The Last Guardian (Sony Playstation 4)

Vamos agora para a Playstation 4 abordar o mais recente projecto da Team Ico. Anunciado originalmente na E3 de 2009 para a Playstation 3, foi um trailer que deixou muitos de queixo caído pelo seu conceito e detalhe gráfico. No entanto o seu desenvolvimento foi bastante atribulado com o jogo a receber sucessivos adiamentos até que a certa altura desapareceu por completo do radar. Com Fumito Ueda a sair da Sony e fundar o seu novo estúdio GenDesign as esperanças de um dia o jogo sair foram esmorecendo, mas na verdade Fumito Ueda continuou a colaborar com a Sony para o desenvolvimento do jogo. Foi novamente anunciado na E3 de 2015 para a PS4 tendo sido lançado no ano seguinte. O meu exemplar sinceramente já nem me lembro onde foi comprado nem quanto custou, mas certamente não terá sido mais de 15€.

Jogo com caixa e papel promocional ao Horizon

Mas em que é que consiste este The Last Guardian mesmo? O jogo vai buscar inspirações aos títulos anteriores, Ico e Shadow of the Colossus, onde mais uma vez nos vemos a explorar um mundo em ruínas de uma antiga civilização agora com gigantes arranha céus feitos de pedra. Tal como Ico, o protagonista é um jovem rapaz que se vê trazido para aquele estranho mundo e procura regressar à sua aldeia. Mas desta vez como companheiros, em vez de uma indefesa rapariga, temos o Trico, uma gigante criatura meio mamífero, meio ave, algo semelhante a um Grifo. Começamos a aventura com o rapaz a acordar no fundo de um castelo em ruínas, ao lado do Trico ferido, acorrentado e faminto. Depois de o alimentar e cuidar das feridas, o bichinho já começa a confiar em nós e começa a acompanhar-nos por todo o lado. Com a ajuda de Trico iremos conseguir combater os soldados fantasmagóricos que nos vão perseguindo e, ao subir para as suas costas, Trico pode-nos transportar ao saltar longas distâncias ou destruir obstáculos. Por outro lado, por vezes teremos de ser nós a explorar passagens pequenas e interagir com alavancas e outros mecanismos para abrir passagens para o Trico. À medida em que o vamos fazendo, também vamos descobrindo um pouco mais do estranho, porém majestoso mundo em que nos situamos.

The Last Guardian possui belíssimos efeitos de luz e partículas

No que diz respeito à jogabilidade, infelizmente os controlos foi o aspecto que me deixou mais frustrado. Nunca vi um rapaz a correr de forma tão atabalhoada como o protagonista e os saltos são horríveis. Ao longo do jogo vamos ter de percorrer caminhos super estreitos em abismos profundos, felizmente o rapaz não cai das estremidades do caminho a menos que pressionemos o botão de salto, por exemplo. Mas ainda assim aconteceu algumas vezes essa “lei” ser desrespeitada e cair em abismos com o jogo a obrigar-me posteriormente a repetir algumas sequências de platforming mais exigentes do início. Geralmente o jogo vai gravando checkpoints regulares, pelo que quando morrermos, ou formos raptados com sucesso por um dos soldados, nunca ressuscitamos muito antes do que progredimos, o que é bom. Mas tive alguns momentos frustrantes de ter de repetir segmentos de platforming inteiros devido aos maus controlos. E a câmara por vezes também atrapalha bastante infelizmente.

Trico ajuda-nos a chegar a locais que de outra forma seria impossível alcançar

De resto, inicialmente não temos grande poder de controlo perante o Trico, inicialmente apenas o podemos chamar para junto de nós, sendo que a qualquer momento também nos podemos encavalitar nas suas costas, fazer festinhas, e esperar que o Trico nos leve a algum sítio. Mas à medida que o jogo vai avançando e a nossa relação com o bicho vai-se estreitanto, já ganhamos algum poder de controlo sobre o animal, podemos obrigá-lo a sentar-se e manter-se no seu lugar, interagir com objectos, saltar, ou direccioná-lo para onde quisermos, algo muito importante para explorar locais que sozinhos não conseguiremos alcançar. Mas a IA não é a melhor e nem sempre o Trico faz o que pedimos. Uns podem dizer que faz parte de lidar com animais, pois eles têm vontade própria e treinar um animal leva o seu tempo. Concordo com tudo isso, mas não deixa de ser um pouco frustrante por vezes eu pedir ao Trico para saltar para uma plataforma distante e ele fazer outra coisa qualquer.

