Battle Arena Toshinden (Sony Playstation)

Battle Arena ToshindenSe tudo correr bem, amanhã, dia de Natal, conseguirei publicar aqui um artigo mais trabalhado. Hoje é tempo de mais uma rapidinha, antes da ceia de Natal que se prepara na sala ao lado. E o jogo que cá vos trago é o Battle Arena Toshinden da Playstation, um dos primeiros jogos de luta em 3D, a par de outras séries como Virtua Fighter ou Tekken. Esta é a conversão original das arcades e um dos primeiros lançamentos da máquina de 32bit rival da Sega, que mais tarde viria a receber uma conversão/remake na Sega Saturn, intitulada de Battle Arena Toshinden Remix. Este meu exemplar foi comprado na cash converters de Alfragide por 2.5€ se a memória não me falha. É a versão Platinum.

Jogo em caixa, na sua versão platinum. Gosto bastante desta artwork!
Jogo em caixa, na sua versão platinum. Gosto bastante desta artwork!

A série Battle Arena Toshinden desde cedo se demarcou de Virtua Fighter ou Tekken pelo facto de ser baseada em lutas com armas brancas, à semelhança de Last Bronx ou do que viria a ser a série Soul Blade/Calibur. Para além disso, de forma a tirar algum partido do facto de ser um jogo tridimensional, para além dos habituais golpes e especiais que é habitual ver em jogos de luta, temos também a possibilidade de dar alguns passos laterais de forma a que nos consigamos esquivar dos ataques do adversário. Isso é feito através dos botões de cabeceira L/R.

screenshot
A versão PS1 é graficamente superior ao “remake” da Saturn. Olhem estas transparências!

Agora, entre esta e a versão Saturn, ambas têm as suas vantagens e desvantagens. A vantagem da versão Saturn é o facto de ter uma personagem extra e um modo história mais completo, com direito a algumas cutscenes entre batalhas, que nos vão dando mais informações das relações que cada lutador tem entre si, algo que nestes jogos acaba sempre por ser deixado um pouco de lado durante o jogo em si, apesar se espreitarmos o manual de instruções e ler a biografia de cada lutador se veja que cada um tem os seus motivos para estar ali e geralmente têm relações fortes com mais um ou outro oponente, por vários motivos. A vantagem da versão Playstation é mesmo a componente gráfica que acaba por ser mais fiel à versão arcade. Todos sabemos que a Saturn é um sistema polémico no que diz respeito à sua arquitectura de hardware e às suas capacidades para o 3D, mas a verdade é que em muitos jogos se notam realmente diferenças entre ambas as versões. Aqui a versão Playstation possui os backgrounds em 3D real, ao contrário da versão Saturn que como background tem uma imagem estática. Os efeitos especiais de transparências e luzes são também muito melhores na versão Playstation. Isso é facilmente denotado ao observar o vestido transparente da Ellis.

screenshot
Como habitual, temos também uma série de golpes especiais para aprender, incluindo os Desperation Moves que apenas se podem executar quando estamos mesmo “a soro”

No fim de contas, esta é uma série que para mim não tem o mesmo charme de Virtua Fighter. Também não sou o maior fã das personagens do Tekken, mas ainda assim acabo também por preferir essa série da Namco. De qualquer das formas, mesmo não tendo o mesmo carisma que as 2 séries acima mencionadas, não deixa de ser um bom jogo, capaz de entreter qualquer fã de jogos de luta em 3D. E foi uma série que gerou 3 sequelas na mesma plataforma, pelo que impõe também algum respeito.

1945 I and II The Arcade Games (Sony Playstation 2)

1945 I and IIUma das coisas que eu mais gosto da Playstation 2 é a quantidade de budget releases que existem nesta plataforma. Já na PS1 haviam imensas, mas na PS2 as coisas chegaram mesmo a outro nível. Mas os budget titles que eu aprecio não são aquele crapware que empresas como a Phoenix Games ou a Midas trouxeram às pazadas, mas sim na sua maioria as importações de budget titles japoneses, de onde se enquadram ports de clássicos arcade ou de outras plataformas. E esta pequena compilação é um desses casos, trazendo-nos os dois primeiros shmups da série Strikers 1945 da Psikyo. Este meu exemplar veio de uma Cash Converters por 2.5€, algures em Agosto deste ano.

