The House of the Dead (Sega Saturn)

Voltamos agora à Sega Saturn para um jogo que já há muito tempo eu ansiava ter na colecção, mas os seus preços têm vindo a escalar para valores para mim proibitivos, algo transversal em muitos bons jogos da Sega Saturn nos últimos anos, infelizmente. The House of the Dead é a primeira iteração da famosa série de light gun shooter com a temática do horror que a Sega produziu originalmente nas arcades Model 2, ainda em 1996. Só em 1998, já no final de vida da Saturn no Ocidente é que tivemos direito a uma conversão (infelizmente algo pobre) deste jogo, cujo meu exemplar deu entrada na minha colecção no início de Janeiro, após ter sido comprado a um particular por 30€.

Jogo com caixa

Para mim, The House of the Dead nunca foi um jogo para se levar muito a sério na sua narrativa (até porque é agradavelmente ridícula de tão má que é), mas sim uma homenagem aos saudosos filmes de zombies série B das décadas de 70 e 80. Este jogo coloca-nos no papel de um ou dois agentes secretos da AMS, de nomes Rogan e ‘G’, que após receberem um pedido de socorro da mansão de Curien, um conceituado cientista genético, descobrem que a mesma foi invadida por zombies e outras criaturas mutantes. Rapidamente percebemos que é o próprio Curien que está por detrás do incidente e cabe-nos a nós derrotá-lo, salvando também o máximo de cientistas possível pelo caminho, bem como Sophie, noiva de Rogan.

Infelizmente os modelos poligonais nesta conversão para a Saturn ficaram muito aquém do esperado

Portanto as mecânicas de jogo são simples: disparar para todos os zombies e outras estranhas criaturas, disparar para fora do ecrã sempre que quisermos recarregar a arma, e tentar salvar o máximo de cientistas que conseguirmos. Uma das coisas que achei piada já na altura é o facto de podermos atingir os zombies em várias partes do corpo de forma independente, podendo decepá-los ou decapitá-los mediante onde os atingirmos, o que também suspeito que se traduza em pontuações diferentes. O ideal para gastar poucas balas é apostar nos head shots, embora alguns inimigos (principalmente os bosses) possam ter fraquezas diferentes. De resto o jogo possui também diferentes rotas que podemos tomar mediante as nossas acções/inacções. Por exemplo, logo no primeiro nível vemos um zombie a pegar num cientista e a preparar-se para o atirar abaixo de uma ponte. Se salvarmos o cientista, este agradece-nos com uma vida extra e podemos entrar pela porta principal da mansão. Por outro lado, se não o salvarmos então acabamos por seguir uma rota diferente, mais comprida, que passa pelos subterrâneos. Os cenários possuem também alguns objectos destrutíveis que somos encorajados a destruir, pois podem esconder vidas extra ou outros itens que nos dão mais pontos.

No final de cada nível temos sempre um boss para defrontar

A versão arcade tinha vários finais distintos, mediante a nossa performance no jogo, onde para atingir o melhor final temos de garantir que salvamos todos os cientistas, bem como ter mais de 60000 pontos no final da aventura. Esta conversão para a Sega Saturn inclui uma conversão directa do modo arcade, bem como o modo de jogo “Saturn”, onde podemos escolher livremente se queremos jogar com Rogan ou G, sendo que cada personagem neste modo de jogo possui diferentes características, como o número de balas que cada carregador pode ter. Para além disso temos também um modo boss rush, onde teremos de defrontar todos os bosses de rajada. É pena que não exista nenhum nível extra nesta versão Saturn, cujo desenvolvimento foi bastante apressado.

E onde se nota mais que o desenvolvimento foi apressado é precisamente nos visuais. Os cenários e todas as personagens apresentam texturas de baixa resolução e muito pixelizadas. É verdade que as adaptações dos Virtua Cops para a Saturn também não são muito melhores, mas acho as texturas ali melhores e ao menos o jogo é muito mais fluído que este House of the Dead. Também não gosto do facto do sangue dos bichos ser verde, mas pronto, é o que é. Ao menos a versão PC possui sangue vermelho, e os gráficos são um pouco melhores devido à resolução mais alta, mas ainda inferiores à versão arcade que, para 1996 possuia gráficos espectaculares. Ao menos a música é agradável nesta versão Saturn e o voice acting é idêntico ao original arcade, ou seja, tão mau que até se torna delicioso!

