Hoje em dia se quisermos jogar algum videojogo de futebol, poucas são as alternativas de qualidade face às séries FIFA e Pro Evolution Soccer. Nos anos 90 não era assim, e quando entraram as 32bit em campo não foi excepção. A Psygnosis, outrora grande estúdio europeu, tinha também a sua própria série de futebol, a Adidas Power Soccer, que em 2 anos lançou 4 jogos! A rapidinha de hoje vai-se incidir no Adidas Power Soccer 2, cujo meu exemplar veio de uma das minhas idas à feira da Vandoma, tendo-me custado 2€.
Jogo completo com caixa e manual
Ao contrário de muitos dos jogos de futebol da era das máquinas 16bit, que envelheceram bem com o passar dos anos, o mesmo não pode ser dito da maioria destes jogos da era 32bit, com o seu 3D primitivo. Os gráficos neste Adidas Power Soccer 2 são mauzinhos e o som, apesar de possuir alguns comentadores, poderia estar melhor trabalhado.
Olhem o Figo, quando ele jogava à bola ainda pelo Barcelona
De resto o jogo apresenta vários modos de jogo, desde partidas amigáveis, passando por campeonatos e outros tipos de torneios. Podemos escolher várias selecções nacionais e clubes, com muitos dos nomes dos jogadores a serem os reais. Possui o meu F. C. Porto logo no top das 20 equipas mais poderosas da Europa, portanto já lhe dou mais atenção!
Temos várias selecções e clubes a escolher, incluindo o meu FC Porto
Uma coisa que não gostei muito foi a jogabilidade. É possível alterar uma série de parâmetros como a altura do dia ou noite em que jogamos uma partida, o tipo de relvado, ou o critério do árbitro, que pode ser nulo, leniente ou severo. Também podemos alternar entre uma jogabilidade arcade e de simulação, se bem que eu prefiro o primeiro. Uma das acrobacias que podemos fazer é também um flying kick que mais parece saído do Mortal Kombat, e independentemente do critério do árbitro, por vezes nem é apitado nada!
Um dos jogos mais bonitos do Mickey durante a era dos 16bit foi sem dúvida o Mickey Mania, que serve de homenagem à mascote da Disney, levando-nos por vários níveis inspirados em diversos filmes do rato mais popular do mundo, desde o primeiríssimo Steamboat Willie, ainda a preto e branco, datado de 1928, até ao The Prince and the Pauper de 1990. Esse foi um jogo desenvolvido de base para a Mega Drive, mas convertido também para uma série de outras plataformas. Um ano depois, a Sony Playstation recebeu também uma conversão deste jogo, melhorando-o em vários aspectos e mudando o nome para Mickey’s Wild Adventure. O meu exemplar é um platinum que veio da Feira da Vandoma do Porto algures durante Junho por 2€.
Jogo com caixa e manual. Versão Platinum
Aconselho-vos a ler o meu artigo do Mickey Mania para a Mega Drive, pois este vai-se focar mais nas diferenças face a essa versão. A nível de jogabilidade é practicamente a mesma coisa, com um botão para saltar e outro para atirar objectos, cujas são as únicas maneiras de atacar os inimigos, embora por vezes apenas tenhamos de usar um destes métodos para os derrotar. A maior diferença aqui está no maior número de loadings, face à versão Mega Drive, como seria de esperar.
E também como seria de esperar, as maiores diferenças estão na parte gráfica. As sprites estão ainda mais bem animadas, detalhadas e coloridas. Os efeitos de transparência da água ou de partes das sprites como as asas dos insectos ou os próprios fantasmas, possuem transparências muito mais nítidas e bem conseguidas. Aqueles níveis como os segmentos da escada em espiral ou da perseguição do Alce, que possuiam bonitos efeitos pseudo-3D foram redesenhados para incluir polígonos tri-dimensionais. Para além disso, existe ainda um novo segmento de perseguição, por alturas do Beanstalk, onde o Mickey é perseguido por um gigante. As músicas e efeitos sonoros como as vozes mantêm-se idênticas à versão Mega CD, pelo que li. São músicas orquestrais e pelo que investiguei tiveram mesmo o dedo de pessoal da Disney que costumam trabalhar nos seus filmes.
Um nível exclusivo da versão Playstation
Portanto, mesmo sendo esta uma conversão mais musculada de um jogo de uma geração anterior, acaba por envelhecer muito melhor do que muitos jogos em 3D primitivo da biblioteca da Playstation. Se não jogaram nenhuma das outras versões e encontrarem esta a um preço agradável, recomendo que lhe peguem.
