Space Harrier (ZX Spectrum)

SpaceHarrierEnquanto ontem escrevi um artigo sobre a versão Master System desse clássico da Sega das arcades, hoje fica cá uma rapidinha à sua versão ZX Spectrum. Com o sucesso do jogo pelas arcades de todo o mundo, conversões para outras plataformas eram coisa certa. E apesar de já nessa altura a Sega ter de se preocupar e bem com a sua Master System que ainda não estava a ter lá grande sucesso, a empresa japonesa sempre foi algo permissiva em autorizar conversões de vários dos seus jogos bem sucedidos para outras plataformas. O Space Harrier até chegou a sair para a NES, e no que diz respeito aos computadores ocidentais foi a Elite quem ficou com a responsabilidade dessas mesmas conversões. Esta minha bootleg do mercado cinzento nacional foi comprada ha uns meses na Feira da Vandoma no Porto por 1€.

Space Harrier - ZX Spectrum
Bootleg do mercado cinzento

Bom, este é essencialmente o mesmo jogo que já foi referido na Master System. Somos uma pessoa que voa a altas velocidades (ou corre pelo chão) e tem de destruir uma série de estranhas criaturas e robots, aparentemente ao serviço de um qualquer império maligno. Do espaço! Mas se já a Master System se contorcia toda para conseguir reproduzir o mais fielmente possível essa experiência das arcades, como se safaria o pobre Spectrum 48k?

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Apesar de visualmente inferior, o scrolling desta versão era bem mais suave

Bom, o resultado final é um misto de sucessos e falhanços. Os falhanços devido às fraquíssimas cores que aparecem no ecrã, mas isso já é o esperado, ou as sprites monocromáticas. Mas os sucessos é que o jogo é rápido. Mesmo rápido. Com um scrolling bem suave e zooms de sprites bem credíveis, nesse ponto de vista técnico foi realmente uma surpresa. Mas a fraca paleta de cores aliada a toda a acção non-stop que vamos vendo no ecrã acaba por atrapalhar bastante a acção e é frequente morrermos por não ver algo que vinha em nossa direcção, ou não calcularmos bem as noções de distância – relembro que este é um jogo 2D a querer simular o 3D. A nível de som infelizmente também não contém quaisquer músicas, apenas os efeitos sonoros de disparo.

O veredicto que dou acaba por ser igual a practicamente todas as outras conversões de jogos arcade para o Spectrum que já trouxe para cá: existem conversões muito superiores e por essa forma não recomendo a versão ZX. No entanto, tendo em conta as limitações da plataforma até o achei uma conversão bem competente e acabo por a recomendar quer para os entusiastas da máquina da Sinclair, ou para os coleccionadores que gostam dos jogos da Sega desta época.

Space Harrier (Sega Master System)

Space HarrierAs décadas de 80 e 90 foram o apogeu da Sega nas arcadas, com o lançamento de muitos jogos memoráveis e o aperfeiçoamento de várias técnicas que tornavam muitos desses jogos visualmente fantásticos e muito longe do que as consolas da época conseguiriam fazer. Nos anos 80, uma das inovações mais importantes da Sega foi a sua tecnologia “Super Scaler” a aperfeiçoar o zoom das sprites que em jogos como Hang-On ou Out Run lhe davam uma sensação de velocidade muito boa. Mas foi em jogos como Space Harrier que essa técnica foi levada ao extremo. Conseguiria a Master System fazer-lhe justiça? Nem por sombras, mas esta não deixou de ser uma óptima conversão. Este meu exemplar foi comprado há uns meses atrás a um particular.

Space Harrier - Sega Master System
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Este jogo transporta-nos para o mundo fantasioso de “Fantasy Zone” – penso que não tem nada  de relacionado com a série de jogos de mesmo nome da própria Sega, devem ter apenas ficado sem ideias. Esse estranho mundo com o chão coberto de padrões quadriculados, animais bizarros como mamutes ciclopes, vários tipos de dragões ou robots. Aparentemente muitos desses bichos pertenciam a um poderoso império maligno que controlava o planeta e cabia-nos a nós, armados de um canhão gigante e capazes de voar a altas velocidades, de os destruir a todos!

