Phantasy Star Online (Sega Dreamcast)

Phantasy Star OnlineBom, este é um jogo que merecia um artigo exaustivo por ter sido um ponto de viragem tão drástico na clássica série de RPGs da Sega, bem como um dos jogos mais inovadores do catálogo da Dreamcast. Mas não vai ser o caso, por culpa do Phantasy Star Online Episode I & II para a Nintendo Gamecube, que me chegou à colecção muito antes deste jogo, que por sua vez inclui tudo o que o jogo da Dreamcast tem e muito mais.  Assim sendo, acao sempre por recomendar uma leitura do artigo da conversão/sequela que a consola da Nintendo recebeu, pois terá mais detalhe. Esta versão Dreamcast chegou-me à colecção ainda neste ano, tendo sido comprada a um coleccionador particular, por 8€. Tirando os problemas habituais na caixa, está em bom estado e inclui uma demo do Sonic Adventure 2.

Phantasy Star Online - Sega Dreamcast
Jogo completo com caixa, manual, papelada e demo do Sonic Adventure 2

Phantasy Star Online foi um jogo bastante revolucionário, tendo sido o primeiro MMORPG a ser lançado numa consola. Mas PSO é algo diferente dos MMOs que mesmo na época existiam, na medida em que apesar de podermos socializar com meio mundo, na verdade apenas equipas de até 4 jogadores no máximo podem jogar ao mesmo tempo. E para quem acompanhou a série desde os tempos da Master System / Mega Drive, a jogabilidade também mudou bastante, passando de um RPG clássico com batalhas por turnos para um “hack and slash” 3D. A história também mudou bastante face à série original, apesar de existirem alguns hints por parte da Sega que existe uma ténue relação entre os acontecimentos da série clássica, Online e Universe. Basicamente a história consiste na odisseia dos habitantes do planeta Coral, que após se ter tornado inabitável deu-se um êxodo em massa para o planeta de Ragol, a bordo de  duas naves gigantescas: Pioneer 1 e 2. A Pioneer 1 foi a primeira a arrancar, tendo-se estabelecido em Ragol com sucesso. Quando chega a vez dos habitantes da Pioneer 2, dá-se uma enorme explosão no planeta que dizimou todos os colonos da Pioneer 1. Assim sendo, cabe aos membros do Hunter’s Guild explorarem Ragol à procura de respostas para o desastre, para que depois os habitantes da Pioneer 2 se possam mudar definitavamente para a nova casa. Este primeiro jogo coloca-nos a explorar 4 diferentes áreas (Forest, Cave, Mines e Ruins), cada uma com o seu boss – sendo o último um velho conhecido da série.

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O já icónico ecrã de título

Como qualquer bom MMORPG, inicialmente somos convidados a criar a nossa personagem, escolhendo a raça (Human, Cast ou Newman) e classe (Hunter – própria para combate corpo-a-corpo, Ranger para quem prefere usar armas de fogo, ou Force, os “feiticeiros” do sítio). Como é natural, as raças têm também diferentes atributos, o que, em conjunto com as classes resultam em personagens com diferentes habilidades e características. O jogo não possui uma skilltree elaborada como em muitos outros MMOs, mas cumpre o seu papel por ser um jogo bastante funcional. Posteriormente podemos optar por jogar offline ou online. Enquanto no modo offline jogamos sozinhos, online poderíamos jogar com um grupo de até 4 jogadores, ao longo das 4 áreas de jogo. Existem também várias sidequests que podem ser jogadas offline, onde a história do jogo até acaba por ser contada com mais algum detalhe. No entanto era no modo online que a piada do jogo estava, afinal o grinding interminável para se obter items raros e coloridos sempre é mais agradável fazê-lo com companhia.

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Uma das builds que podemos escolher. Eu pessoalmente tenho ido sempre para os all-around human hunters

Graficamente é um jogo competente, tendo em conta que saiu para a Dreamcast e já no ano de 2000. A Dreamcast era uma consola competente na sua altura mas também tinha as suas limitações, e num jogo online totalmente em 3D é exigido mais recursos do sistema, pelo que os visuais eram algo simples. No entanto este PSO marcou um “modernismo” visual na série Phantasy Star que sempre me agradou, desde no design dos personagens, armas e equipamentos, como em toda a envolvente “high-tech” à volta dos cenários e afins. Sonoramente também é um jogo que para mim é memorável, tanto que muitos dos seus efeitos sonoros e músicas são utilizados ainda hoje, nas iterações mais recentes da série. A música tem sempre uma componente futurista, e embora não seja propriamente algo épico de se ouvir, adapta-se bem à atmosfera do jogo e é agradável para as sessões de grinding.

