Metal Slug 4 (Sony Playstation 2)

Metal Slug 4Hoje é dia para mais uma rapidinha, pois infelizmente não tem havido tempo para jogar algo mais “robusto”. E o jogo que cá trago hoje é a conversão para a PS2 de mais uma entrada na famosa série Metal Slug da SNK. Na verdade, este Metal Slug 4 já foi desenvolvido numa fase mais negra da empresa Japonesa, após a mesma ter fechado as portas e as suas IPs vendidas à Playmore. O meu exemplar foi comprado há cerca de 2 meses atrás a um particular, custou-me 7.5€.

Metal Slug 4 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

A história repete-se e uma vez mais há um conflito de larga escala para resolver. Desta vez pela organização terrorista Amadeus, que se prepara para desenvolver um virus informático capaz de invadir qualquer sistema de segurança, incluindo os militares, e com grande potencial para propiciar desastres. Mais uma vez recai nos mesmos mercenários a tarefa de lutar contra a ameaça, embora apenas Marco e Fio se mantenham dos jogos anteriores. A substituir Tarma e Eri estão os novatos Trevor e Nadia, mas novamente cada personagem não possui habilidades distintas entre si, pelo que quem escolhemos para jogar acaba por ser algo indiferente.

Uma cara conhecida... mas nem tudo o que parece... é.
Uma cara conhecida… mas nem tudo o que parece… é.

A jogabilidade mantém-se igual a si mesma, com a acção non-stop repleta de soldados, tanques e outros veículos inimigos para destruir. Isto tudo sempre com as excelentes animações e também algum humor à mistura como a série bem nos habituou. A nível de novas funcionalidades, para além de novos veículos a conduzir (incluindo uma empilhadora) e uma nova arma, uma dupla metralhadora, temos também uma nova transformação. Para além de podermos ficar bastante obesos ao comer itens de comida, ou transformarmo-nos em zombies, algo que nos limita sempre os movimentos, agora podemos também nos transformar em macacos, também com restrições de movimento, mas com o benefício de poder saltar bem mais alto e agarrar aos tectos, disparando por aí. A outra novidade está no sistema de Metal Rush. Ao longo do jogo podemos apanhar alguns emblemas e mediante a cor do emblema que apanhamos temos uma barra de tempo que dimui mais ou menos rapidamente. Durante esse tempo estamos invencíveis e o objectivo é procurar obter a maior pontuação possível.

Os confrontos com os bosses são sempre épicos
Os confrontos com os bosses são sempre épicos

No que diz respeito aos audiovisuais, tenho sentimentos mistos. Por um lado, o jogo utiliza o mesmo motor gráfico, e os gráficos continuam num 2D bem detalhado e com óptimas animações, mesmo com a Neo Geo a mostrar a sua idade, continua a ser um jogo belíssimo de se ver. Por outro lado não o achei tão épico como os anteriores, onde até se chegou a combater no espaço. Desta vez não há extraterrestres para ninguém! Ainda assim o jogo vai tendo variedade quanto baste, com as habituais paisagens semi-urbanas, naturais, uma cidade assombrada, o interior de um navio ou de uma base militar. As músicas são bem competentes, como sempre.

Como é habitual, há sempre algum humor à mistura.
Como é habitual, há sempre algum humor à mistura.

De resto, para além do modo arcade tradicional que pode ser jogado por 2 jogadores, a versão PS2 possui ainda um outro modo onde podemos jogar apenas no nível que escolhermos. Os níveis disponíveis neste modo são apenas os que já conseguimos finalizar no modo arcade, mais o seguinte.

Tornar-se zombie pode ter algumas vantagens...
Tornar-se zombie pode ter algumas vantagens…

Posto isto, apesar de não ter achado este Metal Slug 4 tão empolgante como os seus dois antecessores, não deixa de ser um óptimo jogo. Afinal em fórmula vencedora não se mexe, ou mexe-se pouco, e mesmo não tendo uma campanha tão épica, a jogabilidade simples e frenética, aliada aos óptimos gráficos e animações em 2D fazem com que seja sempre um enorme prazer jogar qualquer jogo desta série.