Já noutras vezes teremos de ser nós a abrir caminhos para o bicho. Muitas vezes sob pressão!

No que diz respeito à apresentação, devo dizer que de facto este The Last Guardian é de facto um jogo lindíssimo, com belos efeitos de luz e partículas, como as penas do Trico e a vegetação ao sabor do vento ou as ruínas monumentais, com paisagens belíssimas e um vasto campo de visão para os exteriores. Mas as expressões faciais de Trico e as suas animações como um todo são muito bem feitas, contribuindo bastante para uma relação de empatia perante o animal. As músicas, como seria de esperar roçam temas ambientais ou mais épicos perante os momentos mais tensos. Nada a apontar aos efeitos sonoros e voice acting que, tal como nos jogos anteriores, baseiam-se em linguagens que desconheço completamente se são fictícias ou não. No que diz respeito à performance, eu tenho uma PS4 normal (não a Pro) e muito perto do fim reparei nalguns solavancos, com o framerate a cair drasticamente. Mas tirando isso pareceu-me bem fluído ao longo de toda a aventura. Presumo que a performance numa PS4 Pro seja ainda melhor.

Ao longo do jogo iremos encontrar barris que podemos dar ao Trico para o alimentar.

Portanto devo dizer que acabei por gostar bastante deste The Last Guardian, mesmo com os maus controlso e eventuais problemas de câmara. A relação e a empatia que vamos ganhando com o Trico ultrapassa tudo isso. Para além do mais, sempre gostei do misticismo que os jogos desenvolvidos pela Team Ico nos traziam e neste jogo conseguiram representar muito bem toda uma civilização envolta em mistério, com mega estruturas para explorar e belíssimos gráficos também. A ver o que Fumito Ueda nos traz no futuro.

Steins;Gate 0 (Sony Playstation 4)

Depois de ter terminado o Steins;Gate original, não perdi muito tempo a começar a sua sequela. A nível de mecânicas de jogo é muito semelhante ao seu predecessor, pelo que este artigo será mais uma rapidinha. O meu exemplar foi comprado numa CeX na zona do Porto, algures no final de Outubro de 2018, tendo-me custado na altura uns 8€.

Jogo com caixa

Portanto este jogo decorre algures num futuro alternativo, onde Okabe falha o seu objectivo principal, se jogaram o primeiro jogo para obter o True Ending, sabem do que estou a referir. Então aqui controlamos um Okabe Rintaro bastante desolado e deprimido, frustrado pela sua impotência em mudar as coisas e torna-se agora uma pessoa mais séria, sem ceder às loucuras da sua persona Hououin Kyouma (só por isso já começo a gostar do jogo!). Decide ir para a faculdade e estudar, mas uma vez mais o destino prega-lhe uma partida. Agora para além de lidar com viagens no tempo ou alterações da linha temporal, também temos uma Inteligência Artificial super sofisticada para lidar e que irá ter um papel fulcral na história. É o máximo que consigo dizer sem spoilar a história.

Estás no jogo errado, Okabe

No que diz respeito à jogabilidade, esta é exactamente igual à do primeiro jogo. Estamos então portanto perante uma Visual Novel com carradas de texto para ler (não é tão longa como o primeiro jogo mas não anda longe disso), onde ocasionalmente teremos de tomar algumas decisões que irão decidir os eventos futuros e levar-nos a um de vários finais possíveis. Essas decisões envolvem uma vez mais as interacções que vamos tendo com o telemóvel ao aceitar/rejeitar certas chamadas telefonicas chave, bem como ler e responder a mensagens. Mas desta vez estas decisões levam a ramificações na história bastante díspares entre si! E se chegarmos ao verdadeiro final, apercebemo-nos que uma sequela deverá estar a caminho.