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A primeira área é a mais colorida. Blue sky in games 4eva.

Infelizmente não tinha Dreamcast na altura em que o jogo saiu, pelo que nunca o joguei online na sua incarnação original. O facto de ter uma mensalidade também não ajudava, o que em conjunto com o modem 33kbps com que a Dreamcast vinha no território Europeu também não era muito convidativo para passar horas “ao telefone” com os tarifários da internet na altura. Embora não deixe de ser um dos jogos mais icónicos do catálogo da última consola da Sega, esta versão em concreto apenas recomendo a sua compra pelo valor histórico ou por coleccionismo. No ano seguinte, também para a Dreamcast (e PC) foi lançado o Phantasy Star Online Ver.2, que incluiu várias novidades, desde subir o level cap, novos items, novos modos de jogo e novas sidequests disponíveis offline. Depois foi lançado para a Nintendo Gamecube e Xbox o já referido Phantasy Star Online Episode I & II, que mais uma vez inclui tudo o que já tinha sido lançado anteriormente mais uma expansão e outras novidades. Ainda assim, enquanto a Sega não decide se traz para o ocidente o novo Phantasy Star Online 2, a melhor alternativa de jogar o clássico continua a ser o Phantasy Star Online Blue Burst para PC. É um jogo que, apesar de já estar descontinuado, pode ser jogado em servidores privados, incluindo o conteúdo do PSO Episode I & II e uma nova expansão, o Episode IV. Para quem não sabe, o Episode III é um jogo completamente diferente, exclusivo da Nintendo Gamecube, essa consola com uma presença online fortíssima…

Alien 3 (Sega Mega Drive)

Alien 3E foi na última PUSHSTART que fiz uma análise ao jogo Alien 3 para a consola 16-bit da SEGA. Esse jogo veio-me parar à colecção ainda durante este ano de 2013, através de um amigo meu de infância que me vendeu alguns dos seus antigos jogos de Mega Drive. Dividindo o custo do lote pelo número de jogos, este Alien 3 ficou-me a 2.5€, um óptimo negócio, apesar de o jogo estar incompleto pois lhe falta o manual.

Alien 3 Sega Mega Drive
Jogo com caixa

É um bom jogo de acção/platforming, e curiosamente é mais um jogo completamente distinto entre as versões 16-bit caseiras, com o Alien 3 da SNES ser algo completamente diferente. Sem mais demoras, podem ler a análise na íntegra aqui.

Super Space Invaders (Sega Master System)

Super Space Invaders

Deixando um pouco de lado os jogos indie para o PC, vou então voltar à minha querida Sega Master System para um pequeno artigo. O jogo que trago hoje é a adaptação para a consola 8bit da Sega de um dos mais importantes videojogos da indústria, o mítico Space Invaders da Taito. Este Super Space Invaders é na verdade a conversão caseira de uma das sequelas do original, o Super Space Invaders ’91 cujo lançamento ficou a cargo da Domark. Empresa essa que lançou o jogo para quase toda a máquina que vendia bem em solo europeu, desde as consolas 8bit da Sega aos velhinhos ZX Spectrum, Commodore 64 e restantes computadores domésticos. Mais uma vez a conversão para a Master System ficou a cargo dos estúdios The Kremlin e/ou Tiertex. Ora a minha cópia veio-me parar às mãos junto com um pack de 7 jogos que comprei no Miau por 5€, infelizmente não vem com manual, mas pelo preço que foi não me posso queixar.

Super Space Invaders - Sega Master System
Jogo com caixa, infelizmente falta o manual, pelo que já vi, é muito interessante.

Após uma introdução retirada de uma prompt de comandos como os terminais da velha guarda faziam, ficamos a saber que a terra está a ser alvo de uma invasão alienígena, e um briefing de quais as armas que temos ao nosso dispor, e quais as naves aliens que iremos defrontar, com os respectivos detalhes técnicos. Um pormenor interessante, e de facto nada mais é preciso saber acerca do Space Invaders, onde controlamos um veículo terrestre que se move da esquerda para a direita e vai disparando vários tiros para o ar de forma a destruir os aliens que ameaçam destruir o nosso planeta.

