Quackshot: Starring Donald Duck (Sega Mega Drive)

QuackshotAntes de a Disney ter criado a sua divisão Disney Interactive algures durante o ano de 1994, é certo e sabido que os melhores jogos baseados em franchises da marca foram produzidos por duas empresas. Num lado tinhamos a Capcom, empresa responsável pelo lançamento de diversos platformers de excelente qualidade nas consolas da Nintendo, por outro lado tinhamos a Sega, também com vários platformers de qualidade para as suas consolas, como Castle of Illusion, World of Illusion, Lucky Dime Caper ou este mesmo Quackshot. A minha cópia foi comprada algures em Dezembro de 2013, na cashconverters do Porto, tendo-me custado 4€. Curiosamente é mais uma edição Sega Genesis comercializada oficialmente em Portugal pela distribuidora Ecofilmes.

Quackshot - Sega Mega Drive
Jogo com caixa, versão Genesis

Tal como o nome indica, este jogo baseia-se no Pato Donald, que por acaso é sem sombra de dúvidas a minha personagens preferida de todo o universo Disney. Ainda assim outras personagens do universo do Donald também vão aparecendo, como o Tio Patinhas, os sobrinhos Huguinho, Zézinho e Luisinho, a Margarida, o Prof. Pardal e meio que perdido aparece também o Pateta. Acontece que enquanto Donald estava a cuscar as coisas do Tio Patinhas, encontrou um antigo mapa de tesouro que prometia riquezas de valor incalculável. Donald lança-se assim à aventura na busca desse grande tesouro, mas pelos vistos o vilão habitual Bafo-de-Onça estava a espiá-lo e obviamente que lhe quer roubar o tesouro, colocando os seus capangas no caminho do nosso pato preferido.

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Quaisquer semelhanças com o Indiana Jones são mera coincidência

Quackshot é assim um jogo de plataformas, como muitos o eram na altura, porém este é algo não-linear. Para além de podermos escolher qual o nível a jogar, teremos de os revisitar mais que uma vez, utilizando um item coleccionado num outro nível para se poder avançar no outro. E isto é marcado com um sistema de “checkpoints” nos locais intermédios, que nos deixam precisamente no local chave para a segunda visita. Para além do mais, a arma de Donald é um dispara-desentupidores, arma essa que tem também as suas peculiaridades. Utilizando a munição standard, os desentupidores infinitos, quando disparados num inimigo, apenas os imobiliza durante um curto intervalo de tempo. Existem outras munições mais poderosas que são capazes de destruir permanentemente os inimigos, e podem até ser utilizadas em alguns níveis para destruir alguns blocos. Essas munições consistem em pipocas e bolas de sabão. Sim, é um jogo da Disney.

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No início e fim do jogo temos direito a estas “cutscenes” onde a história vai sendo contada

Para além do mais ainda existem outros 2 upgrades aos desentupidores que podemos encontrar. O primeiro permite agarrar os desentupidores temporariamente nas paredes, fazendo com que sirvam de plataformas para alcançar outras secções previamente inacessíveis. O último upgrade, para além de herdar todas as características dos anteriores permite também que fiquem temporariamente agarrados aos inimigos, sendo especialmente úteis quando temos de nos agarrar a uns papagaios gigantes para uma viagem sobre abismos. O jogo vai tendo assim níveis variados com outros detalhes interessantes para além do platforming clássico, desde uma viagem alucinante em carrinhos de mineiros como num certo filme do Indiana Jones, ou andar perdido num palácio oriental labiríntico à procura das portas certas para se safar. Claro que pelo meio teremos várias batalhas com os habituais bosses e no geral é um jogo que acaba por ser bem desafiante em algumas alturas.

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Parece o Bafo de Onça, mas é apenas um dos seus muitos “minions” espalhados em todos os níveis

Graficamente é um jogo com sprites bem detalhadas e com boas animações, assim como os próprios níveis que são bem variados entre si, com temáticas bem diferentes. Desde cidades clássicas das antigas animações da Disney, pirâmides egípcias, um castelo assombrado na transilvânia ou mesmo um navio viking abandonado são apenas alguns dos exemplos. O único senão que eu coloco na componente visual é a paleta de cores escolhida ser muito escura. É verdade que a Mega Drive em si tem uma paleta de cores bem inferior que a da Super Nintendo, por exemplo, mas ainda assim existem outros jogos da Mega Drive com cores bem mais garridas do que este Quackshot, que o merecia. Por outro lado as músicas são agradáveis como seria de se esperar.

