Aliens Colonial Marines (PC)

Aliens Colonial MarinesUma pena. É o que se resume para mim este jogo. Com tanto potencial ao dar seguimento à história de um dos meus filmes preferidos, ver todas as novelas que o jogo passou e jogar este produto inacabado é realmente uma pena. Long story short, em 2001 a Fox Interactive anunciou um FPS com este nome para a Playstation 2, que nunca chegou a sair. A Sega eventualmente comprou a licença dos Aliens em 2006, e um novo Aliens Colonial Marines foi logo anunciado, com o seu desenvolvimento a cargo da Gearbox, empresa responsável pelo lançamento de expansões do Half-Life, a série Brothers in Arms e posteriormente o Borderlands. Uma empresa com provas dadas dentro do ramo dos FPS. Entretanto houve muitos adiamentos e supostos cancelamentos, com o jogo a sair finalmente no início de 2013. Por essa altura veio-se a descobrir que a Gearbox estava a utilizar parte do financiamento da Sega para desenvolver o Borderlands, e quando a Sega o descobriu, cancelou temporariamente o jogo. Essa polémica fez com que tivessem havido alguns despedimentos na empresa em 2008 e o jogo tenha sido outsourced para outros estúdios menores, sendo essa a grande razão por todos os seus atrasos e por o jogo ter saído como um produto apressado e inacabado. A minha cópia entrou na minha colecção algures no final do ano passado de 2013, sendo a edição de coleccionador, comprada na loja nortenha Gamingreplay por 15€.

Aliens Colonial Marines Collector's Edition
Edição de coleccionador do Aliens Colonial Marines

O jogo decorre depois dos acontecimentos do filme Aliens e Alien 3, com os Space Marines a bordo da nave USS Sephora a deslocarem-se à USS Sulaco do segundo filme que estava misteriosamente de volta em órbita do planeta LV-426, após Ripley, Newt e Hicks terem sido ejectados para o planeta Fury 161 como tinha sido visto no Alien 3. Ou se calhar não foi bem assim, mas vou guardar o spoiler. Quando os Marines atracam na Sulaco descobrem uma infestação de aliens e um grupo para-militar contratado pela Weyland Yutani que estava a controlar a USS-Sulaco e utilizar os marines como hospedeiros dos aliens. Após um combate entre as duas naves, ambas caem sobre LV-426 e o jogador (um space marine chamado Winter) em conjunto com os seus companheiros começam a explorar o planeta, revisitando a colónia de Hadley’s Hope, as ruínas da nave alienígena do filme Alien, o Oitavo Passageiro, entre outros locais, descobrindo que a Weyland Yutani estava a fazer das suas.

Aliens Colonial Marines
Jogo com caixa, manual e papelada

A jogabilidade do modo campanha é a de um simples FPS linear. O jogo está dividido em vários níveis/missões, onde temos de cumprir uma série de objectivos, geralmente ir do ponto A ao ponto B e ver o que se passa, activar ou desactivar alguma coisa, resgatar algum Space Marine ou simplesmente matar tudo o que mexa. O facto de o jogo ser linear é algo que eu compreendo, pois o objectivo é tentar aproximar-se o melhor possível de um filme de acção, tal como Aliens o foi em 1986. Para além dos tiroteios habituais e dos momentos já algo clichés de “last stand” onde nos temos de defender de várias waves de aliens, existem também 2 momentos onde tentam incutir uma vertente mais stealth, mas sem grande sucesso. O primeiro desses momentos é quando estamos desarmados e temos de atravessar os esgotos da colónia e nos deparamos com uma espécie de cemitério de aliens, onde uma nova raça dos xenomorfos estão adormecidos no meio dos seus cadáveres. Estes aliens são cegos, porém muito sensíveis ao som, pelo que temos de fazer o mínimo ruído possível. O segundo momento é quando nos pedem para limpar o sebo a uns quantos cientistas/soldados nos laboratórios da Weyland Yutani sem que eles activem um alarme, coisa que só resulta bem se jogado em cooperativo.