No que diz respeito aos audiovisuais, uma vez mais para quem jogou o primeiro jogo ou está habituado a VNs já pode ter uma ideia do que esperar aqui. Ou seja, vamos ter várias imagens estáticas das personagens com quem vamos interagindo, com as suas expressões faciais e posturas a mudarem conforme os diálogos vão decorrendo, com algumas imagens mais trabalhadas a surgirem ocasionalmente. É um jogo muito estático e confesso que numa PS4 estava à espera que a 5pb se tivesse esmerado um pouco mais ao incluir mais animações. Mas ainda assim, devo dizer que gostei mais do desenho das personagens neste jogo, excepto o Daru, preferi o Daru anterior. De resto as músicas vão sendo agradáveis e variadas, desde temas bem calmos, outras melodias mais alegres e algumas mais tensas para as situações mais bicudas que iremos enfrentar.

Agora em vez de mandar emails, temos um Instant Messenger para interagir

Portanto é mais uma VN sólida para quem gostar de ler uma boa história. O facto das escolhas que formos tomando mudarem radicalmente a narrativa em cada ramificação é uma boa ideia, mas por vezes acaba por tornar as coisas bem mais confusas. E no geral devo dizer que preferi a história do primeiro jogo, mas esta também está repleta de boas surpresas.

Steins;Gate (Sony Playstation 3)

Voltando à Playstation 3, vamos ficar agora com uma visual novel muito interessante, que já tinha ouvido falar muito bem ao longo dos últimos 10 anos, porém apenas a joguei nestes últimos dias. Se bem que a minha cópia também só foi comprada algures em Setembro de 2018, numas férias que fiz na Polónia. Este meu exemplar veio de uma loja algures em Varsóvia por um preço próximo dos 5€.

Jogo com caixa

Então em que consiste este Steins;Gate? É uma visual novel produzida pelos japoneses da Nitro+ que, pelo que me apercebi, já têm um grande leque de visual novels, todas com temas sci-fi aparentemente, se bem que a maioria dos seus títulos se tenham ficado unicamente em solo japonês. Este Steins;Gate é a primeira destas VNs a sair fora do Japão e percebe-se bem o porquê, pois possui uma história muito interessante e repleta de reviravoltas. Muito genericamente e para evitar spoilers, é uma narrativa que nos coloca nos olhos de Okabe Kintaro e a sua persona Hououin Kyouma, um jovem que parece viver num mundo anime, constantemente a falar como se fosse um super vilão, o que sinceramente até me irritou bastante no início. Mas, em conjunto com os seus amigos e outras pessoas que acabam por se cruzar na sua vida, constroem por acidente uma pequena máquina do tempo e paralelamente descobrem também uma grande conspiração por parte de uma poderosa corporação que planeia dominar o mundo através da tecnologia de viagens do tempo.

Ligar um telemóvel a um microondas para o controlar à distância resultou numa máquina do tempo rudimentar

Inicialmente esta máquina tem a habilidade de enviar e-mails para o passado, coisa que Okabe e amigos experimentam e em cada e-mail enviado que tenha influenciado acontecimentos no passado, o seu presente é todo alterado para comportar as alterações que foram feitas. Curiosamente, Okabe é a única pessoa capaz de se lembrar de como as coisas eram antes de o passado ter sido alterado e à medida que vamos avançando na história, vemos como pequenas mudanças podem ter trazido consequências catastróficas na vida das personagens e não só. Sendo esta uma visual novel algo tradicional, teremos vários finais diferentes que poderemos alcançar mediante as acções que tomamos. Essas acções consistem principalmente em escolhas que fazemos no telemovel, seja ao atender/ignorar chamadas telefónicas dos nossos amigos, ou abrir/ignorar e responder aos seus e-mails de formas diferentes. Mas as escolhas que de facto têm mais peso são as que tomamos perante a máquina do tempo. Na primeira metade do jogo não tomamos muitas decisões importantes pois Okabe e companhia estão entretidos a explorar as habilidades do engenho que criaram, mas a certa altura shit hits the fan e iremos começar a tomar uma série de decisões difíceis, com grandes impactos e sacrifícios, tanto no grupo de amigos de Okabe bem como no futuro da Humanidade no geral.

O nosso telemóvel é algo que nos irá acompanhar de perto ao longo de toda a aventura e poderemos interagir com o mesmo.