Já há muito tempo que não trazia cá nada da PSP, mas já aos meses que ando a tentar ganhar coragem de terminar este primeiro Untold Legends. Eventualmente lá acabei o modo história, e por esta primeira frase é de antever que o jogo não seja lá grande coisa. Mas já lá vamos. Fruto da Sony Online Entertainment, os mesmos criadores do Everquest, um dos primeiros MMORPGs de maior relevo na comunidade dos PC, este Untold Legends é um dos jogos de lançamento da PSP no ocidente, trazendo aos amantes de RPGs de acção do género do Diablo, algo para se entreterem na portátil da Sony. Infelizmente o resultado não foi o melhor. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, numa cash converters ou CeX pelo país. Não me recordo quanto custou, mas não foi caro.
Jogo com caixa e manual
A história passa-se no reino de Aven, uma cidade no topo de uma colina, que subitamente se vê atacada por uma série de monstros. Nós, como os heróis lá do sítio, iremos começar a lutar contra os bichos, e aos poucos descobrir os contornos de uma antiga profecia que ameaçava aquele reino, ao ser invadidos por forças infernais.
Não cheguei a prestar atenção se os níveis são completamente aleatórios ou se é apenas a disposição do mapa que se altera a cada visita
Na sua essência, este é um RPG de acção com bastante ênfase no looting e na exploração. Podemos criar uma personagem com base em diferentes classes, e à medida em que as vamos evoluindo, podemos ir assignando pontos a estatísticas base como força, agilidade ou destreza, bem como aprender novas skills, ou evoluir as que já aprendemos anteriormente. A jogabilidade tenta replicar os jogos semelhantes para o PC, com botões de atalho para algumas skills e itens como poções que restauram vida e/ou mana. Também podemos encontrar muitas peças de equipamento completamente diferentes entre si, tanto a nível estético como nas suas características, sendo as mudanças estéticas visíveis no modelo da própria personagem após o equiparmos.
Vamos tendo uma grande variedade de equipamento para encontrar e customizar às nossas necessidades
Até aqui tudo bem, mas o maior problema deste jogo é que é um jogo chato. A história (e respectivas quests) não são nada cativantes, e o mapa que vamos explorar também poderia ser mais bem detalhado. É certo que este é um jogo da primeira geração da PSP, mas as cutscenes são apresentadas em texto em scroll automático pelo ecrã, com uma imagem estática de fundo. A história também não vai sendo lá muito entusiasmante, e apesar de termos muitas dungeons e regiões diferentes para explorar, a verdade é que a vontade de o fazer não é muita. Tal como no Diablo, vamos descobrindo alguns Waypoints que podemos usar para nos teletransportar-nos entre regiões, mas poderiam existir mais waypoints desses. Isto porque apesar de a qualquer momento ser possível teletransportar para Aven e voltar onde estávamos, isso deixa de ser possível assim que sairmos do jogo, ou completarmos alguma quest. E com um mapa tão grande para explorar, seria bom existirem mais alguns waypoints.
Tal como nas cutscenes de história. os ecrãs de loading possuem uma imagem genérica estática
A nível audiovisual é também um jogo ainda simples. A nível gráfico, temos a pouca variedade nos cenários, pouco detalhe gráfico e apresentação ainda algo pobre. A nível audiovisual não existe qualquer voice acting, e as músicas não me soaram nada agradáveis, sendo bastante simples até.
Mas, mesmo com todos os seus constrangimentos, é um bom jogo para passar o tempo, especialmente em viagens. Como felizmente deixei de fazer viagens regulares entre Porto e Lisboa há já quase um ano, este jogo tem ficado esquecido. Mas também posso dizer que já comecei a sua sequela que me pareceu superior em muitos aspectos. Mas isso ficará para um outro artigo.
Depois dos Two Towers e o Return of the King, ambos óptimas adaptações dos filmes do Peter Jackson a Electronic Arts não desistiu da trilogia e voltou à carga com um novo jogo, desta vez muito diferente dos anteriores. Enquanto os anteriores eram jogos de acção hack and slash com alguns elementos de RPG, neste Third Age decidiram mesmo fazer um RPG por turnos, algo que na minha opinião se adequa bem a este universo. Será que o resultado final foi bom? Veremos. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures em 2014 por 2€.