Aliens Colonial Marines
Restante da papelada que veio junto do jogo

Isto porque o jogo está repleto de defeitos, muitos desses defeitos mais grosseiros foram corrigidos com o lançamento de patches, mas ainda há muito lixo a pairar no código. Em primeiro lugar, ainda bem que não existe friendly fire, senão os nossos companheiros morriam muito facilmente. A inteligência artificial é muito má, os nossos companheiros ficam frequentemente presos a um local e já me aconteceu por várias vezes eles não me acompanharem, deixando-me inteiramente por minha conta até que chegasse a um local onde a sua presença era obrigatória e magicamente se teletransportavam para o meu lado. Os próprios inimigos por vezes também ficam presos a um sítio, tornando-se presas fáceis.
Já me aconteceu várias vezes os aliens simplesmente desaparecerem do ecrã, ou até atravessarem um vidro. Felizmente podemos jogar a aventura singleplayer cooperativamente com até mais 3 amigos, tornando a coisa menos intragável. Não aponto grandes problemas para os controlos, são simples e funcionais, embora quando tivemos de controlar o power-loader, esses poderiam ter sido melhor implementados.

Aliens Colonial Marines
Estátua que vem na CE.

O jogo tem um vasto armamento, com várias pulse-rifles como nos filmes, shotguns, revólveres, lança-chamas, rockets ou mesmo a smart-gun com o seu auto-aim dentro de uma certa área. Podemos carregar uma arma primária, uma secundária e um revólver com munição infinita, para além de um certo número de granadas e munições secundárias para certas armas. Ao longo do jogo podemos encontrar algumas armas “lendárias”, como a shotgun de Hicks, ou o revólver Gorman, armas directamente retiradas do filme Aliens. Para além desses extras temos outros coleccionáveis, como dogtags dos colegas Marines ou audio logs. Para além dos achievements do jogo, existem também uma série de achievements internos que nos dão pontos de experiência. Esses pontos de experiência, que são ganhos com cada kill e assist ao longo do jogo, ou com os coleccionáveis que encontramos, servem para aumentar o nosso rank. Piscando o olho a Battlefield ou outros shooters militares modernos, vamos desbloqueando uma série de novas armas e vamos podendo-as customizar à nossa medida, com novas miras, munições secundárias, novas skins ou outros acessórios.

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Os quick-time events estão de volta, mas felizmente são apenas ocasionais

Para além do modo campanha que pode ser cooperativo, temos também a vertente multiplayer do jogo que eu não cheguei a experimentar, pelo que não me vou alongar. Existe um team deathmatch e um modo de jogo chamado Escape, onde os Marines têm de sobreviver e alcançar um evac-point para escapar e os Aliens naturalmente terão de impedir que isso aconteça.

Passando para o audiovisual, Aliens Colonial Marines não possui a mesma qualidade gráfica de um Crysis, tem texturas de baixa resolução e modelos com poucos polígonos, no entanto acho que cumpre os requisitos mínimos. Adorei a maneira “high-tech dos anos 80″ com que conseguiram recuperar a atmosfera do filme Aliens, com todo o equipamento electrónico com os monitores CRT e todos aqueles botões quadrados. A HUD (informação passada no ecrã) é como se estivéssemos dentro de um gravador de vídeo em VHS, as letras têm o mesmo estilo dos ecrãs LCD da época e a própria imagem do jogo tem um filtro gráfico que se assemelha mesmo à qualidade de uma fita VHS. É um pormenor que achei muito interessante (não tenho dúvidas que tenha sido utilizado para mascarar os gráficos) e pelos vistos pouca gente reparou no mesmo. Mas se passarmos para os diálogos… bom esses são realmente maus e bastante clichés. É pena porque a história como um todo até faz algum sentido. Ainda assim, e voltando à história, o DLC Stasis Interrupted conta o porquê da USS Sulaco estar de volta a LV-426 e o porquê de outras coisas. É pena que não tenha feito parte do pacote do jogo.

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Podemos jogar cooperativamente com mais alguns amigos

No fim de contas, confesso que não desgostei de todo do jogo. Para quem é fã da saga Aliens certamente irá encontrar alguns bons momentos na história. O facto de graficamente não ser o melhor jogo de sempre não é algo que me incomoda assim tanto. Na minha opinião o pior são mesmo os imensos bugs existentes e a inteligência artificial que é péssima, bem como os diálogos do jogo que são cheesy até dizer chega. É um jogo que tinha um enorme potencial de relançar finalmente a saga Aliens para a ribalta (após Prometheus ter dividido muitas opiniões), mas quando jogamos algo onde é bem notório que é um produto inacabado e apressado, para mim é mesmo esse o grande problema de Aliens Colonial Marines. Ponho fé na Creative Assembly para o Alien Isolation.