1945 I & II The Arcade Games - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada

Bom, a primeira coisa que tenho a dizer desta dupla de jogos é que o título é muito enganador. Quando o comprei pensei que estivesse perante alguns jogos da série 19XX da Capcom, que também se especializou em shmups com uma temática algo fantasiosa da Segunda Guerra Mundial. Mas não, estes pertencem à série Strikers 1945, que por algum motivo a palavra Strikers desapareceu desta capa! Mas adiante…

Segunda guerra mundial? Com mechas?
Segunda guerra mundial? Com mechas?

Falando do primeiro jogo, é um shmup influenciado pela WW2 tal como referi acima. Os aviões que podemos pilotar fazem lembrar caças contemporâneos da década de 40, assim como muitos dos inimigos menores que teremos pela frente. Mas rapidamente as coisas acabam por ficar fantasiosas, com enormes bombardeiros e navios de guerra a transformarem-se em mechas, ou a acção levar-nos até ao espaço onde defrontaremos um exército alienígena com bases na Lua. Inicialmente temos ao nosso dispor vários aviões similares a alguns bem conhecidos como o Spitfire britânico ou o Zero japonês, sendo que cada um dispõe de diferentes tipos de ataques. Temos também 8 níveis pela frente, atravessando várias localizações europeias e culminando numa viagem espacial, como já referi.

screenshot
Muitas vezes temos de passar pelo buraco da agulha, mas felizmente só somos atingidos se o projéctil tocar no cockpit

E a jogabilidade é excelente, com o jogo a exigir-nos reflexos de lince, pois com o decorrer da acção os inimigos vão-se movimentando cada vez mais rápido e o número de projécteis no ecrã vai aumentando, bem como os seus padrões de tiro acabam por ficar cada vez mais variados e imprevisíveis. Ou seja, é daqueles jogos que temos mesmo de ter muita prática e para mim é por vezes super difícil perceber precisamente o que está a decorrer no ecrã, pelo que conduzir a nossa nave por buracos de agulha é uma tarefa complicada. Mas claro, temos sempre os power ups para nos ajudar. Cada power up que apanhamos aumenta o nosso poder de fogo, bem como nos coloca uma nave auxiliar ao nosso lado, disparando diferentes projécteis da nossa arma principal. Para além disso, cada nave/avião dispõe de diferentes charge shots e bombs, os tais ataques especiais capazes de causar dano a tudo o que estiver no ecrã e que devem ser utilizados com moderação. No que diz respeito aos audiovisuais é um jogo competente para os padrões de 1995, e as músicas têm sempre uma toada mais épica.

screenshot
Alguém no Japão descobriu o word art e achou um piadão, só pode…

Já o Strikers 1945 II modificou algumas coisas na fórmula, mas a sua identidade permanece, ou seja, o jogo continua a decorrer em 1945, os bosses continuam a se transformar em mechas, embora desta vez não hajam viagens pelo espaço… houve também uma alteração no lineup de aviões disponíveis e as suas armas também se alteraram. A primeira coisa negativa que me salta logo à vista está precisamente no ecrã de selecção dos aviões com os quais queremos jogar. O nome de cada um foi escrito com WordArt do Office!! Fica muito mal na fotografia… de resto a jogabilidade continua bastante insana e exigente. A grande mudança na jogabilidade está na forma como os charge shots funcionam. Agora a sua potência não está relacionada com o número de naves adicionais que temos a nos acompanhar, mas numa barra de energia lateral que se vai preenchendo à medida em que vamos destruindo os inimigos que surgem à nossa frente.

screenshot
Os bomb attacks continuam a ser imponentes, muitas vezes envolvendo ataques de bombardeiros gigantescos

A nível gráfico é um jogo superior ao original. Os níveis possuem backgrounds muito mais detalhados e os ataques especiais bastante coloridos e repletos de efeitos especiais, que dão logo outra vida ao jogo. Já a banda sonora não gostei tanto. Consiste em músicas que tanto imprimem um tom mais rock, ou mais orquestral para aqueles momentos mais épicos, o que por mim seria sempre algo bom, sinceramente não gostei do timbre com que os instrumentos me soaram. Mas o que interessa mais aqui é a jogabilidade e essa continua frenética e divertida, como já referi.

screenshot
No Strikers II a ameaça alien está mascarada… no centro da Terra!