Salvar os cientistas por vezes têm recompensas imediatas

Tenho pena que até agora a Sega nunca se tenha dado ao trabalho em voltar a pegar no house of the dead original, aquando das suas conversões e relançamentos digitais em plataformas mais modernas. Por exemplo, a compilação da Wii que traz o segundo e terceiro jogo, a meu ver poderia também incluir o original, preferencialmente uma versão mais próxima da arcade possível.

The Story of Thor 2 (Sega Saturn)

The Story of Thor para a Mega Drive foi um óptimo jogo que misturava a jogabilidade de acção/aventura com elementos de RPG, um pouco como na série  The Legend of Zelda. E apesar de ter Thor no nome, que me recorde não há qualquer referência ao Deus da mitologia nórdica no jogo, até porque o mesmo é passado num mundo inspirado em civilizações árabes. Bom, anos mais tarde a Ancient decide repetir a dose com mais um bom jogo, desta vez para a Sega Saturn e uma vez mais sem qualquer referência a Thor. Mistérios, mistérios… Mas adiante, o meu exemplar foi comprado a um particular em Outubro de 2018, tendo-me custado cerca de 20€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Apesar de o jogo por cá se chamar “The Story of Thor 2” é na verdade uma prequela do primeiro jogo, onde uma vez mais encarnamos num jovem guerreiro que, equipado com uma mágica bracelete dourada, terá de enfrentar o feiticeiro Agito, que por sua vez também possui um artefacto semelhante, mas prateado e igualmente poderoso. Para isso teremos primeiro de explorar a região à nossa volta, visitar algumas dungeons e despertar uma série de espíritos que nos auxiliem nesta batalha. Cada espírito possui diferentes poderes, desde poderes ofensivos, regenerativos ou até outros que nos ajudam a resolver alguns puzzles.

Uma vez mais vamos ter de recrutar espíritos e derrotar um vilão que tem uma bracelete parecida com a nossa.

Tal como o seu predecessor, o combate é fluído e permite-nos desencadear uma série de combos quase como se um beat’em up se tratasse. Podemos também equipar uma série de diferentes armas ou explosivos para usar. Mas o grande diferencial na jogabilidade, tal como no seu predecessor, está nos diferentes espíritos que encontramos e podemos invocar ao longo do jogo, tal como já referido acima. A maior parte dos espíritos já se encontravam no jogo anterior, como é o caso da fada Dytto (antes chamada de Dryad), com os seus poderes regenerativos e ataques baseados em água ou gelo, Efreet, o espírito do fogo capaz de desencadear alguns ataques devastadores, Shade, o espírito de sombra que, entre outras coisas, salva-nos de cair em abismos, e Bawu, antes Bow, uma planta gigante com a particularidade de encontrar itens debaixo da terra. Os novos espíritos são Brass, o espírito do som que mais parece um robot e Airl, o espírito do vento/electricidade que possui uma habilidade muito útil ao servir como uma espécie de tapete voador, transportando-nos de um lado para o outro.

Como é habitual, vamos tendo alguns bosses para defrontar.

A maneira como chamamos os espíritos é também muito interessante, pois usamos o poder mágico da bracelete dourada para disparar uma bola de energia e, dependendo do que essa bola de energia atingir, poderemos invocar algum dos espíritos. Por exemplo, se dispararmos contra água, invocamos Dytto. Por outro lado se dispararmos contra o fogo, ou mesmo, invocamos Efreet, e por aí fora. E vamos ter de usar bastante estas diferentes habilidades de cada espírito para avançar no jogo! Por exemplo, com Dytto podemos extinguir paredes de fogo que bloqueiam o nosso caminho, já com Efreet podemos extinguir blocos de gelo. Por outro lado, se chegarmos fogo a uma poça de água, essa mesma transforma-se em vapor e com isso conseguimos invocar Airl… Dytto tem poderes regenerativos que podem ressuscitar velhas plantas, que por sua vez passam a servir de plataformas para alcançarmos locais de outra forma inacessíveis… há mesmo muitos puzzles diferentes e por vezes não é fácil descobrir o que temos de fazer para avançar numa dungeon. Até porque as armas também têm diferentes usos não só no combate, por exemplo, as flechas podem interagir com alavancas.