Jogo com caixa e manual
Quando soube que este jogo era um RPG fiquei bastante interessado, mas a primeira desilusão que tive ao jogá-lo foi verificar que na verdade isto não é propriamente uma história nova dentro do mesmo universo, mas sim um recontar dos eventos dos três filmes, através da perspectiva de um grupo diferente de personagens. Inicialmente começamos a aventura com Berethor, um soldado humano à procura de Boromir, que é salvo de um encontro com Nazguls por uma elfa chamada Idrial. Iremos então andar no encalço da Fellowship of the Ring, percorrendo os mesmos cenários, como as minas de Moria, a batalhas em Rohan e Helm’s Deep, Osgiliath ou Minas Tirith. Ocasionalmente vamos acabar mesmo por nos cruzar com personagens como Gandalf, Gimli ou Aragorn, mas pouco há a acrescentar à nossa história face à da história principal, o que é uma pena.
À direita é-nos indicado a ordem pela qual os turnos se vão seguindo. Eu geralmente tento sempre derrotar o inimigo que ataque primeiro.
A jogabilidade pelo que me indicam é muito similar ao Final Fantasy X. Sim, ainda tenho esse jogo em fila de espera mas vai ser o próximo RPG que jogarei na PS2. Adiante, como ia dizendo, as batalhas são semi aleatórias, pois a maior parte das vezes apenas acontecem em momentos chave do jogo, não sendo tão aleatórias quanto isso. Mas entrando nos combates propriamente ditos, os mesmos são jogados por turnos, mas com um sistema dinâmico na alocação dos turnos, que dependem de algumas características das personagens em combate. Depois temos os Action Points, que são usados cada vez que usamos uma habilidade especial, sejam elas magias ou skills. Estas apenas evoluem não com os pontos de experiência normais de cada combate, mas sim com o uso. Cada vez que usamos uma skill ou magia ganhamos 1 ponto de experiência que servirá para desbloquear outras skills da mesma árvore.
Tirando as skills passivas, que são aprendidas à medida que vamos evoluindo, as restantes apenas se aprendem com o uso das habilidades dentro da mesma skill tree
E ao longo do jogo vamos tendo um número considerável de personagens para encontrar, e embora apenas possamos ter uma party activa de 3 personagens em simultâneo (ocasionalmente lá temos 4, quando um convidado como Gandalf ou Aragorn nos ajuda), as mesmas podem ser trocadas a qualquer momento nas batalhas. E também infelizmente não há uma grande variedade assim nas classes entre cada personagem, o que é pena. Não faz muito sentido o Gimli possuir também magia quando não temos nenhum feiticeiro no grupo, a não ser o Gandalf que ocasionalmente lá nos dá uma mãozinha.
A nível de extras, este é um jogo diferente dos seus predecessores da EA, que incluiam diversas entrevistas com os actores dos filmes, ou pequenos vídeos com artwork e making-of dos jogos e filmes. Aqui vamos tendo várias cenas dos filmes para ver, é verdade. Mas são apenas algumas narrações do Gandalf que nos vai pondo ao corrente do que está a acontecer no mundo da Terra Média, enquanto nós andamos no encalço da Irmandade do Anel. O outro extra é muito mais interessante, sendo aqui conhecido como Evil Mode. Sempre que acabarmos uma determinada zona no jogo principal, como por exemplo as minas de Moria, desbloqueamos um capítulo respectivo do Evil Mode. Aqui teremos de combater os nossos própios heróis, pelos olhos das forças de Sauron. O objectivo é adquirir equipamento poderoso que pode depois ser transferido para o jogo principal. É pena que este Evil Mode não seja um pouco mais desenvolvido, até com alguma historia nova por detrás.
No evil mode tomamos o controlo de alguns vilões e temos de derrotar o nosso grupo de heróis em algumas batalhas aleatórias.
Mas pronto, se por um lado as mecânicas de jogo poderiam ser um pouco melhor exploradas ao incutirem personagens com classes e habilidades realmente diferentes entre si, não tenho nada a apontar da parte técnica. Graficamente, tal como os seus predecessores, é um jogo muito bem detalhado, especialmente nas personagens principais, cujas peças de equipamento se refletem no seu aspecto. As músicas e voice acting estão também bastante competentes, tal como nos jogos anteriores.
A Delphine Software fez coisas incríveis na primeira metade dos anos 90, para os vários sistemas 16-bit que suportou. Obras como Another World ou Flashback foram importantes marcos tanto a nível artístico, com os seus belíssimos gráficos e som que lhes conferiam uma atmosfera muito rica, bem como pela jogabilidade, muito similar ao que Prince of Persia já nos tinha trazido antes. Ora este Fade to Black é uma sequela do Flashback, mas desta vez feito inteiramente em 3D, a pensar nas consolas de próxima geração. E apesar de versões para a Saturn e Nintendo 64 terem sido inicialmente planeadas, o jogo acabou por sair apenas no DOS e na Playstation, cuja versão cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa das minhas idas à Feira da Vandoma, algures em 2015 se bem me recordo. Creio que me custou uns 4€.
