Blood Omen: Legacy of Kain (Sony Playstation)

Ora cá está o primeiro jogo de uma série que sempre me despertou o interesse mas que até agora ainda não lhe tinha pegado. Esta série que decorre no mundo fantasioso de Nosgoth sempre me interessou pela sua temática mais dark fantasy, mas o primeiríssimo jogo da série, este Blood Omen, já na altura não era um jogo lá muito barato. Algures em 2017 acabei por comprar antes uma versão norte-americana directamente do ebay.com. Felizmente não me ficou retida em alfândega, pelo que consegui ficar com o jogo a um preço um pouco mais barato (mas não por muito) do que teria de gastar se quisesse uma versão PAL UK deste jogo. Ainda assim, desde 2017 que a minha colecção tem vindo a crescer consideravelmente e o tempo disponível para jogar nem sempre foi o melhor pelo que este jogo foi acabando por ficar em backlog como muitos outros. Mas eis que recentemente os meus amigos do The Games Tome me desafiaram a jogá-lo no âmbito da nossa rubrica Backlog Battlers. Como faço sempre que trago cá um jogo dessa rubrica, deixo-vos o vídeo onde falo dele:

E então no que consiste este jogo? Pensem num jogo de acção com uma perspectiva vista de cima e mecânicas muito ligeiras de RPG, onde controlamos nada mais nada menos que um vampiro chamado Kain. A história não é muito simples de resumir, mas digamos que controlamos um nobre que havia sido assassinado e ressuscita como um vampiro. A sua missão é a de procurar vingança por quem o assassinou, mas também perseguir uma série de poderosos feiticeiros que controlavam Nosgoth. No entanto, à medida em que vamos avançando na história, Kain parece gostar cada vez mais dos seus poderes vampirescos…

Jogo com caixa e manual embutido com a capa. Versão NTSC americana.

E este é então um jogo de acção com uma perspectiva vista de cima e um mundo algo aberto, apesar do seu progresso ser linear, visto que algumas localizações apenas estarão disponíveis após desbloquearmos certos poderes ou habilidades. Sendo nós um vampiro, é esperado que as mecânicas de jogo sejam um pouco diferentes do habitual e de facto o são. Nós teremos de ter em conta dois medidores à direita do ecrã, o de cor vermelha é o medidor de sangue, que também funciona como medidor de vida e o de magia, com a cor azul. O medidor de sangue está constantemente a ir diminuindo, mesmo quando não sofremos dano, pelo que teremos de ter a preocupação constante de nos alimentarmos, sejam inimigos humanos, animais ou simplesmente cidadãos inocentes. Por outro lado, a barra de magia vai-se regenerando com o tempo. Existem no entanto criaturas com sangues de outras cores, como os espíritos com sangue azul (que nos restabelecem a magia), preto que é sangue tóxico e verde que também não é bom e acelera a taxa de perda de sangue, pelo que teremos de ter algum cuidado em quem nos alimentamos.

Saudades destes CGIs de antigamente!

À medida que vamos avançando no jogo iremos ter acesso a vários tipos de feitiços diferentes, desde iluminar zonas escuras, disparar projécteis de energia, até feitiços poderosos que invocam tempestades ou sugam o sangue de todos à nossa volta (o que uma vez mais deve ser utilizado com cuidado). Outros feitiços como controlar temporariamente um dos nossos inimigos será também aprendido e será necessário para ultrapassar alguns dos puzzles em que teremos pela frente nas várias dungeons que iremos explorar. Iremos também encontrar vários itens que poderemos utilizar no combate ou exploração, como vários outros ataques mágicos ou itens regenerativos. Para além disso iremos também desbloquear toda uma série de novas armas e armaduras que poderão trazer novas habilidades (e desvantagens também), como é o caso dos machados duplos, que por um lado nos permitem executar ataques rápidos e até desbloquear certos caminhos ao mandar árvores abaixo, mas como precisamos de usar ambas as mãos, deixamos de conseguir utilizar feitiços ou magias. Para além de tudo isto vamos ter a possibilidade de executar certas transformações, como a de um animal ágil e que consegue saltar (e alcançar zonas previamente inalcançáveis), um morcego que nos permite fazer fast travel entre certos pontos no mapa que vão sendo desbloqueados, uma forma etérea que nos permite atravessar paredes ou caminhar sobre a água ou uma forma humana que nos permite interagir com outros NPCs humanos de forma mais segura. Para além de tudo isto vamos também poder descobrir certos locais secretos onde poderemos melhorar muitas das nossas habilidades como ter mais força e resistência a dano de certos elementos como chuva ou neve. Ou convém também referir o ciclo de dia e noite, onde à noite os nossos ataques são bem mais poderosos!