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Este title screen é mesmo à jogo europeu dos anos 90…

Mas este Super Space Invaders tem várias diferenças face ao original, embora muitas das mecânicas originais se mantenham. O jogo coloca então o jogador a enfrentar uma matriz de várias naves alienígenas que se movem em conjunto e disparam contra o jogador, movendo-se cada vez mais rápido quanto menos naves estiverem disponíveis. Consoante o jogo vai progredindo, a dificuldade também aumenta, pelo que os inimigos ficam cada vez mais “ferozes”, multiplicando-se ou mudarem o seu padrão de movimento. Felizmente este não é um dos shooters 1 hit kill, o jogador possui um escudo que permite absorver algum dano antes de se perder uma vida, de qualquer das formas sempre que uma nave consiga aterrar em terra firme perde-se uma vida. Também existem alguns powerups que podemos ir apanhando, dando ao jogador diferentes armas que se tornam bastante úteis, entre outros como por exemplo paralizar temporariamente os inimigos. Algumas das outras novidades introduzidas neste jogo face ao original é a implementação de um modo de 2 jogadores em simultâneo, a inclusão de bosses gigantescos no final de alguns níveis ou mesmo de níveis de bónus algo remeniscientes de um outro clássico das arcades, o Galaga. Nesses níveis de bónus chamados “Cattle Mutilation”, temos de proteger uma série de vaquinhas que estão tranquilamente a pastar no campo, de uma série de OVNIs que as tenta raptar – é bom ver algum sentido de humor no jogo. O progresso no jogo também é algo que fica a cargo do jogador, podendo este escolher o nível seguinte a jogar, totalizando 12 níveis distintos.

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Algumas naves inimigas não explodem ao primeiro contacto, umas duplicam de tamanho, outras multiplicam-se… é uma festa!

Visualmente, longe estão os níveis monocromáticos do Space Invaders original. Aqui todos os níveis têm uma paisagem de fundo, sendo que alguns incluem também scrolling. Óbvio que o detalhe gráfico está longe do original Super Space Invaders ’91 da arcade, ou mesmo das conversões para os computadores mais poderosos como o Commodore Amiga ou a Atari ST. Uma coisa interessante de mencionar é que pelo menos estas 3 edições possuem cutscenes de abertura (e de fecho, presumo eu) completamente diferentes e todas bastante originais. Tal como a versão arcade, practicamente não existe música nesta adaptação para a Sega Master System, apenas no final do jogo e, por sinal, é uma música muito bem conseguida, aproveitando da melhor forma os recursos limitados que a Master System oferece neste campo. De resto, ao longo do jogo, os “barulhinhos” que vamos ouvindo são os típicos de uma arcade dos anos 80, neste aspecto conseguiram recriar um clima mais nostálgico. A acompanhar esses efeitos sonoros existe uma espécie de batida que vai acompanhando o ritmo do jogo. Cada vez que o bloco de naves se move, ouve-se um som grave, à medida em que vamos destruindo as naves, as restantes vão-se movendo cada vez mais rápido, o que aumenta também o ritmo da batida, o que cria algum ambiente mais tenso.

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Ecrã de selecção de níveis

Concluindo, a versão Sega Master System apesar de estar tecnicamente longe do Super Space Invaders 91 da Arcade ou as suas adaptações para os computadores de 16/32 Bit Atari ST e Commodore Amiga, ainda assim é um port interessante que consegue reter todo o sentimento nostálgico do Space Invaders original.

Jet Set Radio (Sega Dreamcast)

JetsetradiopalboxartE o primeiro artigo da Sega Dreamcast que escrevo neste blogue é nada mais nada menos que um dos seus jogos mais originais, o Jet Set Radio. Durante a era da Sega Dreamcast, os estúdios da Sega atravessaram um dos seus períodos mais criativos, criando jogos como Phantasy Star Online, Shenmue, Skies of Arcadia, Rez ou este jogo. Jet Set Radio é um jogo que mistura a jogabilidade de um Tony Hawk com graffitis, o feeling de um jogo arcade como a Sega bem o sabe fazer e uns visuais únicos para a época. A minha cópia foi comprada algures no ano passado através da Amazon UK. Foi um óptimo negócio na minha opinião, visto que comprei uma cópia selada pelo preço de 0.99£ mais portes.

