o Splinter Cell, Beyond Good & Evil e o reboot de Prince of Persia com o fantástico Sands of Time. Talvez por isso, e claro, outros jogos de qualidade de outras empresas, tenham obscurecido esta pequena pérola esquecida. Já o tinha jogado mais ou menos na altura em que o mesmo saiu, para o PC, mas entretanto vi-o várias semanas seguidas sozinho e abandonado na Cash Converters de Alfragide por 2.5€ e como mais ninguém o levou, acabei por fazer o “sacrifício”.

XIII - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

XIII é baseado na banda desenhada belga de mesmo nome, que conta histórias com a temática de conspirações e espionagem e este videojogo não poderia fugir à regra. Encarnamos no agente de nome de código XIII, que acorda com amnésia numa praia algures na costa norte-americana. Desde cedo se vê a ser perseguido por uma série de bandidos que o querem ver morto por alguma razão e acaba também por ser feito prisioneiro pelo FBI que lhe mostra supostas provas em como ele assassinou o presidente norte-americano. Eventualmente lá conseguimos escapar e depois o jogo acaba por ser uma espécie de “Bourne Conspiracy” onde iremos tentar desvendar o mistério por detrás desse assassinato e descobrir muitas conspirações à mistura.

screenshot
Logo a primeira coisa que chama à atenção são os visuais em cel-shading deste jogo

Não queria falar já nos audiovisuais, mas não há como escapar. Todo o jogo é apresentado com gráficos em cel-shading, ficando mesmo com o aspecto que estamos a jogar numa banda desenhada. Mas essa sensação não se dá apenas pelos gráficos em cel shading, aliás até porque os mesmos são utilizados noutros videojogos que nada tenham a ver com isso. É nos pequenos detalhes de os diálogos se darem por vezes em balões de banda desenhada, ou quando algumas pequenas cutscenes são apresentadas o ecrã divide-se em vários quadradinhos que mostram diferentes pormenores ao mesmo tempo, ou mesmo pelos efeitos sonoros como ARRGH, ou BAM! ou TAP TAP TAP nas missões mais stealth quando ouvimos os passos dos nossos oponentes. Quando mandamos um bom head shot ou atiramos com umas facas em cheio na cabeça de alguém também são mostrados alguns quadradinhos com esses detalhes. Tudo isto conjugado sim, faz com que XIII seja um jogo especial.

screenshot
Podemos usar os nossos inimigos como escudos humanos, o que até pode dar algum jeito em certos momentos

No que diz respeito à jogabilidade, este jogo tanto engloba os elementos clássicos de um first person shooter com acção rápida e frenética onde disparamos para tudo o que mexa, bem como outros elementos de stealth, ou alturas em que não podemos matar os nossos adversários (nomeadamente agentes inocentes do FBI), sendo então forçados a neutralizá-los quer com os punhos, ou com outros objectos que possamos encontrar, como cadeiras ou garrafas. Também podemos agarrar outros humanos e usá-los como reféns ou mesmo como escudos humanos, podendo depois lhes dizer as “boas noites” e eventualmente arrastar os corpos para um sítio que nos dê mais jeito. Naturalmente isto é mais útil nas missões com uma forte componente de infiltração. De resto vamos tendo um grande arsenal de armas e outros objectos que podemos utilizar e os pontos de saúde são restabelecidos com uso dos medkits, como manda a lei.

screenshot
Todos estes pequenos detalhes de banda desenhada são o que dão realmente um toque especial a XIII

Existem ainda várias vertentes multiplayer, que na versão PS2 tanto podem ser jogadas localmente como online, que naturalmente não cheguei a tempo de experimentar. Mas também como não poderia deixar de ser, os modos de jogo disponíveis consistem no Capture the Flag e em várias variantes do Deathmatch, incluindo os originais “The Hunt“, onde o objectivo é disparar o máximo de vezes possível para um esqueleto que vagueia pelo mapa, bem como o Power-Up, onde espalhados pelos mapas teremos várias caixas que têm powerups que tanto poderão ser benéficos como mais saúde ou armadura, ou outros que nos irão dificultar mais a vida.