Para finalizar, só mais umas palavrinhas sobre esta compilação em si. Existem mais dois jogos nesta série que poderiam também estar incluidos mas infelizmente não o foram. O Strikers 1945 III ou Strikers 1999 é um shmup “dos tempos modernos” e o Strikers 1945 Plus que é uma espécie de remake do Strikers 1945 II, com várias diferenças nos padrões de ataque dos inimigos e nas naves que podemos pilotar. A outra diferença está na orientação do ecrã. Enquanto os anteriores eram jogados com monitores na vertical, como este Plus foi desenvolvido para a Neo Geo, tiveram de adaptar para os ecrãs horizontais. E a orientação do ecrã é algo que está contemplado nesta compilação da PS2, pois apesar de por defeito utilizar orientação horizontal, com umas barras laterais que mantêm o aspect ratio, temos também a opção de virar a TV na lateral e adaptar o jogo a essa orientação.

Silent Scope 3 (Sony Playstation 2)

Silent Scope 3Já há algum tempo que andava atrás deste terceiro capítulo da série Silent Scope, que por sua vez teve as suas origens nas arcades como um jogo de lightgun muito peculiar. É que somos um sniper e a nossa light gun é mesmo uma sniper rifle com mira telescópica e tudo! Replicar esse comportamento nas consolas domésticas com uma light gun normal não é tarefa fácil pelo que apenas usamos os controlos normais, embora pelo menos este Silent Scope 3 tenha suporte ao rato da PS2. Este meu exemplar foi comprado por cerca de 5€ novo, numa loja no Porto.

Silent Scope 3 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada

A coisa engraçada neste jogo é que na realidade são dois num só. Por um lado temos o Silent Scope 3 que apesar de ser uma sequela é um jogo que acaba por ser exclusivo de consolas, por outro temos o Silent Scope EX, este sim uma adaptação de um jogo arcade de mesmo nome. E apesar de as mecânicas de jogo serem practicamente idênticas em ambos os jogos, naturalmente têm as suas diferenças. No Silent Scope 3 somos uma vez mais o Falcon, sniper maravilha que embora esteja reformado é mais uma vez chamado para uma operação crítica. Parece que raptaram um importante cientista de clonagem humana, com vista a “construirem” um enorme exército de clones. É uma missão ultra-secreta a pedido de uma alta patente do exército, pois ao que parece esse cientista já estava a aplicar os seus conhecimentos ao serviço dos Estados Unidos. Por outro lado, o Silent Scope EX possui uma história mais simples, onde um enorme gangue tomou de assalto uma cidade e cada nível acaba por ser uma missão diferente onde temos de resgatar reféns, escoltar o Presidente em autoestrada, ou outro VIP qualquer durante um voo de helicóptero.

screenshot
Controlar a mira com o rato deve ser bem melhor do que usar o gamepad. Nunca reparei se os anteriores Silent Scopes também o suportam!

Mas indo mesmo para as mecânicas de jogo em si, acabam por ser algo semelhantes às de outros shooters em lightgun de arcade, a diferença é que na grande maioria das vezes os inimigos estão longe e convém espreitar pela mira telescópica. De resto, quanto mais tempo perdermos a atingi-los, mais tempo eles têm para disparar sobre nós. E cada tiro levado não quer dizer necessariamente vida perdida, pois temos uma barra de vida que podemos acabar por recuperar se encontrarmos alguma mulher jeitosa e nos armarmos em voyeur, ao espreitá-las através da mira telescópica. Algo que já acontecia nos outros Silent Scopes também! Outra coisa que também sempre achei engraçado são os embates contra os bosses. Estes também possuem uma barra de energia, mas também têm um ponto fraco – geralmente a cabeça. Se lhes conseguirmos dar um tiro certeiro é logo morte certa! Agora muitos dos bosses estão em constante movimento, pelo que acaba por não ser uma coisa assim tão fácil de fazer. Geralmente no final dos jogos temos sempre uma situação mais tensa onde temos apenas uma bala, um oponente bastante longe, e uma única oportunidade de lhe dar um headshot e completar o jogo! De resto, no Silent Scope EX, apesar de ser um jogo mais curto, acaba por ter uma longevidade maior, pois em quase todos os níveis temos diferentes rotas para explorar, rotas essas que escolhemos antes de começar o nível.

screenshot
Apesar de os bosses terem também vários health points, um headshot certeiro derrota-os instantaneamente

