The Lost World: Jurassic Park (Sega Saturn)

O Jurassic Park foi para mim um filme muito especial, pois foi o primeiro filme que alguma vez vi no cinema e ainda mal sabia ler. Sendo um filme de grande sucesso, naturalmente surgiram imensas adaptações para os videojogos, muitas das quais eu inclusivamente já referenciei aqui. Quando veio a sequela, não tivemos de esperar muito tempo por uma adaptação para os videojogos. Para as consolas da “nova” geração, o desenvolvimento do jogo ficou a cargo da Dreamworks Interactive, que se focou apenas na versão Playstation. A versão Sega Saturn acabou por ser comissionada para a Appaloosa Interactive, estúdio norte americano que não é estranho aos fãs da Sega, pois desenvolveram os Ecco the Dolphin e outros jogos para a Mega Drive como Exo-Squad ou Cyborg Justice. No entanto a Appaloosa não tinha grande liberdade criativa, pelo que o jogo foi sendo desenvolvido de forma paralela à sua versão Playstation. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro/Outubro de 2016, numa das minhas idas à Feira da Vandoma no Porto. Creio que me custou uns 4€. Edit: recentemente comprei por 2.5€ um outro exemplar mais completo.

Jogo com caixa, manual e um pequeno catálogo.

O filme leva-nos a uma outra ilha que não a do Parque Jurássico, mas lá próxima. Apelidada de “Site B”, era onde a InGen inicialmente criava os seus dinossauros, antes de os mover para a ilha principal. Naturalmente que, com os animais ao abandono, as coisas também não poderiam dar muito certo e o jogo decorre nessa mesma ilha, mas não segue propriamente a história do filme. Por outro lado, o jogo vai-nos colocar na perspectiva de várias diferentes personagens, desde humanos a diferentes espécies de dinossauros durante toda aquela confusão. Tudo isto num jogo 3D, mas que se comporta como um sidecsroller 2D, embora hajam pontos onde podemos divergir no caminho e optar por caminhos diferentes.

Mais uma vez podemos controlar dinossauros, desta vez com uma variedade maior.

A primeira personagem com que jogamos é um pequeno Compsognathus, um daqueles dinossauros pequeninos que atacavam em bando, nos filmes. Somos um bicho frágil, porém rápido a atacar, que se formos ágeis o suficiente, conseguimo-nos safar relativamente bem ao combater outros dinossauros ou mesmo humanos. Claro que convém mesmo fugir de Raptors. A personagem seguinte é um caçador humano, equipado com armas de fogo e outros adereços que nos ajudam no platforming, como um gancho que se prende no tecto e nos permite balancear entre plataformas. Infelizmente os controlos é que não são mesmo grande coisa e este gancho em particular é muito temperamental, pois muitas das vezes falha o alvo. Mais no final do jogo podemos controlar nada mais nada menos que Sarah Harding, uma das protagonistas do filme e que possui controlos similares ao do caçador, incluindo os mesmos problemas. Jogando com humanos esperem encontrar itens como munições ou medkits que nos regeneram a vida, já se jogarmos com dinossauros, a única maneira de recuperar vida é mesmo devorando as nossas vítimas, sejam humanos ou outros dinossauros.

Apesar do jogo possuir ambientes em 3D, a jogabilidade é quase inteiramente em 2D

Para além do Compsognathus, jogamos também com um Velociraptor e um T-Rex, naturalmente cada dinossauro possui ataques diferentes. É engraçado ver o T-Rex a devorar humanos como nos filmes, mas já não é tão engraçado controlá-lo, até porque muitas vezes estamos a levar com rockets sem ter grandes hipóteses de nos desviarmos, o que não é muito bom. Portanto, o problema com os controlos acaba por ser algo transversal ao jogo, infelizmente, e o design dos níveis também não ajuda em certas alturas. De resto, independentemente da personagem que controlamos, temos também alguns símbolos de ADN que podemos apanhar, sendo que para isso teremos de explorar os níveis a fundo e no caso de personagens humanas, muitas vezes temos de usar o gancho para saltar para cima das plataformas onde nos agarramos, o que é mais fácil dito, do que feito. O único propósito desses itens é que nos vão desbloqueando algumas galerias de arte, apresentadas quando terminamos todos os níveis com uma determinada personagem.

A nível gráfico é um jogo com um 3D algo primitivo. Naturalmente a versão Saturn está um pouco inferior à versão Playstation nos efeitos de transparências, mas fora isso pareceram-me duas versões muito equiparáveis. De resto temos alguma variedade de cenários, que são compostos por florestas, cavernas e algumas instalações da InGen, mas não estão lá muito bem detalhados. Gosto das animações dos dinossauros, acho que estão muito bem conseguidas, no entanto os humanos ficaram um pouco a desejar. Passando para o som, bom aqui de facto as coisas invertem-se pois acho o som do jogo muito bom, principalmente pela banda sonora orquestral e épica, que resulta muito bem em alguns momentos.

Entre cada conjunto de níveis temos umas pequenas cutscenes, que possuem qualidade superior na versão Playstation

Portanto, no fim de contas tenho a dizer que a minha sensação de nostalgia traiu-me, pois lembro-me de ver vídeos deste jogo no saudoso Templo dos Jogos e ficar cheio de vontade de o jogar. Passados todos estes anos quando finalmente lhe deitei as mãos em cima, descubro que os controlos não são nada intuitivos e por vezes funcionam mal, e que na verdade este é um sidescroller sem grande inspiração nem objectivos. A ideia de jogar com várias personagens e dinossauros diferentes é interessante, mas seria mais interessante se as diferentes campanhas se interligassem entre si. Acho que mesmo que o tivesse jogado logo em 1997/1998 iria ficar um pouco desapontado. A ver se encontro a versão da Mega Drive um dia destes, pois é um jogo inteiramente diferente e talvez seja mais interessante.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Saturn, SEGA. ligação permanente.

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