Panzer Dragoon II Zwei (Sega Saturn)

Panzer Dragoon ZweiO Panzer Dragoon original foi um dos jogos de lançamento da Saturn, a acompanhar alguns clássicos de arcade como o Daytona USA e o Virtua Fighter, que por sua vez viram a sua versão Saturn algo atabalhoada. Mas este Panzer Dragoon era um jogo diferente e com algo de místico. Afinal continha diálogos num dialecto desconhecido, mas acima de tudo era um jogo que nos permitia montar num dragão e enveredar por combates aéreos. Era um jogo bom, mas felizmente a sua sequela saiu-se ainda melhor. Este meu exemplar foi comprado no meu dia de aniversário neste ano de 2015, na Feira da Vandoma no Porto e custou-me 10€.

Panzer Dragoon II Zwei - Sega Saturn
Jogo com caixa e manual europeu

E se o primeiro jogo nos colocou a meio de um conflito entre um império que tentava reavivar a tecnologia perigosa de uma antiga civilização e os rebeldes montados em dragões que os enfrentavam, já este Panzer Dragoon II na verdade é uma prequela do primeiro jogo, colocando-nos no papel do aldeão Jean-Luc Lundi. A sua aldeia era bastante supersticiosa e quando o nosso animal de estimação se começa a transformar ao ganhar asas e poderes semelhantes aos dragões lendários, os restantes aldeões querem matá-lo, mas Lundi não deixa e decide fugir da aldeia. Entretanto surge uma grande nave nos céus que destrói a aldeia, aparentemente também devido ao dragão que por lá surgiu. E assim começamos a nossa aventura, nas costas de um dragão ainda jovem e sem grandes poderes, mas já a perseguir essa nave gigante e misteriosa. Claro que uma vez mais tudo é mantido com uma atmosfera muito característica, não tenho dúvidas practicamente nenhumas que os jogos da Team Ico vieram buscar muitas influências aos Panzer Dragoon, como as civilizações épicas, misteriosas e dialectos estranhos.

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Quando era miúdo, esta cutscene inicial sempre me impressionou

A jogabilidade essa é muito semelhante ao jogo original. Ou seja, este mantém-se um shooter 3D on rails, onde dispomos de dois ataques diferentes. Um rapid-fire da nossa arma de fogo que quase que funciona como uma metralhadora se tratasse, e os poderosos tiros tele-guiados do nosso dragão, que permite fazer lock-on aos inimigos que se atravessam no nosso campo de visão e depois largar fogo. Para isso vamos podendo-nos virar para vários lados enquanto o dragão segue o seu caminho, tanto de forma lenta com o D-Pad, como de forma mais rápida utilizando os botões de cabeceira para irmos rodando em ângulos de 45º. E com os inimigos a surgirem de todo o lado, sejam eles outros dragões, criaturas estranhas ou naves inimigas, bem que vamos precisar de estar atentos ao que nos rodeia. Mas para além de ser um jogo bem mais bonito, esta sequela ainda tem algumas coisas mais. Para além de um novo ataque especial que causa dano a todos os inimigos no ecrã (obviamente que não podemos abusar da sorte), o jogo apresenta várias rotas que podemos percorrer em vários níveis, bem como a nossa performance medida no final do nível, como por exemplo tanto da rota escolhida, como no número de inimigos que deixamos passar, vão fazendo com que o nosso dragãozinho vá evoluindo para outras formas, tornando-se eventualmente num dragão mais poderoso, capaz de fazer lock-on a um maior número de inimigos em simultâneo.

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No início o nosso dragão ainda não voa muito e passamos alguns níveis ou segmentos no solo

Graficamente é também um jogo mais detalhado. Os níveis são mais variados, levando-nos de novo para oceanos, cavernas, ruínas antigas ou florestas repletas de criaturas estranhas, contribuindo para uma mística muito rica desta série, e que acaba por fazer todo sentido em a Team Andromeda em seguida querer enveredar por uma vertente mais RPG. É um 3D bem detalhado para uma Saturn, sem dúvida um dos jogos mais bonitos das máquinas 32bit… no ano em que foi lançado, claro! Só os bosses gigantescos e o seu design muito próprio justificam isso! As músicas são óptimas, o voice acting não é o melhor, mas só por ser um jogo com um dialecto próprio também tem o seu valor, digo eu.