Jogo com caixa e manual
No Flashback, a história recaiu sobre Conrad Hart, um jovem cientista que inadvertidamente descobre a existência dos Morphs, uma poderosa raça alienígena que se faziam passar por humanos e planeavam a sua extinção. Mas no final, Conrad acabou por destruir o mundo dos Morphs, acabando a aventura à deriva no espaço, numa cápsula de salvamento, muito como no final do primeiro filme da saga Alien. Acontece que Conrad é resgatado 50 anos depois, infelizmente por uma nave Morph, que o leva de imediato para uma prisão de alta segurança. Na prisão ficamos a saber que os Morph conseguiram conquistar o planeta Terra e rapidamente somos contactados por um “amigo” que nos dá as ferramentas necessárias para escapar: um PDA e uma arma! Começamos então a aventura por escapar da prisão alienígena, viajando depois por vários outros locais, sempre com o objectivo em mente de derrotar uma vez por todas a ameaça dos Morphs, agora com a ajuda de um grupo de resistência.
Quando entramos em combates, a câmara muda para uma perspectiva de quase primeira pessoa
A maior novidade na jogabilidade deste Fade to Black está no facto de na transição para o 3D, se ter perdido aquelas mecânicas de jogo que assentavam no platforming. Aqui temos um botão de salto, mas é para coisas a muito curta distância, geralmente para evitar armadilhas que estejam no chão. Fade to Black é então um jogo com mais foco na acção e exploração, com os ocasionais puzzles e mecânicas de jogo que também víamos o Flashback, como procurar por várias chaves, evitar obstáculos como chão electrificado, ou ir alternando entre equipamento do nosso inventário, como um escudo que nos protege ligeiramente do fogo inimigo, ou outros como fatos anti-radiação para se usar em zonas radioactivas. Na verdade tanto com fato como sem fato vamos perdendo vida, mas ao menos não morremos tão rapidamente. A perspectiva é na terceira pessoa, com a câmara a posicionar-se quase sempre nas costas de Conrad. Nos combates a câmara passa para uma perspectiva quase de primeira pessoa, aproximando-se da nuca do protagonista, e o jogo apresenta uma espécie de radar que nos indica a posição do inimigo mais próximo. Estamos equipados de uma arma com munição ilimitada, embora a tenhamos de recarregar, e ocasionalmente lá encontraremos algumas minas que nos ajudarão a progredir em zonas mais infestadas.
Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes em CGI para ver
O maior problema neste jogo acaba por ser mesmo os seus controlos. Afinal este é ainda um videojogo de primeira geração da Playstation, o dualshock ainda estava bem longe de chegar às nossas vidas. Controlar o Conrad é um martírio, especialmente nos combates, onde devemos ser o mais ágeis possíveis pois os Morphs têm a capacidade de se desintegrar e surgirem posteriormente bem mais próximo de nós, representando muito mais perigo. E perder a vida aqui é tarefa dura, pois se não gravarmos o nosso progresso no jogo de forma regular pode implicar ter de recomeçar o nível do zero, e sem os itens que trazíamos antes no inventário.
Quando surge este cursor, quer dizer que temos um inimigo prestes a disparar sobre nós.
Do ponto de vista audiovisual já o acho um jogo bem mais competente. É certo que o 3D ainda é algo primitivo, mas mesmo assim, para um jogo de primeira geração da Playstation devo dizer que fiquei impressionado pelo detalhe dos cenários, que tanto nos podem levar para estações espaciais todas futuristas e high-tech, como para mundos alienígenas misteriosos e ruínas antigas. As músicas vão sendo minimalistas, o que resulta bem para a atmosfera do jogo. Sobre o voice acting, bom, não é perfeito, mas está longe de ser mau, na minha opinião.
Portanto, no fim de contas, infelizmente este Fade to Black, apesar de possuir boas ideias, acaba por não envelhecer tão bem quanto a sua prequela, o Flashback. Numa era onde se fazem muitos remasters e remakes, fazia muito mais sentido pegar nalguns destes jogos mais obscuros, que saíram numa fase de transição não muito famosa, e relançá-los com mecânicas de jogo mais intuitivas e uns audiovisuais melhorados. Este jogo merecia-o, sem dúvida.