Ferrari F355 Challenge (Sega Dreamcast / Sony Playstation 2)

F355 Challenge PS2O artigo de hoje é mais uma rapidinha, embora o jogo em questão até merecesse um artigo bem mais extendido. Mas como não sou o maior fã de jogos de simulação, até porque pouco percebo do assunto, prefiro não me alongar muito. O Ferrari F355 Challenge é um jogo como muitos outros da Sega, e em especial de Yu Suzuki, com origens nas arcades. Mas ao contrário de outras pérolas como Out Run ou Daytona USA, o foco deste jogo não era o prazer de uma condução descompromissada e repleta de emoções fortes, mas sim algo bem mais próximo do realismo possível. Tanto que, em versões deluxe da arcade cabinet deste jogo, teríamos um colosso com 3 monitores para simular a visão lateral, para além de toda a parafernália habitual como volantes, pedais e mudanças. Eventualmente o jogo acabou por ser convertido para a Dreamcast onde lhe foram adicionados mais uns quantos circuitos e, mais tarde, quando a Sega descontinuou a sua última consola, uma versão para a PS2 também foi lançada. Felizmente tenho 1 exemplar de ambas as versões caseiras. A da Playstation 2 foi a primeira que arranjei e sinceramente já nem me lembro onde foi nem quanto custou, pois comprei-a há bastante tempo. A versão Dreamcast foi bastante barata, pois foi comprada num bundle com uma consola, comandos e vários jogos por apenas 15€.

Versão Dreamcast com caixa e manual
Versão Dreamcast com caixa e manual

Este artigo vai-se focar em ambas as versões, pois há poucas diferenças entre as mesmas. A versão PS2, para além de ter uma interface de menus completamente redesenhada, mantêm practicamente os mesmos modos de jogo e circuitos, acrescentando algum conteúdo bónus desbloqueável, como imagens e vídeos promocionais da própria Ferrari, incluindo um scan completo ao folheto de catálogo do Ferrari F355. Mas voltando ao jogo em si, o mesmo é influenciado pela competição da própria Ferrari, que teve as suas origens em pequenas competições, colocando os donos dos seus carros a correrem entre si em circuitos reais. Neste jogo, apenas iremos encontrar o modelo F355 para conduzir, já com alguns aninhos em cima, mas ainda bem a tempo do seu lançamento original nas arcades, em 1999.

F355 Challenge - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada, para a PS2

Entrando no modo arcade, poderemos conduzir em qualquer circuito na versão PS2 (enquanto na versão Dreamcast teríamos de os desbloquear) e como qualquer jogo arcade que se preze, corremos sempre em contra relógio, mas sendo este um jogo com grande foco na simulação, depressa vemos que afinal não conseguimos chegar a lado nenhum jogando mais à toa. É para isso que servem os modos de jogo adicionais antes de entrar no arcade propriamente dito, o Training e o Driving. No primeiro temos desenhada na pista a trajectória óptima, bem como vamos ouvindo o “narrador” a indicar algumas dicas de como travar, onde travar e acelerar, etc. O modo Driving já nos coloca a conduzir sozinhos no mesmo circuito sem qualquer tipo de ajuda e por fim lá teremos o Racing onde temos de mostrar do que somos feitos. Temos também o Championship onde somos largados numa série de 6 corridas em diferentes circuitos e competir pelo melhor número de pontos. Antes de cada pista podemos conduzir algumas voltas de teste para conhecermos o circuito, bem como alterar algumas das características do carro para melhor nos ambientarmos à pista. No multiplayer temos também o modo versus para 2 jogadores em split screen, enquanto que a versão japonesa da Dreamcast também permitia corridas online. Para além disso a versão Playstation 2 possui também o “Great Driver Challenge” que é na verdade um grande desafio onde somos recompensados com pontos por uma condução exemplar ao aproveitar os túneis de vento e optimizar as curvas, sendo penalizados por sair da pista ou embater nos carros oponentes. É este modo de jogo que nos vai desbloqueando a galeria.

Aquele radarzinho no centro do ecrã dá muito jeito para evitar que sejamos ultrapassados
Aquele radarzinho no centro do ecrã dá muito jeito para evitar que sejamos ultrapassados

Depois, para além da física realista que o jogo inclui, bem como um impressionante sistema de replay e dados estatísticos da nossa performance que certamente apenas interessam aos mais ávidos condutores, o jogo possui também algumas ajudas que poderão ser activadas ou não, mediante o grau de dificuldade escolhido. Dessas ajudas estão nomes conhecidos como ABS, ou sistemas de controlo de estabilidade ou tracção, que pelos vistos podem igualmente ser activados ou desactivados no carro real, ou assim a Internet me diz. Outro completamente fictício é o Intelligent Braking System que ajuda bastante no momento de fazer as curvas. Mas claro, sendo este um simulador, isso só estraga a experiência.