Uma coisa que me agradou face ao primeiro jogo: desta vez as armas não partem!

Para além disso há inúmeros itens úteis espalhados pelo jogo, onde teremos uma vez mais de usar as habilidades que temos ao nosso dispor para os alcançar. Estes podem ser pergaminhos que permitem aos nossos espíritos encantar as armas com os seus poderes elementais (algo útil não só para defrontar certos inimigos mas também para resolver alguns puzzles), pedras preciosas como rubis ou esmeraldas que, para além de fortalecerem os espíritos respectivos, também contribuem para a nossa barra de pontos de magia crescer. Falando nisso, inicialmente começamos a aventura com poucos pontos de vida e magia, mas à medida que vamos coleccionando espíritos e estas tais pedras preciosas, a mesma vai aumentando. A barra de vida também vai crescendo à medida que vamos avançando no jogo.

Tudo isto tornam este jogo com um foco muito maior na exploração (até porque teremos de fazer muito backtracking) do que propriamente no combate. Acho que o jogo da Mega Drive tinha um maior balanço entre as duas vertentes, aqui infelizmente a narrativa não é tão boa quanto noutros RPGs/Aventura da época, pelo que vamos dar connosco muitas vezes a vaguear pelo mundo de Oasis sem saber muito bem o que fazer a seguir. É verdade que temos algumas estátuas ou meniscos que podemos interagir e ler algumas dicas, mas o jogo tinha mais a ganhar se houvesse um maior foco na narrativa, o que é pena.

Apesar de eu gostar bastante do grafismo 2D que aqui temos, na verdade fiquei um pouco decepcionado pela maioria dos inimigos serem practicamente iguais aos do primeiro jogo na Mega Drive.

De resto, a nível de audiovisuais, podem contar com uma aventura muito bem construída, na minha opinião. A Ancient soube resistir à tentação de se voltar para o 3D numa altura em que era quase proibitivo haverem jogos “grandes” nas plataformas 32bit ainda em 2D. Ainda bem que o fizeram, pois este Story of Thor 2 possui gráficos 2D muito bem detalhados. Eu já tinha gostado bastante do grafismo do original da Mega Drive, aqui estão ainda melhores, principalmente nos cenários, mas ainda acho que as sprites poderiam ser mais trabalhadas, pois muitas estão quase idênticas às da Mega Drive. A música, uma vez mais produzida por Yuzo Koshiro tem qualidade, mas ao contrário das bandas sonoras que o tornaram famoso (Streets of Rage, Shinobi III, etc), esta é muito mais épica e orquestral, algo que não estava habituado. Não é que resultem mal, tendo em conta a temática do jogo, mas prefiro as batidas mais mexidas que Koshiro nos habituou noutros clássicos.

Portanto, este Story of Thor 2, em conjunto com o primeiro jogo da Mega Drive, são, na minha opinião, dois títulos muito interessantes e que passaram ao lado de muita gente. É pena que a Sega Saturn tenha sido um flop mundial, pois este é um dos seus exclusivos que eu gostaria um dia de ver remasterizado.

The Lost World: Jurassic Park (Sega Saturn)

O Jurassic Park foi para mim um filme muito especial, pois foi o primeiro filme que alguma vez vi no cinema e ainda mal sabia ler. Sendo um filme de grande sucesso, naturalmente surgiram imensas adaptações para os videojogos, muitas das quais eu inclusivamente já referenciei aqui. Quando veio a sequela, não tivemos de esperar muito tempo por uma adaptação para os videojogos. Para as consolas da “nova” geração, o desenvolvimento do jogo ficou a cargo da Dreamworks Interactive, que se focou apenas na versão Playstation. A versão Sega Saturn acabou por ser comissionada para a Appaloosa Interactive, estúdio norte americano que não é estranho aos fãs da Sega, pois desenvolveram os Ecco the Dolphin e outros jogos para a Mega Drive como Exo-Squad ou Cyborg Justice. No entanto a Appaloosa não tinha grande liberdade criativa, pelo que o jogo foi sendo desenvolvido de forma paralela à sua versão Playstation. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro/Outubro de 2016, numa das minhas idas à Feira da Vandoma no Porto. Creio que me custou uns 4€. Edit: recentemente comprei por 2.5€ um outro exemplar completo.