No fim de contas, é mais um excelente platformer produzido pela Sega, que muito provavelmente acabou por ser ofuscado pelo jogo de estreia de um certo ouriço azul, lançado no mesmo ano de 1991. Infelizmente foi também um jogo que ficou algo esquecido no catálogo da Mega Drive, pois a menos que algo me tenha escapado, não chegou a sair em nenhuma compilação para sistemas mais recentes, nem para a Virtual Console da Nintendo Wii, o que é pena.

Revolution X (Sega Mega Drive)

Revolution X

Às vezes fazemos questão de comprar um mau jogo só mesmo para poder falar mal dele à vontade. Pelo menos foi o que eu fiz com este Revolution X. O jogo nas arcades, jogado com uma lightgun a simular uma metralhadora pesada fixa, até me parece muito interessante, mas esta conversão para a Mega Drive é mesmo algo para esquecer. E esta minha cópia foi comprada há umas semanas atrás numa cash em Lisboa, mais precisamente na de S. Sebastião. Custou-me sensivelmente 4€, está em bom estado, embora lhe falte o manual. Tem também a particularidade de ser uma das versões Sega Genesis (NTSC-U) que acabaram por ser lançadas em Portugal. Edit: arranjei recentemente um PAL por cerca de 12€.

Jogo com caixa, versão americana, mas distribuida em Portugal pela Ecofilmes.

O conceito do jogo é logo a primeira coisa bizarra que salta à vista. Videojogos sobre bandas não eram propriamente uma coisa comum, e mesmo nos dias que correm só se fosse mesmo um jogo musical do género Guitar Hero ou Rockband. Mas não, Revolution X é um shooter arcade que usa lightguns. E em que os Aerosmith são chamados para a coisa? Bom, o jogo decorre num “futuro” distópico em 1996, onde uma enorme organização fascista, os New Order Nation (NON), passa a controlar todo o mundo. Uma das políticas que os NON tentam implementar é banir tudo o que a “juventude” gosta, nomeadamente filmes, videojogos e música, entre outros. Ainda assim a rebeldia existia, pois os Aerosmith iriam dar um mega-concerto brevemente, onde acabaram por ser raptados por tropas dos NON. O resto do jogo não será muito difícil de adivinhar, temos de resgatar os Aerosmith e pelo meio destruir os NON, liderados por uma tal de Helga.

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Possivelmente a primeira ditadora sexy da História

Passando para a jogabilidade, vemos logo outra coisa bizarra nesta versão de Mega Drive. O jogo não suporta qualquer lightgun! E o mesmo é válido para as outras conversões domésticas (SNES, PS1, Saturn), embora todas essas plataformas também possuam as suas lightguns. Usamos então o gamepad para derrotar enormes legiões de inimigos e veículos que nos vão aparecendo à frente, causar o maior dano possível nos níveis para obter alguns power-ups e libertar todas as reféns que conseguirmos. Mediante o grau de dificuldade escolhido, temos direito a um determinado número de continues para gastar – ainda vão sendo bastantes, pois sem uma lightgun é normal que soframos dano mais regularmente. Para além da metralhadora normal podemos também disparar CDs que vamos coleccionando ao longo dos níveis, CDs esses que funcionam como uma arma especial, causando mais dano. Existem outros power-ups, como um escudo que nos protege de um certo número de “hits“, outros que nos regeneram a saúde ou mesmo uma bomba muito poderosa. Um aspecto que eu até gostei neste jogo é o controlo que por vezes temos em explorar os níveis, podendo inclusivamente entrar em salas secretas com alguns goodies.