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Alguns bosses eram realmente impressionantes

Infelizmente tão cedo não pegarei em mais nenhum Panzer Dragoon… o Saga, um dos meus jogos mais requisitados teima em não deixar de subir o preço e o Orta… mesmo que eventualmente o arranje, não tenho sequer coragem em começá-lo antes de jogar o Saga. Ah Sega… eram tão meus amigos se lançassem uma compilaçãozinha da série… nem que fosse só no Steam!

Panzer Dragoon (Sega Saturn)

Panzer DragoonSe forem fãs da Sega como eu, muito provavelmente já sabem que a Saturn teve um lançamento algo atabalhoado no ocidente. Para tentar combater a Sony com a sua Playstation, a Sega decidiu anunciar completamente de surpresa na E3 de 1995 que a sua consola estaria disponível para venda logo no dia seguinte nos Estados Unidos, apenas em certas cadeias de lojas. Foi um movimento que apanhou todos de surpresa: as empresas que estavam a desenvolver software para a Saturn não puderam acompanhar esta nova data e durante vários meses os únicos jogos disponíveis para a Saturn no ocidente foram os do lançamento, que por sua vez também tinham sido produtos um pouco apressados e com uma qualidade algo abaixo do que seria expectável, tal como aconteceu com o Daytona USA ou o Virtua Fighter. Para além do mais, as outras cadeias de lojas que não foram “presenteadas” com este lançamento surpresa da Saturn decidiram-se vingar da Sega e encurtaram o seu espaço de exposição para as suas competidores directas. Boa Sega! Mas desses jogos de lançamento havia um que não tinha sido apanhado por estas confusões e surpreendentemente era mesmo um óptimo jogo: o Panzer Dragoon. O meu exemplar foi-me oferecido pelo meu amigo do Game Chest, o Mike Silva, a quem eu muito agradeço!

Jogo com caixa

Mas então o que consiste este Panzer Dragoon? É um shooter tri-dimensional, um pouco como um Space Harrier, mas em que viajamos montados nas costas de um dragão equipado com uma armadura. Se só isso já não fosse motivo para gerar curiosidade em experimentar este jogo, a equipa de desenvolvimento (Team Andromeda) ainda teve tempo de preparar toda uma mitologia por detrás, com direito a um novo dialecto e tudo, embora isso ainda não seja completamente perceptível neste primeiro jogo. O mundo de Panzer Dragoon é uma espécie de mundo pós-apocalíptico, onde uma antiga, porém tecnologicamente altamente avançada civilização foi dizimada tendo sido vítima da sua própria tecnologia. O nosso herói anónimo estava apenas a participar numa caçada quando se vê envolvido num confronto entre dois dragões e seus “cavaleiros”, até que um deles é ferido mortalmente e pede-nos, no seu leito de morte, que continuemos a sua missão. Somos então levados a montar um dragão azul (mesmo como eu gosto!) e lutar contra as forças imperiais de forma a impedi-los de activarem uma poderosa arma, rélica dessa civilização antiga.

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A cutscene inicial até é bem mais longa do que eu estaria à espera, são entre 6 a 7 minutos para nos contextualizar, mas ainda muito fica por descobrir deste mundo misterioso

Este é um shooter on-rails, ou seja seguimos um caminho pré-determinado (com alguns graus de liberdade) e temos de tentar atingir todos os inimigos que sobrevoam connosco, bem como evitar obstáculos e os seus projécteis. Mas também temos um controlo de 360º da nossa vista, através dos botões de cabeceira do comando da Saturn. Clicando no L ou no R giramos a câmara 90º para a esquerda ou direita respectivamente e isto é mesmo muito útil pois os inimigos podem surgir de qualquer lado e convém acertarmo-lhes o quanto antes. Para isso temos um radar no canto superior direito que nos vai mostrando as posições inimigas ao qual vamos ter de ir prestando alguma atenção. Para os derrotar temos 2 tipos de armas de fogo. Podemos disparar no nosso revólver, mas também podemos dar uma de “After Burner” e utilizar um mecanismo de lock-on para disparar a partir do nosso dragão bolas de energia teleguiadas. Podemos seleccionar vários alvos ao mesmo tempo e isso acaba por ser a chave de obtermos uma boa performance. Claro que no final de cada nível temos sempre um boss para enfrentar onde teremos de por em prática todas estas mecânicas de jogo. Mediante a nossa performance (e é bem difícil termos uma performance boa) poderemos ganhar uma vida extra!