Jogo com caixa, manuais e um pequeno catálogo.

O filme leva-nos a uma outra ilha que não a do Parque Jurássico, mas lá próxima. Apelidada de “Site B”, era onde a InGen inicialmente criava os seus dinossauros, antes de os mover para a ilha principal. Naturalmente que, com os animais ao abandono, as coisas também não poderiam dar muito certo e o jogo decorre nessa mesma ilha, mas não segue propriamente a história do filme. Por outro lado, o jogo vai-nos colocar na perspectiva de várias diferentes personagens, desde humanos a diferentes espécies de dinossauros durante toda aquela confusão. Tudo isto num jogo 3D, mas que se comporta como um sidecsroller 2D, embora hajam pontos onde podemos divergir no caminho e optar por caminhos diferentes.

Mais uma vez podemos controlar dinossauros, desta vez com uma variedade maior.

A primeira personagem com que jogamos é um pequeno Compsognathus, um daqueles dinossauros pequeninos que atacavam em bando, nos filmes. Somos um bicho frágil, porém rápido a atacar, que se formos ágeis o suficiente, conseguimo-nos safar relativamente bem ao combater outros dinossauros ou mesmo humanos. Claro que convém mesmo fugir de Raptors. A personagem seguinte é um caçador humano, equipado com armas de fogo e outros adereços que nos ajudam no platforming, como um gancho que se prende no tecto e nos permite balancear entre plataformas. Infelizmente os controlos é que não são mesmo grande coisa e este gancho em particular é muito temperamental, pois muitas das vezes falha o alvo. Mais no final do jogo podemos controlar nada mais nada menos que Sarah Harding, uma das protagonistas do filme e que possui controlos similares ao do caçador, incluindo os mesmos problemas. Jogando com humanos esperem encontrar itens como munições ou medkits que nos regeneram a vida, já se jogarmos com dinossauros, a única maneira de recuperar vida é mesmo devorando as nossas vítimas, sejam humanos ou outros dinossauros.

Apesar do jogo possuir ambientes em 3D, a jogabilidade é quase inteiramente em 2D

Para além do Compsognathus, jogamos também com um Velociraptor e um T-Rex, naturalmente cada dinossauro possui ataques diferentes. É engraçado ver o T-Rex a devorar humanos como nos filmes, mas já não é tão engraçado controlá-lo, até porque muitas vezes estamos a levar com rockets sem ter grandes hipóteses de nos desviarmos, o que não é muito bom. Portanto, o problema com os controlos acaba por ser algo transversal ao jogo, infelizmente, e o design dos níveis também não ajuda em certas alturas. De resto, independentemente da personagem que controlamos, temos também alguns símbolos de ADN que podemos apanhar, sendo que para isso teremos de explorar os níveis a fundo e no caso de personagens humanas, muitas vezes temos de usar o gancho para saltar para cima das plataformas onde nos agarramos, o que é mais fácil dito, do que feito. O único propósito desses itens é que nos vão desbloqueando algumas galerias de arte, apresentadas quando terminamos todos os níveis com uma determinada personagem.

A nível gráfico é um jogo com um 3D algo primitivo. Naturalmente a versão Saturn está um pouco inferior à versão Playstation nos efeitos de transparências, mas fora isso pareceram-me duas versões muito equiparáveis. De resto temos alguma variedade de cenários, que são compostos por florestas, cavernas e algumas instalações da InGen, mas não estão lá muito bem detalhados. Gosto das animações dos dinossauros, acho que estão muito bem conseguidas, no entanto os humanos ficaram um pouco a desejar. Passando para o som, bom aqui de facto as coisas invertem-se pois acho o som do jogo muito bom, principalmente pela banda sonora orquestral e épica, que resulta muito bem em alguns momentos.