O jogo possui o sistema "Magic Weather", que na realidade pouco muda para além da iluminação e nuvens no céu
O jogo possui o sistema “Magic Weather”, que na realidade pouco muda para além da iluminação e nuvens no céu

No que diz respeito aos audiovisuais, o lançamento original era graficamente impressionante. A adaptação para as consolas domésticas não deixa de ser também um bom trabalho, embora se note mais alguns serrilhados na versão PS2 devido à falta de anti aliasing, algo que acaba por ser compensado com o suporte a wide screen. A banda sonora é mesmo ao meu gosto, repleta de temas hard rock / heavy metal clássico, bem como outras músicas um pouco mais discretas, mas com aqueles leads de guitarra como a Sega sempre nos habituou nos seus títulos arcades dos anos 90.

Great Driver Challenge é uma das novidades trazidas na conversão da Playstation 2
Great Driver Challenge é uma das novidades trazidas na conversão da Playstation 2

Em suma, este Ferrari F355 Challenge é um jogo apenas para os mais pacientes e para os amantes de simulação automóvel. Reza a lenda que o próprio Ferrari F355 de Yu Suzuki foi usado durante o próprio desenvolvimento do jogo, pelo que sempre teve a fama de ser um simulador bastante fiel para a época em que foi lançado. Mas tendo só o F355 como opção disponível é algo que certamente irá deixar muita gente desapontada.

Zombie Hunters 2 (Sony Playstation 2)

Zombie Hunters 2O artigo de hoje será mais uma quase rapidinha a uma sequela de uma budget release com origens japonesas que já por cá trouxe. Estou a referir-me claro ao Zombie Hunters e, para o bem ou para o mal pouca coisa muda a nível de mecânicas de jogo e conteúdo, pelo que recomendo a leitura desse mesmo artigo para mais detalhes. Este meu exemplar foi comprado novo e selado na feira da Ladra em Lisboa por 2.5€.

Zombie Hunters 2 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

E mais uma vez começamos por escolher qual personagem a utilizar, podendo uma vez mais seguir o caminho de Aya ou Riho Futaba. Ao contrário do primeiro Zombie Hunters onde me foquei principalmente na Aya, desta vez segui o caminho de Riho. E aparentemente, apesar de o jogo ser mais uma vez raparigas com pouca roupa contra uma legião de zombies e outras criaturas, existe uma história própria para cada personagem, embora sejam coisas simples e não muito importantes.

Temos várias diferentes vestimentas para desbloquear, com o destaque maior ser dado à Aya
Temos várias diferentes vestimentas para desbloquear, com o destaque maior ser dado à Aya

A nível de jogabilidade quase tudo se mantém. Podemos desencadear vários tipos de ataques, incluindo alguns mais poderosos a troco de um pouco da nossa vida, bem como temos de ter em atenção 2 medidores: o sangue acumulado na espada, e o sangue que vai salpincando para as moças. Enquanto o primeiro vai deixando a espada cada vez mais fraca sendo até possível a lâmina ficar encravada no corpo de algum zombie, deixando-nos completamente vulneráveis por muitos e preciosos segundos, o segundo faz-nos transformar no Berserk Mode, onde os nossos ataques ficam muito mais fortes, a troco da defesa ficar mais fraca e a nossa vida ir descendo gradualmente. É possível reverter esse estado ao irmos ao encontro de uma estátua de uma santa ou usar um power up para o efeito. Já a espada sangrenta basta pressionar L1 para a sacudir. De resto a grande diferença neste jogo é a possibilidade de jogar cooperativamente o modo campanha, bem como podermos jogar com 2 raparigas em paralelo (Aya e Riho desbloqueiam uma personagem secundária no final do primeiro nível da sua respectiva história). Assim sendo, é possível ir fazendo tag team entre as ambas as raparigas, com a inactiva a regenerar lentamente a sua vida em background.

Todas as outras peculiaridades se mantêm, como o modo survival, o sistema de achievements interno (quest mode) que nos desbloqueia uniformes alternativos e outras personagens jogáveis, os skill points que nos são recompensados no final de cada nível mediante a nossa performance e que podem ser utilizados para melhorar as diferentes personagens a nível de vida, força, combos ou alcance da espada. Temos também o practice mode que será indispensável para dominar os combos (especialmente os Cool Combos que são super frustrantes de fazer). Acreditem, toda a perícia é bem precisa principalmente nos confrontos com os bosses.