Todos os itens/equipamento/feitiços que iremos desbloquear surgem na forma destas cartas. E se for o primeiro do tipo, Kain irá descrevê-los para nós. Este item em concreto serve para regenerar a nossa barra de sangue/vida.

A nível de controlos, o direccional movimenta Kain e o quadrado serve para atacar, o X para usar o feitiço ou item que esteja equipado no momento, o círculo é um botão de acção que é raramente utilizado (pode ser usado para falar com outros NPCs se estivermos com a forma humana) e o triângulo é botão que nos permite alternar entre as várias transformações disponíveis. O botão L1 permite-nos ampliar ou “desampliar” a câmara, enquanto o L2 mostra-nos um mapa do local onde estamos no momento. Os botões R1 e R2 são atalhos para escolher que magias ou itens queremos ter equipados no momento.

Ao longo do jogo iremos desbloquear estes checkpoints que servem de pontos de fast travel na nossa forma de morcego. Óptimos para revisitar zonas antigas quando adquirimos novas habilidades

Até aqui tudo bem, este Blood Omen é um jogo de facto cheio de ideias interessantes e originais, mas infelizmente a sua execução não é de todo a melhor, a começar pelos loadings frequentes e demorados. Só pausar/retomar o jogo leva-nos a loadings consideravelmente longos e infelizmente os controlos também têm alguns problemas. O primeiro, e o mais problemático para mim, é o facto de as mecânicas de detecção de colisões serem consideravelmente más neste jogo. Para além de os nossos ataques serem algo lentos, temos de estar a uma distância e ângulo muito distintos para que os nossos ataques surtam efeito, o que é frustrante visto que vão haver alturas onde seremos cercados e os itens de ataque, apesar de poderosos, devem ser utilizados com alguma moderação. Os saltos com a nossa forma de animal nem sempre respondem bem, o que também nos pode levar a sofrer dano desnecessário em certas ocasiões, como quando precisamos de atravessar um fosso de espinhos, por exemplo. Os outros problemas graves que este jogo tem são os seus problemas de performance. Uma sala com mais inimigos e itens que o normal e a acção abranda logo consideravelmente, principalmente se tivermos a câmara afastada.

Vamos também encontrar vários prisioneiros convenientemente localizados nas dungeons, cujo sangue pode ser sugado para recuperar vida

De resto, a nível audiovisual este é também um jogo de certa forma interessante. É extremamente violento e sangrento, quanto mais não seja pelo gore de algumas mortes em combate ou pelos inúmeros prisioneiros espalhados em certas dungeons, convenientemente localizados para servirem de refeição. Sendo este um jogo de fantasia, esperem por castelos, aldeias e cidades medievais para explorar, assim como umas quantas dungeons e paisagens mais naturais para explorar. Sinceramente não acho que o detalhe das personagens e inimigos seja absolutamente incrível para uma PS1, mas com todos os problemas de performance que o jogo tem, não daria para pedir muito mais. No que diz respeito ao som, confesso que a banda sonora me passou um pouco ao lado, contendo principalmente temas mais ambientais, embora sempre sinistros como o jogo requer. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as vozes sinceramente parecem-me muito boas, pelo menos bem melhores do que o habitual nos videojogos em 1997. Um detalhe interessante a referir é o facto de, cada vez que encontremos um item, equipamento ou feitiço novo, Kain descreve o que o mesmo faz. Quando navegamos no menu de pausa podemos também ouvir essas descrições novamente se tal o desejarmos.

No menu de pausa poderemos escolher qual o equipamento a utilizar, bem como assignar que feitiços ou itens queremos ter prontos a serem activados nos botões R1 e R2.

