Fantasy Zone (Sega Game Gear)

Fantasy ZoneO artigo de hoje, para além de ser uma rapidinha, continua no reino das portáteis, com esta incarnação da série Fantasy Zone da Sega, que sempre se caracterizou pelos seus shmups fofinhos e coloridos, carinhosamente apelidados de cute ‘em ups. Este meu exemplar foi comprado no mês anterior na feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado cerca de 2€. Acabou por se revelar uma agradável surpresa, na medida em que estava à espera de uma conversão de um dos Fantasy Zones que sairam para a Master System, mas acabou por ser um jogo inteiramente novo, apesar de não ter sido desenvolvido pela Sega, mas sim pela Sanritsu/SIMS que mesmo sendo nomes desconhecidos, foram responsáveis por grande parte das conversões 8bit a pedido da Sega. Um pouco como a Tose.

Fantasy Zone - Sega Game Gear
Apenas cartucho

A primeira coisa curiosa nesta série é logo com o protagonista. Opa-Opa é uma espécie de nave espacial viva, com perninhas e asinhas e os diferentes mundos que vamos visitando são igualmente bizarros, com monstros completamente absurdos, como reservatórios de água, cactos voadores, pilhas eléctricas e o mesmo pode ser dito dos bosses. A nível de jogabilidade, é inegável que a série Fantasy Zone foi buscar inspirações a clássicos como Defender. Isto porque podemo-nos movimentar em qualquer direcção nos cenários, não existindo nenhum scroll automático. E o objectivo em cada nível é destruir todos os inimigos grandinhos, que são responsáveis por gerar todos os outros inimigos mais pequenos que nos vão atacando. À medida que os formos destruindo, vão largando algumas moedas que podem ser usadas na loja, pelo que se quisermos amealhar uma pequena fortuna, podemos ir “farmando” dinheiro ao manter os “geradores de monstros” vivos por mais tempo. Esse dinheiro naturalmente que vai servir para ser gasto. Para isso por vezes vamos encontrar a voar pelo ecrã uma esfera vermelha com o nome SHOP. Aí podemos comprar vários updates para Opa-Opa, desde novas asas, motores, diferentes armas (como raios laser, mísseis teleguiados, spreadshot, etc), e versões mais poderosas das bombas, o ataque especial.

Graficamente é um jogo bastante colorido, tirando partido da maior paleta de cores da Game Gear face à Master System
Graficamente é um jogo bastante colorido, tirando partido da maior paleta de cores da Game Gear face à Master System

A diferença é que esses itens têm duração limitada e depois lá teremos de os comprar outra vez se assim o desejarmos (alguns dão um jeitaço para certos bosses). E aqui começam os poucos problemas deste Fantasy Zone em específico. Devido ao ecrã reduzido da Game Gear, tiveram de sacrificar toda a informação adicional, como um radar dos inimigos ou a quantidade de munição disponível para as armas escolhidas. Mas caso queiramos trocar de equipamento que já tenhamos comprado, podemos fazê-lo a qualquer momento do jogo.

Esta é a loja que podemos visitar ao longo do jogo e comprar uma série de upgrades
Esta é a loja que podemos visitar ao longo do jogo e comprar uma série de upgrades

Nos audiovisuais é que este jogo já marca pontos, apresentando backgrounds mais coloridos e detalhados que as versões Master System dos Fantasy Zones anteriores, assim como as sprites, mesmo sendo pequenas. Claro que com os bosses a ocupar grande parte do ecrã os backgrounds tiveram de ser sacrificados, mas é algo que se compreende. As músicas são bastante agradáveis também, e não tenho nada a apontar aos efeitos de som.

Tenho pena que este ainda seja para já o único Fantasy Zone que possuo na minha colecção, mas a seu tempo os outros lançamentos principais hão-de cá chegar. Ainda assim fiquei agradavelmente surpreendido por este lançamento, quanto mais não seja por ver que afinal é um lançamento novo e não uma conversão manhosa.

Toki: Going Ape Spit (Sega Mega Drive)

TokiNo mundo dos videojogos, tal como noutras artes, há sempre espaço para coisas bizarras. E que outra reacção é que poderíamos ter quando víssemos à nossa frente a capa deste jogo?? Um macaco com uma banana na mão, a cuspir um jacto de luz com bolas de energia! Quando vi este que se tornou no meu exemplar na Cash Converters de Alfragide, fiquei algum tempo perplexo a olhar para a capa e, com um leve olhar na contracapa decidi trazê-lo. Custou-me 5€ se não estou em erro, mas falta-lhe o manual.