Juro que nunca percebi a cena do sangue cor de rosa
Juro que nunca percebi a cena do sangue cor de rosa

Infelizmente os problemas do primeiro Zombie Hunters a meu ver continuam aqui presentes. Os controlos, principalmente a nível de controlo de câmara em conjunto com os ataques mantêm os mesmos problemas, o que corta alguma fluidez nos combates. Não há mais uma vez uma grande variedade de cenários: começamos uma vez mais num pequeno cemitério e progredimos para as ruas de uma cidade, ou estamos no interior de um centro comercial ou num sistema intrincado de cavernas. E nos seus 6 níveis do jogo, cada área é repetida uma vez. É também um jogo muito repetitivo.

A nível gráfico é um jogo simples, e sendo este uma budget release japonesa, isso é algo compreensível. Algo que continuo sem compreender muito bem é o tom mais cor de rosa do sangue em geral, mas isso parece-me ser algo já inato a esta série, pois o OneeChambara da Wii padece do mesmo mal. As músicas são na sua maioria electrónicas tal como no primeiro Zombie Hunters também.

No berserk mode somos muito mais rápidos e poderosos, mas a nossa vida também desce a cada segundo que passa, pelo que é uma habilidade a ser explorada com moderação
No berserk mode somos muito mais rápidos e poderosos, mas a nossa vida também desce a cada segundo que passa, pelo que é uma habilidade a ser explorada com moderação

Em suma este é um hack and slash interessante, embora bastante repetitivo nos níveis que apresenta e nas waves de zombies que estão sempre presentes. É uma budget release e deve ser encarado como tal, e em jogadas mais descompromissadas torna-se mesmo em algo divertido. Mas as lutas contra os bosses, especialmente na recta final são mesmo bastante complicadas, pelo que é um jogo que vai dar luta e recomenda-se que o practice mode seja visitado com alguma frequência no início. E saber usar bem o modo berserk também é algo importante.

Atlantis III (Sony Playstation 2)

Atlantis IIINa rapidinha de hoje voltamos a visitar o extenso catálogo da Playstation 2, desta vez com a terceira iteração da série Atlantis, mais uma franchise de aventuras point and click na primeira pessoa que vai buscar inspirações a Myst. O primeiro Atlantis tinha-o jogado na Sega Saturn, o segundo já foi no PC a muito custo por problemas de compatibilidade com os Windows modernos e para o terceiro capítulo acabei por optar pela PS2, até porque foi a versão que me chegou às mãos. Este meu exemplar foi comprado na Cash Converters de Benfica algures no ano passado, custando-me 3€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

Enquanto nos 2 Atlantis anteriores a narrativa passava-se num passado distante, desta vez somos levados ao presente, ao encarnar numa jovem arqueóloga que sinceramente não me recordo do seu nome e pelo que li nas internetes também não me ajudou. Mas adiante, essa arqueóloga estava a seguir umas pistas que a levaram para um deserto remoto, muito distante do Egipto, mas que aparentemente albergava uma construção egípcia envolta em mistérios. E ao chegar lá, após alguns contratempos, vê que essa localização já tinha sido tomada de assalto por alguns mercenários, sem que inicialmente saibamos muito bem o porquê. Mas mesmo assim lá nos conseguimos esgueirar ao tal local onde inadvertidamente activamos um portal que nos leva a uma outra dimensão, agora já em plena cultura egípcia e onde alguém nos diz que somos a chave para revelar um grande mistério deixado pela civilização da Atlântida. Ou algo do género.

Como sempre, os gráficos são bem bonitos... em screenshots, que as animações nestes diálogos deixam um pouco a desejar
Como sempre, os gráficos são bem bonitos… em screenshots, que as animações nestes diálogos deixam um pouco a desejar

É que apesar de ser um jogo minimamente competente, sente-se que para além de ser bastante curto, muita coisa da história ficou por desenvolver, é como se estivéssemos a jogar algo inacabado. A nível de mecânicas de jogo e afins, não há nada a apontar, pois quem jogou os Atlantis anteriores se irá sentir em casa. Isto porque é um jogo onde podemos olhar para o que nos rodeia em 360º, interagindo com objectos, seja para os apanhar, seja para resolver puzzles lógicos, ou falar com pessoas. A movimentação é que é feita “ecrã a ecrã” com o cursor a mudar de ícone nas áreas para onde nos podemos mover. E como manda a lei, há vários puzzles em que temos de estar atentos às dicas visíveis no meio ambiente para os resolver, mas há ali um mais perto da recta final onde literalmente jogamos um videojogo… mais “inception” não podia deixar de ser! É que decorre numa parte do jogo onde visitamos o mundo das 1001 noites e temos alguém a narrar uma história…

Gameception!
Gameception!