Graficamente não é propriamente um dos jogos mais bonitos da Playstation 3, tanto o Silent Scope 3, como o EX. No entanto acabam por me parecer mais fluídos, tanto a nível de trabalho de câmaras que me parece bem mais dinâmico, como na variedade de coisas para fazer, colocando-nos em vários ambientes diferentes, desde as habituais áreas urbanas e industriais, até com combates a alta velocidade. A música pareceu-me um pouco genérica, bem como o voice acting que é o típico de jogos arcade – mau todos os dias, mas acaba por ter o seu charme por isso mesmo!

screenshot
Este é provavelmente o boss mais asqueroso que alguma vez viram.

A série Silent Scope tem aqui o seu término (pelo menos até agora) e sinceramente fiquei um pouco desiludido com este terceiro jogo pois estava à espera de algo com um pouco mais de substância. Para terem noção, os 3 jogos da série na Playstation 2 foram lançados em CD-ROM, em vez do habitual DVD, o que num jogo em 3D dá para entender a sua simplicidade. Ainda assim foi uma série que gostei de coleccionar, de qualquer das formas para quem tem Xbox se calhar acabaria por recomendar comprarem a compilação com todos os jogos da série, sempre é capaz de ser uma melhor compra.

Dracula 2: The Last Sanctuary (PC / Sony Playstation)

Dracula 2Hoje teremos direito a um artigo sobre um jogo que possuo em dois sistemas diferentes. Dracula 2: The Last Sanctuary é uma aventura gráfica na primeira pessoa que, tal como o primeiro jogo também aqui analisado tanto para PC como Playstation, continua a saga do romance de Bram Stoker sobre o príncipe das trevas mais famoso do mundo do entretenimento. Tal como o primeiro jogo, este também teve um lançamento inteiramente em português, onde se traduziu tudo, incluindo o voice acting. Felizmente que desta vez arranjei a versão inglesa. A versão PC deu entrada na minha conta steam há coisa de um ou 2 anos, através de algum bundle. A versão PS1 veio de umas trocas e vendas que fiz com um particular há coisa de um mês atrás.

Dracula 2 The Last Sanctuary - Sony Playstation
Jogo com dois discos, caixa e manual

E tal como o seu predecessor, este é também uma jogo de aventura gráfica point and click, jogado na primeira pessoa. A acção decorre logo após recordarmos os acontecimentos finais do último jogo, onde Jonathan regressa a Londres para defrontar Dracula de uma vez por todas. E após passarmos algum tempo em Londres em busca de Drácula, ao visitar a sua propriedade em Carfax Abbey, ou o asilo do Dr. Seward, coisas acontecem e teremos de voltar uma vez mais à transsilvânia para resgatar a nossa noiva/esposa Mina uma vez mais.

screenshot
Mais uma vez acaba por ser Mina a ficar no centro das atenções

A nível de mecânicas de jogo há muita coisa que se mantém idêntica à prequela e a muitos outros jogos do mesmo género em que a Cryo Interactive tenha acabado por lhes deitar as mãos. Jogamos numa perspectiva de primeira pessoa em que o movimento é dado com cliques do rato, transitando numa série de ecrãs estáticos, mas que os podemos explorar livremente em practicamente 360º. O resto é o típico de jogos point and click onde a exploração dos cenários, interacção com objectos, pessoas e resolução de alguns puzzles são o prato do dia. Ao explorar os cenários, o nosso cursor do rato vai mudando de figura. Se for uma seta, quer dizer que podemos avançar nessa direcção. Se for uma mão, podemos apanhar esse objecto, se for uma roda dentada, então teremos de procurar no nosso inventário por um objecto para colocar nesse local. Se escolhermos o objecto certo, o cursor ganha contornos verdes, caso contrário fica vermelho. Comandos simples e só pelo facto de termos uma pista visual se certo item serve para aquela posição ou não, já é uma ajuda. Mas há aqui algumas novidades também, sendo que a maior a meu ver são aqueles momentos onde de facto temos a vida em risco ao ser atacados por criaturas ou armadilhas e vemos no ecrã uma barra a esvaziar-se com o tempo. Pois, esse é o tempo que temos para nos safar, seja a interagir com alguns objectos para criar armadilhas a quem nos persegue, ou até sacar um revólver do nosso inventário e dispará-lo quase como se fosse um first person shooter.

screenshot
Parece um first person shooter mas não é!