Passando para o som, a banda sonora faz-me lembrar os filmes de espionagem da década de 70, o que sinceramente até acaba por se adequar muito bem ao clima do jogo. O voice acting não é mau, e o elenco de actores contém dois nomes bem conhecidos, como Adam West, o mítico Batman a encarnar na personagem do General Carrington, e David Duchovny’s, mais conhecido como Agent Mulder numa certa série televisiva de culto a assumir o papel da personagem principal. Infelizmente a interpretação de Duchovny acaba por sair um pouco furada, visto XIII ter muito poucas falas ao longo de todo o jogo.

screenshot
Para além de split screen, a versão PS2 também permitia partidas multiplayer online

Apesar deste XIII não ser perfeito, nomeadamente os tiroteios poderiam estar um nadinha mais polidos, não deixa de ser a meu ver um jogo muito bom e que infelizmente passou ao lado de muita gente. Convém referir que o jogo termina num cliffhanger que promete uma sequela, mas infelizmente a mesma nunca mais se viu. Pode ser que agora com uma sequela ao Beyond Good and Evil alguém na Ubisoft se lembre deste jogo. Entretanto se virem este baratinho, seja para que plataforma for, recomendo vivamente a sua compra.

Metal Slug 3 (Sony Playstation 2)

Metal Slug 3Ah, a Neo Geo. Quando me aventurei pela primeira vez no fantástico mundo da emulação algures por 1998, emular a Neo Geo era uma tarefa hercúlea para o meu pobre Pentium a 133MHz com 16MB de RAM. Jogar na consola em si era algo ainda mais longínquo pois não havia literalmente ninguém no meu círculo de amigos e conhecidos que tivesse tal Rolls Royce. Portanto a alternativa estava em ir às arcades gastar umas quantas moeditas, embora a minha preferência recaía quase sempre para jogos como Daytona USA ou Sega Rally, havia algo que me agradava bastante nos Metal Slugs, nomeadamente as suas animações e excelentes sprites em 2D e toda a bizarrice no ecrã. O Metal Slug 3 acabou por sair também para a Playstation 2, versão essa que cá trago hoje e foi comprada algures no mês passado na Cash Converters de Alfragide, por 3€.

Metal Slug 3 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada

Para quem não conhece a série Metal Slug, pensem-na como se um “Contra on Steroids” se tratasse. Este é também um sidescroller em 2D onde nós sozinhos ou com mais um amigo controlamos um ou 2 soldados numa batalha contra exércitos inteiros, com balas a correr por todo o lado e inimigos cada vez mais bizarros. Os Metal Slugs anteriores colocaram-nos em complicadas batalhas para derrotar o exército do General Mordren que ambicionava dominar o mundo. Na última batalha Mordren até se associou a uma raça de Aliens, mas acabou por ser traído por eles, mas felizmente para a humanidade, os heróis sairam vitoriosos. Após esses acontecimentos, recebemos outra missão: viajar pelo mundo e derrotar as restantes facções dos exércitos de Mordren. Mas à medida em que vamos progredindo depressa nos apercebemos que esse exército continua em alta e mais uma vez os aliens estão também metidos ao barulho.

screenshot
Nesta conversão para PS2 podemos desbloquear 2 modos de jogo adicionais.

A jogabilidade é então semelhante a um Contra, mas muito mais intensa, com imensos inimigos, objectos destrutíveis e projécteis a voar ao mesmo tempo no ecrã. Podemos saltar, usar golpes melee para lutas próximas, usar vários tipos de armas que poderemos encontrar e também diferentes explosivos ou ataques especiais. Também tal como Contra basta levar com um tiro para se perder uma vida e isto aliado a toda a cacofonia no ecrã, torna qualquer jogo de Metal Slug algo desafiante. Mas o que torna estes jogos diferentes dos demais, para além dos seus gráficos é mesmo todo aquele sentido de humor inerente. Se comermos muitos items de comida, a nossa personagem torna-se temporariamente muito obesa, o que nos reduz os movimentos, mas também torna os ataques diferentes, podendo até ter algumas vantagens. Mas essas transformações não se ficam por aqui, não tarda muito e para além dos soldados humanos também enfrentamos zombies e caso sejamos infectados por um, tornamo-nos também zombies, onde mais uma vez a movimentação é afectada, mas também nos torna algo invulneráveis contra balas e deixa-nos com um poderoso ataque de vómito capaz de atingir muitos inimigos no ecrã. Também como nos jogos anteriores podemos utilizar alguns veículos que, com o seu poder de fogo e armadura nos dão mais algumas chances de vencer. Para continuar com o humor, nem todos os veículos são humanos, aqui também podemos conduzir elefantes equipados com canhões.