Toki Going Ape Spit - Sega Mega Drive
Jogo com caixa

A história começa por ser o cliché habitual, um feiticeiro qualquer rapta a nossa namorada e é o nosso papel salvá-la. Mas para tornar as coisas mais interessantes, transforma-nos também num macaco com super poderes. E são estes super poderes que tornam este jogo numa interessante mistura de plataformas com os run and gun característicos de séries como Contra ou Gunstar Heroes, isto porque podemos disparar da boca do macaco projécteis de energia como nos shmups, onde iremos encontrar ao longo dos níveis vários powerups distintos, como diferentes modos de fogo, ou outros na forma de sapatilhas que nos permitem andar mais rápido ou saltar mais alto. E sendo este um jogo com origens nas arcades, basta uma colisãozinha que perdemos logo uma vida. De resto os níveis vão tendo um desafio quanto baste, ao colocar-nos a atravessar zonas com plataformas que caem, abismos com espinhos e outras coisas fofinhas.

O porquê dos protagonistas estarem seminus é algo que me ultrapassa
O porquê dos protagonistas estarem seminus é algo que me ultrapassa

De resto, apesar de existirem imensas conversões deste Toki para os mais variados sistemas, esta versão Mega Drive vence pelo conteúdo adicional, ao introduzir um maior número de níveis e por conseguinte, bosses. Para se ter uma ideia, um jogador experiente poderia chegar ao fim do jogo em cerca de 20 minutos no original de arcade. Aqui precisaria de quase uma hora. Mas apesar de todo este conteúdo adicional, não traz nada de muito novo, com o jogo a apresentar na mesma os tradicionais cenários selvagens em florestas, montanhas, subaquáticos, dentro de vulcões e cavernas geladas. Mas não deixa de ser um bom jogo de plataformas, desafiante quanto baste.

Quando vi este macaco nos screenshots da contracapa fez-se logo luz. Afinal tinha jogado 5 minutos deste jogo em emulação antes.
Quando vi este macaco nos screenshots da contracapa fez-se logo luz. Afinal tinha jogado 5 minutos deste jogo em emulação antes.

Graficamente não é dos jogos mais brilhantes na Mega Drive. A paleta de cores escolhida é constantemente escura, não havendo muita variedade de cores. É verdade que a Mega Drive tem algumas limitações quanto à sua paleta de cores, mas olhando para jogos como a série do Sonic é fácil ver que com pouco consegue-se na mesma fazer muito, o que não é aqui o caso. Este conteúdo adicional infelizmente ficou-se só nos níveis expandidos e adicionais… pois nas músicas deixaram ficar tudo como está. O resultado é que vamos ter muitas músicas a repetirem-se ao longo do jogo e devo dizer que também não fiquei impressionado com as mesmas.

Concluindo esta rapidinha, mesmo com as suas limitações nos audiovisuais, este Toki acabou por ser um jogo que me surpreendeu pela positiva, quanto mais não seja pela bizarrice da capa e do conceito. Já na jogabilidade, é um bom jogo que mistura bem os conceitos de platformer, run ‘n gun e shmup. Só por aí já marca pontos!

Sonic 3D Flickie’s Island (Sega Mega Drive)

Sonic 3DO artigo de hoje será invariavelmente mais uma rapidinha, até porque já escrevi há algum tempo atrás sobre a versão Sega Saturn do Sonic 3D. E apesar desta versão ser a original e a Saturn ter algumas diferenças, no fundo acaba por ser o mesmo jogo pelo que não vale a pena estar a alongar-me muito. Este meu exemplar foi comprado na Feira da Ladra em Lisboa há uns 2 meses atrás, tendo-me custado cerca de 7€. Está como novo!

Jogo completo com caixa e manuais
Jogo completo com caixa e manuais

Tal como devo ter referido no artigo da Saturn, este Sonic 3D é uma espécie de sucessor tanto da série clássica Sonic, como de um jogo arcade muito mais antigo, o Flicky. Isto porque os pequenos pássaros estão aqui presentes e tal como no original das arcades também temos de os reunir e encaminhá-los a uma saída, neste caso uns anéis mágicos que os teletransportam para uma outra dimensão. De resto o jogo mantém uma identidade algo fiel aos jogos do Sonic clássicos, excepto na perspectiva que passa a ser isométrica. Com essa nova perspectiva, o aspecto velocidade e malabarismos como vários tipos de loopings tiveram de ser algo sacrificados, dando mais ênfase à exploração e alguns elementos de puro platforming.