Entre cada conjunto de níveis temos umas pequenas cutscenes, que possuem qualidade superior na versão Playstation

Portanto, no fim de contas tenho a dizer que a minha sensação de nostalgia traiu-me, pois lembro-me de ver vídeos deste jogo no saudoso Templo dos Jogos e ficar cheio de vontade de o jogar. Passados todos estes anos quando finalmente lhe deitei as mãos em cima, descubro que os controlos não são nada intuitivos e por vezes funcionam mal, e que na verdade este é um sidescroller sem grande inspiração nem objectivos. A ideia de jogar com várias personagens e dinossauros diferentes é interessante, mas seria mais interessante se as diferentes campanhas se interligassem entre si. Acho que mesmo que o tivesse jogado logo em 1997/1998 iria ficar um pouco desapontado. A ver se encontro a versão da Mega Drive um dia destes, pois é um jogo inteiramente diferente e talvez seja mais interessante.

Z (Sega Saturn)

Não sou o maior fã de jogos de estratégia, mas o jogo que cá vos trago hoje até que é bastante interessante! Z, produzido origininalmente pelo estúdio britânico The Bitmap Brothers para PC, viu também conversões para consolas como é o caso desta versão Sega Saturn e Playstation, embora estas se tenham ficado apenas em solo Europeu. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março numa feira de velharias por 2€.

Jogo com caixa e manual português.

Neste jogo controlamos um exército de robots vermelhos contra um outro exército de robots azuis (era tão bom que fosse ao contrário!!) em combates ao longo de diferentes planetas. Cada exército controla um forte no mapa e tem como objectivo destruir o forte inimigo. Para além disso poderemos conquistar outras secções do mapa que possuem fábricas que nos permitem construir outros robots e veículos e outros edifícios como oficinas que nos permitem reparar os veículos. Tipicamente, também espalhados pelos mapas estão alguns veículos ou canhões vazios que podem ser prontamente equipados por quem lá chegar primeiro.

Impossível o Zod não ser uma homenagem a Killgore de Apocalypse Now!

Portanto, como muitos jogos de estratégia em tempo real, o objectivo acaba por ser o de multi tasking, pois controlamos inicialmente um número reduzido de soldados e temos de ter a preocupação de construir as melhores unidades possíveis e mandá-las para conquistar os territórios inimigos, onde lentamente lhes vamos prejudicar a sua capacidade de produção e regeneração de veículos e soldados. Outra estratégia que podemos ter é a de destruir todas as fábricas controladas pelo inimigo, mas eu prefiro usá-las em nosso proveito. No entanto este é um jogo mais simples que alguns dos seus contemporâneos, na medida em que não temos de nos preocupar com economia de recursos para construir novos robots ou veículos. Basta tempo! Depois claro, vamos tendo diferentes tipos de infantaria e artilharia para construir e usar, uns mais poderosos que outros. Mas só os vamos desbloqueando à medida em que progredimos no jogo.

Ao contrário de outros RTS, aqui não precisamos de nos preocupar com recursos para construir coisas.

A jogabilidade é em tempo real e os controlos são típicos de um esquema de rato e teclado, pelo que dava muito jeito o rato da Sega Saturn. Supostamente o jogo até o suporta, mas eu é que não tenho um. Ainda assim lá podemos seleccionar unidades individuais ou em grupo e comandá-las a mover-se pelo mapa, ou a atacar alvos específicos. Comparando com a versão PC, neste campo esta fica nitidamente uns furos abaixo, até porque temos uma área activa de jogo mais reduzida, pois o mapa está aqui mais ampliado.

Mas o que mais me agrada neste jogo é sem dúvida o seu sentido de humor. A personagem da capa é o Comandante Zod e esta é facilmente uma referência ao excêntrico Tenente Coronel William Kilgore do clássico filme Apocalypse Now. Entre cada missão temos sempre algumas cutscenes bem cómicas entre os robots pilotos da nave que transporta o exército entre missões e o tal Zod. Para além disso, gosto bastante do design dos robots, está muito bem conseguido e ao longo do jogo também podemos ver as suas expressões faciais e frases que nos vão dizendo, algo que também me agradou bastante.

