Syphon Filter (Sony Playstation)

Syphon FilterVoltando à primeira consola da Sony, para uma análise a um jogo muito interessante, que por alguma razão a Sony decidiu assumir que a franchise deixou de existir a partir do momento em que lançaaram a PS3. Syphon Filter é um jogo de acção, com uma ênfase maior em missões “black ops” com a sua dose “quanto baste” de momentos de infiltração e com uma componente de exploração que vai buscar as suas ideias a jogos como Tomb Raider. E este jogo entrou na minha colecção algures durante o verão do ano passado, após ter sido comprado a um particular por um preço que oscilava entre os 4 e os 6€, pois foi comprado em bundle.

Syphon Filter - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual

Em Syphon Filter tomamos o papel de Gabe Logan, um agente secreto que tabalha para a “The Agency”. Ora Logan e a sua companheira Lian Xing já há algum tempo que andavam atrás de um certo terrorista (Erich Rhoemer), que acreditavam ter desenvolvido uma poderosíssima arma biológica. Enquanto o procuravam, Rhoemer e o seu grupo desencadearam um ataque terrorista em plena capital norte-americana, colocando-nos assim no seu encalço. A história vai evoluindo para outros locais, em especial na europa de leste, onde nos infiltraremos em várias bases militares do grupo terrorista, onde as suas armas biológicas estavam a ser desenvolvidas. Como em qualquer filme de espionagem, esperem também pelas habituais reviravoltas.

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O sistema de lock-on dá muito jeito.

A jogabilidade mistura vários géneros de jogos, como o stealth de Metal Gear, o tiroteio em terceira pessoa de jogos como Duke Nukem Time to Kill e a exploração de cenários tridimensionais, mas muito “quadrados”, tal como nos Tomb Raider clássicos. Temos várias missões a desempenhar, algumas em que o stealth não é assim tão importante, obrigando-nos a ter de decimar uma série de bandidos espalhados pelos níveis, já noutros é fundamental, onde teremos de dar uso às nossas armas com silenciadores ou a fiel sniper rifle, que aqui é utilizada no modo de primeira pessoa. Outras missões incluem também cenas em que temos de escoltar alguém importante ou seguir um determinado cientista sem sermos apanhados, o que poderá exigir algumas retries. Logan é também um agente muito versátil, sendo capaz de várias acrobacias como rebolar no chão para fugir a fogo inimigo, andar agachado de forma a passar despercebido e tem também algum atleticismo para dar uns saltos valentes e escalar algumas superfícies, tal como Lara Croft. O combate é bem executado e Logan possui um vasto arsenal à sua disposição, com cada vez mais armamento à medida que vamos progredindo no jogo. Vários tipos de revólveres, armas automáticas, shotguns, tazers, ou explosivos estarão à nossa disposição. Para disparar podemos sempre utilizar o mecanismo de “lock”, não perdendo nunca o inimigo à escolha de vista. Headshots são também possíveis e recomendados para irmos passando o jogo com mais algum à-vontade, visto muitos inimigos também terem vestidos coletes à prova de bala.

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O menu onde podemos ver o mapa, os objectivos actuais e rever o briefing inicial da missão.

Os níveis vão sendo bem variados, atravevessando áreas urbanas, uma enorme igreja e suas catacumbas, áreas mais industriais ou militares, sendo por vezes bem grandinhos ou labirínticos. Felizmente existe um menu onde teremos acesso ao mapa da missão actual, em conjunto com outras informações como os objectivos ou o briefing inicial. Isso  e os cenários serem muito escuros, mas isso já não é algo que me incomode assim tanto. No geral a nivel gráfico Syphon Filter é um jogo competente dentro dos possíveis e das limitações da consola. As personagens e cenários estão bem detalhados e com mais polígonos do que eu estaria à espera. Os níveis em si são muito “quadrados” tal como em Tomb Raider mas lá está, era algo que fazia parte daqueles tempos. O voice acting é minimamente competente, embora a história por detrás deste jogo não me tenha motivado assim tanto, não deixando de qualquer das formas de não ser má de todo. As músicas também confesso que não são memoráveis, mas adaptam-se bem à atmosfera do jogo, sendo mais tensas em missões com um maior nível de infiltração, ou mais mexidas noutras situações em que passemos um maior perigo, por exemplo.