De resto, a nível gráfico é um jogo competente, dentro dos possíveis. Para quem jogou as aventuras gráficas da Cryo sabe bem que se esforçam em apresentar personagens bem detalhadas a nível facial… mas só em screenshots que as coisas quando têm algum movimento deixam algo a desejar. Mas aquele feeling mágico característico dos Atlantis, com aqueles navios voadores e paisagens místicas está aqui presente uma vez mais. E o mesmo pode ser dito da banda sonora que continua muito boa, repleta de melodias acústicas e outras faixas mais ambientais que assentam muito bem ao jogo.

A saga das localidades místicas continua, e felizmente desta vez não temos nenhum puzzle exageradamente difícil... a menos que joguem a versão PC que tem um puzzle extra.
A saga das localidades místicas continua, e felizmente desta vez não temos nenhum puzzle exageradamente difícil… a menos que joguem a versão PC que tem um puzzle extra.

No fim de contas, este terceiro capítulo da série Atlantis acaba por deixar um bocadinho a desejar, apesar de não ser um mau jogo. O facto de ser curto e a história nos deixar com a impressão que haveria ali algo mais a contar (ninguém se lembrou de dar nomes à heroína e vilão do jogo, só para terem uma ideia…) acabam por machar um pouco a coisa. Infelizmente também a Cryo fechou portas no ano seguinte ao lançamento deste jogo, com a franchise Atlantis a mudar de mãos para a The Adventure Company. Os últimos Atlantis com esta nova empresa já parece que perderam alguma desta mística inicial o que é pena.

Dead or Alive 2 (Sega Dreamcast / Sony Playstation 2)

Dead or AliveO artigo de hoje é duplo, para escrever sobre um jogo que me deixou agradavelmente surpreendido e do qual possuo duas cópias físicas para plataformas diferentes. O primeiro Dead or Alive foi um fighter bastante agradável, mas a Tecmo esmerou-se bastante na sua verdadeira sequela (isto porque a versão PS1 do primeiro Dead or Alive é uma espécie de remake do original). E apesar da versão Dreamcast ter sido a primeira versão caseira desta sequela, pouco tempo depois a PS2 recebeu também uma versão com conteúdo extra. E para confundir ainda mais as coisas, aparentemente as versões americanas, japonesas e europeias de ambos os jogos possuem conteúdo diferente entre si. E se há alturas em que é bom sermos europeus e ser os últimos a receber os jogos, esta foi uma delas, porque tanto na Dreamcast como na PS2, ambas as versões são possuem mais conteúdo que as americanas, com a PS2 a sair na mó de cima nesse campo com mais uniformes extra. O jogo da Dreamcast foi comprado na Cash Converters de Alfragide por 7€ há uns meses atrás, o da PS2 sinceramente já nem me lembro mas não terá sido muito caro. Estão ambos completos e em bom estado.

Dead or Alive 2 - Sega Dreamcast
Versão Dreamcast completa com caixa, manual e papelada.

Como não poderia deixar de ser, a história anda à volta de um torneio de artes marciais que atrai lutadores de todo o mundo. A organização do torneio não é propriamente flor que se cheire e há heróis e vilões, todos com diferentes motivações para participarem na competição. No modo história, onde defrontamos 7 oponentes, vamos vendo algumas pequenas cutscenes entre as personagens, em especial aquelas que têm alguma ligação entre si, como a rivalidade de Kasumi e Ayane, ou Tina e o seu pai Bass Armstrong, por exemplo. Achei que foi um pormenor interessante!