Pac-Mania (Sega Master System)

PacMania-SMS-EU-mediumDe volta para a Sega Master System para mais uma “rapidinha”. Antes de Donkey Kong ter feito furor nas arcades por todo o mundo fora, foram jogos como Space Invaders ou Pac-Man que tiveram um sucesso tremendo, com conversões para practicamente todos os sistemas de videojogos da altura. Pac-Man, com a sua personagem bastante peculiar foi o primeiro videojogo a utilizar o conceito de mascote, com o semicírculo amarelo a figurar no mais variado merchandising. O sucesso de Pac-Man fez surgir imensos clones e sequelas, uns tentando fazer algo completamente diferente (como Pac-Land), outros simplesmente evoluíram a jogabilidade do original, onde este Pac-Mania se enquadra. A minha cópia do jogo entrou na minha colecção há algum tempo atrás, não sei precisar quando, tendo sida comprada num excelente bundle que me ficou baratíssimo no já saudoso miau.pt.

Pac-Mania - Sega Master System
Jogo com caixa

A grande diferença entre Pac-Mania e o original está mesmo na perspectiva do jogo que passou a ser quase isométrica, dando assim a impressão que o jogo é em 3D. Para além disso, o Pac-Man tem agora a habilidade de poder saltar sobre os fantasmas, mais uma manobra evasiva ao nosso dispor. De resto o objectivo é o mesmo do jogo clássico: comer todas as bolinhas amarelas espalhadas pelo nível, fugindo ao mesmo tempo de uma série de fantasmas que nos perseguem ao longo dos corredores labirínticos. Há fantasmas mais rápidos que outros e inclusivamente existem uns novos que saltam ao mesmo tempo que nós, sendo assim bem mais difíceis de evadir do que os restantes. Também tal como no clássico existem umas bolas amarelas maiores que ao comê-las dão-nos invencibilidade temporária, onde nos poderemos vingar dos fantasmas que nos perseguem e engoli-los também. As frutinhas que aparecem temporariamente também existem neste jogo e com uma maior variedade, atribuindo-nos mais pontos de bónus se as conseguirmos comer. No entanto uma outra novidade está na inclusão de mais dois power-ups temporários: um torna-nos mais rápidos, o outro duplica a pontuação obtida.

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Desta vez podemos enganar os inimigos ao saltar por cima deles

Pac-Mania é um jogo colorido e bem detalhado. Os níveis estão bem representados, com um efeito 3D convincente. No entanto, com esta nova perspectiva deixamos de ter vista completa para todo o nível, tornando as coisas um pouco mais confusas, mas é algo que faz parte. Existem 4 diferentes variedades de níveis, um conjunto de labirintos feitos por blocos de plástico semelhantes a Legos, outros representações em 3D das arenas do jogo clássico (Pac-Man Park), uma outra num mundo de areia em que as paredes são pirâmides, e por fim temos os Jungly Steps, onde os labirintos não têm paredes, estão divididos por abismos e os fantasmas andam mais rápido que nunca. A versão Master System dispõe ainda de um nível secreto composto apenas por moedas. Os efeitos sonoros são bastante simples, tais como os do jogo original. As músicas também são OK, mas nada que fique propriamente na memória.

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Gostei do design destes níveis em particular.

Em suma Pac-Mania é uma boa conversão da arcade, certamente muito melhor que as conversões que chegaram aos computadores 8bit no mercado. É um jogo simples, mas continua viciante e as coisinhas novas que acrescentaram dão um bom tom ao jogo. Existe também uma versão para a Mega Drive e Amiga que naturalmente são tecnicamente superiores, mas para o jogo que é, a Master System dá bem conta do recado.

Winter Heat (Sega Saturn)

Winter HeatNo seguimento do artigo Athlete Kings, aqui fica mais uma “rapidinha” à sua sequela, desta vez focada nos desportos de inverno. O feeling do jogo e o seu conceito geral continua idêntico: é um button masher com alguma estratégia à mistura em alguns desportos, um Track & Field de inverno na era dos 32bit. E curiosamente tal como o Athlete Kings, este Winter Heat também foi comprado algures no ano passado na Cash Converters de Alfragide, juntamente com o Athlete Kings e ao mesmo preço (próximo dos 3€).

