The House of the Dead 2 (Sega Dreamcast)

The House of the Dead 2De volta para o canto do cisne da Sega enquanto fabricante de consolas, para mais uma óptima adaptação arcade. A série The House of the Dead teve as suas origens em 1996 com o lançamento do primeiro jogo nas arcades, seguido depois para uma conversão para a Saturn que infelizmente deixou algo a desejar. Felizmente com a Dreamcast esse problema já não se colocou e mesmo para os que não têm uma lightgun como eu, podem utilizar o próprio gamepad, embora não seja a mesma coisa. Este jogo entrou na minha colecção no mês passado na cash converters do Porto, custando-me 6€ e estando completo e em bom estado.

The House of the Dead 2
Jogo com caixa, manuais e papelada

A história segue os acontecimentos do primeiro jogo, onde houve mais uma vez uma epidemia zombie, mas desta vez na cidade de Veneza. O Agente G tinha sido enviado para investigar, mas não voltou. Então a AMS (a organização governamental para a qual trabalhamos decide enviar também os agentes James Taylor e Gary Stewart (para o segundo jogador), bem como Amy Crystal e Harry Harris como NPCs de suporte. Ao encontrar o corpo ferido de G, a carnificina começa com dezenas de zombies e outras criaturas a meterem-se no nosso caminho. O resto é plot de filme de série B de muito low-budget e muitos tiros trocados.

The House of the Dead 2 (2)
Como seria de esperar, vamos ver o mesmo design de zombies por muitas vezes

Existem vários modos de jogo. O arcade como o nome indica é uma conversão do original e bastante fiel, devo dizer. Depois temos um “original” que é o mesmo jogo mas com vários items extra que podemos encontrar, sejam diferentes armas, roupas, powerups para mais dano, mais balas entre cada recarga ou items completamente inúteis como uma cana de pesca. Temos ainda o “Training Mode” que na verdade é bem mais complicado que o jogo normal. Aqui temos várias missões para cumprir, como salvar todos os civis, matar uma série de zombies com um número limitado de balas, destruir todos os barris de um cenário num curto intervalo de tempo entre outros. Temos também um Boss mode que dispensa quaisquer apresentações. De resto a jogabilidade é bastante simples, com um botão para disparar e outro para recarregar a arma. Existem vários tipos de zombies, alguns com pontos fracos em que comvém mesmo atingir, como os zombies com 2 machados, outros zombies atiram-nos com objectos e também os teremos de atingir para evitar sofrer dano e com isso perder mais uma vida. Por vezes temos de salvar civis inocentes de serem mordidos, ou também podemos disparar em objectos e portas para seguir por caminhos alternativos ou receber novas vidas. No final de cada nível, que infelizmente são apenas 6, teremos um boss, como manda a lei. Estes bosses têm forçosamente pontos fracos e atirar à toa não nos leva a lado nenhum.

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Salvar alguns civis não é tarefa fácil, pois não dão muitas aberturas

Graficamente é um jogo competente, especialmente tendo em conta que é um jogo original de 1998. Os cenários vão sendo variados, no entanto a palete de cores abusa bastante de tons mais escuros, como seria de esperar num jogo com esta temática. Vamos poder explorar partes antigas e modernas da cidade, andar de carro e atirar em zombies (que até podem estar a conduzir) ou mesmo de barco em conjunto com Harry e Crystal. Existem também vários tipos de zombies, não só humanos. Temos também sapos, piranhas ou morcegos que nos vão fazer a vida um pouco mais difícil, mas é claro que aqui o destaque maior vai para os bosses que são bem mais imponentes. Mas o que salta definitivamente à vista neste jogo são os seus diálogos que são tão maus que se tornam bons. A voz de Goldman, o vilão deste jogo é tão irritante que só pode ter sido propositada. A série House of the Dead sempre teve esse feeling de um filme de série B, mas acho que apenas no Overkill é que conseguiram realmente capturar perfeitamente essa atmosfera como um todo. Ainda assim, para quem for jogar este jogo terá de se preparar mentalmente para diálogos de tão refinada categoria. Mas uma coisa que me irrita um pouco é o sangue verde dos zombies. Felizmente que existe uma maneira de desbloquear o sangue vermelho, sendo para isso necessário chegar ao fim do jogo normal primeiro.

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Os diálogos são tão maus que só podem ser bons.