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A maior parte das cutscenes utilizam o motor gráfico do jogo, mas outras usam gráficos CG.

No fim de contas acho este mais um óptimo jogo da biblioteca da Sony, tendo sido o início de uma franchise que trouxe ainda mais 2 jogos para a plataforma, sendo o último deles lançado já com a Playstation 2 na zona. Após mais uns 3 lançamentos divididos entre a Playstation 2 e Portable, a série caiu no esquecimento para a Sony o que acho estranho, pois encaixa que nem uma luva com o conceito de muitos jogos de acção modernos. Talvez veremos algo para  a PS4, que não antes de 2018 eu deverei comprar.

Wip3out (Sony Playstation)

Wip3outDe volta para a primeira consola da Sony, para a quarta iteração de uma série que infelizmente nos dias que correm me parece caminhar para o limbo. Wip3out, ou para os americanos Wipeout 3 – espera lá, não disseste que era o quarto jogo da série, perguntam vocês – sim, pois entretanto tinha saído o Wipeout 64 para a consola da Nintendo. Este jogo saiu já no ano de 1999, altura em que um estúdio competentíssimo como a Psygnosis já não guardava segredos com o hardware da Playstation, sendo o produto final um resultado tecnicamente impressionante e do ponto de vista de jogabilidade também. Foi comprado há coisa de um mês a um particular por cerca de 5/6€, onde infelizmente a caixa apresentava imensos danos e foi eventualmente substituída.

Wip3out - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como os jogos anteriores, este Wip3out decorre num futuro onde corridas a alta velocidade com naves que planam pelo ar e com recurso a armas destrutivas são perfeitamente permitidas no meio de grandes cidades e não só. Dispomos de bastantes modos de jogo diferentes, onde poderemos desbloquear uma série de circuitos e naves adicionais mediante a nossa performance nas corridas. Desses temos o Single Race que é auto explanatório e podemos escolher qualquer circuito ou nave que já tenhamos desbloqueado anteriormente nesse modo de jogo, para além de existirem também vários graus de dificuldade. O Time Trial coloca-nos sozinhos (ou contra a nossa nave fantasma) a correr num circuito sem armas ou checkpoints onde o único objectivo é alcançar o melhor tempo possível. Dentro dos Challenges temos 3 tipos diferentes de desafios: O Race Challenge exige que terminemos em primeiro lugar num circuito, o Time Challenge obriga-nos a bater um determinado tempo prédefinido e o Weapon Challenge obriga-nos a eliminar, com recurso às armas que vamos ganhando à medida que navegamos nos circuitos, uma série de oponentes. Por fim temos o Combo Challenge que nos exige tudo dos outros 3 desafios.

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Os menus são completamente minimalistas e funcionais. Ah, e o jogo tem um suporte nativo a widescreen.

Para além do mais ainda temos o Elliminator, que é uma espécie de deathmatch, onde o objectivo é fazer X pontos e o primeiro que o fizer vence a prova. Os pontos são ganhos cada vez que eliminamos um oponente ou completamos uma volta. Por fim temos o Tournament onde o objectivo é fazer o máximo de pontos possível em cada corrida, onde os primeiros 3 lugares dão direito a medalhas de ouro, prata ou bronze. Para além do mais temos ainda a vertente multiplayer, que tanto pode ser jogada no single race, elliminator ou tournament. De resto este é um jogo que começa relativamente fácil, mas rapidamente o grau de dificuldade sobe à medida que nos vamos aventurando por graus de dificuldade mais elevados. Os controlos são bons, mas com a enorme velocidade (aqui excelentemente representada) e circuitos por vezes com curvas apertadas e outros obstáculos, exigem alguma maestria dos controlos avançados, como utilizar os air brakes laterais para curvas mais apertadas ou tirar partido do hyperthrust para andar ainda mais rápido. Para nos ajudar temos ao nosso dispor vários itens que podemos apanhar nas corridas que tanto podem ser armas, como vários tipos de mísseis ou minas, ou mesmo powerups que nos deixam temporariamente invisíveis, com um escudo ou a função de autopiloto, bastante útil em alguns troços de alguns circuitos. De resto, existindo armas é também normal que exista alguma protecção e de facto temos uma barra de energia que vai sendo diminuída cada vez que sofremos dano, sejam de armas ou colisões, podendo ser regenerada ao passar por uma espécie de “boxes”, trechos secundários dos circuitos, como se vê nos F-Zeros.