A história geral do jogo está de facto muito bem conseguida, pois mistura conceitos científicos bem como questões éticas e filosóficas que nos fazem pensar melhor no conceito fantasioso que temos habitualmente de viagens no tempo e as consequências que alterar a história, por mais pequenas que sejam as mudanças, podem trazer. Como visual novel, este é um jogo muito longo, com muito texto, que nos irá levar dezenas de horas (a menos que queiram ler tudo a correr) para o jogar até ao fim e explorar os seus diferentes finais. Por mim tudo bem, mas confesso que inicialmente a personalidade de Okabe me estava a irritar profundamente. Okabe é um jovem que vive num mundo de fantasia, acha-se um cientista maluco supervilão e todas, ou quase todas as suas falas são exageradamente dramáticas por causa disso. À medida que a história vai progredindo e as coisas começam a ficar apertadas, Okabe também começa a deixar cair um pouco esta máscara no entanto.

De resto, é um jogo com uma banda sonora interessante e eclética, abrangendo diversos estilos musicais para cada contexto e emoções. O voice acting felizmente foi mantido todo em japonês, o que faz todo o sentido, até porque o jogo decorre em plena Akihabara em Tóquio. A nível gráfico, esta é uma visual novel, onde os cenários são estáticos e as personagens também, com algumas pequenas animações nas suas expressões faciais. Sinceramente não sou um grande fã do estilo de desenho do artista, mas o que interessa aqui mesmo é a história e essa, tal como já referi várias vezes, é bastante interessante.

Confesso que não sou o maior fã da arte deste jogo, principalmente pela forma como representam os olhos

Portanto se são fãs de visual novels, este Steins;Gate é de facto um jogo muito interessante e recomendo-o vivamente. Existem vários spin-offs que se ficaram apenas pelo Japão, uma sequela directa que vou começar na Playstation 4 ainda hoje e um remake deste primeiro jogo, completamente animado, que irei certamente comprar e rejogar esta aventura assim que o encontrar num preço confortável.

Onimusha Blade Warriors (Sony Playstation 2)

Um dos jogos que tenho vindo a jogar aos poucos ao longo dos últimos tempos tem sido este Onimusha Blade Warriors. Quando o comprei, já sabia de antemão que não era um jogo de acção/aventura à semelhança dos restantes que tinham saído anteriormente, mas sim um jogo de luta. Mas confesso que estava à espera que fosse um jogo de luta algo parecido ao Soul Calibur, com personagens deste universo. Mas não, este é um jogo de luta mas muito mais parecido com Super Smash Bros, o que é um conceito bastante estranho para esta série. Sinceramente já nem me recordo ao certo de onde veio o meu exemplar nem quando o comprei, mas terá certamente sido barato.

A história é muito ligeira, basicamente todas as personagens relevantes (e algumas não tão relevantes como soldados e inimigos rasos) dos dois primeiros Onimusha juntam-se para mais um embate. As forças do bem combatem as forças infernais comandadas por Nobunaga, enquanto os vilões combatem os humanos para conquistarem o mundo. Inicialmente dispomos de 4 modos de jogo principais, o modo história, o versus, custom versus e um modo de tutorial onde poderemos practicar as habilidades de cada personagem desbloqueado. O modo história é o principal modo de jogo, onde tipicamente escolhemos uma personagem e a levamos ao longo de 10 níveis, cujas missões consistem tipicamente em: derrotar todos os inimigos presentes no ecrã, derrotar um boss, derrotar um certo número de inimigos, entre outros, sendo que tipicamente teremos também um tempo limite para completar cada um destes níveis.

Apesar de as batalhas serem em 2D, poderemos alternar entre distintos planos em cada arena