Este The House of the Dead 2 saiu também para PC, que naturalmente é jogado numa maior resolução. A versão Xbox da sequela também traz este jogo como desbloqueável, mas se quisermos algo ainda mais recente temos a compilação deste jogo e do terceiro para a Nintendo Wii, que com o seu Wiimote consegue emular a experiência de se jogar isto com uma light gun. Tenho pena que essa compilação da Wii não traga também o primeiro jogo, senão seria certamente a minha escolha de eleição.

Atlantis: The Lost Tales (Sega Saturn)

Atlantis the Lost Tales

O jogo que trago cá hoje é mais uma “rapidinha”. Atlantis: The Lost Tales é o primeiro jogo de uma série que conta as aventuras de uma mítica civilização há muito perdida. Desenvolvida pelos franceses da Cryo Interactive, este é uma aventura gráfica algo influenciada pelo Myth, com os seus bonitos gráficos pré-renderizados. No entanto infelizmente a versão Saturn apresenta esses backgrounds em muito menor resolução, daí a versão Sat possuir apenas 2 discos, ao contrário da versão PC que se bem me lembro possui uns 4. E esta cópia entrou na minha colecção há umas semanas atrás, após ter sido comprada na cash converters de S. Sebastião em Lisboa por 8€.

Jogo completo com caixa, manual e 2 discos

Tal como se pode supor pelo título, este jogo coloca-nos no meio da civilização perdida da atlântida, que desde cedo sempre foram uma civilização muito avançada, graças aos seus cristais mágicos que lhes permitiam construir majestosas máquinas voadoras. A sociedade da Atlântida era pacífica, tendo por base 2 deuses, a deusa da lua Ammu e o deus-sol Sa’at. Por alguma razão era Ammu a deusa predilecta e por esse motivo quem os governou foi sempre uma Rainha. Mas o companheiro da rainha também tinha algum poder, sendo responsável pelo regime militar lá do sítio, sendo que a sua posição teria sempre de ser revalidada a cada 7 anos através de um desafio contra o campeão de uns certos jogos que eles lá faziam. Rhea e Creon são a rainha e companheiro respectivamente e nós encarnamos no jovem Seth, acabado de se apresentar ao serviço como lacaio da rainha. Por algum motivo a rainha desaparece e Seth desconfia que Creon está por detrás do seu desaparecimento. Ao longo do jogo vamos ter a oportunidade de melhor explorar esta sociedade da Atlântida, a sua religião, posições sociais e claro, o lado mágico. E na minha opinião a história tem alguns óptimos momentos.

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O cursor apenas aparece quando podemos interagir com algo ou mover-nos numa determinada direcção

A jogabildade é a de um jogo de aventura gráfica que decorre na primeira pessoa. Os gráficos são um misto de pré-renderizados com 3D, pois podemos mover o nosso ponto de vista livremente, contudo o movimento é feito sempre através de “cliques” em certos locais que nos mostram depois uma pequena cutscene com esse movimento. O restante e o habitual em aventuras gráficas: falar com pessoas, recolher objectos e interagir com os mesmos de forma a avançar na história, ou alcançar novos locais que de outra forma seria impossível, bem como um ou outro puzzle para resolver. Tirando o puzzle que simula uma máquina de pinball, os outros não são assim tão difíceis, mesmo os sliders puzzles que eu tanto abomino. Mas é noutra coisa que eu não gostei nada da jogabilidade. Por vezes temos algumas situações em que temos de agir muito rapidamente caso contrário somos mortos ou aprisionandos, traduzindo-se num gameover. Situações como lutas ou perseguições, contudo com os cenários estáticos as personagens ficam realmente estáticas no ecrã até uns segundos depois, onde caso não tenhamos feito o que seria suposto (e muitas vezes isso não é propriamente fácil de adivinhar), somos finalmente atacados ou apanhados.

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Todo o artwork deste jogo está realmente muito bonito e cheio de potencial

Graficamente é um jogo que tinha um potencial enorme. Quem quer que tenha idealizado o mundo de Atlantis, a arquitectura da grande cidade, as paisagens e especialmente as máquinas voadoras tinha uma óptima imaginação. Infelizmente a versão Saturn apresenta esses backgrounds em muito baixa resolução e embora nas cutscenes as coisas já sejam mais bonitas, na versão PC são decididamente superiores. A versão PS1 não tenho nada a dizer. Mas o que está mesmo bom é a parte sonora. O voice acting é competente, apenas numa personagem (um chefe tribal) é que achei a voz bastante deslocada da personagem. As músicas são mesmo o melhor que o jogo tem para oferecer, na minha opinião. São bastante variadas, com diferentes temáticas mediante a localização onde nos encontramos. As músicas que tocam enquanto estamos na atlântida têm um certo feeling mesopotâmico, as restantes ou têm um ar mais tribal, ou folclórico de certas regiões. Ou outras mais acústicas mas também com belas melodias. Não é por acaso que decidiram lançar um álbum com a banda sonora deste jogo.