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Estes rastos de luz sempre me fascinaram desde o primeiro jogo

Enquanto a dificuldade deste Wip3out poderá alienar muitos jogadores, é difícil ficar indiferente a tamanha fluidez, sensação de velocidade e bons gráficos que este jogo nos proporciona. As naves e os circuitos estão muito bem representados e mesmo com as velocidades estonteantes que por vezes corremos, a draw distance porta-se bastante bem. O framerate do jogo não me deixou com razões de queixa, não me lembro de ter havido algum slowdown das vezes que joguei e a sensação de velocidade está muito bem conseguida, bem como a alta resolução a que o jogo corre (e o suporte nativo a widescreen que não sei que mais outro jogo da PS1 suporte). O design aparentemente foi todo renegado para uma empresa profissional da área, resultando nuns menus extremamente fluídos e com um aspecto bastante futurista, algo que não é de todo novo nos WipEout, mas aqui ficou muito melhor. Mesmo a informação presente durante as corridas me parece muito atractiva, e o mesmo pode ser dito dos ícones que representam os powerups/armas que apanhamos, estão muito cuidados e no aspecto visual este é um jogo muito consistente. Os efeitos sonoros também são bons e bastante futuristas, como a voz automatizada que nos informa os powerups que apanhamos. As músicas mais uma vez apostam numa onda bem techno que, não sendo de todo “a minha cena”, tenho de admitir que está mais uma vez uma banda sonora coesa e que se adequa perfeitamente ao estilo do jogo.

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As pistas estão bem desenhadas e são em locais variados

Por fim, e apesar deste Wip3out me parecer ser o melhor da série nesta era Saturn/PS1/N64, para nós europeus ainda tivemos direito a um brinde extra que recomendo a todos a sua compra se a oportunidade vos surgir. Wip3out Special Edition é uma reedição do mesmo jogo lançada em 2000, que contém todo o conteúdo desta versão normal, bem como a reintrodução de 8 circuitos dos 2 jogos anteriores da Playstation (3 do primeiro WipEout, 5 do WipEout 2097), mais 2 circuitos protótipos, alguns melhoramentos ao jogo como um todo e por fim multiplayer para 4 jogadores com recurso a 2 TVs e Playstations, ligadas com o Link Cable.

Bushido Blade (Sony Playstation)

Bushido BladeVamos para mais uma análise, desta vez de um jogo muito original da primeira Playstation, embora o resultado final ainda não é tão refinado quanto o conceito do jogo o merecia, na minha opinião. Isto porque este é um jogo de luta 1 contra um onde não existe qualquer limite de tempo ou barra de vida, pois lutamos com armas brancas e, tal como na realidade, com apenas um golpe o resultado poderia fatal. E este jogo foi comprado algures no verão do ano de 2013 na feira da Ladra em Lisboa. Creio que me custou algo entre os 4 e os 6€, e apesar de estar completo, o jogo poderia estar em melhores condições.