Em relação a pormenores técnicos, felizmente nem a versão PS1 nem a PC que eu possuo foram integralmente traduzidas para português. Digo isto pois já na altura quando comprei o primeiro Dracula, sabia perfeitamente que os diálogos seriam completamente falados em português, mas tinha uma certa curiosidade mórbida em ver como foi feito esse trabalho de tradução, que naquela época ainda não era nada habitual. Mas felizmente desta vez veio tudo com o voice acting em inglês que, apesar de não ser nada por aí além, sempre é tolerável. Graficamente é um jogo com gráficos pré-renderizados, onde é a versão PC que leva a melhor pois apresenta-os com uma resolução maior. Mas é a arte e design das personagens, aliados a uns diálogos não lá muito convincentes que me retiram alguma da piada ao jogo, pois apesar de o mesmo até ter uns gráficos bonitinhos para a altura, não achei que fizessem justiça à malvadez de Drácula e suas concubinas.

screenshot
O inventário é semelhante ao do jogo anterior e permite interagir com objectos entre si

Resumindo, para mim Dracula 2: The Last Sanctuary não deixa de ser um jogo de aventura minimamente competente, capaz de entreter qualquer fã do género, ainda para mais se gostam destes com uma temática mais para o Oculto. No entanto, é também um jogo que me deixou um pouco a desejar, principalmente pelos seus diálogos pobres e design/caracterização de personagens que de assustadores não têm muito, tal como referi no parágrafo acima. Os restantes jogos desta série parece que já iniciam um novo arco de história, pelo que me deixaram bastante curioso para os experimentar. Em breve!!

Death By Degrees (Sony Playstation 2)

Death by DegreesQuando comprei este jogo estava à espera de encontrar um fighter daqueles à moda antiga mas em 3D. Algo como um Final Fight Streetwise mas se calhar um bocadinho melhor. Mas não, fiquei surpreendido por ter encontrado um jogo de acção e aventura bem mais variado do que estava à espera, ao misturar os conceitos de beat ‘em up, RPG no level-up da personagem e a aprendizagem de novas skills, com o de jogos de acção 3D como o Resident Evil onde temos várias coisas para explorar, chaves para encontrar, puzzles para resolver e um arsenal de armas para usar. Mas também me desiludiu em várias coisas, mas já lá vamos. Este meu exemplar foi comprado na Cash Converters do Porto algures durante este ano por 3.50€.

Death By Degrees - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

E como devem calcular, este é um jogo relacionado com a série Tekken, pois temos como personagem principal a Nina Williams, aqui a trabalhar a pedido da CIA e MI6 numa operação de infiltração de um navio cruzeiro de luxo, controlado pelo grupo terrorista Kometa, que potencialmente estaria a esconder alguma nova arma. Então o jogo começa com Nina a participar num torneio de artes marciais dentro do próprio navio e após vencê-lo, é feita prisioneira por uma das vilãs – Lana Lei. Após nos libertarmos vamos explorando o navio (e não só) e com isso vamos descortinando os planos da organização, o que estariam a esconder, e não só, com a Anna, irmã e rival de Nina a dar um ar da sua graça a mando do Heihachi.

screenshot
Nem só de pancada vive este jogo… também podemos dar tiros, muitos tiros!

O que salta logo à atenção neste jogo é a sua jogabilidade, pois o mesmo utiliza bastante os 2 analógicos para as acções principais. Com o esquerdo movimentamo-nos e como é um analógico, quanto mais longe movimentamos o stick do seu centro, mais rápido andamos e se o movermos bruscamente Nina desvia-se nessa direcção. O analógico direito que geralmente serve para controlar a câmara é utilizado para atacar na direcção em que o movemos, o que sinceramente me custou bastante a habituar pois sempre utilizamos os botões faciais para atacar. E a coisa ao fim de algum tempo até acaba por se tornar fluída, pois acabamos por usar os analógicos e os botões de cabeceira para practicamente tudo. Com o D-pad vamos alternando se queremos equipar alguma arma branca ou de fogo, e com o L1 a usamos em conjunto com um dos analógicos. O controlo de câmara é feito ao mexer o analógico direito em conjunto com o botão R2 apertado, embora infelizmente a câmara seja muito má. Isto porque em várias zonas não é possível controlar a câmara e quando o é, temos de estar constantemente a ajustá-la à medida que nos vamos movimentando.

screenshot
Os save points têm de ser descobertos… são os locais onde há mais rede!