Jet Set Radio - Sega Dreamcast
Jogo completo com caixa e manual

Jet Set Radio tem uma história algo surreal, pelo que não adianta escrever muito sobre a mesma. O jogo decorre numa versão distorcida da capital japonesa Tóquio, onde diversos “gangs de patinadores” lutam entre si em vários distritos da cidade, marcando o seu território com pinturas em graffiti em diversos pontos. Podemos jogar com várias personagens do gang G.G. do distrito de Shibuya-cho, onde inicialmente defrontamos elementos dos gangs rivais ao longo de vários locais da cidade, bem como as forças policiais que tentam restabelecer a ordem. Com o decorrer do jogo a trama vai-se desenvolvendo com a inclusão de um outro gang, este já mafioso que está por detrás dos vários conflitos que têm acontecido. Tudo isto é narrado através do doido Professor K, um DJ da rádio pirata mais famosa do sítio: Jet Set Radio.

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Alguns graffitis mais complexos exigem que se repita os movimentos mostrados no ecrã com o stick analógico

Tal como referi acima, a jogabilididade cruza-se com a de um Tony Hawk Pro Skater com algo mais arcade. Todas as personagens estão equipadas com uns patins, o que lhes permite fazer as habilidades mirabolantes do costume em videojogos de desportos radicais, desde “grindar” corrimões, patinar sobre paredes, carros e afins, saltos acrobáticos, etc. Em todos os níveis do jogo temos como objectivo pintar com graffitis alguns pontos chave, marcados através de setas vermelhas. Para isso temos de ir coleccionando latas de spray que estão espalhadas pelos locais. Alguns graffitis são bastante simples de se fazer, bastando apenas apertar o botão no momento certo, já os grafittis mais complexos exigem que o jogador repita com o analógico os movimentos que vão surgindo no ecrã. Claro que se fosse só isso o jogo seria fácil, mas existem vários empecilhos que se vão colocando à nossa frente. Inicialmente apenas somos importunados por alguns polícias, depois lá começam a vir corpos de intervenção, equipas SWAT, helicópteros, tanques de guerra e por aí fora, mediante a dificuldade do nível. Nós não temos como lutar contra maioria dos inimigos, excepto alguns – marcados com setas verdes – que podem ser pintados com graffitis. Mas os inimigos não são a nossa única preocupação – como um jogo arcade, temos um limite de tempo para completar cada nível.

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A história vai sendo contada com cutscenes entre os níveis, quer pelo Professor K, quer por outras personagens do gang GG

A jogabilidade é bastante simples, utilizando apenas botões para saltar, acelerar e centrar câmara/pintar graffitis. Esta versão original para a Dreamcast, ao contrário da versão em HD que a Sega lançou recentemente para Steam/XBLA/PSN/whatever não é possível controlar-se a câmara, o que causa alguns problemas pois por vezes a câmara insiste em dar o pior ângulo possível. De resto, apesar de ter uma jogabilidade simples, Jet Set Radio não é propriamente um jogo fácil e tem também imenso conteúdo para desbloquear. Ao longo da aventura vamos sendo desafiados por outras personagens, seja para repetir algumas habilidades que elas façam, ou correr do ponto A ao ponto B. Se vencermos os desafios, essas personagens juntam-se à nossa equipa, podendo ser jogáveis. Cada personagem tem os seus pontos fortes e fracos, seja a resistência física ao dano, destreza para “graffitar”, ou técnica de skating para se obter melhores truques. Para além destas personagens ainda existem outras mais secretas ainda, algumas mesmo exigindo rankings máximos em cada nível para serem desbloqueadas, bem como existem outros modos de jogo mais desafiantes para desbloquear. Ainda mais, esta versão para Dreamcast tinha algumas funcionalidades online, na medida em que poderíamos criar os nossos próprios graffitis, partilhá-los com a comunidade e utilizá-los no jogo. Como é óbvio, o serviço online da Dreamcast já foi descontinuado há muito, pelo que isto me passou ao lado.

Jet Set Radio é sem dúvida um jogo original. Para além das suas mecânicas de jogo que já referi, é impossível não se gostar do carisma de algumas personagens, desde o desgraçado do Captain Onishima que tenta sempre nos apanhar, aos diálogos bem humorados do DJ narrador Professor K, ou mesmo no visual de todos os intervenientes do jogo. E o visual é mesmo a primeira coisa que saltava à vista em Jet Set Radio. Sendo um jogo pioneiro ao utilizar o cel-shading, uma técnica que conferia um aspecto cartoon a objectos poligonais, Jet Set Radio chamou à atenção por isso mesmo. Era nitidamente um jogo 3D, mas no entanto os visuais pareciam mesmo vindos de um anime. Mas não eram só os gráficos fora de série que chamaram à atenção do jogo, a banda sonora também. Ao longo de toda a aventura podemos ir ouvindo uma grande variedade de géneros musicais, mas todos eles a fazerem o perfeito sentido naquele universo distópico do submundo de Tóquio. Desde os esperados J-Pop e J-Rock, passando por músicas electrónicas, hip-hop, funk, trip-hop, há conteúdo para todos os gostos. As músicas que compõe a banda sonora de JSR tanto provêm das composições de Hideki Naganuma como de vários outros artistas “licenciados”, sendo que estas últimas vão variando de versão em versão. Algumas apenas estão disponíveis no lançamento original japonês, outras no europeu, outras no Jet Grind Radio norte-americano.