screenshot
Ser Zombie pode ter as suas vantagens

Ao longo do jogo também vemos vários prisioneiros de guerra que podemos e devemos libertar, pois presenteiam-nos com itens ou armas aleatórias e contribuem para a nossa pontuação final. Como seria também de esperar, no final de cada nível temos sempre um (ou mais) bosses imponentes para combater. Esta conversão para a PS2 traz também alguns extras (que não estão presentes na compilação Metal Slug Anthology visto essas serem apenas versões emuladas), nomeadamente 2 modos de jogo adicionais que poderemos desbloquear. Em “Storming the UFO Mothership”, tomamos o papel de um dos soldados de Mordren onde temos de guiar os nossos camaradas numa batalha em pleno território alienígena para resgatar o general. No outro modo de jogo, o “Fat Island” as missões consistem em comer o máximo de comida possível num determinado intervalo de tempo, bem como combatendo eventuais inimigos que nos apareçam à frente. São minijogos interessantes, mas nada que realmente valha a pena.

screenshot
Não deixa de ser impressionante a atenção ao detalhe dada nesta série

Visualmente é um jogo excelente tal como todos os outros. Mesmo nos dias que correm, a Neo Geo continua a ser uma plataforma capaz de jogos 2D cheios de detalhe. As animações de todas as personagens, tanto dos heróis, como dos inimigos ou outros objectos estão repletas de pequenos detalhes que fazem realmente a diferença. E depois o próprio design de todo o equipamento militar é muito bom, parece mesmo que estamos no meio de um desenho animado qualquer. A variedade de cenários é mais uma vez um ponto positivo pois tanto estamos a lutar em áreas rurais, como derrepente estamos em florestas, ou mesmo em pleno espaço. A SNK marcou também pontos por existirem algumas divisões de trajectos que podemos percorrer, inclusivamente algumas áreas secretas, o que aumenta sempre o factor de “replayability“. As músicas são notóriamente retro, e adaptam-se perfeitamente a toda a acção que vai decorrendo no ecrã.

Eventualmente planeio comprar a Metal Slug Anthology assim que a mesma me apareça a um bom preço, pois é da forma que tenho os 6 “primeiros” Metal Slugs num disco só. No entanto as versões dos jogos nessa compilação são meramente emuladas do original para a Neo Geo, o que traz  alguns problemas de performance. Aqui é uma conversão e para além do mais ainda traz estes extras já referidos, pelo que mesmo que já possuam o Anthology, se virem esta versão baratinha comprem que acaba por valer a pena.

Wipeout Fusion (Sony Playstation 2)

Wipeout FusionO desaparecimento algo recente da Psygnosis deixou muita tristeza, pois eram um dos meus estúdios europeus de eleição. E se por um lado o catálogo da Psygnosis ter sido bem mais abrangente antes da sua compra por parte da Sony, também não me posso queixar eles terem-se focado practicamente exclusivamente à série Wipeout depois dessa compra estar bem consolidada, pois são excelentes jogos e este Fusion não é uma excepção. O Wipeout Fusion foi um jogo que já mandei vir do ebay há uns aninhos, não me recordo ao certo quanto custou, sei que foi bem barato e está completo e em bom estado.