Portanto este primeiro Legacy of Kain é um jogo bastante original e interessante, embora ainda tenha alguns problemas que não gostei nada, nomeadamente a péssima detecção de colisões ou a performance muito má. Mas todas as ideias eram de facto originais e se há jogo que mereceria um remaster em condições, este seria um desses, o que não deverá acontecer tão cedo. É que o jogo foi desenvolvido pela já extinta Silicon Knights (Eternal Darkness) e publicado pela Crystal Dynamics. Ambas as empresas envolveram-se em litígio, após a Crystal Dynamics ter continuado a série numa direcção completamente distinta (Soul Reaver) ao que Denis Dyack e companhia envisionavam inicialmente. O mundo de Nosgoth recebeu mais uns quantos videojogos ao longo dos anos, mas é uma franchise morta na actualidade, pois o seu último título já havia saído em 2003 (propositadamente ignorando o multiplayer Nosgoth que nunca chegou a ser finalizado).

Vampire Hunter D (Sony Playstation)

Vamos voltar à Sony Playstation para mais um jogo que já tinha em backlog há bastantes anos. Vampire Hunter D é originalmente uma série de livros japoneses, inicialmente publicados no ano de 1983. Aparentemente têm sido livros bem sucedidos comercialmente, pelo que como é habitual no Japão sempre que tal acontece, não tardou muito a existirem adaptações para manga, filmes ou outras formas de media. Nos videojogos curiosamente só no ano de 1999, sendo este jogo baseado no filme Vampire Hunter D Bloodlust que até acabou por ser lançado apenas no ano seguinte. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro de 2019 numa loja no Porto, creio que me custou uns 15€.

Jogo com caixa e manuais

O setting desta série é um futuro pós apocalíptico, onde depois de os humanos se terem morto uns aos outros com guerras nucleares, a raça dos vampiros ascendeu ao poder. Entretanto muitos anos se passam e o balanço entre o que resta dos humanos e vampiros está mais equilibrado. Nós controlamos uma personagem chamada D e é o que o jogo lhe chama de dunpeal, ou seja, um híbrido entre humano e vampiro. Para além disso, D tem ainda um homunculus a viver numa das suas mãos. Sim, temos uma mão falante e com poderes especiais. Mas o objectivo propriamente dito é o de explorar um gigante castelo e resgatar uma jovem mulher que supostamente havia sido raptada por um poderoso vampiro.

A cut-scene inicial é um misto entre anime e CGI

O jogo em si tem mecânicas largamente influenciadas por Resident Evil, embora não seja necessariamente um survival horror. Quer isto dizer que o jogo possui tank controls, ângulos de câmara fixos e cenários pré-renderizados. Isso só por si não é necessariamente mau, até porque eram esquemas de controlo bastante populares na época. O problema é tudo o resto, como tentarei explicar. O botão triângulo faz com que D saque ou guarde a sua espada, o círculo é o principal botão de acção, tanto serve para atacar se a espada estiver em punho como para interagir com objectos ou apanhar itens do chão. O botão X serve para saltar e o quadrado tanto pode ser usar algum item que tenhamos equipado no momento, ou a tal mão inteligente que também tem habilidades especiais. O botão L1 serve para forçar D a caminhar em vez de correr, enquanto o L2 activa ou desactiva a funcionalidade de lock-on. O R1 é o botão de defesa e o R2 obriga D a mudar o seu lock-on para um outro inimigo. Antes de explorar melhor a parte das habilidades adicionais, vamos detalhar um pouco o que o jogo tem de mau nestes controlos.

Esta coisa é a nossa mão esquerda. Dá-nos umas dicas de como progredir o jogo e tem também alguns poderes catitas.

Bom, tirando algumas armas especiais como estacas de madeira ou granadas, D ataca sempre com a sua espada. Ou seja, num jogo com ângulos de câmara fixos e tank controls somos sempre obrigados a colocar-nos em maior perigo ao ter de atacar os inimigos de perto. Depois, os controlos mudam um pouco entre a exploração e o combate. Quando estamos locked-on num inimigo, D move-se em relação a esse inimigo, ou seja o botão cima irá sempre aproximá-lo e os botões esquerda-direita irão nos fazer caminhar em círculo à sua volta. Sinceramente eu gosto disto, mas não transita bem vindo dos controlos normais. E o facto de o jogo nem sempre nos trancar para os inimigos mais próximos também não ajuda. Há pouco referi que havia um botão para salto. D pode executar vários combos incluindo com saltos, mas uma vez mais com este esquema de controlo as coisas muitas vezes não resultam como gostaríamos. Para além de que ocasionalmente teremos alguns momentos de platforming, o que num jogo com ângulos de câmara fixos e cenários pré-renderizados é algo estúpido visto que não temos grande sensação de profundidade. Algo engraçado a mencionar é que os controlos são tão bons que ocasionalmente até os inimigos ficam perdidos e presos em paredes.