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Os níveis são bastante simples a nível técnico, mas são suficientes para darmos azo à imaginação do potencial que toda a arte desta série tem

De resto, a nível técnico este ainda é um jogo algo simples, sendo um produto do início de vida da Saturn, consola essa que por si só já tinha os seus quês no hardware e na dificuldade de programação para se tirar um bom rendimento nos jogos 3D. Temos então um framerate baixo e cenários ainda bastante simplistas, no entanto não deixa de ser um jogo belíssimo por todo o imaginário que apresenta. Quem não gostaria de “conduzir” um dragão de guerra?? As músicas infelizmente é que já achei que não fossem as mais adequadas à “epicidade” que este Panzer Dragoon tenta deixar transparecer.

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Ao mudarmos o ângulo da nossa câmara, o radar também muda de direcção

Existem outras versões deste Panzer Dragoon. A mais conhecida é talvez a versão Windows que foi lançada não muito tempo depois da versão Saturn. Infelizmente os problemas de performance persistem nessa versão, mas ao menos poderia ser jogada numa resolução mais alta. Existe também uma conversão para a PS2, mas essa infelizmente ainda não lhe deitei as mãos. De resto, apesar de ser um jogo ainda um pouco cru, não deixa de ser um óptimo aperitivo a uma série que tenho muita pena que a Sega tenha deixado cair no esquecimento após o Panzer Dragoon Orta.

Battle Arena Toshinden Remix (Sega Saturn)

Battle Arena ToshindenVamos lá a mais uma rapidinha a uma conversão de mais um jogo da série Battle Arena Toshinden para a Sega Saturn. Esta série, produzida pela Takara, foi um dos primeiros clones de Virtua Fighter, o mítico jogo de luta que deu início aos primeiros videojogos de luta 1 contra 1 completamente em 3D poligonal, contrastando com todos os clones de Street Fighter e Mortal Kombat que haviam por aí. Mas Battle Arena Toshinden é mais que um clone pois é um dos primeiros, senão o primeiro mesmo, jogo de luta 3D com armas brancas, muito à semelhança do que veio posteriormente a ser popularizado com Soul Blade / Soul Calibur. Mas antes disso, Battle Arena Toshinden foi também o primeiro jogo de luta a sair na Playstation, uns meros meses antes de Tekken, portanto foi também concorrente directo ao Virtua Fighter nessa consola. Mas poucos meses depois também foi relançado como Battle Arena Toshinden Remix na Sega Saturn. O meu exemplar foi trocado com um particular por um outro jogo que eu tinha aqui repetido, faltando-lhe apenas o manual.

Battle Arena Toshinden Remix
Jogo com caixa apenas

BAT Remix é mais que uma mera conversão, pois traz algum conteúdo extra, como uma nova personagem jogável, exclusiva desta versão Sega Saturn, bem como um modo história repleto de cutscenes que nos enquadram melhor na história. Isto porque o BAT Remix segue o cliché de muitos outros jogos de luta, na medida em que existe algures um grande torneio de artes marciais, organizado por gente duvidosa e com segundas intenções e todos os lutadores têm as suas próprias razões para competir, sejam boas ou más. Bom, esse modo história ao menos dá-nos um pouco do background de cada personagem, as suas motivações e relações com os outros lutadores que nos apareçam à frente. Temos também o modo arcade para um ou dois jogadores, bem como um modo de treino onde poderemos lutar contra o computador. A jogabilidade em si é simples, com 2 botões para ataques com a arma e outros 2 para pontapés (fracos mas rápidos e fortes mas lentos). Como não poderia deixar de ser há uma série de especiais e se escolhermos as dificuldades mais baixas até dá para mapear alguns golpes especiais num ou 2 botões do comando.