Wipeout Fusion - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Tal como muitos outros jogos da série, existe uma história qualquer a correr em background neste jogo, colocando as várias equipas e pilotos em acesas rivalidades. Podemos ter uma ideia desses conflitos ao ler o manual, mas sejamos honestos, ninguém joga Wipeout pela sua história. Tudo o que precisamos de saber é que iremos correr em corridas futuristas a alta velocidade, com naves antigravidade e por circuitos repletos de obstáculos, curvas apertadas, loopings, saltos e por aí fora. Inicialmente podemos temos apenas à nossa disposição poucos pilotos, naves, circuitos e modos de jogo para experimentar. Tudo o resto vai ter de ser desbloqueado à moda antiga, a dar durinho em todos os modos de jogo para ir desbloqueando o restante conteúdo. Mas vou já dar uma ideia do que nos espera neste Fusion.

screenshot
Infelizmente os menus não seguem o mesmo design genial do jogo anterior

O modo arcade deveria dispensar quaisquer apresentações nesta altura do campeonato. Aqui basta escolher a equipa, piloto, nave, circuito e a nossa preocupação seguinte é só chegar em primeiro lugar e ganhar a respectiva medalha de ouro. O AG League é o modo de jogo principal e o que nos irá tirar mais horas de sono. Aqui competimos em várias “ligas” de número de circuito variável. A ideia é tentar chegar sempre nas primeiras opções e ir ganhando dinheiro para o gastar em upgrades na nossa nave. Ocasionalmente seremos desafiados para uma corrida de desafio por um determinado piloto de outra equipa e se o vencermos, teremos acesso a essa equipa e às suas naves, geralmente mais poderosas. O Challenge Mode consiste também numa série de desafios diferentes a cumprir para cada equipa. Esses desafios podem ser corridas um a um, de eliminação, time trials, entre outros. Ser bem sucedido nestes desafios acaba por nos ir desbloqueando algumas armas bastante poderosas, mas exclusivas à equipa em questão.

screenshot
Há também uma maior variedade de naves a escolher e armas paa usar

O Zone Mode é uma das novidades deste Wipeout Fusion e consiste numa espécie de survival como nos jogos de luta 2D. Somos deixados a conduzir num determinado circuito, mas com os escudos em baixo. A ideia é sobreviver o máximo de tempo possível sem sofrer muito dano. Temos ainda o Time Trial que dispensa quaisquer apresentações, consistindo em tentar obter o melhor tempo possível nos circuitos à escolha. Por fim temos ainda o Multiplayer, que nos dá versões para 2 jogadores dos modos Arcade, AG League e Custom League, onde podemos escolher quais os circuitos que lhe fazem parte. Como podem ver, variedade e conteúdo para desbloquear é coisa que não falta. A fórmula Wipeout parece-me igual a si mesma, com as suas corridas frenéticas e nós a ter de ter uma atenção redrobada com os air brakes para as curvas apertadas e tirar o melhor partido das armas que nos vão saindo na rifa. Infelizmente a inteligência artificial dos oponentes é desta vez muito mais impiedosa e irá usar sem qualquer remorso armas bastante poderosas que nos fazem parar durante alguns longos segundos, o que irá causar muita frustração. Mas é uma questão de preserverança! Uma das coisas que sinceramente não me recordo se já existia no Wip3out era o facto de podermos inverter a câmara para mostrar quem nos vem a perseguir. Claro que temos de usar isto por meras fracções de segundo, pois o risco de embater em alguma parede ou mesmo sair fora da pista é sempre considerável.

Wipeout Fusion (3)
Graficamente é um jogo bonitinho para a época.

Graficamente é um jogo bem bonitinho, tendo em conta o ano de 2002 e ser para uma Playstation 2. Os circuitos vão ser bastante variados entre si, apresentando as já habituais pistas urbanas, industriais, ou em zonas mais naturais como áreas mais desertas e repletas de areia, outras aquáticas, ou mesmo zonas de construção com os circutos inacabados. Outra coisa que gostei foram os efeitos de partículas, como as areias a serem sopradas pelos motores, ou a chuva que pode cair de vez em quando. Ainda assim, por vezes o jogo é rápido demais para conseguir apreciar isto e estar com atenção ao que estamos a fazer, mas faz parte do género. No que diz respeito à banda sonora, a mesma é o que estamos habituados. Para quem gostar de música techno, isto é um prato cheio! E mesmo para quem não é o maior apreciador do género, como é o meu caso, acabaram por me agradar bastante e sem dúvida assentam perfeitamente no estilo.