Winter Heat - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Neste jogo contamos com 11 diferentes desportos, entre os quais diversas provas de ski, bobsleigh, snowboard ou patinagem. Tal com no jogo anterior dispomod dos modos Arcade (onde para prosseguir no jogo temos de obter pontuações mínimas em cada desporto), o 11 Eveent Heat, onde podemos concorrer em todos os desportos e no final é atribuída a pontuação global, o Individual Match onde podemos treinar cada um dos desportos e como novidade dispomos do Custom Heat Mode, onde podemos seleccionar um grupo de desportos a competir. Uma outra novidade face ao Athlete Kings é a vertente multiplayer, que permite jogar com um número de até 4 jogadores em simultâneo ou por turnos (depende do desporto em causa), mas sempre utilizando o adaptador multi-tap.

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As personagens presentes no Winter Heat. Algumas caras novas, outras familiares.

Dependendo do evento em questão a jogabilidade também vai alterando. Em eventos meramente de velocidade como o Speed Skiing apenas temos de nos preocupar em clicar no botão para ganhar velocidade o mais rápido possível, isso é algo presente em todos os desportos, mas nos outros temos também algumas peculiaridades. No bobsleigh podemos manobrar o sled, o mesmo com o trenó, no Speed Skating temos também de reduzir a velocidade em curvas mais apertadas. No Ski Jumping temos de ganhar o máximo de velocidade no início, mas saltar no tempo e com o ângulo certo. No Cross Country é uma prova de resistência em Ski, onde temos de gerir bem a velocidade e a barra de fadiga do jogador. Existem ainda outrs desportos mais “livres” como o Slalom em ski, onde temos de manobrar por entre algumas bandeiras e efectuar uns pequenos saltos. No Snowboard também podemos controlar o jogador mais livremente.

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Antes de cada evento temos uma explicação de como as mecânicas funcionam. Claro que podemos sempre praticar num modo próprio para isso.

O jogo dispõe de 8 personagens jogáveis, muitas delas já tinham passado por Athlete Kings, como o russo Aleksei Rigel ou a francesa Ellen Regianni, algumas caras novas surgem como o norueguês Johann Stensen, visto a Noruega não ter participado no jogo anterior. Infelizmente a personagem mais carismática – o britânico Jef Jansen desapareceu, entrando para o seu lugar um outro britânico chamado B.B., um atleta misterioso de cara tapada. E as personagens estão muito bem detalhadas. Winter Heat é um dos jogos que, como o Virtua Fighter 2, utiliza o modo de alta resolução da Saturn, embora de forma parcial (704×240 contra 704×512 do Virtua Fighter 2 PAL). Isto resulta em personagens com um detalhe elevado, embora os backgrounds não o sejam assim tanto. Também, como é tudo “branco”, seria algo difícil este jogo destacar-se mais. Não deixa de ser um bom trabalho no campo visual. As músicas apenas são existentes nos menus e afins, já nas provas apenas ouvimos os barulhos de fundo. As músicas são OK, típico da Sega na altura, mas nada que se chegue perto de Sega Rally. Os efeitos sonoros e o voice acting também estão bem conseguidos e contribuem bem para a atmosfera mais bem humorada do jogo.

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A prova de Slalom tem uns controlos algo apertados, é preciso prática

No geral o Winter Heat parece-me um jogo com menos button mashing frenético que em Athlete Kings, pois coloca sempre uma componente estratégica maior no jogador. Na maioria dos desportos temos de controlar a nossa velocidade, não basta carregar nos botões à maluca. É um jogo divertido, mas sendo um jogo mais arcade, ao fim de algum tempo acaba por não ter muito mais para oferecer. Recomendo mais pela vertente multiplayer.