A jogabilidade cruza os conceitos típicos do Onimusha com os de jogos tipo Super Smash Bros. Por um lado podemos lutar normalmente com as armas brancas e habilidades especiais que cada personagem possui, bem como absorver as almas dos oponentes que derrotamos. Por outro lado, ao longo do jogo iremos encontrar diversos itens e power ups que podemos usar em plena batalha, tal como no Super Smash Bros. Estes podem ser itens que nos restabeleçam a energia, armas como kunais e bombas que podem ser atiradas aos nossos oponentes, entre outros. As almas que vamos absorvendo possuem diferentes cores, umas regeneram a nossa barra de vida, outras enfortecem-nos ou enfraquecem-nos temporariamente, outras servem até de unidade monetária para comprarmos outros itens. As mais comuns, no entanto, são as almas que servem de pontos de experiência, que podem ser posteriormente gastos em fortalecer a nossa personagem. Diferentes armas podem ser desbloqueadas, assim como itens especiais que podem ser comprados e/ou encontrados em locais secretos nas arenas. Teremos também diferentes personagens para desbloquear à medida que vamos completando o modo história com várias personagens, como é o caso de Gargant, um dos vilões que viria mais tarde a ser apresentado no Onimusha 3, ou outras personagens mais bizarras como é o caso de Megaman.EXE ou Zero. Se bem que para desbloquear o Gargant teremos de ter um save do Onimusha 3 no cartão de memória. Os outros modos de jogo são o versus e custom versus. Como o nome indica, são vertentes mais voltadas para o multiplayer. Tanto num como no outro, apenas poderemos usar as personagens que teremos desbloqueado no modo história, mas o versus normal apenas nos permite usar as personagens com os seus níveis e equipamento base. Já o custom nos permite equipar diferentes armas o itens que tenhamos desbloqueado.

A Kaede com uma sniper rifle. Que sentido faz? Nem sequer sabe disparar. 😀

As arenas são variadas e vão buscar diversos locais explorados em jogos anteriores, como exteriores de castelos, aldeias ou templos, pontes e outras localidades mais envolvidas na natureza, como o caso dos campos de cereais ou as “florestas” de bambu. Apesar das arenas serem todas em 3D, a nossa movimentação é feita em 2D, sendo que poderemos ir alternando entre diversos planos de jogo, algo bastante útil para nos esquivarmos dos golpes inimigos. Os níveis e personagens apresentam o mesmo nível de detalhe que já estavamos habituados na série, com personagens muitíssimo bem detalhadas, incluindo as suas animações faciais. As arenas também estão bem detalhadas, o que é um bom feito visto não serem pré-renderizadas. O voice acting é competente, estando ao mesmo nível dos Onimushas que lhe antecederam.

Portanto este Onimusha Blade Warriors é um jogo bastante sólido, mas sinceramente estas mecânicas de jogo de party fighter não combinam muito com este universo Onimusha. A ideia de ser um fighter mais tradicional como um Soul Calibur parece-me fazer muito mais sentido, até porque todos, ou quase todos aqui são samurais, ninjas e afins.

White Knight Chronicles II (Sony Playstation 3)

Logo no dia seguinte ao ter terminado o primeiro White Knight Chronicles, comecei a sua sequela, até porque é uma sequela directa e, segundo o que li algures por aí, era suposto a Level-5 ter lançado o primeiro jogo com bem mais conteúdo, mas algures no seu desenvolvimento lá tiveram de cortar com algumas coisas para cumprir prazos. Tal como um Sonic 3 & Knuckles, esta seria então a segunda metade de um produto maior, embora a Level-5 tenha também aproveitado o criticismo que recebeu para mudar algumas coisas nas mecânicas de jogo. Mas já lá vamos. Este meu exemplar foi comprado na CeX de Gaia há uns anos atrás. Lembro-me que o primeiro jogo custava 6€ e este 12€, mas algures na prateleira havia um exemplar com a etiqueta trocada com a do primeiro jogo. Lá veio por 6€ então! Pequenas vitórias, embora a última vez que vi este jogo está ainda mais barato actualmente.

Jogo com caixa, manual e papelada

Esta segunda aventura decorre algum tempo (meses?) após os acontecimentos do primeiro jogo. Leonard e companhia conseguiram salvar Cissna, mas a ameaça dos Magi mantém-se e estão mais perigosos que nunca, tendo agora atacado a nação de Faria e preparam-se para atacar todas as outras. Vamos uma vez mais controlar os mesmos heróis (e seus cavaleiros poderosos) na luta contra os Magi, se bem que iremos também revisitar os mesmos locais e dungeons do primeiro jogo, mas desta vez num caminho inverso, ou seja desde Faria, até Balandor. Ora esta é a primeira queixa que tenho, pois para além de Faria e a floresta que a rodeia, teremos muito poucos locais novos para explorar. Algumas dungeons antigas têm agora algumas zonas adicionais para explorar mas, caso tenhamos importado um save do primeiro jogo, vamos ver que até muitos dos baús de tesouros já estão abertos.