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Existem vários níveis de detalhe para cada sprite

O que mais impressionava neste jogo era a forma em como tudo era tão fluído e parecia 3D graças à tecnologia super scaler. Ao contrário da maioria dos shooters que continham um scrolling horizontal ou vertical, em Space Harrier estavamos mesmo atrás da nossa personagem e víamos os obstáculos ou os inimigos a surgirem no horizonte e tornarem-se cada vez maiores. Esse efeito era ainda mais impressionante quando construiam vários dragões que não eram nada mais nada menos que várias sprites coladas em cima umas das outras, mas todas elas a sofrerem independentemente o efeito de sprite scaling, o que dava mesmo a sensação de profundidade. E isto na Master System também foi feito, embora exista muito sprite flickering, ou seja, por vezes deixamos de ver partes de sprites tal é a confusão no ecrã. O scrolling também não está tão bom, assim como as animações. Mas não deixa de ser um feito técnico considerável nesta plataforma de 8bits.

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Alguns bosses são de facto impressionantes, mas aqui já se notam algumas imperfeições técnicas como o flickering.

De resto a jogabilidade é bastante simples, embora desafiante. Apenas nos podemos mover para todo o lado e disparar à vontade, mas também temos de nos desviar quer dos disparos inimigos, como dos obstáculos que se vão aparecendo à nossa frente como árvores, pilares ou mesmo edifícios daquela estranha civilização. Eventualmente lá teremos alguns níveis de bónus onde subimos para as costas de um dragão branco e ganhamos pontos por toda a destruição de cenários que causarmos. De resto convém para mim referir que por vezes é mesmo difícil de desviarmo-nos do fogo inimigo precisamente pela quantidade de coisas que vão aparecendo à nossa frente.

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Ou nestas transições com tecto… a falta de transparências também é notória

Por fim, a nível de música e demais efeitos sonoros… estes últimos são poucos, simples mas cumprem o seu papel. Por outro lado temos também uma ou outra voz digitalizada com uma qualidade acima da média, como um “Get Ready” a cada vez que perdemos uma vida e temos de recomeçar o jogo de onde o deixamos. Já referi o quão fácil é morrer neste jogo? Já nas músicas é outra história. As adaptações das melodias para a Master System e o seu velhinho PSG até que ficaram bem boas, a faixa título é uma das melhores que a Sega compôs durante a década de 80 a meu ver. E para quem tiver uma Master System japonesa, basta ligarem-na sem jogo nenhum que ouvem uma versão FM dessa mesma música a tocar na bios. É mesmo uma grande pena que a Sega não incluiu essa tecnologia nas nossas Master Systems. EDIT: Aparentemente depois de melhor investigação, é apenas o Space Harrier 3D que inclui uma banda sonora FM na sua verão japonesa. A edição standard do Space Harrier apenas possui uma banda sonora que usa o velhinho PSG, independentemente da região.

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Independentemente do resto, sempre achei o design das criaturas espectacular.

No fim de contas, apesar de a Master System pura e simplesmente não ter as capacidades técnicas necessárias para correr na perfeição um jogo deste calibre, ainda assim este Space Harrier é para mim uma conversão bem competente e jogável. Para quem quiser ainda em cartucho uma versão quase arcade perfect desta jóia de outros tempos tem sempre a hipótese de comprar a versão 32X.

Global Gladiators (Sega Game Gear)

GlobalGladiators-GG-EU-Front-mediumMais um micro-artigo só mesmo para picar o ponto que estes últimos dias têm sido de trabalho intenso e sinceramente também não teria muito mais a acrescentar a este jogo. Isto porque este é um daqueles exemplos em que 2 versões para 2 sistemas acabam por ser bem semelhantes e não há realmente muito a dizer. O jogo que cá trago hoje é a versão Game Gear do Global Gladiators, um platformer bem competente, apesar de ter o nome do Mc Donalds por detrás do mesmo. Este meu exemplar foi-me oferecido após ter comprado uma Gameboy Color na feira da Vandoma por 5€. O vendedor decidiu-me despachar esse jogo também em conjunto. Edit: Arranjei recentemente através de um amigo uma versão completa por 10€.

Jogo com caixa e manual

E digo que este é um micro artigo pois já escrevi sobre a versão Master System há uns bons tempos atrás, sendo esse um dos meus jogos de infância. Poderão ler esse artigo mais detalhado aqui.