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Battle Arena Toshinden é uma das primeiras séries de luta em 3D. E com armas brancas!

Tecnicamente o jogo não é nada de especial. Tanto a versão Saturn como Playstation apresentam modelos poligonais com pouco detalhe, bem característicos desta altura em que os jogos inteiramente em 3D ainda davam os primeiros passos. Mas a versão Saturn ficou um pouco inferior – sim, pois a consola 32bit da Sega apresentava um hardware muito complexo e era um trabalho colossal colocar um jogo tão bonito numa consola e noutra e com o mesmo rendimento, já todos sabemos, ou deveríamos saber dessas “limitações” da Saturn. O que é inferior aqui, para além de alguns efeitos de transparências como é habitual, os próprios backgrounds das arenas são muitas vezes imagens estáticas ao contrário da versão arcade ou PS1, que apresentam cenários também poligonais. A música e efeitos sonoros no geral não me deixaram lá muitas lembranças pelo que nem os comento, já o voice acting das cutscenes entre cada combate no modo história… esse… esse é tão horrível que até se torna bom! Vocês sabem! Quase no nível do House of the Dead 2!

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Este modo história não está no original arcade e playstation. Mas a qualidade também não é de todo a melhor.

Battle Arena Toshinden é uma série que por acaso nunca foi daquelas que mais me marcou. No entanto os seus 4 jogos na Playstation terão deixado as suas marcas nos fãs da Sony, até porque o primeiro antecedeu-se ao Tekken por uns quantos meses. Para esses fãs, considerem também esta conversão para a Sega Saturn assim como o Battle Arena Toshinden URA pois apesar de serem tecnicamente inferiores, ambas apresentam conteúdo extra que poderá ser uma mais valia.

Bug! (Sega Saturn)

BugVamos lá para mais uma rapidinha a uma consola que já não visitava há muito tempo. E o jogo que cá trago hoje é um daqueles bons exemplos em como um jogo de plataformas em 3D primitivo envelhece mal. Bug! em conjunto com Clockwork Knight foi uma das pseudo-mascotes da Sega na era da Sega Saturn, enquanto um novo jogo de plataformas do Sonic inteiramente em 3D não chegava (e na verdade nunca chegou a aparecer). Foi também um dos jogos daquela era pré-Super Mario 64 em que ninguém ainda sabia muito bem como fazer um jogo de plataformas em 3D, por isso o resultado foi um pouco estranho. Este meu exemplar foi comprado por 10€ na Cash Converters do Porto, há coisas de umas semanas atrás.

Jogo com caixa e manuais

E o que se faz em Bug? Bom, encarnamos no pequeno insecto verde de mesmo nome que tenta resgatar os seus amigos após terem sido aprisionados por uma aranha gigante. Mas tudo se passa como um filme, pois entre cada “mundo” vemos uma cutscene do Bug a passar de set em set de gravação. Mas o que interessa aqui é a jogabilidade e sinceramente a de Bug deixa um pouco a desejar. Apesar de os níveis serem em 3D, os mesmos são apresentados como um “labirinto” e apenas podemos andar nas direcções que os caminhos nos levam. Um pouco como no primeiro Crash Bandicoot, mas aqui os caminhos são mesmo mais apertados e apenas podemos seguir ao longo de um eixo. E isso sinceramente nem me chatearia nada, o problema é que achei o design dos níveis muito fraquinho e por vezes confuso demais, até porque por vezes há uma falsa sensação de profundidade que nos dificulta as coisas, como fugir/atacar inimigos ou apanhar alguns itens que pareçam que estão ao nosso alcance.