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E lá vem o Onishima atrás de nós…

Concluindo, Jet Set Radio foi mais um dos excelentes jogos lançados pela Sega no período da Dreamcast e que pouca gente lhe prestou atenção. Ainda assim ganhou uma sequela na Xbox com o nome de Jet Set Radio Future bem como um estatuto de culto por parte da comunidade gamer mais afincada. Para quem não tiver Dreamcast, existe uma conversão em HD para vários sistemas distribuição digital em diversas plataformas. Essa conversão, para além de ter os visuais melhorados, inclui melhorias na jogabilidade, tal como o controlo de câmara já referido acima. A versão Steam especificamente, por vezes é alvo daquelas promoções malucas, pelo que pode ser comprada a um preço muito convidativo em certas alturas.

Vanquish (Sony Playstation 3)

Vanquish PS3A Platinum Games é uma empresa que me faz muito lembrar a Treasure nos anos 90. A Treasure, formada por ex-funcionários da Konami lançou imensos excelentes jogos repletos de acção, na sua maioria publicados pela Sega back in the day. A Platinum Games, formada por ex-funcionários da Capcom também se demarcou desde cedo pelos seus jogos de acção non-stop e sendo na sua maioria também publicados pela Sega até à data. Infelizmente, por culpa das pobres estratégias de marketing da Sega, pela teimosia nos gamers actuais em apenas se interessarem por shooters genéricos como Call of Duty , ou uma mistura de ambos, os jogos da Platinum Games nuncha atingiram nenhum sucesso comercial de vendas por aí além, o que levou a que vários dos seus novos jogos venham a ser publicados por outras empresas como a Konami ou Nintendo. Este Vanquish, fruto da mente brilhante de Shinji Mikami é na minha opinião tudo o que o seu anterior P.N. 03 quereria ter sido, um shooter futurista repleto de acção e com uma apresentação excelente. A minha cópia veio-me parar à colecção através da GAME do Maiashopping, cuja tinha uma cópia a 10€ para venda, que eu não deixei escapar. Está completa e em bom estado.

Vanquish - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa e manual

Vanquish passa-se num futuro onde a humanidade chegou a um nível de população tão alto que viver no planeta Terra deixou de ser viável. Os Estados Unidos lançaram para o espaço uma colónia/estação espacial que utiliza a radiação solar para fornecer meios alternativos de energia para aquele país. Enquanto isso, na rival Rússia as coisas não estavam assim tão bem, tendo esse país sido vítima de um golpe de estado que acabou por instaurar mais um regime militar naquela zona. Order of the Russian Star, como se intitulavam, tomaram de assalto a tal estação espacial norte-americana, utilizando o mecanismo de recolha de energia solar como arma, dizimando por completo a cidade de San Francisco. Após esses eventos, os responsáveis russos deram 10h ao governo norte americano para se renderem por completo, caso contrário a próxima cidade a ser destruída seria Nova Iorque. A presidente dos states como não gosta de “negociar com terroristas”, enviou uma série de Space Marines para retomar controlo da estação espacial, entre os quais o herói Sam Gideon, um membro do grupo de investigação DARPA cuja missão consistia em resgatar o cientista François Candide.

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O herói, Sam Gideon e o veterano de guerra Burns, 2 das principais personagens do jogo

Vanquish é um shooter na terceira pessoa bastante fast-paced e com uma apresentação visual brilhante. A jogabilidade também é excelente, fruto das habilidades que o fato especial de Sam lhe permite fazer. Para além de implementar um sistema de covers bastante intuitivo como já tem sido feito em jogos como Gears of War, existe em mecanismo de sliding boost que nos permite percorrer grandes distâncias num curto intervalo de tempo, bem como uma habilidade em que podemos abrandar o tempo, e disparar ou movimentar em câmara lenta. Utilizar todas estas habilidades em conjunto com mais umas quantas é o que torna este jogo tão dinâmico e fast-paced, com muito poucos momentos em que podemos respirar de alívio. Saltar de cover em cover em câmara lenta enquanto enchemos uma série de robôs com chumbo? É possível. E depois ainda fazer um sliding boost para outro local para ganharmos vantagem posicional? Também dá! Ainda assim convém utilizar estas habilidades com moderação, visto que ao fim de algum tempo o fato entra em sobreaquecimento e temos de esperar algum tempo para poder utilizar essas habilidades novamente, correndo o risco de ficarmos expostos ao perigo.