Comix Zone (Sega Mega Drive)

Comix ZoneUm dos melhores e mais originais videojogos que passaram pela mítica consola de 16bit da Sega foi um produto do seu já extinto estúdio norte-americano Sega Technical Institute, que nos trouxe também outros clássicos como Kid Chameleon ou uma valiosa participação no desenvolvimento de Sonic the Hedgehog 2. Comix Zone é um jogo de pancada lançado em 1995, mas ao contrário de clássicos como Final Fight ou Streets of Rage, a sua jogabilidade e conceito acaba por ser inteiramente diferente, como irei mencionar em seguida. Este meu exemplar foi comprado salvo erro no mês passado de Abril, tendo-me custado 5€, faltando-lhe o famigerado CD com a banda sonora.

Jogo com caixa e manuais

Então de que se trata este Comix Zone afinal? É um jogo de pancada à lá Final Fight, mas também não tem nada a ver. A semelhança está apenas no facto de termos de andar à pancada com vários inimigos até chegar ao fim do nível, mas em vez de vaguearmos em ruas, edifícios ou afins, vamos estar dentro de um livro de banda desenhada, saltando de quadradinho em quadradinho. E como tudo isso aconteceu? Bom, a nossa personagem chama-se Sketch Turner, um artista de banda desenhada que estava precisamente a trabalhar no seu livro Comix Zone numa noite de tempestade. Até que um relâmpago atinge o livro e claro, aconteceu o inevitável no mundo das comics. O vilão Mortus, um poderoso mutante ganha vida e troca de lugar com Sketch, enviando-o para a sua própria criação, o projecto do seu livro de BD. Aí Sketch vê-se a lutar contra as criaturas que idealizou, sendo ajudado pela Alissa Cyan, uma das líderes da resistência humana e com Mortus do outro lado do livro a tentar complicar-lhe a vida ao máximo.

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Na banda desenhada norte americana, muitos super heróis surgem com alguma catástrofe… aqui é mais ao contrário.

A jogabilidade é simples, embora Comix Zone não seja propriamente um jogo fácil pois os inimigos não nos dão lá muito sossego. O botão A distribui pancada, o B serve para saltar e podemos usar combinações desses botões para desencadear diferentes golpes ou combos. Um dos golpes especiais consiste em Sketch arrancar um pouco de papel do seu próprio livro e com isso fazer um avião de papel capaz de causar dano a todos os inimigos que se atravessem no seu caminho, no entanto a custo de um pouco da sua própria barra de vida, pelo que deve ser utilizado com moderação. Por outro lado, são detalhes como esse que fazem este jogo tão original, essa interacção com a própria banda desenhada onde estamos inseridos, muitas vezes temos mesmo de romper “papel” que separa os vários quadradinhos para progredir no nível.

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Esta secção inicial do jogo é das coisas que me ficou gravada na memória ao longo de todos estes anos.

Mas para além das cenas de pancadaria da velha, Comix Zone incorpora na sua jogabilidade alguns elementos de puzzle game, onde teremos de interagir com o cenário, para avançar  para o painel seguinte, sejam simples acções como pressionar um botão ou mover uma alavanca, ou usar a sua ratazana de estimação para alcançar zonas estreitas e assim conseguir avançar. A ratazana está incluida no sistema de inventário do jogo, onde Sketch pode armazenar até 3 itens, incluindo armas como bombas ou facas, itens que regeneram vida, ou um power up bem poderoso que transformam Sketch num super-herói, pelo menos temporariamente.

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo muito bem conseguido. Toda a acção se passa num mundo pós apocalíptico, pelo que iremos lutar em cidades em ruínas como Nova Iorque e a sua estátua da Liberdade desfeita em pedaços, os seus esgotos, mas somos também transportados para o outro lado do mundo, como os Himalaias ou outras aldeias Asiáticas que surpreendentemente têm importantes bases mutantes lá instaladas. O diálogo é também dado através de balões de banda desenhada, embora como é habitual nos jogos 16bit lá vamos tendo um ou outro voice sample. Os efeitos sonoros cumprem o seu papel, já a banda sonora tem uma toada mais rock que me agrada. Até porque o herói do jogo para além de desenhar BD também é um artista rock, calha tudo bem! O CD da banda sonora que vem com o jogo já contém músicas tocadas por uma banda “a sério”, mas não está no âmbito deste artigo. Até porque não o tenho!