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Como uma imagem vale mais que mil palavras com este screenshot já dá para ter uma ideia do quão 3D é este jogo

Depois Bug não é propriamente um jogo fácil por essas coisas e por estr repleto de outros insectos que só nos atrapalham. Podemos atacá-los de várias formas, a mais comum acaba por ser ao saltar para cima deles, como em muitos outros jogos de plataforma. Existem claro outros power-ups que nos dão alguns poderes temporários, como um ataque eléctrico a partir das nossas antenas (também de curto alcance), ou umas cuspidelas tóxicas – sendo este ataque de maior alcance. Os inimigos vão sendo mesmo muito variados e surgem literalmente de todo o sítio. Uma das coisas engraçadas neste Bug! é mesmo a possibilidade de andarmos em “paredes” quando o caminho assim o indica, ou mesmo nos tectos de cabeça para baixo, temos é de evitar saltar pois ao saltar caímos mesmo para o chão, ou para a falta dele – o mais comum. Existem também vários níveis de bónus onde podemos ganhar vidas extras, um deles ficou-me gravado na memória, a possibilidade de correr contra o Sonic (e eventualmente ganhar mesmo com o nosso passo de caracol).

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No fim de cada zona temos sempre um boss para enfrentar

Graficamente é um jogo um pouco ultrapassado. Por um lado gosto do design do Bug e dos seus amigos pois é bastante cartoony. Já da maioria dos inimigos ou mesmo a maneira como os níveis são desenhados ou os seus backgrounds, aí já não acho lá muita piada. Os efeitos sonoros são competentes, embora por vezes o Bug tenha algumas tiradas um pouco chatas – em especial quando sofremos algum dano. As músicas não são más, fazem-me lembrar bastante os desenhos animados norte-americanos típicos de canais como o Nickelodeon ou o Cartoon Network, são alegres e adequam-se bem a uma atmosfera agradável que o jogo tenta capturar.

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Por vezes lá temos umas cutscenes em CG que por acaso nem estão tão más, tendo em conta a qualidade geral das mesmas em outros jogos da mesma época na Saturn

Tal como já referi, para mim o maior problema do Bug é mesmo o seu design de níveis que acaba por ser bastante confuso e entediante e como se não bastasse temos sempre montes de outros insectos prontos a nos atordoar. Mas pronto, depois a Nintendo lá lançou o Super Mario 64 e toda a gente já passou a ver a fórmula que um jogo de plataformas 3D deveria seguir. Mas ainda assim queria ver se arranjava um Bug Too!

Shinobi X (Sega Saturn)

shinobixDe volta para a Sega Saturn, para uma análise aquele que foi o único jogo da série Shinobi a chegar à consola e o último até à própria Sega ter descontinuado a Dreamcast e abandonar por completo o ramo de fabricante de consolas. Shinobi X é uma espécie de um reboot da série, contando a história de um novo ninja chamado Sho e é também um jogo que utiliza actores reais em cutscenes e mesmo no próprio jogo, um pouco como foi feito nos primeiros Mortal Kombat. E este jogo entrou na minha colecção algures durante o mês anterior, após ter sido comprado na cash de S. Sebastião em Lisboa por 7.5€, faltando-lhe infelizmente o manual.

Shinobi X - Sega Saturn
jogo apenas com caixa

E a trama do jogo conta-nos a história de Sho e Kazuma, dois irmãos pupilos de um mestre ninja que em conjunto com a sua filha Aya lhes tentava passar todos os seus ensinamentos. Contudo Kazuma começou a ficar obcecado pelo poder, de tal forma que até acabou por abandonar o seu mestre e irmão e jurar vingança pelos seus desejos não terem sido ouvidos. Passam-se vários anos, o mestre morreu e Kazuma tinha arranjado um exército ninja e a sua própria fortaleza e foi tempo de colocar o seu plano de vingança em acção: raptar Aya e obter os poderes secretos do seu antigo mestre que estariam latentes no corpo da sua filha. Claro que Sho não achou muita piada e partimos assim para a acção.