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Ah, o jogo tinha também uma tecnologia revolucionária de lip-sync, mas não dei por ela…

De resto considero este Atlantis um jogo que envelheceu muito mal com o tempo. Se o tiverem de comprar, apenas recomendo a versão Saturn por motivos de coleccionismo, visto a mesma aparentemente ser algo rara. A versão PC com os seus gráficos numa maior resolução certamente é uma melhor alternativa. E mesmo as mecânicas deste jogo serem bastante antiquadas, o mesmo deixou-me bastante curioso para um dia destes espreitar as sequelas.

Aliens Infestation (Nintendo DS)

Aliens InfestationNão é segredo nenhum que a franchise Aliens é uma das minhas preferidas do cinema. O potencial para os videojogos sempre foi enorme, mas infelizmente embora tenham sido desenvolvidos vários videojogos acerca dos xenomorfos mais adoráveis da galáxia, poucos foram os que tiveram sucesso tanto de vendas como de crítica. O jogo que trago cá hoje é um metroidvania para a Nintendo DS, que me surpreendeu pela positiva. Aliens Infestation foi desenvolvido pela Wayforward Technologies e pela Gearbox Software, desenvolvedora que infelizmente foi escolhida pela Sega para desenvolver uma série de videojogos da franchise, incluindo o infame Aliens Colonial Marines. Este jogo entrou na minha colecção algures durante o mês passado, após ter sido comprado na cash converters de Alfragide por 7€.

Aliens Infestation - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Neste jogo encarnamos mais uma vez num grupo de Space Marines cuja missão inicial seria entrar na nave USS Sulaco (nave dos Space Marines que vimos no segundo filme) e investigar os acontecimentos estranhos que por lá decorreram. Não demorará muito tempo até visitarmos o planeta de LV-426 e nos envolvermos num conflito entre aliens e forças que lutam pela empresa Weyland-Yutani, que desde sempre quiseram investir nos bichinhos com ácido no lugar de sangue como armas biológicas. É uma trama que já há muito se viu, mas acaba por ser sempre eficaz.

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o uso do touchscreen é competente, onde podemos escolher a arma a usar ou o explosivo a equipar

A jogabilidade acaba por ir buscar muitas influências aos Castlevania 2D pós-Symphony of the Night, ou seja, herdando o estilo “metroidvania” com toda a sua exploração e backtracking. Mas para além disso o que chama realmente à atenção neste jogo é a morte permanente das personagens. O nosso esquadrão tem 4 elementos, o que nos daria logo à partida “4 vidas”. Mas explorando o mapa iremos encontrar diversos outros marines de outros esquadrões, que nos poderão dar uma ajuda, mas só se tivermos menos de 4 pessoas no activo no nosso lado. Caso contrário ficarão no mesmo sítio a lamentarem toda a situação. Explorando o mapa também poderemos encontrar outras coisas como caixas de munições, ou upgrades para as nossas armas e o backtracking é muita vez necessário devido ao costume: para entrar na zona A precisamos de uma determinada chave, ou o caminho está bloqueado e teremos de arranjar um workaround. Podemos marcar no mapa posições para relembrar mais tarde com recurso a flares, mas o seu uso é limitado e infelizmente não podemos incluir nenhuma nota no mapa para que nos relembre do que estamos ali a marcar, de qualquer das formas. Algo como é feito no Etrian Odyssey, por exemplo.

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Para quem viu o Prometheus, já sabe que criatura é aquela. Para quem não viu, acho que ficará na mesma.