Dead or Alive 2 - Sony Playstation 2
Versão PS2 completa com caixa, manual e papelada

A jogabilidade está mais refinada perante o primeiro jogo. Continua à volta do triângulo de blocks, throws e blows, agora com uns counters também à mistura. Os combates são bastante fluídos e os controlos também simples de aprender, embora claro, o jogo tem profundidade técnica suficiente para não nos safarmos apenas com button mashing. Outra novidade muito interessante foi a expansão das arenas. Agora já não temos o conceito de ring-out nem as danger zones do primeiro jogo (excepto no modo survival para a PS2) , mas sim a possibilidade de ir explorando novas áreas, como estarmos a lutar no terraço de um edificio e atirarmos o nosso oponente para o piso debaixo, com o resto do combate a desenrolar-se aí. Torna os combates mais dinâmicos!

Os combates Tag Team permitem alguns golpes especiais em que 2 lutadores colaboram
Os combates Tag Team permitem alguns golpes especiais em que 2 lutadores colaboram

Para além desse modo história, vamos dispondo de muitos outros modos de jogo, como o tradicional versus para 2 jogadores, o time attack para quem gosta de tentar ser o mais rápido possível a vencer uma série de 8 combates, o tag team que permite ter equipas de 2 contra 2, sendo possivel alternar entre lutadores a qualquer altura. Aqui também é interessante denotar que podem jogar até 4 jogadores em multiplayer, tanto na Dreamcast como na PS2 – aqui com recurso ao multitap. Existem também outros modos de jogo como o Team Battle Mode que nos permite construir pequenas equipas de lutadores e colocá-los à pancada de forma sequencial, o Sparring que é na verdade um modo de treino e por fim o Watch Mode que como o nome indica serve apenas para ver o CPU à porrada entre si. A versão PS2 inclui ainda uma série de conteúdo desbloqueável, incluindo uma galeria de imagens em CGI de várias personagens femininas do jogo. Tinha de ser…

Graficamente é um jogo impressionante para a época, com personagens e arenas muito bem detalhados
Graficamente é um jogo impressionante para a época, com personagens e arenas muito bem detalhados

Graficamente é um jogo impressionante, tanto na Dreamcast como na Playstation 2. A primeira versão do Dead or Alive 2 da PS2 foi um tanto polémica pois foi um jogo de lançamento da consola e pelo que o Itagaki diz, a versão que saiu para as lojas estava ainda inacabada, com gráficos algo inferiores à versão Dreamcast. Com o lançamento do Dead or Alive 2 Hardcore nos E.U.A e Europa para a PS2 (aqui apenas chamada de apenas Dead or Alive 2), os grafismos já foram melhorados. Os puristas e fãs die hard da Sega ainda assim afirmam que a versão Dreamcast continua ligeiramente melhor que a PS2 na fluídez e gráficos, mas sinceramente, se realmente houverem diferenças essas são mínimas. Os gráficos estão muito bons, com arenas bem detalhadas e as personagens ainda mais. Já o Dead or Alive original impressionava com as físicas das roupas e cabelos ao vento (já para não falar das físicas dos peitos que ainda estão aqui mais aprimoradas – culpem o Itagaki). As músicas também têm todas uma sonoridade bem rockeira que me agrada bastante e o voice acting é possível manter o original em japonês com legendas em inglês (e no caso da versão europeia com outras línguas também). É algo que me agradou bastante também, porque prefiro de longe o voice acting japonês nestes casos.

Mediante a versão que joguem, terão mais ou menos uniformes alternativos para desbloquear
Mediante a versão que joguem, terão mais ou menos uniformes alternativos para desbloquear

Em suma, acho este Dead or Alive 2 um belíssimo jogo de luta, tanto no seu aspecto visual, desde os gráficos e detalhes propriamente ditos dos cenários e personagens, como para o design de menus e de mensagens no jogo. A jogabilidade também é bastante agradável e contém imensos modos de jogo diferentes bem como conteúdo desbloqueável, o que também é sempre uma nota positiva. Mas não deixa de ser um jogo com versões algo confusas. A versão Dreamcast japonesa é superior à Europeia em conteúdo (incluindo também suporte a jogo online), e apesar da versão PS2 Japonesa original ter sido tecnicamente inferior à Dreamcast, posteriormente a Tecmo relançou no Japão a versão Dead or Alive 2 Hard*Core com ainda mais conteúdo adicional. Como se não bastasse, a Tecmo lançou alguns anos mais tarde a versão Dead or Alive Ultimate, que contém remakes do primeiro e segundo Dead or Alive, com melhores gráficos e ainda mais conteúdo extra. Confusos? Eu também. Mas são todos bons jogos.