Ao escolher o item que queremos usar no inventário, este fica também equipado, pelo que poderemos continuar a utilizá-lo ao pressionar o quadrado

O que mais há aqui a referir a nível de mecânicas de jogo? Bom, temos não uma, não duas, mas sim 3 barras de energia a ter em conta. A HP é a barra de vida e esta se chegar a zero perdemos o jogo. A VP é uma barra de energia que se refere a “poderes vampíricos”. Quanto mais alta esta estiver, mais fortes são os nossos ataques assim como poderemos fazer combos mais longos. Em baixo temos uma outra barra de energia, mas esta para os poderes da tal mão esquerda com vida própria. Essa mão possui 3 habilidades distintas que podem ser regenerativas, ataques mágicos ou a capacidade de absorver inimigos enfraquecidos, regenerando assim a sua própria barra de energia. Essa barra de energia vai decrescendo constantemente, pelo que absorver inimigos acaba por ser algo que convém fazermos regularmente. Os ataques mágicos que a mão usa são diferentes, sendo mais poderosos quanto mais preenchida estiver a barra de energia do VP também. De resto poderemos também encontrar vários itens regenerativos para cada uma destas barras de energia, ou as tais armas secundárias que já mencionei acima, como granadas ou estacas de madeira.

Uma das maneiras de regenerarmos a nossa barra VP é levar com o sangue dos inimigos em cima

A nível gráfico sinceramente achei um jogo interessante. Gosto bastante do design do D e de algumas das outras personagens importantes, com bom detalhe e animações também. Os inimigos gerais já são mais básicos, mas por outro lado, gosto bastante dos cenários, pois o castelo tem uma arquitectura muito própria e característica misturando designs mais antiquados com luzes neon e outras cenas mais cyberpunk, o que resulta estranhamente bem. A banda sonora é discreta mas não a achei má de todo e o voice acting é surpreendentemente decente!

Portanto este Vampire Hunter D é um jogo que até tem algumas ideias interessantes no papel, mas infelizmente a sua execução não é de todo a melhor, principalmente nos seus controlos. Gostei bastante no entanto de toda a sua estética e o pouco que vi dos animes ainda mais interesse me despertou, irei certamente ver os filmes assim que tiver essa oportunidade!

Silent Hill (Sony Playstation)

É verdade. Até agora nunca tinha jogado nenhum Silent Hill. Há uns meses atrás decidi que na altura do Halloween deste ano ia finalmente pegar nessa série, começando pelo seu primeiro jogo na Playstation e lá o fiz. E que jogão é! Apesar de não ter sido o primeiro survival horror a ser lançado, Resident Evil foi um jogo importantíssimo na popularização do género que lhe trouxe muitos imitadores. Mas apenas 3 anos após esse lançamento, a Konami conseguiu apresentar um outro survival horror com um foco muito maior na atmosfera de terror e mesmo passados todos estes anos, Silent Hill continua a ser um jogo tão assustador e bem conseguido como em 1999. O meu exemplar foi comprado há muitos anos atrás, no antigo site leilões.net. Custou-me 7.5€, veio dos Açores e tinha chegado em excelente estado!

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa

A história leva-nos a encarnar no papel de Harry Mason, um cidadão norte-americano perfeitamente comum que estava a viajar para a pequena cidade de Silent Hill com a sua filha adoptiva (Cheryl Mason) para umas pequenas férias. Mas mesmo quando estavam prestes a entrar na cidade, Harry sofre um acidente automóvel e quando volta a si descobre que a sua filha está desaparecida, partindo imediatamente no seu encalço. Mas a pequena cidade de Silent Hill, envolta numa névoa permanente e aparentemente desprovida de qualquer presença humana, rapidamente começa a mostrar as suas verdadeiras cores: estranhas e grotescas criaturas atacam, ocasionalmente somos transportados para uma outra dimensão ainda mais opressora e os poucos NPCs que ocasionalmente vamos conhecendo ainda mais contribuem para todo o mistério.