Apesar da velocidade ter sido sacrificada, não deixa de ter a identidade muito própria dos Sonics clássicos
Apesar da velocidade ter sido sacrificada, não deixa de ter a identidade muito própria dos Sonics clássicos

As diferenças face à versão Saturn assentam principalmente nos detalhes gráficos e nos níveis bónus. Nestes últimos, enquanto aqui vamos tendo alguns caminhos armadilhados para avançar e coleccionar anéis suficientes para ganhar uma esmeralda caótica, na versão Saturn estes foram refeitos de uma forma completamente 3D, onde Sonic percorre uma série de circuitos em meios tubos tal como no Sonic 2, mas claro, com gráficos melhores. Os gráficos continuam bem bonitinhos para uma Mega Drive, mas a versão Saturn apresenta-os de uma forma mais refinada e com alguns efeitos gráficos adicionais. Já nas músicas sinceramente prefiro as da versão Mega Drive, pois prefiro o chiptune e as melodias em si são bastante agradáveis como nos Sonics clássicos. E temos a vantagem de não ter loadings! De resto aqui também temos uma cutscene de abertura em Full Motion Video, que se bem que se apresenta de uma forma bastante pixelizada, não deixa de ser impressionante para uma Mega Drive e certamente que ocupa uma grande parte do curto armazenamento do cartucho.

Tails e Knuckles também marcam aqui a sua presença, se bem que apenas para nos conduzirem aos níveis bónus
Tails e Knuckles também marcam aqui a sua presença, se bem que apenas para nos conduzirem aos níveis bónus

Posto isto, devo dizer que mesmo não sendo um jogo tão bom como os clássicos da Mega Drive, não deixa de ser um óptimo jogo de plataformas, e mesmo a versão Saturn ser superior em alguns aspectos, a versão Mega Drive acaba por fazer muito mais sentido do que a versão 32bit que no fim de contas apenas serviu para fazer de tapa-buracos após o fiasco de Sonic X-Treme.

Sega Ages Volume 1 (Sega Saturn)

Sega AgesNo artigo de ontem escrevi sobre a conversão para 32X do After Burner II, onde referi que até à data, essa era a melhor versão doméstica que poderíamos encontrar desse clássico das arcadas. E isso foi verdade até ter saído mais uma conversão, desta vez para a verdadeira máquina de 32bit da Sega. Embora tenham sido lançados originalmente no japão de forma separada, os jogos After Burner II, Out Run e Space Harrier foram relançados no ocidente na forma desta compilação Sega Ages Volume 1. Este meu exemplar foi comprado algures em Dezembro na Cash Converters de Alfragide por 7€.

Sega Ages Volume 1 - Sega Saturn
Compilação completa com caixa e manuais

Creio que não há muito a dizer desta compilação, a não ser que foram as primeiras conversões verdadeiramente fiéis aos originais de arcade, embora a versão 32X do After Burner tenha estado muito próxima. Os especialistas dizem que o seu único defeito é correr a 30fps, enquanto a versão Saturn é tão fluída como a original, correndo nos belíssimos 60fps. O Space Harrier é mais um jogo com a tecnologia Super Scaler (aliás, todos os jogos desta compilação o são) e naturalmente é uma versão bastante superior ao esforço que foi feito em colocar a Master System a correr um shooter pseudo 3D de uma forma tão fluída. Por fim sobra-nos o Out Run que foi o único jogo cuja versão original ainda não analisei mais a fundo. Mas vou deixar isso para uma dia que encontre a versão Mega Drive ou mesmo a Master System. Se tiverem curiosos, poderão ver um paralelismo que tracei entre o original e o Out Run 2006 para a PS2 aqui.

Ao contrário da versão Master System, o sprite scaling funciona muito bem nesta versão
Ao contrário da versão Master System, o sprite scaling funciona muito bem nesta versão

A nível técnico são todos jogos que correm com a tecnologia Super Scaler da Sega, que permitia um zoom bem fluído e convincente de sprites, resultando em jogos bastante rápidos e repletos de acção, em especial no caso dos dois shooters. E os três jogos possuem excelentes bandas sonoras, cada um ao seu estilo. A minha preferida continua a ser a banda sonora do After Burner por ser mais rockeira, mas aquelas melodias do Space Harrier também me agradam bastante.