No fim de contas, este Wipeout Fusion é mais um óptimo jogo de corridas futuristas. Acho que a única razão de queixa mais forte que tenho é devido ao facto da inteligência artificial ser muito mais implacável e usar todas essas armas poderosas contra nós sem nenhuma piedade. Fora isso, é mais um excelente jogo para quem gosta do género. Tenho pena que não tenha tido o mesmo reconhecimento que os 3 primeiros da era 32bit, pois os Wipeout que lhe seguiram já foram pensados de raíz para a PSP, com os resultados a serem um pouco diferentes. Mas isso será falado mais tarde.

Echo Night Beyond (Sony Playstation 2)

Echo Night BeyondEsta foi a melhor “compra cega” que alguma vez fiz, pelo menos no que toca à Playstation 2. Algures durante o verão deste ano, numa das minhas idas à cash converters do Porto lá descobri este Echo Night Beyond a 3.5€. Olhei para a capa do jogo, pareceu-me interessante, virei a capa e olhei para a parte detrás, vejo a sinopse do costume e lá num cantinha estava o nome FROM SOFTWARE. Ora essa empresa para mim já tinha o meu completo respeito, mesmo antes desta “moda” à volta do Dark Souls ter surgido. Fizeram os competentes trading card RPGs Lost Kingdoms para a Gamecube, os óptimos Otogis para a Xbox e são também a empresa responsável pela impressionante série de dungeon crawlers Kings Field, que atravessou un 4 ou 5 jogos desde o seu lançamento inicial na PS1. Então acabei por trazer este jogo para casa e não me arrependi nada, pois a partir do momento em que o comecei a jogar, percebi que tinha em mãos uma das melhores hidden gems da consola.

Echo Night Beyond - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogador encarna no papel de Richard Osmond que, em conjunto com a sua noiva, estavam a viajar pelo espaço num vaivém espacial. Infelizmente, por alguma razão misteriosa o vaivém colide com uma base lunar, provocando um grande número de vítimas. Richard acorda sozinho no shuttle, sem sinais da sua namorada. Ao explorar a estação lunar (que pelos vistos servia também de extracção mineira), não descobrimos nenhuns sobreviventes a não ser um misterioso andróide que pelos vistos até nos conhece. Tudo o que resta da base está deserto e abandonado e para piorar as coisas está repleta de fantasmas das pessoas que por lá morreram. Nessa nossa procura pela nossa noiva teremos de explorar toda a base e com isso vamos também descobrir alguns dos seus mistérios e o porquê de tanta vítima.

screenshot
A cutscene inicial é bem bonita

Echo Night Beyond tem umas mecânicas de jogo interessantes. O mesmo é todo passado na primeira pessoa, onde vemos o mundo pelo capacete do nosso fato espacial. Os fantasmas que vamos encontrando podem ser inofensivos ou bastante agressivos. Como os distinguir? Bom, tudo começa devido a um misterioso nevoeiro vir das entranhas da lua que traz uma aura maléfica qualquer e invadiu várias das salas da base lunar. Se tiverem de atravesar alguma sala ou corredor toda enevoada, façam-no com cuidado pois se surgir algum fantasma o único remédio é correr. Felizmente que em várias salas existem alguns controladores de ventilação que, após activados limpam as suas respectivas salas e corredores de qualquer nevoeiro. Após o fazermos, poderemos falar à vontade com os fantasmas, que estão presos na base lunar pois deixaram algo por fazer e cabe-nos a nós os libertar, ao procurar por objectos que eles precisem ou outras tarefas. E sim, ajudar os fantasmas é necessário pois muitas vezes após os libertarmos eles deixam cair alguns items essenciais para progredir no jogo, como chaves, cartões de segurança ou outros IDs que nos deixam ligar sistemas de ventilação.