Apesar dos perigos que corremos, vamos ter vários edifícios que poderemos explorar livremente, alguns contém valiosas provisões!

No que diz respeito aos controlos, confesso que inicialmente me custou um pouco voltar aos tank controls do passado, mas ao fim de algum tempo lá me voltei a habituar. Os controlos são então os seguintes: o direccional ou analógico esquerdo servem para controlar a personagem, com os tank controls a obrigarem-nos a que a personagem ande em frente quando pressionamos para cima, para trás ao pressionar para baixo e as direcções a rodarem Harry em ambos os sentidos. Os botões faciais servem para interagir com objectos/atacar (X), o quadrado para correr, triângulo para consultar o mapa a zona onde estamos (se o tivermos encontrado, claro) e o círculo para ligar/desligar a lanterna. Os botões L1 e R1 servem para strafing lateral, o L2 para posicionar a câmara nas costas de Harry e R2 para activar a postura de ataque, onde poderemos posteriormente atacar com o X. Start pausa e Select abre o menu onde poderemos explorar o nosso inventário, utilizar itens regenerativos, mudar de armas, entre outros. O ecrã de opções possui algumas opções escondidas e uma delas deu um grande jeito: alternar entre andar ou correr por defeito, o que eu acabei por fazer, pois sempre que possível, particularmente em áreas largas, fugia dos inimigos para conservar munições.

Como noutros survival horrors da mesma época, teremos de explorar bem os cenários em busca de objectos que nos ajudam a desbloquear certos caminhos. Alguns puzzles também.

E sim, conservar munições e itens regenerativos continua a ser uma das preocupações que teremos de ter em conta. Existem diversas armas que poderemos vir a encontrar, desde melee como facas, tubos metálicos ou machados, bem como diversas armas de fogo com munições limitadas. Há inimigos que são complicados de os atingirmos com armas brancas (aquelas criaturas voadoras particularmente), pelo que ir alternando de arma consoante as munições que temos e avaliar se cada combate vale a pena ou não, é um exercício que terá de ser feito recorrentemente. É que ocasionalmente teremos também alguns bosses para defrontar e convém ter munições e itens regenerativos suficientes para os enfrentar. De resto, lá teremos de ir explorar os cenários em busca não só de mantimentos mas também objectos como chaves ou outros que nos irão a resolver uma série de puzzles, que por sua vez nos darão acesso a novas áreas a serem exploradas.

Estas criaturas foram removidas da versão europeia do jogo por presumivelmente se assemelharem demasiado com crianças

Mas é mesmo na atmosfera que este Silen Hill brilha. A própria vila de Silen Hill coberta de nevoeiro, que é tipicamente utilizado em videojogos desta geração para mascarar a curta draw distance, acaba no entanto por fazer todo o sentido aqui, até porque oculta também uma série de perigos que inevitavelmente nos irão surpreender. O som que nos acompanha está repleto de ruído estático, sirenes ou campainhas que tocam ininterruptamente, particularmente quando temos inimigos nas nossas imediações. Ocasionalmente iremos transitar entre a dimensão “real” e uma outra ainda mais macabra, onde no lugar de solo alcatroado e paredes normais, todas as superfícies são substituídas por um metal bastante oxidado e muitas vezes adornado com decorações macabras: corpos mutilados pregados à parede, poças de sange por razão nenhuma, entre outros. O design dos inimigos é também bastante original, embora as enfermeiras ainda tenham um aspecto bem mais humano do que as que nos foram introduzidas nas sequelas. A versão europeia é ligeiramente censurada, pois há um inimigo (dos primeiros a aparecer) que parece uma criança deformada, tendo sido substituída por outro inimigo mais grotesco que apenas surge mais tarde nas outras versões. E essa tal outra dimensão é ainda bem mais escura, o que nos obriga a utilizar a lanterna para conseguirmos ver alguma coisa. No entanto a lanterna é também um chamariz para os inimigos, pelo que também aí devemos ter algum cuidado enquanto a usamos. Portanto, toda esta conjugação de factores tornam o Silent Hill num jogo que nos coloca constantemente numa atmosfera bastante tensa e de puro terror. E sim, mesmo sendo um jogo de PS1, com gráficos em 3D poligonal algo primitivos, não deixa de ser excelente na atmosfera que cria.