De resto, as referências ao lore dos filmes são bastantes, desde o armamento que inclui a shotgunpara close encounters“, a portentosa smartgun ou um lança-chamas. Estamos bem equipados para o que der e vier, e acção é o que não falta. Inimigos humanos ou androides podem ser combatdos com recurso a um simples sistema de covers, já os nossos amiguinhos temos forçosamente de ter mais cuidado. Eles são bastante rápidos e surgem de todo o lado, incluindo dos sistemas de ventilação, como qualquer fã da saga esperaria. A táctica hit-and-run acaba por ser a nossa melhor amiga, em especial nos bosses que são enormes e como seria de esperar são também autênticas esponjas de balas. Podemos correr e rebolar, coisas que embora nos gastem a nossa barrinha de stamina, acabaremos por fazer regularmente ao longo do jogo. Teremos também ao nosso dispor outras ferramentas como um kit de solda que nos permite abrir portas que tenham sido barradas, ou uma ferramenta para abrir entradas no sistema de ventilação, sistema esse completamente uncharted nos mapas. Mas continuando com as referências ao lore dos filmes, temos outros doces que nos são oferecidos pela Wayforward, desde um segmento onde poderemos conduzir um APC (o veículo blindado que vimos em Aliens) ou usar um power-loader para… ok, não é difícil adivinhar. Infelizmente não existe é muito conteúdo extra, algo que é sempre bastante apreciado nos dias que correm. Para além das biografias dos Marines que descobrimos, o que nos resta é um minijogo também reminiscente do filme Aliens, onde com a stylus da DS simulamos o jogo de espetar rapidamente uma faca entre os dedos de uma mão de um pobre coitado.

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Infelizmente no campo dos extras este jogo fica algo a desejar.

Graficamente é um jogo bem competente. Tudo está representado num 2D muito bem detalhado tendo em conta a resolução dos ecrãs da Nintendo DS e com animações muito boas. Tudo tem um look muito 16bit, algo que eu pessoalmente aprecio bastante. O gore, apesar de não ser excessivo está presente, quem nunca gostou de ver o parto de um alien bébé? De resto os diálogos são apresentados um pouco à lá Metal Gear Solid, com comunicações via rádio e com os retratos dos interveninentes no ecrã. Isso leva-me a falar no artwork geral do jogo, onde por um lado vemos as coisas retratadas fielmente de um universo “Gigeriano“, as personagens em si foram todas desenhadas com um estilo comic book norte-americano, o que já não me agrada assim tanto, mas não acho que tenham feito um mau trabalho. Continuando ainda no audiovisual, o som é óptimo, bem como deveria ser. Ambiente sempre de cortar à faca, sempre com a ameaça de algum alien ou facehugger saltar a cada momento.

No fim de contas tenho pena por este jogo ter saído já no final do ciclo de vida da Nintendo DS, pelo que acabou por passar despercebido a muita gente. É uma pena, pois apesar de ser um jogo relativamente curto e ainda com algumas pontas soltas que deveriam ser melhor trabalhadas, não deixou de ser um trabalho bem mais competente que Aliens Colonial Marines (que eu nem desgostei assim tanto como a maioria do mundo, mas sim, there was still much room for improvement). Se são fãs da saga dos Aliens, ou adeptos de jogos com a exploração e backtracking de um metroidvania, então este Aliens Infestation é mais uma óptima escolha para os donos da Nintendo DS.

Double Dragon (Sega Master System)

Double DragonVoltando à consola de 8 Bit da Sega, para uma conversão daquele que é provavelmente o jogo mais influente do género beat ‘em up tradicional em 2D, que influenciou outros clássicos como Final Fight ou Streets of Rage. Double Dragon é um jogo originalmente desenvolvido pela Technos Japan que teve um imenso sucesso e com isso foram desenvolvidas imensas conversões, desde a famosa conversão para a NES, passando por imensas outras plataformas, como a velhinha Atari 2600, micro computadores como o ZX Spectrum ou esta versão da Master System. Comprei o jogo muito recentemente, mais precisamente na semana passada na pressplay no Porto, tendo-me custado pouco mais de 5€. Está completa e em óptimo estado.

Double Dragon - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manuais

A história por detrás de Double Dragon é muito simples. Vemos uma rapariga a ser raptada por un gang, e apesar de não sabermos quais as razões que os levaram a fazer esse acto, entramos logo em acção como Billy ou Jimmy Lee e passamos o resto do jogo a distribuir pancada a tudo o que mexa até reavermos a mulher. Simples, mas eficaz. Ao contrário da versão NES, esta versão permite que joguemos num modo cooperativo para 2 jogadores, tal como a versão arcade. E também tal como na versão arcade, depois de derrotado o boss final neste modo de jogo teremos de andar à porrada com o nosso amigo que nos ajudou desde sempre para conquistar o coração da moça. Não sei o que a Technos tinha na cabeça para ter essa ideia, mas até achei engraçado.