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Vídeo em altíssima resolução de Steven Tyler

Mas para além da jogabilidade mal aproveitada por não usarem a Menacer, os outros grandes defeitos desta conversão são a censura e o audiovisual. Tal como Mortal Kombat, também da Midway, o jogo utiliza sprites digitalizadas de actores reais, mas na Mega Drive as coisas não ficaram tão bonitas assim, até porque perderam imensos frames de animação. No entanto, existem alguns clips de vídeo com alguns segundos de duração que até achei bem conseguidos, tanto no vídeo, como nas falas dos Aerosmith que os acompanham (excepto o primeiro com o Steven Tyler). Infelizmente as músicas é que ficaram uma miséria. Apenas existem 3 músicas dos Aerosmith incluidas nesta conversão, mas ficaram irreconhecíveis. O que é pena, pois o chip de som da Mega Drive tende a portar-se bem em chiptunes mais rockeiras.

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Os gráficos ficaram realmente muito abaixo do esperado – Lethal Enforcers é tão melhor!

A questão da censura é outra que assolou practicamente todas as conversões caseiras deste jogo. Para além da versão Mega Drive (e SNES) não ter o sangue que podemos ver na versão original, os atributos da modelo Kerri Hoskins também ficaram mais escondidos. Kerri é uma actriz/modelo que teve várias participações no mundo dos videojogos, sendo possivelmente melhor conhecida pelo seu papel como Sonya nos primeiros Mortal Kombat. Ora neste jogo, Kerri representa tanto a vilã Helga, como as reféns que podemos resgatar. Essas reféns estão sempre em trajes menores. Na versão arcade ainda mostrava um pouco do seu “fio dental”, aqui isso foi censurado, apesar de continuar com pouca roupa. Não que isso me cause assim tanta comichão, mas seria uma censura que esperaria ver talvez na SNES, já na Mega Drive nem tanto.

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Os bosses são sempre grandinhos e levam algum tempo a ir abaixo

No fim de contas este Revolution X, para além de ser um jogo com um conceito completamente bizarro, teve as suas conversões para consolas muito infelizes. Numa arcade, com uma lightgun a simular uma metralhadora, e os gráficos e som no seu esplendor, até me parece ser um jogo que ofereça algum divertimento. Esta versão Mega Drive, muito inferior no audiovisual e sem qualquer suporte a lightgun, deixou muito a desejar, e o mesmo pode ser dito das outras versões existentes.

Spider-Man: The Return of the Sinister Six (Sega Master System)

SpiderManReturnOfTheSinisterSix-SMS-PT-mediumDe volta para a consola 8bit da Sega e para mais uma análise rapidinha a um dos jogos que teve direiro a um lançamento “portuguese purple“, ou seja, edições lançadas exclusivamente em Portugal, numa parceria entre a Ecofilmes e a Tectoy (distribuidoras da Sega em Portugal e no Brasil respectivamente). Esses lançamentos são facilmente identificáveis pela sua capa em tons púrpura, e este Spider-Man foi um dos jogos que recebeu esse tratamento. Ora este jogo entrou-me na colecção há pouco mais de um mês, tendo sido comprado na feira da ladra em Lisboa, por uma quantia que rondou entre os 6 e os 8€.

Spider-Man Return of the Sinister Six - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manual

E tal como o título do jogo indica, jogamos pelo homem-aranha na sua luta contra os Sinister Six, que correspondia a uma story-arc da comic norte-americana algures durante os anos 90, onde os Sinister Six não eram nada mais que 6 vilões clássicos do Spider-Man. Claro que estou a falar de tipos como o Electro, Sandman, Mysterio, Vulture, Hobgoblin e o “chefão” Dr. Octopus. O jogo está então dividido em 6 diferentes zonas de Nova Iorque, cada uma delas divididas em 2/3 níveis onde temos de defrontar um desses vilões no final de cada “zona”.

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Não posso negar que tenha gostado do ecrã título

A jogabilidade é simples, porém não muito funcional. Botão direccional para movimentar, um botão facial para disparar e um outro para saltar. Se pressionarmos ambos os botões faciais então o “aranhiço” solta as suas teias, permitindo-nos baloiçar entre outras plataformas. As habilidades especiais do Spider-Man não se ficam por aqui, pois podemos escalar edifícios e atacar os inimigos com “bolas” de teia. Essas bolas têm munições limitadas, no entanto lá vamos encontrando algumas munições que podemos coleccionar para restabelecer as teias.