Bushido Blade - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual

A história como sempre não é o mais importante neste tipo de jogos, mas sim a sua jogabilidade. Essencialmente o jogo decorre na era moderna japonesa, onde numa centenária organização de assassinos escolhemos uma das personagens que terá a mesma história ao longo do jogo, apenas com algumas variações. A nossa personagem escolhida torna-se num fugitivo do clan de assassinos (Kage) e, devido a ter demasiados conhecimentos dessa organização secreta, o líder do clã ordena a todos os seus súbditos, sob pena de morte, que persigam esse fugitivo e o abatam. Sendo assim, nós iremos combater contra todos os nossos antigos colegas, até chegarmos ao próprio líder do clã, com a história a desenrolar-se com breves cutscenes entre os combates.

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Podemos cortar alguém nas pernas, deixando-o em séria desvantagem no resto do combate

Cada personagem não possui grandes diferenças no seu modo de lutar, é certo que temos personagens mais fortes ou mais ágeis que outras, mas a grande diferença está no tipo de arma que escolhemos, onde algumas personagens têm também diferentes preferências neste campo. Daqui podemos escolher uma arma branca dentro de várias, como as tradicionais armas japonesas como a katana, nodachi ou mesmo espadas europeias, como a rapier, ou a broadsword. Cada arma tem diferentes características, como o seu peso e comprimento da lâmina, o que nos permite atacar com maior ou menor alcance, mas também se a arma for demasiado leve, pode-nos trazer dificuldades a bloquear golpes. Após escolhermos a arma somos então largados no jogo, onde somos presenteados com um sistema de combate único, podendo lançar golpes altos, médios e baixos e o mesmo se aplica à pose que podemos adoptar. Obviamente que também temos um botão para bloquear ataques, o que será necessário pois a qualquer momento podemos receber um golpe fatal. E é aqui que entram as minhas queixas pois muitas vezes parece que acertamos mesmo em cheio no tórax de alguém e nada acontece, enquanto noutras acabamos por matar o oponente sem saber muito bem onde lhe acertamos. É certo que podemos inutilizar os seus braços ou pernas, mas lá está, a hit detection parece-me ainda algo verdinha. Bushido Blade, tal como o nome sugere, obriga-nos a seguir o código Bushido, lutando honradamente, e se não o fizermos podemos ser penalizados e o jogo terminar mais cedo. Isso acontece quando atacamos alguém por trás, ou quando está no chão, por exemplo.

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Este é o ecrã de selecção de armas, onde uma jovem com o seu kimono nos entrega a arma escolhida nas mãos

Outros modos de jogo, para além do tradicional versus para dois jogadores, temos também um modo de treino, uma espécie de survival onde temos de enfrentar 100 ninjas consecutivamente e um estranho modo de jogo que é inteiramente passado na primeira pessoa. De resto, convém também dizer que uma das coisas que mais gostei neste jogo é o facto de as arenas não serem limitadas. Embora em cada round começamos a acção numa parte específica de um enorme castelo feudal do tradicional japão, podemos explorar livremente todos os exteriores desse castelo, subindo muros, atravessando túneis, riachos ou pequenas florestas de bambu onde podemos inclusivamente rachar ao meio essas canas.

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Se fizermos muitas acções desrespeitosas “vamos para casa mais cedo”.

Infelizmente os gráficos não são os melhores, até porque muitas vezes apenas vemos “quadrados” de parte dos cenários, para além de as texturas não terem lá muito detalhe e os loadings serem consideráveis entre cada secção. Mas não deixa de ser uma boa ideia. E o facto de o jogo ser passado no Japão moderno também retira-lhe algum charme, creio que teria sido muito mais interessante se não houvessem esses modernismos e as personagens estivessem mais fielmente representadas a esse período feudal. De resto gostei do detalhe de, se formos sofrendo muitos golpes, nos combates seguintes e até ao final do jogo vamos lutando com algumas ligaduras, sejam em braços, pernas ou mesmo na própria cabeça. Mas não consegui reparar se isso nos deixa mais debilitados de alguma forma. De resto as músicas são boas, indo buscar muitas melodias tradicionais japonesas que se adequam perfeitamente ao estilo do jogo. O voice acting e a história no geral, apesar de não ser o melhor que já vi e ouvi, é de louvar terem deixado as vozes originais japonesas com respectivas legendas.