Esta dimensão alternativa está muito bem conseguida! E o design das várias criaturas que vamos enfrentando! Estas enfermeiras então ganham papel de destaque nos jogos seguintes!

Portanto sim, adorei jogar este Silent Hill e de facto concordo perfeitamente com o que se vai ouvindo sempre que o jogo é trazido à baila: a sua atmosfera aterradora e foco num terror mais psicológico é sem dúvida o grande diferenciador perante outros survival horrors da mesma época. E mesmo sendo um jogo com quase 25anos, continua a ser excelente naquilo que faz. Muito curioso para jogar o Silent Hill 2, que para muitos fãs é o seu preferido da série.

Puchi Carat (Sony Playstation)

Vamos voltar à Playstation com mais um interessante jogo puzzle produzido pela Taito (lançado originalmente nas arcades) e que acabou por receber conversões para vários outros sistemas, tal como é o caso desta versão Playstation. Curiosamente este é um dos casos em que um jogo nipónico acaba por ter um lançamento na Europa, mas não nos Estados Unidos. O meu exemplar veio-me parar às mãos algures no passado mês de Setembro, após me ter sido trazido do Reino Unido por um amigo.

Jogo com caixa e manual

Ora este é um jogo que mistura as mecânicas de um Bust-A-Move com as de um Arkanoid. Quer isto dizer que temos na mesma uma série de blocos coloridos a surgirem na parte superior do ecrã mas em vez de dispararmos bolas coloridas através de um canhão, temos uma plataforma que se move ao longo de um eixo onde vamos fazendo com que uma bola vá ricocheteando por todas as superfícies e destrua todas os blocos coloridos com os quais entre em contacto. Tal como nos Bust-A-Move, se conseguirmos destruir algum bloco que suporte os que estejam imediatamente abaixo de si, esses acabam por cair, o que resulta não só em mais pontos, mas também para mandarmos mais lixo para o ecrã do nosso oponente. Apesar de não termos o mesmo nível de controlo para onde queremos direccionar a bola como num Bust-A-Move, não deixa de ser um jogo bastante agradável de se jogar na mesma até porque se deixarmos a bola cair no fundo do ecrã não perdemos uma vida, mas sim teremos mais peças a surgir no topo do ecrã. E isso nem sempre é uma má notícia, pois pode ser usado com alguma estratégia. E sim, naturalmente teremos também alguns blocos especiais a ter em conta, como alguns indestrutíveis ou outros com a capacidade de destruir todos os blocos da mesma cor.

Tal como nos Puzzle Bobble / Bust-A-Move vencemos uma partida quando obrigamos o nosso oponente a ultrapassar a sua área de jogo.

E aqui temos também vários modos de jogo, quer para um jogador, quer em multiplayer. Começando pelos modos de um jogador, temos o Trial, Story, Time Attack e Rapid Mode. O primeiro obriga-nos a destruir um certo número de peças para avançar para o nível seguinte, enquanto que o modo história está dividido num modo de treino, um modo arcade e o original. O primeiro dispensa apresentações, enquanto o segundo é uma conversão fiel do modo história presente na versão arcade original, onde iremos defrontar uma série de oponentes. O modo original na verdade não é assim tão diferente do arcade, permitindo-nos no entanto decidir a ordem dos oponentes que queremos defrontar, assim como os seus “padrões de ataque” ou seja, a forma como mandamos lixo para o ecrã do adversário. O Time Attack é semelhante ao Trial, mas o objectivo é fazê-lo no mínimo de tempo possível. Por fim o Rapid Mode é uma espécie de modo endless. Não experimentei o multiplayer, mas pelo que entendi pelo manual, é apenas um modo versus para dois jogadores com algumas possibilidades de customização adicionais.

Visualmente o jogo tem o seu charme por todas as animações que as personagens vão fazendo em plano de fundo

Visualmente é um jogo 2D tal como os Puzzle Bobble/Bust-A-Move dessa época, repleto de personagens dos mais variadíssimos feitios. É no entanto um jogo com excelentes animações dessas mesmas personagens, pois estas ganham um papel de destaque na sua área de jogo, onde vão fazendo as mais variadas posturas e mandar bocas consoante a nossa performance. As músicas são agradáveis e o jogo vai tendo algum voice acting, embora esse se tenha mantido inteiramente em japonês.