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Se o jogo tivesse sprites maiores não seria má ideia

Estas características até seriam interessantes se os controlos não fossem uma porcaria. A movimentação do aranha é lenta e os controlos nem sempre correspondem aos nossos comandos, para além do ataque melee, quando não dispomos de teias ser muito pouco eficaz. Dispomos de uma pequena barra de energia que vai sendo consumida com cada golpe sofrido e apenas uma vida (embora tenhamos um ou dois continues para o jogo todo), e isso em conjunto com os controlos que não funcionam da melhor forma, estão reunidos todos os ingredientes para um jogo daqueles que o AVGN gosta de falar. A versão NES deste jogo até foi editada pela LJN, portanto se calhar até já falou dele mesmo. No entanto não posso deixar de comentar que nem tudo é assim tão mau. Em alguns níveis requerem mesmo uma interacção básica com o meio ambiente, seja simplesmente procurar uma simples chave para abrir uma porta, ou um punhado de dinamite para explodir com uma passagem, ou mesmo uns óculos com visão infra-vermelha para conseguirmos ver alguma coisa numa sala completamente às escuras.

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Antes de cada “zona” temos uma pequena introdução ao vilão que vamos enfrentar no final

Graficamente nota-se bastante bem que é uma conversão do mesmo jogo que saiu para a NES. Embora seja visualmente mais colorido, tirando assim partido da maior paleta de cores que a SMS disponibilizava, as sprites do aranhiço ou mesmo dos inimigos são bastante pequenas, e os níveis não são tão detalhados assim. A Master System é capaz de fazer melhor. As músicas e efeitos sonoros também não são nada de especial, mas isso já é normal na Master System, que tirando algumas excepções, o seu chip de som standard estava uns furos abaixo da concorrência.

No fim de contas este é mais um sidescroller para a consola da Sega que ficou esquecido no tempo, e face aos seus maus controlos e um restante jogo algo medíocre, é fácil perceber o porquê.

Sega Casino (Nintendo DS)

Sega CasinoMais uma “rapidinha” a um jogo que sinceramente não joguei assim tanto, pois não faz mesmo o meu género. Sega Casino é, tal como o nome indica, sobre jogos de casino e foi produzido pela Sega para a Nintendo DS. E daí talvez não, este é um dos imensos jogos e conversões que foram tomadas a cabo pela Tose, um dos developers que mais anda pelas sombras em toda a indústria de videojogos. Mas voltando ao jogo, Sega Casino foi-me oferecido por um amigo meu há vários anos atrás, penso que em 2006, muito antes de eu sequer ter comprado uma DS e quando o fiz, este foi o jogo que me entreteu durante vários dias.

Sega Casino - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Inicialmente dispomos de Blackjack, Roulette, Baccarat e a variante Texas Hold ‘Em do Poker. Esses 4 diferentes jogos podem ser jogados no free mode que como o nome indica é um modo de jogo meramente casual, ou então no Casino Mode, onde dispomos inicialmente de uma quantia e temos de ganhar o máximo de dinheiro possível para desbloquear outros jogos ou mesas de apostas mais elevadas. Posteriormente podemos então desbloquear várias modalidades de video poker, uma outra modalidade de poker (7 Card Stud), ou outros jogos de pura sorte como o Keno e variantes de jogos de dado. Obviamente que a piada está mesmo em jogos que necessitem de alguma estratégia e não se baseiam puramente em sorte, pelo que me dediquei um pouco mais ao Texas Hold ‘Em, nas viagens de autocarro que na altura fazia entre casa e a faculdade. Só que infelizmente a IA não é lá grande coisa, raramente faz bluff, portanto quando vemos alguns dos bots a apostar, é porque na maioria das vezes têm razões para isso.

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Os vários modos de jogo que podemos desbloquear.

Graficamente não é um jogo nada de especial, apresentando o mínimo indispensável. Alguns jogos, como a roleta por exemplo, lá apresentam mais algum detalhe, com alguns gráficos poligonais inclusivamente. Se não fossem mesmo os dois ecrãs e a interface touch-screen, diria que era um jogo de Gameboy Advance. Os efeitos sonoros e a própria música não acrescentam nada demais, pelo que também nem vale a pena perder muito tempo nisso. No que poderia realmente perder tempo, se não fosse algo que nunca cheguei a experimentar, seria mesmo a componente multiplayer deste jogo. Aqui é possível jogar localmente com até 5 amigos na mesma rede, bastando apenas um cartucho com o jogo. E seria mesmo na vertente multiplayer que poderíamos jogar o que mais piada teria: as duas variantes do poker e o Blackjack.