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O modo de primeira pessoa para além de ter uns controlos complicados, acaba por ser mesmo estranho.

No fim de contas este Bushido Blade é para mim um jogo bastante original, sendo ainda mais surpreendente o facto de ter sido editado pela Squaresoft, empresa bem mais vocacionada para os RPGs, mas que no entanto não é assim tão estranha aos jogos de luta, os Tobal ou Ergheiz que o digam. Mas apesar de toda a sua originalidade dos golpes fatais, creio que as mecânicas de jogo ainda deveriam ter mais refinadas, bem como o leque de lutadores deveria ser maior na minha opinião, pois seis sabe-me a pouco. Existe uma sequela, Bushido Blade 2, que infelizmente não chegou a solo europeu, mas estou curioso para ver que melhoramentos ou evolução fizeram na fórmula com esse jogo.

Duke Nukem: Land of the Babes (Sony Playstation)

Duke Nukem Land of the BabesVamos lá continuar nas consolas de 32bit, mas agora indo para a concorrência para mais um jogo da primeira Playstation. Sequela de Duke Nukem Time to Kill que por sua vez já era um jogo de acção na terceira pessoa, este Land of the Babes foi também desenvolvido pela mesma N-Space, utilizando a mesma fórmula de jogabilidade do anterior, mas com uma série de melhorias. O que continua é a violência gratuita, humor negro e conteúdo sugestivo, o que para mim nunca representou nenhum problema! O jogo entrou na minha colecção no mês passado, após ter sido comprado por um particular, tendo-me custado algo em torno dos 6€ se a memória não me falha.

Duke Nukem - Land of the Babes
Jogo completo com caixa, manual e papelada

E este Duke Nukem começa da mesma forma que muitos outros, com Duke num clube de strip a mandar uns canecos abaixo, como qualquer homem que se preze até que surge uma jovem rapariga de um portal, seguida por dois pigcops que a assassinam. Claro que Duke não se deixa ficar e enche-os logo de chumbo, entrando no portal para tentar perceber o que se passa. E o que se passava é que esse portal o levou para a Terra no futuro, onde mais uma vez foi invadida pelos aliens que dizimaram toda a população masculina do planeta, começando depois a raptar todas as mulheres e vendê-las como escravas pela galáxia fora. Mas no meio daquele caos ainda havia resistência, através do movimento UBR (Unified Babe Resistance – sim, preparem-se para muitas tiradas destas), um movimento todo feminino que conseguiu arranjarem maneira de viajar no tempo de forma a pedir a ajuda de Duke. O resto não é nada difícil de imaginar e para quem vir o final do jogo verá uma das coisas mais cheesy de sempre, mas que fazem todo o sentido no universo Duke Nukem.

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Durante o jogo podemos resgatar muitas “babes” e logo no ecrã título isso é esfregado na nossa cara, não vá o jogador se esquecer de tal nobre objectivo!

O Duke Nukem Time to Kill foi um jogo em que eu tirei muitos paralelismos aos Tomb Raiders clássicos, com os seus controlos arcaicos, movimentos similares (saltos, agarrar-se em fendas, penhascos, nadar e por aí fora), com muita exploração e platforming À mistura, mas também com uma dose de acção bem maior, afinal era um Duke Nukem. Este Land of the Babes segue o mesmo caminho. Mas ainda assim não deixa de ter algumas coisas novas como o sistema de saúde. Aqui para além dos habituais power ups regenerativos de health points, Duke recupera saúde cada vez que conseguir matar um inimigo – os chamados “ego boost”. Isso acabou por tornar o jogo mais fácil de um ponto de vista meramente de combates, até porque existe também um botão para o autoaim, para além de podermos também utilizar uma perspectiva de primeira pessoa apenas para disparar. De resto, tal como disse no início, podem sempre esperar níveis que requerem alguma exploração, nem que sejam as buscas habituais de chaves ou outros items necessários para completar o jogo.