Athlete Kings (Sega Saturn)

Athlete Kings - Sega SaturnVoltando à consola 32bit da Sega, para mais uma “rapidinha” a uma conversão de um jogo arcade. Athlete Kings, ou conhecido fora da europa como DecAthlete é um jogo sobre o decatlo, a famosa prova de atletismo que consiste num conjunto de 10 provas distintas em que os atletas têm de cumprir ao longo de dois dias. Os desportos consistem nas corridas de 100metros, 110 metros barreiras, 400 e 1500metros, salto em altura, com vara e comprimento e os lançamentos de peso, disco e dardo. Athlete Kings não é um jogo propriamente original, mas sim uma evolução em 3D do clássico da Konami “Track and Field”. Este Athlete Kings entrou na minha colecção algures durante o ano passado, onde o encontrei a cerca de 3€ na cash converters de Alfragide, em conjunto com outros jogos de Saturn que prontamente levei para casa.

Athlete Kings - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manual

E tal como o Track and Field o foi, este Athlete Kings é o rei dos button mashers. Em todos os eventos temos de carregar em botões como um maluco, se bem que com algumas peculiaridades. Nos 100 metros apenas temos de nos preocupar em carregar no botão A ou C para “sprintar”, mas em corridas mais longas teremos de nos preocupar com a stamina do atleta. Nos desportos de lançamento de “qualquer coisa” temos de carregar a barra do “power” e posteriormente com um outro botão alinhar o ângulo de lançamento para o mais próximo possível dos 45º. No caso do lançamento do disco temos inclusivamente que rodar o D-Pad o mais rápido possível, o que resultaria bem melhor com um analógico (não sei se o Athlete Kings suporta o comando 3D da Saturn). No salto em altura e salto à vara também é necessário utilizar o D-Pad em momentos cruciais para melhor passar o corpo do atleta sobre a barra.

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No final de cada corrida podemos fazer umas poses engraçadas.

Athlete Kings possui 2 modos diferentes de jogo, que podem ser jogados sozinho ou com mais um amigo, bem como possui também um Practice mode para que possamos treinar as modalidades. O modo Decathlete é como se fosse mesmo uma prova olímpica, onde vamos participando em todas as modalidades, com a nossa classificação a ser conhecida no final do jogo. O outro modo é uma conversão directa da Arcade, onde participamos em 5 provas de cada vez (provas essas que podemos escolher quais fazer primeiro), e temos requisitos mínimos a cumprir em cada uma, sejam tempos nas provas de corrida, ou distâncias nos saltos/lançamento. Caso contrário é game over.

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O casting completo de Athlete Kings e o Jef Jansens destaca-se claramente.

Graficamente é um jogo bastante colorido, com personagens que embora possuam um aspecto muito cartoon, estão bem detalhadas e animadas. Os 8 atletas de diferentes nacionalidades possuem atributos cómicos ou mesmo esteriótipados, como o enorme penteado afro do britânico Jef Jansens (que levou à sua exclusão na versão americana do jogo) ou a sexyness de Ellen Regianni. A música e os efeitos sonoros também são bastante descontraídos, encaixando-se bem na atmosfera do jogo.

Athlete Kings não é propriamente o jogo mais interessante da biblioteca da Saturn, mas diverte quanto baste, especialmente se jogado a dois, quando andamos a tentar bater os records uns dos outros. Foi mesmo com esse espírito que o joguei back in the day em casa de amigos meus da escola, hoje em dia já não possui o mesmo apelo.

Sonic the Hedgehog 4 Episode 1 (PC)

Desde que a série Sonic the Hedgehog entrou com força nos videojogos em 3D, com resultados muitas vezes insatisfatórios, os fãs há muito que ansiavam por uma verdadeira sequela em 2D, tal como os clássicos da Mega Drive. Enquanto isso não acontecia (não contando claro com os jogos nas portáteis), vários fãs foram desenvolvendo fan-games, alguns deles com uma excelente qualidade e que acabaram inclusivamente por ser cancelados pela própria Sega devido a problemas de copyright. Mas com tanta demanda por um jogo do Sonic num 2D de alta definição, a Sega lá acedeu e o resultado foi este Sonic 4 que para já conta com apenas 2 episódios. O Episode 1 foi comprado algures durante o ano passado numa das várias steam sales, com um desconto de 75% ou maior, pelo que me acabou por ficar bastante barato.