A versão Mega Drive do OutRun é bem competente, mas ainda longe da que temos aqui.
A versão Mega Drive do OutRun é bem competente, mas ainda longe da que temos aqui.

De resto, só tenho pena que esta compilação apenas se tenha ficado pelo primeiro volume. No Japão, e para a Sega Saturn, foram vários os jogos relançados sobre o nome “Sega Ages”, incluindo outros clássicos de arcade como Fantasy Zone, Galaxy Force II, Power Drift ou mesmo pérolazinhas como a Phantasy Star Collection.

After Burner Complete (Sega 32X)

After Burner CompleteComo tem vindo a ser habitual, o artigo de hoje será mais uma rapidinha. A obra escolhida acaba por ser uma das melhores conversões de um dos jogos arcade da Sega da década de 80 que mais impressionou: After Burner! Este jogo teve vários lançamentos, tanto em consolas e computadores, como diferentes revisões arcade com diversas cabinets, uma delas verdadeiramente impressionante, com uma cabine que se movia em vários eixos de forma a simular a rotação do avião. Este meu exemplar para a 32X foi comprado a um vendedor da Feira da Ladra em Lisboa por 2.5€.

Jogo com caixa e manual da Ecofilmes. Falta o multi.
Jogo com caixa e manual da Ecofilmes. Falta o multi.

Na verdade, este After Burner Complete é uma conversão do After Burner II, que por sua vez, tal como o Galaxy Force II é apenas uma revisão do primeiro jogo, ao contrário de uma sequela a sério, tendo acrescentado alguma funcionalidade extra nos controlos (é agora possível controlar a velocidade do avião) e com alguns níveis extra. A jogabilidade é bastante simples, mas bem frenética. Viajamos ao longo de diversas paisagens onde teremos de enfrentar imensos outros aviões que surgem de várias direcções. Para os combater temos mísseis teleguiados de munição limitada, e rajadas de metralhadora pesada que podem ser disparadas à vontade. Para não desperdiçarmos mísseis à toa, convém apenas dispará-los quando conseguirmos fazer “lock” aos aviões que nos vão aparecendo. Ainda assim, por vezes podemos reabastecer o stock de mísseis no fim de alguns níveis. Ocasionalmente, em especial nos níveis mais avançados, teremos alguns aviões que nos tentam caçar por trás, disparando também mísseis teleguiados que temos de despistar. Para isso, no canto superior direito do ecrã temos um sensor que indica a inclicação do avião e mostra também a posição relativa do míssel ao avião. Agora fazer isto em voos supersónicos e ter ainda cuidado com os outros aviões que aparecem de todo o lado é obra!

Visualmente o jogo é muito idêntico ao After Burner II para arcade.
Visualmente o jogo é muito idêntico ao After Burner II para arcade.

De resto, tal como referi acima, esta era simplesmente a melhor conversão de um After Burner lançado até à data. A versão Master System do primeiro jogo, apesar de ambiciosa deixava muito a desejar perante a portentosa tecnologia super scaler, e a versão Mega Drive do After Burner II apesar de muito melhor que a versão 8bit, também deixava a desejar perante a velocidade e grafismo dos originais das arcades. Esta versão para a 32X já se apresenta com um grafismo virtualmente idêntico. Há quem diga que a única diferença está no framerate a 30fps, enquanto os originais de arcade correm a 60. As músicas continuam excelentes, sendo quase todas melodias bem rock com guitarradas quanto baste e que sinceramente me agradam bastante.

Ocasionalmente vamos sendo reabastecido de mísseis desta forma. Outras vezes aterramos temporariamente para abastecer combustível, com os pilotos de Out Run e Hang On a fazerem uma visita.
Ocasionalmente vamos sendo reabastecido de mísseis desta forma. Outras vezes aterramos temporariamente para abastecer combustível, com os pilotos de Out Run e Hang On a fazerem uma visita.

Posto isto, esta é uma excelente versão de uma dupla de grandes clássicos da Sega de outros tempos. Só tenho mesmo pena é de ainda não ter orientado uma 32X para o ter jogado da forma que realmente merece. Mas apesar desta versão ser realmente muito boa, há ainda uma conversão melhor, mas isso fica para a rapidinha de amanhã.