Portanto este Puchi Carat é um joguinho de puzzle bem interessante e divertido, que mistura duas mecânicas de jogo inteiramente distintas. Acaba por ser uma boa maneira de nos entretermos e passar uma ou duas horas num ápice! Deixo também a curiosidade deste jogo ter recebido um lançamento especial por cá, que também incluía um comando customizado especialmente concebido para este jogo.

Crash Team Racing (Sony Playstation)

Com o sucesso de jogos como Mario Kart 64 ou Diddy Kong Racing, alguém na Naughty Dog achou que seria boa ideia lançar um jogo de Karts na série Crash Bandicoot. Afinal ambos os seus rivais eram baseados em personagens “mascotes” de jogos de plataformas, tal como o próprio Crash Bandicoot. E o resultado até que foi um jogo bem competente! O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Feveiro de 2022, mas vou ter de substituir o CD pois possui algum disc rot. Entretanto como tinha sido desafiado por um amigo a jogar este jogo, lá tive de dar uso ao velhinho mas fiel ePSXe. Poderão ver/ouvir a minha opinião no mais recente episódio do Backlog Battlers, mas deixo cá também algumas notas escritas.

Ora tal como referi acima este é também um kart racer onde poderemos escolher representar uma de muitas das personagens do universo Crash Bandicoot, desde os seus inimigos como alguns aliados e todos eles conduzem karts com especificações algo distintas entre si. O Crash possui um carro com especificações medianas, enquanto temos outros mais rápidos mas pecam na maneabilidade e o inverso também. E dispomos também de vários modos de jogo como Time Trial, Arcade, Versus ou Battle (este último é uma espécie de modo deathmatch onde corremos numa arena), mas onde eu realmente investi o meu tempo foi no Adventure mode. Aqui temos mesmo uma história onde surge um novo vilão, o extra-terrestre Nitro Oxide que planeia invadir o nosso planeta, a menos que o consigamos vencer numa corrida. Antes disso acontecer teremos no entanto de participar em várias outras corridas e eventualmente vencer também outros bosses, mas já lá vamos.

Jogo com caixa e manual. Infelizmente o disco tem de ser substituído

No que diz respeito aos controlos as coisas são relativamente simples e funcionam bem. O analógico esquerdo ou o d-pad servem para virar o Kart, enquanto que os botões faciais servem para acelerar e travar (que também pode ser feito com o analógico direito) assim como utilizar os power ups que eventualmente iremos apanhar. Os botões de cabeceira servem para saltar (R1) e alternar a câmara (L2 e R2. Uma manobra fundamental para ter sucesso é dominar os power slides e turbos. Os primeiros são executados ao manter o R1 pressionado enquanto curvamos, sendo que depois poderemos activar um turbo no momento certo ao pressionar o L1. Esse momento é facilmente identificado através de duas dicas visuais. Uma é uma barra no canto inferior direito que quando fica vermelha durante um power slide nos indica que poderemos activar o turbo, a outra é estar atento aos canos de escape do nosso kart. Quando o seu fumo se torna negro, é sinal que podemos activar um turbo! De resto temos também toda uma série de power ups que poderemos apanhar como caixas de dinamite, bombas ou mísseis teleguiados que podem ser atirados contra os nossos oponentes e dão sempre um elemento extra de caos e diversão às corridas!

Ainda temos uns quantos modos de jogo diferentes e o modo Adventure também tem muitos desafios para desbloquear

Mas vamos então abordar um pouco mais o modo aventura em detalhe: aqui, tal como no Diddy Kong Racing, temos todo um mundo para explorar (de kart, claro) que nos dá acesso a várias corridas diferentes. Inicialmente temos apenas uma área para explorar e apenas duas corridas estão abertas. O objectivo é então o de competir em cada uma dessas corridas e terminar as mesmas em primeiro lugar, com as restantes corridas daquela parte do mapa a serem desbloqueadas em seguida. Tipicamente temos 4 corridas diferentes por “mundo” e uma vez terminadas as quatro desbloqueamos o confronto contra o boss daquela zona. Essas são corridas de 1 contra 1, onde o boss é extremamente agressivo e irá atacar-nos constantemente! Uma vez terminada essa corrida ganhamos uma chave que nos desbloqueia a porção seguinte do mapa, onde teremos de repetir todo esse processo para as corridas seguintes. Eventualmente lá teremos confrontar o próprio Nitro Oxide e se o derrotarmos… bom o final é qualquer coisa como isto: “perdi a corrida mas não me considero derrotado. Colecciona todos os tokens, rélicas e vence os campeonatos gem e defronta-me outra vez!”. Ou seja, se quisermos completar este jogo a 100% teremos mesmo de completar todos estes desafios adicionais que vão sendo desbloqueados à medida que vamos defrontando vários bosses.