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A roleta é dos poucos momentos em que até vemos algum 3D no ecrã

Posto isto, Sega Casino é um jogo que recomendo apenas aos mais ávidos coleccionadores de produtos da Sega ou mesmo da Nintendo DS, pois como jogo de casino, o que não faltam por aí são outros jogos com essa temática bem superiores. Porque a Sega lançou isto? Talvez para colmatar uma lacuna inicial de jogos deste género na Nintendo DS, é a única desculpa que encontro.

Sonic the Hedgehog 2 (Sega Mega Drive)

Sonic 2Voltando à excelente consola de 16-bit da Sega, muito apreciada aqui no nosso Portugal, para um dos melhores jogos da plataforma, na minha opinião. Apesar de já ter analisado um Sonic 2 por aqui, a versão 8 bit não tem rigorosamente nada a ver com esta versão 16-bit, enquanto o primeiro jogo ainda tinha adaptado alguns níveis. E este Sonic 2 é exactamente tudo o que se poderia pedir de uma sequela de um jogo de sucesso, ao refinar a fórmula original e melhorá-la em todos os campos. Ora este jogo foi comprado recentemente a um particular por 5€ mais portes de envio, se não estou em erro. Está completo e em estado razoável, pecando pelo manual.

Sonic the Hedgehog 2 - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa e manual

Começando por uma curiosidade, este jogo não foi desenvolvido pela Sonic Team. É certo que Yuji Naka e outros nomes sonantes da Sonic Team estiveram activamente presentes no desenvolvimento deste jogo, mas foi o extinto estúdio norte-americano Sega Technical Institute (também responsável por coisinhas como Kid Chameleon, Comix Zone ou o infame Sonic X-Treme que nunca chegou a sair para a Sega Saturn). E que belo trabalho eles fizeram!

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Como é habitual, os primeiros níveis são sempre bastante coloridos

Este é também o primeiro jogo que vai buscar um “amiguinho” do Sonic, antes de terem descambado as coisas por completo com o Sonic Adventure. Neste caso estou a referir-me à raposa de duas caudas, Miles “Tails” Prower. A história continua simples: Dr. Ivo Robotnik, agora conhecido como Eggman como sempre o foi chamado no Japão, apesar de ter sido derrotado no jogo anterior continua com os seus planos maquiavélicos de dominação mundial. Para isso precisa de duas coisas: os indefesos animais para servirem de base aos seus robots, e o poder das sete esmeraldas caóticas para alimentar a sua estação espacial Death Egg – qualquer referência a Star Wars é mera coincidência. Assim sendo controlamos mais uma vez Sonic ao longo de diversos níveis nos mais variados ambientes, sempre com uma velocidade frenética mas nunca sacrificando a jogabilidade e o platforming, algo que a Sega parece ter esquecido como se faz nos últimos tempos.

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Com Tails a ter vidas infinitas, alguns bosses acabam por ser bastante fáceis se quisermos

É também o jogo que marca o nascimento da mais conhecida habilidade do ouriço azul, o spin-dash, que lhe permite enrolar-se sobre si mesmo e arrancar a velocidades estonteantes. É também o jogo que tem o nascimento do Super Sonic, indo buscar essa influência ao Dragon Ball Z. Quando Sonic possui as 7 esmeraldas – aliás, requisito necessário para se obter o melhor final do jogo mais uma vez – podemos escolher transformar Sonic numa espécie de super-guerreiro temporariamente, onde tal como Goku, torna o seu pêlo dourado e ganha uma “força” incrível, neste caso ganhando invencibilidade e grande agilidade. Esse efeito porém vai consumindo os anéis que adquirimos com o tempo, quando os mesmos chegam a zero, Sonic volta ao seu estado normal, e estando indefeso por não possuir nenhum anel. Falando nas esmeraldas, mais uma vez apenas podemos encontrá-las ao jogar os níveis bónus, que são desbloqueados sempre que passarmos num checkpoint com mais de 50 anéis. Desta vez esses níveis especiais têm um bonito efeito 3D, parece que estamos a correr numa enorme pista de bobsleigh, onde o objectivo é apanhar um determinado número de anéis e evitar as bombas que nos retiram alguns anéis.