Echo Night Beyond (3)
O jogo é bastante escuro, o que resulta muito bem para uma atmosfera tensa

Mas enquanto os fantasmas são agressivos, não há nada que possamos fazer para nos  defender a não ser correr e tentar ligar a ventilação o mais rápido possível, ou então escapar para uma zona segura. Uma das coisas que vemos sempre no ecrã é o nosso batimento cardíaco e quando somos perseguidos por um espírito maligno vemos o batimento cardíaco a aumentar constantemente. Se o deixarmos chegar a 300, puff… game over. Os “medkits” existem na forma de seringas que nos estabilizam o batimento cardíaco, mas as mesmas são escassas e o melhor a fazer é mesmo fugir para uma zona segura, onde o ritmo cardíaco voltará lentamente à normalidade. Felizmente existem as “monitor rooms“. Aqui, para além de podermos gravar o nosso progresso no jogo, podemos também controlar as câmaras de segurança daquela zona, algo crucial para descobrirmos onde estão os fantasmas ou localizações chave que temos de explorar.

screenshot
Fantasmas há muitos… curiosamente cadáveres é que não. Este é um androide, ou o que sobra.

Mas se há algo mau neste jogo, são sem dúvida os seus controlos. A From Software, talvez por ser um estúdio nipónico, nunca deve ter prestado atenção aos outros FPS que entretanto sairam para a PS2. Isto porque os controlos são maus e isso já acontece pelo menos desde o primeiro King’s Field. Apenas utilizamos um dos analógicos (ou o d-pad) para o movimento, carregando para cima ou para baixo faz-nos andar para a frente ou para trás, mas carregando para a esquerda ou direita faz-nos virar para essa direcção. O strafing e apontar para cima e para baixo é dado pelos botões de cabeceira, quando seria bem melhor usar um analógico para controlar a “câmara” e o outro o movimento. Mas isto não é o pior, pois é algo que nos vamos habituando. O pior é mesmo as secções em plena superfície lunar, com gravidade reduzida. Aí, o botão que antes servia para correr agora serve para saltar. Os passos que damos são extremamente lentos pelo que o instinto natural é saltar. E aí nos saltos já são mais rápidos mas infelizmente não os conseguimos controlar. A partir do momento em que saltamos temos logo o nosso destino traçado e não há nada a fazer. O que por mim até nem me incomodaria muito se não fosse a superfície lunar ter uns quantos desfiladeiros e se cairmos no buraco é game over e voltamos ao ponto onde fizemos save pela última vez. Existe um segmento em específico em que temos de saltar em 2 plataformas em movimento perpendicular enquanto atravessamos um penhasco. Esse sim, um autêntico momento de terror pois vamos morrer vezes sem conta.

screenshot
Os fantasmas inofensivos dão-nos algumas dicas do motivo pelo qual ainda estão aqui presos

De resto devo dizer que este é o melhor jogo de terror para maiores de sete anos que eu alguma vez já joguei. A atmosfera é sempre tensa e solitária, com os sustinhos do costume com objectos a cair subitamente ou fantasmas a aparecerem do nada. A nave é na sua maioria bem escurinha, pelo que utilizar a lanterna é uma necessidade, mas não um luxo, pois as baterias vão-se gastando. Graficamente é um jogo competente, toda a HUD do capacete espacial está bem pensada, bem como a estação espacial que é bem grandinha. Só não digo que o jogo tem os melhores gráficos de sempre pois existem melhores na consola. As músicas quando existem são mais atmosféricas, excepto a adaptação da Moonlight Sonata de Beethoven que cai que nem ginjas.

Tirando os seus problemas dos controlos, em especial o movimento e saltos em solo lunar que me causaram tantas dores de cabeça, este videojogo é sem dúvida uma das hidden gems da consola. A série Echo Night não é propriamente recente, os seus primeiros dois jogos tinham sido lançados para a Playstation 1 e apesar de serem igualmente na primeira pessoa, a sua temática era diferente. O primeiro Echo Night ainda chegou a solo americano, já o segundo apenas se ficou pelos japoneses. Estarei certamente atento à possibilidade de os importar se me surgir alguma vantajosa. De qualquer das formas este Beyond recomendo vivamente a sua compra. Parece que não é um jogo lá muito comum, mas pode ser que tenham sorte nas cashs e feiras que já vi pelo menos uns três.