O catálogo inicial de personagens jogáveis é algo generoso mas ainda temos alguns bosses para desbloquear se nos quisermos dar a esse trabalho

Cada corrida normal pode ser jogada novamente para dois tipos de desafios diferentes: os CTR tokens e relics. No primeiro competimos na mesma contra mais 7 oponentes e o objectivo não só é o de chegar em primeiro lugar, mas também de coleccionar as letras C T R que estão espalhadas pelo circuito, muitas vezes em locais não muito visíveis. No segundo desafio já competimos sozinhos e a ideia é a de fazer o melhor tempo possível, existindo 3 tempos a bater: sapphire (fácil), gold (difícil) e platinum (perfeccionista!), sendo que para desbloquear o final verdadeiro teremos de bater os tempos gold no mínimo. Para ajudar, vamos também ter acesso a uma série de caixas destrutíveis com os números 1, 2 ou 3. Sempre que destruímos uma destas caixas, o relógio deixa de contar esses mesmos segundos e, caso destruímos todas essas caixas, temos ainda um desconto de tempo adicional de 10s no final de cada nível, essencial para chegar aos tempos de platinum. Sempre que derrotamos um boss desbloqueamos também um desafio adicional onde numa arena teremos de apanhar uma série de cristais dentro de um tempo limite, também para granhar um token CTR. À medida que vamos amealhando estas medalhas CTR vamos também desbloquear as Gem Cups, que são pequenos campeonatos onde teremos de competir em 4 circuitos seguidos, onde o objectivo é também o de terminar em primeiro lugar. É aqui também onde poderemos desbloquear algumas personagens secretas! Portanto como podem calcular, conteúdo adicional é o que não falta. Se eu fosse novito e tivesse bem mais tempo disponível (e menos jogos em backlog) certamente ainda tentaria completá-lo a 100%, mas decidi não o fazer, pois o jogo obriga-nos a conhecer intimamente todos os circuitos, os seus atalhos e dominar as mecânicas de power slide e boost.

Apesar de não o ter experimentado, acredito também que o multiplayer seja bastante divertido. Caso tenhamos um multitap podemos também jogar com até 4 jogadores

No que diz respeito aos audiovisuais estamos perante um jogo bem colorido e detalhado, como tem sido habitual na série Crash Bandicoot. Os circuitos são bastante variados entre si, desde praias, montanhas e florestas, pistas subaquáticas, ruinas antigas, entre muitos outros. Todos eles apresentam gráficos poligonais bem detalhados, pelo menos para o standard dos sistemas 32bit daquela época e a draw distance até que é bem considerável. A sensação de velocidade, particularmente quando passamos por algum boost está também muito bem conseguida, pelo que é um jogo que apresenta uma boa performance como um todo. A banda sonora é também agradável, possuindo muitas daquelas sonoridades algo características dos primeiros jogos da série Crash, ou seja melodias alegres e com um toque algo tribal, por vezes.

Portanto estamos aqui perante um jogo de karts muito bem executado tecnicamente e bastante divertido de se jogar, com a mecânica do power slide + boost a ganhar o merecido destaque. Creio que foi também um jogo bem sucedido, pois apesar de existirem vários jogos do género na PS1, todos estavam a milhas de distância dos sucessos da Nintendo 64 e este CTR a meu ver até os pode ter superado. Tem também muito conteúdo adicional para quem o quiser completar a 100%, pelo que a sua longevidade pode ser também um factor positivo. De resto convém também mencionar que para além dos sucessores Crash Nitro Kart e Tag Team Racing que saíram para as consolas da geração seguinte, este CTR teve também direito a um remaster em 2019 que sinceramente nunca cheguei a jogar.