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Provavelmente os níveis bónus mais memoráveis de toda a série. Apesar de simples eram graficamente impressionantes para a altura

Depois temos as mecânicas Sonic e Tails. Por defeito jogamos com Sonic, mas com Tails a acompanhar-nos, sendo controlado por uma fraquíssima inteligência artificial. No entanto, neste modo, podemos jogar com mais um jogador de forma cooperativa, bastando ligar um segundo comando na consola que podemos passar a controlar Tails. E dessa forma até se torna o jogo bem mais fácil, pois Tails para além de poder voar temporariamente e poder carregar o Sonic consigo, tem também vidas infinitas, o que pode ser explorado para facilmente derrotar uma série de bosses. No entanto, se optarmos podemos também jogar unicamente com Sonic ou Tails, bastando para isso aceder ao menu das opções do jogo e alterar a configuração que por lá aparece. Para quem tiver o Sonic & Knuckles, com a sua tecnologia “lock-on” que consiste apenas em ligar o cartucho do Sonic 2 no de S&K, pode inclusivamente jogar com Knuckles, tirando partido das suas habilidades para encontrar até algumas zonas secretas. Ainda assim, fica por faltar referir o modo multiplayer do jogo. Por acaso nunca joguei muito isto, mesmo com os amigos era bem mais divertido jogar o jogo principal de forma cooperativa. Mas no entanto consiste numa série de níveis jogados em split screen, um jogador com o Sonic, o outro com Tails, com o objectivo de chegar ao final do nível em primeiro lugar.

E segredos é coisa que não falta neste jogo, incluindo os níveis secretos “Hidden Palace”, que foram cortados do jogo principal por falta de tempo, mas no entanto, foram restaurados para as conversões recentemente lançadas para smartphones. Mas falando nos níveis, desta vez eles são bem mais variados, estando na sua maioria divididos em 2 actos apenas, com um boss no final do segundo acto. No entanto, nos últimos níveis essa fórmula já se mudou um pouco, com a Metropolis Zone se dividir em 3 actos e as restantes com um acto apenas. Contudo são actos bem cheios de emoções fortes, com Sonic a bordo do avião de Tails, a encaminhar-se para uma base aérea de Robotnik e posteriormente para a Death Egg em pleno espaço sideral, onde defronta Silver Sonic, o primeiro dos Sonics robóticos (que por acaso também aparece no jogo da Master System e Game Gear) e mais um embate épico com Robotnik e o seu “mechwarrior“.

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Um dos ecrãs finais do jogo, com o Super Sonic desbloqueado

No campo audiovisual, este é muito sinceramente um dos jogos mais bem conseguidos na consola da Sega. Para além de manter a mesma velocidade estonteante, os níveis apresentam mais uma vez visuais muito coloridos, e estão por sua vez muito bem montados. Quem não se lembra da primeira vez que jogou a Chemical Plant com os seus tubos e “rails” que nos mandavam a velocidades estonteantes ao longo de todo o nível? Ou de Casino Night e todas as suas luzes de Las Vegas? Ou os últimos níveis passados no ar e no espaço? Mas o melhor, é que não é apenas pelos visuais e excelente level design que Sonic 2 marca pontos neste campo, mas também pelas suas músicas. Aliás, só de escrever este artigo já me passaram quase todas as músicas da banda sonora deste jogo pela cabeça.

Posto isto, por todos estes pontos, é fácil de perceber o porquê de Sonic 2 ser um dos videojogos preferidos dos fãs de Sonic de longa data. Tal como referi num dos primeiros parágrafos, pegou em tudo o que era óptimo na fórmula original, melhorou e ainda acrescentou imensas novidades que no meu entender resultaram muito bem. Infelizmente, era 1992 e para mim o pico de criatividade da série foi atingido. Sonic 3 e Sonic & Knuckles continuam a ser óptimos jogos, as coisas a partir daí descambaram completamente. Mas quanto a esses 2 jogos, será coisa para um artigo futuro.