Combustível de foguetão, a cerveja dos robots!

Graficamente este é um jogo simples, nitidamente 2D, mas que sinceramente, com todos aqueles pequenos detalhes dos diálogos entre as tropas e as cutscenes entre missões, acaba por resultar muito bem! As músicas também são agradáveis e pelo meio lá temos algumas faixas mais rock que me agradam bastante!

Mais um screenshot da versão PC que tem sido practicamente impossível de encontrar screenshots da versão Saturn

No fim de contas este jogo acabou por ser uma óptima surpresa. Mesmo eu não sendo o maior fã de jogos de estratégia em tempo real, é fácil ver que o jogo possui um charme muito característico. É uma pena que os Bitmap Brothers já não estejam na máxima força desde o final dos anos 90, pois seria interessante ver um remake (em 2D!) deste jogo.

Dragonheart (Sega Saturn)

Dragonheart é um filme de fantasia medieval, lançado algures na década de 90. E como tal, não poderia faltar um videojogo! Publicado pela Acclaim, este é um sidescroller 2D, mas onde usaram as técnicas da moda na altura, ou seja, sprites e cenários digitalizados! O meu exemplar entrou na minha colecção algures durante o mês de Março, foi comprado numa feira de velharias por 2€.

Jogo completo com caixa e manuais

O jogo segue de perto a história do filme, que por sua vez conta a história de um caçador de Dragões algures durante a idade média em Inglaterra, o cavaleiro Bowen. Antes de se tornar caçador de Dragões, Bowen era o mentor de um jovem príncipe, tendo-lhe ensinado todos os bons valores e virtudes. No entanto o príncipe acaba por se tornar num tirano ainda pior que o seu pai e lá teremos de o defrontar para salvar o reino.

Um dos power ups que podemos encontrar permite-nos chamar o dragão e limpar o ecrã de inimigos

Este jogo faz-me lembrar o Batman Forever, um pouco melhor mas não tanto, infelizmente. Na sua essência é um sidescroller 2D, que mistura elementos de combate com os de platforming, mas com todas as sprites como o protagonista ou os inimigos, são digitalizações de actores reais, assim como os cenários também são pré-renderizados, embora em baixa resolução. E se por um lado o grafismo até passa bem (poderia sim ser melhor, especialmente nas animações), o problema está mesmo na jogabilidade.

Os gráficos até que estão interessantes, embora as animações poderiam estar melhores

No canto superior esquerdo do ecrã temos 2 barras de energia: uma de vida e uma outra de fadiga. Ora por cada vez que executamos golpes de espada, a barra de fadiga vai-se esgotando, sendo automaticamente regenerada com o tempo, se nos mantivermos quietos entretanto. Até aqui tudo bem, mas os inimigos possuem todos uma barra de vida, logo levam uns quantos golpes até serem derrotados, logo a nossa barra de fadiga vai-se esgotando muito depressa. É verdade que existem imensos power ups que nos regeneram a vida ou a fadiga, mas esses vão sendo mais escassos nos últimos níveis, onde justamente os inimigos também são mais fortes e demoram mais a morrer. Ora logo aqui o jogo aumenta bastante a sua longevidade pelo lado aborrecido da repetitividade. Mais valia terem balanceado melhor as coisas!

Ocasionalmente lá temos alguns bosses para derrotar.

Depois temos outros itens a encontrar desde diferentes tipos de flechas que podemos usar a partir do momento que desbloqueamos o arco, power ups de armadura ou da nossa espada, ou invencibilidade temporária. Para além disso, se explorarmos bem os níveis poderemos encontrar alguns NPCs que nos aumentam as barras de vida e fadiga, ou nos ensinam novos golpes especiais. Ocasionalmente lá teremos aqui alguns quick time events nalguns segmentos do jogo onde viajamos nas costas de um dragão. Aqui temos uma pequena cutscene em full motion video a correr em plano de fundo e teremos de pressionar o D-pad nas direcções que aparecem no ecrã, para guiar o dragão em segurança até ao nosso destino.