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Ao longo do jogo vamos tendo sempre muitos ninjas para cortar ao meio

Numa primeira vista este Shinobi X parece semelhante aos anteriores, tirando claro está os visuais digitalizados de actores reais. Mas a jogabilidade é parecida, Sho pode dar duplos saltos, disparar kunais, usar ninjutsus mágicos e saltar de parede em parede. Mas aqui é dado um foco maior à luta de espadas, com as kunais a estarem disponíveis em menor número do que o habitual e o seu poderio ofensivo ser também mais fraco. Assim sendo, o jogo obriga-nos a tomar uma postura de maior ataque corpo-a-corpo, oferecendo-nos imensos golpes e combos que podemos executar, mas obrigando-nos também a defender constantemente e desviar os projécteis inimigos com a nossa própria espada. Mas infelizmente o movimento do ninja não está tão “on the spot” como vimos no Shinobi III, aqui as coisas são um pouco mais lentas. Os ninjutsus estão de volta, e vemos muitos poderes familiares a marcar o seu regresso, embora desta vez de forma diferente. Dois deles são logo usados automaticamente mal sejam apanhados como power-up, tal como a invencibilidade temporária, onde Sho deixa um rasto de vários shadow clones no seu caminho, ou o novo poder de Bishamon, adquirido quando encontramos uma espada especial. Isso vai fazer com que uma poderosa entidade nos dê mais poder  nos nossos ataques e cada vez que atacamos alguém, surge uma silhueta de Bishamon, provocando dano nos inimigos que lhe toquem. O único poder que temos liberdade de escolha de quando o utilizar é o do Fire Dragon, que mata todos os inimigos presentes no ecrã e dá também um bom dano nos bosses.

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Bishamon, um dos novos ninjutsu que teremos à nossa disposição

De resto este não é um jogo propriamente fácil como seria de esperar. As zonas estão divididas por vários níveis grandinhos, ao contrário dos outros jogos da série onde veríamos 2 níveis curtos mais um boss. Nesses níveis tanto teremos designs relativamente simples sem grande platforming envolvido como teremos precisamente o contrário, onde para além de saltos precisos no meio de abismos temos também que lidar com imensos inmigos ao mesmo tempo. Os níveis são variados entre si, mas também não são propriamente originais para quem já conhecer bem a série Shinobi. Zonas como aldeias de um japão feudal, zonas mais industriais ou militares, as docas de alguma cidade oriental ou cavernas (incluindo viagens em carrinhos de mineiros) são alguns locais que já nos são muito familiares. Os bosses infelizmente também não são muito impressionantes, precisamente por na sua maioria serem também actores reais digitalizados.

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Alguns níveis são bem mais exigentes no platforming.

Graficamente até que considero o jogo interessante, precisamente pelo facto de utilizarem bem os actores digitalizados e mesmo nos próprios níveis, com backgrounds fotográficos e texturas também mais realistas. Mas tal como referi atrás, isso trouxe o preço de termos menos bosses, inimigos e temas sobrenaturais. Outro aspecto muito importante a referir são as cutscenes que dão entre cada nível, contando a história com mais detalhe. Como seria de esperar essas são completamente filmadas com actores reais e também como seria expectável, os actores não são lá muito bons. Mas dá para entreter, e os temas de filmes de série B asiáticos até que dão um ar engraçado à coisa, mesmo com o mau voiceacting e legendagem. Sim, porque temos na mesma as vozes originais em japonês (ainda bem!!) com legendas em inglês, porém com um ou outro erro ortográfico. As músicas também não são nada de especial. Existindo uma ou outra que vai buscar influências ocidentais e também aos temas de Yuzo Koshiro nas suas obras-primas da Mega Drive. No entanto esta não é a banda sonora original do jogo, pois a Sega of Europe achou a banda sonora original muito fraca e decidiram mudar. Tendo em conta que apesar de esta banda sonora não ser desagradável de todo não ser propriamente brilhante, fiquei mesmo com curiosidade de ouvir a original.

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As cutscenes são mazinhas mas é isso que as torna boas, na minha opinião

No fim de contas este Shinobi X pode ser considerado por muitos uma ovelha negra na série, mas achei que teve umas boas ideias, especialmente no campo da jogabilidade, com muitos mais golpes e movimentos que podemos desencadear. Infelizmente os controlos poderiam ser um pouco mais fluídos e preferia termos a liberdade de escolha ao decidir que ninjutsu queremos usar e em que momento o fazer. De resto é um jogo divertido como sempre e mesmo o mau acting ou as vestimentas mais aparvalhadas que eles usem, para mim satisfez-me bem.