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Há algo neste jogo que eu não gostei muito. O design dos novos inimigos. Ratazanas falantes e Pigcops mutantes com macacos não foi grande escolha.

Para quem estiver habituado ao arsenal do Duke clássico, aqui também verá muitas armas familiares, a começar pelas “almighty boots”, que para além servirem para dar uns valentes pontapés, também servem para abrir portas “Duke style“. De resto, caçadeiras, metralhadoras, lança rockets, ou outras armas futuristas também marcam presença, assim como uma sniper rifle que podemos tirar partido do seu zoom, ou as habituais pipebombs, a shrinker e a freezer, armas que tornam os inimigos do tamanho de pequenos ratos, ou os congelam, respectivamente. De resto, para além do modo campanha, este jogo traz também um pequeno modo multiplayer, um Dukematch para 2 jogadores. Pobrezinho, mas já é algo. Também existe um modo de treino onde podemos practicar as habilidades de Duke, sejam os seus movimentos ou a nossa pontaria numa galeria de tiro – mais uma tirada à série Tomb Raider clássica.

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Existem algumas cutscenes em CG no jogo, claro que a típica cutscene no bar de strip teria de acontecer

Graficamente é um jogo competente, dentro dos possíveis ditados pelo hardware da máquina 32bit da Sony. Comparativamente ao Time to Kill, as personagens no geral, sejam inimigos, as babes ou o próprio Duke estão mais bem detalhadas e a nível de detalhe e texturas no geral este jogo representa um melhor papel. Como sempre podemos contar com as bocas foleiras que Duke manda para os aliens, os piropos para as mulheres, ou bitaites para o ar só porque sim. Quem gostou de Duke Nukem 3D poderá ouvir aqui algumas boas piadas mas por outro lado também já me soaram um pouco forçadas. A música como sempre tem uma toada mais hard rock como manda a lei e isso agrada-me. No fim de contas este é um jogo que não é nada mau e para os que na altura gostaram do Time to Kill ou mesmo do Zero Hour da Nintendo 64, certamente não irá desgostar deste jogo. Claro que teremos de ter em conta que muitas das mecânicas de jogabilidade e controlos hoje em dia estão ultrapassados, já para não falar do habitual 3D ainda cru que as consolas de 32bit nos proporcionaram.

Tintin: Destino Aventura (Sony Playstation)

TintimVamos voltar agora às rapidinhas para uma análise a um jogo que não é lá muito longo para a Playstation 1. Tintin: Destination Adventure é um jogo de plataformas sobre o intrépide repórter da imaginação de Hergé e é um daqueles jogos com lançamento exclusivo europeu no PC e Playstation 1, já no ano de 2001. Foi comprado na cash de S. Sebastião em Lisboa há uns bons meses atrás, numa altura em que lá fui com o amigo Ivan Cordeiro, tendo-me custado algo em torno dos 4 a 6€, não me recordo ao certo. Até foi o próprio Ivan que me recomendou o jogo ao dizer que é um jogo incomum e não é mau de todo. E realmente ele estava certo, o jogo não é mau de todo e a tiragem com a capa em inglês “Tintin: Destination Adventure” é de facto bastante rara e costuma sempre ser vendida a preços relativamente altos em ebays e afins. Esta é a edição com capa em espanhol/português, aparentemente bem mais comum, mas nada que me incomode.

Tintin Destino Aventura - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual

Essencialmente o jogo coloca-nos numa sala onde o Professor Girassol em conjunto com Tintim, o Capitão Haddock e várias outras personagens do universo Tintim, tenta apresentar a sua mais recente invenção que sinceramente não percebi muito do que se trata, a não ser mesmo uma TV a cores. De qualquer das formas a coisa dá para o torto, mas depois lá acabam todos a ver essa TV a mostrar as memórias de algumas das aventuras do repórter e o seu fiel cão Milu. Vamos então jogar vários níveis inspirados em livros como A Ilha Negra, Explorando a Lua, ou Voo 714 para Sydney, por exemplo.