Depois o jogo tem também alguns elementos de RPG como já referi. Isto porque temos um sistema de combos que nos recompensa com pontos mediante a nossa performance no combate. Pontos esses que podem ser gastos para aprender e melhorar novas skills, por exemplo. Para além disso, e da exploração e alguns puzzles como já referi logo no primeiro parágrafo, Death By Degrees tem várias secções que por vezes se vão repetindo e acabam por se tornar uma espécie de minijogos. Em algumas partes da história somos obrigados a pegar numa sniper rifle e atingir uma série de inimigos à distância, a maior parte das vezes para cobrir um nosso colega da CIA. Até aqui tudo bem. Noutras alturas temos de guiar um pequeno drone para salas que não conseguimos entrar, seja para espiar ou para arranjar forma de lá entrar. A ideia é boa, mas infelizmente os controlos são uma treta… por fim temos também vários “baús” de tesouros para descobrir, albergando várias armas ou outros itens. Mas para os destrancar temos uns puzzles na forma de favos de colmeias para resolver. Estes três minijogos são algo que poderemos jogar de forma independente como desafios, para além do jogo principal.

screenshot
Antes da moda dos drones, já podíamos conduzir um por aqui!

E de facto o que não faltam aqui são extras, desde esses desafios, passando por desbloquear novas roupas para a Nina, armas com munição infinita após termos chegado ao fim do jogo 1 ou 2 vezes, incluindo um capítulo extra inteiramente novo onde jogamos com Anna, irmã e rival de Nina. Um pouco como o Ada’s Assignment onde vemos parte da história pela perspectiva de Anna e descortinamos quais as suas razões para ela também estar ali envolvida. Mas já que há pouco referi as vestimentas, mesmo ao longo do jogo normal, Nina vai mudando várias vezes de roupa, o que me deixou a perguntar-me se não estaria antes a jogar algo desenvolvido pela Tecmo. Isto porque para além de um dos primeiros trajes ter sido logo um bikini, as suas outras roupas vão ficando rasgadas à medida em que a história vai avançando, acabando por mostrar um pouco mais do que se calhar seria suposto. Não que eu fique chateado por isso, longe de mim tal coisa, mas achei um pormenor curioso vindo da Namco.

screenshot
Este é o screenshot mais conhecido deste jogo… porque razão será?

A nível técnico é um jogo bem competente. É verdade que não há uma grande variedade de cenários, ou estamos num navio de cruzeiro, ou numa prisão abandonada numa ilha remota. Mas ainda assim existem algumas salas que considero bem bonitas e no geral os cenários até que estão bem detalhados, assim como as personagens. Um dos truques que fazemos neste jogo tem a ver com o focus – uma barra de energia que vai enchendo à medida em que distribuímos pancada. Quando atingir um certo limite, podemos desencadear uma série de golpes poderosos, onde temos alguns segundos em câmara lenta para decidir que pontos do corpo do adversário acertar. O que vem a seguir são daquelas cutscenes raio-X com ossos a estilhaçarem-se por todo o lado, que ficaram mais tarde bastante populares em jogos como Mortal Kombat 9 ou Sniper Elite V2. No entanto… é sempre engraçado ver que por vezes mesmo que partimos uma perna ou o crânio em mil bocadinhos… os adversários voltam-se a levantar como se nada fosse! Haja força de vontade! Por último lugar as músicas no geral têm uma toada mais rock que me agrada bastante e não tenho razões de queixa quer dos efeitos sonoros, quer do voice acting em si.

screenshot
Quando activamos estes ataques especiais, temos um curto intervalo de tempo antes de seleccionar os pontos de ataque

No fim de contas este Death By Degrees é um jogo muito interessante, gostei de ver a Namco a elaborar algo mais na sua franchise do Tekken que de facto já justificava um jogo deste género com mais história. No entanto está longe de ser perfeito. A sua jogabilidade nos combates demora algum tempo a entranhar e eu tenho pena do meu dual shock para tentar sacar as combos mais complicadas… mas o pior é mesmo o controlo de câmara, ou alguns segmentos próprios no jogo que achei algo frustrantes. Creio que se os controlos fossem mais tradicionais, algumas destas falhas não aconteceriam.