O prólogo coloca-nos logo a jogar em Faria, uma das poucas novas áreas introduzidas na sequela

Aliás, incluido também nesta sequela está o primeiro jogo na sua totalidade, modificado para receber as novas mecânicas de jogo, o que eu sinceramente não testei, pois preferi antes importar o save do primeiro jogo e começar logo a nova aventura. Ao fazer isto, as personagens são todas restringidas para o nível 35, mesmo que já estivessem um nível mais elevado, mas os itens, dinheiro e rankings são todos importados devidamente. É feito também um reset a todas as skills que tínhamos antes, até porque as mesmas mudaram desde o primeiro jogo. Teremos então de reconstruir a build das nossas personagens. Desta vez decidi experimentar outras classes, para além de manter o Leonard como tank e confesso que acabou por ser uma má ideia.

Os combates são agora mais rápidos se bem que teremos menos tempo para reagir a adversidades

Isto porque lá está, houveram mudanças nas mecânicas de jogo e algumas eu não estava à espera. Mas vamos por partes e comecemos nas coisas boas: possivelmente a maior crítica que o original recebeu era o tempo excessivo que demoravamos a preparar qualquer acção em combate, fosse ela qual fosse. Agora esses tempos foram encurtados, pelo que os combates acabam por ser mais dinâmicos. Para além disso, o primeiro ataque em cada combate já se está carregado e pronto a usar, o que nos poupa alguns preciosos segundos iniciais. Por outro lado também nos dá menos tempo para reagir a eventuais adversidades e/ou alternar o controlo para outras personagens e obrigá-las a usar skills específicas. Outras melhorias muito benvindas foram a introdução de alguns botões de atalho, como é o caso da transformação para Knight que pode ser despoletada ao carregar no triângulo. Ou aceder ao mapa directamente no R2. Ou apanhar todos os recursos de uma só vez em vez de perdermos vários segundos por cada recurso.

A transformação em cavaleiros deve ser ponderada pois precisamos de ACs para nos transformar.

Agora passamos para as maiores dificuldades que tive e antes convém referir que terminei o primeiro jogo com 2 tanks (Leonard e o meu avatar), um deles com um machado, o outro com espada e escudo. A Yulie era um misto de espada e healer com o preset de heal first escolhido como o seu comportamento nas batalhas. Ora e com algum grinding adicional (ou seja, explorar completamente cada território e dungeon, por vezes mais que uma vez), consegui chegar ao fim sem encontrar dificuldades de maior. Nos combates mais complicados activava o cavaleiro do Leonard, o meu avatar fazia ataques random e a Yulie curava toda a gente sempre que necessário. Aqui houveram várias mudanças que me dificultaram a vida e tive mesmo de aprender a jogar isto em condições. Cada tipo de ataque físico pode causar dano slash, strike ou thrust, sendo que os inimigos são resistentes a um tipo de dano, mas fracos perante outro. Por sua vez, cada tipo de arma também tem mais aptidão para causar mais ou menos dano desses tipos específicos. Os inimigos podem também possuir algumas resistências a ataques mágicos de certos elementos, mas fracos perante outros. Isto acontecia no primeiro jogo, mas aqui as diferenças no dano infligido são muito mais notórias, pelo que temos sempre de ter a preocupação de atacar cada inimigo de acordo com as suas fraquezas e se possível atacar apenas nos seus pontos fracos.

Não só teremos de revisitar locais já conhecidos, mas também viajaremos no tempo

Quando enfrentamos criaturas mais complicadas, como é o caso dos minibosses e bosses, podemos definir e usar combos que para além de causarem muito dano, também os podem deixar temporariamente incapacitados, mas a custo de Action Chips (AC), que no caso do Leonard (e outros que possuam Cavaleiros), são também necessários para nos transformarmos em Cavaleiro. Temos inimigos que podem ocasionalmente invocar barreiras de protecção a dano físico e/ou mágico, bem como despoletar ataques que causam muito dano a toda a gente, e a qualquer momento podemos ser encurralados por uma série de inimigos menores mas que também dificultam a vida. Portanto, muitas vezes teremos também de ter a preocupação em aplicar buffs e debuffs, para além de skills (mágicas ou não) que apanhem o máximo de inimigos possível em simultâneo.