Sonic the Hedgehog 4 - Episode I - PC

Sonic 4 tenta então regressar às raizes dos clássicos da era 16-bit, com uma jogabilidade inteiramente em 2D, sem amigos idiotas do Sonic e com um level design e audiovisuais semelhantes aos clássicos da Mega Drive. Claro que isto causou muito hype no seio dos fãs e assim se iniciou mais um infame Sonic Cycle. Isto porque após terem surgido bastantes leaks do jogo que mostraram imensos defeitos na jogabilidade, como uma física terrível ou a falta de algumas animações, os ânimos serenaram bastante. Felizmente essas fugas de informação serviram para que algumas coisas fossem melhoradas, no entanto a física ainda não está perfeita, os originais de Mega Drive têm controlos mais coesos e acima de tudo este jogo possui o hover attack que pessoalmente acho um erro.

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Os primeiros níveis são sempre bem bonitinhos, agradáveis e sem grandes desafios pela frente

Este Sonic 4 Episode 1 possui 4 zonas distintas, mais uma final, todas elas inspiradas pelos clássicos. Cada zona está dividida em 3 níveis, mais um com um boss. O primeiro é a Splash Hill Zone, naturalmente uma zona inspirada na clássica Green Hill, com a paisagem verdejante e os loops que nos remetem logo para os primeiros minutos do Sonic 1. Segue-se a Casino Street, com as inspirações da Casino Night do Sonic 2, com os elementos de pinball e slot machines, mas também com a Carnival Night do Sonic 3, com a temática festiva. A terceira zona é a mais aborrecida na minha opinião, misturando elementos da Labyrinth e Hidrocity Zones do Sonic 1 e 3 respectivamente. É a zona  das “ruínas ancestrais”, com as infames secções subaquáticas e outras mais de aventura à Indiana Jones, onde podemos andar em minecarts ou fugir de/rebolar com gigantescas rochas esféricas. A última zona, chamada Mad Gear é mais industrial, sendo nitidamente inspirada na Metropolis Zone do Sonic 2, com todas as roldanas gigantes e tubos que podemos entrar. Por fim temos o último nível, mais uma vez passado numa base espacial (E.G.G. Station) onde voltamos a defrontar todos os bosses anteriores mais o final, inspirado no “Mech” gigante do Sonic 2.

screnshot
Na Casino Street conseguimos ganhar muitas vidas, se tivermos sorte com estas pseudo slot machines

O que também não poderia faltar é a colecção das 7 esmeraldas caóticas. E também tal como é feito nos clássicos, temos de as apanhar nos níveis de bónus. Para tal, temos de chegar ao final de cada nível com 50 anéis no mínimo, e quando cruzamos a meta, temos de entrar num anel gigante que surge no ecrã, caso tenhamos os tais 50 anéis no mínimo. E os níveis de bónus são semelhantes aos do primeiro Sonic, onde temos de guiar o ouriço azul que vai deslizando por um labirinto. Mas em vez de controlar Sonic, giramos o próprio labirinto, onde para além de apanhar um determinado número de anéis que nos abram passagens, temos também de ter muito cuidado em não tocar em painéis que nos expulsam do nível de bónus, ou não deixar o tempo limite expirar.

Graficamente é um jogo bastante colorido, embora infelizmente não utilizaram a sprite clássica do Sonic 1 ou 2, por exemplo. Essa sprite aparece apenas nos ecrãs de loading, infelizmente. Ainda assim, o jogo está repleto de badnicks clássicos que quem jogou os clássicos da Mega Drive irá imediatamente reconhecer. As músicas também são bem agradáveis e tentam emular a qualidade de som da Mega Drive, embora tenham mais qualidade que o chiptune que emulam. Mas o que interessa são mesmo as melodias e essas parecem-me mesmo adequadas a um jogo revivalista como este.

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Exemplo de um nível de bónus, já com a esperalda à vista. Se tocarmos num dos pontos de exclamação o nível termina ali.

Apesar de não ser um jogo perfeito, a jogabilidade ainda não está no ponto e alguns níveis podiam ter um pouco mais de polimento (os puzzles com as tochas foram chatinhos), creio que este Sonic 4 foi uma boa tentativa por parte da Sega de agradar aos fãs da velha guarda da série que tanto ansiavam por algo deste género. Como coleccionador que sou, tenho pena que a Sega tenha também adoptado esta estratégia episódica e apenas digital para promover este Sonic 4. O facto de também não haverem notícias de um Episode 3 não é bom sinal. Gostava de ver o Episode I, II e um eventual III numa compilação física, mas como ainda estou à espera de ver uma colectânea física com os Panzer Dragoon bem que posso esperar sentado.