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Especialmente nos primeiros níveis, o Milu vai aparecendo para dar umas dicas

A jogabilidade é a de um jogo normal de plataformas, na maior parte das vezes do jogo pelo menos. Apesar de os níveis estarem todos representados em 3D, a jogabilidade não deixa de ser a de um sidescroller em 2D. Ainda assim, alguns níveis têm caminhos alternativos que usam um bocadinho o 3D, mas só mesmo nessa fase de transição. Por exemplo, podemos estar a atravessar um edifício e passar ao lado de um corredor. Podemos depois nos encaminhar para lá, mas a câmara depressa nos coloca novamente numa perspectiva de um sidescroller em 2D. Mas temos também uma série de níveis em que conduzimos veículos num caminho 3D, seja um barco, jipe, avião, entre outros. Tanto nos níveis de plataforma como nos de condução podemos apanhar uma série de tokens do Milu e, se apanharmos tokens suficientes, poderemos depois jogar um nível bónus em cada capítulo com o próprio Milu, onde temos de procurar um determinado número de ossos num intervalo de tempo. Para além disso ainda temos os bosses de cada capítulo que infelizmente poderiam ser melhores. Isto porque todos os combates se dão em salas circulares, com o boss no centro, estático a maior parte das vezes e apenas temos de correr em círculos para fugir dos seus ataques, e atacar no momento certo.

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Infelizmente controlar os veículos por vezes é mais frustrante do que deveria

De resto, e voltando aos níveis de plataforma que são os mais comuns ao longo do jogo, Tintim tem comandos simples, com um botão para saltar, outro para atacar, usar a máquina fotográfica para que, com o flash, paralizem temporariamente os inimigos (ou os assustem se forem pássaros). O problema é que infelizmente o jogo não responde bem aos controlos. Atacar, saltar ou especialmente balancear num ramo de árvore, por exemplo, vai-nos causar muitas frustrações. O mesmo quando temos de conduzir algum veículo, os controlos deveriam responder melhor e é este o grande defeito do jogo na minha opinião, pois tudo o resto é bonitinho e o jogo tinha potencial para ser melhor.

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As cutscenes são em CGI, sinceramente preferia que fossem animadas no estilo clássico do Tintim

Graficamente falando é um jogo bastante colorido e apresenta um bom nível de detalhe, considerando que estamos a falar de uma consola da geração 32bit, com as suas notórias limitações. O único nível em que realmente achei que os gráficos poderiam e deveriam ser melhores é no nível onde conduzimos um jipe pelo deserto, mesmo pelo meio de uma tempestade de areia. Aí a nossa visibilidade é quase nula, e acabamos por bater em tudo quanto é sítio. É óbvio que é suposto a visibilidade numa tempestade de areia ser muito reduzida, mas ainda assim o resultado final não é lá muito bonito para as vistas. A música é bastante agradável e variada, adequando-se bem aos diferentes níveis, por exemplo n’A Ilha Negra ouvimos uma agradável melodia escocesa, enquanto Tintim por sua vez também tem uma fatiota tradicional vestida. O voice acting também é bem competente, onde no início de cada nível ouvimos Tintim e o Capitão Haddock a falar um pouco do que aconteceu nas suas aventuras. Não sei se usa os actores que deram as vozes em inglês nas animações do Tintim, mas soaram-me familiares.

E pronto, Tintim: Destination Adventure é um joguinho interessante, em especial para quem é fã da popular série de banda desenhada belga, como eu. Para além de ter níveis com uns óptimos detalhes visuais e uma boa música a acompanhar, apenas peca por alguns problemas com os controlos que dificultam bastante os saltos ou atacar os inimigos, o que num jogo de plataformas acaba por ser crucial. Ainda assim não deixo de recomendar a sua compra se o virem relativamente barato como eu, até porque não é um jogo que se vê por aí todos os dias.