E eis que quando estava a habituar-me ao jogo, algures a 2/3 do final, há umas reviravoltas na história e vemo-nos repentinamente sem algumas personagens principais durante uns tempos. Fiquei sem tanks, as personagens que tinha em reserva não estavam tão evoluídas assim, e os combates que se seguiam adivinhavam-se bem mais complicados. Foram momentos de grande frustração, pelo que tive de fazer muito mais grinding que no primeiro jogo para fortalecer as personagens, melhorar o seu equipamento e desbloquear novas skills que poderiam ser úteis. Mas não foi tarefa fácil, de todo, até porque no início do jogo quando assignei todos os skill points, foquei-me em builds que se calhar não deveria.

Os novos cenários são no entanto muito bonitos e com mais detalhe que os anteriores

De resto, tal como no primeiro jogo há, ou neste caso havia, um grande foco no online cooperativo. Para além da história principal, teríamos várias quests secundárias, com objectivos típicos de MMOs como coleccionar recursos ou matar monstros, que poderíamos completar. É verdade que ainda hoje as podemos jogar, mas offline. Enquanto no primeiro jogo as jogávamos completamente sozinhos, tornando algumas quests mais exigentes practicamente impossíveis, aqui melhoraram um pouco as coisas, colocando pelo menos 2 NPCs a nos acompanhar, pelo menos na única quest que completei. O sistema do Georama, ou seja a comunidade online que poderíamos construir, com artesãos e lojas com itens raros, tinha marcado também aqui a sua presença. Não faço ideia se mudou alguma coisa comparando com o primeiro jogo, pois, mais uma vez, quando peguei neste WKC2 já os servidores há muito que tinham encerrado. Vamos tendo é outras sidequests como as Resident Quests, onde teremos de fazer de mensageiros entre NPCs e/ou trazer-lhes alguns itens raros. Para desbloquear os golpes mais poderosos de cada skill tree, seremos obrigados a cumprir algumas destas quests específicas. Para além disto, temos ainda algumas quests de bounties, ou seja, alguns monstros específicos para derrotar.

Tirando os bosses, estes Wraiths são também muito irritantes, pelas suas barreiras e spawn de esqueletos.

A nível audiovisual, noto algumas pequenas melhorias no geral, os novos locais são bem mais bonitos, e os que revisitamos também me parecem um nadinha melhores, mas pode ser apenas impressão minha. De resto tudo igual, havendo apenas uma mão-cheia de novos inimigos, muitos dos outros são reskins de inimigos que já conhecemos do primeiro jogo. Nada a apontar para as músicas, que são tipicamente mais atmosféricas e com alguns toques folclóricos tendo em conta a temática da zona. Por exemplo, na cidade de Albana, situada a meio do deserto, ouvimos algumas melodias de inspiração árabe, enquanto em Faria o mesmo acontece mas com folclore asiático. O voice acting é competente, embora gostava de ter a oportunidade de ouvir o original em japonês, o que não acontece, tal como na sua prequela.

Portanto este White Knight Chronicles II é um jogo que acabou por me desapontar. Algumas das mudanças no sistema de combate foram muito benvindas, já outras acabaram por me tramar e obrigar-me a passar por muito mais grinding que no primeiro jogo para pelo menos ir sobrevivendo. Quando o online estava activo, suponho que seria muito mais fácil ir ganhando experiência e ter acesso a equipamento muito melhor que aquele que é disponibilizado nas lojas normais da vertente single player. Seria interessante que a Level-5, antes de fecharem os servidores, tivessem lançado algum patch que disponibilizasse algum deste conteúdo offline, o que infelizmente não aconteceu. Portanto, mais que no primeiro jogo, se quiserem jogar isto, recomendo vivamente que escolham bem as skills que querem evoluir em cada personagem e se habituem o mais rapidamente possível a todas as mecânicas que o jogo oferece nas suas batalhas. De resto, e para fechar esta série, fica a faltar apenas o White Knight Chronicles Origins da PSP, que planeio começar muito em breve. Estou curioso em ver como a Level-5 adaptou a fórmula do jogo para um sistema portátil, com menos botões e recursos no geral.