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Uma cena recriada vezes sem conta

A jogabilidade é muito simples, devido ao comando da Master System apenas possuir 2 botões, servindo um deles para dar pontapés e o outro mandar socos. Ainda assim podemos fazer algumas combos, ou desencadear alguns golpes especiais. Ao carregar no botão 1 e 2 ao mesmo tempo efectuamos um jump kick, por exemplo. Ao continuar a dar murros ou pontapés sem interrupção também teremos alguns pequenos combos. Quando deitamos um inimigo ao chão podemos pegar nele e efectuar também alguns golpes especiais. Para além disso também podemos usar outros objectos ou armas. Rochas ou caixas que apanhamos do chão podem ser atiradas contra os inimigos, as próprias armas deles, como chicotes, facas ou bastões de baseball também podem ser “roubadas” e usadas contra os próprios. E com os seus continues infinitos (excepto no último nível a menos que usemos um truque) tornam este um jogo algo fácil. Se não quisermos perder muitas vidas, o truque está em lutar muito cuidadosamente, enfrentando um adversário de cada vez e evitar que eles nos atinjam.

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Algumas palette swaps eram mesmo desnecessárias… tipo esta

Graficamente é um jogo interessante tendo em conta a altura em que foi lançado. Se comparado à conversão da NES, está bem melhor, com mais cores no ecrã, o level design mais parecido com o original arcade e claro, a possibilidade de se jogar com 2 jogadores. No entanto não deixa de ser um jogo bastante simples e que abusa bastante do palette swap quando repetem muitas sprites. Ver tipos com a pele verde é muito estranho, mesmo que alguns até se possam parecer com o Hulk. Outro problema que notei foi o elevado sprite flickering, em especial quando uma sprite se sobrepõe à outra. As músicas e efeitos sonoros não são nada de especial, mas também não são propriamente maus. A versão japonesa deste jogo tira partido do acessório FM-Sound Unit, o que lhe dá um enorme boost na qualidade das músicas. De resto, no campo do audiovisual, é inegável que jogos que sairam mais tarde como o próprio Streets of Rage para a Master System são bem superiores neste campo.

No fim de contas, apesar de não ser perfeita, esta conversão do Double Dragon original é bem competente e interessante. E apesar de não ser um jogo imprescindível para a biblioteca de qualquer fã ou coleccionador de Sega Master System, a verdade é que também não é nada mau e fica bem na prateleira.

Sonic R (Sega Saturn)

Sonic RMais uma análise de Saturn, para aquele que muito provavelmente será o último artigo de um jogo do Sonic para os próximos tempos. Apesar de ter aí mais uns quantos na colecção, estou com zero vontade para os jogar a médio prazo, com muitas coisas bem mais interessantes que ainda nem lhes toquei. E este Sonic R acabou também por ser o último jogo da franchise para a consola Sega Saturn e apesar de ser um jogo inteiramente em 3D, estava longe de ser o tão pedido jogo de plataformas pelos fãs. Sonic R é um jogo de corridas com os personagens da série e foi mais uma vez produzido pela Traveller’s Tales, tal como o já analisado Sonic 3D. Este jogo foi comprado a um amigo por 5€ se a memória não me falha, estando em óptimo estado.

Sonic R - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

A história em qualquer jogo do Sonic tem sido sempre practicamente irrelevante. E apesar de existir uma “história” por detrás deste jogo, a mesma é igualmente descartável. Essencialmente parece que irá haver um torneio para quem será o melhor corredor do mundo e Sonic, inicialmente sem interesse nenhum em participar no tal torneio, muda de imediato de opinião quando descobre que Robotnik irá partcipar, temendo que o vilão estaria a tramar alguma. E de facto Robotnik pretende usar a desculpa das corridas para encontrar as sete esmeraldas caóticas e derrotar Sonic ao mesmo tempo, com a sua nova “rapidíssima” nave. Juntamente a Sonic e Robotnik, outros amigos participam no torneio, como os já familiares Tails, Knuckles e Amy. Mas eles não serão os únicos a correr…

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Infelizmente existem muito poucos circuitos