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Sliding boost – weee!

Sam pode carregar consigo 3 armas diferentes bem como 2 tipos de granadas – frag e EMP que permitem destruir ou paralisar tudo o que for electromecânico respectivamente. As armas existentes são bastante variadas e não temos qualquer restrição com as combinações que podemos escolher. Se quisermos podemos andar carregados de armas pesadas como um rocket launcher, um sistema de projécteis teleguiados ou uma arma electromagnética, mas como é óbvio nem sempre é uma boa decisão visto que essas armas tradicionalmente usam poucas munições. E vários inimigos têm diferentes fraquezas, pelo que andar com o conjunto certo de armas em vários segmentos de jogo é sempre uma boa estratégia. As armas podem ser upgraded ao longo do jogo, conferindo-lhes maior dano ou a capacidade de carregar mais munições. Na dificuldade Normal cada vez que morremos as armas vão sofrendo um downgrade, pelo que devemos ter um cuidado acrescido, caso queiramos continuar a ser uma máquina de destruição ambulante.

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A HUD do jogo é bastante completa – mostra as armas equipadas, um radar com posições inimigas e “friendlies”, entre outras indicações úteis.

Os controlos de Vanquish no meu caso ainda demoraram algum tempo a serem assimilados, talvez por não estar habituado a jogar TPS em consolas. Mas o que é certo é que quando me habituei, Vanquish tornou-se num jogo fantástico de ser jogado. As coisas iam saindo naturalmente e, apesar de possuir alguns momentos mais aflitivos como alguns bosses “bullet hell” nunca deixou de ser um jogo cheio de adrenalina. Eu não costumo gostar de QTEs, mas eles existem neste Vanquish – especialmente em lutas contra bosses – e estão soberbos, fossem antes todos assim. O grande problema de Vanquish é ser um jogo curto. Finda a campanha temos alguns desafios com uma dificuldade absurda para serem completos, ou então a possibilidade de rejogar em dificuldades mais elevadas. Não existe qualquer multiplayer, mas também deveria ser algo complicado implementar o sistema de slow-motion dessa forma. Bom, a mim pessoalmente não me faz diferença.

Tecnicamente falando, antes de referir os visuais convém mencionar a fluidez do jogo. O jogo requer que se instalem quase 3GB de conteúdo no disco para ser jogado, mas a verdade é que mal se notam os tempos de loading. Acabamos uma missão, aparece um ecrã de pontuação da mesma e alguns segundos depois lá começamos a missão seguinte, estando no mesmo local e com o resto do nível já aparentemente carregado. Entre os diferentes actos também mal se notam os loadings, sendo a acção separada por cutscenes fantásticas, o que também contribui para a fluidez do jogo. Graficamente falando, Vanquish é um jogo soberbo. Apesar de não existir uma grande variedade nos visuais ao longo do jogo – todo ele é passado numa estação espacial gigante – a verdade é que ainda assim os gráficos estão bastante clean e bem detalhados, assim como os inimigos, principalmente os bosses colossais que são um mimo de se ver. As cutscenes… bom essas são uma constante, utilizando o próprio motor gráfico do jogo e estão repletas de acção como se um bom filme de Hollywood se tratasse. O voice acting é bastante competente, embora os diálogos por vezes sejam bastante cliché. Ainda assim, quando tudo o resto é excelente, não me consigo queixar disso. A música tem toda uma toada electrónica, não fosse este um jogo futurista e adequar-se perfeitamente a todo o caos que envolve a jogabilidade.

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Os bosses têm uma barra de energia sempre visível no ecrã. Os restantes inimigos apenas é visível quando os atingimos

Posto isto, é difícil compreender como um jogo tão bom tenha vendido tão pouco e passado ao lado de tanta gente. Para quem gosta de shooters este Vanquish é certamente um jogo a não perder, seja a versão PS3 como X360. O final de Vanquish deixa muita coisa ainda em aberto pelo que fico na expectativa de um dia Vanquish receber uma merecida continuação.