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Como sempre o Mortus a não nos deixar em paz.

De resto, para além de uma dificuldade acima da média, só tenho mesmo pena que seja um jogo curto. Mesmo existindo algumas bifurcações de caminho que por vezes temos de optar, o que lhe dá logo alguns pontos para voltar a pegar no jogo, ainda assim acaba por saber muito a pouco. É uma pena que o Comix Zone só tenha saído em 1995, numa altura em que consolas como a Saturn ou a Playstation já estavam no mercado (ou prestes a entrar nele). Se tivesse saído mais cedo teria sido certamente um jogo com muito mais sucesso e reconhecimento do que aquele que goza hoje em dia.

Gauntlet (Sega Master System)

GauntletMais uma rapidinha a um jogo que eu tinha bastante curiosidade em experimentar mais aprofundadamente para a Master System. Gauntlet é um jogo originalmente lançado nas arcades, onde se tinha o objectivo de percorrer várias dungeons em busca de tesouros, e sobreviver o máximo de tempo possível, pois os inimigos eram às dezenas. E isto com a possibilidade de ser jogado com 4 jogadores em simultâneo, o que em 1985 deve ter sido algo muito porreiro de se fazer. Este meu exemplar foi comprado a um particular e custou-me cerca de 7€ se não estou em erro.

Gauntlet - Sega Master System
Jogo com caixa apenas

Mas a verdade é que eu nem sei muito bem que port esta versão Master System se encaixa! Não há assim muita informação sobre isso na internet, infelizmente. De qualquer das formas como a Master System não tem nenhum multitap, apenas poderemos no máximo jogar com 2 jogadores em simultâneo. Podemos escolher um herói no meio de 3 classes diferentes: o guerreiro, o elfo, a valkyria e o feiticeiro. Como seria de esperar, cada classe tem as suas vantagens e desvantagens, mas todas elas possuem ataques melee e de longo alcance ou magia, com dano variável mediante a classe escolhida. E atacar à distância acaba por ser bastante útil, pois muitas vezes temos autênticas multidões de inimigos para lidar! Até me surpreendeu, acho que nunca vi tanta sprite junta num jogo de Master System.

Alguns mapas são bastante abertos, acabando por ser normal alguns inimigos tentarem nos rodear
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Depois este é daqueles jogos que não têm fim. Na parte detrás da caixa diz que tem 512 níveis, mas na memória do jogo tem apenas cerca de 100, que a certo ponto se começam a repetir. O objectivo é avançar para o nível seguinte, marcado como um buraco no ecrã. Para além dos inimigos, temos de ter em conta a nossa saúde/fome, que se vai gastando lentamente com o movimento, ou mais rápido se levarmos com dano. E dada à natureza labiríntica dos níveis, muitas vezes acaba por não ser uma boa ideia explorar cada nível a 100% pois poderemos perder pontos de vida que poderão se tornar valiosos. Felizmente temos também alguns power ups para apanhar (cuidado para não os destruir!), que nos regeneram alguns pontos de vida, outros que nos aumentam vários stats como armadura, ataque, velocidade, magia, ou outros que nos deixam temporariamente invisíveis, por exemplo.

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Os tesouros servem apenas para nos aumentar a pontuação. Por vezes não vale o risco.

Graficamente é um jogo bastante simples, cenários com pouco detalhe visual, apenas um chão e várias paredes e com os inimigos também pequenos. Também pudera, com a quantidade deles que por vezes vemos no ecrã, não poderia ser de outra forma. A nível de som também é um jogo muito minimalista, com a música apenas a tocar entre cada nível, já o núcleo do jogo propriamente dito acaba por ser jogado todo em quase silêncio, não fossem os efeitos sonoros. Resumindo, apesar de não achar este um dos jogos de topo da Master System, devo dizer que esta conversão até que nem me pareceu nada má e satisfez plenamente a minha curiosidade com a série Gauntlet, que me pareceu interessante mas com imenso potencial para melhorar. A ver eventualmente como se safaram os restantes!