Podemos dividir este Sonic R em 3 modos distintos de jogo: o Grand Prix, sendo o modo principal e que detalharei em seguida, o Time Attack, onde o objectivo principal é terminar cada corrida no menor tempo possível, mas no entanto este modo de jogo acaba por ser também uma espécie de tutorial, obrigando-nos a conhecer bem cada circuito e os seus atalhos e esconderijos. Nesse modo de jogo podemos competir por 4 objectivos: corrida “normal”, corrida reversa, o “baloon” onde devemos descobrir 5 balões espalhados nos circuitos no menor tempo possível e por fim o “Tag Battle”, onde temos de apanhar os nossos oponentes que partiram uns segundos antes de nós. Por fim temos ainda uma vertente multiplayer para 2 jogadores onde podemos optar por corridas normais, ou as tais de procurar balões. No modo de jogo principal o objectivo é chegar ao fim de cada circuito em primeiro lugar. Mas no entanto para desbloquearmos o circuito final, bem como outras personagens jogáveis devemos explorar cada circuito ao máximo.

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Os cenários estão repletos de efeitos de transparências que sempre foram o calcanhar de aquiles do HW da Saturn

Espalhados pelos circuitos vamos apanhando anéis, ou powerups que se resumem a 2 tipos de escudos: os dourados que atraem anéis e os azuis que nos deixam andar sobre a água que nem um messias. Os anéis podem ser utilizados para abrir alguns atalhos ou outras passagens secretas. Nesses atalhos (e vários estão disponíveis desde o início da partida) vamos poder descobrir várias coisas, sejam as esmeraldas, ou os Sonic Tokens. Existem 4 circuitos e 7 esmeraldas, pelo que em alguns dos circuitos teremos mais que uma esmeralda para descobrir. Existem também em cada circuito 5 Sonic Tokens para encontrar. Enquanto que ao descobrir todas as esmeraldas desbloqueamos o circuito final que se assemelha algo à Rainbow Road dos Mario Kart, ou no caso do Sonic, desbloqueamos também a sua personagem jogável de Super Sonic, ao coleccionar os 5 tokens em cada circuito e se chegarmos ao fim do mesmo numa posição de topo, então seremos desafiados por uma outra personagem como Metal Sonic, Metal Knuckles, Tails Doll ou Eggrobo. Se os vencermos nesse desafio desbloqueamos essa personagem também. Cada personagem tem características diferentes, umas mais rápidas, outras mais lentas mas com habilidades de voar ou planar na água, por exemplo.

Infelizmente o jogo tem vários problemas, desde os controlos que não são os melhores, especialmente quando vamos a correr em velocidade de ponta e temos de virar bruscamente, ou apanhar uma esmeralda/token nalgum sítio apertado. Perdemos o lanço todo… De resto apesar de existirem atalhos e a exploração dos circuitos ser algo bem encorajado, o que sinceramente até me agradaria, infelizmente em alguns circuitos esses atalhos ou caminhos alternativos acabam por se tornar bastante confusos, deixando-nos por vezes sem saber ao certo por onde ir.

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Estas transparências com o efeito de fade-in reduzem o popin brusco presentes em vários outros jogos de corrida

Graficamente é um jogo interessante. Apesar de não ter o nível de detalhe 3D de alguns jogos da PS1, nomeadamente os modelos poligonais de Sonic e companhia serem bastante simples, os cenários são bem melhores. Para além de reduzirem o pop-in ao camuflar o jogo com efeitos de fade-in, colocaram também alguns efeitos interessantes de transparâncias ou luz, algo que o hardware de Saturn nunca fez nativamente, ao contrário da sua concorrência directa. Este Sonic R tem provavelmente a água mais “realista” de um jogo 3D na Saturn. Os circuitos são também visualmente variados, indo buscar temas urbanos ou industriais, outros mais “green hill“, ruínas místicas ou o tal circuito secreto bastante colorido e luminoso, onde todos esses efeitos especiais servem como uma chapada de luva branca a quem duvida das capacidades da consola da Sega. No entanto nada é perfeito e para além dos problemas de jogabilidade já referidos, existe algum clipping. As músicas foram todas compostas por Richard Jacques, o mesmo que trabalhou na banda sonora de Sonic 3D. Infelizmente as músicas são todas pop, o que não me agradou. Mesmo com a oportunidade de poder ouvir as mesmas músicas com ou sem voz, não me satisfez. O outro grande defeito que ponho ao jogo é mesmo os poucos circuitos existentes. Mais uns dois ou três não faria mal nenhum, mas também era bom que fossem bem planeados e pensados, evitando algumas confusões existentes nos circuitos existentes quando os decidimos explorar.